16 de setembro de 2022

O Teosofista - Setembro de 2022

 

 
 
 
A edição de setembro começa com a Oração Pela Vitória da Sinceridade:
 
Entre os líderes das nações, eu oro por aqueles que ouvem a voz da sua consciência, porque estão em contato com sua alma espiritual.
 
Rezo pelo sucesso dos chefes de governo éticos e sinceros, porque pensam no bem de suas nações. Respeitam o caráter sagrado das relações familiares. Permanecendo longe da doença da adoração do dinheiro, eles seguem os princípios da religião, e veem a religiosidade não como dogma, mas como prática do altruísmo.
 
A página dois apresenta “Arruda, ou Ruta Graveolens: a Ajuda Eficiente de uma Planta Guerreira na Busca da Sabedoria”.
 
A Compaixão de Jesus e o Compromisso de Kwan Yin” inicia na página cinco.  
 
Outros temas da edição:
 
* Os Patamares da Força Vital: Três Aspectos da Percepção.
 
* A Filosofia do Casamento Espiritual: a Magia do Amor de Longo Prazo.
 
* O Que Acontece de Bom Quando a Ilusão se Desfaz?
 
* Ideias ao Longo do Caminho: a Paz Que Cura o Medo Vem da Sabedoria.
 
* Socializando um Mapa Vivencial - 03: a Linhagem Intermitente.
 
Com 19 páginas, esta edição do Teosofista inclui a lista dos itens publicados pelos websites associados nas semanas anteriores.
 
 
 
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A edição acima foi publicada dia 16 de setembro de 2022.  
 
A coleção completa de “O Teosofista” está disponível nos websites associados.
 
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31 de agosto de 2022

José Bonifácio, um Patriarca Polêmico

 Um Capítulo do Livro ‘Conversas na Biblioteca’

Carlos Cardoso Aveline
 

 

José Bonifácio de Andrada e Silva, nascido em São Paulo em 1763, foi muito mais que o patriarca da independência do Brasil. Escritor, espiritualista de destaque, cientista conhecido mundialmente, líder político, ele ajudou a formar a alma do povo brasileiro durante o período tempestuoso que vai desde 1820 até 1838, quando morreu. 

A independência do país, proclamada em 1822, foi liderada por Bonifácio e preparada, essencialmente, pelo movimento maçônico. Tanto José Bonifácio como Dom Pedro I eram maçons, e nisso acompanhavam grande parte da vanguarda intelectual daquele momento. Entre os “pedreiros livres”, os ideais generosos e humanitários andavam lado a lado com duras polêmicas, discordâncias e divisões.
 
Por ser monarquista, José Bonifácio era rival da principal organização maçônica da época, majoritariamente republicana e liderada por Joaquim Gonçalves Ledo. Por esse motivo, em alguns setores maçônicos, Bonifácio é considerado até hoje “o falso patriarca” da independência. Mais recentemente, historiadores maçônicos importantes, como José Castellani, fazem justiça a esse líder e pensador polêmico que abriu espaço para o surgimento de um grande país. [1]
 
Graças a Bonifácio, a adoção da monarquia consolidou as instituições nacionais e impediu a fragmentação política do Brasil em países menores.  Mas Bonifácio tinha limitações. Embora fosse um grande estadista, o patriarca agia diante da realidade mundana com a impaciência e a inflexibilidade  típicas de uma personalidade voluntariosa, acostumada a uma vida retirada.  Sentindo-se incompreendido, ele explicou para si mesmo as perseguições que sofria, ao registrar em suas anotações pessoais:
 
“O homem superior à corrupção sempre desperta ódio no homem corrompido, e quem defende princípios justos e liberais, em filosofia ou em administração, se torna objeto de inquietação para as almas estreitas e sem energia.” [2]
 
José Bonifácio cometeu numerosos erros no período conturbado que vai de 1821 a 1838. Mas foi ele, sem dúvida, que formulou o primeiro projeto histórico coerente para o nosso país, um projeto que até hoje foi realizado apenas em parte. Ambientalista, Bonifácio escreveu longamente sobre a necessidade de preservar florestas e plantar árvores. Pensador social, defendeu os direitos dos índios e dos negros e propôs oficialmente, na época da independência, que a escravidão fosse abolida em um prazo máximo de cinco anos. A abolição só ocorreu em 1888. No plano econômico, José Bonifácio propunha uma reforma agrária que desse não só terra aos trabalhadores do campo, mas também apoio tecnológico para a sua produção. Não foi por acaso que José Bonifácio ficou pouco tempo no poder. O Brasil não estava pronto para sonhos tão ambiciosos. A seguir, um diálogo com os escritos desse pensador visionário.
 
