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8 de agosto de 2016

Um Encontro com HPB

Um Trecho da Melhor Biografia de
Helena P. Blavatsky Escrita Até Hoje

Sylvia Cranston 

Anita Atkins (à esquerda), usava o pseudônimo literário de Sylvia Cranston



Nota Editorial

O texto a seguir é reproduzido da obra “Helena Blavatsky” de Sylvia Cranston, Editora Teosófica, Brasília, 1997, 678 pp., pp. 365-370. Foi também publicado na edição de junho de 2015 de “O Teosofista”.  

Sylvia Cranston é o pseudônimo literário de Anita Atkins. Nascida a 12 de dezembro de 1915, Anita associou-se ainda jovem à Loja Unida de Teosofistas e trabalhou a vida toda em aliança com a LUT. Autora de diversos livros, Anita viveu até junho de 2000.

(Carlos Cardoso Aveline)

Um Encontro com HPB

Sylvia Cranston

Charles Johnston, um jovem irlandês, visitou HPB enquanto ela vivia em Maycott [Londres]. Ele foi um dos fundadores da Sociedade Teosófica em Dublin, à qual pertenceram William Butler Yeats e outros escritores irlandeses. Hoje em dia, Johnston é mais conhecido pelas suas inspiradas traduções de alguns clássicos hindus.

Ele aprendeu sânscrito enquanto se preparava para assumir um posto no Serviço Civil Indiano, e depois de retornar da Índia ensinou o idioma em Londres. Um livro seu a respeito dessa antiga língua recebeu elogios do orientalista Max Müller. Na virada do século, e até muitos anos depois, Johnston viveu em Nova Iorque, onde trabalhou ativamente no movimento teosófico e ensinou sânscrito na Universidade de Columbia.

Segue-se uma versão resumida da sua entrevista com HPB.

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Conheci a velha e querida “HPB”, como ela fazia com que todos os seus amigos a chamassem, na primavera de 1887. Alguns discípulos seus tinham alugado uma casa bonita em Norwood, de onde se via a enorme cúpula de vidro e as torres gêmeas do Palácio de Cristal, brilhando acima de um labirinto de ruas e terraços. Londres, mesmo suja, era bela. HPB estava terminando seu trabalho diário. A primeira visão que tive foi a do seu cabelo ondulado enquanto se voltava, e depois dos seus olhos maravilhosamente poderosos quando me dava as boas-vindas: “Meu querido amigo, estou tão feliz em vê-lo! Venha conversar comigo! Você chegou justamente a tempo de tomar um pouco de chá!” Então, um grito agudo por “Louise” fez sua empregada doméstica suíça aparecer para receber uma grande quantidade de ordens, em francês.

Quando ficamos comodamente sozinhos, ela me contou uma história fascinante sobre a devoção de Louise. HPB tinha ficado, em algum lugar, desprovida da sua fonte de renda, penso que foi na Bélgica, e as coisas ficaram bastante difíceis por um tempo. Um cavalheiro rico pediu para ver a famosa feiticeira russa e deu uma gorjeta generosa à sua empregada doméstica. Logo depois que ele partiu, Louise apareceu ruborizada e pedindo desculpas: “Talvez a senhora não fique ofendida”, ela gaguejou, “mas eu não preciso do dinheiro”; e tentou transferir a gorjeta para a sua patroa.

A chegada de Louise cortou a história, e HPB mudou de assunto com um sorriso cheio de humor e ironia:

“Naturalmente você já leu o Relatório da S.P.P. - a Sociedade de Pesquisa de Fantasmas - e sabe que sou uma espiã russa, a campeã de fraudes dos tempos atuais?”

Sim, eu havia lido o relatório. Mas já conhecera o seu conteúdo anteriormente. Havia estado na reunião onde ele foi lido pela primeira vez, dois anos antes. Mas até onde posso ver [Hodgson] nunca investigou realmente qualquer fenômeno oculto completamente. Ele simplesmente investigou lembranças fracas e confusas deles nas mentes de testemunhas indiferentes. [Myers] veio até nós, depois da reunião, e perguntou-me sorrindo o que eu pensava do relatório. Respondi que era a coisa mais injusta e unilateral que eu ouvira alguma vez, e que se já não fosse um membro da Sociedade Teosófica, teria me unido a ela diante da força de tal ataque. Ele deu um sorriso pálido e mudou de assunto.

“A coisa engraçada a respeito dos pesquisadores psíquicos”, disse eu, “é que eles provaram para si mesmos que a maioria desses poderes mágicos são exatamente o que você diz que são, e eles parecem ter adotado em conjunto, para não dizer roubado, o seu ensinamento sobre a Luz Astral. Pegue a coisa que eles mais ridicularizaram: as viagens dos adeptos e dos seus discípulos em corpo astral. Você sabe como eles são severos com o pobre Damodar e suas viagens em corpo astral de uma parte da Índia para a outra e mesmo da Índia para Londres. Bem, eles mesmos têm provas perfeitamente consistentes sobre esses fatos. Conheço um membro do comitê deles, um professor de Física, que descobriu a transferência de pensamento e fez as primeiras experiências nessa área. Ele me mostrou um bom número de documentos ainda não publicados, e entre eles havia uma narrativa dessas viagens astrais, feitas de modo completamente consciente. Penso que o viajante astral foi um jovem médico, mas isso é apenas um detalhe. O ponto principal é que ele escreveu um diário das suas visitas, e um registro delas foi feito também pela pessoa que ele visitava, e os dois relatos coincidem perfeitamente. Eles têm toda a coisa devidamente autenticada e impressa, e já quando você diz exatamente a mesma coisa eles a chamam de impostora. Por quê?”

“Eles nunca farão muito. Eles ficam muito presos a linhas materiais”, disse HPB, “e são muito temerosos. Esse é o motivo secreto pelo qual eles se voltaram contra mim. Eles têm medo de causar um terremoto se disserem que nossos fenômenos são verdadeiros. Imagine o que isso significaria! Bem, isso praticamente submeteria a ciência moderna aos nossos mahatmas e a tudo que tenho ensinado sobre os habitantes do mundo oculto e os seus poderes tremendos.”

Nunca vi admiração e reverência mais autêntica em um rosto humano, do que quando ela falava a respeito do seu Mestre. Perguntei algo a respeito da idade dele. Ela respondeu: “Meu caro, não posso dizer com exatidão, pois não sei. Mas posso contar a você o seguinte. Eu o conheci quando tinha vinte anos - em 1851. Ele era um homem jovem no auge da sua força. Agora eu sou uma mulher velha, mas ele não está nem um só dia mais velho. Isto é o que posso dizer. Você pode tirar as suas próprias conclusões.”

Ela contou-me então alguma coisa sobre outros Mestres e adeptos que havia conhecido - pois ela fazia uma diferença, como se os adeptos fossem os capitães do mundo oculto, e os Mestres, os generais. Ela havia conhecido adeptos de várias raças, do norte e do sul da Índia, Tibete, Pérsia, China, Egito; de várias nações europeias, da Grécia, Hungria, Itália, Inglaterra; de certos povos da América do Sul onde, ela dizia, havia uma Loja de Adeptos.

“Segundo essa tradição, os conquistadores espanhóis encontraram a cidade de ouro de Manoah ou El Dorado”, disse ela. “A raça tem uma origem comum com os antigos egípcios, e os adeptos ainda preservam em segredo inviolável o lugar onde moram. Há certos membros das lojas que passam de centro em centro, mantendo permanentes linhas de contato entre eles. Mas eles estão sempre conectados de outras maneiras.”

