21 de maio de 2026

As Sete Idades do Homem



 
 

Nota Editorial:

 

“Não é só Shakespeare que divide as idades do
homem em uma série de sete, mas a própria Natureza.”

 

(Helena Blavatsky, em The Secret Doctrine, Vol. II, p. 117.)

 

 

Vários estudantes de filosofia esotérica afirmam que o ator inglês William Shakespeare na verdade apenas emprestou seu nome, concordando em aparecer como autor das numerosas peças de teatro escritas pelo pensador e estadista Francis Bacon, profundo conhecedor da tradição esotérica. O norte-americano Manly P. Hall e a inglesa Jean Overton Fuller estão entre os que apresentam evidências a respeito. A controvérsia é mencionada de passagem nas Cartas dos Mahatmas (veja-se no volume II as Cartas 117 e 130).

 

As peças de Shakespeare foram escritas em versos, mas, nesta tradução para o português coloquial, abandono a ideia de rimas.

 

O trecho a seguir, da comédia “As You Like It” (“Como Você Quiser”), é um exercício irônico de meditação sobre a passagem cíclica da vida humana. Constitui um estímulo para que não percamos muito tempo com o eu inferior – a casca – e busquemos ampliar o contato com nosso eu superior, Atma-Buddhi, a alma imortal.

 

O trecho pertence à Cena Sete do Ato II. Poucas falas antes, um personagem da comédia afirma:

 

“Agora são dez horas e você pode ver como o mundo oscila; há uma hora eram nove, dentro de uma hora serão onze; a cada hora que passa nós amadurecemos; a cada hora apodrecemos; nisso há toda uma história.”

 

O pessimismo em Shakespeare é apenas uma camada externa da mensagem. A lição prática nos convida a viver cada instante da vida material com plena atenção e responsabilidade.

 

(Carlos Cardoso Aveline)

 

 

As Sete Idades do Homem

William Shakespeare

 

O mundo inteiro é um palco,
E todos os homens e mulheres são meros atores:
Eles têm suas saídas e suas entradas;
E um homem cumpre em seu tempo muitos papéis.
Seus atos se distribuem por sete idades. No início a criança
Choraminga e regurgita nos braços da mãe.
E mais tarde o garoto se queixa com sua mochila,
E seu rosto iluminado pela manhã, arrastando-se como uma lesma
Sem vontade de ir à escola. E então, o apaixonado,
Suspirando como um forno, com uma balada aflita,
Feita para os olhos da sua amada.  Depois o soldado,
Cheio de juramentos estranhos, com a barba de um leopardo,
Zeloso de sua honra, rápido e súbito na briga,
Buscando a bolha ilusória da reputação
Até mesmo na boca de um canhão. E então vem a justiça,
Com uma grande barriga arredondada pelo consumo de frangos gordos,
Com olhos severos e barba bem cortada,
Cheio de aforismos sábios e argumentos modernos.
E deste modo ele cumpre seu papel. A sexta idade o introduz
Na pobre situação de velho bobo de chinelos,
Com óculos no nariz e a bolsa do lado,
Suas calças estreitas guardadas, o mundo demasiado largo para elas,
Suas canelas encolhidas, e sua grande voz masculina
Quebrando-se e voltando-se outra vez para os sons agudos,
Os sopros e assobios da infância.  A última cena de todas,
Que termina sua estranha e acidentada história,
É a segunda infância e o mero esquecimento,
Sem dentes, sem mais visão, sem gosto, sem coisa alguma.

 

 

O artigo acima está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 21 de maio de 2026. Trata-se de uma tradução, feita por CCA, de um trecho da peça “As You Like It”, situado no Ato II, Cena VII. Veja “The Complete Works of William Shakespeare”, Edited by W. J. Craig, M.A., Magpie Books, London, 1992, 1142 pp.

 

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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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