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14 de agosto de 2025

Os Sete Eus

 
Um Conto Místico Sobre o Conflito
Entre Coerência e Diversidade na Vida
 
Kahlil Gibran
 



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Nota Editorial de 2025:

O texto a seguir é um exemplo do fato de
que as obras de Kahlil Gibran (1883-1931) têm
pontos essenciais em comum com a Teosofia. 

“Os Sete Eus” pode ser lido desde pelo menos
três pontos de vista diferentes. Primeiro, ele examina a
diversidade de níveis de consciência dos seres humanos. 
Em segundo lugar, ele descreve a vida na sua relação
com Dukkha, ou Sofrimento, a primeira nobre verdade
do budismo filosófico. Finalmente, pode ser considerado
um poema sobre Maya, Ilusão. Reproduzimos o texto do
volume “O Profeta e a Arte da Paz”, de Kahlil Gibran,
Ed. Sinais de Fogo, Portugal, pp. 196-199. A tradução é de
Inês Fraga. Em outras edições, faz parte do volume “O Louco”.

(Carlos Cardoso Aveline)

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No momento mais silencioso da noite, estando eu deitado semiadormecido, os meus sete eus sentaram-se e assim conversaram, murmurando:

Primeiro Eu:

Aqui, neste louco, habitei todos estes anos, sem nada para fazer senão renovar a sua dor de dia e recriar a sua mágoa de noite. Não suporto mais o meu destino e agora rebelo-me.

Segundo Eu:

Irmão, o teu destino é melhor do que o meu, pois cabe-me a mim ser o eu feliz deste louco. Rio o seu riso e canto os seus momentos felizes e com pés três vezes alados danço os seus pensamentos mais brilhantes. Sou eu quem se quer revoltar contra a fatigante existência.

Terceiro Eu:

E então eu, o dominado pelo amor, a marca flamejante da paixão selvagem e dos desejos fantásticos? Sou eu, o doente de amor, quem se quer revoltar contra este louco.

Quarto Eu:

De entre todos vós, sou o mais infeliz, porque nada me foi dado senão ódio abominável e aversão destrutiva. Sou eu, o eu semelhante à tempestade, o que nasceu nas cavernas negras do Inferno, quem deveria protestar contra servir este louco.

Quinto Eu:

Não, sou eu, o pensador, o eu pleno de fantasias, o eu da fome e da sede, o que está condenado a deambular sem descanso em demanda de coisas desconhecidas e ainda por criar; sou eu, não vós, quem se deveria revoltar.

Sexto Eu:

E eu, o que trabalha, o obreiro que inspira piedade, que, com mãos pacientes, e olhos sonhadores, molda o dia em imagens e dá aos elementos novas e eternas formas - sou eu, o solitário, quem se deveria revoltar contra este louco irrequieto.

Sétimo Eu:

Que estranho que todos vós vos queirais revoltar contra este homem, tão-só porque cada um tem um destino pré-determinado a realizar.

Ah! Pudesse assemelhar-me a um de vós, um eu com um destino determinado! Mas não tenho nenhum, sou o que nada faz, aquele que se senta no nenhures e no nunca mudos e vazios, enquanto vós estais ocupados a recriar a vida. Sois vós ou eu, vizinhos, quem se deveria revoltar?

Quando o sétimo eu assim falou os outros seis olharam-no com piedade, mas nada proferiram; e à medida que a noite se tornava mais profunda, um após outro foi dormir envolto numa nova e feliz submissão.

Mas o sétimo eu ficou a observar e a mirar o nada por detrás de todas as coisas.

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O texto acima está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 14 de agosto de 2025. Ele também faz parte da edição de maio de 2012 de “O Teosofista”, páginas 7-8.

