15 de março de 2026

Notas Sobre Reencarnação e Filosofia

 
No Brasil dos Anos 1840, Um Pioneiro
da Teosofia Reflete Sobre a Vida Universal
  
Marquês de Maricá




0000000000000000000000000000000000000000000000000000000

Os pensamentos reproduzidos a seguir fazem parte da obra
Máximas, Pensamentos e Reflexões”, do Marquês de Maricá,
na edição dirigida e anotada por Sousa da Silveira, Ministério da
Educação e Cultura, Rio de Janeiro, 1958, 503 páginas. O número
de cada máxima e a sua página estão indicados entre parênteses.

Nascido no Rio de Janeiro dia 18 de maio de 1773, Mariano José
Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá, viveu até 16 de setembro
de 1848 e é um dos grandes pensadores teosóficos do Brasil. Sua obra é
pioneira: tem semelhanças notáveis com a filosofia de Helena Blavatsky,
mas foi escrita décadas antes da fundação do movimento teosófico.  

(Carlos Cardoso Aveline)

00000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000



* Um casulo é o túmulo de uma lagarta e o berço de uma borboleta; também a morte para o homem é o princípio de uma nova e melhor vida. (Máxima 782, p. 86)

* Sem a crença em uma vida futura, a presente seria inexplicável. (Máxima 927, p. 98)

* A vida tem um valor sem par para os que a sabem gozar e apreciar. (Máxima 2128, p. 210)

* A vida e a morte, o bem e o mal, ambos se balançam e harmonizam para a renovação, conservação e perpetuidade deste mundo planetário. (Máxima 2153, p. 213)

* A morte é tão misteriosa como a vida, esta porque principia, aquela porque a termina. (Máxima 3145, p. 328)

* Vida e composição, morte e destruição: eis o quadro resumido deste mundo. (Máxima 3146, p. 328)

* Deus se figura e individualiza de algum modo na natureza objetiva e fenomênica, sendo a sua substância aliás eterna, imensa e ilimitada por sua essência misteriosa e incompreensível. (Máxima 3147, p. 328)

* De que nos serviria uma nova vida se o nosso espírito não conservasse na memória o cabedal de ideias e conhecimentos que adquiriu na primeira? Se a acumulação progressiva de ciência nos variados mundos que temos de habitar, em variados e respectivos corpos, não promovesse a nossa felicidade, tornando-nos menos passíveis, e aumentando a soma dos prazeres sensoriais e intelectuais pelo progresso da nossa inteligência? Uma felicidade progressiva e sem fim por um progresso ilimitado de ciência e inteligência como o estudo, fruição e admiração das obras divinas: eis aqui a destinação do homem na sua existência multiforme no universo e por toda a eternidade. (Máxima 3148, p. 328)

* Ninguém receia tanto a morte como o sábio, admirador constante do espetáculo maravilhoso do universo, e comensal refletido no banquete universal da natureza: ele deplora a sua condição mortal pela privação de tão grandes bens, quando se achava mais habilitado para melhor os avaliar e admirar. Ainda que a ideia de uma outra vida o console e lhe dê esperança, ele sabe todavia o que perde, e ignora o que tem de ganhar em uma revolução de existência tão estranha como incompreensível; porém no meio das suas dúvidas e receios, reconhecendo a infinita bondade de Deus que a natureza apregoa e ele tem experimentado no progresso da sua vida, resignado e reconhecido, se entrega à sua divina providência, confiando a ela o melhoramento progressivo da sua sorte futura e eterna. (Máxima 3150, pp. 328-329)

* Dei ao mundo o sumo da minha vida; a minha alma é de Deus: o bagaço do meu corpo pertence à terra. (Máxima 3151, p. 329)

* A Eternidade compreende o tempo, a imensidade, o espaço. Deus compreende tudo - a Eternidade e Imensidade. (Máxima 3152, p. 329)

Nossa Vida se Prolonga pela Eternidade,
Com Variados Corpos em Inumeráveis Mundos

* As noções do infinito, eternidade e intensidade, da imortalidade da alma e de uma vida futura com as transcendentes da infinita sabedoria, poder e bondade de Deus, autor e Criador de tudo, provam demonstrativamente que a nossa vida não se limita à curta existência neste mundo, mas que terá de prolongar-se pela eternidade com variados corpos em inumeráveis mundos, crescendo a nossa inteligência progressivamente em ciência, virtude, amor, gratidão e admiração de Deus, e consequentemente em uma bem-aventurança tal que não é possível qualificar nem compreender. A inteligência humana é muito superior e transcendente à vida animal e temporária deste mundo terreal, e portanto nos anuncia altos e sublimes destinos depois dele em muitos outros [mundos] subsequentes e inumeráveis. (Máxima 3134, pp. 325-326)