1) Você vê o Brasil como um país destinado a viver conforme a lei da fraternidade universal e com plena liberdade religiosa?
 
Nós não reconhecemos diferenças nem distinções na família humana: serão tratados por nós como  brasileiros o chinês e o português, o egípcio e o haitiano, o adorador do Sol e o de Maomé.
 
2) Você foi um monarquista convicto e um administrador público que gostava de concentrar o poder em suas mãos.  Mesmo assim, parece ter uma visão radical da democracia. 
 
A maior parte dos países não deve o seu esplendor aos mais poderosos monarcas nem aos príncipes mais ricos, nem aos cidadãos governantes das nações.  A sua força e glória deve-se a simples cidadãos que fizeram admiráveis progressos nas artes, ciências, e ainda na arte de governar. Quem mediu a terra? Quem descobriu o sistema dos céus? Quem pôs em ação essas curiosas fábricas que vestem as nações? Quem investigou as profundezas da química, da anatomia, da botânica? Quem escreveu a história natural? Foram simples cidadãos. Aos olhos do sábio, eles devem eclipsar estes pretensiosos e grandes anões orgulhosos, que só se nutrem com a própria vaidade. 
 
3) Você tem uma visão ecológica das coisas, e sabe que desde a descoberta do Brasil até hoje o desmatamento tem sido uma prática constante.  Qual seu comentário a respeito? 
 
Destruir matos virgens, nos quais a natureza nos ofereceu com mão generosa as melhores e mais preciosas madeiras do mundo, além de muitos outros frutos dignos de estima especial, e isso sem motivo, como até agora se tem praticado no Brasil, é uma extravagância insuportável, um crime horrendo, e grande insulto feito à natureza.
 
Que defesa apresentaremos no tribunal da razão, quando os nossos netos nos acusarem de fatos tão graves? Nós mesmos já reclamamos com justificada razão dos crimes cometidos a esse respeito no passado. 
 
4) Você acredita em Deus?
 
A contemplação do universo e o amor pelo seu criador; essa é a minha religião.
 
O Deus do filósofo não é o Deus de convívio do povo comum, nem é o tirano asiático dos devotos azedos.
 
“Reflete, não creias sem buscar as causas, mede, compara e conclui” - esses são os princípios básicos de toda a filosofia. 
 
5) O desenvolvimento da vontade pessoal é importante  para o fortalecimento da  alma?
 
A vontade é a verdadeira força primordial do universo, que só pode morar nos grandes espíritos. Querer, querer outra vez, e querer sempre é o atributo das grandes almas e da verdadeira masculinidade. A razão deve ficar entre essa vontade e os apetites, e tudo que há de sublime neste mundo humano depende da sua afinidade, coordenação e subordinação recíprocas.  
 
6) Você é conhecido por questionar a religiosidade convencional. Também é considerado um pensador anticlerical.  A partir das suas observações na primeira metade do século 19, como vê o cristianismo brasileiro?  
 
O cristianismo é a religião do outro mundo. Os hipócritas e ambiciosos estão seguros com os devotos que se lhe devem sujeitar e obedecer. Igualmente seguros estão os usurpadores.
 
No uso das religiões, quanto mais se cuida do dogma, menos se cuida da moral; e quanto mais complicados e extensos os dogmas, menos pureza nos costumes; porque o conhecimento e a defesa dos mistérios deixa pouco tempo para cuidar da moral.  Quando as luzes começam a raiar em qualquer povo, então enfraquece a religião.
 
Os melhores cristãos tremem no momento de morrer; os filósofos deixam a vida tranquilamente.
 
O clero, quando não pode ser amo, é escravo dos reis.
 
A religião que convida à ociosidade e faz do celibato uma virtude é uma planta venenosa no Brasil. Além disso, o catolicismo convém mais a um governo despótico do que a um governo constitucional. 
 
7) Estudando sua vida, tem-se a impressão de que você nem sempre foi, digamos,  “politicamente correto”. Por que costumava ser tão franco, mesmo tendo tamanha responsabilidade política?
 
