16 de junho de 2021

Como Evitar os Erros Pedagógicos de W. Q. Judge

 No Estudo Sério de Teosofia, é
Indispensável o Uso de Discernimento

Carlos Cardoso Aveline

 
 
 
Paradoxos e contradições rodeiam todo peregrino espiritual. A cada passo o aprendiz encontra novos e inesperados contrastes.
 
Em dezembro de 2003, eu tinha pouco mais de vinte anos de experiência de movimento teosófico quando a Sociedade de Adyar publicou, nos Estados Unidos, um livro com ataques fraudulentos contra Helena Blavatsky. Apesar de ela ser a fundadora do movimento teosófico moderno.   
 
O livro chegou às minhas mãos em abril de 2004. Ao folhear o volume, detectei o problema. Parecia difícil de acreditar que um livro com tamanho desprezo pela verdade pudesse ter sido publicado pelo vice-presidente internacional da Sociedade. Confirmei o fato óbvio falando por telefone com teosofistas experientes de outros países. Os textos injuriosos contra Blavatsky eram tão falsos quanto a aparente devoção de Judas Iscariotes, o discípulo insincero de Jesus.

 
 
 
000
 
O artigo acima foi publicado nos websites associados dia 16 de junho de 2021, quando o Sol estava no grau 25 de Gêmeos e a Lua no grau 5 de Virgo.
 
000
 
Clique para ler os artigos “Anotações Sobre o Carma” e “O Perfil da Loja Independente”.
 
000
 
Helena Blavatsky escreveu: “Antes de desejar, faça por merecer”.
 
000

10 de junho de 2021

Santo Antônio, a Verdade e o Mito

 O Sóbrio Monge dos Primeiros Tempos, e
o Fazedor de Milagres da Devoção Popular

Carlos Cardoso Aveline 


O Santo Antônio na imagem clássica com o
Menino Jesus no colo e dando alimento aos pobres
 
 
 
Santo António de Lisboa, ou Santo Antônio de Pádua, foi contemporâneo de Francisco de Assis: um franciscano da primeira hora. Nascido em Portugal em torno de 1190 ou 1195, o seu dia é comemorado em 13 de junho, porque morreu nesta data em 1231.
 
Antônio é o principal pensador dos primeiros anos da ordem franciscana, e muitas das suas ideias continuam atuais.
 
Os seus escritos possuem vários pontos em comum com a teosofia de Helena Blavatsky, entre os quais podemos destacar:
 
 
000
 
O texto “Santo Antônio, a Verdade e o Mito” foi publicado nos websites associados dia 10 de junho de 2021.
 
000
 
Leia mais:
 
* Santo Antônio e a Teosofia do Sol.
* Deixando de Lado a Soberba.
* Francisco, o Santo Panteísta.
* Oração Para Aqueles que Curam.
* Outros Textos Sobre Cristianismo e Teosofia.
 
000

4 de junho de 2021

O Teosofista - Junho de 2021

 

 
 
 
O texto de capa da edição de junho “O Teosofista” examina o que pode haver em comum entre um mestre de sabedoria dos Himalaias e dois místicos cristãos de Portugal que viveram nos séculos 13 e 17. 
 
O parágrafo inicial do artigo pergunta:
 
“A sabedoria mística universal está presente tanto na cordilheira dos Himalaias como em qualquer país ocidental, e vive ao longo de todos os séculos. Mas será que ela pode ser popular? Estará ao alcance de todos?”
 
Estes são outros temas do Teosofista deste mês:
 
* Fontes Orientais da Sabedoria Cristã (p.2).
 
* Manuel Bernardes: A Lei do Carma na Mística Ocidental (p.3).
 
* O Evangelho Segundo Confúcio (p.4).

* A Teosofia de Santo Antônio: Três Pontos em que a Cristandade Segue a Sabedoria Oriental Antiga (p.5).
 
* Os Ciclos de Trabalho e Descanso no Universo (p.9).
 
* Ideias ao Longo do Caminho: A Aura dos Livros Sagrados Muda a Atmosfera do Lugar em que Vivemos (p.11).
 
* Perguntas e Respostas: O Caminho Espiritual na Prática (p.13).
 
* A Musa do Céu - 05 (Conclusão): A Luz do Passado. As Revelações da Musa. Um texto de Camille Flammarion (p.16).
 
* Quem Foi Alice Leighton Cleather? - 01 (p.21).

A edição tem 21 páginas e inclui a lista dos itens publicados recentemente nos websites associados.  
 

 
000
 
A coleção completa de “O Teosofista” está disponível nos websites associados.
 
000

3 de junho de 2021

Santo Antônio e a Teosofia do Sol

 O Santo de Lisboa e Pádua Ensina Ideias
e Princípios Básicos da Filosofia Esotérica

Carlos Cardoso Aveline

A visão parcial da foto de Roberto Gil mostra a antiga
escultura de Santo Antônio, patrono da cidade de Lisboa, que está
na Igreja de Santo Antônio. A escultura foi poupada pelo terremoto
de 1755. A imagem contém um Sol acima da cabeça do Santo.
 
