21 de maio de 2026

As Sete Idades do Homem


 
 
 
Nota Editorial:
 
Numerosos estudantes de filosofia esotérica afirmam que o ator inglês William Shakespeare na verdade apenas emprestou seu nome, concordando em aparecer como autor das numerosas peças escritas pelo pensador e estadista Francis Bacon, profundo conhecedor da tradição esotérica. O norte-americano Manly P. Hall e a inglesa Jean Overton Fuller estão entre os que apresentam evidências a respeito. A controvérsia é mencionada de passagem nas Cartas dos Mahatmas.
 
As peças de Shakespeare foram escritas em versos, mas, nesta tradução para o português coloquial, abandono a ideia de rimas.
 
O trecho a seguir, da comédia “As You Like It” (“Como Você Quiser”), é um exercício irônico de meditação sobre a passagem da vida humana. Constitui um estímulo para que não percamos muito tempo com o eu inferior - a casca - e busquemos ampliar o contato com nosso eu superior, Atma-Buddhi, a alma imortal.
 
O trecho pertence à Cena Sete do Ato II.  Poucas falas antes, um personagem da comédia afirma:
 
“Agora são dez horas e você pode ver como o mundo oscila; há uma hora eram nove, dentro de uma hora serão onze; a cada hora que passa nós amadurecemos; a cada hora apodrecemos; nisso há toda uma história.”
 
O pessimismo em Shakespeare é aparente. A lição prática manda viver com plena atenção cada instante da vida.
 
(Carlos Cardoso Aveline)
 
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As Sete Idades do Homem
 
William Shakespeare
 
O mundo inteiro é um palco,
E todos os homens e mulheres são meros atores:
Eles têm suas saídas e suas entradas;
E um homem cumpre em seu tempo muitos papéis.
Seus atos se distribuem por sete idades. No início a criança
Choraminga e regurgita nos braços da mãe.
E mais tarde o garoto se queixa com sua mochila,
E seu rosto iluminado pela manhã, arrastando-se como uma lesma
Sem vontade de ir à escola. E então, o apaixonado,
Suspirando como um forno, com uma balada aflita,
Feita para os olhos da sua amada.  Depois o soldado,
Cheio de juramentos estranhos, com a barba de um leopardo,
Zeloso de sua honra, rápido e súbito na briga,
Buscando a bolha ilusória da reputação
Até mesmo na boca de um canhão. E então vem a justiça,
Com uma grande barriga arredondada pelo consumo de frangos gordos,
Com olhos severos e barba bem cortada,
Cheio de aforismos sábios e argumentos modernos.
E deste modo ele cumpre seu papel. A sexta idade o introduz
Na pobre situação de velho bobo de chinelos,
Com óculos no nariz e a bolsa do lado,
Suas calças estreitas guardadas, o mundo demasiado largo para elas,
Suas canelas encolhidas, e sua grande voz masculina
Quebrando-se e voltando-se outra vez para os sons agudos,
Os sopros e assobios da infância.  A última cena de todas,
Que termina sua estranha e acidentada história,
É a segunda infância e o mero esquecimento,
Sem dentes, sem mais visão, sem gosto, sem coisa alguma.
 
[ “As You Like It”, Ato II, Cena VII, em “The Complete Works of William Shakespeare”, Edited by  W. J. Craig, M.A., Magpie Books, London, 1992, 1142 pp. ]
 
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O artigo acima está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 21 de maio de 2026.
 
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Leia mais:
 
 
 
 
 
 
 
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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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19 de maio de 2026

Marquês de Maricá e a Teosofia

 
A Obra do Filósofo Brasileiro Tem Uma
Sabedoria em Comum com ‘A Doutrina Secreta’
 
Carlos Cardoso Aveline


 

A sabedoria primordial
esteve presente nas primeiras
décadas do Brasil Independente,
e constitui uma chave para o futuro.
 
 
 
O filósofo brasileiro Marquês de Maricá morreu no Rio de Janeiro em 1848, exatamente quatro décadas antes de Helena P. Blavatsky publicar “A Doutrina Secreta”, em Londres, em 1888.
 
No entanto, podemos encontrar nos escritos do Marquês ideias e visões clássicas presentes na obra “A Doutrina Secreta” e outros escritos de HPB. Isso é possível devido ao caráter primordial da sabedoria estudada por Blavatsky.
 