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Leia mais:


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Veja a seção temática

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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

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8 de abril de 2020

Olhei o Futuro

Não Achei a Pobreza, Porém
Vi a Fraternidade e a Igualdade

Kahlil Gibran





Por detrás das muralhas do presente, ouvi o hino da humanidade. Ouvi o repicar dos sinos, que faziam estremecer as camadas do éter, avisando do começar das orações no templo da Beleza, sinos que foram fundidos pela força dos minerais da sensibilidade, erguidos no seu altar sagrado, - o coração humano. [1]

Por detrás do futuro, vi a multidão prostrada no seio da natureza, olhando para o nascente, e aguardando o raiar da Luz da madrugada, - aurora da realidade.

Vi o desmoronamento das cidades, não ficando delas vestígios alguns senão ruínas que anunciavam o extermínio das trevas perante a luz.

Vi os anciãos sentados à sombra das árvores de cipreste, e em redor deles, sentadas também, as crianças escutando a história dos tempos.

Vi os jovens tocar rabeca e flautim e as donzelas com os cabelos soltos dançarem em redor deles sob as ramagens de jasmim.

Vi os adultos ceifarem o trigo, e as mulheres carregarem os feixes, cantando hinos idealizados pelo bem-estar e alegria…

Vi a mulher trocar os ornamentos nocivos pelas coroas de lírio, e vestir-se com folhas vistosas das árvores.

Vi a Amizade fortalecida entre o homem e todas as criaturas, e clãs de aves e de borboletas a voar em direção aos riachos, com confiança e segurança. [2]

Vi e não achei pobreza, nem o que sobra além do necessário, porém vi a Fraternidade e a Igualdade; não vi um único médico, porque todos tinham o saber e os meios para curar a si mesmos. [3]

Não vi sacerdotes porque a consciência amanheceu a maior sacerdotisa.

Não vi procuradores porque a natureza ergueu entre eles posição científica, registrando as promessas da lealdade e do dever.

Vi o homem reconhecer que é a pedra de alicerce das criaturas, erguendo-se da pequenez e elevando-se da ignomínia, afastando o véu da suspeita das vistas da alma, a qual amanhecerá lendo o que é escrito pelas nuvens na face do firmamento, lendo o que traçará a brisa na superfície das águas, percebendo o segredo do alento das flores e conhecendo o significado do cântico do rouxinol e do sabiá.

Por detrás das muralhas do presente, no palco dos séculos vindouros, vi o belo como noivo, a alma como noiva e a vida toda como a noite da felicidade.

NOTAS:

[1] Neste parágrafo aproveitamos em parte o texto da edição feita pela Ed. Pergaminho, Portugal, da obra “Pensamentos e Meditações”, de Kahlil Gibran, 2001, 190 pp., p. 77. O poema em prosa também está publicado com o título “Uma Mirada no Futuro”, na edição brasileira da obra “Pensamentos e Meditações”, de Kahlil Gibran, Ed. Record, 128 pp., pp. 70-71.

[2] Neste parágrafo seguimos em parte a edição da Ed. Pergaminho, Portugal, da obra “Pensamentos e Meditações”, de Kahlil Gibran, p. 78. Ver nota acima.

[3] Neste parágrafo aproveitamos parte do texto da obra “Pensamentos e Meditações”, de Kahlil Gibran, p. 78, ver nota acima.

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“Olhei o Futuro” foi publicado nos websites associados dia 08 de abril de 2020. Ele faz parte também da edição de fevereiro de 2017 de “O Teosofista”, pp. 6-7. Salvo nos trechos em que indicamos outras fontes, o  texto acima é reproduzido da obra “Lágrimas e Sorrisos”, de Kahlil Gibran, tradução de José Mereb, Franco de Luca Editor, SP, Brasil, 184 pp., pp. 89-90.

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Clique para ler “O Templo do Futuro”, de Eliphas Levi, e “A Tarefa Vital do Futuro”, de Henri Durville.

Veja os artigos de Carlos Cardoso Aveline “A Essência do Futuro Humano” e “Como Perceber o Futuro”.

Faça a “Oração Diante do Futuro”. Recomende aos seus amigos os textos  “Um Compromisso Com o Futuro” e “Os Mestres e o Futuro da Humanidade”.

