24 de janeiro de 2023

Ideias ao Longo do Caminho - 45

A Vida Se Expressa Por Processos Magnéticos
 
Carlos Cardoso Aveline
 
Uma visão ampla do mundo permite a conservação do magnetismo pessoal
  
 
 
* Desde o ponto de vista da alma, uma encarnação é apenas “um dia na existência”, uma etapa da caminhada, uma página no livro da vida, uma batalha entre outras.
 
* Quando fortalece a decisão de buscar metas nobres e nítidas, o peregrino transforma para melhor o seu próprio destino durante os próximos dez ou vinte séculos. A sua decisão se reflete em outros ciclos do futuro também. Ao definir que um altruísmo impessoal será fator determinante nos próximos anos da sua vida, o cidadão estabelece uma tendência luminosa para o rumo do seu carma nas próximas encarnações.
 
* Um bom livro, lido com atenção, pode conter a voz de um mestre. Melhor ler um só parágrafo, pensativamente, do que avançar 50 páginas de modo superficial.
 
* Devagar se vai ao longe. Andar a pé pela natureza é a maneira mais adequada de viajar.
 
* A calma e a sinceridade apoiam uma à outra. Um lento progresso pelo caminho da sabedoria é o suficiente. A importância deste preceito aparentemente simples está no fato de que existe uma certa intimidade entre a pressa, a distorção, e a falsidade.
 
* Através da renúncia com frequência podemos alcançar mais do que obtendo esse ou aquele objeto.
 
* Quem deixa de lado formas inferiores de desejo desenvolve uma força de vontade cuja substância é superior. Assim se obtém aquele poder moral que produz o contentamento durável.
 
* É claramente afirmado nas Cartas dos Mahatmas que a vida se expressa por processos magnéticos. O primeiro passo para expandir a energia pessoal é deixar de desperdiçá-la. A produção de autocontrole - que consiste em abandonar metas inúteis - torna o indivíduo mais forte no plano da alma. Quando deixa de ser jogada fora, a força magnética da vida aumenta.
 
* Todo desejo - seja ele por objetivos nobres ou não - é uma forma sutil de eletricidade. Algumas pessoas reúnem sua vontade e a organizam em função de objetivos valiosos e duradouros.
 
* A autodisciplina produz força interior. Muitos, no entanto, permanecem vítimas de formas infantis de dispersão mental. Com frequência vivem até os 90 anos desperdiçando a energia da vontade como se fossem médiuns da ignorância organizada.  
 
* Uma visão ampla do mundo permite preservar o magnetismo pessoal. Quem renuncia a usos dispersivos da força de vontade pode seguir um rumo definido e nobre na vida, usando corretamente as suas energias em cada ciclo de 24 horas.
 
* Swami Sivananda escreveu: “O mundo é a aparência de Sat, ou Verdade. O mundo em si mesmo é a Verdade mal representada.”
 
* E acrescentou: “A Ignorância faz a Existência parecer não-existência (morte), a Consciência parecer inconsciência (nesciência) e a bem-aventurança parecer sofrimento (dor). [A ignorância] faz um fantasma ter a aparência de realidade, a tolice parecer conhecimento, e a dor, parecer contentamento.” [1]
 
O Teatro das Acusações
 
* Em certos países ocidentais, as rígidas regras da hipocrisia organizada afirmam: a esquerda deve exigir ética da direita, e é dever da direita exigir ética da esquerda. Deste modo todos fazem exigências éticas no plano verbal e ninguém trata de melhorar a si mesmo. O resultado é que a imoralidade aumenta.
 
* A lei da responsabilidade cármica estabelece que cada indivíduo ou grupo social deve fazer exigências sobretudo a si próprio. O crescimento moral ocorre de dentro para fora, e não de fora para dentro. Ele acontece por decisão própria, e não por decisão alheia.
 
* A autocompreensão é mais nítida que a compreensão dos outros, embora as duas coisas andem em geral juntas.
 
* A autocrítica tem importância maior que a crítica aos demais. O rigor exercido prioritariamente consigo mesmo é saudável. Já o rigor exercido prioritariamente em relação aos outros faz parte das artes teatrais, e com frequência é um espetáculo circense de quinta categoria.
 
Pequena Ação Prática
 
* A teosofia deve ser aplicada à vida diária: reveja o texto acima, escolhendo os pontos mais úteis. Registre em um caderno de anotações aquilo que chama atenção por ajudar você no momento atual. Comente com alguém sobre isso.
 