* O material e o sensorial é o invólucro ou estojo do racional e espiritual: o espírito é a substância ativa e inteligente, o corpo, o instrumento ou maquinismo executor e condutor da sua ação e inteligência. (Máxima 3135, p. 326)

* Este mundo tem relações com o sistema solar de que faz parte e este com o sistema universal da criação, o que nos impossibilita de explicar inumeráveis fenômenos do nosso globo, que sem a nossa ignorância muito profunda seriam explicados com admiração da divina sabedoria que os ordenou e coordenou na formação do universo. (Máxima 3137, p. 326)

* Os homens parecem envergonhar-se dizendo que ignoram, e contudo a declaração ingênua da sua ignorância muito contribuiria para fazer avultar o seu pouco saber, inculcando a sua superior inteligência pelo conhecimento da sua mais ampla ignorância. (Máxima 3140, 327)

* Ainda que antigo pela sua existência, o mundo é sempre novo pelas suas produções animais e vegetais, as quais vão aparecendo sucessivamente com variedade e novidade. As gerações futuras hão de ver gêneros e espécies que nos são desconhecidas presentemente. (Máxima 3144, pp. 327-328)

* Verdades há como as estrelas, que só se avistam nos céus. (Máxima 3159, p. 330)

* Conhecemos a vida presente, fantasiamos a futura. (Máxima 3162, p. 330)

* O pouco que sabemos nos anuncia o imenso que ignoramos (Máxima 3164, p. 330)

A Presença Divina em Todo o Universo 

* Para bem geral dos homens é necessário que eles estejam convencidos desta grande verdade, que Deus está presente em tudo, que conhece os nossos pensamentos e intenções mais secretas com os motivos das nossas ações, e que pela ordem física e moral nos premia ou castiga conforme a bondade ou malignidade dos nossos atos. (Máxima 2949, p. 300)

* Há em nós duas individualidades, uma corporal e outra intelectual; esta se distingue amplamente daquela, quando sonhamos dormindo: este dualismo foi reconhecido em todos os tempos pelo gênero humano. (Máxima 2950, p. 301)

* Os nossos corpos variam com os anos, moléstias e idades: a identidade do nosso ser existe somente nessa unidade misteriosa a que chamamos alma. (Máxima 2951, p. 301)

* Deus é a vida eterna que se difunde sem desfalcar-se nem exaurir-se pela imensidade do espaço, vivifica e animaliza o universo, os mundos e todas as criaturas que neles se criam e reproduzem, desde as mais volumosas até os animais infusórios e microscópicos, e os átomos infinitésimos vivos de que se compõe o todo imenso da criação. (Máxima 2952, p. 301)

* Os sábios tornam-se insociáveis não por mau humor, mas por bondade e prudência; não querem ofender disputando em companhias com homens pouco inteligentes ou ignorantes, que presumem saber muito e não os podem compreender. (Máxima 2956, p. 301)

Reencarnação e Imortalidade 

* Há em nós uma substância imortal e indestrutível, ela constitui o fundo essencial de toda a fábrica fenomênica dos nossos corpos. (Máxima 2974, p. 304)

* A felicidade sensorial não pode ser progressiva; a moral, intelectual e religiosa, é ilimitada. (Máxima 3108, p. 322)

* Se não fôssemos ignorantes, seríamos impassíveis e imortais; a ignorância é a origem principal de todos os nossos males, convém portanto reduzi-la quando é possível a fim de que gozemos mais e soframos menos, o que se consegue com a cultura da razão, inteligência, pelo estudo e observação da natureza. (Máxima 2977, p. 304)

* Quando Deus nos fez surgir da eternidade, dando-nos o ser, contraiu conosco uma dívida de felicidade, que tem solvido na vida presente e há de solver nas subsequentes pela sua paternidade criadora e bondade ilimitada. (Máxima 2982, p. 305)

* A nossa existência apenas começada neste mundo tem o seu progressivo desenvolvimento por inumeráveis mundos e vidas na imensidade do espaço e eternidade dos tempos, aproximando-se à perfeição divina sem jamais poder alcançá-la por ser infinita e incomensurável no ser eterno, criador e regedor do universo. (Máxima 2983, p. 305)

