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11 de novembro de 2017

Supremo Verbo

Vai, Peregrino, Faz da Tua
Alma Uma Lâmpada do Cego

Cruz e Sousa




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Nota Editorial de 2017:

O poema a seguir é reproduzido da obra
“Sonetos Brasileiros”, coletânea organizada
por Laudelino Freire, Officina Polytechnegraphica
de M. Orosco & C., Rio de Janeiro, 1904, 328
pp., ver página 150. A ortografia foi atualizada.

João da Cruz e Sousa nasceu em Santa
Catarina em 24 de novembro de 1862, e morreu
em Minas Gerais em 19 de março de 1898.

 (Carlos Cardoso Aveline)

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- Vai, Peregrino do Caminho santo,
Faz da tua alma lâmpada do cego,
Iluminando, pego sobre pego, [1]
As invisíveis amplidões do Pranto.

Ei-lo, do Amor o cálice sacrossanto!
Bebe-o, feliz, nas tuas mãos o entrego …
És o filho leal, que eu não renego,
Que defendo nas dobras do meu manto.

Assim ao Poeta a Natureza fala!
Enquanto ele estremece ao escutá-la,
Transfigurado de emoção, sorrindo …

Sorrindo a céus que vão se desvendando,
A mundos que se vão multiplicando,
A portas de ouro que se vão abrindo!

NOTA:

[1] Pego: abismo, voragem, sorvedouro, o lugar mais fundo de um rio ou lago. (CCA)

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7 de fevereiro de 2014

Dois Poemas Místicos

O Céu, o Êxtase e a Iniciação

Cruz e Sousa

O poeta catarinense João da Cruz e Sousa (1861-1898)




1. O Grande Momento

Inicia-te, enfim, Alma imprevista,
Entra no seio dos Iniciados.
Esperam-te de luz maravilhados
Os Dons que vão te consagrar Artista.

Toda uma Esfera te deslumbra a vista,
Os ativos sentidos requintados.
Céus e mais céus e céus transfigurados
Abrem-te as portas da imortal Conquista.

Eis o grande Momento prodigioso
Para entrares sereno e majestoso
Num mundo estranho d’esplendor sidéreo.

Borboleta de sol, surge da lesma…
Oh! vai, entra na posse de ti mesma,
Quebra os selos augustos do Mistério!

2. Êxtase Búdico

Abre-me os braços, Solidão profunda,
Reverência do céu, solenidade
Dos astros, tenebrosa majestade,
Ó planetária comunhão fecunda!

Óleo da noite, sacrossanto, inunda
Todo o meu ser, dá-me essa castidade,
As azuis florescências da saudade,
Graça das Graças imortais oriunda!

As estrelas cativas no teu seio
Dão-me um tocante e fugitivo enleio,
Embalam-me na luz consoladora!

Abre-me os braços, Solidão radiante,
Funda, fenomenal e soluçante,
Larga e búdica Noite redentora!

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Os poemas acima são reproduzidos do volume “Poesias Completas”, de Cruz e Sousa, Editora Record, Rio de Janeiro e São Paulo, 124 pp., ver respectivamente pp. 101 e 111. Foram publicados também em “O Teosofista”, edição de abril de 2013.

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