21 de fevereiro de 2020

Reuchlin, o Pai da Reforma

Nascido em 22 de Fevereiro de 1455,
John Reuchlin Preparou o Caminho para Lutero

Carlos Cardoso Aveline

 

Visão parcial da estátua de Reuchlin na cidade em que ele nasceu




“…John Reuchlin (…), autor de
Palavra Maravilhosa’, [foi] o mestre e  
instrutor de Erasmo, de Lutero e de Melâncton”

(Helena P. Blavatsky)



O humanista e cabalista alemão John Reuchlin nasceu sob o signo de Peixes, em 22 de fevereiro de 1455, e viveu até 1522. [1]

Entre os doze signos zodiacais, Peixes é considerado “o sonhador”. O tipo correto de sonho prepara a ação eficiente. Reuchlin trabalhou no nível abstrato da ação onírica mística como um pioneiro da Reforma de Martim Lutero. H. P. Blavatsky o chama de “pai da Reforma”. [2] Como místico, Reuchlin abriu caminho num plano filosófico para aquela transformação. Blavatsky cita o artigo da enciclopédia Royal Masonic sobre “Rosicrucianism”:

“Os sonhos cabalísticos de um John Reuchlin levaram à ação ígnea de um Lutero (…).”[3]

O episódio indica como acontecem de fato as mudanças sociais. Elas começam nos níveis abstratos do sonho. Francis Barham escreve na sua obra clássica de 1843, intitulada “The Life and Times of John Reuchlin” (“A Vida e a Época de John Reuchlin”):

“Todas as mudanças e revoluções começam nas experiências metafísicas dos indivíduos, e só podem ser explicadas por tais experiências.” [4]

Estudante da religião dos judeus, erudito conhecedor da língua hebraica, Reuchlin foi um pioneiro da fraternidade universal. Escrevendo sobre a história do cristianismo, H.P. Blavatsky diz em “Ísis Sem Véu”:

“A magia, em todos os seus aspectos, foi amplamente e quase abertamente praticada pelo clero até a Reforma. E mesmo aquele que foi outrora chamado de ‘Pai da Reforma’, o famoso John Reuchlin [5], autor de Palavra Maravilhosa e amigo de Pico della Mirandola, o mestre e
instrutor de Erasmo, de Lutero e de Melâncton, era um cabalista e ocultista.” [6]

O movimento da Reforma não foi todo ele luterano, é claro. Ao contrário de Martim Lutero, os Amish e os Huteritas não adotam uma estrutura de-cima-para-baixo em suas igrejas, não têm sacerdotes assalariados e não acreditam em igrejas sustentadas pelo estado.

Embora as igrejas luteranas (e algumas igrejas menonitas) tenham seguido o exemplo do Vaticano e apoiado os crimes de Adolf Hitler na Alemanha, os Amish e os Huteritas tradicionalmente evitam todo uso de força e são radicalmente não-violentos. [7]

Os anabatistas não aderem ao culto das máquinas. Eles rejeitam a adoração cega da tecnologia, que foi um aspecto central do nazismo. O fato de que os nazistas adoravam instrumentos mecânicos ao mesmo tempo que desprezavam a vida constitui um alerta que não deve ser esquecido em nosso século.

Os Huteritas e os Amish se recusam a participar de conflitos militares de qualquer tipo. Em vez disso, tentam viver sem burocracia no espírito dos ensinamentos originais do cristianismo.

Vivendo nos séculos 15 e 16, Reuchlin escapou por pouco de ser perseguido pelos dirigentes do clero católico. Erasmo de Rotterdam foi um dos que ajudaram a protegê-lo, e deu-lhe conselhos valiosos sobre como ficar dentro do limite do essencial de modo a não irritar desnecessariamente os religiosos de mentalidade estreita.

