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29 de maio de 2025

Decida Vencer e Defina o Objetivo

 
Alguns Pontos Básicos na
Arrancada Para a Vitória
 
Jean des Vignes Rouges
 



1. A Decisão de Vencer

Ao jovem que sonha com uma grande carreira, ao mesmo tempo que secretamente treme ao pensar em perder a vida. Aos homens e mulheres de todas as classes sociais, inclinados a repetir sem parar: “Os tempos estão difíceis! Problemas surgem de todos os lados, grandes e pequenos. Estes me incomodam, aqueles me aborrecem... Estou cansado disto, como posso sair desta situação?”

Quero ajudar você.

E, antes de mais nada, você sabe como pronunciar corretamente esta pequena frase: “Eu quero vencer”?

Quantas pessoas eu conheci que não sabiam dizer essas palavras, embora elas sejam bem simples!

Revejo Faugier, largo, atarracado, forte, com as sobrancelhas franzidas. Ele parecia correr pela vida como um animal selvagem furioso, repetindo: “Eu sou dinâmico, vou ter sucesso aconteça o que acontecer!”

Que mal-educado, eles pensavam! E fugiam para longe do seu alcance, prometendo a si mesmos, se necessário, pregar alguma peça cruel nesse personagem devastador. E o pobre rapaz, vítima de um orgulho mal expressado, nunca conseguiu alguma coisa. De percalços a fracassos e de azar a infortúnios, ele acabou caindo um dia em alguma vala, dinamitado - pode-se dizer - por seu próprio dinamismo.

O gordo Marchet também repetiu com frequência: “Eu quero vencer!” Mas fazia isso com uma voz tão fraca que dava vontade de rir, pensando que ele desistiria logo no primeiro obstáculo.

Lembro-me também do magro e nervoso Tolacq, tão ansioso por “honrar seu nome” com uma carreira gloriosa. Infelizmente, ele repetia isso com entonações que revelavam sua forte angústia interior. Ninguém apostou nele, tampouco. Contudo, ele obteve vitórias, graças à sua determinação incondicional, ainda que nervosa.

Quanto ao Marloffe, frenético e ambicioso, meio louco, que rondava sempre os “poderosos” mendigando, exigindo uma promoção, um emprego ou um favor, ele às vezes conseguia assustar os distribuidores de empregos, até porque suas exigências eram de chantagem. Acima de tudo, ele conseguiu ser odiado e desprezado.

Saiba portanto expressar o seu desejo de vencer de tal forma que as suas palavras façam subir, desde sua alma, o despertar de energias adormecidas, ao mesmo tempo em que anunciam sem alarde a colocação em movimento de uma vontade sadia, forte, razoável, e decidida a continuar querendo até o fim.

Não precisa falar alto! Evite também o ridículo das atitudes escandalosas. Gritos podem ser úteis em certas ocasiões, mas, na vida cotidiana, é melhor que você seja o homem sobre o qual as pessoas confessam com admiração: “Ele não age como um arrogante, ele fala com calma, mas, cá entre nós, fique sabendo, esse sujeito, por trás da sua aparência reservada, tem um temperamento forte como um trovão dos céus! Ele vencerá.”

2. Definir a Meta

O que você quer alcançar?

Quer desfrutar de prazer? Deseja se divertir? É essa a vitória com que você sonha? Também conheci muitas pessoas para quem o ideal era “evitar o tédio”. Como resultado, “faziam a festa”. Sempre observei que esses indivíduos infelizes acabam morrendo cheios de nojo de si mesmos e dos outros. Administradores desastrados das energias que a natureza lhes deu, eles se desgastam de maneira miserável.

Eu não insisto. Além disso, você é rico o suficiente para se dar ao luxo doentio dessa existência parasitária? Então trema! Pois você não ignora que preservar uma fortuna é, em nossa época, um problema ainda mais difícil de resolver do que a quadratura do círculo. A pobreza está esperando por você.

Mas talvez “sucesso”, para você, signifique ser um “santo”. Se a sua vocação é suficientemente forte, a sua alma tão perfeitamente pura, a sua vontade tão submissa aos imperativos divinos que você sente irresistivelmente a felicidade na forma de desapego aos bens deste mundo, de devoção absoluta aos outros, a todos os ideais concebidos pelas religiões e filosofias; então eu me curvo respeitosamente diante de você. Meus conselhos neste caso só podem ser como as modestas observações técnicas que um trabalhador humilde às vezes permite apresentar ao seu chefe... E as quais, mesmo assim, são úteis ao patrão.