“Em seus corpos astrais?” - “Sim”, ela respondeu, “e de outras maneiras ainda mais elevadas. Eles têm em comum sua vida e seu poder. À medida que se elevam espiritualmente, eles se colocam acima das diferenças de raça, e para eles há uma só humanidade comum a todos. A série é ininterrupta. Os adeptos são uma necessidade na natureza e na super-natureza. Eles são os elos entre os homens e os deuses; e a palavra ‘deuses’ refere-se às almas de grandes adeptos e Mestres de raças e idades anteriores, e assim por diante, até o limiar do Nirvana. A continuidade é ininterrupta.”

“E o que eles fazem?”

“Você dificilmente poderia compreender, a não ser que fosse um adepto. Mas eles sustentam e mantêm ativa a vida espiritual da humanidade.”

“Como os adeptos guiam as almas dos homens?”

“De muitas maneiras, mas principalmente dando ensinamentos diretamente às suas almas, no mundo espiritual. É difícil entender isso. Mas é compreensível. Em certos intervalos regulares, eles tentam transmitir ao mundo como um todo um conhecimento correto das coisas espirituais. Um deles vem à frente para ensinar as massas, e é considerado, segundo a tradição, o fundador de uma religião. Krishna foi um desses Mestres; e Zoroastro; assim também foram Buda e Shankaracharya, o grande sábio do sul da Índia. E o Nazareno [Jesus].”

“Os adeptos têm algum registro secreto de suas vidas?”

“Eles têm que ter”, ela respondeu, “pois eles têm registros das vidas de todos os Iniciados. Certa vez eu estava numa grande caverna-templo nas montanhas do Himalaia, com o meu Mestre. Lá havia muitas estátuas de adeptos e, apontando para um deles, ele disse: ‘Este é aquele que você chama de Jesus. Nós o consideramos um dos maiores entre nós’.”

“Mas esse não é o único trabalho dos adeptos. Em períodos muito mais curtos, eles enviam um mensageiro para tentar transmitir ensinamentos ao mundo. Tais períodos acontecem no último quarto de cada século, e a Sociedade Teosófica representa o seu trabalho para esta época.”

“Como isso beneficia a humanidade?”

“Qual é o benefício, para você, de conhecer as leis da vida? Isso não o auxilia a escapar da doença e da morte? Bem, há uma doença da alma e uma morte da alma. Só o verdadeiro ensinamento da vida pode curar isto. As igrejas dogmáticas, com o seu inferno e condenação, o céu de metal, seu fogo e enxofre, tornaram quase impossível aos seres pensantes acreditar na imortalidade da alma. E se eles não acreditam numa vida após a morte, então não terão vida após a morte. Esta é a Lei.”

“Como é possível que aquilo que as pessoas acreditam as afete? Qualquer coisa que pensem pode ser verdadeira ou falsa.”

“As crenças das pessoas as afetam da seguinte maneira. A vida após a morte é determinada pelas aspirações e pelo desenvolvimento espiritual que ocorre no mundo sutil. De acordo com o crescimento de cada um [em nosso mundo], assim será a sua vida no pós-morte. Ela é o complemento da sua vida aqui. Todos os anseios espirituais não-satisfeitos, todos os desejos por uma vida mais elevada, todas as aspirações e sonhos por coisas nobres florescem na vida espiritual, e então a alma tem o seu dia, porque a vida na terra é a sua noite. Mas se você não tem aspirações nem anseios mais elevados, nem acredita em qualquer tipo de vida após a morte, então não há substância para a sua vida espiritual; sua alma é uma folha em branco.”

“O que acontece a você então?”

“Você irá reencarnar imediatamente, quase sem qualquer intervalo, e sem alcançar a consciência no outro mundo.”

“O que mais vocês - como teosofistas - ensinam?”

“Bem, meu senhor! Parece que estou passando por um exame completo esta noite”, respondeu ela com um sorriso. “Nós ensinamos algo muito antigo e que precisa ser ensinado. Ensinamos a fraternidade universal.”

“Não vamos perder-nos em noções. Explique exatamente o que você quer dizer com isso.”

“Vou pegar um fato concreto”, disse ela. “Consideremos os ingleses. Como eles são cruéis! Como maltratam os meus pobres hindus!”

“Eu sempre pensei que eles fizeram bastante bem para a Índia do ponto de vista material”, objetei.

“Mas qual é a utilidade de benefícios materiais se você é desprezado e tripudiado moralmente todo o tempo? Se os seus ideais de honra nacional e glória forem esmagados na lama, e se você tiver de sentir todo o tempo que é uma raça inferior - uma ordem inferior de mortais? Os ingleses os chamam de porcos e acreditam sinceramente nisso. Bem, a fraternidade universal seria exatamente o contrário disto. Nenhum benefício material, por maior que seja, pode compensar a ferida nas suas almas e o esmagamento dos seus ideais. Há também outro aspecto nessa questão, que os teosofistas sempre apontam. Não há realmente ‘raças inferiores’, pois todos são um na nossa humanidade comum; e como todos nós tivemos encarnações em cada uma dessas raças, devemos ser mais fraternais com elas. Estes povos são os nossos protegidos, foram confiados a nós; e o que fazemos? Nós invadimos suas terras e atiramos neles diante de suas próprias casas, ultrajamos suas mulheres e roubamos os seus bens, e depois, com uma expressão amável e hipócrita no rosto, viramos as costas e dizemos que estamos fazendo isso para o bem deles. Mas há uma lei justa; ‘a língua falsa sofrerá com a sua mentira; o saqueador rouba para entregar-se. Você não progredirá enquanto não pagar tudo o que deve’.”

“Então os adeptos a mandaram para ensinar isto?”

“Sim, isto e outras coisas - coisas que são  muito importantes, e em pouco tempo serão ainda mais importantes. Há o perigo da magia negra, para a qual todo o mundo, especialmente a América, está correndo tão rapidamente quanto pode. Só um conhecimento amplo da real natureza psíquica e espiritual do homem poderá salvar a humanidade de graves perigos.”

“Histórias de feiticeiras neste chamado século dezenove, nesta era iluminada?”

“Sim, senhor! Histórias de feiticeiras nesta era iluminada! E guarde bem as minhas palavras! Você terá histórias de feiticeiras como a Idade Média jamais sonhou. Países inteiros cairão sem perceber na magia negra [1], com boas intenções, sem dúvida, mas preparando o caminho para o inferno, mesmo assim! Você não vê o mal tremendo do culto ao hipnotismo? O hipnotismo e a sugestão são poderes grandes e perigosos, exatamente porque a vítima nunca sabe quando está sujeita a eles; sua vontade é roubada. Essas coisas podem começar com objetivos bons e propósitos corretos. Mas sou uma mulher velha e já vi muito da vida humana em muitos países, e gostaria imensamente de poder acreditar que esses poderes serão utilizados apenas para o bem! Se você pudesse prever o que eu prevejo, você começaria, de corpo e alma, a difundir o ensinamento da fraternidade universal. Ele é a única garantia!”

“Mas como a fraternidade universal pode defender as pessoas do hipnotismo?”

“Pela purificação dos corações das pessoas que fariam mau uso dele. E a fraternidade universal tem como base a alma comum. É porque há uma alma comum a todos os homens que a fraternidade, ou mesmo uma compreensão comum, é possível. Se fizermos os homens apoiarem-se sobre esta base, eles serão salvos. Há um poder divino em cada homem, que rege a sua vida e que ninguém pode influenciar para o mal - nem mesmo o maior mago. Que os homens coloquem as suas vidas sob essa orientação e não terão nada a temer de homem algum nem do demônio.”