Francis Barham mostra o papel desempenhado por Reuchlin na proteção e preservação da literatura judaica:

“No seu intenso estudo da teologia e da literatura universais, Reuchlin distinguiu-se especialmente pelo conhecimento do hebraico e das línguas cuchíticas, tanto quanto das línguas da Grécia e de Roma. Ele resgatou as ciências orientais, assim como as ciências clássicas. É principalmente a Reuchlin que nós devemos o renascimento da literatura hebraica e cabalística na Europa. Ele próprio foi o principal erudito hebraico do seu tempo, e compôs gramáticas e dicionários do hebraico dificilmente superados pelos autores que vieram depois. Além disso, Reuchlin teve um papel decisivo em evitar que manuscritos hebraicos fossem queimados, preservando assim a literatura da nação judaica.” [8]

Reuchlin é um dos grandes teosofistas de todos os tempos.

Sua vida demonstra o melhor modo de impulsionar o progresso humano: a melhora externa autêntica é aquela que surge da alma. A verdadeira luz espiritual se irradia suavemente do interior. Toda a árvore da vida cresce pouco a pouco a partir do coração criativo de uma pequena semente.

NOTAS:

[1] Fonte da informação sobre a data, “Collected Writings”, H. P. Blavatsky, volume XIV, e Encyclopaedia Britannica.  O primeiro nome de Reuchlin também é escrito como “Johann”.

[2] “Collected Writings”, H. P. Blavatsky, TPH, EUA, volume XIV, p. 169. 

[3] Veja o artigo de HPB intitulado “The Trial of the Sun Initiate” em “Collected Writings”, H. P. Blavatsky, TPH, EUA, volume XIV, p. 266. 

[4] The Life and Times of John Reuchlin, or Capnion, the Father of the German Reformation”, de Francis Barham, Esq., London: Whittaker and Co., Ave Maria Lane, 1843, 284 pp., ver p. 18.  H.P. Blavatsky se refere a esta obra na nota 5, mais abaixo. O livro está disponível nos websites associados.

[5] NOTA DE HPB: Veja a página de abertura da tradução em inglês da obra de Mayerhoff “Reuchlin und Seine Zeit”, Berlim, 1830. “The Life and Times of John Reuchlin, or Capnion, the Father of the German Reformation”, de F. Barham, Londres, 1843.

[6] “Ísis Sem Véu”, Helena Blavatsky, Editora Pensamento, SP, edição em quatro volumes, ver volume III, p. 29. O trecho foi revisado de acordo com o original em inglês. A edição da Ed. Pensamento erra no título da obra de Reuchlin. Em inglês, veja “Isis Unveiled”, Volume II, de Helena P. Blavatsky, p. 20.

[7] Sobre os anabatistas, leia o artigo “A Filosofia Prática dos Amish”.

[8] The Life and Times of John Reuchlin, or Capnion, the Father of the German Reformation”, de Francis Barham, Esq., London: Whittaker and Co., 1843, ver p. 7.

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O artigo acima foi publicado nos websites associados dia 21 de fevereiro de 2020. Trata-se de uma tradução, feita pelo próprio autor, do original em inglês: “Reuchlin, the Father of Reformation”. O texto também está disponível no nosso blog em “The Times of Israel”. 

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18 de fevereiro de 2020

Ideias ao Longo do Caminho - 30

À Medida que a Percepção se Expande,
Ficamos Independentes do Uso das Palavras

Carlos Cardoso Aveline


O idealismo deve ser administrado com bom senso




* Praticando a arte de estar em silêncio, o peregrino consegue ouvir de fato os outros.

* Pensar criativamente requer silêncio. Um indivíduo que não consegue parar seu discurso mental tem algo em comum com a vida impensada dos papagaios.

* Alexandre Dumas escreveu: “As longas conversas são o feliz privilégio de quem nada tem que dizer.” [1] Por outro lado, a ausência de ruído é um oásis para o buscador da verdade. Estar livre de barulho emocional torna o ser humano capaz de viver com mais lucidez. 