 
 
A alma e o espírito nunca se separam da natureza. Apenas o ser humano desinformado faz isso, e assim provoca sofrimento.
 
A sabedoria antiga anda perto da natureza e vê o sagrado nos fenômenos do meio ambiente. A filosofia esotérica sabe que a natureza tem sete níveis de existência e consciência.
 
Antes de ela ser física, ela é espiritual; durante sua existência física ela é espiritual, e depois de ser física, ela volta a ser apenas espiritual por algum tempo. A filosofia esotérica autêntica é uma filosofia da natureza, ao mesmo tempo que é uma filosofia do espírito.
 
Este fato fica claro também no cristianismo do frei Antônio de Lisboa e Pádua. Em sermão do início do século XIII, Santo Antônio cita a Epístola de Tiago, 1,17:
 
“Toda dádiva excelente e todo dom perfeito vem do alto, desce do Pai das luzes, como o raio desce do Sol.”
 
Em seguida Antônio identifica a luz do Sol com Jesus:
 
“Assim como o raio do Sol, descendo do Sol, ilumina o mundo e, todavia, não se afasta nunca do Sol, também o Filho de Deus, descendo do Pai, iluminou o mundo e, contudo, não se afastou nunca do Pai, porque faz um todo com o Pai; ele mesmo o disse em S. João: eu e o Pai somos um só.” [1]
 
A teosofia ou sabedoria divina não foi criada por Helena Blavatsky mas existe desde antes do surgimento da humanidade atual. Olhando para estas passagens desde o ponto de vista da filosofia esotérica, vemos uma alusão aos sete níveis de consciência do ser humano. O Sol ou Pai do Céu corresponde a Atma, o sétimo princípio, uma fagulha do Absoluto. O Sol envia ao mundo o seu Filho, isto é, um raio de luz, Jesus, o sexto princípio, chamado em sânscrito de Buddhi, o princípio da compaixão universal.
 
O “mundo” que é iluminado por Jesus ou Buddhi, a Luz divina, significa os cinco princípios inferiores da consciência. O quinto é a mente pensante, “Manas”. O quarto princípio é a emoção, “Kama” em sânscrito. O terceiro, “Linga Sharira”, garante as estruturas sutis astrais do corpo (pelas quais flui a vitalidade). O segundo princípio é “Prana”, a vitalidade. Finalmente o primeiro princípio é o corpo físico propriamente dito, Sthula Sharira.
 
E é preciso lembrar que a luz da estrela está presente em cada átomo do corpo físico do ser humano. A luz astral, cujo nível espiritual e superior os cristãos chamam de Jesus, permeia todas as coisas.
 
Temos então em primeiro lugar a estrela, ou Sol; em seguida a luz da estrela, e finalmente o mundo. Ou seja, o Pai do Céu, o Filho, e o mundo, ou humanidade. E cada ser humano possui em si mesmo o Pai, Atma, o Filho, Buddhi, e os outros cinco níveis de consciência.
 
Mas Jesus e o Pai são um só. Atma e Buddhi são inseparáveis. Não há Sol sem Luz, nem Sabedoria sem Compaixão, nem Pai sem Filho. E esta unidade fundamental é a Mônada.
 
Antônio destaca algumas linhas mais adiante que todos somos filhos da Luz e nascemos através da Verdade.
 
A luz permite ver a Verdade.
 
O Sol é o Logos, ou seja, o conjunto harmônico das leis que comandam o universo. O Sol é a Verdade e o conhecimento absolutos. Através da Verdade alcançamos a iluminação. É por isso que nas imagens e esculturas de muitos santos e sábios - inclusive de Santo Antônio - é comum ver um pequeno Sol junto às suas cabeças.
 
NOTA:
 
[1] Da p. 417 do volume I de “Obras Completas”, Santo António de Lisboa, Lello & Irmão, Editores, Porto, Portugal, 1987, edição bilingue (latim e português) em dois volumes. Sobre sermos todos filhos da luz, veja a p. 418.
 
000
 
O artigo acima foi publicado nos websites associados dia 03 de junho de 2021.
 
000
 
Leia mais:
 
* “Deixando de Lado a Soberba”.
 
* “Sol, o Deus Que Ilumina a Terra”.
 
* “Os Sete Princípios da Consciência”.
 
000
 
 
Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
000

25 de maio de 2021

Deixando de Lado a Soberba

Existe uma Cura para a Doença de
Querer Superioridade Sobre Outros

Carlos Cardoso Aveline

A soberba é uma ilusão que destrói o discernimento
 
 
 
A vida faz com que o soberbo seja humilhado, para que descubra a humildade e o bom senso. Infelizmente, pode ocorrer que o indivíduo fique longo tempo preso na oscilação violenta entre os extremos da glória pessoal e da completa derrota, ambas imaginárias.
 
A soberba é geralmente definida como sinônimo de orgulho, arrogância e um sentimento de superioridade em relação aos outros. Dela decorre a vontade de obter privilégios, de inferiorizar, prejudicar e desprezar os nossos semelhantes. Isso com frequência é feito de modo sorrateiro e disfarçado. Muitos sofrem de soberba e nem sabem disso. O fenômeno é com frequência subconsciente.
 