Você pretende ser “um grande deste mundo”? Chefe de uma poderosa empresa industrial, comercial ou agrícola? Você sonha em um dia se tornar deputado, ministro e, por que não, presidente da República? Ou, mais modestamente, você quer ter uma carreira brilhante, em qualquer lugar que o destino o coloque? Então aqui retomo a minha função como técnico em psicologia com a afirmação de que posso esclarecer algumas coisas para você.

Mas por que eu deveria ser demasiado modesto? Isso daria a você um mau exemplo. Eu também estou sujeito à lei geral, aquilo que manda ao homem afirmar a sua personalidade, fazendo com que ela seja respeitada pelos seus semelhantes, porque se ele contasse apenas com a admiração espontânea deles, infelizmente ficaria desiludido! Com muita frequência.

Digo-lhe, portanto, com a autoridade que me foi dada por uma vida que começou há muitos anos, repleta de altos e baixos, de leituras, de reflexões e observações da realidade - recomendo, portanto, que você cultive as qualidades que o tornam bem-sucedido.

Quais?

Elas são incontáveis! Procure em um dicionário todas as palavras que designam virtudes úteis a um homem que deseja ter sucesso. Que colheita! Perseverança, atividade, afabilidade, ambição, desenvoltura, ardor, segurança, audácia, autoridade, bom senso, bravura, charme, circunspecção, clarividência, clareza de espírito, combatividade, constância...

Paro por aqui. Seriam necessárias várias páginas para transcrever as qualidades, e livros inteiros para comentá-las. Mas acredito que o primeiro dever de um doador de conselhos é não sobrecarregar aqueles que o ouvem com uma torrente de exortações, porque elas iriam apenas perturbar o seu espírito, ao invés de o ajudar. 

É por isso que, sobre este tema - o sucesso -, fiz uma seleção de ideias entre todas aquelas que me parecem transmitir ao meu leitor uma força propulsora eficaz.

Porque esse é o propósito. Em suma, o objetivo não é tanto ensinar você a fazer pequenas coisas usando truques psicológicos, mas sim transmitir-lhe o desejo de ter sucesso. As palavras aqui não são simples carteiros apáticos encarregados de depositar na “caixa postal” da sua mente frias advertências de cobradores de impostos. Não, as palavras de um livro sobre a arte de ter sucesso também devem proporcionar o choque psicológico, um “pontapé em determinado lugar” [1], aplicado com força no ponto certo de uma “moral” que talvez estivesse ronronando muito satisfeita consigo mesma.

Eu estudo neste volume [2] as qualidades que você deve desenvolver até a medula dos ossos. Por isso eu as viro e reviro de todos os lados para você ver. Com método, porém.

Portanto, em relação à arte do sucesso, vou distinguir duas partes. A primeira ensina como regular o motor, digamos assim, ou equipar o homem com os sentimentos e as tendências que garantem a criação de energia e preparam o seu uso metódico. A segunda parte consiste em manobrar essa máquina admirável que é você mesmo, no meio social onde você deve “deixar a sua marca”. Isso torna necessário o estudo de outros seres humanos e dos meios pelos quais alguém se faz amado ou temido por eles.

A exposição desta segunda parte exige um volume que escreverei mais tarde.[3] Essa é, pelo menos, a minha esperança.

NOTAS:

[1] Esta imagem pitoresca é de um assinante da revista “France Efficience”, satisfeita com a publicação. (Nota de JVR)

[2] “Les Qualités Qui Font Réussir”, de Jean des Vignes Rouges, Éditions Amiot-Dumont, Paris, 1951, 223 páginas.

[3] Veja outros artigos de Jean des Vignes Rouges.  

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O texto “Decida Vencer e Defina o Objetivo” está disponível como item independente nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 29 de maio de 2025. Ele faz parte também da edição de maio de 2025 de “O Teosofista”, pp. 13 a 16. Foi traduzido do livro “Les Qualités Qui Font Réussir”, de Jean des Vignes Rouges, Éditions Amiot-Dumont, Paris, 1951, 223 páginas, ver pp. 09 a 13. Tradução: CCA.