A filosofia esotérica que está na base da teosofia moderna é bem mais antiga do que se possa imaginar. É inclusive anterior à nossa humanidade atual, e este fato está bem documentado. A Bíblia judaico-cristã ensina que a Sabedoria é mais antiga que o planeta Terra tal como o conhecemos hoje.
 
Vejamos um exemplo do que diz pioneiramente o Marquês de Maricá na década de 1840:
 
“Os sábios são sintéticos, descobrem um universo guarnecido de inumeráveis mundos, um sistema geral compreendendo infinitos sistemas parciais, finalmente um Ser ou unidade de natureza eterna e incompreensível, animando, vivificando, e racionalizando este todo portentoso com a sua existência, presença e assombrosa sabedoria.” [1]
 
Se Blavatsky tivesse citado estas palavras do brasileiro em “A Doutrina Secreta”, a citação teria ficado incluída de maneira perfeitamente correta naquela obra monumental. O Marquês foi um brilhante precursor da ética e da doutrina teosófica ensinadas por HPB.
 
Seleciono a seguir outros exemplos da presença da doutrina secreta antiga nas páginas escritas pelo Marquês.
 
* “O Universo material e moral está de tal maneira impregnado da ação e inspirações da Divindade que os eventos que parecem mais fortuitos têm a sua origem latente nas disposições predeterminadas daquela infinita sabedoria e providência que vela incessantemente no bem, na ordem e perpetuidade do sistema universal.” (Aforismo 1616, p. 164, em Máximas)
 
* “Os homens são verdadeiros prismas orgânicos em que a luz misteriosa da Sabedoria Divina penetrando se refrange e aparece dividida em variados talentos, engenhos e aptidões intelectuais.” (Aforismo 3731, p. 385, em Máximas)
 
* “Nada pode suceder no Universo que não esteja compreendido no sistema geral da ordem constituída pela Infinita Sabedoria de Deus na criação universal: devemos portanto resignar-nos com a sua Divina Vontade na ocorrência de quaisquer fenômenos e acontecimentos que pareçam contrários ao nosso cômodo ou felicidade na consideração de que são vagos e fortuitos, mas predeterminados para o bem geral no sistema assombroso e misterioso do Universo.” (Aforismo 3814, p. 395, em Máximas)
 
* “Como as baleias nos vastos oceanos da Terra, os astros e os mundos são viventes criaturas que se movem pelo oceano imenso do éter celestial.” (Aforismo 4089, p. 427 em Máximas)
 
                Recorte da edição de 1850 das “Máximas”, com o pensamento 3731 da edição de 1850
 
 
* “Tudo no Universo é movimento e ação. Toda a alteração ou mudança ocasiona um fenômeno ou produto novo. Pode portanto dizer-se que tudo, com variedade e novidade, se remoça na criação universal. Tal é a sabedoria infinita do supremo Ente criador de tudo.” (Aforismo 4095, p. 428 em Máximas)
 
* “Que capacidade imensa a da mente divina, compreendendo o ideal de tudo o que existiu, existe e há de existir por toda a eternidade, no espaço infinito e no tempo ilimitado da criação universal!” (Aforismo 4188, p. 438 em Máximas)
 
* “O amor criou o universo, que pelo amor se perpetua.” (Aforismo 706, p. 79 em   Máximas)
 
* “As fábulas e alegorias do Oriente invadiram e conquistaram o Ocidente.” (Aforismo 3173, p. 331 em Máximas)
 
O Grande Geômetra da Imensidade
 
* “Não podemos sair fora da esfera divina, esta compreende a imensidade.” (Aforismo 3194, p. 332 em Máximas)
 
* “O Infinito nos assombra, a Imensidade nos circunda e a Eternidade nos espera!” (Aforismo 1793, p. 180 em Máximas)
 
* “O nosso pensamento, sentindo-se abafado no ar mefítico da Terra, parte, voa, atravessa o éter misterioso das regiões celestes, descobre inumeráveis sóis, mundos sobre mundos, céus sobre céus, e não achando limites ao Universo, adora absorto o seu divino Autor, e se perde na sua imensidade.” (Aforismo 2365 p. 233 em Máximas)
 
* “Quando alcançamos conceber a ideia de um Ser ou Unidade Infinita e misteriosa, compreendendo e animando toda a imensidade, temos chegado à síntese mais sublime a que pode elevar-se o entendimento humano.” (Aforismo 1771, p. 178 em Máximas)
 
* “É dado somente ao Divino Geômetra medir e compreender a Imensidade.” (Aforismo 1795, p. 180 em Máximas)
 
Estas são apenas algumas passagens escolhidas de um livro de grande porte, todo ele amplamente teosófico, constituindo uma das obras mais profundas e místicas da filosofia brasileira de todos os tempos.
 