* Há uma trindade de atributos essenciais na divindade, infinita sabedoria, infinito poder e infinita bondade: a sabedoria concebe, o poder executa, a bondade vivifica e felicita. (Máxima 2984, p. 305)

* No sistema concreto e material do universo não há vida sem corpo, nem morte sem a sua desorganização essencial. (Máxima 2994, p. 307)

* Não é sábio quem não é justo: a sabedoria é a excelência moral reunida à intelectual. (Máxima 3001, p. 307)

* Os homens vivem pelo seu pouco saber; a sua inteligência é proporcionada à organização material dos seus corpos: uma ciência muito superior às suas forças orgânicas os faria enfermar, enlouquecer e morrer. (Máxima 3002, p. 307)

* Ignorância e morte são condições essenciais da natureza humana: sem a primeira seriam os homens impassíveis e imortais; a segunda demonstra evidentemente a sua impotente e insignificante sapiência. (Máxima 3004, p. 308)

* Os homens terão chegado ao maior grau de inteligência quando souberem definir exatamente os dois vocábulos monossílabos e abstratos - bem e mal - com todas as relações que neles se compreendem. (Máxima 3011, p. 308)

* A ciência humana é coisa muito pouca neste orbe planetário, mas prelúdio de outra progressiva em inumeráveis mundos que os nossos espíritos guarnecidos de corpos correspondentes aos seus diversos sistemas e relações têm de habitar, conhecer, gozar e admirar eternamente. (Máxima 3013, p. 309)

* O infinito máximo compõe-se dos infinitos mínimos: ambos constituem o imenso universo, que Deus criou, anima, vivifica, em que se revelam, simbolizam e figuram os seus divinos atributos de infinita sabedoria, poder, bondade, justiça e providência. (Máxima 4056, p. 424)

A Reencarnação Faz Parte da Lei do Cosmo  

* “Vires acquirit eundo” [“Ganha força à medida que avança”], diz-se de um rio. Outro tanto se pode dizer dos espíritos, na sua eterna viagem por mundos inumeráveis, com variados corpos adaptados a seus diversos sistemas. (Máxima 4074, pp. 425-426)

* Como as baleias nos vastos oceanos da Terra, são os astros e os mundos viventes criaturas que se movem pelo oceano imenso do éter celestial. (Máxima 4089, p. 427)

* Tudo no universo é movimento e ação. Toda a alteração ou mudança ocasiona um fenômeno ou produto novo. Pode portanto dizer-se que tudo, com variedade e novidade, se remoça na criação universal. Tal é a sabedoria infinita do supremo ente, criador de tudo. (Máxima 4095, p. 428)

* Que capacidade imensa a da mente divina, compreendendo o ideal de tudo o que existiu, existe e há de existir por toda a eternidade, no espaço infinito e no tempo ilimitado da criação universal! (Máxima 4188, p. 438)

A Morte Como Transcendência

* A morte, que na opinião dos ímpios é extinção, para o homem religioso é promoção. (Máxima 1053, p. 109)

* A filosofia do panteísmo resume tudo em Deus e deriva tudo de Deus: no primeiro caso, pelo idealismo; no segundo, pelo realismo. (Máxima 4160, p. 435)

* O nosso corpo é o telégrafo da nossa alma; significa [ou seja, expressa] exteriormente o que ela sente, pensa e quer. São numerosos os modos desta significação [expressão]; mas o principal é a palavra. (Máxima 4161, p. 435)

Nada no Universo Ocorre por Acaso

* Tudo está relacionado e coordenado neste mundo, os efeitos com as causas, os consequentes com os antecedentes, os fins com os meios; nada é fortuito, vago e sem razão suficiente da sua existência, o que demonstra a sabedoria infinita com que tudo foi feito, existe, e tem de proceder na extensão do espaço e sucessão dos tempos. (Máxima 3062, p. 315)

* De que nos serviria a outra vida se o nosso espírito não conservasse o cabedal de ideias e conhecimentos que adquiriu na primeira, e perdesse a memória da sua identidade individual e intelectual! (Máxima 3063, p. 315)

* O panteísmo ou infinito deísmo universal bem entendido é talvez o ultimatum da mais alta filosofia racional e religiosa. (Máxima 3065, p. 315)

