24 de abril de 2019

Ideias ao Longo do Caminho - 21

Quando a Mente se Eleva,
a Alma Alcança o Equilíbrio

Carlos Cardoso Aveline


                                                                                                                                 

* É errado pensar que “tudo é impermanente”. A mudança exterior, por exemplo, é eterna. As leis fundamentais da Natureza são permanentes. A sucessão de ciclos é estavelmente real, assim como o Oceano do Universo.

* A filosofia esotérica afirma que é preciso levar em conta a constante mudança das marés nos diversos níveis do mar da existência. A autodisciplina deve ser principalmente interna e independente das mutáveis circunstâncias externas. Deste modo ela permanece transcendente, flexível, e não pode ser facilmente quebrada. A boa autodisciplina é rígida nos fatores essenciais, e adaptável nos fatores secundários.

* Com frequência ocorre que indivíduos aparentemente espertos enganam a si próprios ao pensar que podem obter vantagens pessoais duradouras através de várias formas de falsidade. A ilusão ocorre porque, sendo eticamente insensíveis e espiritualmente cegos, eles ignoram a lei do carma. Como resultado disso, só conseguem ver os fatos do curto prazo.

* Os resultados iniciais da desonestidade podem ser agradáveis. Quando o carma amadurece o suficiente, porém, os mentirosos compreendem finalmente que não há razão para eles comemorarem suas tentativas fraudulentas de serem “muito espertos”.

* Não há razão para pensar que uma criança não pode compreender os conceitos básicos de teosofia. A lei do carma e a ideia de reencarnação, por exemplo, podem ser compreendidas por pessoas de qualquer idade, assim como o princípio universal do respeito por todos. O velho deve estar tão disposto a aprender quanto uma criança, ou mais.

* A lei da simetria expressa a lei do carma. Devido à ação infalível desta lei, um passo adiante só pode ser dado quando o peregrino está disposto a aceitar o grau correspondente de sacrifício. Embora os sacrifícios sejam com frequência extremamente dolorosos, eles são apenas aspectos desagradáveis do desapego, que em si mesmo é uma fonte de contentamento e de destruição da ignorância. Menos é mais: a simplicidade voluntária abre o caminho para a bem-aventurança.

* Uma absoluta justiça é inevitável: a lei do carma não aceita suborno. Ela não faz favores em troca de orações, rituais ou arrependimento verbal. Nenhum salvador externo protegerá qualquer pessoa das consequências das suas ações. Cada um deve, portanto, examinar o seu próprio grau de lealdade à ética e ao que é verdadeiro. As ações eticamente corretas têm consequências, e os pensamentos generosos cedo ou tarde frutificam.

* O desperdício de energia cria mais fumaça do que fogo ou luz. Economizar as forças vitais é parte da sabedoria, porque a tarefa do peregrino não inclui intensificar os aspectos “febris” da peregrinação. Em cada ponto carmicamente crítico da jornada, eles irão intensificar-se por si mesmos.

* Uma visão de longo prazo e o compromisso incondicional com a meta tornam possível um nível crescente de eficiência energética. O esforço intenso é fundamental, mas ele deve ser feito na direção correta.

* Todos desejam ter uma vida cujos alicerces sejam firmes, e cujas raízes estejam em solo permanente. Poucos parecem compreender que tais raízes e alicerces só podem ser duráveis quando estão situados na consciência celestial do eu superior de cada um. A verdadeira Árvore da Vida tem como solo o céu infinito.

* Quando estamos na presença do que é divino, há uma paz interior, ainda que ao mesmo tempo a batalha seja intensa. Se o peregrino se sente emocionalmente desconfortável, deve resgatar a presença interna do sagrado. Uma vida correta é um processo probatório que ocorre enquanto o peregrino se mantém em harmonia com a sua consciência.

* O significado da expressão “a voz do silêncio” é simples. Quando há silêncio em algum plano de percepção, os sons mais sutis podem ser escutados. Quem pára de fazer barulho para si mesmo se torna capaz de ouvir o som dos reinos superiores.

