No Caminho Místico, é Necessário Bom Senso

sem caráter histórico-documental, porém feito à maneira da tradição cristã.
1. Humildade e Realismo No Caminho
Assim como o cristão, o teosofista deve ser protegido pela humildade. A simplicidade voluntária é um escudo eficaz.
No século V da era atual, a Palestina era amplamente judaica e cristã. Naquela época um famoso padre do deserto, Isaías de Gaza, escreveu:
“O Senhor possui o poder de encontrar-se com os que têm humildade e têm sido protegidos por ela”. [1]
O “Senhor”, como se sabe, é um símbolo do nosso próprio eu superior ou alma espiritual, e representa também a Lei Universal da Justiça.
Para Isaías de Gaza, qualquer sentido de autoimportância impede ou prejudica o contato do peregrino com sua alma espiritual.
A humildade, o realismo e a lembrança das nossas falhas permitem que nos voltemos para o mundo divino e aperfeiçoemos a nós mesmos - ao invés de cair na armadilha vaidosa de pretender corrigir os outros.
2. Direto dos Padres do Deserto
Isaías de Gaza escreveu:
“Julgar a si mesmo atrai a humildade, e sujeitar a vontade própria diante do próximo, com consciência, constitui a humildade. A pureza é que ores a Deus [a Lei Universal, teu Eu Superior, tua Alma Imortal].”
“Não enaltecer a ti mesmo faz com que perseveres no pranto. O fato de que não julgues (Romanos, 4, 13) é a caridade. A longanimidade [grandeza de espírito] é não pensar nada contra o teu próximo. O coração que ama a Deus não leva em conta o mal (Romanos, 12,17).”
E ainda:
“O silêncio é que não obedeças ao que não te convém. A pobreza é um coração sem maldade. O fato de que possuas os teus sentidos (conforme Lucas, 21,19) é a paz. Suportar é a doçura. A misericórdia é que perdoes. Suprimir a vontade própria [isto é, os desejos inferiores] é o que gera estas coisas, estabelece a paz entre as virtudes, e faz com que o espírito não se agite.” [2]
3. A Lembrança das Nossas Falhas
Será possível chorar sinceramente, por iniciativa própria?
Para evitar os perigos da arrogância e da vaidade, os Padres do Deserto mantinham perto de si a dolorosa consciência dos seus fracassos e lembravam constantemente do fim inevitável da sua vida no plano físico. Estes exercícios faziam parte da disciplina diária.
A prática do pranto e das lágrimas era um instrumento de purificação. Deste modo procuravam manter à distância as diversas formas de autoengano. Isaías de Gaza, também conhecido como Isaías o Solitário, escreveu o seguinte conselho:
“Força-te a fazer muita oração com lágrimas (Atos, 20,19); pode ser que Deus tenha piedade de ti (Jeremias, 43, 7) e talvez te liberte do homem velho que pecou (Colossenses, 3,9)”. [3]
Neste caso concreto, teosoficamente, Deus é o eu superior do praticante.
O teosofista pede perdão pelos seus erros a Atma, Atma-Buddhi, o Cristo Interior, o Mestre Interno, a alma imortal, o seu Pai do Céu. É a esta consciência imortal que o ser externo de carne e osso pertence, na verdade.
Ao final da encarnação atual, cada pessoa prestará contas detalhadas pelo que fez ou deixou de fazer ao Cristo Interior, também chamado de Mônada. E é saudável prestar contas a esta consciência sagrada ao final de cada dia que passa. Um novo ciclo de 24 horas é uma outra manifestação do mundo e constitui uma oportunidade renovada para viver melhor.
NOTAS:
[1] Traduzido da obra “Ascetikón”, Vida y Doctrina de los Padres del Desierto, edición de Miguel Ángel Arrojo, Caparrós Editores, Espanha, 1994, 203 páginas, ver a metade inferior da página 44.
[2] Da obra “Ascetikón”, Vida y Doctrina de los Padres del Desierto, Espanha, 1994, ver página 129.
[3] Da obra “Ascetikón”, Vida y Doctrina de los Padres del Desierto, Espanha, 1994, ver a metade inferior da página 67.
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O artigo “Três Lições de Isaías de Gaza” está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 27 de maio de 2026. Uma versão inicial dele foi publicada nas páginas 13 a 15 da edição de janeiro de 2026 de “O Teosofista”.
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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”.
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