11 de agosto de 2014

A Chave da Estabilidade

O Verdadeiro Discípulo Se Mantém  
Sereno Nas Diferentes Situações da Vida


John Garrigues


 Em teosofia, equilíbrio é fundamental



Estabilidade significa um controle do corpo, dos sentidos, da mente e das emoções, devido à visão que se tem de determinada meta.  Se a meta não for suficientemente elevada, porém, não pode haver uma verdadeira estabilidade, porque a própria meta não será estável. Assim, o ser que busca irá oscilar com o movimento incerto da própria meta buscada.

Ao longo das eras, os instrutores antigos e modernos nos fazem esta advertência: “Mantenha sempre presente em sua mente o seu propósito principal”.  O objetivo da nossa aliança não deve ser esquecido nunca.
                                                     
Qual é esta meta,  o principal propósito de todo verdadeiro estudante de teosofia? Trata-se da união com o Eu Superior. Nada menos que isso; uma compreensão cabal da parte divina do nosso ser, e uma unidade consciente com ela.

Para muitos, esse parece ser um ideal distante. Sabemos que não estamos prontos.  Para a maior parte de nós, já houve, só nesta vida atual, longos anos de educação, de experiência, de mudança de ideias e ideais, e de metas oscilantes. Nós pertencemos à raça humana, e nos movimentamos de acordo com as ideias dela. Estamos mergulhados e presos à sua civilização. O ambiente físico e sutil em que vivemos é um fator muito forte. Em algum momento, em alguma encarnação nós estaremos prontos. É o que pensamos: muitas vidas depois desta existência atual.  Mas esta é uma posição pessoal, é claro, e, portanto, uma posição fraca. Nunca poderá haver real estabilidade com base numa visão como esta.

Só o eu superior ou alma espiritual é permanente. Só o que é permanente pode ser estável. Nós somos aquele Ser, aquela Divindade, aquele ponto Mais Elevado. O “objetivo principal” é a compreensão desta realidade. 

Concentrando-nos na ideia, adotando a posição uma e outra vez, pacientemente, com persistência e sem desanimar, avançaremos para uma meta estável.  A estabilidade surge em nós silenciosamente, mas de modo crescente, como qualquer outro conhecimento ou progresso que valha a pena. Sentimos que estamos começando a ter alguma estabilidade, a compreendê-la e a perceber o seu valor. Então podemos passar a examinar, praticar e usar os poderes e instrumentos da nossa consciência. O condutor se senta firmemente em seu lugar, à frente da carruagem; ele usa corretamente as rédeas, aprende a controlar os cavalos e faz com que eles realizem sua tarefa.

O discípulo estável se mantém forte, sereno e imperturbado enquanto se movimenta entre seres humanos e acontecimentos de qualquer tipo.  Ele é capaz de discernir entre uma coisa e outra, e pode resolver os problemas, porque os vê como eles são. Ele enfrenta eficientemente os desafios da vida à medida que eles surgem, e é capaz de ajudar outras almas que necessitam auxílio e devem ser ajudadas. 

O fogo do eu superior arde com força nele: mas ele deve manter-se firme e estável até mesmo em relação à satisfação provocada por este fato, porque é necessário evitar a falsa impressão de que esta força pertence a si, o que o faria cair do Akasha para a luz astral inferior, indo da estável impessoalidade outra vez para a oscilante posição pessoal.  Alimentado pelo eu superior, o próprio fogo o sustenta e o alimenta. Devido à sua força, verdadeiros milagres podem ser feitos para beneficiar outros seres. Não é por acaso que um instrutor afirmou a respeito desta força que “ela fortalece e melhora até mesmo as circunstâncias da vida”.

Podemos esforçar-nos, pois, para obter estabilidade mantendo sempre em vista o principal objetivo, e adotando uma e outra vez a posição correta; a cada dia e a cada hora, de momento a momento. Não há outro modo de avançar.  Deste modo veremos que nada é grande, nada é pequeno, tudo é parte da vida, tudo é interessante e valioso como experiência.  A elevação vem com a estabilidade, e também com uma confiança, uma certeza, uma nobreza, uma humildade. A recompensa por esta vitória deve ser imensa e maravilhosa, porque, ao obtê-la, o indivíduo se torna um Mestre da vida.

“OM é o arco. O Eu Superior é a flecha. Brahman é o seu alvo. Ele será atingido por um homem que não age impensadamente; e, à medida que a flecha se torna uma com o alvo, o homem se tornará um com Brahman. Deves saber que só ele é o Eu Superior, deixando de lado outras palavras. Ele é a ponte para o Imortal. Medita no Eu como OM.” [1]

NOTA:

[1] John Garrigues está citando aqui as primeiras linhas do Mundaka Upanixade, que abrem o artigo “A Flecha no Alvo”, de William Q. Judge.  O artigo está disponível em nossos websites associados.  

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O texto acima foi publicado inicialmente de modo anônimo pela revista “Theosophy”, de Los Angeles, em sua edição de janeiro de 1922, pp. 77-78. Título original: “The Key to Steadiness”. A tradução ao português apareceu  pela primeira vez na edição de agosto de 2011 de “O Teosofista”.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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