“E agora, meu caro, já é tarde e estou ficando com sono. Portanto tenho que desejar-lhe uma boa noite!”

E a Velha Senhora despediu-se de mim com o ar majestoso que possuía e que nunca a deixou, porque era parte dela mesma. Ela foi a mais perfeita aristocrata que jamais conheci.

NOTA:

[1] Hitler e outros líderes nazistas parecem ter usado técnicas de bruxaria ou magia antievolutiva, que é inimiga da humanidade e só produz destruição. A lavagem cerebral hipnótica era uma prática comum na Alemanha, quando o nazismo dominava o país. Algo semelhante ocorreu na Itália com Benito Mussolini. Desde a segunda guerra mundial não têm faltado imitadores do nazi-fascismo que aplicam técnicas hipnóticas em propaganda política. (CCA)

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Para conhecer um diálogo documentado com a sabedoria de grandes pensadores dos últimos 2500 anos, leia o livro “Conversas na Biblioteca”, de Carlos Cardoso Aveline.


Com 28 capítulos e 170 páginas, a obra foi publicada em 2007 pela editora da Universidade de Blumenau, Edifurb.  

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27 de julho de 2016

Como Nasce a Escola Esotérica

Em 1888, Helena Blavatsky Cria a
Seção Interna do Movimento Teosófico

Sylvia Cranston

Sylvia Cranston (Anita Atkins), e a capa da edição brasileira da obra sobre HPB


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Nota Editorial de 2016

O texto a seguir reproduz o capítulo 10
da parte seis da obra “Helena Blavatsky”,
de Sylvia Cranston,  Ed. Teosófica, Brasília.
O capítulo é intitulado “A Seção Esotérica”.

“Sylvia Cranston” é o nome literário de
Anita Atkins (1915-2000), notável teosofista e
associada ativa da Loja Unida de Teosofistas, LUT.

Nesta transcrição, mantenho as principais
notas de rodapé de  Cranston, acrescento outras, e
reproduzo algumas das notas da edição brasileira de
1997, de cuja preparação participei como revisor técnico.    

(Carlos Cardoso Aveline)

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No outono de 1888, “Lucifer” [1] trazia um anúncio da formação de uma Seção Esotérica da Sociedade Teosófica. Como presidente da S.T., o coronel Olcott explicava a finalidade e estrutura da nova seção:

“1. Para promover os objetivos esotéricos da Sociedade Teosófica por meio do estudo mais profundo da filosofia esotérica, é criado por este instrumento um corpo a ser conhecido como ‘Seção Esotérica da Sociedade Teosófica’.”

“2. A constituição e a única direção desta Seção estão centradas na sra. Blavatsky, que é a sua Chefe; somente ela é responsável quanto aos resultados obtidos pelos membros; e a Seção não tem nenhuma ligação com a Sociedade Exotérica salvo através da pessoa do presidente-fundador.”

“3. As pessoas que desejarem unir-se a esta Seção, e que estejam dispostas a aceitar as suas regras, devem comunicar-se diretamente com: - sra. H.P. Blavatsky, Lansdowne Road, 17, Holland Park, Londres, W.”

Na época da morte de HPB, ele recorda que havia um ou dois mil membros entusiásticos da S.E.

Uma carta de HPB para o dr. J.D. Buck, nos Estados Unidos, datada do dia 1 de dezembro de 1888, indica a finalidade e a natureza da seção interna:

“A necessidade desta seção era muito sentida em toda parte. Sendo impossível apresentar muitos ensinamentos publicamente (quer seja em ‘Lucifer’, ou em ‘A Doutrina Secreta’), e havendo membros antigos e bem testados aptos para aprender certas coisas do ocultismo - mais do que os simples estranhos - a formação de tal seção, enquanto eu estiver viva e puder ser útil às pessoas, foi muito solicitada de todos os lados. Não há espaço para despotismo e autoritarismo... nela... nem glória para mim, mas haverá uma série de mal entendidos, calúnias, suspeitas e ingratidão num futuro quase imediato; mas, se da centena de teosofistas (109) que já assumiram seus compromissos [2], eu puder colocar na senda verdadeira e correta uma meia dúzia deles - morrerei tranquila. Muitos são chamados, poucos os escolhidos... Só posso indicar o caminho para aqueles cujos olhos estão abertos para a verdade, cujas almas estão cheias de altruísmo, caridade e amor por toda a criação e só por último pensam em si mesmos.”

“...A Seção Esotérica não é da terra terrena; ela não interfere na administração exotérica das lojas... Ela não exige subscrições, taxas, nem dinheiro, porque assim como eu nada recebi, nada repassarei, e preferiria morrer de fome na sarjeta do que receber um centavo pelo meu ensinamento das verdades sagradas. O correio e o material para correspondência são as únicas despesas, e estas serão pagas pelo Conselho da Loja Blavatsky, caso a minha ‘A Doutrina Secreta’ não me trouxer o suficiente para cobrir tais despesas... Que aquele que quiser a sua herança antes de eu morrer - que a solicite - pois ele terá muito pouco depois que eu partir. O que tenho, ou melhor, o que me é permitido dar estou pronta a oferecer, embora não seja muito.” [3]

A recusa dela em fazer promessas grandiosas com relação às coisas maravilhosas que poderiam ocorrer se os membros se filiassem à S.E. forma um contraste completo com as atrações oferecidas pela assim chamada mídia do oculto e as fabulosas importâncias que quase sempre exigem.

Antes de filiar-se à S.E., os interessados frequentemente escreviam a HPB para saber quais os compromissos que teriam. Um desses interessados quis saber se um soldado poderia tornar-se um membro. Ela respondeu: “O que é que quer dizer com ‘o soldado não é livre’? É claro, nenhum soldado pode estar livre para mover o seu corpo físico para onde quer. Mas o que o ensinamento esotérico tem a ver com o homem externo? Um soldado pode estar preso à sua casa de sentinela como uma âncora ao seu navio, mas o Ego do soldado está livre para ir onde quiser e pensar o que achar melhor.” Entretanto, ela acrescenta:

“Não é solicitado a nenhum homem carregar uma carga mais pesada do que possa suportar; nem fazer mais do que lhe é possível fazer... um homem amarrado por seu dever a um lugar não tem o direito de abandoná-lo para atender a outro dever, mesmo que ele seja maior do que o primeiro; pois o primeiro dever ensinado em ocultismo é que façamos o nosso dever sem desistir dele por nenhum outro dever. Perdoem esse aparente paradoxo absurdo, mas tive que repetir isso ad nauseam usque no último mês. ‘Será que corro o risco de que me mandem abandonar minha esposa, desertar dos meus filhos e lar se eu fizer o voto?’ - alguém me pergunta. ‘Não’, eu digo, ‘pois aquele que é negligente numa coisa será infiel em outra. Nenhum MESTRE verdadeiro e autêntico irá aceitar um chela que sacrifica qualquer pessoa além de si mesmo para ir até aquele Mestre.’ Se alguém, devido às circunstâncias ou a sua posição na vida, não puder tornar-se um adepto pleno nesta existência, que ele prepare a sua bagagem mental para a próxima, a fim de que esteja pronto a atender o primeiro chamado quando renascer mais uma vez.” [4]

