16 de fevereiro de 2026

Os Mahatmas Orientais e a Jornada de Cristo

 
Transcrição de um Vídeo: A Caminhada  
do Herói, em Teosofia e  no  Cristianismo
 
Carlos Cardoso Aveline
 



Existe uma passagem nas Cartas dos Mahatmas, que é a Carta 126, primeiro parágrafo - o primeiro longo parágrafo -, em que um Mestre oriental de Sabedoria faz uma descrição da jornada da alma no caminho da perfeição, na sua parte final e culminante, que é surpreendentemente parecida com a descrição da vida de Jesus Cristo que nós conhecemos através do Novo Testamento.

A passagem diz o seguinte:

“Já foi dito a você (…) que o caminho (…) tem de ser trilhado laboriosamente e percorrido com perigo de vida; que cada novo passo nele, que leva à meta final, é rodeado por armadilhas e espinhos cruéis; que o peregrino que se aventura por ele é obrigado primeiro a confrontar e vencer as mil e uma fúrias [1] que guardam seus portões e sua entrada adamantinos [2],  fúrias chamadas Dúvida, Ceticismo, Desprezo, Ridículo, Inveja e finalmente Tentação - especialmente a última; e que aquele que quiser ver mais além tem primeiro de destruir este muro vivo; deve ter um coração e uma alma vestidos de aço e uma determinação de ferro, que nunca falha, e no entanto deve ser amável e gentil, humilde, e deve ter expulsado do seu coração toda paixão humana.” [3]

A gente pode facilmente ver que isso não é uma coisa muito fácil. Essa é uma meta de longo prazo. É uma meta para várias encarnações, para várias vidas. Mas o primeiro passo tem que ser dado aqui e agora.

A nossa vida recomeça a cada instante.

Cada instante é o momento inaugural do resto da nossa existência. E cada instante é uma oportunidade para a gente levar mais a sério a nossa própria vida, e fazer o melhor possível.

NOTAS:

[1] Fúrias - na mitologia clássica, divindades femininas que puniam crimes, instigadas pelas vítimas, e vingavam os deuses. (Nota da edição brasileira de “Cartas dos Mahatmas”)

[2] A palavra “adamantinos” quer dizer “feitos de diamante”, uma substância extremamente resistente. (CCA)

[3] “Cartas dos Mahatmas”, Editora Teosófica, Brasília, 2001, edição em dois volumes, ver volume II, Carta 126, página 274.

000

O texto “Os Mahatmas Orientais e a Jornada de Cristo” está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 16 de fevereiro de 2026. Trata-se de uma transcrição - revisada pelo autor - do vídeo de igual título  Os Mahatmas Orientais e a Jornada de Cristo.

000

Vídeos curtos e claros sobre Teosofia no YouTube:





000





000

Leia mais:







* Examine nos websites da LIT a seção Mahatmas, Discípulos e a Busca do Discipulado.

000



Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

000

11 de fevereiro de 2026

Desmascarando o Mistério do Altruísmo

 
Transcrição de um Vídeo: é a Renúncia
Que Abre o Caminho para a Felicidade
  
Carlos Cardoso Aveline
  



Vamos tentar desmascarar o processo do altruísmo.

Quando a gente ouve falar em altruísmo, a gente pensa em autonegação: em negação de si mesmo, em esquecimento de si mesmo, em lembrar dos outros - em fazer o bem aos outros.

Isso está correto.

No entanto, quando deixamos de lado o nosso próprio eu, esse eu deve ser o eu inferior. Se renunciamos ao nosso eu inferior, é para que possamos identificar-nos com o nosso eu superior.

E a coisa é um pouco complexa, porque nós não temos só um eu superior e um eu inferior. Nós temos vários níveis de consciência, ou seja, vários níveis de “eu”, que frequentemente estão em luta.

Harmonizar os vários níveis de “eu”, os vários níveis de consciência, é toda uma ciência teosófica, toda uma ciência mística cristã para quem é cristão. Essa unidade dos vários níveis de consciência se faz através do sacrifício dos níveis inferiores de consciência. E isso acontece não sem luta, não sem conflito.

Os Mestres de Sabedoria e os místicos cristãos dizem que nós, seres humanos, somos convidados a ser guerreiros. Guerreiros não-violentos, no sentido físico. Mas guerreiros no sentido mais importante, que é combatentes da nossa própria ignorância. Isso é o que devemos ser.

Então, autossacrifício, ou altruísmo, ou abnegação, são trocas - nas quais nós sacrificamos o que há de eu inferior em nós, para poder obter o tesouro que está no céu; para poder obter a sabedoria eterna. Então, “é morrendo que se nasce para a vida eterna”: São Francisco de Assis, pura teosofia.

É abrindo mão do que é terrestre em mim, que eu posso alcançar o que é celeste em mim, e assim, viver na terra, sendo do céu.