A soberba pode começar como uma defesa contra a humilhação. O pobre eu maltratado quer indenizar a si mesmo pelo que sofreu, e trata de fazer isso através da fantasia da autoimportância pessoal. Cai então numa gangorra de altos e baixos, de glória e derrota, e tudo nesta oscilação é igualmente falso e exagerado.
 
Em um inspirador sermão intitulado “O Espírito da Soberba”, Santo Antônio de Lisboa e Pádua afirma que o soberbo pisa sobre os pobres e os menores, mas também gosta de desprezar os que lhe são iguais, e insulta e zomba dos maiores. Antônio cita uma epístola de Pedro, em que se afirma que Deus - isto é, a lei universal - resiste aos soberbos, e dá a sua graça (a graça do bom carma) aos humildes. [1]
 
O destino do soberbo é ser humilhado, para descobrir a humildade: mas muitos soberbos, querendo compensar o trauma da humilhação sofrida ou evitar a profunda humilhação que temem, desenvolvem como mecanismo de proteção uma camada ainda mais forte de orgulho disfarçado e vão novamente à luta contra o mundo, sem aceitar a lição do realismo e do equilíbrio.
 
A soberba é um problema geral da humanidade, afirma Antônio. Nenhum de nós está completamente livre do autoengano que é o orgulho. Na família, assim como na sociedade e no convívio entre as nações, as lutas por poder são quase sempre duelos mais ou menos disfarçados entre formas diferentes de soberba.
 
As guerras, a prática do ódio na política e certos campeonatos de futebol são exemplos claros disso.
 
Mas a doença da busca de superioridade sobre os outros vai muito além da competição e da inveja nas relações humanas. A soberba é o princípio de toda ilusão. A luxúria e outras formas de prazer exagerado são variantes desta fantasia adoentada de superioridade.
 
Por isso o Cristianismo, assim como as religiões orientais, descreve o sábio como alguém exteriormente pobre, manso e humilde de coração. Os meios esotéricos e teosóficos não estão de modo algum livres da soberba. O desejo de parecer santo é uma marca do tolo infantil, que prefere fingir para si mesmo e para os outros, ao invés de viver com autenticidade.
 
Um dos princípios básicos da filosofia ocidental clássica é o axioma estoico do imperador Marco Aurélio, segundo o qual é aconselhável viver cada dia da nossa vida como se fosse o último. Lembrar da fragilidade da existência humana é uma lição de realismo e permite perceber quão preciosa ela é, e como são fúteis e inúteis as manias de grandeza, assim como as manias de perseguição.
 
O Jesus do Novo Testamento deu um exemplo de vida simples e humilde. Francisco de Assis, para compensar a soberba que via no alto clero cristão da sua época, criou a “ordem dos frades menores”, da qual Santo Antônio de Lisboa foi membro.
 
E Antônio prevê:
 
“…Quando uma humildade mais forte entrar no coração do homem e vencer o espírito da soberba e expulsar a cegueira do entendimento, então [os cinco sentidos] se mudarão dos vícios para as virtudes, da soberba para a humildade. Então, pois, aparecerão nos olhos a humildade e a simplicidade; na boca ressoarão a verdade e a bondade; dos ouvidos se removerá toda maledicência e toda lisonja; nas mãos se encontrará a pureza e a piedade; nos pés, a ponderação.”[2]
 
Antônio termina o sermão pedindo a Jesus - símbolo da alma espiritual de cada um - que vença com humildade a soberba do sentimento maldoso. E que nos possibilite quebrar com a simplicidade do coração a dureza da soberba e do orgulho, e “estender por toda parte nos sentidos do nosso corpo o sinal da humildade, a fim de que mereçamos chegar à sua glória”.
 
A humildade de que se fala na mística cristã e na teosofia autêntica é a base da verdadeira dignidade interior. Graças a ela, o ser humano é suficientemente realista para perceber que tem em si mesmo algo magnífico, a consciência elevada da sua própria alma espiritual. De outro lado, o eu inferior, que coordena o funcionamento dos seus cinco sentidos, é como um pobre animal a que pode faltar equilíbrio no modo como avalia a si mesmo. O eu inferior deve ser bem cuidado, corretamente treinado, e esclarecido sobre sua função na vida, para que desenvolva o necessário bom senso.
 
NOTAS:
 
[1] “Obras Completas”, Santo António de Lisboa, Lello & Irmão, Editores, Porto, Portugal, 1987, edição em dois volumes, ver volume I, pp. 186-187. Santo António, ou Antônio, nasceu entre 1190 e 1195 e viveu até 1231.
 
[2] “Obras Completas”, vol. I, pp. 191-192. No original deste trecho, temos “detracção”, ao invés de “maledicência”, palavra que uso para facilitar a compreensão do leitor do século 21. Alguns tempos de verbos foram adaptados à gramática atual.
 
000
 
O texto acima foi publicado nos websites associados no dia 25 de maio de 2021.
 
000
 
Leia mais:
 
* “Como Ajudar Quem Partiu”.
 
* “Borges, o Sábio Cego na Biblioteca”.

000
 

Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
000