Na Seção Esotérica não era ensinado aos membros ocultismo prático, ou como executar fenômenos psíquicos. Também era excluído o que é chamado de magia cerimonial, tão popular hoje em dia. Em uma das cartas de HPB a Ralston Skinner, que está na coleção de Harvard, ela revela que tais cerimônias podem ser perigosas:

“Eu li e reli o seu ‘Hebrew Egyptian Mystery’ (‘O Mistério Hebreu Egípcio’) mais de vinte vezes e recomendo-o a todos os nossos cabalistas como o rev. A. W. Ayton... e Mathers, um cabalista muito bom, mas que perde muito de seu rumo com a magia cerimonial, que eu detesto. [Certos] diagramas geométricos e figuras têm o poder de reagir quando as criaturas dos elementos, meio cegas e sem cérebro, despertam para a atividade - poder e criaturas estas cuja existência você pode negar... Nós, da filosofia Vedanta esotérica do Hinduísmo..., sabemos o poder que certos círculos e diagramas possuem sobre os elementos. Esta é a razão por que eu acredito na magia cerimonial, mas a odeio e a temo. Tenha cuidado com certas figuras e combinações, portanto, sr. Skinner...” [5]

Observa um escritor:

“Com a formação da Seção Esotérica, uma nova influência começou a ser sentida na história teosófica. Apesar de pouco ter sido impresso nas publicações teosóficas a respeito dessa Seção - pois todas as suas atividades eram realizadas sob um estrito  juramento de segredo[6] - o efeito dessa nova organização era consolidar as energias e a devoção dos membros mais ardentes da Sociedade, o que obviamente beneficia o trabalho do Movimento. Como chefe dessa Seção, HPB estava livre dos procedimentos organizacionais em suas relações com os estudantes esotéricos, que ela considerava seus alunos, e a quem ela deu, privadamente, os ensinamentos apropriados ao ciclo de desenvolvimento interno que estavam vivendo.” [7]

Como a circulação dos ensinamentos era privativa, nenhuma tipografia comercial podia ser usada. HPB menciona o método adotado para reproduzir os documentos esotéricos numa carta a Vera, que vinha se lamentando por não ter recebido notícias de sua irmã durante muito tempo:

“Dêem-se ao trabalho de contar as minhas ocupações, vocês, injustas sem coração. Todo mês eu escrevo de quarenta a cinquenta páginas de ‘Instruções Esotéricas’, instruções em ciências secretas, que não podem ser impressas em gráficas públicas. Cinco ou seis pobres mártires voluntários entre os meus esoteristas têm que desenhar, escrever e litografar [8] durante as noites cerca de 320 cópias, que eu tenho que supervisionar, retificar, comparar e corrigir, para que não ocorram enganos e minhas informações ocultas não causem vergonha.”

Segue-se uma longa lista de outras atividades que ela executava. [9]

James Pryse descreve como o problema de reproduzir os ensinamentos esotéricos foi finalmente resolvido. A história começa em Los Angeles, na primavera de 1888:

“Naqueles dias, muitos teosofistas estavam ansiosos por tornar-se ‘chelas’ ou ‘chelas leigos’ entrando em comunicação com os Mestres a quem HPB representava. Não tendo dúvida de que os Mestres estavam sendo importunados por tantos pretendentes, evitei fazer qualquer tentativa para chegar até HPB ou seu Mestre, ou atrair a atenção deles para o meu ser insignificante...”

“Uma noite, quando estava meditando [sobre Paracelso], o rosto de HPB apareceu como em uma luz brilhante diante de mim. Eu a reconheci devido ao retrato dela que está em Ísis, embora agora me parecesse muito mais velha. Pensando que aquilo que eu considerava uma representação astral correspondia a um devaneio da imaginação, tentei excluir a imagem da minha mente, mas então seu rosto mostrou impaciência, fui puxado instantaneamente do meu corpo e em seguida estava parado ‘no astral’ diante de HPB, em Londres. Isto foi durante a manhã lá, mas ela ainda estava sentada à sua escrivaninha. Enquanto ela falava comigo, de forma muito amável, eu não podia deixar de pensar o quanto era estranho que uma mulher, aparentemente velha e mortal, pudesse ser um Adepto. Tentei tirar esse pensamento indelicado da minha mente, mas ela leu isso e, como se fosse uma resposta, o seu corpo físico tornou-se translúcido, revelando então um corpo interno maravilhoso que parecia feito de ouro derretido.”

“Então, subitamente, o Mestre M. apareceu diante de nós em seu mayavirupa. [10] Fiz uma profunda prostração diante dele, pois me parecia ser mais um Deus do que um homem. De algum modo eu sabia quem ele era, embora essa fosse a primeira vez que o via. Ele me falou afavelmente e disse: ‘Eu terei um trabalho para você em seis meses.’ Ele caminhou então para o extremo do quarto, abanou a sua mão em despedida e partiu...”

“Seis meses depois, a promessa do Mestre foi concretizada. Meu irmão John e eu, retornando de uma viagem à América do Sul, desembarcamos em Nova Iorque. Encontramos o sr. Judge desorientado diante de um problema difícil. HPB havia encaminhado a ele as suas instruções para que as enviasse a todos os membros da S.E.; mas enviara-lhe apenas uma via, e ele não tinha como fazer as cópias necessárias. Solucionamos o problema para ele criando [uma gráfica] e imprimindo em forma de livro, as instruções.”

Os dois irmãos eram tipógrafos excelentes e tinham sido editores de um certo número de pequenos jornais em cidades dos Estados Unidos. Após auxiliarem Judge, receberam ordem de HPB, de Londres, para que James criasse a editora HPB Press, em Nova Iorque, na qual não só seriam impressas as instruções da S.E., mas também livros da Sociedade e outras obras. [11]  

NOTAS:

[1] “Lucifer” - o nome da revista editada por H. P. Blavatsky em Londres. O termo tem sido distorcido desde a idade média pelos teólogos da superstição. A palavra “Lúcifer” significa “portador da luz” e é o termo antigo para designar Vênus, a estrela d’alva, a estrela vespertina, a “irmã mais velha da Terra”, que ampara nossa evolução espiritual segundo Helena Blavatsky. (CCA)

[2] Sobre o Compromisso da escola esotérica original, que foi depois distorcida por Annie Besant e pelo falso clarividente Charles Leadbeater, veja em nossos websites associados os textos “O Significado de um Compromisso”, de Autor Anônimo, e “As Sete Cláusulas de um Compromisso”. A respeito do abandono da teosofia autêntica na Escola de Adyar após a morte de HPB, veja o texto  “A Fraude da Escola Esotérica”. (CCA)

[3] Cranston indica a fonte em nota de pé de página. Trata-se do artigo “Extracts From Private Letters”, de Helena P. Blavatsky. O texto está publicado em nossos websites associados.  (CCA)

[4] Do texto “Extracts From Private Letters”, de Helena P. Blavatsky. Disponível em nossos websites. (CCA)

[5] Nota de Sylvia Cranston: Blavatsky, “Letters to Ralston Skinner”, Ralston Skinner Collections, Universidade de Harvard, Cambridge, Massachusetts, EUA.

[6] Nota de Sylvia Cranston: HPB foi acusada de fraude certa vez por manter silêncio com relação a uma informação dada a ela sob juramento. Ela respondeu: “Se eu for considerada uma impostora neste assunto, então todo Maçom, todo Oddfellow, todo sacerdote que recebe uma confissão, todo médico que fez juramento de Hipócrates ou advogado será um impostor.” (Blavatsky: “Collected Writings”, vol. 6, p. 289.)