* Tudo está vitalizado e figurado no universo, um átomo infinitésimo não existe sem uma vida e figura especial, que o constitui agente e paciente no sistema universal. (Máxima 3070, p. 316)

* Homens há tão ambiciosos de riqueza como outros de ciência; estes têm a vantagem, pressuposta uma outra vida, de levar e aproveitar o seu cabedal; aqueles, pelo contrário, perdem necessariamente os seus capitais, sendo forçados a deixá-los pela morte. (Máxima 3831, p. 397)

* Acordados ou dormindo sempre pensamos, mas não sentimos do mesmo modo; o espírito sendo o mesmo, o corpo é diverso nos dois estados. (Máxima 3861, p. 403)

* Átomos viventes colocados em pontos diversos do espaço imenso, julgamo-nos imperceptíveis e indignos da atenção, providência e beneficência divina: tal opinião é um erro grosseiro, produto da nossa ignorância e irreflexão. Deus pela sua imensidade e incompreensível natureza ocupa o espaço infinito, anima e vivifica toda a criação, e se é lícito assim dizê-lo, é sensível em todo o universo, em todas as suas partes máximas e mínimas e átomos infinitésimos, e portanto está presente a tudo, vela sobre tudo, e nenhum vivente, por mais diminuto que seja, está fora da sua providência benéfica, e bondade ilimitada. (Máxima 3862, p. 403)

* Os homens não têm nem podem formar ideia de substâncias imateriais, as almas e espíritos são considerados por eles como entidades corporais perceptíveis aos sentidos com forma, figura e lugar no espaço, capazes de ação e reação, e, quando muito, os reputam de uma substância material mais sutil e menos densa que a dos corpos viventes deste mundo. (Máxima 3863, pp. 403-404)

A Teosofia no Brasil, Antes de Helena Blavatsky

* A matéria não é menos misteriosa e incompreensível do que a inteligência, ambas porém se combinam, harmonizam e constituem o universo. (Máxima 3865, p. 404)

* Sonhei que, admirando a lua cheia na plenitude da sua luz reflexa, surgia em mim o desejo ardente de a visitar e conhecer de perto, quando uma voz sonora, mas de objeto não distinto, retiniu aos meus ouvidos. - Pobre criatura! A tua ignorância te desculpa; sabe que cada um dos mundos da imensidade tem um sistema e construção especial; que os seus habitantes não podem existir em algum outro que não seja aquele para que foram organizados. O teu espírito tem de habitar e admirar inumeráveis orbes pela sucessão dos tempos e progresso da eternidade, mas somente com corpos privativos e adotados ao sistema particular de cada um deles. A sabedoria do Onipotente, sendo infinita, a variedade das suas obras é ilimitada, tudo o que ideou e produz na imensidade do espaço é original e sem cópia. Calou-se, e acordei assombrado com esta inesperada e portentosa revelação. (Máxima 3081, pp. 317-318)

[A máxima acima, 3081, expressa um princípio da filosofia esotérica que é exposto e explicado amplamente na obra “A Doutrina Secreta”, de Helena Blavatsky, e nas Cartas dos Mahatmas. No entanto, o pioneiro Marquês de Maricá concluiu a sua encarnação em 1848, quatro décadas antes da publicação de “A Doutrina Secreta” em 1888. A primeira edição das Cartas dos Mahatmas só foi publicada em 1922. (CCA)]

* Não podendo imaginar espíritos sem corpos organizados que os ponham em relação com o universo material, demonstrador dos divinos atributos pelas maravilhas sem conto que compreende, devemos supor que os bem-aventurados têm uma inteligência transcendente que os abriga e defende dos males a que a sua sensibilidade corporal os expõe e sujeita. (Máxima 3082, p. 318)

* Quanto mais vivemos e pensamos, mais nos convencemos de uma ordem maravilhosa no todo e [nas] partes deste mundo, constituído pela divina sabedoria com relações próximas e remotas, que ignoramos geralmente, sendo a nossa ignorância a causa das doutrinas e opiniões extravagantes que professamos, e constituem ordinariamente o que se chama ciência humana. (Máxima 3083, p. 318)

* O universo material é animado por Deus, como o nosso corpo pela nossa alma. (Máxima 2833, p. 284)

* É argumento muito poderoso de uma outra vida a crença instintiva e universal do gênero humano na sua existência e realidade. (Máxima 2841, p. 284)