* A roda da vida inclui círculos cármicos de pensamentos, emoções e ações. Ideias, sentimentos e gestos nobres estão perto do eixo da roda, a Mônada, o eu superior, Atma. A vida inferior gravita em torno da periferia da Roda, representada pelo mundo físico. À medida que a mente do peregrino se eleva, a geometria da sua alma passa por uma mudança fundamental: o foco da consciência se afasta dos níveis barulhentos da roda. Ele se aproxima do centro estável e sintoniza com o eixo da alma, que é feito de paz. Deste ponto o peregrino pode facilmente ver a unidade da vida inteira.

* A lei do Carma se expressa através da lei dos ciclos. Embora todas as ocasiões sejam boas para plantar sementes adequadas, a germinação delas e a colheita dos seus frutos terão de acontecer no tempo correto, e não quando se poderia desejar desde um ponto de vista pessoal.
As decisões quanto ao que plantar e como plantar devem levar em conta o momento cíclico em que o plantio ocorre; e também o solo ou situação cármica em que isso é feito. Quando chega o momento do trabalho de colheita, é preciso lembrar que a tarefa deve ser realizada com calma e cuidado, porque a colheita normalmente contém as sementes a serem usadas na próxima estação de plantio.

* Ao desenvolver um ponto de vista independente para olhar a realidade, podemos prestar verdadeira atenção aos objetos e acontecimentos.

* O apego fecha os olhos do indivíduo, impedindo-o de observar o fluxo livre da vida e reduzindo a sua capacidade de aprender.

* Devemos adquirir um sistema estável de referências para olhar para a vida. O marco referencial deve ser durável. No entanto, aquilo que vemos com ajuda da teosofia ética irá mudar o tempo todo, porque a vida tem o seu próprio dinamismo e não está programada para obedecer às expectativas de ninguém.

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O artigo acima foi publicado como texto independente em 24 de abril de 2019. Uma versão inicial e anônima dele está incluída na edição de maio de 2016 de “O Teosofista”, pp. 17-19.  

Embora o título “Ideias ao Longo do Caminho” corresponda ao título em língua inglesa “Thoughts Along the Road”, do mesmo autor, não há uma identidade exata entre os conteúdos das duas coletâneas de pensamentos.

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17 de abril de 2019

Ideias ao Longo do Caminho - 20

Quando Buscamos Algo
Valioso, a Perseverança é Natural

Carlos Cardoso Aveline



* Há quem se apegue à mera aparência de espiritualidade e a imite em suas práticas diárias. A vã esperança alimentada por alguns é de que a espiritualidade irá migrar desde os níveis superficiais de consciência para as camadas mais profundas do ser. Os resultados obtidos são tão superficiais quanto os esforços feitos.

* Ao invés de priorizar a aparência, a atitude correta coloca o foco na compreensão interior. As nossas visões mais profundas sobre a Vida devem ser ampliadas racionalmente. A combinação de um estudo ativo da literatura teosófica com a busca de percepções mais transcendentes deve estar associada à prática da ação correta. E é importante saber que a ação altruísta não se limita a sorrir para os pobres na rua. É algo probatório. Inclui desmascarar as estruturas da ignorância organizada: para que a vida cresça, é preciso quebrar a casca.

* Quando o objetivo é melhorar a vida, o esforço deve ser feito de dentro para fora.

* Na medida em que colocarmos em movimento as Causas do Autoaperfeiçoamento, o Tempo e o Carma estarão entre os nossos melhores amigos.

* A vigilância ajudará a não cair na armadilha das coisas pequenas e do tempo de curto prazo. Não há nada de errado com o curto prazo em si: devemos estar conscientes das diferentes escalas de tempo e não ficar limitados a nenhuma delas, mas viver principalmente nas que são mais amplas.

