18 de fevereiro de 2021

A Lição do Sol em Aquário

O Peregrino Sensato Busca a
Aprovação da Sua Própria Consciência

Carlos Cardoso Aveline

 
 
 
Aquário, o décimo-primeiro signo do zodíaco, começa em torno de 22 de janeiro e vive o ponto alto do individualismo inovador. A independência pessoal é uma prioridade.
 
Pode haver inclusive uma vontade interior exagerada de ser ou parecer original. Ao mesmo tempo o aquariano é altruísta - à sua própria maneira - e prioriza a vida em grupo.
 
Aquário é, de certo modo, o signo da fraternidade planetária, no plano da mente. Não se sente à vontade com emoções intensas. Aquário pertence ao elemento ar e para ele é inevitável manter uma certa distância. Tende a viver uma amizade serena com todos. Expressa uma boa vontade sutil, que preserva e até celebra a diversidade e o espaço próprio de cada um.
 
Não é por casualidade que a casa onze dos mapas astrais - associada a Aquário - é a casa dos amigos, da  ação em grupo e da ajuda mútua.  Seu planeta  regente é  Urano,  o corregente, Saturno.[1]
 
Aparentemente flexível, Aquário possui forte persistência. Porém, é com frequência imprevisível. Sendo um signo fixo, ele tem suficiente firmeza interior para mostrar uma certa afinidade com os teimosos. Mas não é agressivo com sua visão das coisas, porque prefere evitar apegos. É racional. Ocasionalmente muda seus pontos de vista. Por outro lado, é melhor não esperar uma devoção profunda da sua parte. Mesmo quando se mostra devotado, sua dedicação pessoal a algo é mais devida ao raciocínio lógico do que ao calor incondicional do sentimento de amor pelo que é sagrado.
 
Este território do zodíaco é demasiado mental para ser levado por emoções. Naturalmente, cada ser humano tem Aquário em algum setor do seu mapa natal astrológico. Todos somos um pouco aquarianos cada vez que o Sol está neste signo, entre janeiro e fevereiro, ou quando a Lua passa por ele uma vez por mês. Todos temos cada um dos signos em nossa alma. 
 
Aquário é um visionário, frequentemente voltado para um ideal futurista. Para ele é importante desempenhar o papel do inovador e do “diferente” nos grupos sociais a que pertence. Na primeira metade do século 21, vive-se um certo alvorecer da Era de Aquário. Nestas condições, numa sociedade materialista, quase todos querem ser diferentes uns dos outros. Isso transforma a busca exagerada de “originalidade pessoal” em algo previsível, uniforme, um processo infeliz de imitação mal disfarçada e mero modismo. Quando todos tratam de parecer originais, ninguém é original.
 
Mais importante do que romper a rotina externa é ser autêntico. A energia aquariana merece que a capacidade de inovar seja buscada pelo contato com a alma espiritual, e não pela vontade infantil de ser superficialmente “diferente dos outros”. Buscar a verdade é melhor do que apenas tratar de “saber novidades”.
 
Quando a alma do indivíduo é experiente, o aparente individualismo de Aquário é vivido de modo sincero e fraterno, como tudo o que vem dos níveis superiores de consciência. A inovação então é profunda e ligada ao espírito e à essência das coisas. Já a alma infantil cria um eu social extravagante, porque seu objetivo é chamar atenção dos outros. 
 
No padrão aquariano superior, a alma do peregrino prepara o salto oceânico do espírito em Peixes, o signo seguinte, o último do zodíaco, em que ocorrem o autoesquecimento e uma certa plenitude da alma. Aquário trata de viver antecipadamente esta união com o Todo - num plano mental.
 
No padrão infantil da consciência, no entanto, a alma aquariana constrói um faz-de-conta para obter aplauso e atrair atenção no curto prazo. Então o raciocínio é demasiado frio e, ao invés de ser aliado das emoções, teme intensamente o sentimento sincero; ou, às vezes, tem um secreto desprezo por ele.
 
Quando atua num plano elevado, Aquário dá importância à vida social como um meio de ser útil a todos, porque sabe que aquilo que se planta, se colhe. O aquariano de alma imatura, porém, vê a vida social como um campeonato em que se disputa a posição de artista mais aplaudido, e leva muito a sério a construção do seu “papel de inovador”. No fundo está usando o aplauso dos outros como substituto da aprovação da sua própria consciência, da qual ele não está seguro. Este mecanismo psicológico também está presente em outros signos.
 
