13 de julho de 2013

Sem Band-Aid Na Ferida Ética do País

A Renovação do Brasil Deve Ser Profunda

 
Carlos Cardoso Aveline





A ausência de vitórias fáceis e de curto prazo na luta pela ética na política brasileira não deve ser fonte de frustração para os cidadãos conscientes. Ao contrário: o fato é uma boa demonstração de que não há fita adesiva ou  band-aid sendo usados para disfarçar a profunda ferida ética do país.

Sabe-se que o parlamento está parcialmente corrompido devido ao tráfico de influências de setores influentes do poder executivo, em conluio com conglomerados financeiros.

O problema da falta de ética na administração pública não é recente, e é cultural.

Já na corte de Dom João VI no Brasil, entre 1808 e 1821,  havia dois personagens que tinham um comportamento ético bastante comparável ao que temos visto no Brasil neste início de século 21.  Eram Joaquim de Azevedo, responsável pelas compras de estoques da Casa Real, e Bento Targini, que comandava as finanças do Reino. Ambos alcançaram a nobreza e até foram nomeados viscondes enquanto roubavam o dinheiro público, e a população expressava seus sentimentos através destes versos:

Quem furta pouco é ladrão
Quem furta muito é barão
Quem mais furta e esconde
Passa de barão a visconde.

E ainda:

Furta Azevedo no Paço
Targini rouba no Erário
E o povo aflito carrega
Pesada cruz ao calvário
[1]

Na história do Brasil independente, foram poucos os governantes  realmente éticos.  A corrupção não é algo que se cura facilmente,  porque  é  inseparável da ignorância espiritual e da injustiça social.  

O despertar do Brasil deve ser amplo e gradual, portanto, e ele já está ocorrendo.  Só um país que respeita a si mesmo, que é verdadeiramente independente e tem um projeto histórico claro pode organizar-se em torno de princípios éticos sólidos.

Como cidadãos,  façamos o que é possível, e deixemos que o tempo transcorra. Tudo tem sua hora e ninguém perde por esperar: nem os honestos, nem os ladrões. 

Quanto à visão da filosofia esotérica em relação ao dever ético de quem ocupa posições de poder político, ela foi descrita de forma muito clara por um Mestre de Sabedoria dos Himalaias:

“Para nós um lustrador de botas honesto é tão bom quanto um rei honesto, e um varredor de ruas imoral é muito melhor e mais desculpável do que um imperador imoral.” [2]

Quanto maiores as oportunidades que uma pessoa tem, maior a sua responsabilidade cármica.

A justiça cármica parece tardar, às vezes; mas ela não falha, e suas aparentes demoras não ocorrem por acaso.  Grandes saltos se preparam lentamente.

NOTAS:

[1] “1808”, livro de Laurentino Gomes, Ed. Planeta, SP, 2007, 414 pp., ver pp. 194-195.

[2] “Cartas dos Mahatmas Para A.P. Sinnett”, Ed. Teosófica, Brasília, volume 1, Carta 29, página 158.

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