* Sábio não é quem finge saber tudo. Sábio é aquele que humildemente dá as boas-vindas a novas lições, que abre caminho para a renovação da vida, e cuja meta de longo prazo é melhorar a si mesmo.

* Para alguns peregrinos, decidir que querem ter amigos sábios pode ser o mesmo que escolher pela solidão, pelo menos a curto prazo. Através do poder de estar sozinho, o indivíduo cria o bom carma de seguir a sua consciência: a aparência de solidão será destruída a seu devido tempo através da lei natural da afinidade. A cooperação e a ajuda mútua são uma lei da evolução. Elas são onipresentes, mas só se tornam visíveis diante daquele que transcende o território da rejeição e do apego.

* Não há duas manhãs iguais. Cada primavera é diferente das outras. Quem está familiarizado com algum rio em especial sabe que ele muda todos os dias, na turbidez da água, nas características do vento, no comportamento dos pássaros e outros animais. Portanto, devemos prestar uma atenção ilimitada à vida, sem pensar que algo do mundo visível continuará igual. O universo inteiro está em movimento, e ele ilumina cada folha de grama.

* A característica básica da mente superficial é a inclinação para a novidade. Aquele que gosta de fatos superficiais verá como cansativa toda forma de persistência. Para uma mente mais profunda, no entanto, o tédio da busca de novidades é insuperável. Quando buscamos algo valioso, a perseverança é natural.

* O verdadeiro conhecimento da vida é inseparável de um impulso por melhorá-la.

* Toda filosofia real é um modo amável de olhar para o mundo, e inclui a tentativa de ajudar. Conhecimento autêntico é o conhecimento associado à boa vontade. Há milhares de anos, os grandes pensadores têm sido filantropos e amigos da humanidade que frequentemente fazem esforços extremos para ajudar projetos solidários.

* Os desinformados praticam com alegria ações erradas enquanto o carma não amadureceu. Mais tarde vivem uma infelicidade duradoura. Aqueles que possuem informações corretas sobre a vida se dedicam a combater a ignorância e a cegueira, e deixam a cargo da Lei do Carma apresentar os resultados visíveis disso.

* Todo estudante de tradições esotéricas pode plantar diariamente as sementes do bem-estar incondicional, dentro dos limites do seu livre arbítrio.

* Cada dia vem até nós com o seu próprio regime de ventos e marés. Precisamos estar conscientes do que nos rodeia, para dar ao dia uma forma desejável. A vontade de construir a vida do modo que consideramos correto deve estar combinada a uma capacidade de ser flexível em relação às circunstâncias. Ao longo do caminho para a sabedoria, o desapego e a renúncia são inseparáveis da posse de uma vontade purificada, firme como diamante.

* Alegria e tristeza são dois polos da vida emocional, e eles se alternam assim como a vitória e a derrota de nossos esforços. O contentamento transcende a polaridade inferior dos sentimentos, porque não depende de fatos externos. Sua fonte está em nossa consciência e na percepção realista de que fizemos, no rumo correto, o que estava ao nosso alcance fazer. O Devachan e o Nirvana não são preparados pela obtenção de vitórias pessoais. O caminho para eles é aberto enquanto fazemos o melhor que nos é possível - e ficamos contentes por isso.

* Se alguém elogia algo mas não defende a coisa elogiada quando a vê ser atacada injustamente, então não houve elogio: houve lisonja, que é uma forma de falsidade. Algumas pessoas insinceras desmascaram a si mesmas através da lisonja, o elogio impensado. 

* Quando alguém adota de fato uma filosofia, o processo vai além da superfície. Depois de algum tempo a pessoa passa a ser capaz de expressar o ensinamento e de argumentar a seu favor. Se um indivíduo parece adotar um ensinamento e não é capaz de argumentar a seu favor, talvez não haja uma opção real por ele. Uma aproximação oportunista em relação à filosofia esotérica, tentando tirar dela um proveito inferior, seria uma perda de tempo.

* O egoísmo impede que haja um benefício real na aproximação da filosofia teosófica. Só a generosidade abre as portas da percepção.