 
Serão abordadas em outro artigo as correlações entre passagens dos escritos do Marquês e das Cartas dos Mahatmas.
 
NOTA:
 
[1] Do volume “Máximas, Pensamentos e Reflexões do Marquês de Maricá”, Edição Dirigida e Anotada por Sousa da Silveira, Ministério da Educação e Cultura, Rio de Janeiro, 1958, 503 pp., ver página 280, pensamento 2807.
 
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O artigo acima foi publicado nos websites da Loja Independente de Teosofistas no dia 19 de maio de 2026. Ele reúne e passa a limpo parte do material publicado nas páginas 1 a 6 da edição de agosto de 2025 de “O Teosofista”.   
 
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Leia mais:
 
 
* Notas Sobre Reencarnação e Filosofia (Seleção de Trechos dos Escritos do Marquês de Maricá).
 
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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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15 de maio de 2026

O Teosofista - Maio de 2026

 

 
 
 
A edição de maio começa tirando do esquecimento um clássico conto místico de Malba Tahan: Os Passos da Penitência. A Sabedoria Sagrada em Poucas Palavras.
 
A página três apresenta Movimento Teosófico: a Porta Para o Futuro.
 
Na página quatro, um vídeo sobre a Vitória da Verdade no século 21, anunciada por Helena Blavatsky, e, além do plano das palavras, A Percepção Direta da Verdade.
 
A página cinco apresenta a primeira parte do seriado Palestras Sobre Hidrosofia, do pensador brasileiro Maurício Andrés Ribeiro. Hidrosofia é a sabedoria das águas, e o nosso planeta é aquático. Para Maurício, Hidrósofo é aquele que bebe um copo d’água com gratidão.  
 
Outros temas de maio:
 
* Assumindo Responsabilidade Pelo Foco  da  Minha Atenção.   
 
* Tomando Decisões Firmes na Vida.
 
* Viver em Paz é Viver com Calma.
                                                           
* Quanto Custa a Libertação? - Caminho Espiritual: O Preço da Bênção.
 
* Joana Maria Ferreira de Pinho: Contradição e Unidade na Alma. O Progresso Espiritual é Feito Passo a Passo e Graças a um Esforço Heroico.
 
* Ideias ao Longo do Caminho - Opção: a Transgressão e a Transcendência.
 
* O Propósito e o Discernimento.
 
* As Epidemias de Crime, e Como Derrotá-las. O aspecto astral das ondas de crime: uma ideia levantada por Henry S. Olcott.
 
* Boa Notícia: Você é Responsável pelo Futuro da Humanidade.
 
Com 22 páginas, o Teosofista inclui a lista dos itens publicados recentemente nos websites da LIT.
 
 
 
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A edição acima foi publicada no dia 15 de maio de 2026.
 
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A coleção completa de “O Teosofista” está disponível nos websites associados.
 
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Vídeos curtos e claros sobre Teosofia no YouTube:
 
 
 
 
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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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11 de maio de 2026

Bom, Mas Não Muito

Uma Lenda do Folclore Russo,
Contada Por Um Escritor Brasileiro
 
Malba Tahan


 
Nota Editorial:
 
Durante décadas a história a seguir circulou no Brasil como piada popular, com adaptações livres a cargo de cada narrador do povo. A moral da narrativa - a sua lição prática - é a seguinte:
 
“Os acontecimentos externos oscilam o tempo todo e seus resultados são complexos. Não vale a pena catalogar automaticamente como desejável ou indesejável este ou aquele fato da vida diária. Tudo traz lições. Uma vitória cria perigos, e uma derrota pode tornar-nos mais sábios. Cada um deve fazer o seu melhor, plantando bom carma diante do que parece agradável, e fazendo o mesmo diante do que parece desagradável.”
 