Não deixe de ler “O Casal do Futuro” e “O Casal Como Centro da Civilização”. Pense na ideia de praticar, individual e coletivamente, a “Meditação pelo Despertar Planetário”.

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1 de setembro de 2015

A Religião da Beleza

A Percepção Da Beleza É
Uma Luz Interna Do Coração

Kahlil Gibran



Beleza é aquilo que atrai a sua alma, e aquilo que gosta de doar, ao invés de receber.

Quando você encontra a beleza, as mãos do seu ser interior se estendem para trazê-la até o domínio do seu coração.

Ela é um esplendor combinado com o sofrimento e a felicidade; é o Invisível que você vê, é o Vago que você compreende, e o Mudo que você ouve -; é o princípio supremo que começa em você e termina muito além da sua imaginação terrestre.

Você está confuso diante das muitas religiões que a humanidade adota? Está perdido no vale das crenças que contradizem umas às outras? Pensa que a liberdade da heresia é menos opressiva que o jogo da submissão, e a liberdade da discordância, mais segura que a fortaleza da concórdia?

Se este for o caso, faça da Beleza a sua religião e adore-a como uma Divindade; porque ela é a obra visível, manifestada e perfeita de Deus. [1]

Deixe de lado aqueles que vivem falsamente a devoção religiosa, incluindo em suas práticas a cobiça e a arrogância, mas creia na divindade da beleza, e isso constituirá ao mesmo tempo o começo da sua adoração pela Vida e a fonte da sua fome de Felicidade.

Pratique penitências e austeridades como uma homenagem à Beleza e purifique-se de seus erros, porque a Beleza coloca o seu coração mais perto do trono da mulher, que é espelho dos seus afetos e uma fonte de lições sobre os caminhos da Natureza, o lar da vida.

Só os nossos espíritos podem entender a beleza ou viver e crescer com ela. A beleza deixa perplexas as nossas mentes. Somos incapazes de descrevê-la em palavras. Ela é uma sensação que nossos olhos não podem ver, derivada tanto do ser que vê como do ser que é visto. A verdadeira beleza é um raio que emana do nível supremo do espírito e ilumina o corpo, assim como a vida surge das profundezas da terra e dá cores e perfume à flor.

A Beleza é uma harmonia entre dor e contentamento, que começa no templo interno do coração e termina além do alcance da capacidade de imaginar.

A beleza não está no rosto;
A beleza é uma luz no coração. [2]

A aparência das coisas muda conforme as emoções, e por isso vemos magia e Beleza nelas, quando na verdade a magia e a Beleza estão em nós próprios.

O propósito do espírito no  
Coração está oculto, e não pode
Ser julgado pela aparência externa.


NOTAS:

[1] Na página 97 do livro “A Third Treasury of Kahlil Gibran”, o autor pergunta a si mesmo: “Será verdade que Deus criou o Homem, ou foi o contrário?” De fato, a teosofia reconhece que os deuses monoteístas das diferentes seitas e igrejas são desastrosas criações humanas. O conceito é uma fonte ativa de intolerância, conflito e fanatismo. Por outro lado, a palavra “Deus” também pode simbolizar o nosso próprio eu superior, ou a Lei do Equilíbrio Universal, que age impessoalmente. (CCA)

[2] Os parágrafos acima são traduzidos da obra “A Third Treasury of Kahlil Gibran”, editada por Andrew Dib Sherfan, The Citadel Press, Secaucus, New Jersey, Estados Unidos, 1975, pp. 99-100. As linhas a seguir são traduzidas da página 97. (CCA)

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Veja também o artigo “A Beleza da Verdade Abstrata”, de Carlos Cardoso Aveline. O texto pode ser encontrado em nossos websites associados.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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28 de julho de 2013

O Trabalho e o Amor

A Criatividade Humana
Celebra a Unidade da Vida

Kahlil Gibran

Acima, o quadro “Lavrador com Mulher Plantando Batatas”, de Vincent van Gogh



...Então um lavrador disse [ ao Profeta ] :  Fale sobre o Trabalho.