O aquariano sensato não busca o aplauso do público externo, mas quer obter a aprovação da sua própria consciência. Ele sabe que a inteligência espiritual em si próprio é um raio de luz das inteligências divinas do universo. Para viver a luz da razão pura, ele se desvincula das rotinas cegas e do automatismo das crenças coletivas.
 
Benéfico por natureza, o signo de Aquário combina compreensão e intuição para formar a décima-primeira casa da jornada anual do Sol. A Era de Aquário que agora começa é a era da descoberta da luz eterna e da vida infinita, das quais cada ser humano constitui um centro.
 
NOTA:
 
 
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Leia mais:
 

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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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17 de fevereiro de 2021

José de Alencar, os Jesuítas e as Ilusões

Abrindo Espaço Para
o Crescimento do Espírito
 
 Carlos Cardoso Aveline
  
José de Alencar e a página de abertura
da edição original de 1875 de “O Jesuíta
 
 
 
Plena de paradoxos e contradições como toda obra que nasce no território do verdadeiro gênio criador, a peça “O Jesuíta”, de José de Alencar, é uma reflexão sobre a luta que se trava na alma entre duas coisas sagradas.
 
De um lado, está o afeto humano nas relações mais íntimas; de outro lado, o amor a um ideal social e coletivo, ou espiritual.
 
Surgindo com audácia na contramão da onda de futilidades teatrais da sua época, a obra dramática de Alencar foi um absoluto fracasso de público e de crítica, e no entanto é uma obra-prima digna de Shakespeare.
 
“O Jesuíta” levanta questões difíceis, que são hoje mais atuais do que nunca.
 
Entre elas:
 
* Até que ponto alguns dos mais belos ideais sociais e espirituais têm inspirado há séculos ações concretas que os negam e os derrotam? São exemplo disso a prática do rancor como arma política; a mentira propagandística; a manobra política mais astuta do que sincera; e a substituição do pensamento independente pela mera repetição de dogmas baseados em crença cega, ou de slogans e frases-feitas usadas com o objetivo de vencer algum adversário.
 
* Como se pode preservar a beleza inspiradora dos ideais sociais, e espirituais,  impedindo que ela seja destruída pelos desastres éticos que têm provocado, quando se transformam em burocracias políticas ou religiosas, e mesmo esotéricas?
 
* De que modo se pode libertar o idealismo humano do fanatismo, da hipocrisia, dos derramamentos de sangue, das guerras, das violências e da opressão, que são com frequência promovidos em nome das metas mais generosas e altruístas, se não divinas e transcendentais?
 
Por exemplo:
 
* Além de sangrenta, a revolução russa gerou o longo pesadelo stalinista, cuja “polícia política do pensamento” matou milhões de pessoas e iludiu outras tantas ao redor do mundo. O socialismo chinês está longe de ser um modelo de perfeição. As limitações das democracias capitalistas são inegáveis, para dizer o mínimo.  
 
* A intolerância religiosa, a corrupção do clero - não só católico, e não só cristão - e as guerras feitas em nome de Deus são fatos históricos que dispensam comentários.
 
As questões colocadas acima podem ser incômodas para todos, mas são inevitáveis para quem deseja lidar com os fatos, e não com fantasias; e para quem pretende abandonar fraudes e construir um futuro saudável.
 
De nada vale substituir o pensamento próprio por frases feitas e palavras-de-ordem.
 
É um erro confundir “propaganda” com “conscientização”. A propaganda pode ser comprada para influenciar cegamente uma comunidade nesta ou naquela direção. Mas ter consciência implica pensar por si mesmo, com autonomia individual.
 
José de Alencar era contrário à política dos slogans. Ele sabia que um país não pode ser mudado para melhor apenas com campanhas de propaganda e uma dúzia de frases feitas, repetidas por multidões ingênuas, a quem se ensina que não é preciso pensar.
 
A peça “O Jesuíta” - ainda hoje amplamente esquecida - mostra que ter um ideal elevado é importante, mas não é suficiente. Tanto a mudança social externa como o progresso de uma associação de buscadores da sabedoria divina dependem da mudança interna da alma de cada um. O método jesuítico - que não é apenas dos jesuítas - leva ao fracasso.
 
Não pode haver progresso coletivo - ou espiritual - na ausência de um progresso nas relações familiares e íntimas, ou de um progresso sustentável na relação de cada indivíduo com sua própria alma. As três coisas são inseparáveis: o social, o espiritual e o emocional caminham juntos tanto no erro como no acerto, e vale a pena tomar as medidas necessárias para acertar.
 
“O Jesuíta” discute de forma concisa o fator sublime na relação do homem com a mulher; e mostra que, ao sublimar em parte o aspecto material do afeto, o homem abre espaço para o amor da alma espiritual.
 