* A introspecção renovadora também ocorre no plano coletivo. A cidade e o país renascem graças à renovação interna do cidadão.

* É correto retirar-se algumas vezes por dia até aquela fortaleza interna de nossa alma onde flui a força pura e inesgotável da consciência superior. Os períodos de silêncio renovam a perspectiva de vida, refazem as energias e limpam os óculos pelos quais percebemos os fatos.

* Salvo exceções, ninguém pode corrigir os diversos aspectos imperfeitos da sua vida em um só dia. Está ao alcance de todos, no entanto, comparar regularmente as suas ações com o seu mais alto ideal de progresso e perfeição. É privilégio de cada um aperfeiçoar pouco a pouco os hábitos e os modos de tomar decisão.

* Quando alguém renuncia a coisas secundárias, pode economizar energia vital e resolver favoravelmente as questões decisivas.

* Deixando de lado os desejos, desenvolvemos vontade. Aquele que abandona caprichos pessoais consegue ter um propósito real na vida.

* A ação correta exige preparação. Esforços deliberados são necessários quando alguém pretende alcançar metas duráveis.

* Um vento inconstante guia as mentes superficiais, fazendo com que não cheguem a lugar algum. A alma responsável combina as qualidades da rocha e do céu. É igualmente firme e capaz de abranger tudo o que existe.

* Um período de 24 horas contém a semente das eternidades. Cada cidadão vive em contato direto com o cosmo, conforme a Astrologia demonstra em detalhes. A qualidade desta interação pode ser otimizada a qualquer momento por uma combinação de fatores como  introspecção elevada, boa vontade e ação correta.

* Pensamentos e sentimentos sublimes não são o suficiente. Para realizar ações corretas de maneira estável, não basta ao peregrino ter uma meta elevada. Deve criar também alguns hábitos materiais corretos, que eliminem hábitos materiais inadequados, adotando formas de autodisciplina inicialmente tediosas.

* Um certo grau de energia grosseira permite dominar e controlar as tendências automáticas do corpo físico de quem busca o Caminho. A vontade de viver de modo correto não pode ser concretizada através de ideias abstratas. Requer a formação de hábitos externos que, embora materiais e imperfeitos, sejam essencialmente compatíveis com as energias elevadas e obedeçam totalmente a elas nos momentos decisivos.

* Graças à realização de esforços consistentes na direção correta, nossas percepções mais elevadas ganham uma força concreta e densa, passando a inspirar uma vasta teia de vida e a integrar-se no mundo cotidiano.

* A boa vontade é o tipo correto de vontade. O propósito generoso expressa um conhecimento da lei universal e uma afinidade com o modo como fluem as coisas essenciais.

* Não é sábio escolher entre o otimismo e o realismo, ou entre confiança e prudência. O ser humano necessita todas estas qualidades e ainda outras.

* Devemos combinar energias diferentes e contraditórias, sem ser carregados nem dominados por qualquer uma delas. A substância interna dos nossos talentos melhorará, se os usarmos para alcançar metas nobres.

* Palavras não podem substituir fatos. O sentido de responsabilidade ética não surge porque um apelo é feito, nem porque haja uma intensa propaganda. O peregrino precisa estar livre em sua própria alma para que tenha um sentido interno de dever. A responsabilidade resulta de compreender nossa unidade dinâmica com os outros seres. O que vai, volta, o que se planta, se colhe.

O Renascimento

* Grande parte das tradições filosóficas e religiosas ensina um princípio decisivo para a teosofia: a decadência moral leva à extinção os processos civilizatórios.

* Cabe a cada um examinar se há uma falta de ética e de moderação nas sociedades de hoje em dia. A resposta a esta questão define a maré básica dos fatos do futuro. O movimento teosófico existe para preservar e expandir a ética do altruísmo, que produz fraternidade. 

* Cada ciclo doentio de crescimento em decadência moral tem como cura um novo período de expansão em franqueza e sinceridade.