A liberdade é um bem que não se deve perder senão com o sangue. Não é senhor de si quem submeteu a outrem a sua língua. Um só homem que queira e saiba falar a tempo faz calar e tremer a muitos, e pode ser a defesa de um povo inteiro, que o silêncio colocaria a perder. A verdade, quando fica muda, introduz a tirania. 
 
8) Qual é, então, o segredo para vencer os desafios que o nosso país  enfrenta? 
 
No Brasil, a virtude, quando existe, é heroica, porque tem que lutar contra a opinião pública e o governo.
 
Age sobre a imaginação dos brasileiros - e os governarás para o bem.
 
NOTAS:
 
[1] Veja por exemplo o livro acusador “José Bonifácio, o Falso Patriarca”, de A. Tenório d’Albuquerque, Ed. Aurora, RJ, 183 pp., que circula especialmente em meios maçônicos.  Em defesa de José Bonifácio, destacam-se os bem documentados livros do historiador maçônico José Castellani. Entre eles, “José Bonifácio, um Líder Além do seu Tempo”, Ed. A Gazeta Maçônica, SP, 183 pp.
 
[2] “Obra Política de José Bonifácio”, coletânea organizada por Octaviano Nogueira, Senado Federal, Brasília, 1973, 339 pp., ver p. 118.
 
Nota Bibliográfica:
 
Fontes das respostas: 1)Projetos Para o Brasil, José Bonifácio de Andrada e Silva, obra organizada por Miriam Dolhnikoff, Cia. das Letras, SP, 1998, 371 pp., ver p. 176; 2)Projetos Para o Brasil, obra citada, mesma p. 176; 3)Obra Política de José Bonifácio, obra citada, p. 42; 4)Projetos Para o Brasil, obra citada, pp. 324 e 313; 5)Projetos Para o Brasil, obra citada, p. 305; 6)Projetos Para o Brasil, obra citada, pp. 324, 322 e 323; 7)Projetos Para o Brasil, obra citada, p. 255; 8)Projetos Para o Brasil, obra citada, p. 190.

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O texto  “José Bonifácio, um Patriarca Polêmico”  está disponível nos websites associados desde o dia 31 de agosto de 2022. O artigo faz parte da obra “Conversas na Biblioteca, um diálogo de 25 séculos”, de Carlos Cardoso Aveline, Editora Edifurb, Blumenau, Santa Catarina, Brasil, 2007, 170 pp., ver pp. 81-85.  
 
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Leia mais:
 
 
 
 
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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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25 de agosto de 2022

A Arte de Ser Amigo

As Coisas Mais Valiosas na Vida São
Aquelas que o Dinheiro Não Pode Comprar

Nunes dos Santos (Comp.)
  
Com frequência os animais ensinam pela força do exemplo a arte de ser amigo
 
 
 
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Cada um dos pensamentos a seguir merece
calma e cuidadosa reflexão. Foram selecionados
do livro “Elos de Amizade”, de Nunes dos Santos,
Colecção Retalhos, Edições Menabel, Porto, Portugal,
sexta edição, 1988, 46 páginas. O número da página
está indicado ao final de cada frase.
 
(CCA)
 
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“Não se pode ir longe na amizade
se não se está disposto a perdoar, uns
aos outros, os pequenos defeitos.”
 
- La Bruyère.
 
 
 
* A amizade é a maior e a mais nobre necessidade da natureza. (p. 11)
 
* Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós, e que embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado. - Goethe. (p. 11)
 
* A amizade dos outros conquista-se prodigalizando a nossa. (p. 12)
 
* A amizade não se explica, é flor tão rara que só a experiência sabe valorizar. (p. 16)
 
* Meu amigo não é aquele que pensa como eu, mas aquele que pensa comigo. (p. 16)
 
* Ser amigo de alguém não significa ter as mesmas ideias, mas poder respeitar e aceitar as ideias diferentes do outro. (p. 17)
 
* Sem simpatia não espereis nunca grande duração na amizade. (p. 18)
 
* Como melhoram as pessoas depois que começamos a gostar delas! (p. 18)
 
* Tirar a amizade da vida é tirar o Sol do mundo. - Cícero. (p. 18)
 
* Prefiro acreditar, sempre, no melhor das pessoas. É uma atitude que evita muitos problemas. - Kipling. (p. 18)
 
* A felicidade é uma condição do espírito e não resultado de circunstâncias. - Charles Morgan. (p. 19)
 
* A felicidade quase sempre se encontra perto; nós é que, na ânsia de a encontrarmos, nem a conseguimos ver. - Bulwer. (p. 19)
 