A obra tem forte valor psicanalítico. Descreve o conflito entre o pai e o filho envolvendo a mulher amada; e destaca o amor espiritual do pai pela sua filha, quando a filha é imagem viva, mas ideal, da mulher amada que já não vive.
 
No mundo do pensamento brasileiro, José de Alencar ergue-se muito acima da superficialidade de um Machado de Assis. Alencar abre espaço para a percepção da jornada épica da alma. Em suas obras o homem e a mulher são heróis. Ser um humano é transitar respeitosamente entre a vida, a morte e o renascimento, enquanto se avança sempre - enfrentando perigos e cometendo erros - na busca de uma vida melhor e mais sábia.
 
Em qualquer país ou tempo em que viva quem lê Alencar, o escritor cearense constrói uma atmosfera favorável ao fortalecimento do indivíduo como um ser que escuta a sua própria alma espiritual, e que também a segue, trilhando o caminho do aperfeiçoamento moral, que leva à sabedoria.  
 
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Clique para ver o livro “O Jesuíta”, de José de Alencar,  nos websites associados.
 
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O texto acima foi publicado nos websites associados no dia 17 de fevereiro de 2021.
 
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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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O Jesuíta

 A Edição Original de 1875 do
Drama Histórico em Quatro Atos

José de Alencar
 
 
Página de abertura de “O Jesuíta”, edição de 1875, e a
estátua de José de Alencar na cidade do Rio de Janeiro



Nota Editorial de 2021
 
Reproduzimos a seguir a edição de 1875 da peça de teatro em quatro atos “O Jesuíta”, de José de Alencar (1829-1877).
 
O PDF é da Biblioteca Digital do Senado Federal do Brasil.
 
A ação da peça passa-se no Rio de Janeiro em 1759.  O completo e surpreendente fracasso de público na estreia desta obra extraordinária em 1875 foi um forte golpe pessoal para Alencar, que já era o principal escritor do país e estava acostumado ao sucesso. O fato seguramente reduziu a vitalidade de José de Alencar quando o “patrono da literatura brasileira” já estava gravemente doente. O desprezo ou boicote à peça, no entanto, constitui a ponta do iceberg do mistério que cerca “O Jesuíta”.  
 
É verdade que, segundo estudiosos do teatro, a estrutura da peça apresenta falhas técnicas no uso do tempo dramático.[1] Permanece o fato de que, como narrativa, o drama é fascinante. José Veríssimo, o grande historiador da literatura brasileira, escreveu:
 
“Na obra dramática de Alencar [‘O Jesuíta’] não é a melhor, mas é porventura a mais forte, a mais trabalhada, aquela em que o autor deu mais de si, em que é mais evidente o seu esforço de fazer uma grande obra de teatro. O que vale como tal, confesso, não sei dizer. A minha impressão, porém, é de que lhe faltam qualidades teatrais e que somente atores de grandes capacidades lhe poderiam dar o relevo, a vida, o movimento que as condições especiais do teatro exigem. (…) Sua força, que a tem, é, por assim dizer, toda literária”. [2]
 
Em outras palavras, para José Veríssimo o texto é valioso sobretudo quando lido. Para o teatro, exige atores de grande talento. Um ator mediano não poderá expressar a força da narrativa.
 
E parece haver outros motivos para que uma obra polêmica do maior escritor do país tenha sido tão esmagadoramente rejeitada.  
 
* Ao final da peça, a partir da página 187, o leitor encontrará um ensaio de Luiz Leitão discutindo o valor da obra.
 
* Na página 203 começa a reflexão do próprio José de Alencar a respeito do misterioso fracasso de público. O contexto maior é a desnecessária decadência do diálogo que o Brasil mantém sobre si mesmo. Coisa de que, aliás, na primeira metade do século 21, o país ainda não se libertou.
 
E uma das chaves perdidas para a liberdade - nos planos individual, familiar e social - pode estar precisamente na obra shakespeareana “O Jesuíta”, que desafia o tempo e propõe uma abertura de portas para o futuro.
 
(Carlos Cardoso Aveline)
 
NOTAS:
 
[1] “José de Alencar - Teatro Completo”, edição em dois volumes, Ministério da Educação e Cultura, 1977, ver volume 1, 278 pp., p. 26; e todo o ensaio “O Jesuíta de Alencar: Projeto e Execução”, de Marlene de Castro Correia, pp. 25 a 33.
 