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Clique e leia outros artigos sobre Jean des Vignes Rouges.

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* Veja a seção temática

* Examine nos websites da LIT a seção temática sobre Cristianismo e Teosofia.

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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

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18 de março de 2025

Automatismo - os Auxiliares da Vontade

 
O Homem é Dominado por uma Inquietação,
Ele Busca um Aperfeiçoamento Sempre Maior
 
Jean des Vignes Rouges




… Educar a vontade consiste, antes de tudo,
em determinar de que modo você se comportará
na vida, e depois, em produzir automatismos capazes
de colocar em prática fielmente essa decisão.



A sua vontade funciona como a vontade de um chefe que nunca sai do seu posto de comando e permanece dando ordens o tempo todo?

Se for assim, sua vida será um inferno repleto de esforço e preocupações. Você vai sucumbir à tarefa! Quem quer fazer o papel de anjo, termina se comportando como uma fera. Ao querer demais, acabamos sendo incapazes de querer.

Dê, portanto, à sua vontade, auxiliares nos quais ela possa confiar. Se ela tiver um exército de subordinados à sua disposição, você será um general poderoso. Esses servidores da vontade são os seus automatismos.

No artigo sobre “hábito” [1], eu digo como você pode recrutar e treinar esse exército; mas é importante que você saiba como lidar com ele.

Esses automatismos são como trabalhadores especializados que conhecem bem a sua missão e não gostam que o chefe esteja constantemente interferindo no que fazem.

Você sabe que esse tipo de monitoramento excessivo e irritante tem o efeito de prejudicar o desempenho. O mesmo ocorre com os seus hábitos profundamente enraizados; toda intervenção inoportuna da consciência pensante perturba o trabalho deles. Por exemplo, você precisa ter uma conversa importante na qual deve demonstrar facilidade, inteligência, educação e autoridade? Se você quiser controlar cada palavra, cada tom de voz, cada gesto, é muito provável que pareça desajeitado, sem graça, indelicado e brutal. Você terá perturbado o funcionamento dinâmico dos seus reflexos.

O acrobata, o ginasta, o ciclista, o esgrimista, a boa trabalhadora com tricô, etc., conhecem bem esse fenômeno, por isso evitam pensar nos detalhes de seus movimentos. Faça como eles. Com uma condição, porém; os seus automatismos devem estar bem treinados, bem amestrados, e em boa forma.

Ao confiar assim em seus hábitos da mesma forma que um general confia em seus soldados e oficiais, você fará uma notável economia de esforços. Se, por exemplo, você desenvolveu uma reação automática ao catarro, você permanecerá calmo não importa o que aconteça, sem precisar ranger os dentes ou ficar tenso. Da mesma forma, todas aquelas atitudes mentais e corporais que chamamos de prudência, concentração, ordem, moderação, honradez, severidade ou tolerância, etc. serão mecanismos sempre prontos para funcionar se você tiver tido o cuidado de “estabelecê-los” de modo correto em sua alma. Eles estão em posição de sentido, aguardando as ordens da sua vontade, e prontos para entrar em ação ao menor sinal.

Melhor ainda, pode acontecer que esses automatismos tomem a iniciativa de entrar em ação quando necessário. O boxeador, alvo de um ataque repentino, se vê em “posição de combate” e dando socos antes que sua consciência tenha tempo de deliberar.

Da mesma forma, os automatismos que o levam a ser leal, orgulhoso, metódico, dedicado, engenhoso, etc. não esperarão ordens da sua vontade para se colocarem em movimento quando as circunstâncias o exigirem; eles “avançarão” por conta própria, rapidamente, sem perda de tempo. 

Por que os automatismos terão esse zelo e essa vivacidade? Porque, na intimidade das células nervosas que constituem o seu sistema fisiológico, os impulsos nervosos se acumularão, impacientes para serem libertados; as suas virtudes precisarão expressar-se na prática, assim como o campeão de futebol precisa chutar uma bola. Exatidão no modo de agir, economia de esforço, ação mais rápida, desempenho quase instantâneo - esses são os benefícios que você obterá com o bom funcionamento dos seus automatismos.

