21 de outubro de 2020

A Metamorfose de um Funcionário Público

A Dimensão Iniciática do Mundo das Águas

Carlos Cardoso Aveline

A carpa é originária da China
 
 
 
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Reproduzimos a seguir o capítulo nove
do livro “A Vida Secreta da Natureza”,
de Carlos Cardoso Aveline; terceira edição,
Editora Bodigaya, Porto Alegre, 2007, 156
páginas. O texto foi revisado pelo autor em 2020.
 
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Conta a tradição que em uma pequena cidade chinesa, no século 8 da era atual, vivia Shay Wei, um funcionário público de conduta exemplar.
 
Aos 29 anos de idade, ele tinha uma esposa bela e devotada e era chefe de seção no juizado de Ching-Cheng. A vida, porém, não é uma linha reta. Ela nos apresenta crises e oportunidades. Um dia Shay Wey amanheceu com febre alta. Uma semana depois, entrou em coma.
 
Com seu corpo abandonado e imóvel, Shay começou a sonhar. No sonho, apanhou sua bengala e saiu para passear. Usando seu corpo sutil, afastou-se da cidade sem obstáculos e caminhou até as margens do rio.
 
Cansado de sofrer devido à febre, agora Shay queria nadar livre e solto na água, à maneira de um peixe. Perguntou a si mesmo como seria a vida de um habitante das águas. Estava curioso: queria saber mais sobre a vida secreta daquele rio que amava desde a infância. Pensou nisso com força e uma divindade aquática apareceu diante dele. Conversaram.
 
Shay sentiu que seu desejo seria atendido. Então viu-se diante do Conselho Geral dos Seres da Água. Na assembleia, ouviu palavras elogiosas e recebeu autorização para viver como peixe “pelo tempo que desejasse”. Terminada a reunião, Shay descobriu que seu corpo havia mudado radicalmente: agora era uma enorme carpa navegando confiante pelo rio.
 
Ao levitar no ambiente aquático, Shay percebeu o universo desde um novo ponto de vista. A temperatura da água era perfeita. Com os olhos situados de cada lado da cabeça, seu campo de visão era total: 360 graus de visão a seu redor. Sentia-se bem na companhia dos outros peixes. Comunicavam-se instintivamente, sem necessidade de palavras. Shay explorou os cantos e recantos do rio, conheceu as sutilezas da água rasa e da água profunda e descobriu novas formas de alimentar-se. 
 
A vida é dinâmica: tudo se renova. Duas semanas depois, o contentamento inicial da liberdade havia passado. Shay queria aprender mais e renovar seus horizontes. Certa manhã, enquanto buscava comida, ele reconheceu o seu velho amigo Chao Kao, sentado à beira do rio. Chao Kao estava lançando à água um anzol com isca deliciosa. Shay nadou até lá e deu várias voltas em torno do anzol, observando o pedaço de alimento. Depois de alguns minutos, pensou: “Chao Kao é meu amigo. Se me pescar, direi quem sou e me soltará.” A fome havia vencido: a carpa abriu sua boca enorme e devorou a isca.
 
Shay sentiu a dor do anzol que rasgava a região do queixo e viu-se brutalmente retirado da água. Abriu a boca ferida para explicar quem era, mas nenhuma palavra quebrou o silêncio. Tentou de novo, e nada. Ele não conseguia respirar, enquanto seu bom amigo Chao Kao erguia-se do local fazendo planos para comer a carpa na próxima refeição.
 
A morte de um peixe fora da água ocorre muito lentamente. Algum tempo depois a carpa ainda tinha espasmos sobre a mesa da cozinha, enquanto eram reunidos os ingredientes para um prato de peixe com cebola. A dois quarteirões de distância, o corpo físico do funcionário Shay Wei agitava-se violentamente na cama. Finalmente, abriu olhos arregalados diante da esposa surpresa e, respirando com grande dificuldade, deu uma ordem:
 
“Corra até a casa de Chao Kao. Estão querendo preparar uma carpa com cebolas. Diga que abandonem imediatamente a ideia, devolvam a carpa viva ao rio e venham para cá, que explicarei tudo.”
 