[2] Palavras de José Veríssimo citadas no livro “José de Alencar e sua Época”, de R. Magalhães Júnior, LISA - Livros Irradiantes S.A., São Paulo, Brasil, 1971, 358 pp., ver p. 324
 
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O Jesuíta
 
José de Alencar
 
Acto Primeiro
 
Um pequeno campo coberto de arvoredo nas faldas do morro do Castello, e defronte do convento da Ajuda, ainda não acabado.
 
 
SCENA PRIMEIRA
 
 
CONDE DE BOBADELLA E MIGUEL CORREIA
 
CONDE.
 
- Então?
 
CORREIA.
 
- Sahio.
 
CONDE.
 
- Com quem fallastes?
 
 
 
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Sobre o significado e a importância de “O Jesuíta”, veja o artigo “José de Alencar, os Jesuítas e as Ilusões”.

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A publicação da peça “O Jesuíta” nos websites associados ocorreu no dia 17 de fevereiro de 2021. 
 
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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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5 de fevereiro de 2021

O Teosofista - Fevereiro de 2021

 

 
 
 
A edição de fevereiro de “O Teosofista” aborda estes temas:
 
* A Vida no Ano de 2024: um breve relato de James Rickards (p.1)
 
* O Templo Mais Importante Está na Alma de Cada Um (p.3)
 
* Helena Blavatsky e a Linguagem Universal Antiga (p.4)
 
* A Vida Como Um Processo Alquímico: A Lei que Manda Rejeitar a Falsidade (p.5)
 
* A Lua e o Gato no Egito Antigo (p.7)
 
* A Construção de uma Vontade Forte (p.8)
 
* A Doutrina Secreta: o Ciclo das Iniciações e o Tabernáculo de Moisés (p.10)
 
* Os Mestres, Blavatsky e o Século 21: Teosofia Original Destaca a Responsabilidade do Movimento Esotérico Perante a Crise do Ocidente (p.11)
 
* A Musa do Céu - 01, Sonho da Adolescência: um conto clássico e cósmico de Camille Flammarion (p.16)
 
* Ideias ao Longo do Caminho: Clareza de Visão Permite Ver a Diferença Entre o Certo e o Errado (p.20)
 
A edição possui 21 páginas e inclui a lista dos itens publicados recentemente nos websites associados.  
 

 
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A coleção completa de “O Teosofista” está disponível nos websites associados.
 
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Helena Blavatsky (foto) escreveu: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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20 de janeiro de 2021

Ideias ao Longo do Caminho - 32

 Elementos Para Uma Oftalmologia da Alma

Carlos Cardoso Aveline

 
 
 
* Embora as possibilidades criativas da vida sejam ilimitadas, com frequência temos uma visão estreita das potencialidades. Esta é uma forma de cegueira. 

* A teosofia clássica pode ser qualificada como uma oftalmologia da alma, porque ensina a ver a plenitude.
 
* Através de pequenas ações desenvolvidas com paciência na direção correta, abrimos os olhos para a força infinita da vida presente em nós e ao nosso redor.
 
* A ausência do hábito de raciocinar impede a visão clara do mundo. O hábito de pensar com independência é Ioga. Examinar a vida constitui uma atividade exclusiva daqueles que estão despertos. A busca da verdade é um privilégio de quem quer ter olhos para ver.
 
* O uso correto do pensamento implica um respeito pela fonte silenciosa do conhecimento. No diálogo entre a palavra e a não-palavra, o Silêncio revela as diversas camadas de significado presentes em cada coisa.
 
* A energia do eu superior flui como uma bênção. Ouvir o mais elevado é escutar o inaudível. É ver os fatos invisíveis da vida e perceber aquilo que não pode ser percebido num plano pessoal. Quando há uma redução da intensidade no mundo externo, o que é interior e elevado flui quase imperceptivelmente no mundo que podemos ver.
 
* As águas da vida começam a recuperar a força no ponto mais baixo da maré. É no auge do inverno que o Sol volta a ficar mais forte. Durante os momentos desagradáveis, grandes lições podem ser aprendidas.
 
* O Cosmos inteiro e suas leis devem ser objeto de estudo. Ao mesmo tempo, o peregrino tem que ser vigilante em relação a cada passo que dá no solo.
 
* A maneira certa de estudar filosofia esotérica inclui manter uma “ponte” constante e consciente entre o celestial e o terrestre, o macrocósmico e o microcósmico; o espiritual e o emocional; entre o ideal e o fato; entre os preceitos éticos e a prática deles na vida diária.
 
* A ilusão da alta velocidade no plano material caracteriza as sociedades urbanas. A pressa física ou emocional é um sinal de superficialidade nas decisões.
 
