22 de janeiro de 2020

A Atitude da Alma Diante do Corpo

Um Instrumento de Trabalho, a
Ser Bem Cuidado e Valorizado?

Carlos Cardoso Aveline





Há no estudo avançado de filosofia clássica duas possíveis atitudes práticas do aprendiz em relação ao seu próprio corpo físico.

A primeira, mais distante em relação ao mundo material, aparece na escola neoplatônica de Alexandria. Podemos dizer que Helena Blavatsky e Damodar Mavalankar são dois exemplos modernos de discípulos avançados que se inscreveram, pelo menos em grande parte, nesta mesma atitude.

A segunda atitude, que valoriza mais o corpo como instrumento de trabalho da alma, é ensinada por Hipócrates, do século 5 A.E.C., e exemplificada pelos discípulos dos Mestres de Sabedoria que seguem o caminho de Raja Ioga e de autoconhecimento sem desafiar sistematicamente a ignorância organizada do carma coletivo da nossa humanidade.

O fato de alguém pertencer a um grupo ou outro depende de várias questões. Estes são três dos fatores envolvidos:

1) A missão do aprendiz em determinada encarnação;

2) O grau de adiantamento no aprendizado da alma e a melhor forma de ajudar a humanidade; e

3) O temperamento do aprendiz e o seu “carma de temperamento” acumulado nas encarnações mais recentes. A sua experiência adquirida ao longo de várias vidas permitirá “manobrar” e “aprender mais” durante a mesma encarnação, adaptando-se a situações novas.

O primeiro grupo não se identifica mais do que precariamente com o seu próprio corpo físico. Em alguns casos, faz uma tarefa envolvendo alto grau de sacrifício pessoal, estando sujeito a intensa hostilidade de vários tipos. Em outros casos, trabalha pela humanidade enquanto está total ou parcialmente fora do corpo. Os exemplos de HPB e Damodar indicam a presença destes dois fatores: o sacrifício pessoal ao desafiar frontalmente a ignorância organizada, e a relativa ausência do corpo (especialmente em HPB).

Abordando o poder curativo de certos mantras, Blavatsky afirmou:

“...O som (…) pode até mesmo ressuscitar um homem ou um animal cujo ‘corpo vital’ astral não tenha sido separado irreversivelmente do corpo físico pelo corte do ‘cordão’ magnético ou ódico. Tendo sido salva três vezes da morte por esse poder, a escritora pode ser considerada alguém que conhece pessoalmente alguma coisa sobre isso.” [1]

Ou seja, foram necessárias várias intervenções externas, feitas por Mestres de Sabedoria, para evitar a morte física prematura de HPB. E isso ocorreu em parte porque ela, devido a uma série de motivos, não tinha grande intimidade com seu veículo material.

Vejamos o caso de Damodar Mavalankar. Quando este discípulo indiano foi retirado da civilização atual para os ashrams dos Sábios dos Himalaias, um Mestre escreveu:

“O pobre rapaz teve a sua queda. Antes que pudesse chegar à presença dos ‘Mestres’, teve que passar pelas provas mais severas que algum neófito já enfrentou, para recuperar-se pelas muitas ações questionáveis nas quais tomou parte com excesso de zelo (...). O sofrimento mental e físico foi demasiado para sua frágil constituição física, que tem estado bastante prostrada, mas ele se recuperará no decorrer do tempo. Isso deve servir como uma advertência a todos.” [2]

Neste caso, o “excesso de zelo” implicava entre outros elementos um sacrifício frontal da sua própria vida. A tendência estava presente na atitude de Blavatsky.

Quando há uma relação de algum modo precária com o seu próprio corpo, o eu inferior do discípulo pode sentir-se relativamente alheio ao mundo material. Talvez enfrente dificuldades para dirigir seu corpo de modo hábil nas pequenas coisas, embora tenha controle dele em tudo o que é mais importante espiritualmente.