* Embora possamos ver falsidade deliberada no mundo de hoje, seria ingênuo pensar que este é o retrato do futuro. Cada ação perversa é devidamente compensada no tempo certo. A ética é a lei eterna, e todos compreenderão isso cedo ou tarde.

* Ter ideais é uma função da alma espiritual. No entanto o idealismo deve ser administrado com bom senso.

* Na ausência de discernimento e de moderação, os ideais elevados podem causar desastres ou transformar-se em fraudes. A visão idealista do mundo é inseparável do realismo. Precisa estar combinada a uma concepção de longo prazo do tempo; a uma consciência da lei universal; a um sentimento de respeito por todos, e a uma intenção de plantar, antes de colher.

* A percepção profunda da vida é potencialmente tão rápida quanto a luz, embora nem tudo o que se vê seja bonito. Não é sempre que a compreensão da verdade espera pelo raciocínio analítico. Ela pode ocorrer num relance. Pode ser involuntária.

* O pensamento correto induz a uma percepção adequada dos fatos, mas a percepção em si está acima do pensamento e não tem grande necessidade dele, exceto como um ponto de apoio e um auxiliar fundamental. No processo da compreensão, o silêncio é tão importante quanto o pensamento.

* Na etapa humana atual, fica difícil para os sepulcros caiados enganar nações e pessoas de boa vontade. Há uma nova luz mostrando os fatos para quem tem bom senso. A crença cega perde força nos diferentes aspectos da vida.

* Quando renunciamos ao excesso de posses, a felicidade tem uma chance de descer sobre nós. A vida simples abre caminho para a plenitude e a sabedoria, e traz o bem-estar.

* À medida que o campo da percepção se expande, ficamos independentes do uso das palavras, embora ainda as usemos para expressar-nos no mundo. Assim a verdade se torna mais fácil de ver. No futuro as palavras serão reconhecidas como meros instrumentos externos da consciência. E quando as pessoas se compreenderem sem a intermediação de frases, a mentira será impossível.

A Substância do Contentamento

* A felicidade é a percepção de que tudo está correto com a Vida e de que não existe motivo de preocupação. Não há palavras para descrever este nível da realidade. É como um sol que nunca se põe, mas que nem sempre pode ser visto por todos.

* O contentamento estável resulta da unidade consciente do indivíduo com a Lei e com o Cosmos, e do seu sentimento de amizade universal por todos os seres. No entanto, esta consciência não precisa usar palavras.

* Em certos momentos do esforço da existência, surge o sentimento de que “a vida é perfeita”. Para a alma espiritual, um contentamento ilimitado está sempre presente. O sofrimento é um visitante e um professor: a paz constitui o espaço onde tudo acontece.

NOTA:

[1] “Memórias dum Médico”, de Alexandre Dumas. Ver parte dois, intitulada “O Colar da Rainha”, edição em quatro volumes, Livraria Editora Guimarães e Companhia, Lisboa, sem data, volume III, p. 05. O exame da obra em papel indica que foi impressa na primeira metade do século 20.

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Ideias ao Longo do Caminho - 30” foi publicado como artigo independente em 18 de fevereiro de 2020. Uma versão inicial e anônima dele faz parte da edição de fevereiro de 2017 de “O Teosofista”, pp. 16 a 18. Os três parágrafos finais, do mesmo autor, estão publicados como uma nota curta à página sete daquela edição.  

Embora o título “Ideias ao Longo do Caminho” corresponda ao título em língua inglesa “Thoughts Along the Road”, também de Carlos C. Aveline, não há uma identidade exata entre os conteúdos das duas coletâneas de pensamentos.

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12 de fevereiro de 2020

Ideias ao Longo do Caminho - 29

Uma Oração Não é uma Coleção
de Palavras, Mas um Estado da Alma

Carlos Cardoso Aveline


O pensador francês Voltaire (1694-1778) ajudou a fazer o “século das luzes”




* A natureza tem grande número de vozes diferentes. Elas fluem em conjunto, ensinando sabedoria em meio ao contraste, e podem ser escutadas por um coração sem medo que trabalha em paz.