É por isso que eu digo a você de novo: educar a vontade consiste, antes de tudo, em determinar de que modo você se comportará na vida, e depois, em produzir automatismos capazes de colocar em prática fielmente essa decisão. Se você tivesse êxito completo nesse treinamento aconteceria que, a longo prazo, você não precisaria mais desejar; toda a sua personalidade, corporal e espiritual, passaria a ser a sua vontade encarnada.

Na realidade, porém, o homem é dominado por uma inquietação que o impele a superar-se. Ele busca uma perfeição sempre maior, de modo que a tarefa de produzir novos automatismos não é completada jamais. 

Por outro lado, por mais bem treinados que sejam os seus automatismos, você ainda precisa exercer vigilância para que eles não se tornem rotina [2], o que é sempre a tendência.  

A vontade, portanto, nunca deve abdicar completamente do seu poder. O papel da vontade é comandar sem intransigência, sem abuso, sem brutalidade ou gritos incessantes, mas também sem indolência. Ela fica feliz em deixar os detalhes da execução para os automatismos, porque sabe que uma tarefa tediosa e pouco importante deve ser feita pelo soldado de segunda classe e não pelo general; mas ela verifica de vez em quando se essa tarefa foi realmente feita.

Em outras palavras, é correto ver os seus automatismos como instrumentos para obter os seus objetivos. Use-os, confie neles. Isso libertará sua vontade, que assim terá tempo para pensar em seu aperfeiçoamento. Mas, enquanto olha a paisagem e reflete sobre o seu destino futuro, mantenha a mão no volante da direção e o pé no acelerador.

NOTAS:


[2] Veja a palavra “Routine” em «Dictionnaire de la Volonté».

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O artigo acima foi publicado nos websites da Loja Independente de Teosofistas no dia 18 de março de 2025. Trata-se de uma tradução do livro «Dictionnaire de la Volonté», de Jean des Vignes Rouges, Éditions J. Oliven, Paris, 320 pp., 1945, pp. 35-37. O artigo original em francês está disponível online: “Automatisme - les Subordonnés de Votre Volonté”. Tradução: Carlos Cardoso Aveline.

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Amplie os seus estudos e prepare-se para vencer:  




* Outros escritos de Jean des Vignes Rouges.

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Jean des Vignes Rouges é o pseudônimo literário do militar e escritor francês Jean Taboureau (1879-1970).

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20 de fevereiro de 2025

Direitos - Siga o Seu Sentido de Justiça

Fortaleça a Consciência
da sua Dignidade Pessoal
 
Jean des Vignes Rouges
 



Você tem mesmo certeza de que possui o direito de viver? Você não sente às vezes que é um indivíduo sem importância, cujo destino é esconder-se humildemente entre as últimas fileiras das multidões que correm em direção à vitória?

Reconheça que esses sentimentos paralisam com frequência os seus pensamentos e as suas ações. Você tem este problema! A prova está na admiração amarga e até invejosa que você sente por aqueles que demonstram uma ousadia magnífica.

Você pergunta: - Como eles conseguem ter esse atrevimento? Tenho sempre medo de prejudicar os interesses dos outros, nunca ouso levantar a voz, tenho medo de ser “rejeitado”, sempre me pergunto com base em quais direitos eu faria alguma reclamação ou exigência!

Pensando logicamente, você tem razão. Todo homem tem uma dívida imensa para com a sociedade. Essa circunstância, do ponto de vista da justiça, impõe mais deveres do que direitos. Mas, felizmente, a criança recém-nascida não se preocupa com o fato de que lhe faltam títulos de propriedade. Ela exige a sua mamadeira; e, dentro de certos períodos de tempo, a mamadeira lhe é dada. Isso transmite ao bebê um forte sentido dos seus direitos.

No entanto, acontece que ele precisa ficar muito tempo esperando pela mamadeira; neste caso ele observa que suas reclamações não têm efeito. Pais e professores excessivamente rigorosos o fazem pensar que só tem um direito: o direito de permanecer em silêncio. Esse método de educação pode fazer da criança, mais tarde, um reivindicador incansável, se ela tiver um temperamento forte, ou uma pessoa modesta que sempre esperará com sabedoria até que alguém decida dar-lhe atenção.