O segundo grupo de almas é aquele em que o carma ou o sentimento de dever faz com que o aprendiz reconheça o seu próprio corpo como um instrumento essencial de trabalho, que deve ser atentamente conhecido, preservado e utilizado do modo mais correto possível. [3]

Nenhuma das duas atitudes em relação à vida física é, necessariamente, mais evoluída do que a outra. Há, na longa série de encarnações, um momento em que a alma se ergue acima da vida física e abre mão dela por uma causa maior. E há um momento em que a alma coloca a vida física num contexto sagrado de aprendizagem perene, valorizando-a como uma oportunidade espiritual e um processo de grande valor.

As duas atitudes podem ser recorrentes, alternadamente. Com frequência cada uma delas é adotada pela mesma alma em diferentes ciclos espirais, à medida que o aprendiz avança pelo Caminho.

Ao longo das várias encarnações exigidas pelo discipulado autêntico, a alma individual nasce com uma e outra atitude, em relação ao corpo físico emprestado em cada ocasião pela natureza. As duas atitudes também podem ser experimentadas em etapas diferentes da mesma encarnação.

O estudante atento observa a vida todos os dias desde o ponto de vista do eu superior. Ele trata de trilhar a cada momento o caminho mais justo, mais correto, e mais eficiente, valorizando a vida física como um aprendizado da alma espiritual.

NOTAS:

[1] Palavras citadas no extraordinário livro “Helena Blavatsky”, de Sylvia Cranston, Ed. Teosófica, Brasília, 1997, 678 pp., ver p. 359.

[2] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, Ed. Teosófica, Brasília, 1996, 295 pp., ver p. 76, carta 29, primeira série.

[3] Veja por exemplo “Uma Oração da Paz”. A partir desta atitude, entra em ação sempre que possível a filosofia médica de Hipócrates, cujos princípios centrais são firmados na Carta 88 de “Cartas dos Mahatmas”, Ed. Teosófica, Brasília, 2001, vol. II, p. 60.

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A doutrina de Hipócrates sobre a saúde propõe uma relação correta entre corpo e alma.
Sobre este tema, clique e veja em francês o livro “L’Essentiel de la Doctrine D’Hippocrate, extrait de ses œuvres”, de Paul Carton.

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O texto “A Atitude da Alma Diante do Corpo” foi publicado nos websites associados dia 22 de janeiro de 2020.

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13 de janeiro de 2020

As Cinco Dimensões do Amor

Pitirim A. Sorokin Propõe Uma
Visão Prática da Vida Emocional

Carlos Cardoso Aveline






Nas cidades modernas, uma grande parte da população está condicionada por uma visão de mundo que é ao mesmo tempo superficial e de curto prazo. Milhões de pessoas falam de amor e escutam canções populares que giram em torno de sentimentos, mas evitam fazer qualquer tentativa real de saber sobre o que estão falando.

É claro que entender o mistério das afeições humanas constitui uma tarefa difícil. Talvez seja por isso que muitos nem sequer buscam esta meta. Os vários significados da palavra “amor” são com frequência difíceis de compreender. O amor cria conflitos e harmonia, felicidade e desespero. Ele movimenta o Universo inteiro. Ver a unidade dinâmica e a harmonia entre os diferentes elementos da vida é o mesmo que entender a Vida.

Quer nós possamos compreender o amor ou não, o amor implica um grau de altruísmo. O poeta brasileiro Mário Quintana escreveu que a amizade ocorre quando “a alma de alguém muda de casa”, ou quando alguém se sente “em casa” ao olhar para a vida de alguma alma amiga. A afinidade humana é também multidimensional: ela flui nos sete níveis de consciência.

De acordo com Pitirim A. Sorokin, um pioneiro da pesquisa científica sobre altruísmo, a energia do amor tem pelo menos cinco dimensões:

(1) A intensidade;  
(2) A extensão;
(3) A duração;  
(4) A pureza; e  
(5) A adequação da sua expressão em ações objetivas, desde o ponto de vista do seu propósito interior.[1]

1. A Intensidade

“Em intensidade”, diz Sorokin, “o amor varia entre o zero e o ponto mais alto possível, arbitrariamente definido como o infinito.”