No instante em que os amigos devolveram o peixe ao rio, Shay sentiu-se melhor e ergueu-se na cama. Quando contou a eles a história toda, nenhum deles duvidou. Se não fosse verdade, de que modo ele poderia ter sabido da pescaria e dos planos para o prato de carpa com cebola, enquanto seu corpo estava inconsciente? No mesmo dia, seus amigos e familiares deixaram de comer carne de peixe.
 
Shay e sua esposa tiveram vários filhos e uma longa vida feliz. Ele não deu importância alguma à cicatriz profunda que ficou para sempre na região próxima a seu queixo. Só sua esposa sabia que, à noite, enquanto seu corpo estava adormecido, ele voltava a viver como um peixe, nadando pelas águas sagradas do rio que amava. [1]
 
Este conto chinês tradicional tem diversos significados. O peixe, como a água, é um símbolo milenar que representa a fonte e a origem da vida, o renascimento e a purificação do indivíduo.
 
Os peixes também simbolizam a fertilidade. A vida planetária surgiu no mar. Uma vez começada a gestação, cada feto humano vive imerso no líquido amniótico da placenta materna. Assim, mergulhar nas águas simboliza muito mais que um simples ritual de batismo: representa um segundo nascimento e uma renovação interior. Do mesmo modo Shay Wei nasceu pela segunda vez e renovou-se ao abandonar seu corpo humano e transformar-se em peixe de um vasto rio. 
 
Na tradição esotérica oriental, a primeira grande iniciação ou expansão de consciência do aprendiz - no longo caminho da unidade com o cosmo - é chamada de srotapatti. Essa palavra sânscrita significa precisamente “aquele que entrou na corrente”, ou seja, aquele que mergulhou no rio sagrado da sabedoria - depois de abandonar a preocupação individualista consigo mesmo.
 
Na tradição hindu, um dos avatares ou manifestações do deus Vishnu surgiu na forma de peixe. No Egito antigo, na Mesopotâmia e entre os fenícios, havia peixes sagrados. Na Grécia antiga, o golfinho, mamífero marinho, simbolizava um salvador divino e era uma fonte de inspiração para o oráculo de Delfos.
 
No Antigo Testamento judaico e cristão, Jonas foi engolido por uma baleia e ficou dentro dela, orando a Deus, durante três dias e três noites, antes de ser vomitado em terra firme para que cumprisse a missão encomendada a ele pelo Senhor.
 
No cristianismo, o batismo se faz com água. Simbolicamente, os cristãos são como peixes cujas almas foram “pescadas” pelo Mestre Jesus. E a palavra grega Ichtus - que significa peixe - era vista pelos primeiros cristãos como a sigla de Iesus Christos Theou Uios Soter, ou seja, “Jesus Cristo, filho de Deus, Salvador”.
 
A água também era divina para os povos andinos. O Oceano Pacífico era a mãe-mar, Mamacocha. Os rios e lagos, filhos de Mamacocha, eram huacas ou divindades. O Sol e a Lua, que estavam entre os principais deuses dos Andes, tinham belíssimos templos nas duas ilhas do Lago Titicaca, onde também havia um refúgio sagrado, usado pelo Sol nos momentos difíceis da grande inundação planetária que destruiu Atlântida.
 
Na complexa mitologia da cultura andina quechua, a Via Láctea era um rio celestial, mayo, responsável pela regulação do ciclo da água em nosso planeta. O precioso “Manuscrito Huarochirí” revela que no centro do rio cósmico da Via Láctea vivia Yacana, o arquétipo celeste das lhamas andinas. A cada noite, Yacana descia até Mamacocha, o mar, e bebia grandes quantidades de água. Se Yacana não fizesse isso, haveria uma terrível inundação.[2]
 
Os mares e rios eram deuses na Grécia antiga, como na China. Em um velho conto taoista, um buscador da verdade deixa uma carreira de sucesso na cidade e medita anos a fio à beira de um córrego de águas puras. Certo dia, o espírito do córrego conversa com ele e passa a inspirá-lo com sua presença divina. Quando finalmente atinge a iluminação, o homem ri muito e exclama, dirigindo-se à alma do riacho:
 
“Ah, amigo! Por que não disseste antes? Na verdade não encontrei o Tao, a Verdade: apenas percebi que nunca o havia perdido! Quando sabemos acatar os fatos sem preocupações com prazer ou tristeza, então conquistamos o Caminho, e nascemos para a imortalidade. Gastar anos em busca do que nunca perdemos é, de fato, uma piada!” [3]
 
No capítulo oito do “Tao Teh Ching”, o clássico da tradição chinesa, o “velho mestre” Laotse afirma:
 
“O melhor entre os homens é como água. A água beneficia todas as coisas e não compete com elas. Ela se concentra nos lugares (baixos), que todos desprezam”.
 