De outro lado, por mais dedicados, afetuosos e inteligentes que tenham sido os nossos pais, não podemos afirmar que as suas exigências de educadores - legítimas, aliás, porque se tratava de transformar num ser civilizado o pequeno selvagem que nós éramos - não tenham produzido em nós numerosos “complexos de inferioridade” - sejam eles pequenos ou grandes. De modo que, antes de estender a mão para agarrar um dos frutos da árvore da vida, sentimos uma espécie de escrúpulo; as proibições ouvidas no passado ainda soam obscuramente em nossos ouvidos: “Eu proíbo... Você não tem o direito!...”

Ah! Certamente, muitos acabam ficando completamente surdos a esses ecos do passado. Nós os vemos muito satisfeitos enquanto empurram os outros para agarrar os melhores lugares; mas você, que me lê, você não é um deles; os seus direitos parecem pouco claros para você.

- De fato - diz você - os meus méritos são tão pequenos!

- Está errado! É preciso rever essas avaliações, caso contrário você nunca alcançará aquela autoconfiança que caracteriza o homem de vontade forte.

Ponha em ação portanto o seu senso de justiça, para que seus direitos fiquem inscritos como um texto solene em sua própria consciência. Uma maneira prática de fazer isso é a seguinte: escreva numa folha de papel, em letras grandes, estas palavras: “Para meu crédito”. Em seguida procure em sua memória lembranças dos esforços valiosos que você fez em sua vida. Existem muitos! Reflita. Ah! Como eles surgem com rapidez! Principalmente, o que é lamentável, aqueles esforços que não receberam uma recompensa. “Eu trabalhei muito naquele ano. E ainda assim o resultado foi medíocre! Prestei tal serviço... Renunciei... Economizei... Reprimi em mim aquele desejo, cuja manifestação teria contrariado os outros, resisti às tentações. Dediquei-me ao meu dever... Obedeci às leis, aos apelos da caridade... Fiz o serviço militar…”.

Escreva tudo. A lista fica cada vez mais longa! … Parece que não vai ter fim. Enquanto faz a lista, você sente às vezes crescerem em seu interior a amargura, a decepção e a indignação; esta é uma prova de que o seu instinto de justiça está acordado. Ele se deixa irritar com tanta facilidade, em todos os seres humanos!

Continue escrevendo. Você fica insatisfeito quando pensa em todas aquelas boas ações que fez e que não foram apreciadas por quem deveria recompensá-las.

Mas não permaneça preso neste estado de espírito do credor raivoso que elabora a lista dos empréstimos que fez e não foram pagos; você só conseguiria ter o estado de alma do rebelde derrotado; você se tornaria um “fracassado” que culpa eternamente por suas próprias derrotas o destino, a sociedade, a família e os outros.

Ao invés disso, use a emoção que essas lembranças despertam para apoiar a sua convicção de que você tem direitos a reivindicar.

Mas, ao mesmo tempo, pense nas melhores maneiras de ser “recompensado”. Você logo reconhecerá que, na vida real, aqueles que recebem o que lhes é devido nem sempre são os credores mal-humorados que exigem o pagamento com cara feia; e isso acontece porque as relações humanas não são reguladas apenas por princípios legais rígidos. Os costumes e os hábitos sociais precisam ser aceitos com uma certa complacência, uma certa boa vontade, para que os méritos de alguém sejam reconhecidos.

Portanto, não adote a atitude de uma pessoa exigente. Em vez disso, comporte-se como alguém que não imagina que os seus direitos possam ser ignorados.

Você tem essa convicção porque guarda no seu bolso, mais precisamente no seu Caderno da Vontade [1], a longa lista dos esforços que fez e das obras que realizou. Esses são títulos de propriedade sérios, que naturalmente despertam uma atitude confiante e digna. É por isso que você fala e age como se fosse evidente que você tem o direito de se expandir amplamente na vida. Nenhuma disputa é possível. Deste modo, você dá sua opinião em uma discussão, solicita o que lhe é devido e ocupa um bom lugar tanto num meio de transporte coletivo como numa reunião de conselho administrativo.

