22 de outubro de 2018

A Justiça Prática Para Todos

Mestres da Sabedoria Oriental Ensinam
um Direito Abstrato e uma Absoluta Justiça

Carlos Cardoso Aveline

O juiz Sérgio Moro, de Curitiba



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Uma versão inicial do texto a seguir
foi publicada de modo anônimo na edição de
outubro de 2018 de “O Teosofista”,  pp. 1-2.
Título Original: “Justiça Deve Valer Para Todos”.

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O Brasil vive uma primavera cultural em câmara lenta. Década após década, o país experimenta um vagaroso despertar do sentimento ético.  Porém primavera não é sinônimo de bom tempo, e há uma crise climática na sociedade brasileira.

As bases da corrupção são culturais e dificultam a mudança. Vive-se uma guerra híbrida, um conflito oculto intenso. Os problemas são com frequência mais visíveis que as soluções, porque o carma acumulado não pode ser mudado de um dia para outro.

A mudança gradual é segura. O aumento da criminalidade no mundo político acelera como reação natural o nascimento de uma ética mais profunda e verdadeira do que a velha “ética para inglês ver” de tempos anteriores.

O processo é desafiador. Implica derrotas. Ajudando a renovar o país, o juiz federal Sérgio Moro cumpriu tarefa histórica ao julgar e condenar líderes políticos corruptos, embora influentes. 

O cumprimento da lei gera conflitos, especialmente nos casos em que o réu se julga poderoso o suficiente para desafiar e atacar as autoridades. Diante do amanhecer difícil da boa vontade, que acontece a cada ressurgimento da ética, cabe examinar problemas complexos. As dificuldades servem de desculpas para mais de um místico e esoterista abandonarem o compromisso que deveriam ter com a honestidade.

Eis algumas destas questões:

* Será dever de um teosofista bondoso e bem informado defender os criminosos, sempre que eles forem - pelo menos na aparência - simpáticos ao povo?

* Será antifraterno, antiteosófico e até fascista exigir a punição daqueles que mentem e roubam dinheiro da população pagadora de impostos, desmoralizando a democracia e atacando as instituições? Seria piedoso e fraterno deixar que os jovens sejam suavemente educados para o crime e induzidos ao uso de drogas?

Para estas perguntas, a resposta negativa será acertada.  

O correto, para o teosofista sensato e que possui um caráter bem formado, é defender a ética: mesmo que isso pareça difícil.

O conluio com criminosos, ainda que eles tenham fama, dinheiro e poder mundano, é antiteosófico. É antiético. Uma mentira apoiada por milhões de pessoas ainda será uma mentira. As injustiças destroem a si próprias. Um dos mestres de sabedoria oriental que inspiram o movimento teosófico desde 1875 escreveu:

“Todo teosofista ocidental deveria saber e lembrar - especialmente aqueles que quiserem ser nossos seguidores - que em nossa Fraternidade todas as personalidades submergem em uma ideia - o direito abstrato e a justiça prática absoluta para todos. E que, embora nós não digamos, com os cristãos, ‘retribua com o bem a quem lhe faz o mal’, nós repetimos as palavras de Confúcio, ‘retribua com o bem a quem lhe faz o bem; a quem faz o mal - JUSTIÇA’.” [1]

A posição da teosofia é clara. Só os peregrinos espirituais mais desinformados em relação à lei do carma poderiam apoiar ou tolerar o crime pensando que isso expressa um sentimento de compaixão divina. A filosofia esotérica, quando ensinada por quem a conhece, é contrária à hipocrisia e ao roubo do dinheiro público - e também condena o uso de drogas e outras formas de indolência.

A fraternidade universal exige a prática da sinceridade. Ela ensina a moderação, a sobriedade, o respeito impessoal por todos e a mais elevada moral.

NOTA:

[1] “Cartas dos Mahatmas”, Ed. Teosófica, Brasília, volume II, Carta 120, página 260.

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O texto acima foi publicado dia 22 de outubro de 2018.  