* Os homens vivem em um engano e ilusão constantes, ocupados na curta esfera deste mundo, que consideram como um todo vastíssimo, não sendo mais que um átomo infinitésimo no sistema imenso da criação; dando-se uma importância ridícula a tudo que lhes pertence, parecem desconhecer que as doenças e a morte denunciam a sua miséria e ignorância, e que toda a sua grandeza e glória terrestre se reduzem em breves instantes a pouca cinza e pó. (Máxima 2799, pp. 278-279)

O Sábio, o Silêncio e a Solidão

* Os sábios não brilham por [serem] modestos; falta-lhes a protérvia [a arrogância] dos charlatães. (Máxima 2794, p. 278)

* O sábio é o homem menos terrestre e mais celestial que os outros. (Máxima 2711, p. 269)

* As noções sublimes de uma outra vida e de um progresso intelectual ilimitado não foram outorgadas pela divindade para nossa ilusão: se o gênero humano vê e espera semelhantes bens é porque tais crenças e esperanças lhe foram sugeridas por Deus, que não engana nem pode ser enganado. (Máxima 2709, p. 268)

* Todos se acusam ou se queixam de pouco dinheiro, nenhum de pouco juízo. (Máxima 4142, p. 433)

* Há muita gente que morre embebida nos vícios e prazeres da vida, como as formigas e outros insetos na calda do açúcar. (Máxima 4152, 434)

* Os vícios encurtam a vida, as virtudes a prolongam. (Máxima 4154, p. 434)

* No exercício da vida, querendo gozar o mais e sofrer o menos possível, os melhores calculistas são os homens bons e virtuosos; os piores, os maus e viciosos. (Máxima 4151, p. 434)

* Os homens enganam-se com a ideia de um progresso material e intelectual que esperam neste mundo, e que só pode verificar-se em outros [mundos] e outras vidas. (Máxima 2681, p. 265)

* No jogo, movimento e ações dos homens, no teatro deste mundo, ocorrem frequentes dúvidas sobre a providência divina, que a razão, por muito limitada, não pode resolver, ciente todavia de que tudo foi previsto, coordenado e regulado por Deus para o maior bem geral e particular da espécie humana. (Máxima 4133, p. 432)

* O ideal do universo existia em Deus antes da sua criação, como existe na imensa capacidade da mente divina tudo o que tem de realizar-se simultânea e sucessivamente no espaço e tempo por toda a eternidade. (Máxima 4156, p. 434)

* A imaginação será a mesma memória, enquanto inventiva e criadora? (Máxima 4184, p. 437)

* A imaginação supõe invenção, a memória a exclui: esta porém lhe ministra os materiais para o seu trabalho de criações novas. (Máxima 4187, p. 438)

* A maior e melhor garantia para o sábio é o silêncio com a solidão. (Máxima 2241, p. 222)

* A bênção de Deus é um capital imenso que nos abastece de tudo, e não permite que tenhamos falta de coisa alguma. (Máxima 2247, p. 222)

Dizer Bem de Todos e Não Falar Mal de Ninguém

* Nunca os povos sofrem tanto como quando se fala mais em liberdade e menos em virtude e obediência. (Máxima 977, p. 102)

* Faltando os bons costumes, multiplicam-se as leis e com elas as transgressões. (Máxima 2198, p. 217)

* Não admira que os néscios se considerem muito sabedores: eles têm a vantagem de desconhecer que ignoram. (Máxima 2201, p. 217)

* Tudo morre ou perece para que tudo se renove: os tipos são os mesmos, mas as obras publicadas são sempre novas. (Máxima 967, p. 101)

* O pensamento está sempre em atividade, ainda quando o corpo parece mais preguiçoso. (Máxima 3870, p. 404)

* A sabedoria humana reconhece a sua própria limitação e, admirada do espetáculo assombroso do universo e das maravilhas sem conta que compreende, exclama no seu entusiasmo: ‘Imensa é a inteligência que concebeu e realizou no espaço o sistema vastíssimo e incompreensível da criação universal!’ (Máxima 3871, pp. 404-405)

* Tudo na natureza é objeto de admiração e pasmo, mas sobretudo o desenvolvimento progressivo do gênero humano no teatro deste mundo. (Máxima 3872, p. 405)

* O menor átomo infinitésimo está tão sujeito à vontade onipotente de Deus, como o maior dos mundos e o imenso universo; assim a matéria se figura e coordena pontual e passivamente, segundo os desígnios da eterna sabedoria. (Máxima 3839, p. 399)