Em última instância, nós vivemos todos na terra e somos, todos, do céu, porque pertencemos ao nosso eu superior.

Normalmente, a gente até pensa que tem uma alma. Na verdade, a alma é que é dona de nós. Nós pertencemos à nossa alma eterna. Ela fez, um dia, com que a gente nascesse. Ela é o nosso anjo da guarda, e ela vai colher os resultados da encarnação atual, quando a gente chegar ao fim da vida física.

Desde um ponto de vista teosófico, Cristo nunca foi crucificado. Apenas o seu corpo físico e o seu princípio emocional pessoal, certamente, foram sacrificados ou crucificados. E da morte deles veio a possibilidade da ressurreição, quer dizer, a possibilidade da total integração da consciência de Cristo com a consciência universal.

Da mesma maneira, podemos dizer que Helena Blavatsky nunca sofreu, assim como qualquer outro amigo da humanidade que sacrifica a sua vida, a sua possibilidade de existir em função da meta de ajudar o conjunto da humanidade.

Essas pessoas não sofrem nada nos seus verdadeiros eus. Apenas sacrificam os seus eus inferiores para poder alcançar uma completa identificação com os seus eus superiores. Essa é a jornada de todo herói. É a jornada de todo iniciado. É a jornada de todo aprendiz de sabedoria eterna.

Sacrificando o eu inferior e sendo altruístas, encontramos o verdadeiro eu.

A palavra “persona”, de “personalidade”, etimologicamente - isto é, na sua origem -, significa “máscara”. É deixando de lado a máscara do eu inferior, a máscara egoísta e infantil, que encontramos o verdadeiro eu.

O altruísmo é o caminho que leva ao nosso verdadeiro ser.

000



O texto “Desmascarando o Mistério do Altruísmo” está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 11 de fevereiro de 2026. Trata-se de uma transcrição - revisada pelo autor - do vídeo Desmascarando o Mistério do Altruísmo.

000

Veja vídeos curtos e claros sobre teosofia no YouTube:





000





000

Leia mais:










000



Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

000

5 de fevereiro de 2026

Ideias ao Longo do Caminho - 70

 
Um Deserto Desagradável Liberta o
Peregrino do Mundo das Coisas Pequenas
 
Carlos Cardoso Aveline
  
O peregrino pode construir um poço de água potável no
ambiente árido, tornando mais fácil a formação de um oásis.



* O excesso de mudanças externas impede reunir magnetismo suficiente para que se gere bem-estar.

* Uma certa estabilidade no mundo das formas permite que estejamos em paz.

* Ações lentas tornam mais fácil vencer sentimentos ansiosos e construir situações duráveis. A pressa é um hábito doentio. As árvores e o silêncio ensinam a arte da paz.

* A repetição diária de alguns atos de autodisciplina básica permite produzir força magnética suficiente. Algumas renúncias são necessárias.

* Manter um ritmo de prática espiritual diária expande a força de vontade e cria um bem-estar interior abençoado. Assim se alcança a firmeza apesar da mudança constante de parte das circunstâncias externas.

A Água no Deserto

* Em sermão incluído nas suas Obras Completas, o franciscano pioneiro Santo Antônio de Lisboa e Pádua examina um tema importante para a mística cristã; a realidade do deserto espiritual e psicológico e os desafios que ele apresenta ao peregrino. [1]

* O tema é também teosófico.

* No caminho da sabedoria esotérica, a visão do deserto talvez seja um pouco mais otimista, mas é igualmente rigorosa. O peregrino precisa enfrentar o vazio do mundo materialista e “bradar no deserto” como João Batista. Ou seja, deve dar o seu testemunho e desafiar os moinhos de vento como mais um Quixote. É natural que questione a ignorância organizada, partilhando sua busca e sua experiência.

* O peregrino avança “sozinho”. Persevera no rumo certo em meio a testes e provações. Ele enfrenta “a solidão no deserto” em mais de um sentido, em momentos difíceis da vida. Precisa tomar decisões firmes em circunstâncias áridas.

* Mas o deserto é também imenso, e sendo imenso liberta o peregrino do mundo das coisas pequenas.

* O oceano de areia é oceano, isto é, traz uma experiência de grandeza e liberdade. O peregrino espiritual deve ser “uma pedra no deserto”, ou seja, é seu privilégio ter e manter uma decisão firme. Ele pode construir um poço de água potável no ambiente árido, tornando mais fácil a formação de um oásis.

* Ele sabe que a fonte de água pura e o oásis devem ser construídos, sobretudo, em sua própria alma.

O Poder dos Humildes

* Em teosofia, a simplicidade da alma precisa ser preservada. Escrevendo no final do século 16, o místico italiano Andrés Avelino afirmou o seguinte sobre a humildade:

* “Assim como a caridade é a forma, a perfeição e o complemento de todas as operações virtuosas, assim também a humildade é a base, o fundamento e o sustentáculo do edifício espiritual”. [2]

* A humildade é um escudo que protege o bom senso e a lucidez dos peregrinos, e faz isso tanto individual como coletivamente.  