NOTA:
 
[1] Do livro “Sadhana” (Prática Espiritual), de Swami Sivananda, publicado em inglês pela Divine Life Society, Índia, 11th edition, 2019, 702 pp., ver p. 414.
 
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O artigo “Ideias ao Longo do Caminho - 45” foi publicado como item independente em 24 de janeiro de 2023. Uma versão inicial e anônima dele faz parte da edição de setembro de 2018 de “O Teosofista”, pp. 10-11. A nota “O Teatro das Acusações” é do mesmo autor e é aqui reproduzida e atualizada a partir da página 18 da edição de setembro de 2018 de “O Teosofista”.
 
Embora o título “Ideias ao Longo do Caminho” corresponda ao título em língua inglesa “Thoughts Along the Road”, de Carlos C. Aveline, não há uma identidade exata entre os conteúdos das duas coletâneas de pensamentos. Desde 2018 a série “Thoughts Along the Road” está sendo publicada em espanhol sob o título de “Ideas a lo Largo del Camino”.
 
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Imprima os textos que estuda dos websites associados: com frequência a leitura em papel permite uma compreensão mais profunda. Ao estudar um texto impresso, o leitor pode sublinhar e fazer comentários manuscritos nas margens, ligando o texto à sua realidade concreta. 
 
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Leia mais:
 
 
 
 
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 Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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19 de janeiro de 2023

O Teosofista - Janeiro de 2023

 

 
 
 
A edição de janeiro começa com o texto “Desde a Índia, Sivananda Fez Um Alerta às Nações do Ocidente”:
 
“Se apenas uma fração da riqueza e do tempo gastos em procuras inúteis e atividades destrutivas fosse dedicada à criação de um Bom PENSAMENTO, uma nova civilização existiria de imediato.”
 
Quando os dirigentes da civilização ocidental se dedicam a fabricar guerras, o que é que eles têm na cabeça? Seja qual for a substância, a purificação sempre é possível.
 
A página dois apresenta um trecho de H. P. Blavatsky sobre o caráter volúvel da opinião pública: “O Galo, o Caleidoscópio e a Opinião Pública”. À página três, temos “Fábricas de Armas Promovem Guerra, Mas Os Povos Querem Paz”. À página quatro, “Estamos Todos Abençoados, Porque o Globalismo Implodiu”.
 
Outros temas de janeiro:   
 
* Pequena Oração Sobre as Celebrações no Plano Espiritual.
 
* Vassily Rozanov: A Magia do Nascimento Humano.
 
* Swami Sivananda: Regras Para Viver Melhor.
 
* A Chave da Eficiência: O Mais Desagradável Primeiro.
 
* A Disciplina Diária De um Peregrino Russo - Notas Sobre o Processo da Presença Divina.
 
* Ideias ao Longo do Caminho: a Prática da Sinceridade Elimina a Causa do Ódio e a Necessidade das Guerras.
 
* Música Popular pela Paz: We Say NATO’s Got to Go! A NATO Tem Que Desaparecer!

Com 20 páginas, o Teosofista inclui a lista dos itens publicados pelos websites associados nas semanas anteriores.     
 
 
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A edição acima foi publicada dia 19 de janeiro de 2023.  
 
A coleção completa de “O Teosofista” está disponível nos websites associados.
 
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4 de janeiro de 2023

Um Filósofo Entre as Montanhas

A Paz da Beleza Silenciosa, da
Bondade Severa, da Grandeza Humilde

Ivan A. Il’in

 
 
 
Quando vejo montanhas cobertas de neve à distância e apontando na direção das nuvens, o meu coração treme com um contentamento inesperado. Antigas memórias silenciadas despertam dentro de mim como se eu já tivesse contemplado estas imagens em algum tempo passado, e tivesse sempre sentido a falta delas desde então; como se a mais sagrada e extraordinária das promessas estivesse sendo cumprida agora.
 
Sinto uma espécie de assombro. Fico perplexo. Não sei se devo acreditar nesta visão: este choro diante do céu é tão leve, e tão ousado. São suaves, ilusórias, as linhas limítrofes. E são poderosas as massas de terra ocultas dentro dos contornos. Vejo a terra erguendo-se até o céu. Vejo os céus abraçando-a, vejo como a Terra fica perdida no céu à medida que eles se fundem. Será possível que a própria Terra se torne parte dos céus? Não será um sonho isso? Ou talvez esta visão seja a verdadeira realidade, e a existência externa de todos os dias seja apenas um sonho pesado e denso?
 