* A bem-aventurança do sábio neste mundo consiste em pensar em Deus, estudando, gozando e admirando as suas obras maravilhosas. (Máxima 3840, p. 399)

* Vamos em progresso dizendo bem de todos e mal de ninguém. (Máxima 3841, p. 399)

* Cada um dos mundos existentes no espaço, sendo uma concepção da sabedoria divina, não pode deixar de ser perfeitíssimo no seu todo, partes máximas e mínimas para o propósito e fim a que Deus o destinou no sistema geral do universo. Em vão se nos antolham defeitos e irregularidades na sua estrutura e relações, é à nossa ignorância ou limitação de inteligência que devemos tais aparências de desordem e anomalias; a sabedoria imensa de Deus não podia produzir obra ou sistema que não fosse ótimo e perfeito na sua contextura, relações, meios, fins e destinação para exercício da sua eterna beneficência e felicidade das suas criaturas vivas, sensíveis e inteligentes. Se a mais pequena flor ou inseto é um compêndio e demonstração da sua sabedoria infinita, que diremos de um mundo, sistema solar e do imenso universo! (Máxima 3859, pp. 402-403)

000

O texto acima está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde o
dia 15 de março de 2026. Faz parte também da edição de janeiro de 2026 de “O Teosofista”, pp. 1-9.

000



Qualidade vale mais que quantidade.

O Marquês de Maricá (foto) é um dos grandes pensadores brasileiros: no entanto, escreveu um só livro. Uma obra-prima. Quando o Brasil for mais ético, o Marquês será mais famoso, e quando este filósofo for mais conhecido, haverá uma forte ética no país. Clique para ver a edição mais bem documentada do livro Máximas, Pensamentos e Reflexões, a clássica edição de 1958. (CCA)

000

Leia mais:






000

Vídeos curtos e claros sobre Teosofia no YouTube:





000





000



Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

000


 
 

10 de março de 2026

O Anel de Sinete de H.P. Blavatsky


A História do Anel, Ampliada
Com Notas, Mostra Por Que os
Teosofistas Precisam Ser Honestos 
 
Radha Burnier
(Presidente internacional da ST de Adyar de 1980 a 2013)
 
Radha Burnier (1923-2013) e a imagem gravada no anel de sinete HPB



Durante as minhas viagens e com frequência durante as Convenções Internacionais [da Sociedade Teosófica de Adyar] uma ou outra pessoa pergunta sobre “o anel de HPB”, e se ele pode ser visto. A história do anel de sinete [1] de HPB foi contada pelo ex-presidente [da ST de Adyar] C. Jinarajadasa, que a ouviu da sra. Francesca Arundale. Foi publicada na edição especial de The Theosophist de agosto de 1931, o número do Centenário de HPB.

Quando HPB estava vivendo na casa da srta. Arundale e de sua mãe, em 1884, ela quis ter um anel de sinete feito de acordo com um desenho definido por ela mesma, e a srta. Arundale encomendou a feitura do anel. Era de uma pedra ágata verde escura, quase preta [2], tendo gravado o duplo triângulo do símbolo do [movimento] teosófico e a palavra sat escrita no alfabeto Devanagari. Sat significa “Verdade” em sânscrito. Ao mesmo tempo, com autorização de HPB, a srta. Arundale mandou fazer um anel semelhante para si mesma. Mas havia uma diferença: o carimbo de HPB estava num pesado anel de ouro, colocado sobre uma estrutura oval com uma dobradiça e uma tampa cobrindo um medalhão, logo abaixo.

A cópia deste anel, feita para a srta. Arundale, era mais leve e não tinha a tampa giratória nem o medalhão. Jinarajadasa diz que HPB usou o seu anel desde 1884 até o dia da sua morte, despois do qual ele passou, de acordo com a sua vontade, para Annie Besant. A dra. Besant sempre usava o anel, no dedo indicador da mão direita.

A sra. Arundale, também, usava sempre o seu anel, e quando ela morreu, segundo nos contaram, ela o passou para o seu sobrinho G.S. Arundale [3], que o entregou como presente para os Arquivos da Escola Esotérica. Foi este o anel que o Irmão Jinarajadasa colocou no dedo de N. Sri Ram na sessão inaugural depois que este foi eleito Presidente. Muitos membros conhecem a fotografia que registrou a ocasião. O anel passou depois para John Coats quando ele se tornou presidente [da Sociedade Teosófica de Adyar] e está agora comigo. Seria mais correto, portanto, referir-se a ele como anel presidencial, ao invés de “anel de HPB”.  