* As únicas coisas que valem na vida são aquelas que o dinheiro não pode comprar. - Gonzaga Araújo. (p. 19)
 
* A felicidade para nós começa quando moderamos as nossas pretensões. - Chamfort. (p. 21)
 
* Evita discutir com teus amigos por pequenas faltas. - Pitágoras. (p. 23)
 
* Um amigo é um irmão escolhido por nós. (p. 23)
 
* Amigos com quem se possa falar, há muitos; amigos com quem se possa calar, há poucos. (p. 24)
 
* A boa amizade é para o homem o que a água pura e límpida é para quem tem sede. – Labid. (p. 24)
 
* Devemos tratar os amigos como desejamos que eles nos tratem. - Aristóteles. (p. 24)
 
* Encontrarás amizade verdadeira, se fores capaz de oferecê-la a alguém... e construí-la juntos. (p. 25)
 
* A amizade é semelhante a um bom café; uma vez frio, não se aquece sem perder bastante do sabor primitivo. (p. 25)
 
* O melhor amigo do homem é uma boa esposa. (p. 26)
 
* As boas maneiras são cartas de recomendação para com o desconhecido e de amizade para com as pessoas do nosso conhecimento. (p. 26)
 
* Não se pode ir longe na amizade se não se está disposto a perdoar, uns aos outros, os pequenos defeitos. - La Bruyère. (p. 27)
 
* É necessário discernimento antes de começar uma amizade e confiança depois e a começar. (p. 27)
 
* Duas coisas esvaziam a alegria da amizade: o excesso de proximidade e o excesso de distância. (p. 28)
 
* O encanto da vida depende unicamente das boas amizades que cultivamos. (p. 29)
 
* Deus [1] conserta um coração partido se lhe entregarmos todos os pedaços. (p. 29)
 
* A função correta de um amigo consiste em apoiar-te quando erras. Infelizmente, a maior parte das pessoas só está do teu lado enquanto permaneces no caminho certo. - Mark Twain. (p. 30)
 
* Vivemos num mundo em que as pessoas se distanciam cada vez mais. Comigo isso só acontece fisicamente. Espiritualmente estou perto de todos os meus amigos que estão distantes. (p. 30)
 
* Se achas bom ser importante, um dia descobrirás que é mais importante ser bom. - R. Schneider. (p. 31)
 
* Não poderemos ser bons na maneira de ser, se não formos bons no coração. - Charles Dickens. (p. 31)
 
* A paz vem de dentro de ti próprio, não a procures à tua volta. - Buda. (p. 31)
 
* Sejamos bons primeiramente, depois seremos felizes. - Rousseau. (p. 31)
 
* A coisa mais bela consiste em ser útil ao próximo. - Sófocles. (p. 32)
 
* Sinto ainda espaços vazios em mim: pessoas que não apoiei suficientemente, palavras amáveis que não proferi, mãos que não apertei num gesto amigo. (p. 32)
 
* Há mil caminhos que conduzem à felicidade e à serenidade. Podemos percorrer o nosso quando procuramos compreender os que nos rodeiam. (p. 32)
 
* Na necessidade se prova a amizade. Vê-se na adversidade o que vale a amizade. (p. 35)
 
* A amizade representa um dos mais fundamentais valores da existência, capaz de tornar a vida infinitamente mais bela e mais fecunda. - Ignace Lepp. (p. 36)
 
* O que há de mais trágico na condição humana no limiar do século XXI é a ausência de diálogo e de comunicação espiritual. - Ignace Lepp. (p. 37)
 
* O hábito de refletir dá uma vida interior que anima e embeleza tudo o que vê. (p. 38)
 
* A alegria é uma coisa maravilhosa; quanto mais a comunicamos mais a temos. (p. 38)
 
* Felizes as almas que têm o dom de descobrir o lado luminoso de todas as coisas. - P. Faber. (p. 39)
 
* Do que eu mais preciso é de alguém para me fazer realizar o que está dentro das minhas possibilidades. (p. 40)
 
* Felicidade é termos confiança em nós próprios e sentirmos pelos outros o mesmo que sentimos por nós. (p. 41)
 
NOTA:
 
[1] “Deus”: nossa alma espiritual, a lei universal, ou nosso Mestre. (CCA)
 
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Nota de agosto de 2022:
 
Nos pensamentos acima, quando autores são citados, não há evidências de que as frases pertencem mesmo aos pensadores mencionados. O valor das ideias no entanto é inegável, independentemente do autor a que são atribuídas. Em alguns casos a autoria é evidente, como na frase de Pitágoras, que pertence aos Versos de Ouro. Embora não possam ser atribuídos pessoalmente a Pitágoras, os Versos de Ouro pertencem à mais autêntica tradição pitagórica. Cabe lembrar que segundo os pitagóricos existe uma amizade universal entre todos os seres, e com frequência os animais ensinam, pela força do exemplo, a simples arte de ser amigo. (Carlos Cardoso Aveline)  
 
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 O texto “A Arte de Ser Amigo” foi publicado nos websites associados no dia 25 de agosto de 2022.
 
