5 de agosto de 2016

A Nota-Chave do Oceano Cósmico

Uma Onda Sutil em Meio ao Burburinho do Mundo

Joaquim Duarte Soares




Observando o firmamento estrelado numa noite escura, não podemos deixar de sentir a nossa pequenez diante de cenário tão grandioso e de um indecifrável mistério que nos assalta a consciência. Que poder sustém o Universo? O que é aquilo que nos dá a vida e o ser? De onde viemos? O que fazemos aqui? Para onde vamos? Afinal o que somos nós neste grande Oceano Cósmico? Estaremos sós? 

Estas são perguntas que nos assaltam em momentos de recolhimento e contemplação da prodigiosa Beleza que nos rodeia.  

Vivemos numa sociedade (que ajudamos a construir) que nos incute a crença de que a felicidade pode ser alcançada através da satisfação dos desejos, que nos quer fazer acreditar que tendo cada vez mais bens materiais, posição social e sucesso profissional, poderemos obter finalmente a paz desejada.

A realidade desmente todo esse gigantesco esquema de manipulação coletiva. Não só  não temos paz como continuamente geramos novas causas de infortúnio, que se somam a tantas outras que já nos atingem. Pior ainda, temos tornado a vida no planeta um autêntico inferno, em que milhões de seres humanos vivem na maior das misérias e sofrimento.  

A maquiagem social não chega a esconder a enorme infelicidade que corrompe os corações dos homens. Nos momentos de solidão, quando já ninguém está por perto, naquele encontro com nós próprios, na contemplação das coisas simples, chegamos sempre à conclusão que nada disto vale a pena. Não é isto que queremos. Uma ânsia infinita não se satisfaz com coisas finitas. Apesar de tudo, quando fechamos os sentidos às coisas externas e voltamos a atenção para o silêncio interior, pressentimos, de alguma maneira, a presença desse Inefável e Incompreensível Poder que a tudo deu origem.  

Teimamos em esquecer, mas as mesmas perguntas de sempre ressurgem em nossa mente: “Quem somos?”, “De onde viemos?”, “Para onde vamos?”...  

Uns dizem que ninguém sabe. Outros dizem-nos que não devemos sequer perguntar. Outros ainda dizem-nos que sabem alguma coisa, mas logo que tratamos de ouvi-los chegamos à conclusão que as nossas dúvidas mais profundas, as questões verdadeiramente essenciais, permanecem sem respostas.  

Mas eis que alguém nos diz:

“Calma amigo, há quem saiba. Há quem tenha dedicado toda a sua vida a procurar as respostas. Há quem afirme que tu e eu também podemos aprender e saber, e sabendo teremos força, tranquilidade e coragem para olharmos de frente os mistérios da Vida e do Universo.”  

Há uma nota que ecoa por entre o burburinho do mundo. É uma nota tênue, quase inaudível, mas firme e constante. Nem todos ouvem, atarefados que estão com as suas ocupações imaginárias. Mas aqui e ali, mais alguns vão despertando, dirigindo a sua atenção para a nota primeira de uma canção há muito esquecida. Uma canção que fala de tempos longínquos, de outras eras, quando a humanidade ainda era uma criança, de seres sublimes que nos trouxeram um pouco do Eterno Amor-Sabedoria que a tudo dirige, de sacrifícios e vidas inteiras dedicadas a perscrutar os arcanos da natureza. 

E vem alguém que afirma:  

“A Doutrina Secreta é  a Sabedoria acumulada dos séculos, e a sua cosmogonia, por si só,  é o mais estupendo e elaborado dos sistemas (...). Mas tamanho é o poder misterioso do simbolismo Oculto que  fatos cuja ordenação, classificação e explicação necessitaram a atenção de gerações inumeráveis de videntes e profetas iniciados, durante as assombrosas séries do progresso evolutivo, estão todos registrados em algumas poucas páginas de signos geométricos e de símbolos. A visão iluminada daqueles Iniciados foi até ao próprio âmago da matéria, descobriu e perscrutou a alma das coisas, ali onde um observador comum e profano, por mais arguto que fosse, não teria percebido senão a tessitura externa da forma. Mas a ciência moderna não crê na ‘alma das coisas’, e por isso rejeitará todo o sistema da cosmogonia antiga. É inútil dizer que tal sistema não é fruto da imaginação ou fantasia de um ou mais indivíduos isolados; que se constitui dos registros ininterruptos de milhares de gerações de videntes [1], cujas experiências cuidadosas têm concorrido para verificar e comprovar as tradições transmitidas oralmente de uma a outra raça primitiva, acerca dos ensinamentos de seres superiores e excelsos que cuidaram da Humanidade durante sua  infância. ”[2]  

A Doutrina Secreta é  parte dessa nota, emitida pelos “Filhos da Sabedoria”, os “Mestres da Vida”, com o objetivo de auxiliar o surgimento da nova Civilização Planetária, a Civilização das consciências verdadeiramente livres.   

NOTAS:

[1] Para não haver confusão em relação ao que hoje se entende por “vidente”, esta palavra deve ser entendida aqui como aquele que por intenso esforço, renúncia, disciplina, treinamento oculto, sujeição ao Eu Superior e serviço à Causa da evolução humana, desenvolveu os seus poderes internos latentes no mais elevado grau, e venceu a etapa atual da evolução humana.  

[2] “The Secret Doctrine”, H.P. Blavatsky, Theosophy Co., Los Angeles, volume I, pp. 272-273.

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Uma versão inicial do texto acima foi publicada na edição de outubro de 2009 de “O Teosofista”.

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Sobre o crescimento interior e a transformação pessoal no século 21, leia a obra “O Poder da Sabedoria”, de Carlos Cardoso Aveline.


O livro foi publicado pela Editora Teosófica, de Brasília, tem 189 páginas divididas por 20 capítulos e inclui uma série de exercícios práticos. Está na terceira edição.  

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