O fundador do taoísmo acrescenta, segundo vemos no capítulo 66:
 
“Como foi que os grandes rios e mares passaram a ser os Senhores dos Vales? Foi sendo bons e mantendo-se nos lugares inferiores. Deste modo eles se tornaram os Senhores dos Vales. Portanto, para ser os primeiros entre as pessoas, devemos falar como se fôssemos inferiores a elas. Para ser os primeiros entre as pessoas, é preciso caminhar atrás delas. Desta maneira o Sábio permanece acima, e o povo não sente o seu peso (…). Porque ele não luta, ninguém no mundo pode lutar com ele.”
 
A água mostra como se pode ser não-violento.
 
“Não há nada mais fraco que a água”, ensina Laotse. “Mas ninguém é melhor que a água quando se trata de vencer o que é duro, e nada pode substituí-la. O fato de que a fraqueza supera a força, e a gentileza vence a rigidez, é algo que ninguém ignora e que ninguém leva em conta.” [4]
 
Como o resto do mundo, o Brasil ainda está aprendendo a respeitar os rios e o mar. Somos contraditórios: sabemos que a água é preciosa e mesmo assim a poluímos com efluentes industriais, esgotos e resíduos domésticos.
 
No plano da religiosidade popular, a cada dia 2 de fevereiro as festas de Iemanjá refletem a nossa incoerência. Com a ansiedade por homenagear a deusa das águas, o povo acaba lançando grande quantidade de lixo às praias e aos rios, algo que todos os deuses hídricos - inclusive Iemanjá - só podem reprovar.
 
Dentro de algum tempo compreenderemos que o nosso primeiro dever é não sujar os templos sagrados da natureza. E saberemos que a nossa maior e melhor homenagem ao aspecto divino das águas da vida está em preservar os recursos hídricos do planeta - começando pelos que estão mais próximos de nós. 
 
Enquanto isso, no vasto cerrado do centro-oeste, a cada mês de novembro a água faz renascer a paisagem, depois de seis meses sem chuva. Porém, para o povo da região nordestina - cuja seca é resultado do desmatamento dos tempos coloniais - a esperança de uma vida digna depende, em muitos locais, da escassa chuva ou dos poços artesianos.
 
De norte a sul do país, buscamos ao longo do verão a bênção e a proteção da água. Tomamos diversos banhos de chuveiro no mesmo dia, mergulhamos em piscinas, visitamos as praias de rios, nos banhamos em córregos e cachoeiras, ou bendizemos a água que cai do céu para aliviar o calor. Uma grande quantidade de gente procura estâncias de águas minerais - quentes e frias, radioativas ou não - e aproveita os seus efeitos curativos.
 
Milhões de pessoas se refugiam no litoral. Passeando pela beira da praia, observam o amanhecer ou o pôr do sol. Respiram profundamente o ar puro, olham o voo livre dos pássaros e sentem na pele a força curativa do vento e da água. Quando o sol alcança o horizonte, podem olhar diretamente o disco luminoso que dá vida ao nosso planeta.
 
Consciente ou inconscientemente, essa volta periódica ao mundo das águas tem uma dimensão religiosa - no sentido original da palavra. Através dela, fazemos a nossa religação com o ambiente natural e o cosmo; e também com o que há de mais profundo em nós.
 
NOTAS:
 
[1] Adaptação do texto “O Homem Que Virou Peixe”, conto tradicional chinês incluído no volume “A Deusa de Jade e Outros Contos Chineses Famosos”, de Lin Yutang, Ed. Pongetti, RJ, 1954, 294 páginas.  
 