* Assim como os sapatos devem ser deixados à porta de certos templos, as preocupações pessoais precisam ser colocadas de lado para que nos aproximemos da sabedoria universal. Esse procedimento tem o dom de curar os problemas pessoais do peregrino.  

* Nada que se possa dizer a alguém tem a mesma força que uma percepção direta do indivíduo. E nenhuma percepção interna pode durar, a menos que seja validada na vida diária. A lei da analogia ajuda a testar possibilidades. A percepção verdadeira não fica congelada em um sistema de crenças, e só é verdadeira enquanto dinâmica. No entanto, os princípios universais e os métodos de trabalho devem ser estáveis. É preciso tomar decisões, e elas devem ser firmes, se queremos ir a algum lugar.

* É recomendável examinar as maneiras práticas como jogamos fora o tempo e a força vital disponíveis, dificultando a eficiência na busca da sabedoria. Todos podem reduzir o índice de desperdício de recursos valiosos.

* Embora a calma e a paciência sejam úteis, na ausência da vigilância elas levam à autoindulgência, que abre o caminho para a derrota.

* Uma visão de longo prazo da vida não nos autoriza a postergar coisa alguma, nem convida a esquecer que a porta para a eternidade está sempre localizada no momento de agora.

* Vale a pena manter a mente focada no silêncio que rodeia o som, e no espaço eternamente presente em torno dos objetos. Quando o barulho conclui o seu ciclo, o vazio interior liberta a consciência. No silêncio mental e emocional, a sabedoria emerge e uma cura misteriosa acontece. Nosso verdadeiro eu vive na ausência de sons, e no puro espaço.

* Para ver diretamente a essência dos fatos em seu contexto, cabe paralisar sentimentos e pensamentos de ordem pessoal. Interromper estas duas atividades, no entanto, não é um fato mecânico. Talvez possa ser melhor descrito como “transcender a sua dinâmica”. E isso só é possível quando adquirimos conhecimento suficiente dos variados pensamentos e sentimentos que há em torno dos fatos, e quando olhamos para eles com uma compreensão razoavelmente serena e equilibrada.

* O resgate coletivo da ética faz com que todos renasçam internamente num nível de consciência mais luminoso. À medida que se cura lentamente a alma de uma coletividade, cura-se no plano individual a alma de cada um dos seus membros.

* Sempre que uma Sociedade ou Civilização é incapaz de renovar-se desde dentro para fora, a Vida a renova de fora para dentro. Se um indivíduo ou grupo não procura pelas lições que deve aprender, as lições procurarão por ele, e o acharão.
                    
* O filósofo russo Ivan A. Il’in escreveu: “Não se deve pensar que o estado religioso da alma é a mesma coisa que o seu estado eclesiástico ou sua crença. Isso já fica claro pelo fato de que uma pessoa religiosa pode não fazer parte de qualquer tipo de crença, nem de qualquer igreja.[1] De fato, quando um indivíduo sabe que possui um templo sem muros situado em sua própria consciência superior, ele vai além das crenças baseadas em rotina ou na suposta autoridade sacerdotal.   

NOTA:

[1] Do livro “The Essence of Legal Consciousness”, de Ivan A. Il’in: Wildy, Simmonds & Hill Publishing, 2014, Reino Unido, 391 pp., ver p. 325.

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O artigo acima foi publicado como texto independente em 17 de abril de 2019. Uma versão inicial e anônima dele está incluída na edição de abril de 2016 de “O Teosofista”.

Embora o título “Ideias ao Longo do Caminho” corresponda ao título em língua inglesa “Thoughts Along the Road”, do mesmo autor, não há uma identidade exata entre os conteúdos das duas coletâneas de pensamentos.

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10 de abril de 2019

Ideias ao Longo do Caminho - 19

Quando a Renovação Substitui a Decadência

Carlos Cardoso Aveline




* O caminho místico é um só, internamente, e com razão a sabedoria oriental afirma: “Não há outro caminho a percorrer”. Externamente, no entanto, as estradas são tantas quantos os grãos de areia no fundo de um oceano.