E ele respondeu dizendo:

Vocês trabalham para manter-se em contato com o ritmo da terra e a alma da terra.

Porque ser preguiçoso é estar afastado das quatro estações e separar-se da marcha da vida, que avança com orgulhosa submissão, majestosamente, no rumo do infinito.

Quando vocês trabalham, são como uma flauta através de cujo interior o murmúrio das horas é transformado em música.

Quem de vocês gostaria de ser um junco, surdo e silencioso, quando todos os outros cantam juntos em harmonia?

Vocês sempre ouviram dizer que o trabalho é uma maldição, e o esforço, uma infelicidade.

Mas eu digo que quando trabalham vocês cumprem uma parte do sonho mais elevado da terra, destinada a vocês quando aquele sonho nasceu.

E, sustentando-se graças ao esforço, vocês estão, na verdade, amando a vida.

E amar a vida através do trabalho é estar interiormente ligado ao mais íntimo dos segredos da terra.  
Mas se em seu sofrimento vocês chamam o nascimento de aflição, e consideram o ato de sustentar a vida como uma maldição escrita em suas testas, eu respondo que só o suor dos seus rostos lavará e apagará aquilo que está escrito.    

Disseram a vocês que a vida é escuridão; e, no seu cansaço, vocês repetem aquilo que os cansados disseram.

E  eu digo que a vida é, de fato, escuridão, exceto quando há um impulso, e que todo impulso é cego; exceto quando há conhecimento.

E todo conhecimento é vão; exceto quando há trabalho; e todo trabalho é vazio; exceto quando há amor; e quando vocês trabalham com amor vocês se unem a si próprios, e uns aos outros, e a 
Deus.[1]

E o que é trabalhar com amor?

É fazer o tecido a partir de fios que saem do seu coração, como se a pessoa que vocês mais amam fosse usar aquela roupa.

É construir cada casa com afeto, como se o ser amado fosse viver ali. 

É plantar sementes com ternura, e fazer a colheita com alegria, como se a pessoa mais amada fosse comer os frutos.

É colocar em todas as coisas que vocês produzem o alento do seu próprio espírito, e saber que os mortos abençoados estão em torno de vocês, e observam o seu esforço. 

Ouço com frequência vocês dizerem, como se falassem durante o sono:  “Aquele que trabalha com mármore, e encontra na pedra a forma da sua própria alma, é mais nobre que aquele que lavra o solo. E aquele que captura o arco-íris e o coloca na roupa dos seres humanos é melhor que aquele que produz as sandálias para os nossos pés.”

Mas eu digo -  não adormecido, e sim com a extrema lucidez da hora do meio-dia -  que o vento não fala com mais ternura para os carvalhos gigantescos do que para a menor das folhas de erva.

E grande é apenas aquele que transforma a voz do vento em uma canção mais doce, através da sua própria capacidade de amar.

O trabalho é amor feito visível.

E se vocês não puderem trabalhar com amor, mas somente com desgosto, será melhor que abandonem seu trabalho e se sentem à porta do templo, e que peçam esmolas daqueles que trabalham com um sentimento de felicidade.

Pois se prepararem o pão com indiferença, vocês farão um pão amargo que só eliminará metade da fome do ser humano. E se espremerem a uva com má vontade, a má vontade estará presente no vinho como um veneno. E ainda que cantem como anjos, se não amarem o ato de cantar, estarão tapando os ouvidos das pessoas, e elas não poderão ouvir as vozes do dia e as vozes da noite. [2]

NOTAS:

[1] Em Teosofia, o termo “Deus”  não tem como significado alguma divindade monoteísta.  A palavra só faz sentido quando significa a Lei Universal. (CCA)

[2] O texto acima foi traduzido da obra “The Prophet”, de Kahlil Gibran, Senate, Singapore, 2004, 114 pp., ver  pp. 32-35.  Em português, existem boas traduções dos livros de Gibran, feitas por Mansour Challita. (CCA)

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O texto acima está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde julho de 2013.

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Leia mais:







Veja a série completa Ideias ao Longo do Caminho.

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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

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