[2] “The Huarochirí Manuscript”, a Testament of Ancient and Colonial Andean Religion, edição bilíngue em inglês e quechua, de Frank Salomon e George L. Urioste, University of Texas Press, EUA, 1991. Ver pp. 132-133, capítulo 29.
 
[3] Uma versão deste conto está no livro “Taoísmo, o Caminho Para a Imortalidade”, de John Blofeld, Ed. Pensamento, SP, pp. 93-94. É narrado também nas pp. 78-79 de “A Informação Solidária”, Carlos Cardoso Aveline, Edifurb, SC, 2001.
 
[4] Nestes três trechos citados de Laotse, veja “O Tao Teh Ching” na versão de Lin Yutang, capítulos 8, 66 e 78.
 
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O texto acima foi publicado nos websites associados dia 21 de outubro de 2020.
 
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Em relação ao caminho da felicidade, vale a pena lembrar destas palavras de Helena Blavatsky (foto): “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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20 de outubro de 2020

A Lição do Sol em Libra

 A Lei do Equilíbrio Ensina a Ampliar
o Horizonte e Agir de Modo Solidário

Carlos Cardoso Aveline

 
 
 
Começando em torno de 23 de setembro, o signo de Libra é o sétimo do zodíaco e constitui o ponto de mutação do ciclo anual. Tendo como símbolo a balança, esta é a etapa de transição e de equilíbrio entre as duas metades da jornada.
 
Libra traz consigo a primavera no hemisfério sul, e inaugura o outono no hemisfério norte. A maior parte da humanidade vive no norte do planeta. Ali o signo de Libra abre caminho para a estação da neve, do recolhimento e da introspecção. No inverno o fogo e o calor estão presentes e sua influência é igualmente decisiva, mas são sobretudo internos. Em Libra a vida começa a refugiar-se no essencial. A alma renuncia ao ponto mais alto da sua manifestação externa e começa a tirar lições espirituais com mais eficiência, enquanto prepara a fase final da jornada do ano. 
 
Toda alma espiritual pertence ao território transcendente da harmonia ilimitada. Até Libra - o ponto de mutação - o peregrino está preocupado principalmente consigo próprio ou com sua presença no mundo. Durante o período da Balança o espírito começa a jornada de volta para Casa através do caminho do altruísmo, e passa a priorizar o apoio mútuo nas relações.
 
O libriano dá importância aos outros. Há uma necessidade de tratar o seu semelhante como ele deseja que o seu semelhante o trate. Percebe-se agora instintivamente a simetria da vida: “o que se planta, se colhe”. O peregrino aprende a regra da reciprocidade. No outono como na primavera, a solidariedade é fundamental.
 
Regido pelo planeta Vênus, Libra busca ver beleza e bem-estar em todas as coisas. Depois de aperfeiçoar os detalhes terrestres da vida durante o signo de Virgo, a alma dirige o olhar para o ideal celeste da síntese e da elevação. A alma aprenderá várias lições valiosas em diferentes signos antes que a jornada culmine em Peixes, o último do zodíaco, o território da plenitude e do autoesquecimento, cuja principal lição consiste em ser um com o universo.
 
Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Nenhum ser humano morre jamais, porém cada indivíduo se une por algum tempo completamente ao universo, para mais tarde renascer sob outra forma no plano da vida autoconsciente. A lei da natureza é a lei da eterna renovação, e a viagem do sol pelo céu ao longo de cada ano simboliza a jornada da alma pelas diferentes encarnações. Em Libra começa a transição gradual para o território da transcendência.
 
Anna Maria Costa Ribeiro oferece uma imagem para descrever o signo:
 
“Sol que se levanta no horizonte. Dizem que são dois pássaros na árvore da vida. O primeiro come o fruto da imortalidade. O outro aprecia complacentemente, isto é, [trata-se de] gostar de ver a outra pessoa bem.” [1]
 
A alma libriana vivencia o poder da fraternidade. Porém, o elemento de Libra é o ar. Quando demasiado ocupado em harmonizar todas as coisas no plano imediato, o signo se torna excessivamente aéreo. Em circunstâncias desfavoráveis, o seu sentido de orientação pode dissolver-se numa atmosfera de equilibrismo e pensamento divorciado da prática. O efeito paralisante do temor ao conflito pode ser evitado através da adoção de metas claras, com base em decisões estáveis e uma intenção definida.
 