Em resumo, eu recomendo a você que coloque a sua confiança em si mesmo sobre a base da consciência do seu valor. É a partir da convicção de que você fez os esforços necessários para se tornar mais inteligente, mais forte e mais justo, que você terá a compreensão dos seus direitos. Você lutou para se afirmar, para alcançar a harmonia interior, para estabelecer o domínio da vontade moral, da gentileza e da verdade. Você resistiu ao desânimo, ao sofrimento e venceu a preguiça. Você “esculpiu sua própria estátua”, isto é, criou a sua personalidade conforme a sua natureza original. Além disso, a cada dia, a cada momento, você aprimora o homem que é, para se tornar ainda mais nobre, para ter mais beleza moral e ser moralmente maior. Bem, isso é uma obra de arte! É um belo trabalho! Tenha orgulho desse fato. Você tem a “obrigação” de ser autoconfiante.

Apresente-se, pois, na vida, como um oficial de justiça que possui uma autorização formal e que não duvida por um só instante do seu direito de tomar posse de algo.

Porém, não exagere. Não pense que você tem o direito de se expandir infinitamente empurrando seus vizinhos, porque neste caso a sua autoconfiança transformaria você num mal-educado insolente contra o qual haveria uma indignação unânime. 

NOTA:

[1] Veja o artigo “O Caderno da Vontade”. (CCA)

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O artigo acima foi publicado nos websites da Loja Independente de Teosofistas no dia 20 de fevereiro de 2025. Trata-se de uma tradução do livro «Dictionnaire de la Volonté», de Jean des Vignes Rouges, Éditions J. Oliven, Paris, 320 pp., 1945, pp. 105-107. Tradução: Carlos Cardoso Aveline. O artigo original em francês está disponível online: “Droits - Avoir Conscience de Ses Droits”.

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Jean des Vignes Rouges é o pseudônimo literário do militar e escritor francês Jean Taboureau (1879-1970).

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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”.

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2 de fevereiro de 2025

Ioga - Os Poderes da Vontade

 
A Ioga Pode Ser Considerada um
Treinamento no Rumo do Autocontrole 
 
Jean des Vignes Rouges




A Ioga é um método de treinamento da vontade que vem da filosofia hindu, cuja origem acredita-se ser anterior ao budismo. Ela foi transmitida por meio de livros, dos quais o principal é o “Bhagavad-Gita”. O “Gita” afirma que o objetivo da doutrina é levar o homem à libertação, tirando-o da ignorância e do pecado, o que leva a identificar-se com o princípio supremo.

As práticas de ioga tiveram um sucesso imenso e encontraram muitos seguidores inclusive nos países ocidentais. A maior parte dos manuais populares de “ciências ocultas” e “psiquismo”, e mesmo os famosos métodos norte-americanos de educação da vontade, são inspirados pela Ioga.

No entanto, o espírito ocidental, apaixonado pela ação e pelo sucesso, dedicou-se a reter da Ioga apenas aqueles procedimentos que permitem o desenvolvimento de faculdades capazes de produzir resultados materiais.

Considerados deste ponto de vista, os inúmeros exercícios e procedimentos da Ioga podem ser reduzidos a quatro tipos:

O primeiro inclui todas as receitas que tendem a desenvolver a concentração mental. Expliquei na abordagem desta palavra o que significa isso. [1] Destaco novamente que na doutrina pura da Ioga, a concentração é a arte de encadear pensamentos claros, com a intenção de buscar o princípio que une todos os seres: não se trata de um devaneio confuso. É preciso reconhecer que a Ioga, neste ponto, está de acordo com a psicologia moderna.

O segundo tipo de exercícios é o treinamento que visa parar o pensamento. É o relaxamento. (Veja a palavra “relaxation” em «Dictionnaire de la Volonté»). O seu valor prático também não pode ser desprezado. De fato, numerosas pessoas nervosas literalmente jogam fora as suas forças, entregando a sua consciência a um verdadeiro turbilhão de pensamentos descontrolados. Quantas pessoas se deixam atormentar por inquietudes, preocupações, arrependimentos e remorsos! Tais pessoas são, por causa disso, escravas das suas representações mentais.

Ao insistir na necessidade de interromper o fluxo das ideias parasitas ou prejudiciais, a Ioga pode, portanto, ser considerada um treinamento no rumo do autocontrole.