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Leia mais:
 
 
 
 
* Criando Laços de Amizade, de Nunes dos Santos.
 
 
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22 de agosto de 2022

Teosofia, a Medicina da Alma

Galeno de Pérgamo, a Arte
de Curar e a Filosofia Esotérica

Carlos Cardoso Aveline

Acima, os dois lados de uma medalha portuguesa de bronze, dedicada a
Galeno de Pérgamo e pertencente à biblioteca da Loja Independente de Teosofistas.
 
 
 
Teosofia é aquele ramo da medicina
através do qual o indivíduo pode se libertar
dos seus erros de tempos imemoriais.
 
(Um Paramahansa dos Himalaias,
no texto “Sobre o Que é a Teosofia”)
 
 
 
O estudante de filosofia esotérica deve avaliar a relação entre teoria e prática na sua vida diária. Um olhar verdadeiramente honesto para esta questão ensina a ele mais de uma lição de modéstia.
 
Um Mestre de Sabedoria certa vez definiu a Teosofia como uma Medicina da Alma. A ignorância espiritual é uma doença, e sofrem dela aqueles cujas almas ainda são infantis. A sabedoria divina cura os seres humanos desde dentro para fora, porque abre a porta para a autorresponsabilidade.
 
Galeno de Pérgamo, o famoso médico que viveu em Roma no século dois da era cristã, fez uma advertência decisiva aos médicos do seu tempo. Mas o alerta é especialmente útil, também, para os teosofistas modernos:
 
“Aquilo que acontece com a maior parte dos atletas que pensam em vencer os Jogos Olímpicos, mas não fazem qualquer treinamento que os qualifique para a vitória, acontece também com a maior parte dos médicos. Eles elogiam Hipócrates, a quem consideram o melhor de todos os médicos; mas, no plano da ação, preferem fazer qualquer coisa exceto tratarem de ser como ele.”[1]
 
A ideia é socrática. Não é fácil obter uma relação correta entre teoria e prática. A humildade é fundamental para que alguém possa reconhecer com serenidade a distância entre os dois fatores. Uma vez que este passo é dado, o peregrino pode lenta e pacientemente trabalhar para reduzir a falta de congruência e de harmonia entre os seus ideais e a sua vida diária. 
 
A prática de tapah, austeridade, surge então como uma ferramenta valiosa na jornada de aprendizado. Um Mahatma escreveu para uma senhora que estudava teosofia e queria trabalhar para o bem da humanidade:
 
“Você está pronta para fazer sua parte no grande trabalho de filantropia? Você ofereceu-se para a Cruz Vermelha; mas, Filha, existem doenças e feridas da alma que não podem ser curadas pela arte de nenhum cirurgião. Irá auxiliar-nos a ensinar à humanidade que os doentes-da-alma devem curar-se a si próprios?”[2]
 
Outro mestre de Sabedoria define implicitamente o movimento teosófico como um esforço para curar, quando aborda o ato de acolher no movimento pessoas “difíceis”. O mestre começa dizendo:
 
“A Natureza uniu todas as partes do seu Império por meio de fios sutis de simpatia magnética, e há uma relação mútua até mesmo entre uma estrela e o homem; o pensamento corre mais rápido do que o fluido elétrico, e o seu pensamento irá encontrar-me caso seja projetado com um impulso puro”.
 
Algumas linhas mais adiante o mestre acrescenta:
 
“Compreenda isso e a admissão dentro da [associação teosófica] de pessoas que frequentemente lhe são desagradáveis não o surpreenderá mais. “Aqueles que estão sadios não necessitam de médico, mas sim os que estão doentes” - este é um axioma, seja quem for o autor da frase.” [3]
 
Verdadeiro seguidor de Hipócrates, Galeno de Pérgamo ensina que os médicos devem ir além de usar o nome do fundador da Medicina. O dogmatismo cego não ajuda. Os médicos devem desenvolver uma compreensão adequada da sua ciência sendo filósofos independentes e praticando “contemplação racional”.
 