O oposto simétrico de Libra é Áries, um dos signos mais impulsivos e o mais pioneiro do zodíaco. Libra e Áries complementam um ao outro. A aprendizagem recíproca entre eles é um recurso valioso. [2]
 
Todos os humanos têm o fator equilibrante de Libra em algum lugar das suas auras e podem dispor conscientemente dele. Com maior ou menor facilidade, cada um é capaz de usá-lo para aumentar a eficiência em tudo o que faz.
 
O bom senso ensina ao aspecto libriano de cada peregrino que o sentido de beleza e harmonia precisa ser elevado até o âmbito da alma imortal e libertado dos seus aspectos meramente materiais. A tarefa ética de rejeitar a falsidade não pode ser postergada.  Não há verdadeira harmonia na ausência de honestidade. Libra é o signo da justiça. As decisões neste território da vida podem necessitar tempo para serem tomadas, mas devem ser firmes e sábias.
 
A Chave da Solidez
 
Stephen Arroyo destaca o fato de que, assim como os outros signos de Ar - Gêmeos e Aquário - Libra dispõe da prática da constância como ferramenta para superar suas limitações. [3]
 
Através de uma atitude sólida e de um compromisso firme, este signo sensato evita o perigo de perder-se em dúvidas, dilemas e contradições. Para romper impasses, vale sempre o diálogo com o signo de Áries.
 
A alma experiente aprende a combinar a compreensão da diversidade imensa das possibilidades humanas com a ação criadora concreta que se necessita desenvolver aqui e agora. O libriano bem informado trabalha num horizonte de tempo que transcende o curto prazo e inclui as transmutações. Para ele, as possibilidades do presente são definidas pela lei da fraternidade. Ele sabe que o princípio da cooperação explica também a origem e o futuro dos seres humanos.
 
NOTAS:
 
[1] “Conhecimento da Astrologia”, Anna Maria Costa Ribeiro, Novo Milênio Editora, 1996, Rio de Janeiro, 733 pp., ver p. 77. Sobre Libra, examine “Illustrated A-Z of Understanding Star Signs”, editor geral Kim Farnell; Flame Tree Publishing, London, Printed in China, 224 pp., 2002, pp. 108-109.
 
[2] Leia o artigo “A Lição do Sol em Áries”.
 
[3] Veja a obra “Astrology, Psychology, and the Four Elements”, de Stephen Arroyo, M.A., CRCS Publications, California, EUA, 191 pp., 1975, especialmente a p. 107.
 
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O artigo “A Lição do Sol em Libra” foi publicado nos websites associados dia 20 de outubro de 2020, enquanto o Sol estava no grau 27 de Libra.
 
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Leia mais:
 
 
 
 
 
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Em relação ao caminho da felicidade, vale a pena lembrar destas palavras de Helena Blavatsky (foto): “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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9 de outubro de 2020

O Teosofista - Outubro de 2020

 

 
 
 
Principais temas da edição de outubro de “O Teosofista”:  
 
* O Respeito Pelos Animais, Durante as Refeições (p.1)
* A Ioga da Alimentação: A Medicina Hipocrática é Pitagórica (p.3)
* O Que é Preciso Ler - e Pagar - Para Conhecer de Fato a Teosofia (p.5)
* Dimensões do Esforço Teosófico: A Quarta Tarefa do Movimento (p.6)
* Figanière, Sobre a Mudança Constante (p.9)
* O Sumo Bem da Nação, um texto de Figanière (p.10)
* Uma Certa Perplexidade (p.12)
* Ideias ao Longo do Caminho: Contato com a Natureza Amplia os Horizontes (p.13)
* Visconde de Figanière: A Aura do Mistério e da Sabedoria (p.15)
 
Com 17 páginas, o Teosofista divulga a lista dos itens publicados recentemente em nossos websites.  
 
 
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A coleção completa de “O Teosofista” está disponível nos websites associados.
 