* A cada passo adiante, um novo caminho se abre trazendo milhares de possibilidades que inspiram o peregrino e também testam perigosamente o seu discernimento.

* Cada vida humana expressa a dinâmica do nosso sistema solar. Há três linhas principais na evolução de um indivíduo: elas fluem em unidade com o Sol, a Lua e a Terra, e correspondem à alma espiritual, à alma animal e à corporalidade física. Nessa perspectiva, a anatomia da nossa alma é tríplice. Quando levamos em conta outros planetas, vemos que somos setenários, assim como os raios de luz vindos do Sol. Somos sete, somos três e somos um. Em cada caso, somos um espelho refletindo o sistema solar.

* Quando esquecemos os ruídos terrestres, descobrimos a música das esferas. Renunciando ao excesso de informações irrelevantes, percebemos o que é essencial na vida.

* Os princípios centrais da filosofia esotérica não negam as pequenas realidades da existência. O que é fundamental inclui e transcende o que é secundário. A visão ampla dá um significado maior aos esforços concretos e de curto prazo.

* Não há motivo para ficar desanimado ou para perder a confiança no futuro, se vemos níveis cada vez menores de ética e sinceridade na civilização atual. O tempo não é unilinear. Ele tem várias dimensões. As horas mais escuras da noite são com frequência as que vêm logo antes do amanhecer.

* Depois de uma longa madrugada, o novo dia emerge em poucos minutos. O fato de sermos vigilantes não acelera a alvorada, e não haveria necessidade disso. No entanto, os seres humanos atentos estão ativos logo no início da manhã, e podem ajudar outros a acordarem do pesadelo da ignorância.

* Perseverança e desapego são igualmente necessários. O indivíduo deve concentrar-se nos aspectos essenciais do seu dever. Cabe ser flexível diante do que tem menos importância.    

* Assim que alguém se torna rígido em relação a fatores externos da vida, rompe-se a conexão interna com aquilo que é decisivo. Quando preservamos o contato com a nossa própria natureza essencial, os fatores secundários tendem a cuidar de si mesmos.

* No século 19, um Mestre de Sabedoria disse em uma carta que sermões podem ser dados até mesmo através de pedras. A ideia significa que devemos aprender a aprender de todos e de tudo na vida.

* O desafio é ir além da aparência. A sabedoria pode brilhar melhor em alguém que não usa o rótulo de espiritual; e aqueles que se apresentam como “extremamente espiritualizados” estão com frequência pensando mais em si mesmos do que em alguma meta de fato nobre.

* A sabedoria não é algo que se compra ou se mostra, mas uma energia que transcende o mundo do eu inferior.

* Observe com cuidado a quantidade de prazer em sua vida. O prazer artificial ou exagerado amolece a vontade do indivíduo e faz com que a existência se torne pouco satisfatória. O apego ao prazer expande o desejo, que é o oposto da vontade. Portanto, é melhor não buscar por satisfação pessoal como fato isolado, mas sim pela paz de consciência.

* A serenidade resulta do cumprimento das nossas obrigações. A simplicidade voluntária liberta da mera busca de prazer, produzindo bem-aventurança interior.  

* Se você agir corretamente, a paz irá até você. Busque pelo prazer, e o sofrimento o encontrará.

* Quando o estudante de teosofia obtém uma compreensão razoavelmente profunda dos ensinamentos originais, ele alcança a felicidade esquecendo seu eu inferior enquanto contempla a verdade universal. Ele deixa de lado o mundo do egoísmo. É natural para ele agir com base em uma visão filosófica do mundo. Ele visa acima de tudo fazer o bem. É a partir deste momento que as suas ações e sua sinceridade passam a ser especialmente incômodas e irritantes para alguns dos que estão ao seu redor. Caberá examinar quem é quem.