“O ponto zero não é nem amor nem ódio. Abaixo do ponto zero está o ódio (que tem uma dimensão de intensidade semelhante). Todos nós conhecemos esta escala de intensidade do amor. Quando observamos uma pessoa que prega o amor mas não o pratica, sabemos que a intensidade do seu amor está próxima do ponto zero; quando a pregação pretensiosa do amor é usada para as ações egoístas e rancorosas dos hipócritas, as ações deles caem abaixo de zero e se tornam ações de ódio de várias intensidades.”

De acordo com a teosofia, a intensidade do amor altruísta depende do nível de consciência do qual ele emerge. Qual é a intensidade do contato entre a personalidade do indivíduo e a sua própria alma imortal?

Sorokin prossegue:

“Ações como dar algumas moedas de pouco valor ao faminto (quando o doador tem grandes posses), ou oferecer um lugar a outra pessoa num transporte coletivo, são ações de amor, embora de pouca intensidade. As ações pelas quais uma pessoa doa livremente os seus mais altos valores - saúde, vida, ‘alma’ (…) - são ações de amor da mais alta intensidade. Entre o ponto zero da intensidade de amor e os seus pontos mais elevados há muitos graus intermediários.”

Possuindo autorrespeito, o cidadão sente amor e respeito pelos outros. E qual é a maneira mais eficiente de medir o peso e a força da verdadeira amabilidade?

“Em geral, os níveis de intensidade do amor não podem ser vistos em escala”, diz Sorokin.

“Na maior parte dos casos não podemos dizer exatamente quantas vezes uma determinada intensidade é maior do que outra, ou se é igual, ou maior, ou menor. No entanto, podemos ver com frequência claramente qual intensidade é realmente grande e qual é pequena, e às vezes podemos até medi-la em unidades quantitativas. Por exemplo, se as demais condições forem iguais, o ato de apenas oferecer um lugar no transporte coletivo será visto por praticamente todos os seres normais como uma ação de muito menos intensidade de amor do que o ato de salvar uma vida colocando em risco, ou sacrificando, a sua própria vida.”

Ele acrescenta:

“…Quando a mesma pessoa dá a outros em alguma ocasião dois por cento da sua riqueza, e em outro momento doa noventa por cento do que possui, a sua segunda ação de amor será muitas vezes mais intensa que a primeira. Quando a pessoa doa a outros em determinada situação uma hora do seu tempo, e em outra circunstância doa uma semana, ou um mês, a sua segunda ação será muitas vezes maior do que a primeira em intensidade de amor. Resumindo: em geral a intensidade do amor não pode ser medida em uma escala. Isso, no entanto, não nos impede de ver as grandes diferenças de intensidade entre várias ações de amor; e tampouco nos impede de medir precariamente estas intensidades usando - em algumas ocasiões - unidades numéricas. O mesmo pode ser dito das possibilidades de medição em escala das outras quatro dimensões do amor.” [2]

2. A Extensão

A teosofia ensina o amor impessoal e ilimitado. Ela informa como os seus estudantes podem obter uma compreensão da vida como um todo, a qual não necessitará - nem poderá - ser expressa em palavras. Não há separação entre o pensamento e a emoção, em filosofia esotérica. Os seus estudantes devem conhecer o que eles amam, e amar o que conhecem.  

Pitirim Sorokin enfoca o processo do amor com ajuda dos métodos usados pela ciência convencional. Ele escreveu o seguinte sobre a largura ou estreiteza das afinidades de cada um:

A extensão do amor vai do ponto zero que é o amor apenas por si mesmo, até o amor pela humanidade inteira, por todos os seres vivos e pelo universo. Entre estes graus mínimo e máximo está a vasta escala de extensões: o amor pela sua própria família, ou por alguns amigos, ou o amor por todos os grupos a que o indivíduo pertence - seu clã, sua tribo, nacionalidade, nação, e outros grupos e associações religiosas, profissionais e políticas.”