[7] Cranston indica a fonte de forma incompleta em nota de pé de página. Trata-se do livro “The Theosophical Movement 1875-1950”, p. 139. Cranston indica erradamente a p. 79, na sua edição original em inglês. O livro foi  publicado em Los Angeles em 1951 por The Cunningham Press, 351 pp. A obra não tem indicação de nome de autor, mas foi escrita pelo teosofista Henry Geiger, da Loja Unida de Teosofistas, e é uma versão resumida e politicamente suave da obra “The Theosophical Movement 1875-1925”. A versão original do livro, impressa em 1925 e também publicada anonimamente,  foi redigida por John Garrigues, um dos principais fundadores da LUT, e publicada em 1925 por  Dutton & Co.,  em Nova Iorque. Veja em nossos websites o artigo “A Vida e os Escritos de John Garrigues”. (CCA)

[8] Nota da edição brasileira do livro “Helena Blavatsky”: Litografia é um sistema de impressão sobre pedra calcárea ou placa de metal.

[9] Nota de Sylvia Cranston: Blavatsky, “Letters of H.P. Blavatsky XII”, “The Path”, novembro de 1895, p. 238.

[10] Nota da edição brasileira de “Helena Blavatsky”: Mayavirupa: em sânscrito, literalmente, “forma ilusória”. É um veículo artificial feito de matéria dos planos mental inferior e astral, e construído através do exercício da vontade de um Adepto. Este tipo de corpo pode transportar-se a grandes distâncias e é usado por Mestres ou discípulos avançados para atuar nos planos astral e mental.

[11] Nota de Sylvia Cranston: “Faces of Friends” (Rostos de Amigos), “The Canadian Theosophist”, março de 1933, p. 2; “The Path”, junho de 1894, pp. 90-91.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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14 de fevereiro de 2013

Teosofia Antecipa a Física Atual

Obra de H. P. Blavatsky
Abre Caminho Para a Ciência

Sylvia Cranston

Anita Atkins (1915-2000), cujo nome literário era
Sylvia Cranston, e a capa do seu livro sobre HPB



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Nota Editorial:

Escritos em pleno século 19, os livros de
Helena Blavatsky não anunciaram apenas
o rumo, mas também abriram caminho
para o progresso realizado pela Física até
o século 21. E este não é o aspecto mais
importante da questão. Resta muito por ser
compreendido na obra de H. P. Blavatsky.
Ainda hoje a obra da grande pensadora russa
contém inúmeros elementos e chaves essenciais
para o avanço futuro da ciência. Segundo a
teosofia, a ciência ocidental está em sua
 infância, e apenas começa a reaproximar-se
da antiga filosofia universal e esotérica.

Reproduzimos a seguir a primeira parte
do Capítulo 3, Parte 7, da obra “Helena
Blavatsky”, de Sylvia Cranston (Editora  
Teosófica, Brasília, 1997, 678 pp.). O capítulo
é intitulado “A Ciência e A Doutrina Secreta”.

Algumas das referências nas notas de
rodapé de S. Cranston foram adaptadas ao nosso
contexto editorial. A ortografia foi atualizada.

(Carlos Cardoso Aveline)

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Em 1988, por ocasião dos cem anos da publicação da obra “A Doutrina Secreta” [de Helena Blavatsky], foram realizados vários simpósios nos Estados Unidos, Europa e Índia. Em uma palestra na cidade de Culver, na Califórnia, o destacado teosofista norte-americano Jerry Hejka-Ekins observou: [1]

“É muito pouco provável que algum crítico literário, examinando ‘A Doutrina Secreta’  em 1888, pensasse que esta obra pudesse ter mais do que algumas poucas edições. É uma obra de tamanho considerável, com cerca de 1500 páginas, cheia de termos filosóficos e religiosos do Extremo Oriente que contrastavam com a ciência do século dezenove e com as teorias agora descartadas. Mas, de qualquer modo, cem anos depois, ‘A Doutrina Secreta’ continua sendo impressa e ainda está sendo estudada... O que há em ‘A Doutrina Secreta’ que a faz perdurar e continuar influenciando o pensamento atual quando outras obras foram esquecidas há muito tempo? Talvez este livro pertença realmente ao século vinte e tenha sido escrito 100 anos antes do seu tempo... Se a autora não fosse capaz de antecipar as descobertas futuras, o livro teria se tornado obsoleto em pouco tempo diante do avanço da ciência. No entanto, HPB fez a predição de que ‘só no século vinte, partes desta obra, se não a integridade, seriam aceitas’.” [2]

Profecias são raras em “A Doutrina Secreta”. A que se segue é particularmente fascinante pois foram dadas as datas específicas em que ela se realizaria: [3]

“O total exato, a profundidade, a amplitude e a extensão dos mistérios da natureza só se encontram na ciência esotérica oriental. Eles são tão vastos e profundos que apenas um número muito restrito entre os mais altos Iniciados - aqueles cuja própria existência só é conhecida de uns poucos Adeptos - são capazes de compreender tais conhecimentos. Tudo, porém, está ali; e os fatos e processos do laboratório da natureza podem, um por um, abrir caminho na ciência exata, quando uma assistência misteriosa é proporcionada a uns poucos indivíduos em seus esforços para desvendar os seus arcanos. É no fim dos grandes ciclos relacionados com o desenvolvimento das raças que geralmente se produzem esses acontecimentos. Estamos chegando precisamente ao final do ciclo de 5000 anos do presente Kali Yuga ariano; e entre este momento [1888] e o ano de 1897 será feita uma enorme ruptura no véu da natureza, e a ciência materialista receberá um golpe mortal.”[4]

Há duas partes na profecia. A primeira levanta a questão sobre se alguma descoberta científica notável seria permitida no período mencionado de nove anos. David Deitz, em seu trabalho “The New Outline of Science” (“Uma Nova Visão da Ciência”), nos dá uma visão geral bastante útil:

“A história da civilização mostra poucos contrastes maiores do que a diferença entre os pontos de vista dos físicos do século dezenove e do século vinte. Quando o século dezenove estava terminando, os físicos sentiam que haviam completado as suas tarefas. Um eminente cientista daquele tempo, ao fazer uma conferência em 1893, disse que era muito provável que as grandes descobertas no campo da Física já tivessem sido feitas. Ele esboçou a história e o desenvolvimento da ciência, resumindo ao final as teorias bem estruturadas do século dezenove - segundo ele afirmava - totalmente suficientes. O físico do futuro, disse ele tristemente, nada terá a fazer senão repetir e refinar as experiências do passado, acrescentando mais uma ou duas decimais a algum peso atômico ou constante da natureza.” [5]

“Mas, dois anos mais tarde, no dia 28 de dezembro de 1895, Wilhelm Conrad Roentgen apresentava ao secretário da Sociedade de Física Médica de Würzburg o seu primeiro relatório escrito sobre a sua descoberta [acidental] dos raios-x. No primeiro dia de 1896, ele enviou pelo correio cópias do texto impresso para amigos cientistas em Berlim e outros lugares. Enviava com o texto algumas cópias das primeiras fotografias feitas por ele com os raios-x... das quais a mais espetacular mostrava os ossos de uma mão humana. Ali estava exatamente o que o orador de 1893 havia dito que não poderia ocorrer: havia sido feita uma nova descoberta... Roentgen havia encontrado alguns raios misteriosos que penetravam em objetos opacos tão facilmente como a luz do sol atravessa os vidros de uma janela. No século dezenove não havia físicos que pudessem explicar esse fenômeno surpreendente... Não só os físicos mas as pessoas por toda parte ficaram excitadas com a novidade. Roentgen ficou famoso da noite para o dia.” [Ele recebeu, em 1901, o Prêmio Nobel da Física.]