* Nos seus versos de abertura, o Dhammapada afirma que o modo como pensamos define o nosso carma. O pensamento correto, portanto, é a fonte de bom carma ou felicidade. E não se trata de mero “pensamento positivo”. O pensamento eficaz é severo diante de toda forma de infantilidade e ilusão.

* Uma mente lúcida tem a coragem de enxergar os fatos e os fracassos como eles são, porque percebe a bem-aventurança adormecida na alma humana e trabalha para acordá-la através do amor pela verdade.

* É inevitável julgar situações e possibilidades. No entanto, não se pode fazer um bom julgamento com base em um pensamento distorcido. Uma visão clara deve ser impessoal. 

* Não importa se os fatos são agradáveis ou irritantes. Antes de examiná-los, as emoções devem ser acalmadas até que façam silêncio, ou deixadas de lado por um ato da vontade. Ser carregado por apegos e rejeições é uma forma de falsidade para consigo mesmo e resulta em frustração.

* O progresso espiritual se interrompe no momento em que começamos a pensar que “já sabemos tudo o que é importante”. A sabedoria não consiste exatamente em “ter” conhecimento. Consiste muito mais em “ser capaz de obter” conhecimento, e de fazê-lo com rapidez e exatidão.

* Os buscadores da verdade não devem pensar que à medida que progredirem no caminho será menos necessário enfrentar obstáculos surpreendentes e lições duras. Na realidade, quanto mais aprendemos, mais claramente vemos a nossa falta de sabedoria.    

* A teosofia estuda a lei dos ciclos. Segundo ela, o universo inteiro obedece à ondulação de marés, físicas e espirituais. Num indivíduo, assim como nos planetas e nas civilizações, a renovação periódica da vida começa cada vez que a tendência de redução das energias vitais chega ao seu final. É preciso estar atento para perceber quando o inverno abre espaço para a primavera e conhecer o momento em que a decadência dá lugar à renovação. 

* Um alívio gradual substitui os tempos difíceis, cada vez que se espalha uma pluralidade de sinais de esperança. A vida se expande outra vez. A meta deixa de ser “a resistência às adversidades”. A ideia não é mais “ganhar tempo”. O objetivo agora é construir o desejável. E mesmo assim não há pressa. A moderação aumenta a eficiência no uso das energias disponíveis. Quem é firme na dificuldade deve receber humildemente os tempos mais fáceis.

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O artigo acima foi publicado como texto independente em 10 de abril de 2019. Uma versão inicial e anônima dele está incluída na edição de março de 2016 de “O Teosofista”.

Embora o título “Ideias ao Longo do Caminho” corresponda ao título em língua inglesa “Thoughts Along the Road”, do mesmo autor, não há uma identidade exata entre os conteúdos das duas coletâneas de pensamentos.

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2 de abril de 2019

Superando a Negatividade Subconsciente

O Preço Que Se Paga Para Chegar
Ao Território da Bem-Aventurança

Carlos Cardoso Aveline




O autoboicote ou resistência à mudança ocorre através de um grande número de processos emocionais, capazes de constante autorrenovação. Numerosos estudantes de filosofia esotérica começam um projeto nobre e o abandonam depois de pouco tempo. Saltam então para algum outro bom projeto, até que ressurja o desânimo. 

O fracasso periódico através da desistência serve para preservar a ideia subconscientemente negativa que estes buscadores da verdade têm de si mesmos, como pessoas incapazes de pagar o preço da vitória espiritual.

Quando a autoimagem profunda de um indivíduo é contrária à substância de um progresso firme na direção da ética e da espiritualidade mais elevadas, a sensação involuntária de “eu” o levará para longe da meta escolhida. 

Enquanto o estudante de teosofia enxergar a si mesmo subconscientemente como um perdedor, como uma vítima e alguém que nada realiza de bom - ou como alguém que tem inteligência limitada e só pode seguir cegamente outras pessoas - estará condenado a destruir suas próprias vitórias antes que elas surjam.