O terceiro método é a autossugestão, através de afirmações repetidas e detalhadas. Exemplo: “Tenho coragem, enfrento com contentamento todas as dificuldades, quanto mais altos os obstáculos no meu caminho, mais eles me atraem, e corro para superá-los, etc.” Ou: “Minha memória é excelente, tudo o que fico sabendo permanece gravado na minha mente, à minha disposição”, e assim por diante. Na palavra “Autossugestão” (no “Dictionnaire de la Volonté”) eu indico os resultados práticos que podem ser esperados desta prática.

Mas a Ioga tem objetivos mais ambiciosos. Ela afirma, e esta é a quarta categoria dos seus métodos, que ao usar com habilidade esses instrumentos de ação sobre si mesmo, que são concentração, respiração ritmada, suspensão da consciência, etc., o indivíduo pode despertar em si mesmo órgãos de faculdades superiores, extranormais.

Muitos filósofos de destaque, entre eles H. de Keyserling, embora reconheçam que a observação dessas faculdades supranormais não foi feita cientificamente, não fazem em princípio qualquer objeção contra essa hipótese. Eles destacam, com toda razão, que o Universo, quando visto e sentido por um inseto, deve ser muito diferente do Universo que nós percebemos. Mesmo entre os seres humanos, quantas diferenças existem na capacidade de perceber! Portanto, não é absurdo, em princípio, imaginar que certos indivíduos, ao se dedicarem a uma determinada ginástica especial, como a Ioga, possam criar ou desenvolver em si mesmos poderes desconhecidos dos homens comuns.

Para os Iogues - apóstolos da Ioga - esta possibilidade é uma certeza. Graças aos seus exercícios repetidos e alternados de concentração e paralisação, eles afirmam possuir uma vontade especial.

Mas esta vontade, nos praticantes da Ioga pura, despreza a conquista do mundo material. Ela está livre das ilusões de Maya. Ela acredita que o homem vive muito mais intensamente quando consegue se identificar com o Princípio Universal. Este é o objetivo supremo da vontade. Em outras palavras, o verdadeiro Iogue busca o êxtase bem-aventurado, a contemplação direta de Deus.

A doutrina da Ioga, em sua pureza, é, portanto, moral, pois convida o seu praticante a reconhecer os outros em si mesmo, sendo todos os seres humanos filhos do mesmo Princípio Divino.

Mas é preciso admitir também o seguinte: entre aqueles que se autodenominam Iogues, no mundo moderno, há muitos cujo único objetivo é tratar de obter poderes anormais, com a intenção de usá-los para a satisfação de seus apetites. No entanto, não é possível distorcer impunemente uma doutrina criada com o objetivo de espiritualizar os seus seguidores e levá-los à perfeição. Quando são adaptadas a metas egoístas e quando visam o desenvolvimento de poderes “sobrenaturais”, as práticas de Ioga muitas vezes causam transtornos psicológicos. A imaginação perigosamente superexcitada passa a dominar a mente. É um estado mental absolutamente contrário ao que chamamos de vontade. A vontade consiste na harmonização de todas as tendências.

(Bellerive-sur-Allier, França, 1943-1944.)

NOTA:


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O artigo “Ioga - Os Poderes da Vontade” foi publicado nos websites da Loja Independente de Teosofistas no dia 02 de fevereiro de 2025. Trata-se de uma tradução de um item da obra «Dictionnaire de la Volonté», de Jean des Vignes Rouges, Éditions J. Oliven, Paris, 320 pp., 1945, pp. 314-316. Título original: “Yoga - Les Pouvoirs ‘Supra Normaux’ de la Volonté”. Tradução: Carlos Cardoso Aveline. O texto em francês está disponível online: Yoga - Les Pouvoirs de la Volonté.

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Prática Espiritual:
Memória e Concentração

* O seguinte exercício faz parte da prática de Raja Ioga, e reforça a memória e a capacidade de concentração mental do peregrino:

Depois de estudar um texto filosófico, concentre o pensamento no que acaba de ler. Diga a si mesmo quais são as ideias principais do artigo, e reflita sobre o assunto.

A prática é recomendada na obra “Catorce Lecciones de Raja Yoga”, de Swami Sivananda, Centros de Yoga Sivananda Vedanta, 1994, 132 pp., ver p. 97, item 26.

(CCA)

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Leia mais:





* Outros textos de Jean des Vignes Rouges.

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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”.

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