“A segunda grande descoberta no reino da física atômica foi a da radioatividade, realizada por Antoine Henri Becquerel em Paris, [em 1896] poucas semanas depois do anúncio de Roentgen. O pai de Becquerel, também físico, tinha investigado a fluorescência, o fato de que muitas substâncias submetidas à luz do sol reluziam mais tarde no escuro. Becquerel recordava o trabalho de seu pai e perguntou-se se havia alguma semelhança entre a fluorescência e os raios-x. Em função disso, ele envolveu uma chapa fotográfica em papel preto e colocou sobre ela um cristal de sal de urânio que o seu pai havia usado. Ele expôs este conjunto aos raios do sol. Ao revelar a chapa fotográfica, constatou que ela estava manchada ou escurecida como se alguma luz tivesse penetrado nela através do papel negro. Ele supôs que a ação da luz do sol tinha feito com que o urânio emitisse raios-x.” [6]

Durante os preparativos para experiências posteriores, Becquerel descobriu acidentalmente não os raios-x que ele buscava, mas a radioatividade. Sobre o assunto, o eminente físico moderno Robert Millikan observa:

“A radioatividade era revolucionária para o pensamento humano, pois significava que alguns dos ‘átomos eternos’, isto é, os de urânio e tório, são instáveis e lançam fora espontaneamente com grande energia pedaços de si mesmos, desta forma transformando-se em outros átomos... De todas as novas descobertas, esta era a mais espantosa para o pensamento humano e estimulante para a imaginação, pois destruía a ideia da imutabilidade dos elementos e mostrava que os sonhos dos alquimistas poderiam tornar-se verdade um dia.” [7]

A próxima “revelação” ocorrida dentro do período de tempo previsto em “A Doutrina Secreta” foi a mais importante de todas; a descoberta do elétron, em 1897, por sir J. J. Thomson. O dr. Karl Compton, ex-presidente do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, fez o seguinte comentário em 1936, quando se afastava do cargo de presidente da Associação Americana Para o Progresso da Ciência:

“A história da ciência está cheia de exemplos de que um novo conceito ou descoberta pode levar a avanços tremendos em campos novos e vastos cuja própria existência era, até então, insuspeitada... Mas, do meu ponto de vista, nenhum exemplo foi tão dramático como o da descoberta do elétron, a menor partícula do universo que, no período de uma geração, transformou não só a estagnada ciência da Física, mas também uma Química puramente descritiva e uma estéril Astronomia em ciências que se desenvolvem dinamicamente, cheias de aventura intelectual, com interpretações inter-relacionadas e valores práticos.” [8]

A descoberta de Thomson foi a culminação de uma série de experimentos iniciados por sir William Crookes, que se dedicava ao estudo das descargas elétricas em alto vácuo no tubo de Crookes, inventado por ele. Este tubo iria tornar-se um protótipo para os tubos de televisão e luz fluorescente usados hoje. As experiências de Crookes implicavam a existência de um quarto estado da matéria, que ele chamava de matéria radiante, e que, dez anos depois, constatou-se serem elétrons! É interessante que, em 1888, em “A Doutrina Secreta” [9], HPB predizia que: “a descoberta da matéria radiante do sr. Crookes conduzirá a um estudo mais completo sobre a verdadeira origem da luz, revolucionando todas as teorias atuais”.

A descoberta do elétron, observa o renomado físico norte-americano Robert Millikan, foi “extremamente útil para a humanidade, com suas milhares de extensões e aplicações para o rádio, para as comunicações de todo tipo, para a produção cinematográfica e inúmeras outras indústrias...” As descobertas científicas foram poderosamente aceleradas pelo uso de instrumentos eletrônicos.

A própria obra “A Doutrina Secreta” foi usada para diversas finalidades. O major Herbert S. Turner, inventor do cabo co-axial utilizado na telefonia e instalado de um lado a outro dos Estados Unidos no final da década de 1940, relacionou sua invenção com algumas passagens-chave de “A Doutrina Secreta” [10] como o conceito de círculo-que-não-pode-ser-transposto [11], aplicadas por ele em ideias de caráter profundamente oculto em relação ao mundo da energia física. [12]

A profecia de “A Doutrina Secreta” que estamos examinando afirma que como resultado da “enorme ruptura feita no véu da natureza... a ciência materialista receberá um golpe mortal”. Em “Time, Matter and Values” (“Tempo, Matéria e Valores”), após haver descrito as novas descobertas da Física, Millikan conclui: “como resultado, o materialismo dogmático na Física está morto”. [13]

Raymond S. Yates, em seu livro “These Amazing Electrons” (“Esses Elétrons Surpreendentes”), assevera: “A velha escola estava em plena retirada. A Física estava totalmente confusa. Estava momentaneamente atordoada por uma avalanche de questões ponderáveis. O último tijolo sólido do edifício do materialismo caíra, e o pequeno e cômodo sistema de categorias e os refúgios engenhosos, construídos com tanto trabalho, haviam caído com um ruído surdo e inquietante”. [14]

Segundo David Deitz, quando o século dezenove terminou já era claro que uma “verdadeira revolução acontecera no campo da Física”. Ele continua:

“Quatro descobertas significativas - os raios-x, a radioatividade, o elemento químico rádio e o elétron - convenceram os cientistas de que a sua tarefa estava apenas começando, e não terminando. Havia chegado o momento de invadir o interior do átomo. É arriscado, no entanto, afirmar que alguém pudesse prever, no começo do século vinte, os grandes avanços que seriam feitos na visão teórica, ou as aplicações espetaculares que surgiriam a partir desse novo conhecimento.” [15]

O ciclo do despertar científico, que se seguiu à descoberta do elétron, continuou a aprofundar-se com três descobertas adicionais, que abalaram ainda mais os alicerces das doutrinas materialistas:

1898 - Rádio. O elemento descoberto por Marie Curie e seu marido, Pierre, é quatro vezes mais radiante do que o urânio de Becquerel.

1900 - A Física Quântica. Max Planck lançou as bases da teoria quântica em 1900 ao mostrar que a matéria emite e absorve radiação em pequenos pacotes ou quanta, mais tarde chamados de fótons por Einstein, ficando demonstrado que a luz pode, portanto, ser vista como partícula e como onda. (Mais de duas décadas depois, Louis de Broglie demonstrou que a matéria também se comporta com a dualidade partícula-onda). Em 1913, Niels Bohr afirmou que os elétrons saltam de uma órbita para outra em torno de um núcleo atômico ao absorver ou emitir quanta de energia, sem atravessar o espaço entre uma órbita e outra (em outras palavras, dão um salto quântico, expressão frequentemente usada hoje em diversos contextos). Este foi um grande golpe contra a doutrina mecanicista.

1905 - A Equação de Einstein E = mc². A teoria de Einstein “acrescentou o reconhecimento de que a massa ou matéria é equivalente à energia, e de que o tempo e o espaço são partes integrantes do continuum de matéria-energia que constitui o universo”. [16]

Como foi indicado no prefácio deste livro, um certo número de cientistas tem-se interessado por “A Doutrina Secreta”. De acordo com uma sobrinha sua, Einstein tinha sempre uma cópia dessa obra na sua mesa de trabalho. Detalhes do seu testemunho são dados na Nota 22 da Parte 7, ao final deste livro, onde se evidencia também que duas pessoas poderiam ter despertado o interesse de Einstein nesta obra.[17] “A Doutrina Secreta” contém muitos ensinamentos que eram negados pela ciência nos dias de HPB, mas que foram comprovados mais tarde como verdadeiros, e é possível que essa obra contenha sugestões de outras verdades que ainda serão aceitas. Aqui estão três exemplos de descobertas pré-configuradas por HPB, no campo da Física.