* Antes que o peregrino acelere sua marcha adiante, deve perguntar-se para onde, exatamente, está indo. Com frequência é necessário escolher entre fazer um lento progresso na direção de uma meta valiosa e avançar rapidamente, talvez com grande conforto e satisfação, para lugares que são piores que inúteis.
 
* A ausência de pressa preserva o bom senso, permite que o indivíduo pense por si mesmo, e torna mais fácil tomar uma decisão sensata.
 
* Um pouco acima da consciência pensante do estudante de teosofia flui uma percepção demasiado rápida para ser transformada em palavras. Neste nível de percepção a rapidez é benigna porque nada tem a ver com ansiedade. Trata-se de uma forma não-verbal de pensamento, ou só parcialmente verbal. Quando a consciência se torna ainda mais rápida, já não há pensar. A percepção transcende então os assuntos específicos: a compreensão implícita ocorre sem esforço.
 
* Supondo que uma meta clara e nobre já tenha sido escolhida, um fator decisivo consiste em focar a mente na prática da ação correta, o que inclui a constante contemplação das verdades universais. Isso precisa ser feito enquanto o peregrino aprende a identificar as oportunidades sagradas a seu redor. Há algumas portas em que se deve bater, e novos níveis de chão em que é possível caminhar.
 
* A Lei Universal opera em todos os aspectos do cosmo, incluindo a mente humana. Ela é por exemplo o sentido de dever que todos possuem. Ela é o carma que regula silenciosamente a vida de cada um. A voz da consciência expressa a Lei. O fato de estar em paz com nós mesmos permite viver em sintonia com ela.
 
* Só pode ter acesso à sabedoria eterna o peregrino que não se importa de parecer idiota aos olhos dos outros. Aquele que pretende ser mais esperto que os seus semelhantes terá que perceber, cedo ou tarde, a sua profunda falta de inteligência.
 
* Ao rejeitar ideias e sentimentos impuros, o estudante de filosofia esotérica mantém sua consciência limpa diante do seu próprio eu superior. Assim ele preserva a sua capacidade de aprender.
 
* A primeira coisa que o peregrino deve fazer é ter certeza de que o mundo das suas “emoções pessoais” está colocado, o tempo todo, sob a luz do Sol da sua própria alma. Se ele conta com o aplauso e a aprovação da sua consciência, não importa que pareça “pouco inteligente”. Ele já alcançou a primeira condição indispensável para o progresso.
 
* Na aparente imobilidade, percebemos o modo mais eficaz de usar nossas energias. Combinando a boa intenção com um severo discernimento, o peregrino identifica tanto a mentira como a sinceridade.
 
A Oftalmologia da Alma
 
* Da prática da sinceridade consigo mesmo resulta a honestidade para com os outros. Enquanto as mentes superficiais são habitadas por ventos passageiros, as camadas profundas da consciência estão em sintonia com o eu superior.
 
* O pesadelo do egoísmo deixa de acontecer no tempo certo. Ele precisa ser desmascarado, antes que nos vejamos livres dele. A ignorância espiritual é um problema oftalmológico. Aqueles que foram moralmente cegados pelo apego ao mundo material devem reaprender a enxergar a presença da bondade na vida.
 
* A oftalmologia moral ensina a olhar o mundo desde o ponto de vista da alma: a luz do espírito renasce com o Sol a cada manhã; as florestas vivem em harmonia com as leis do universo; em todos os tempos a sabedoria está presente na consciência humana.
 
A Primavera do Espírito
 
* A primavera da ética pode ocorrer em qualquer estação do ano. Ela surge quando a luz da verdade brilha com força maior a cada dia.
 
* Ninguém pode dizer, no entanto, que a primavera é necessariamente confortável, porque ela não tem o dever de ser do agrado de tolos.
 
* A primavera da alma acontece quando o Sol do eu superior ilumina os erros que falta corrigir. Ela surge quando se destacam as ações nobres que devem ser feitas, e quando resgatamos as tarefas esquecidas que cabe realizar.
 
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O artigo “Ideias ao Longo do Caminho - 32” foi publicado como item independente em 20 de janeiro de 2021. Uma versão inicial e anônima dele faz parte da edição de abril de 2017 de “O Teosofista”, pp. 12-14. Também estão aqui incluídas versões novas das notas “A Primavera do Espírito” e “A Oftalmologia da Alma”, que foram escritas pelo mesmo autor e publicadas anonimamente no Teosofista.  
 
Embora o título “Ideias ao Longo do Caminho” corresponda ao título em língua inglesa “Thoughts Along the Road”, de Carlos C. Aveline, não há uma identidade exata entre os conteúdos das duas coletâneas de pensamentos.
 
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