De onde vem este tremor abençoado, este sentimento de chegar à minha terra natal?
 
É como se este esplendor que brilha de longe, este futuro prometido, tivesse surgido do meu passado mais íntimo, da minha existência antes da criação do tempo. Será a minha alma talvez tão “antiga dos dias” que eu estava de fato presente durante a formação dos mundos? Ou estas montanhas distantes narram outra vez para mim aquilo que fui, aquilo que sou, o que serei - e o esplendor que aguarda por mim no futuro?
 
Visões amáveis, imagens proféticas, sonhos divinos. Mas agora a vista desapareceu. Os fantasmas aéreos foram encobertos pela névoa terrestre e por nuvens celestes. Só o coração fala para mim, em murmúrios, sobre a possível existência do impossível.
 
Mais tarde, as montanhas me permitem estar no meio delas. Elas me atraem, deixando calma e serenamente que eu caminhe sobre elas e escale os seus picos íngremes. A calma se transmite delas para mim, e eu subo até uma altitude ainda maior. 
 
Grandeza e Humildade
 
A beleza silenciosa, a bondade severa, a grandeza humilde; tudo isso combinado é como um hino eterno. Constitui um reino de sinfonias sem som.
 
O indivíduo ergue-se e escuta este silêncio. E aprende a preservar um casto silêncio nas esferas mais elevadas da vida. Aprende a observar sua própria dignidade, sem fazer qualquer pedido, e compreende que a verdadeira grandeza tem a forma externa da humildade. Nenhum ruído é necessário na batalha para conquistar os céus, na subida até Deus [1]; é suficiente que a vida do indivíduo se torne uma oração silenciosa; e sua existência se elevará em admiração e agradecimento.
 
NOTA:
 
[1] Em teosofia, a palavra “Deus” não é um conceito monoteísta, e pode significar o eu superior do ser humano, a lei universal, ou as inteligências divinas coletivas que governam os vários aspectos do cosmos. (CCA)
 
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O artigo “Um Filósofo Entre as Montanhas” está disponível como item independente nos websites associados desde 04 de janeiro de 2023. Foi traduzido por CCA do livro “The Singing Heart”, de Ivan Ilyin (ou Ivan A. Il’in). O volume foi publicado pela Orthodox Christian Translation Society, OCTS, EUA, 2016, e possui 190 páginas; ver pp. 108-109 e 111, sendo que o fragmento final, “Grandeza e Humildade”, está na p. 111. A maior parte do texto acima faz parte, também, da edição de maio de 2017 de “O  Teosofista”, pp. 7-8, e p. 4.  
 
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Leia mais:




 
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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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1 de janeiro de 2023

Il’in, o Anticomunista Que Foi Salvo por Lênin

 Pensador Hegeliano é Influente na Rússia de
Hoje e Começa a Ser Conhecido no Ocidente
 
 Carlos Cardoso Aveline
  
Ivan A. Il’in, à esquerda, e o líder revolucionário
Vladimir I. Lênin com o jornal “Pravda” em suas mãos
  
 
 
Assim como a alma do seu povo, o território físico da Rússia é imenso. A força espiritual desta nação constitui um mistério, porque as principais lições que ela transmite para os povos ocidentais transcendem o reino das palavras.
 
A alma russa possui raízes na Ásia: ela funciona como uma ponte cultural, uma área de transição mística e geográfica entre o Oriente e o Ocidente. A Rússia é inseparável das regiões nevadas do planeta. É paradoxal, cheia de contrastes e contradições. A sua alma e a sua atmosfera sutil entusiasmam e também decepcionam. A Rússia tem algo a ensinar a outros povos, e algo a aprender com eles. No entanto o país é raramente compreendido no Ocidente.
 
Debaixo da superfície, o sentimento de fraternidade é universal na Rússia. A sabedoria espiritual do país encanta a muitos, mas outros tantos reagem do modo oposto. Em sua obra clássica “Interpretação do Brasil”, o pensador Gilberto Freyre escreveu sobre a afinidade natural entre o povo russo e os povos do Brasil e de Portugal. Segundo Freyre, todo o mundo ibérico é internamente semelhante ao país de Dostoievsky. [1]
 
Vejamos um exemplo.
 