O amor universal e sem limites é outro fato concreto na vida humana:

“O ponto máximo de extensão é o amor pelo universo todo (…). Como São Francisco de Assis, é possível amar ‘a irmã Terra’, a lua, o vento, um rio, uma árvore e todos os fenômenos animados e inanimados em geral, e deste modo ‘caminhar de modo amável e reverente sobre a Terra’. E pode-se ‘odiar o mundo inteiro’ e ver o mundo como um inimigo.”[3]

Cada humano pode amar todos os seres, ou pode não amar nenhum. Em teoria, é possível amar apenas a si mesmo. Na realidade, isso é impossível, porque não existe qualquer separação real no universo. O egoísmo é somente uma forma de cegueira, o “eu pessoal” consiste numa ilusão. E no entanto, adotando um ponto de vista mais superficial, poderíamos dizer que no sistema de Sorokin o “ponto zero” da extensão do amor consiste em amar exclusivamente a si mesmo.

O ódio, por sua vez, é uma quantidade negativa de amor. A rejeição agressiva de outro ser é uma “afinidade abaixo de zero” e seu efeito é pior que inútil, exceto nos casos de legítima defesa.

De acordo com a teosofia, o oposto do amor constitui uma dívida (cármica) para consigo mesmo e para com os outros, e uma dívida para com a Lei Universal do Equilíbrio. O sentimento de rejeição cega deve ser corretamente compreendido antes de ser eliminado e substituído por dois fatores: uma clara compreensão da unidade da vida, e um sentido de justiça impessoal. A sabedoria teosófica ensina entre os humanos tanto a boa vontade como o desapego. Estes dois sentimentos liberam as pessoas da alternância neurótica entre “apego” e “rejeição”.

3. A Duração

A duração do amor pode variar desde o momento mais curto possível até longos anos, ou a vida inteira de um indivíduo ou de um grupo”, diz Sorokin.

E a teosofia acrescenta:
                     
“O amor também costuma durar por grande número de reencarnações, talvez algumas eternidades”.

As ações solidárias têm tempos e ritmos muito diferentes. Sorokin escreve:

“Não só as ações de amor de baixa intensidade, mas muitas das ações da mais alta intensidade podem durar apenas um curto tempo, como as ações de um soldado em um campo de batalha que arrisca sua vida para salvar seu camarada: tendo salvado a vida do colega e tendo ele próprio sobrevivido, um soldado pode deixar de lado a atitude solidária e tornar-se outra vez um indivíduo egoísta e medíocre. Uma mãe que cuida da sua criança doente durante toda a vida, um indivíduo bondoso que ajuda durante anos esta ou aquela pessoa, financeiramente ou de outro modo, grandes apóstolos do amor que realizam sua missão solidária durante décadas, e mesmo ao longo da vida inteira, são exemplos de amor durável.” [4]

As ações profundamente altruístas desenvolvidas durante uma encarnação criam tendências cármicas que irão surgir novamente na forma de fatos abençoados em vidas futuras.

4. A Pureza

Outra dimensão é a integridade. Sorokin escreve:  

A pureza do amor varia desde o amor que é motivado apenas pelo amor - sem qualquer mancha de uma ‘intenção suja’, de busca de prazer, vantagens, ou lucro, até o ‘amor impuro’, em que o amor é apenas um meio para alcançar um objetivo utilitário ou hedonista ou algo similar, e onde o amor consiste somente de umas gotas superficiais numa corrente de lama, feita de aspirações e objetivos egoístas.[5]

Na realidade, o conceito de pureza do amor deve ser temperado por um conhecimento do fato de que todos os níveis de consciência interagem constantemente. A pureza não significa que haja uma ausência de comunicação entre os níveis superiores e inferiores de afeto. Ela significa que os níveis inferiores de amor e afinidade não têm força para interferir indevidamente com o processo impessoal e puro da afinidade mais elevada. Um conhecimento dos fatores psicanalíticos ajudará a preservar o tipo correto de devoção, em uma vida espiritual definida como algo que se desenvolve no plano da impessoalidade. E isso nos leva ao ponto seguinte.

5. A Adequação do Amor

Toda pessoa sincera tem uma tendência para ser um amigo leal, para ter compaixão, ser útil aos outros e sentir boa vontade para com todas as formas de vida. Ninguém, no entanto, possui garantias de poder fazer isso de maneira eficiente. Tudo depende da quantidade de discernimento da pessoa ao avaliar o funcionamento da Lei do Carma e ao antecipar as consequências das suas próprias ações.