Uma palavra sobre o personagem principal e narrador do conto. Cabe a ele desenvolver a paciência e a impessoalidade, para não ficar a pé na estrada. Sempre é possível aprender, e isso é que é bom.
 
(Carlos Cardoso Aveline)
 
Bom, Mas Não Muito
 
Malba Tahan
 
A diligência, entre nuvens de poeira, rolava aos trancos pela estrada. Alguns passageiros, de braços cruzados, meditavam em silêncio. Ouviam-se, de quando em vez, os gritos estridentes do boleeiro. Na minha frente dois camponeses conversavam. Um deles, que parecia o mais velho, falava desta sorte:
 
- Tenho agora um magnífico pomar em minha casa.
 
- Isso é que é bom! - ajuntou o outro com um sorriso de vulgar e lorpa amabilidade.
 
- Bom, mas não muito - respondeu o velho - pois tenho tido, com o pomar, um trabalho excessivo.
 
- Isso é que é mau!
 
- Mau, mas não muito. Graças ao novo pomar ganhei algum dinheiro e com esse primeiro lucro comprei um porco.
 
- Isso é que é bom!
 
- Bom, mas não muito. O porco fugiu-me de casa, e foi para o quintal do vizinho que se apoderou dele e o matou.
 
- Isso é que foi mau!
 
- Mau, mas não muito. Dei queixa ao juiz e o meu vizinho foi obrigado a me pagar uma boa indenização.
 
- Isso é que foi bom!
 
- Bom mas não muito, pois o tal vizinho, em represália, soltou os cabritos no meu pomar.
 
- Isso é que foi mau!
 
- Mau, mas não muito. Matei os cabritos e vendi as peles na feira.
 
- Isso é que foi bom!
 
- Bom, mas não muito…
 
Aquela conversa já começara a fazer-me mal aos nervos. Resolvi descer da diligência mesmo em movimento; fui, porém, tão infeliz que tropecei numa pedra e caí.
 
Isso é que foi mau! - dirá naturalmente o leitor.
 
Mau, mas não muito. Pois só assim fiquei livre de ouvir, durantes algumas horas, uma história que parecia não ter mais fim.
 
Isso é que foi bom!
 
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O conto acima está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 11 de maio de 2026.  Ele é reproduzido do livro “Contos de Malba Tahan”, 2ª edição, impresso em dezembro de 1929 em A Encadernadora, S.A., Rio de Janeiro, 236 pp., ver pp. 217-219. Está publicado também, com sua Nota Editorial, na edição de outubro de 2021 de “O Teosofista”, pp. 4-5. A Nota Editorial foi revisada para a publicação de 2026.
 
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Leia mais:
 
 
 
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22 de abril de 2026

O Teosofista - Abril de 2026

 




A edição de abril traz na capa o artigo O Fim do Mundo é Agora: Prepare-se. Vejamos o que a teosofia diz sobre a expectativa de um final de mundo iminente.

A página quatro apresenta Duas Maneiras de Estudar a Doutrina Secreta.

Na página sete, ‘O Fogo e a Luz’ Publicado na Rússia. Com uma primeira edição de 2013, o livro de Carlos em defesa da teosofia original, intitulado “Fire and Light”, surge em 2026 no idioma nativo de Helena Blavatsky.

Outros temas desta edição:  

* O Foco da Alma na Luz: Oração Pela Paz Interior.   

* A Disciplina da Gratidão: Ser Gratos nos Liberta do Sofrimento e Abre Caminho para a Bem-Aventurança. Um exercício prático de dez minutos.

* Os Três Tipos de Boa Vontade - Apesar das Aparências, A Paz Interior do Indivíduo é a Principal Fonte de Paz Mundial.

* Libertar-se das Ilusões: A Vontade Que Nasce da Alma.

* Ideias ao Longo do Caminho - A Cura Que Vem Antes da Doença.

* Novos Avanços da Ciência: Descoberta a Cura da Inveja.

* Uma Seleção: Vídeos Curtos Sobre a Prática Diária da Teosofia.

Com 26 páginas, o Teosofista inclui a lista dos itens publicados recentemente nos websites da LIT.



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A edição acima foi publicada no dia 22 de abril de 2026.

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A coleção completa de “O Teosofista” está disponível nos websites associados.

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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”.

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