O cuidadoso diagnóstico feito pelo filósofo Ivan A. Il’in (1883-1954) sobre a Rússia pode ser usado, com eficiência, para um exame em profundidade dos países ibéricos na Europa e na América Latina - sem excluir outros países ocidentais.   
 
Quatro Doenças Para Curar

Influentes na Rússia de hoje, prestigiadas pelo governo de Vladimir Putin, as obras de Il’in afirmam que quatro doenças espirituais levaram o seu país ao caos, à guerra civil e à revolução de 1917.
 
O primeiro fracasso, afirma Il’in, está na ausência de uma consciência da necessidade de cumprir as leis e as normas. Ou seja, uma falta de “consciência legal”.
 
A segunda enfermidade decorre da primeira. É a incapacidade coletiva de compreender o funcionamento correto de um Estado organizado, e uma falta de vontade de construir um Estado eficiente e que responda ao povo. A população não se sentia incluída no Estado. Os russos, segundo Il’in, não viam diferença entre o Estado e as pessoas que estavam no governo.  
 
A terceira falha é a incapacidade de compreender a essência da vida democrática, e de aceitar o fato de que a democracia exige ao mesmo tempo a sinceridade mútua e o respeito mútuo.  
 
O quarto e último fracasso está na falta de amor pelo seu próprio país. [2]
 
A presença dos quatro problemas é fácil de ver nos povos ocidentais durante o século 21. No entanto, a própria descrição das doenças parece indicar a chave para o processo da cura. 
 
Lênin Salva a Vida de um Adversário
 
Ivan Il’in não era um filósofo que passasse despercebido. Embora lutasse contra o comunismo, era respeitado por Vladimir I. Lênin. O líder da revolução socialista salvou sua vida porque admirava a obra de Il’in sobre o filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel.
 
A realidade humana é paradoxal: Hegel, um pensador ético e religioso, foi uma fonte central de inspiração para o materialista Karl Marx. Até hoje Hegel é respeitado pelos pensadores marxistas. De modo semelhante, na Rússia, a vida do filósofo religioso hegeliano foi salva por Lênin, o líder materialista da revolução de 1917.
 
O que colocou Il’in em perigo foi o fato de que ele não só escrevia. Ele participava ativamente da resistência contra a revolução de Lênin. Por duas vezes, em 1918 e 1920, Il’in foi preso pela polícia política do estado comunista. A tendência natural seria o fuzilamento. Nas duas ocasiões, Lênin intercedeu pessoalmente para salvar Il’in.
 
Em 1920, Lênin escreveu em um memorando para as autoridades encarregadas do prisioneiro:
 
“Il’in não é um dos nossos, mas tem talento, soltem-no.” [3]
 
Il’in acabou por ser expulso da Rússia em setembro de 1922. Viveu e escreveu no exílio até a chegada da morte, em 1954. Seus escritos sobre autoconhecimento têm muito em comum com a teosofia de Helena Blavatsky. No entanto, foi só depois de 2005 que este pensador espiritual e amigo da natureza começou a ser conhecido no Ocidente.  
 
Algumas Ideias Desafiantes
 
Ivan A. Il’in escreveu: 
 
* “Através de todos os sofrimentos do mundo, surge e brilha a antiga verdade, e ela convida as pessoas a uma nova compreensão e um novo reconhecimento: a vida de um ser humano só é justificada quando a sua alma vive desde um único centro, um centro objetivo, movida por um amor autêntico pela divindade como supremo bem.” (Tomando Posse da Nossa Própria Natureza)
 
* “Uma alma espiritualmente cega vive com os conteúdos desestruturados e as medidas precárias de um estilo pessoal de vida; percebe tudo no plano das suas necessidades e paixões, e mede a vida em termos de interesse e poder. E precisamente por esta razão a sua vida se transforma em um pântano de fraqueza, confusão e vício. Mas a sua principal confusão está no não-reconhecimento do espírito, da sua objetividade e do seu valor incondicional.” (O Respeito Espiritual por Si Mesmo)
 
* “Na base de toda corrupção - subornos, corrupção pública, todo tipo de demagogia e traição mercenária internacional - estão uma cegueira espiritual e uma ausência de valor espiritual do próprio indivíduo. A cegueira dá lugar a uma incapacidade de ver a gradação das metas de acordo com o seu valor, e a falta de valor espiritual cria uma vontade seriamente desequilibrada, uma disposição sem escrúpulos de desistir do espiritual, do objetivo e do universal, em função do interesse próprio e da posse.” (O Respeito Espiritual por Si Mesmo)
 