Quando são combinadas com decisões ingênuas, as boas intenções podem causar grandes desastres. Todos os dias o uso errado da energia do amor causa situações calamitosas. O fato é fácil de ilustrar. Sorokin escreve:

“Todos nós conhecemos mães que amam seus filhos intensamente e querem que eles sejam ‘dignos de serem amados’, isto é, que sejam honestos, trabalhadores e bons. Com este propósito, elas mimam a criança, satisfazem todas as suas fantasias, e não impõem disciplina quando a criança precisa de disciplina. Através deste tipo de ação de amor elas estragam seus filhos, os tornam caprichosos, irresponsáveis, fracos, preguiçosos e desonestos. Estas consequências objetivas do amor diferem radicalmente da meta materna, que é o amor. (…) Na ausência da necessária sabedoria, o amor cego perde o rumo nas suas manifestações concretas e destrói a si mesmo; ao invés de beneficiar a pessoa amada, com frequência a prejudica. Neste caso temos um amor inadequado (…) como uma paixão obscura avançando no rumo da autodestruição.” [6]

O mesmo desafio ocorre em todos os aspectos da vida.

O amor irresponsável por seu país pode levar a uma guerra injusta. O amor cego por uma igreja ou seita produz fanatismo, opressão e intolerância. Uma devoção egoísta à sua própria família pode provocar ausência de ética. O apego indevido a grupos ideológicos gera uma luta exagerada entre grupos sociais e desarmonia em grande escala na vida de um país.

Os exemplos são muitos. O amor sem sabedoria não é capaz de enxergar com clareza nem possui um sentido de responsabilidade. Seu resultado é a autodestruição. Cícero está certo ao estabelecer três pré-condições para qualquer pessoa que queira ajudar outro ser. Em primeiro lugar, a ação solidária deve ser justa e não pode causar sofrimento indevido a terceiros. Em segundo lugar, a ação deve estar dentro das possibilidades do indivíduo solidário. A terceira condição é que a pessoa a ser ajudada precisa ser digna da ajuda: deve merecê-la. [7]

Uma vez que a quantidade necessária de sabedoria esteja presente, o amor e a amizade altruístas são reais e prevalecem, lado a lado com a justiça e com um sentimento de respeito por todos os seres.

O primeiro objetivo do movimento teosófico moderno consiste em formar lentamente um núcleo durável de Fraternidade Universal, sem distinção de raça, nacionalidade, credo, sexo, ideologia, casta ou cor da pele. Este sentido de fraternidade inclui todos os seres no contexto ilimitado do tempo eterno e do espaço infinito. A combinação de uma intenção nobre com um severo discernimento leva cada estudante da lei universal a aprender mais rápido a arte da ação correta.

NOTAS:

[1] Veja o livro “The Ways and Power of Love”, Pitirim A. Sorokin, Templeton Foundation Press, Pennsylvania, EUA, 2002, 552 pp., p. 15. Sobre a visão em cinco dimensões que Sorokin desenvolveu sobre o amor altruísta, veja o volume “Unlimited Love”, de Stephen G. Post, Templeton Foundation Press, Philadelphia and London, 2003, 232 pp., capítulo 9, pp. 133-155. Um Fragmento em inglês do livro de Stephen Post foi publicado nas páginas 1-2 da edição de julho de 2015 de “The Aquarian Theosophist”, que pode ser encontrada nos websites associados.

[2] “The Ways and Power of Love”, Pitirim A. Sorokin, Templeton Foundation Press, Pennsylvania, EUA, 2002, 552 pp., ver pp. 15-16.

[3] “The Ways and Power of Love”, Pitirim A. Sorokin, p. 16.

[4] “The Ways and Power of Love”, Pitirim A. Sorokin, mesma p. 16.

[5] “The Ways and Power of Love”, Pitirim A. Sorokin, p. 17.

[6] “The Ways and Power of Love”, Pitirim A. Sorokin, pp. 17-18.

[7] “De Officiis”, de Cícero, com tradução do latim para o inglês de Walter Miller, Loeb Classical Library, Harvard University Press, 2005, 424 pp., ver p. 47.