NOTAS:

[1] “Obras Completas”, Santo Antônio de Lisboa, edição em dois volumes, bilingue em latim e português, Lello & Irmão, Editores, Porto, Portugal, 1987, ver volume I, pp. 80 a 85. Santo Antônio de Lisboa e Pádua nasceu entre 1190 e 1195 e viveu até 1231. Em Portugal seu nome é escrito com acento agudo, e não circunflexo: “António”.

[2] Traduzido da carta datada de 30 de outubro de 1592, incluída no livro “Cartas de S. Andrés Avelino, Clérigo Regular”, edição do ano de 1736, Juan de Zuñiga Impresor de Libros, 205 páginas, Madrid, Espanha, ver p. 129.

000

O artigo “Ideias ao Longo do Caminho - 70” está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 05 de fevereiro de 2026. Uma versão inicial e anônima dele pode ser vista na edição de maio de 2021 de “O Teosofista”, pp. 12-13.   

000

Embora o título “Ideias ao Longo do Caminho” corresponda ao título em língua inglesa “Thoughts Along the Road”, não há uma identidade exata entre os conteúdos das duas coletâneas de pensamentos do autor. Desde 2018 a série “Thoughts Along the Road” está sendo publicada também em espanhol sob o título de “Ideas a lo Largo del Camino”.

000

Veja vídeos curtos e claros de teosofia no YouTube:









000

Leia mais:






* Examine a série completa Ideias ao Longo do Caminho.

000



Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

000

4 de fevereiro de 2026

A Força Interior de Olinda L. Pugliesi

   Sempre que Há uma Nobreza de
Intenção, É Possível Corrigir os Erros
 
Carlos Cardoso Aveline
 
Olinda L. Pugliesi, dando uma palestra em loja teosófica no ano de 2011



O estado de alma é mais importante que as circunstâncias.

Uma pessoa generosa tem grande valor, mesmo quando está mal informada por um ensinamento distorcido. Na ocasião certa, a grandeza de alma faz a diferença.

Por outro lado, uma pessoa ainda egoísta e portanto infantil, mesmo que esteja rodeada de ensinamentos autênticos, tem pouca chance de ajudar eficientemente a causa da humanidade, porque falta-lhe discernimento e não sente um respeito incondicional pela verdade.

Um exemplo destes fatos é a vida da teosofista brasileira Olinda L. Pugliesi, falecida na década dos anos 2010.

O esquema conceitual e referencial pelo qual Olinda se guiava era limitado e distorcido pelas ilusões ritualísticas da Sociedade Teosófica de Annie Besant. Ao mesmo tempo Olinda tinha de sobra as características superiores do signo de Leão. Dentro das suas possibilidades, ela transmitiu durante longo tempo ao movimento teosófico no Brasil a energia viva da integridade, da nobreza de coração e da devoção inegoísta.

Por vários anos Olinda dirigiu o escritório da Escola Esotérica da Sociedade de Adyar no Brasil, sendo a segunda pessoa na direção nacional da EE. Mais tarde, por decisão de Radha Burnier, sucedeu Murillo Nunes de Azevedo na posição de dirigente principal da EE no país.

Olinda foi também responsável durante muito tempo pela direção do chamado Rito Egípcio (RE) no Brasil, entidade que tenta ser secreta e reúne pessoas iludidas, mas bem-intencionadas, com o objetivo de realizar rituais basicamente inúteis. Foi afastada do cargo em 2011, devido a uma crise de poder no RE brasileiro. A causa do problema foi o entrechoque das diferentes ambições pessoais: o chamado Circo das Vaidades. Na mesma ocasião, por motivos idênticos, Olinda deixou a direção da Escola Esotérica.

A natureza humana é contraditória e com frequência paradoxal.

 A honestidade dura mais que as ilusões. As boas intenções perduram, porém as vaidades e o amor ao poder pessoal têm na melhor das hipóteses a mesma natureza da poeira levada pelo vento e pela chuva.

Sempre que há uma nobreza de intenção, é possível corrigir os erros. Olinda Pugliesi constitui um exemplo de alma cuja força benéfica interior e cujo respeito pela verdade são maiores que as naturais imperfeições humanas.

É preciso agradecer a ela pelo seu trabalho altruísta e pelo exemplo de integridade, de destemor e dedicação à causa teosófica. Obrigado, Olinda. Obrigado. CCA.

000

O artigo “A Força Interior de Olinda L. Pugliesi” foi publicado como item independente nos websites da LIT no dia 4 de fevereiro de 2026, tendo sido reproduzido da edição de janeiro de 2026 de “O Teosofista”, onde faz parte do texto maior intitulado “Ideias ao Longo do Caminho”.

000

Visite os nossos canais no YouTube:









000

Leia mais:










000



Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

000