* As árvores estão entre os melhores amigos do ser humano. Há muito por aprender através de um diálogo sem palavras com as folhas das árvores, estejam elas sendo movimentadas ou não pelo vento e pela chuva, ou talvez caídas, no outono e no inverno.

* A ação correta é vista e compreendida sem palavras. A parte mais importante das nossas ações ocorre nos níveis silenciosos da realidade. O silêncio ilumina o som, e o som abre caminho de volta para o silêncio. O sentimento de comunhão acontece sem ruído, assim como a percepção da verdade suprema.

* Cada vez que começamos um ciclo, inauguramos uma tendência, um padrão vibratório. Seja um dia ou uma década, todo começo convida o indivíduo a compreender o privilégio de ser o principal responsável pelo seu próprio futuro.

* A vida é feita de bênçãos se focarmos a consciência nos seus aspectos abençoados. No entanto, “abençoado” não é sinônimo de “confortável”. As bênçãos costumam vir em momentos difíceis, enquanto o apego ao conforto produz a rotina cega. Para viver de modo bem-aventurado, o aprendiz precisa renovar-se sempre que necessário e ser mais forte que as circunstâncias.

* É preferível ser derrotado tentando o nosso melhor do que vencer tendo desistido da ação mais correta.

* Bem-estar e autocontrole não se separam. A disciplina eficiente preserva a espontaneidade colocando-a para funcionar dentro dos limites do bom senso. O discernimento eficaz implica moderação. A ação que evita o exagero é durável e tem mais eficácia no longo prazo. É através da calma que chegamos a uma meta valiosa.

* O peregrino que possui pouca experiência não deve projetar inteiramente as boas sementes da sua própria sabedoria sobre uma organização ou líder. Neste caso ele iria adorar meros reflexos da sua própria ilusão.

* As projeções psicológicas ou “efeito espelho” são uma parte necessária e saudável da realidade. No entanto, elas devem ser compreendidas e colocadas em um contexto maior. Cada colega de caminhada de um peregrino reflete, potencialmente, tanto o melhor como o pior da sua natureza. A euforia e a decepção devem ser vividas com moderação e independência. O correto é ajudar o crescimento da bondade, assim como do discernimento. Cabe renunciar todo dia a novas formas de ignorância, no jogo de espelho da vida, de modo que a luz da sabedoria secreta presente na alma possa tornar-se visível.

* Para alcançar a paz no futuro, é preciso vivê-la interiormente no momento de agora. E a harmonia não pode ter como base o medo de conflito. É a luz da paz que faz um guerreiro lutar melhor por uma causa nobre. Enquanto enfrenta desafios, o peregrino permanece disponível para o sentimento de sossego, e vê sua paz interior como um talismã.  

* Embora o passado e o futuro nunca estejam separados um do outro, a simetria da sua união é mais bela quando chega o final de um ciclo e o começo de outro. Então é preciso dizer adeus a um conjunto de energias. Há uma promessa no ar falando de uma nova etapa. Cabe preservar o que é bom e renovar o que precisa ser renovado.

* Muitos querem saber o que está acontecendo aqui ou ali. Outros preferem tomar medidas para que aconteça a coisa certa.

* Parece agradável desejar isso ou aquilo e ser governado pela esperança sem base. Na verdade, o “caminho fácil” cria o pior tipo de dificuldade. Parece duro o caminho do autoconhecimento e da autorresponsabilidade, porém ele leva ao contentamento durável.

* A vida ocorre em círculos concêntricos. Para compreender adequadamente os fatos, é preciso olhar para eles desde o ponto de vista mais profundo e elevado possível. Esta perspectiva não exclui nada do seu campo geral de visão, mas dá prioridade ao que é eterno e altruísta.