1. Os átomos são divisíveis

Sir Isaac Newton escreveu na sua obra “Optics” (“Ótica”) que: “No início Deus formou a matéria em partículas maciças, sólidas, duras, impenetráveis e em movimento, com os tamanhos, formas, propriedades e proporções em relação ao espaço que eram mais adequados ao objetivo em função do qual foram criadas”. [18] Mais tarde, os cientistas eliminaram a teologia contida nessa declaração, mas conservaram a ideia das “partículas duras e impenetráveis”, ou átomos, como os tijolos básicos da construção do universo. Quando o elétron foi descoberto em 1897, os tijolos começaram a fragmentar-se. O átomo era divisível.

E aqui está o que HPB disse em “A Doutrina Secreta” [19]:

“O átomo é divisível e deve compor-se de partículas ou sub-átomos... A ciência do ocultismo é toda baseada na doutrina da natureza ilusória da matéria e na divisibilidade infinita do átomo.”

Quanto à divisibilidade infinita do átomo, um cientista amigo escreveu para esta autora: “A ciência avançou nessa direção só passo a passo - encontrando primeiro o elétron e depois os prótons, mais tarde os nêutrons e a seguir os quarks e outras partículas, pensando, a cada vez, que havia encontrado a última partícula. Agora, finalmente, chegou às ondas puras, como na teoria das cordas, que corresponde à ciência da D.S.” [20]

Quando os quarks foram localizados pela primeira vez, Werner Heisenberg comentou:

“Mesmo que os quarks pudessem ser encontrados, segundo tudo o que sabemos, eles poderiam ser divididos novamente em dois quarks e um antiquark etc., e, assim, eles não seriam mais elementares que um próton... Nós teremos que abandonar a filosofia de Demócrito e o conceito de partículas elementares fundamentais. Devemos, em vez disso, aceitar o conceito das simetrias fundamentais, que tem base na filosofia de Platão.” [21]

2. Os átomos estão em movimento perpétuo

Os cientistas do tempo de HPB não só acreditavam que os átomos eram indivisíveis mas também que eles eram imóveis, exceto no estado gasoso. “A Doutrina Secreta” declara: [22] 

“Diz o ocultismo que nunca a matéria se acha mais ativa do que quando parece morta. Um bloco de madeira ou de pedra está imóvel e é impenetrável em todos os sentidos. Não obstante, na realidade, suas partículas estão animadas por um movimento vibratório incessante, eterno, tão rápido que, para o olho físico, o objeto parece em absoluto desprovido de movimento; e a distância daquelas partículas entre si, no seu movimento vibratório, é tão grande - vista de outro plano de existência e percepção - como a que separa flocos de neve ou gotas de chuva. Mas, para a ciência física, esta ideia é um absurdo.”

Hoje é difícil pensar que algum dia isso foi considerado um absurdo.

Segundo “A Doutrina Secreta”, o movimento incessante dos átomos no que vemos como um objeto sólido está de acordo com uma lei universal subjacente ao cosmo de que “não há repouso nem interrupção de movimento na natureza”. [23] Isso está de acordo com a visão de Einstein, segundo “The Theory of Relativity” (“A Teoria da Relatividade”), de Garrett Service:

“Pesquisas científicas mostram que, nas coisas infinitamente pequenas assim como nas infinitamente grandes, tudo é movimento... e não encontramos nada em repouso. Assim sendo, diz Einstein, o movimento deve ser visto como a condição natural e também real da matéria, algo que não necessita de ser explicado, porque surge da própria substância do universo. É a verdadeira essência da existência.” [24]

Em “A Doutrina Secreta”, HPB afirma que “o movimento abstrato absoluto” é um símbolo do próprio Absoluto. [25]

3. Matéria e energia são conversíveis

A ciência do século dezenove acreditava no oposto. Einstein desaprovou a crença antiga em 1905 com a sua famosa equação E = mc2. Millikan traduz a equação da seguinte maneira: 

“m é massa em gramas; c é velocidade da luz em centímetros por segundo (30.000.000.000 cm/s); e E é energia em unidades de energia, isto é, em ergs. Expressa na linguagem comum de engenharia, a equação de Einstein diz que, se um grama de massa é transformado em calor a cada segundo, são gerados continuamente 90 bilhões de quilowatts de energia.”

“A concepção extraordinariamente importante aqui”, acrescenta Millikan, “é que a própria matéria é conversível em energia radiante”. [26] Uma maneira mais geral de explicar este fato agora comprovado seria dizer que a matéria é energia condensada, enquanto energia é matéria que se expandiu. HPB cita um trecho de um artigo da revista “The Path” (janeiro de 1887, p.297) em “A Doutrina Secreta” [27]:

“Como declarou um teosofista norte-americano, ‘as mônadas (de Leibnitz) podem ser consideradas como força, de certo ponto de vista; e, de outro, como matéria. Para a ciência oculta, força e matéria não são mais que dois aspectos da mesma substância’.”

Essa substância ela chamava de prakriti, que emana da matéria primordial, ou mulaprakriti (a raiz da matéria).

Em “Ísis Sem Véu” [28], HPB postula diretamente a conversibilidade de força em matéria ao afirmar:

“Toda manifestação objetiva, seja no movimento do corpo de um ser vivo, seja no movimento de algum corpo inorgânico, requer duas condições: vontade e força - além de matéria, que é aquilo que faz com que o objeto que se move seja visível aos nossos olhos; e essas três são todas forças conversíveis...”

A referência que se segue [29] é especialmente interessante, não só porque a expressão energia atômica indica que os átomos têm energia, mas porque HPB parece ter sido a primeira pessoa a usar esta expressão tão comum hoje:

“O ‘movimento ondulatório das partículas vivas’ torna-se compreensível com a teoria de um... Princípio Vital universal, que é espiritual, independente de nossa matéria e que se manifesta como energia atômica somente no nosso plano de consciência.”

Tendo em vista tudo o que foi dito antes, não é surpreendente ser informada pelos atuais editores de “A Doutrina Secreta” que eles têm recebido pedidos frequentes de exemplares dessa obra feitos por professores universitários. Um professor do Instituto de Tecnologia da Califórnia comprou o livro diversas vezes nos últimos anos. Perguntado amavelmente sobre a razão disso, soube-se que, cada vez que um exemplar estava demasiadamente marcado, dificultando a sua leitura, ele comprava outro exemplar.

Esta escritora soube em 1982, quando visitava Boston e Cambridge, que os professores e alunos de química do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estavam fazendo planos para investigar os ensinamentos em “A Doutrina Secreta” relativos às suas especialidades. Em 1988, soube-se, por meio de Philip Perchion, um cientista que havia trabalhado na bomba atômica, que professores e estudantes do MIT haviam formado uma sociedade alquímica e que estudavam regularmente “A Doutrina Secreta”. Ele também disse que ele e vários professores de química - a maior parte professores aposentados do MIT - encontravam-se periodicamente para discutir a D. S. no Harvard Club, em Nova Iorque.