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19 de outubro de 2018

O Exemplo de Sória Lima dos Santos

Os Teosofistas Alcançam às Vezes a
Plenitude da Amizade e do Respeito Mútuo

Ailton Santoro

Sória Lima dos Santos (1930-2018)



O que torna uma pessoa marcante na vida de alguém?

A resposta é a medida da influência positiva que ela exerce sobre o caráter do outro, de tal forma que possa mudar para melhor a sua ação no mundo.

Conheci Sória Lima dos Santos em 1988, quando visitei pela primeira vez a Loja Rio de Janeiro. No grande salão da antiga sede da Sociedade Teosófica no Rio de Janeiro, eu a ouvi discorrer sobre “O Culto da Árvore, da Serpente e do Crocodilo”, conforme abordado em “A Doutrina Secreta”. A voz pausada e firme daquela pequena mulher, com o sotaque nordestino já enfraquecido pelos anos vividos no Rio de Janeiro, levava até mim, pela primeira vez nesta encarnação, os ensinamentos de H.P. Blavatsky.

Levado pela timidez a me sentar em uma das últimas fileiras de poltronas do auditório, eu sabia que algo importante acabara de acontecer: tinha tomado contato com ideias que transmitiam uma filosofia profunda, essencial, embora tivesse entendido muito pouco do que fora dito. Eu tinha sido tocado pelo Eu Superior. Tinha então 26 anos. Naquele mesmo ano me tornei membro.

Havia na Loja, naquela época, um grupo de jovens, e sob a condução de Sória tornamo-nos todos grandes amigos. Esta era a sua diretriz de trabalho: a amizade no trabalho teosófico é fator fundamental, e deve ser estimulada sempre. Cada visitante da Loja, cada membro deve se transformar em um amigo. E os membros da Loja deveriam tratar-se como se fossem uma família, onde o respeito mútuo e a sinceridade prevaleceriam.

Rigorosa e detalhista, exigia o máximo de nós em cada trabalho a ser realizado, quer fosse uma ata de reuniões ou um evento de estudos. Embora de temperamento alegre e brincalhona, tudo se transformava se o assunto fosse a teosofia; nesses momentos, sua seriedade era total, e a dedicação, completa. Sua devoção a H.P.B. e aos Mahatmas era impressionante.

Dona de uma intuição e sensibilidade poderosas, sabia extrair dos textos os significados mais profundos. Estudiosa da tradição maçônica, orientou inúmeros aprendizes a penetrar o significado mais profundo da sua simbologia.

A mesa redonda com tampo de vidro de sua sala foi testemunha silenciosa de inúmeras tardes e noites de estudos, trocas e aprendizados que marcaram minha vida. Forjou-se ali a alma de mais de um estudante teosófico.

Juntos, fomos percebendo a inconsistência dos ensinamentos dos instrutores teosóficos da segunda geração, e, abandonando-os completamente, mergulhamos no estudo da teosofia autêntica de H.P.B. e dos Mahatmas. Foi nesta época e por sua iniciativa que a Loja Rio de Janeiro, utilizando o espaço da Loja Augusto Bracet, convidou o irmão Carlos Cardoso Aveline a expor o conteúdo dos dois volumes das Cartas dos Mahatmas para A.P. Sinnett em língua portuguesa, num encontro marcante em 2002.

Sória era uma pessoa especial, e corajosamente fez da teosofia a nota-chave de sua vida. Seu temperamento forte não era incompatível com a delicadeza e a dedicação ao próximo que encantavam quem a conhecesse. Ninguém que fosse à sua casa pela primeira vez saía de lá sem que recebesse um presente, por mais simples que fosse. Ninguém que demonstrasse alguma necessidade deixava de ser auxiliado, na medida de suas poucas posses. Seu ombro sempre estava disponível para acolher as lágrimas de tristeza de quem nele buscasse consolo, ou seu abraço para saudar e comemorar as alegrias.

Sória nasceu em Parnaíba, no Piauí, no dia 3 de fevereiro de 1930.

Completou sua encarnação em 2018. Abandonou o plano físico em 15 de setembro, e avançou em paz para os níveis superiores da vida.