Quando Annie Besant morreu, George Arundale, que era o seu legatário e se tornou presidente da ST, adquiriu o anel de HPB. Com a morte dele, [sua esposa] Rukmini Devi ficou de posse de todos os seus bens e documentos, e não se sabe o que aconteceu com o anel de HPB, nem quem ficou com ele após a morte de Rukmini Devi.

Estranhamente, os dois anéis especialmente associados a HPB desapareceram do acervo histórico da Sociedade Teosófica [de Adyar].

A origem do outro anel, “o Anel da Rosa”, é descrita pelo coronel Olcott em seu diário Old Diary Leaves [TPH, Primeira Série, pp. 93-97, e, em português, “Raízes do Oculto”, Ed. Ibrasa, SP, 1983, pp. 72-77], e vamos resumir aqui o seu relato. Depois de uma visita à sra. Mary Baker Thayer, de Boston, conhecida como “a médium das flores” porque em sua presença choviam flores, o coronel Olcott passou a HPB uma bonita rosa, semiaberta, mandada pela sra. Thayer “como um presente dos espíritos”. Quando HPB segurou a rosa em sua mão e aspirou o seu perfume, ela tinha aquele olhar distante associado com fenômenos ocultos. Neste momento, o dono da casa, sr. Charles Houghton, um advogado, entrou e pediu para olhar a rosa. Quando HPB passou a ele a rosa, ele subitamente disse, “Como ela é pesada! Nunca vi uma flor como esta. Veja, o seu peso faz com que ela se incline na direção do caule!” Quando ele deu a flor a Olcott para que a visse, HPB exclamou: 

“Tenha cuidado, não o quebre!”

Um ponto de luz apareceu no centro da rosa e saltou dela um pesado, completo, anel de ouro. A rosa imediatamente endireitou-se. Uma noite, um ano e meio mais tarde, a srta. W.H. Mitchell, irmã de Olcott, veio fazer uma visita e quis ver o anel. Depois de olhar para ele, ela esticou o braço com ele na palma da mão, para devolvê-lo a HPB. Em vez de pegar o anel,
H.P. Blavatsky fechou brevemente os dedos da srta. Mitchell em torno do anel. Ao abrir a mão, a srta. Mitchell e todos os presentes viram que três pequenos diamantes, formando um triângulo, estavam agora no que antes era um anel de ouro simples. Este anel perdeu-se em torno de 1979. [4]

No dia 12 de outubro de 1979 foi informado em uma reunião do Comitê Executivo presidida pelo sr. John Coats, presidente da Sociedade Teosófica [de Adyar]: 

“Dois itens foram roubados do armário na Sala da dra. Annie Besant, usado para guardar alguns objetos históricos associados com a Sra. Blavatsky. Dois ou três anos antes, a Medalha Subba Row, dada à sra. Blavatsky, havia desaparecido. Cerca de duas semanas antes da reunião do Comitê Executivo, foi descoberto que o Anel da Rosa havia desaparecido também. Como o armário não era aberto havia mais de um ano, não se sabia exatamente quando o anel foi tirado. A questão havia sido levada à polícia, e uma investigação estava sendo feita.
Desde então, todos os outros itens daquele armário foram colocados em um armário Godrej (de aço) fixo na parede, no Departamento de Arquivos.”

Na ata de uma reunião posterior do Comitê executivo, realizada em 20 de novembro de 1979 e dirigida também pelo presidente John Coats, foi relatado:

“… A polícia está examinando os arquivos de casas de leilão, em busca de informação sobre o Anel da Rosa. O Gerente Geral deve confirmar que uma fotografia do anel foi publicada no boletim da polícia. Um fac-símile da Medalha Subba Row, que havia sido oferecida a HPB, será feito na sede da ST na América do Norte, em Wheaton, onde são guardadas várias medalhas em branco, e o fac-símile será trazido para Adyar.”

Aparentemente o destino não quis que a Sociedade mantivesse nenhum destes objetos especiais [5], nem o anel de HPB com uma tampa cobrindo um medalhão.