* “… Um regime político incapaz de alimentar no povo uma percepção do seu próprio valor está condenado a desintegrar-se, finalmente, devido ao triunfo do egoísmo privado sobre o interesse público e da vulgaridade sobre o espírito.” (O Respeito Espiritual por Si Mesmo)
 
* “Pessoas e povos incapazes de respeitar o seu próprio valor espiritual criam um poder governante doentio, e produzem um sentido de eu e uma ideologia igualmente doentes.” (O Respeito Espiritual por Si Mesmo)
 
* “Um povo que ainda não tenha compreendido e realizado a sua autoafirmação espiritual não respeita o espírito nem em si mesmo, nem no objeto ou ideia do Estado; e, portanto, desenvolve formas mórbidas de vida espiritual, produzindo fenômenos doentios de cultura espiritual. Essas formas e fenômenos podem estar aparentemente desconectados entre si, mas em sua substância elas revelam uma só doença espiritual orgânica.” (O Respeito Espiritual por Si Mesmo)
 
* “Uma calamidade natural sempre revela a derrota, a limitação e a falha do espírito, porque a transformação criativa da natureza continua sendo a tarefa mais elevada do espírito. E, por maior que seja essa calamidade, e por mais vastos e arrasadores que sejam os sofrimentos causados por ela, o espírito humano deve aceitar seu fracasso e na própria intensidade do seu sofrimento ver um chamado ao renascimento e à regeneração. Mas isso significa compreender o desastre que cai sobre nós como um grande desmascaramento espiritual.” (Tomando Posse da Nossa Própria Natureza)
 
* “A natureza que agora envolve a humanidade na incalculável infelicidade de grandes guerras e convulsões é a natureza de uma alma humana desorganizada e amargurada.” (Tomando Posse da Nossa Própria Natureza)
 
NOTAS:
 
[1] “Interpretação do Brasil”, Gilberto Freyre, Livraria José Olympio Editora, RJ, SP, 1947, 323 pp., ver capítulo um, pp. 43-44, e capítulo cinco, pp. 235 a 241.
 
[2] Veja o livro “On the Essence of Legal Consciousness”, de Ivan A. Il’in, publicado por Wildy, Simmonds & Hill Publishing, Reino Unido, 2014, 391 páginas. Especialmente as pp. 68-69.
 
[3] “On the Essence of Legal Consciousness”, de Ivan A. Il’in, obra citada, pp. 75-76.
 
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O texto acima foi publicado nos websites da Loja Independente de Teosofistas no dia primeiro de janeiro de 2023. O seu equivalente em inglês, “Il’in, the Anticommunist Who Was Saved by Lenin”, pode ser lido em nosso blog no The Times of Israel.
 
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Veja mais:
 
* Alguns textos de Ivan A. Il’in.
 
* A seção temática A Rússia, a Teosofia e Helena P. Blavatsky.
 
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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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23 de dezembro de 2022

Um Poema Clássico de Natal

 
Luís de Camões

 
 
 
Dos Céus à Terra desce a maior Beleza,
Une-se à nossa carne e fá-la nobre;
E sendo a humanidade dantes pobre,
Hoje subida fica à maior alteza.
 
Busca o Senhor mais rico a maior pobreza;
Que como ao mundo o seu amor descobre,
De palhas vis o corpo tenro cobre,
E por elas o mesmo Céu despreza.
 
Como? Deus em pobreza à terra desce?
O que é mais pobre tanto lhe contenta.
Que este somente rico lhe parece.
 
Pobreza este Presépio representa;
Mas tanto por ser pobre já merece,
Que quanto mais o é, mais lhe contenta.
 
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O poema acima está disponível como item independente nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde o dia 23 de dezembro de 2022. 

Os versos são reproduzidos de “Obras Completas”, Luís de Camões, Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa, vol. I, quinta edição, 1985, 359 pp., ver pp. 257-258. A ortografia foi atualizada. “Um Poema Clássico de Natal” faz parte também da edição de dezembro de 2019 de “O Teosofista”, p. 2.
  
 
Luís de Camões, o poeta maior da língua portuguesa, nasceu por volta de 1524 e viveu até o dia 10 de junho de 1580.  
 
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Leia mais:
 
 
 
* “A Noite Santa de Dezembro”, conto de Selma Lagerlöff, adaptado por Malba Tahan,
 
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