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O artigo acima foi publicado em nossos websites associados em 19 de outubro de 2018. Ailton Santoro é membro da Sociedade Teosófica de Adyar no Brasil desde 1988 e atualmente preside a Loja Rio de Janeiro.

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18 de outubro de 2018

O Príncipe e o Filósofo

A Posição de um Sábio
Diante dos Problemas do Mundo

Malba Tahan

Um templo chinês



O príncipe Hi-Chang-Li era vaidoso e fútil. Um dia, ao regressar de um passeio em companhia de vários amigos, encontrou Confúcio. O venerável filósofo, sentado na laje de um poço, meditava tranquilo.

- Eis uma oportunidade feliz - declarou o príncipe. - Consultemos esse famoso pensador sobre as dúvidas que nos ocorreram durante a excursão.

Um dos mandarins aproximou-se de Confúcio e interrogou-o:

- Em que consiste, ó esclarecido filósofo!, a verdadeira Caridade?

- Em amar os homens! - foi a resposta.

- E a Ciência?

- Em conhecer os homens!

- E o Erro?

- Em confiar nos homens!

- E qual a arte mais difícil?

- Governar os homens!

Ao ouvir aquelas respostas, disse o príncipe, em voz baixa, ao mandarim:

- Noto que o velho retórico insiste em formular as respostas da mesma forma, relacionando-as, invariavelmente, com os homens. Irrita-me essa preocupação maníaca. Pretende, com certeza, divertir-se à vossa custa. É preciso interrogá-lo de modo que ele se veja obrigado a modificar o estribilho.

- Nada mais simples - rosnou, entre dentes, o mandarim.

- Podes dizer-me, ó eloquente filósofo!, quantas estrelas há no céu?

Respondeu o Mestre:

- São tantas quantos os pecados, erros, defeitos e impertinências dos homens!

E, depois de proferir tais palavras, levantou-se vagaroso e afastou-se dos indesejáveis arguidores.

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Malba Tahan” é o nome literário do professor Júlio César de Mello e Souza (1895-1974).

O conto “O Príncipe e o Filósofo” foi publicado em nossos websites associados dia 18 de outubro de 2018. A narrativa é reproduzida do livro “Maktub!”, de Malba Tahan, 11ª Edição, 1964, Ed. Conquista, Rio de Janeiro, 220 pp., ver pp. 199-200. A ortografia foi atualizada.

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16 de outubro de 2018

Elogio ao Silêncio

Uma Lição da Sabedoria Judaica

Malba Tahan

Um rolo de pergaminho da Torá hebraica



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Nota de Malba Tahan:

Aqui reunimos as sentenças e conceitos
mais interessantes sobre o silêncio ditados
pelos rabis e pelos doutores israelitas. Alguns
desses ensinamentos são do Talmude.

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O silêncio é preferível à loquacidade; morre do mal do silêncio, mas evita o perigo da loquacidade. Saber calar é virtude cem vezes mais rara do que saber falar.

Rabi Azai, o sábio, viajava pelo Irã em companhia de vários discípulos. Em certo momento, um mercador persa, que vinha na caravana, tomado de cólera por um motivo fútil, entrou a vociferar contra os israelitas. Um dos discípulos disse ao mestre:

“Vamos ó rabi!, responde com energia a esse homem. Insulta-o por nós. Ele fala em Valaat e tu conheces muito bem esse dialeto!”

Retorquiu o douto Azai:

“Sim, meu filho, aprendi a falar o deri, o galani e o Valaat, mas aprendi também a ficar calado em Valaat, em deri e em galani. É o que vou fazer. Guardar silêncio nesses três dialetos persas.”

E acrescentou imperturbável, anediando as longas barbas brancas que lhe caíam sobre o peito:

“Seria insensatez trocar injúrias com um exaltado, que deblatera como um louco e que nem sabe o que está dizendo.”

Pelo silêncio podes ter um desgosto, mas a loquacidade semeará a estrada de tua vida de mil e um arrependimentos. Uma palavra irrefletida é, amiúde, mais perigosa do que um passo em falso.