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O artigo acima foi publicado nos websites associados em 13 de janeiro de 2020, e é uma tradução do original em inglês “The Five Dimensions of Love”. O tema foi abordado pela primeira vez por Aveline numa nota publicada anonimamente sob o mesmo título na edição de maio de 2016 de “O Teosofista”, pp. 7-8. A publicação inicial do artigo completo em inglês ocorreu anonimamente na edição de junho de 2018 de “The Aquarian Theosophist”.

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Leia o texto “A Força Invencível do Amor”, cujo subtítulo é “A Escada Platônica Que Une Céu e Terra”.  

Outras leituras possíveis: “A Misteriosa Energia do Amor”, de Pitirim A. Sorokin, Quando o Amor é Durável”, de Carlos C. Aveline, e Amor, Sexo e Autotranscendência”, de Viktor A. Frankl.

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8 de janeiro de 2020

O Exercício Diário da Compaixão

Construir uma Consciência Aberta,
Serena, Disposta a Ajudar o Próximo

Emanuel Tadeu Machado




O despertar interior é a regra geral que motiva todos os seres.

O calor da aurora do espírito traz consigo uma mensagem para o coração. É uma energia que vem do alto, que ilumina e reverbera por todas as esferas que compõem o ser.

A mente, renovada, está pronta para observar as cores do mundo com mais nitidez. Um bom ciclo de repouso traz à tona a boa motivação, melhorando a concentração e a capacidade de aprender.

O repouso correto rejuvenesce. Reforça a motivação e faz transbordar boas energias para além dos limites do corpo. É possível aprender a partir de uma perspectiva do Eu Superior.

Quem trilha o caminho da sabedoria, adquirindo autoconsciência a cada passo dado, segue percebendo a integração com o universo, aprendendo sobre a importância e o significado de conceitos como boa vontade, altruísmo e compaixão.

Compadecer-se com as dores de seu semelhante não é um termo vazio, nem um clichê, nem está sujeito a algum modismo fugaz. A empatia é um grande tesouro. O bem maior que nos define como seres luminosos, cuja capacidade de conviver em sociedade é inata.

Uma sociedade em que a ajuda mútua, a solidariedade e a compaixão sejam preocupações recorrentes entre os cidadãos terá um futuro próspero e feliz.

O processo de construção da sociedade do futuro é árduo. Os poucos que chamam para si tal responsabilidade pensam na humanidade como um corpo, e na civilidade como um projeto de longo prazo e de integração com o universo.

Acerca da responsabilidade do cidadão, ante os demais seres, Carlos C. Aveline escreveu:

O primeiro dever do indivíduo responsável é não ficar hipnotizado pelo desastre moral alheio, ainda que ele seja coletivo e pareça enorme.

A segunda tarefa é passar a construir por decisão própria o que é bom, belo e verdadeiro.

Os poucos seres conscientes são ao mesmo tempo arquitetos e operários do futuro. Eles têm o privilégio da responsabilidade.” [1]

Eles são exceções, mas não são difíceis de encontrar. Em toda parte do globo, esses poucos fazem a diferença. Levam conforto aos que necessitam, oferecendo esperança e boa vontade.

Por outro lado, não é necessário andar muito pelas ruas de uma grande cidade para perceber que o olhar de boa parte das pessoas tem um foco diferente. Elas andam curvadas, ansiosas e preocupadas. Não buscam o céu, não erguem a fronte e para elas pouco importa quem está à sua volta. Focadas em seus smartphones, esquecem de prestar atenção ao mundo.

Cabe ao estudante de Teosofia Original trabalhar para que o mundo siga abandonando hábitos perniciosos. Deve pensar em como contribuir para regular melhor as rodas do carro da história, para que ele avance sem traumas, fluindo com harmonia e paz.

Um dos maiores deveres teosóficos é entender o significado de compaixão. Meditar sobre o assunto leva a descobertas transcendentes.

Aveline escreveu:

O sentimento de compaixão se situa no coração e não no cérebro. Ideias corretas sobre a vida universal podem revelar a sua presença no coração, talvez; mas não serão capazes de fabricá-lo, e ele não pode ser ensinado ou aprendido no plano verbal. 