* O mundo precisa de menos doutores sabe-tudo e mais buscadores da verdade. A chamada opinião pública é em grande parte governada pela propaganda, mas as aparências são tão enganosas quanto os políticos que obedecem apenas ao vento e à maré.

* Quando alguém coloca a popularidade acima do dever, não há progresso real, por maior que seja o esforço e sejam quais forem as aparências. Quando o peregrino coloca o dever acima da popularidade, o progresso pode ser lento, mas será real.

* A quantidade de trabalho feita por alguém é importante, mas a sua possível relevância resulta em grande parte da qualidade. Quantidade gera qualidade, e trabalhar muito é o primeiro passo. O segundo consiste em identificar as questões decisivas nas quais trabalhar, e o ponto de vista desde o qual desenvolver o esforço. Os melhores resultados não surgem de esforços feitos com pouco discernimento. A sabedoria oriental afirma que o sábio obtém a vitória antes de começar o aspecto visível do seu trabalho.

* Em qualquer tempo e lugar, a vida tem potencialidades sagradas quase incalculáveis. As nossas limitações, porém, podem impedir-nos de ver as sementes da vitória e de aproveitá-las.

* As condições cármicas individuais e coletivas têm importância, e tanto ajudam como atrapalham o buscador da verdade. A observação silenciosa, se for orientada por uma firme boa vontade, mostrará a seu tempo as oportunidades para “nascer de novo” nos níveis abençoados da vida.

* As palavras não substituem os fatos. Não é possível transmitir aos outros aquilo que não vivenciamos. Antes de ter esperança de influenciar o mundo externo, é preciso controlar a si mesmo com eficiência.

* A tentativa contínua de obter felicidade através de meios e objetos externos é especialmente lamentável se considerarmos que a maior parte da humanidade é prisioneira desta ilusão, e permanece apegada a ela ao longo de uma encarnação depois da outra. É necessário ter uma visão ampla da vida para compreender que a fonte da felicidade é interna e tão ampla quanto o universo, e não externa ou pessoal.

* As relações humanas baseadas na preguiça e na indulgência mútua são piores que inúteis. O sofrimento é um toque de campainha que alerta para a existência de ignorância.

* A ausência de sabedoria produz frutos, e as suas causas devem ser identificadas, em seguida combatidas. Em qualquer país, família ou comunidade, assim como nas associações teosóficas, as relações corretas são aquelas que criam estímulos para as pessoas aprenderem coisas valiosas e melhorarem a si próprias interiormente.

* “Devagar se vai ao longe: se você quiser ser mais rápido, avance com lentidão, pois a pressa provoca perda de tempo.” As tradições orientais estão bem familiarizadas com este princípio, e ensinam o cultivo da calma.

* Só quem permanece de fora do vício da alta velocidade pode ter discernimento sobre o que é ou não correto fazer.

* Numa sociedade materialista, cujos alicerces emocionais são a pressa e a ansiedade, o estudante de filosofia vive rodeado de pessoas que perdem o seu tempo e dedicam suas vidas à superficialidade. Lentamente percebe-se a verdade durável.

Oração Sem Palavras

* Se “oração” pode ser definida como a prática de erguer a mente até o mundo divino, então é possível realizar uma oração completa em dois segundos. O estudante de filosofia ora enquanto realiza qualquer tarefa honesta. Uma tal oração não é uma coleção de palavras. Constitui um estado da alma.

As Formas de Silêncio

* Há um tempo para confrontar obstáculos, e um tempo para permanecer sem ser visto, sem ser ouvido, sem nada dizer, exercendo uma presença desconhecida.

* Há um silêncio que produz compreensão profunda, e outro que é nocivo para o bom aprendizado. Nas formas equilibradas de silêncio harmonizam-se todas as coisas. O tipo certo de ausência de som é o herdeiro e a origem da ação sábia. No silêncio opera construtivamente a lei da vida. Nele a consciência eterna pode ser percebida, e colocada em unidade conosco.