As fontes da autoimagem emocional estão situadas na infância. Durante os primeiros anos da encarnação de um ser humano, as tendências centrais da vida prévia, combinadas com o carma coletivo do novo momento, são impressas no eu inferior. Na vida adulta o estudante de teosofia deve reconstruir o seu próprio destino e o seu caráter. Ele é convidado pela sabedoria eterna a renascer conscientemente na mesma encarnação.  Isso acontecerá no devido tempo, surgindo gradualmente como resultado dos esforços definidos por ele mesmo. E no entanto haverá uma luta intensa contra esta construção por parte do seu antigo “eu”.

Um sentimento cego e irracional de culpa, quase sempre subconsciente, é um fator chave que impede as pessoas de melhorarem a si mesmas.

O fracasso sistemático confirma a autoimagem negativa. O hábito do erro preserva o magnetismo da derrota na ideia que o peregrino tem de si mesmo. Assim se cumpre uma profecia destrutiva e se realiza a punição neurótica de um erro supostamente “primordial”.

O mundo psicológico de mais de um cidadão de boa vontade se baseia em parte no sentimento de que ele não tem muito valor como pessoa. Há uma sensação de que ele não pode fazer o mundo a seu redor melhorar, e é incapaz de ajudar a humanidade em seu progresso moral.

A impressão de não poder ajudar a humanidade parece ser o outro lado da moeda falsa segundo a qual o indivíduo não consegue mudar o seu próprio futuro para melhor.

É necessário curar e elevar a si mesmo para ajudar o mundo. Esquecer de si para trabalhar pelo bem de todos os seres é provavelmente o modo mais eficiente de ingressar no território sagrado da bem-aventurança. As profecias autocondenatórias, no entanto, devem ser identificadas e derrotadas para que isso ocorra. A tarefa exige uma vontade forte e tem como alicerce uma forma profunda de autoconhecimento, que permite o abandono do egocentrismo infantil.  

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Superando a Negatividade Subconsciente foi publicado em nossos websites associados dia 2 de abril de 2019. Seu equivalente em língua inglesa é Overcoming Subconscious Negativity”. 

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Em 14 de setembro de 2016, um grupo de estudantes decidiu criar a Loja Independente de Teosofistas. Duas das prioridades da LIT são tirar lições práticas do passado e construir um futuro saudável.  


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29 de março de 2019

O TEOSOFISTA, Abril de 2019




Nesta edição, o Teosofista discute a natureza do trabalho filosófico online. O texto de abertura, “Movimento Teosófico na Internet”, afirma:

“…As diferenças entre o trabalho presencial e o trabalho virtual são grandes, e praticamente não há textos sobre a ação teosófica online.

De fato, quase todos os estudos sobre a história do movimento estão presos à fase presencial da sua evolução.

Na sequência, Arnalene Passos do Carmo examina “A Ação da Loja Independente”. Na página oito, temos o artigo “O Trabalho Teosófico Online”, de Joana Maria Pinho.

Na página nove, o leitor encontra “LIT: Um Potencial Tremendo”, de Alex Rambla Beltrán, e “Internet, Fator de Unidade Humana”, de Emanuel Tadeu Machado. O artigo “O Mundo Online Como Ferramenta Multidimensional”, de Gilmar Gonzaga, começa à página dez.

Estes são outros temas abordados  na edição de abril:

* Paul Carton e as Origens da Boa Saúde;

* Ensinamentos de um Mahatma - 23, Uma Compilação das Cartas Do Mestre de Helena Blavatsky; e

* As Fontes da Lucidez Coletiva.

Estamos ampliando pouco a pouco nosso raio de ação: convidamos os leitores a acompanharem o trabalho teosófico no Twitter.

A edição de abril tem 19 páginas e divulga a lista dos itens publicados recentemente nos websites da Loja Independente.
  


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A coleção completa de “O Teosofista” está disponível em nossos websites.

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