Sentimentos solidários não constituem um verniz a ser colocado por cima do egoísmo. A compaixão nasce como carne viva quando o coração de alguém desperta e se identifica com a dor alheia, para em seguida perceber como é difícil ser efetivamente útil.

Cada um deve despertar por si mesmo e por mérito próprio. E mesmo assim a ajuda mútua é fundamental. A alma do sábio é um espelho mágico em que se reflete o potencial sagrado do aprendiz.

A substância última da Compaixão não tem nome.

Ela é a energia altruísta que move e impulsiona todas as ações éticas. Através do universo inteiro ela mantém as galáxias vivas, movimenta-as e as faz evoluir. Em linguagem geométrica, a compaixão universal se expressa pela lei da simetria. Ela é a lei da proporção harmoniosa. É a justiça universal que corrige os erros e compensa todo sofrimento. Ela é a origem da solidariedade entre os seres humanos e faz brotar a cooperação entre diferentes espécies.  É a amizade incondicional que expressa o despertar da Alma. Constitui o primeiro passo e o último no caminho da sabedoria, e é inseparável do equilíbrio, da moderação e do discernimento.[2]

Dito isto, pergunto: em nosso mundo moderno, onde é possível o exercício efetivo da compaixão?

Inicialmente, ele é possível a partir de uma atitude crítica em relação ao egoísmo, à preguiça e à má vontade. A compaixão tampouco deverá ser exercida como adorno ou vaidade.

O exercício da solidariedade é silencioso, tal como a vida do aspirante à sabedoria.  Todas as suas ações devem ser desenvolvidas com discrição e com atitude impessoal. Como tudo o que se aprende, a compaixão nasce a partir de um processo, de um hábito diário e constante.

Pequenas ações, como doar um pouco da própria energia pelo bem alheio, podem ser um bom começo. E o que caracteriza esta postura diante da vida? É tudo o que realiza uma transformação positiva. Doar dinheiro para causas justas, doar sangue, alimentos, esforço correto, doar bons pensamentos ou ajudar o próximo, são todos exemplos de energia que transforma para o bem.

Doe, pois, uma pequena parcela diária de energia. É correto adquirir o hábito de fazer o bem. Além de modificar o mundo externo, isso produz uma transformação interna. O poder da compaixão tem a mesma substância que o nascer do sol. O Sol espiritual começa a iluminar desde o alto. A fagulha que surge a cada amanhecer encontra reforço no coração de todo aquele que pratica a compaixão. E toda fagulha evolui, podendo iluminar o ser por inteiro, proporcionando reunião com o que vem do alto.

Doses homeopáticas de civilidade, ao longo de muitas gerações, possibilitam um retorno a um mundo mais justo e simples, necessário para o nascimento da consciência planetária do futuro, prevista por H.P. Blavatsky e seus Mestres.

Torne-se a vida mais simples, com cidadãos menos focados nas intermináveis rotinas impostas pelo mundo moderno em sua voracidade por resultados de curto prazo, e será possível observar que quando um de nós está em dificuldades, surge a tendência natural de que os demais venham em socorro.

Desligar-se das modernidades é correto. A prática diária da meditação e da leitura saudável é necessária para se construir uma consciência aberta, serena e mais disposta a ajudar o próximo.

A meditação é uma atividade do espírito, e torna serenos o corpo e a mente. É um processo de ligação sem palavras, que une a vontade superior, o sentido de dever, e a mente concreta. A meditação foca nas tarefas do quotidiano, que passam a ser realizadas em mais harmonia com a vontade do eu superior.

O estudante de Teosofia Original sabe que qualquer tarefa, por mais simples que seja, deve ser realizada com boa vontade e vigilância.

Não importa a quantidade do que se lê ou estuda. A Teosofia convida à ação. O mínimo que se aprende deve ser posto em prática.

NOTAS:

[1] Do artigo “O Nascimento da Responsabilidade”, de Carlos Cardoso Aveline.

[2] Do texto “A Energia da Compaixão”, de CCA.

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O artigo “O Exercício Diário da Compaixão” foi publicado nos websites associados dia 08 de janeiro de 2020.


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