Guarda a tua língua, como guarda o avarento a sua riqueza. A natureza, que nos deu um só órgão para falar, forneceu-nos dois para ouvirem. A inferência é óbvia. Forçoso é concluir que havemos de ouvir duas vezes e falar uma só.

Conta-se que um árabe ingressou numa comitiva onde todos eram barulhentos e discutidores e guardou longo silêncio. Um dos companheiros segredou-lhe:

“Consideram-te como um dos mais nobres da tua tribo. Sei agora o motivo. És silencioso e discreto.”

Replicou o islamita:

“Meu irmão, o nosso quinhão de ouvidos pertence-nos; as palavras afoitas e levianas que proferimos pertencem aos outros.”

A palavra que ficou pendente, pelo silêncio, em nossos lábios, é vassalo pronto a servir-nos; a que proferimos leviana e inoportunamente é algoz atento em escravizar-nos.

O sábio e judicioso Simeão, filho do Rabi Gamaliel, doutrinava:

“Passei a vida entre sábios e nada achei melhor do que o silêncio. O essencial não é estudar, é fazer. E quem fala demais abre, em sua vida, portas e janelas para o pecado.” (Aboth, I, 17)

Ainda no Talmude podemos sublinhar esta sentença:

“Quando falares, fala pouco, pois quanto menor for o número de palavras tanto menos errarás.”

E no Livro de Israel destaca-se, também, este aviso ditado pela Prudência:

“Quando falares de noite abaixa a voz; e quando falares de dia, olha primeiro à roda de ti.”

Se a palavra vale uma “sela”, o silêncio valerá duas. [1]

As moedas mais ambicionadas são, precisamente, as que encerram, em pequeno volume e diminuto peso, grande valor. Assim, a força e a beleza de um discurso consiste no exprimirmos, em poucas palavras, verdade profunda e conceitos magistrados.

O “Tzartkover” (morto em 1903) deixou de pregar na Sinagoga durante longo período. Interrogado sobre essa atitude respondeu: “Há setenta maneiras de rezar a Torá: uma delas é o silêncio!”

NOTA:

[1] Sela é o nome de antiga moeda da Palestina. O provérbio “Se a palavra vale uma sela, o silêncio vale duas” aparece em Magilla, 19ª. (Malba Tahan)

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O texto acima é reproduzido da obra “Lendas do Bom Rabi”, de Malba Tahan, Ed. Saraiva, São Paulo, dezembro de 1951, pp. 21-22.

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O artigo “Elogio ao Silêncio” foi publicado em nossos websites associados dia 16 de outubro de 2018. “Malba Tahan” é o nome literário do professor Júlio César de Mello e Souza (1895-1974).

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10 de outubro de 2018

O Teosofista - Outubro de 2018





O “Teosofista” de outubro abre com o artigo “Mestres Orientais Esclarecem: Justiça Deve Valer Para Todos”. O texto examina entre outras as seguintes questões:

* Será dever de um teosofista bondoso e bem informado defender os criminosos, sempre que eles forem - pelo menos na aparência - simpáticos ao povo?

* Será antifraterno, antiteosófico e até fascista exigir a punição daqueles que mentem e roubam dinheiro da população pagadora de impostos, desmoralizando a democracia e atacando as instituições? Seria piedoso e fraterno deixar que os jovens sejam suavemente educados para o crime e induzidos ao uso de drogas?

À página três, lemos “Ação Construtiva: Aceitar o Mundo que Nos Rodeia”. À página quatro, “Atenção, Carma e Dever”.

Entre os outros temas da edição estão:

* A Alquimia da Criatividade;

* Ideias ao Longo do Caminho - O Que Alguém Pensa do País em que Nasceu Está Ligado à Imagem que Tem de Si Mesmo;

* Ensinamentos de um Mahatma - 17, Uma Compilação das Cartas Do Mestre de Helena Blavatsky; e

* Os Capítulos Vinte e Seis a Trinta e Cinco do “Tao Teh Ching”.

A edição possui 17 páginas e inclui a lista dos itens publicados recentemente em nossas bibliotecas online.



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A coleção completa de “O Teosofista” está disponível em nossos websites associados.

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