4. Albert Einstein e “A Doutrina Secreta”

[Texto Completo da Nota 22, Parte 7, do livro “Helena Blavatsky”, de Sylvia Cranston:]

Robert Millikan pode ter sido um dos primeiros cientistas a apresentar “A Doutrina Secreta” para Einstein. De 1921 a 1945 ele foi o diretor do Laboratório Norman Bridges no Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena; ele era também o presidente do comitê executivo do Cal Tech.

Nos anos 30, Millikan ajudou a trazer Einstein para os Estados Unidos. Por três verões, Einstein trabalhou em Cal Tech, antes de aceitar um posto em Princeton.

Millikan estava profundamente interessado em “A Doutrina Secreta”. Durante seu mandato em Cal Tech, uma cópia do livro, na biblioteca da escola, era tão solicitada que para alguém conseguir o seu empréstimo tinha que colocar o nome numa longa lista de espera. Parece provável que Millikan tenha sido um dos que despertaram o interesse de Einstein pela Doutrina Secreta.

Outra pessoa pode ter sido Gustav Stromber, um astrofísico do Observatório Mount Wilson, de Los Angeles, que foi um bom amigo de Einstein e trabalhou com ele no observatório. Quando a obra de Stromberg “Soul of the Universe” (“Alma do Universo”) foi publicada, tinha na orelha uma recomendação de Einstein.

É interessante notar que, durante este período, Boris de Zirkoff, compilador de “H.P. Blavatsky Collected Writings”, visitava frequentemente o observatório e fez amizade com os astrônomos de lá. Disse ele que todos estavam interessados em teosofia, particularmente o dr. Hubbell. Stromberg visitou a Sociedade Teosófica em Point Loma, e, certa vez, fez uma palestra lá; ele escreveu até mesmo a introdução para um livro de astronomia de dois teosofistas de Point Loma. Stromberg afirma:

“ ‘Star Habits and Orbits’ é descrito como ‘astronomia para estudantes de teosofia’. Isto inclui, consequentemente, dois temas diferentes; primeiro, a descrição dos fatos astronômicos fundamentais, e, segundo, uma interpretação destes fatos do ponto de vista dos ensinamentos teosóficos (.....) O grande edifício da ciência moderna é incompleto sem a apresentação de um mundo não-físico, a partir do qual a energia, a organização e a mente temporariamente emergem e vão para dentro do mundo físico de espaço e tempo. Teorias físicas modernas mostram a insuficiência dos conceitos materialistas que até recentemente caracterizaram a ciência natural apontam diretamente para um mundo que está em contato íntimo com a nossa própria consciência.

Há muitos caminhos para o conhecimento e nenhum deles deve ser negligenciado. Sabendo, como sabemos agora, que a nossa mente, inclusive a nossa capacidade de pensar, tem suas raízes num mundo invisível mas não desconhecido, é concebível que possam existir homens e mulheres inspirados capazes de perceber algo dos mistérios fundamentais da vida e do universo sem o uso de microscópios e telescópios.” (Charles J. Ryan e L. Gordon Plummer, “Star Habits and Orbits”, Covina, Califórnia, EUA, Theosophical  University Press, 1944, pp. V-VI.)

[ Final da Nota 22, parte 7, do livro de Sylvia Cranston. ]


NOTAS:

[1] “The Secret Doctrine in the Light of Twentieth Century” (“A Doutrina Secreta à Luz do Pensamento do Século Vinte”), revista “Sunrise”, publicada pela Sociedade Teosófica de Pasadena, abril-maio de 1989, pp. 150-151.

[2] Veja “A Doutrina Secreta”. Na edição em inglês, “The Secret Doctrine”,  Theosophy Co., Los Angeles, veja vol. II, p. 442.

[3] Volume II, pp. 323-324 da edição em português de “A Doutrina Secreta”, Ed. Pensamento.

[4] “A Doutrina Secreta”, HPB. Em inglês, “The Secret Doctrine”, vol. I, pp. 611-612.

[5] “O diretor do Departamento de Física da Universidade de Harvard desencorajava o estudo de graduação, pois só bem poucos problemas permaneciam sem solução”. (Gary Zukav, “The Dancing Wu Li Masters”, Nova Iorque, Bantam, 1980, p. 311.)

[6] David Dietz, “The New Outline of Science” (“O Novo Perfil da Ciência”), Nova Iorque, EUA, Dodd, Mead, 1972, pp. 259-263.

[7] Robert Millikan, “The Autobiography of Robert A. Millikan”, Nova Iorque, EUA, Prentice-Hall, 1950, pp. 272, 271. Em 1909, o próprio Millikan cumpriu um importante papel ao determinar as cargas elétricas exatas dos elétrons, e em 1923 recebeu o Prêmio Nobel de Física pela descoberta dos raios cósmicos.

[8] “Science”, 8 janeiro 1937, p. 598.

[9] Volume II, p. 333 da edição em português, da Ed. Pensamento.

[10] “A Doutrina Secreta”. Em inglês, “The Secret Doctrine”, Theosophy Company, Los Angeles, Volume I, pp. 129-132.

[11] O círculo-que-não-pode-ser-transposto (ring-pass-not no original) é aquilo que separa o mundo da forma do mundo sem forma.

[12] “Theosophia”, volume 4, número 22, novembro-dezembro de 1947, p. 15.

[13] Robert Millikan, “Time, Matter and Values” (“Tempo, Matéria e Valores”), Chapel Hill, Carolina do Norte, EUA, University of North Carolina Press, 1932, p. 96.

[14] Raymond F. Yates, “These Amazing Electrons” (“Esses Elétrons Incríveis”), Nova Iorque, EUA, the Macmillan Company, 1937.

[15] Dietz, “The New Outline of Science”, p. 277.

[16] A. March e I.M. Freeman, “The New World of Physics” (“O Novo Mundo da Física”), 1963; citado na revista “Sunrise”, novembro de 1975, p. 81.

[17] Veja a Nota 22 da parte 7 do livro de Sylvia Cranston, completa, ao final do presente texto. Sobre este tema, leia o artigo “A Teosofia de Albert Einstein”, de Carlos Cardoso Aveline, em nossos websites associados.

[18] M.R. Crossland, editor, “The Science of Matter”, Nova Iorque, EUA, Penguin, 1971, p. 76.

[19] Vol. II, p. 232 da edição em português.

[20] “Em 1984”, escreve Stephen Hawking, “houve uma mudança de opinião notável em favor do que é chamado de teoria das cordas ..... O que antes se via como partículas, é agora representado como ondas vibrando no cordel de uma pipa ou pandorga”. (Hawking, “A Brief History of Time” - “Uma Breve História do Tempo”, p. 158-160 da edição em inglês).

[21] Werner Heisenberg, “Science”, 19 de março de 1976, p. 1165.

[22] Volume II, p. 220 da edição em português.

[23] Blavatsky, “The Secret Doctrine”, vol. I, p. 97; veja também vol. I, pp. 2, 55 e nota de rodapé da p. 76.

[24] S. Garrett Service, “The Einstein Theory of Relativity” (“A Teoria da Relatividade de Einstein”), Nova Iorque, EUA, E. M. Radimann, 1928, p. 48.

[25] Vol. I, p. 14 da edição em inglês.

[26] Millikan, “The Autobiography of Robert A. Millikan”, p. 273.

[27] Vol. II, p. 335 da edição em português.

[28] Página 260, no volume I, da edição brasileira. Em inglês, “Isis Unveiled”, Theosophy Co., Los Angeles, Vol. I, p. 198.

[29] “A Doutrina Secreta”, vol. IV, p. 242, da edição em português.

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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