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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 
 

Para ingressar no SerAtento, visite a página do e-grupo em YahooGrupos e faça seu ingresso de lá mesmo. O link direto é este:   
 
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/SerAtento/info.
 
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8 de outubro de 2020

O Livro Tibetano dos Mortos é Ningma

Uma Advertência aos
Estudantes de Filosofia Esotérica

John Garrigues

John Garrigues (1868-1944)
 
 
 
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Nota Editorial de 2020:
 
O breve texto a seguir foi publicado pela primeira
vez anonimamente na revista “Theosophy”, em
dezembro de 1935, p. 96. Um exame do seu conteúdo
e estilo indica que foi escrito por Garrigues.
Título original: “The Tibetan ‘Book of the Dead’”.
 
O livro que este artigo discute pretende indicar
caminhos para evitar a Lei do Carma. A obra é lida
por aqueles que não têm interesse em Ética e que
gostariam de evitar as consequências das suas próprias
ações, ao invés de aprender com seus erros. Apesar
de propor o caminho desastrado dos que fogem da Lei,
o livro abordado por  John Garrigues goza de prestígio
em círculos pseudoteosóficos, e muitos estudantes sinceros
ainda se iludem pensando que ele tem alguma validade. 
 
(Carlos Cardoso Aveline)
 
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A contraparte tibetana do Ritual para os mortos usado pela Igreja Católica Romana - da qual o senhor W. Y. Evans-Wentz fez uma tradução ou versão - talvez seja em mais de um sentido o protótipo histórico do ritual da igreja cristã, e constitui, tal como os livros Tântricos da Índia, um formulário de práticas mágicas; de práticas de magia negra, aliás.[1]
 
Vários livros derivados desta obra vêm sendo publicados, todos a partir de um ou outro praticante oriental de “Ioga”. Os teosofistas não deveriam confundir a palavra “Tibetano”, presente no título do livro do senhor Evans-Wentz, com a palavra “Tibetano” usada com tanta frequência por H.P. Blavatsky. 
 
O “Livro dos Mortos” de Evans-Wentz é um ritual de magia dos “Gorros Vermelhos” [Ningmas], não dos “Gorros Amarelos”. O livro tampouco deve ser confundido com o Livro Egípcio dos Mortos, porque é exatamente o oposto dele.
 
O fato de que uma advertência precisa ser registrada a respeito ganha força quando um escritor muito conhecido, Augustin Thierry, parece não perceber - numa publicação destacada como “Temps”, de Paris - qual é a natureza básica deste ritual. O mesmo erro foi cometido pelo próprio senhor Evans-Wentz, embora este último seja, segundo acreditamos, membro de uma das sociedades teosóficas e deveria estar melhor informado.[2]
 
NOTAS:
 
[1] “O Livro Tibetano dos Mortos”, de W.Y. Evans-Wentz (Org,), com estudos introdutórios de C.G. Jung e outros; Ed. Pensamento, São Paulo, 192 páginas. O livro foi entusiasticamente divulgado por C.G. Jung, que cooperou com o Nazismo na Alemanha durante os anos 1930. A relação entre o nazismo e os Ningmas Tibetanos ou “Gorros Vermelhos” é relativamente bem conhecida. (CCA)
 
[2] Para saber mais sobre a filiação do “Livro Tibetano dos Mortos” com os Ningma-pa e Dug-pa ou “Gorros Vermelhos”, o leitor pode ler “A Teosofia e o Bardo Thodol”. (CCA)
 
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O artigo “O Livro Tibetano dos Mortos é Ningma” foi publicado nos websites associados dia 08 de outubro de 2020.
 
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3 de outubro de 2020

Preceitos Antigos da Escola Pitagórica

 Para Seres Sábio, Coloca, Durante o
Curso da Tua Vida, Cada Coisa em Seu Lugar

Paul Carton
  
Pitágoras (século 6 AEC) fala para as mulheres: uma pintura de 1913. Ele afirmava que
as mulheres eram iguais aos homens em inteligência e tinham o direito de estudar filosofia.
 
 
 
* Não ergas o machado contra a árvore plantada pelo teu pai.
 
* Quando estiver velha a árvore que te alimentou em tua juventude, cuida bem dela.
 