O raciocínio é válido para os teosofistas modernos em sua relação com os mestres de Helena Blavatsky e com os ensinamentos deles, dados através de Blavatsky. Podemos aplicar ao movimento teosófico moderno as palavras de Galeno citadas acima, substituindo apenas a palavra “Hipócrates” pela palavra “Sábios”.
 
Galeno escreve:
 
“… Pareceu-me que eu deveria buscar a causa, fosse ela qual fosse, pela qual embora eles todos têm admiração por Hipócrates [ou pelos Sábios], eles não leem os escritos dele [ou deles]; ou pela qual, se um deles por acaso os ler, não entenderá o que foi dito; ou pela qual, se por acaso os entender ele não ligará a compreensão com a prática, de modo a estabelecer a prática e torná-la habitual, descobrindo assim, por decisão e capacidade próprias, todas as coisas que Hipócrates realizou e transmitiu [ou os Sábios realizaram e transmitiram] aos seres humanos.” [4]
 
Ao invés de apenas memorizar um ensinamento, os teosofistas devem curar a si próprios da doença da ignorância e ajudar outros a fazer o mesmo.
 
Eles terão êxito na tarefa através do poder curativo de três luzes orientadoras na busca do conhecimento divino: o altruísmo, a autorresponsabilidade, e um crescente discernimento.
 
NOTAS:
 
[1] Traduzido do primeiro parágrafo do ensaio “That The Best Physician Is Also a Philosopher” (‘O Melhor Médico é Também Filósofo’), de Galeno de Pérgamo.
 
[2] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, editadas por C. Jinarajadasa, Ed. Teosófica, Brasília, 1996, Carta 72, segunda série, página 248.
 
[3] “Cartas dos Mahatmas”, Ed. Teosófica, Brasília, 2001, dois volumes. Veja a Carta 47, volume I, p. 218. O axioma está presente em Mateus, 9:12, no Novo Testamento: “Não são os saudáveis que necessitam de um médico, mas os doentes”.
 
 
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O texto “Teosofia, a Medicina da Alma” foi publicado nos websites associados dia 22 de agosto de 2022. Trata-se de uma tradução, feita pelo autor, do artigo Theosophy or the Medicine of the Soul”.
 
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Leia mais:
 
 
 
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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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19 de agosto de 2022

O Teosofista - Agosto de 2022

 

 
 
 
É o artigo “Oração Teosófica: No Rumo do Mais Elevado” que abre a nossa edição de agosto.
 
E ele afirma:
 
Em teosofia, a oração formula um propósito e não um pedido. Trata-se de uma atividade criadora. O praticante da prece gera carma novo e saudável. A oração esotérica é uma forma de ioga. A sua eficiência está na razão direta de dois fatores: a sinceridade interior, e a perseverança com que é feita.”
 
A prece teosófica é o grande tema do mês. A sua prática surge como resposta à situação do mundo.
 
Na página dois temos “Pequena Reflexão Sobre a Base da Felicidade”. A página três apresenta “A Ioga da Prece: uma Alquimia Interior”.
 
A “Oração Pelos Meus Colegas de Caminhada” começa no alto da página quatro.  
 
Outros temas da edição:
 
* A Dificuldade de Compreender o Óbvio: o Supremo Mistério Presente Naquilo Que é Sabido Por Todos.
 
* Senso Moral: o Decente e o Admirável.
 
* O Maha-Chohan, o Mestre dos Mestres, Fala Sobre o Cristianismo.
 
* Socializando um Mapa Vivencial - 02. Relato de uma Busca da Verdade: Viagem pelo Acervo dos Websites Associados.
 
* A Fonte e os Alicerces da Vitória: Algo a Que Nem Todo Mundo Presta Atenção.
 
* 1822-2022: Uma Novena Teosófica Pelo Brasil.
 
* Ideias ao Longo do Caminho: Estudando a Conexão Entre o Mundo Celeste e o Mundo Terrestre.
 
* E há mais.
 
Com 18 páginas, esta edição do Teosofista inclui a lista dos itens publicados pelos websites associados nas semanas anteriores.     
 

 
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A edição acima foi publicada dia 19 de agosto de 2022.  
 
A coleção completa de “O Teosofista” está disponível nos websites associados.
 
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