A Força do Inesperado

* A vigência da Lei do Carma em tudo o que existe não significa que a influência dos acontecimentos imprevistos é pouca. É ilusão pensar que os fatos futuros são facilmente previsíveis e irão constituir uma extensão bem disciplinada do passado e do presente. O funcionamento da lei do Equilíbrio é complexo. O próximo instante contém sempre um número ilimitado de possibilidades.

* A prática de ações eficientes aumenta as chances de que ocorram acontecimentos iluminados no longo prazo, mas não há garantia. Na verdade, ao aprender algo sobre a lei do universo, o carma individual se acelera. A nossa atitude diante dos fatos inesperados muda para melhor enquanto os desafios aumentam. 

* Voltaire mostra na sua obra clássica “Zadig” como a força dos acontecimentos inesperados é enorme em todos os momentos da existência de alguém. Cada ser humano é um hóspede no tempo e no espaço. É limitada a sua compreensão do carma e do dharma. Como hóspede, ele deve ter um comportamento correto. Haverá surpresas: acontecimentos não planejados mudarão a sua vida de vários modos uma e outra vez.

* O peregrino deve ser humilde diante das mudanças agradáveis e estoico nas situações difíceis. O propósito da sua alma é aprender e não buscar conforto. Através do estudo e da pesquisa sobre serendipidade teosófica [1], é possível acelerar o nascimento da bem-aventurança.

NOTA:

[1] Veja o artigo Aspectos Sagrados da Serendipidade”. Leia a “Oração Diante do Futuro”.
  
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Ideias ao Longo do Caminho - 29” foi publicado como artigo independente em 12 de fevereiro de 2020. Uma versão inicial e anônima dele faz parte da edição de janeiro de 2017 de “O Teosofista”, pp. 11 a 13. Algumas notas curtas, escritas pelo mesmo autor e publicadas naquela edição, estão também incluídas no texto.

Embora o título “Ideias ao Longo do Caminho” corresponda ao título em língua inglesa “Thoughts Along the Road”, também de Carlos C. Aveline, não há uma identidade exata entre os conteúdos das duas coletâneas de pensamentos.

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6 de fevereiro de 2020

O TEOSOFISTA, Fevereiro de 2020





O artigo de capa do Teosofista de fevereiro é “O Poder da Formação Moral”, que afirma:

Ao contrário do que pensam os desinformados, a educação moral do ser humano jamais cessa, e deve ser contínua, desdobrando-se ao longo de várias encarnações.”

A página dois anuncia a quarta edição do “Curso Sobre o Discipulado Segundo os Mestres de Sabedoria”, que deverá começar dia 19 de março. A série de dez lições semanais é oferecida periodicamente em português e inglês desde 2017.

Na página três temos o fragmento de um livro de O.S. Marden, sob o título de “Vitória na Grande Batalha”. A página quatro traz apenas quatro versos de António Corrêa D’Oliveira, e eles anunciam: “Haverá um Tempo Mais Verdadeiro”.

O artigo “Dumas e a Visão dos Iniciados” está às pp. 5 e 6.  Na página sete, a “Receita Para Ter Boas Maneiras”, de O.S. Marden.

Outros temas da edição incluem:

* Perceber a Verdade em seu Conjunto;

* Um Sábio Imortal Escreve Sobre A Mente Infinita;

* A Chave da Moderação;

* Avançando Passo a Passo e com as Decisões Corretas;

* Ensinamentos de um Mahatma - 33 (Conclusão) - Tolos São os Que Duvidam da Existência dos Mestres;

* Ideias ao Longo do Caminho - Sabedoria, Equilíbrio e Desapego Costumam Andar Juntos; e     

* O vídeo “Sete Regras Para Viver”, publicado em nosso canal no Youtube.

A edição tem 17 páginas e inclui a lista dos itens publicados recentemente nos websites associados.  




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A coleção completa de “O Teosofista” está disponível nos websites associados.

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