* Faz uma pequena festa de família ao pé da árvore que florescer primeiro em teu jardim.
 
* Viajante! Não sujes com teus dejetos ou lixo o leito de um riacho, nem o pé de uma árvore, nem as flores que desabrocham no caminho.
 
* Não plantes junto a uma grande estrada a árvore que queres deixar como herança para os teus filhos.
 
* Pai de família! Colhe com as mãos os frutos das tuas oliveiras; evita os golpes com vara!
 
* Desvia o arado, para não causar dano à árvore que está no trajeto do teu trabalho; é melhor fazer um sulco mal nivelado, que abrir uma ferida numa árvore.
 
* Quando fores às cortes dos reis ou às assembleias do povo, não fiques mais tempo do que o necessário para cozinhar um aspargo.
 
* Dá leis ao povo, antes de dar-lhe a liberdade.  
 
* Homem de gênio, perseguido! Rejeita o tribunal do povo. Cabe ao rebanho transformar-se em corte para julgar o cão pastor.  
 
* Povo de Crotona! Não pretendas submeter o sábio ao teu regime social. O médico e o doente não devem ter demasiada intimidade. 
 
* Magistrado! Aos primeiros sintomas de um motim popular, interdita a praça pública às mulheres, assim como às [possíveis] vítimas e aos sanguinários.
 
* Não sejas nem a bota do príncipe nem o coturno do povo.
 
* Acostuma o povo a falar com uma linguagem decente.
 
* Homem de gênio! Esclarece o povo de longe, e esconde a mão que ergue a tocha da luz. O povo só reconhece os instrutores que estão ausentes, ou que estão mortos.
 
* Alimenta-te de grãos silvestres, antes que de uma carne assada em um forno banal. Melhor que tornar-se parte do povo cego é permanecer selvagem.
 
* Não subas à tribuna por três dias consecutivos nos comícios populares: aplaudido pelo povo no primeiro dia, serás vaiado no terceiro dia, talvez merecidamente.
 
* Não escrevas as tuas leis; pinta-as: o povo gosta de imagens.
 
* Que sejas sábio, sem dizê-lo ao povo imitador: simplesmente, que ele te veja passar!
 
* Não semeies coisa alguma na praça pública, porque é um terreno ingrato.
 
* Mantém o povo entre a riqueza e a indigência: quando na miséria, ele é vil; quando rico, é insolente.
 
* Caluniado pelo povo, não desças até ele para provar que está errado. Não se prova coisa alguma para uma multidão. Ela só tem instinto.
 
* Brinca com todas as crianças, mas evita a multidão.
 
* Ao avançar, o povo deixa atrás de si marcas e sulcos pesados na estrada de barro. Caminha sempre alguns passos à frente da multidão.
 
* Não subas à tribuna pública para pregar contra os vícios do povo e os crimes dos governantes. Fica contente com ser o “gnomo” silencioso que indica a hora de cumprir os deveres.
 
* Não penses que há uma grande diferença entre a urna dos sufrágios e a urna dos sorteios: nada é mais parecido com as possibilidades da loteria do que as decisões da multidão.
 
* Não busques o sábio na corte dos reis, nem nas assembleias populares: o sábio está na casa dele.
 
* Entra na casa do sábio: quer ele esteja lá ou não, tu sairás melhor do que estavas quando entraste. 
 
* Define a sabedoria como a ciência da ordem. Para seres sábio, coloca, durante o curso da tua vida, cada coisa em seu lugar. O heroísmo de um momento não vale tanto quanto a ordem imperturbável que há nas ações cotidianas do sábio.
 
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Traduzido do livro “Enseignements Naturistes”, de Paul Carton, Première Série; Norbert Maloine Éditeur, Paris, 1925, 384 páginas, ver páginas 316-318. Tradução: CCA. Título original do artigo: “Préceptes Antiques de L’École Pythagoricienne”. 
 
O texto “Preceitos Antigos da Escola Pitagórica” foi publicado nos websites associados no dia 03 de outubro de 2020.
 
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Veja “Os Versos de Ouro de Pitágoras” e “A Sabedoria de Pitágoras”.
 
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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto).
 

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https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/SerAtento/info.
 
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