NOTAS DE “O TEOSOFISTA” EM 2024:
                                               
[1] Usado há milhares de anos por reis e líderes espirituais, o anel de sinete é um símbolo da posição de poder daquele que o possui, e, além de ser usado em um dedo, funciona como pequeno carimbo para lacrar envelopes com mensagens escritas, usando uma cera vermelha especial (o lacre). (CCA)

[2] Estas são algumas fatias de pedras ágata verde, semelhantes às que pertencem às bibliotecas da Loja Independente de Teosofistas:



As pedras ágata têm várias propriedades ocultas, e afirma-se que protegem as pessoas honestas que as possuem. Em Ísis Sem Véu (Ed. Pensamento, volume IV, pp. 216-217), HPB revela que ela tinha consigo um talismã que “era uma simples ágata ou cornalina”. Um dos nomes históricos da cornalina é precisamente “ágata carneola”, e outro nome histórico é apenas carneola. O talismã tinha um triângulo gravado nele, dentro do qual estavam gravadas algumas palavras místicas. Ver o talismã foi o suficiente para alguns místicos notáveis decidirem imediatamente que ajudariam HPB em qualquer coisa que ela precisasse. Cabe registrar, no entanto, que o talismã de “ágata ou cornalina” não era o anel de ágata verde, cujo histórico é abordado por Radha Burnier no presente texto. (CCA)

[3] George S. Arundale foi eleito e assumiu a presidência internacional da Sociedade de Adyar em 1934. (CCA)

[4] Esta é a foto do “anel da flor”:



Foi publicada por H.S. Olcott na p. 96 de “Old Diary Leaves” (TPH), primeira série. (CCA)

[5] A frase final do artigo é reveladora. Estes roubos de objetos sagrados na sede internacional da Sociedade de Adyar tiraram mais ainda, daquele local, o sentimento do sagrado e a confiança mútua que são necessários para um trabalho teosófico verdadeiro. Neste, como em outros assuntos, Radha Burnier foi franca e honesta. A palavra SAT, VERDADE, gravada no anel de HPB, está lá por uma forte razão. Se trata de um compromisso inevitável. E não se refere apenas à verdade absoluta universal. Afirma a necessidade de absoluta sinceridade e boa vontade em todas as coisas, na vida teosófica. O distanciamento entre a Ética e Adyar começou durante a vida de HPB. A sra. Blavatsky foi forçada a abandonar Adyar durante a década de 1880 e teve de recomeçar o seu trabalho a partir da Inglaterra. Desde 1891, a distância entre a verdadeira teosofia e a Sociedade de Adyar tem sido sempre bastante grande, com algumas exceções aqui e ali. No seu artigo “Por Que Não Volto à Índia”, Blavatsky admitiu: “... E tampouco posso - se eu quiser ser fiel ao meu compromisso e aos meus votos de vida inteira - viver na Sede Geral da qual os Mestres e o espírito Deles foram virtualmente banidos. A presença dos Seus retratos não ajudará. Eles são letra morta.” HPB sabia que a Lei do Carma não pode ser cancelada jamais. Cada erro é completamente corrigido, e compensado, no seu devido tempo. (CCA)

000

Nota Editorial Final:

* Nascida em 1923, Radha Burnier presidiu a Sociedade Teosófica de Adyar durante 33 anos, desde 1980 até 2013. 

* Mais informação sobre os anéis de HPB pode ser encontrada no livro “The Judge Case”, de Ernest E. Pelletier, Edmonton Theosophical Society, Canadá, 2004, Parte I, p. 323 (a influência oculta do anel de ágata ajuda William Judge), e Parte II, pp. 115 até 119.

* Henry Cornelius Agrippa discute o assunto dos anéis mágicos na obra “Three Books of Occult Philosophy”, Kessinger Publishing Co., EUA, 288 pp., capítulo XLVII, pp. 141-143.

(CCA)

000

O artigo acima está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde o
dia 10 de março de 2026. Ele foi traduzido por CCA da revista “The Theosophist”, Adyar, Índia, edição de junho de 2001, pp. 368-369. Faz parte da seção editorial intitulada “On the Watch-Tower”. Notas explicativas foram acrescentadas. Foi publicado também, com notas, na edição de fevereiro de 2024 de “The Aquarian Theosophist”, e na edição do mesmo mês de “O Teosofista”, pp. 1-5.

000

Leia mais: 





* Bispo Católico Visita Plantações em Marte (Viagens Espaciais de um Sacerdote Desorientado).


* Do Ritualismo Para a Raja Ioga (texto de um Mahatma dos Himalaias).

000

Vídeos curtos e claros sobre Teosofia no YouTube:





000





000



Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

000