18 de outubro de 2014

Jesus Cristo, o Guerreiro da Verdade

O Profeta Submisso Adorado
por Roma Não Existe no Evangelho

 Carlos Cardoso Aveline

 Jesus Cristo Segundo o Capítulo 11 do Evangelho de São Marcos


Ao longo da história humana, tem havido religiões perseguidas, e tem havido religiões perseguidoras. A evolução da religião cristã ilustra bem esse fato.

Depois de sofrer perseguição durante algum tempo, em determinado momento o cristianismo é adotado e adaptado pelos poderosos  e passa a ser uma religião de Estado, uma religião imperial baseada em Roma.  

Foi a partir de então que generalizou-se gradualmente a aceitação de uma imagem de Jesus Cristo como o mestre da obediência, da resignação, da passividade e da submissão.

Quando lemos os Evangelhos do Novo Testamento,  no entanto, a ideia de um Jesus submisso e obediente cai por terra. Há ali evidências numerosas no sentido de que Jesus foi, na verdade, um guerreiro da luz. Ele desafiou as estruturas religiosas e sociais do seu tempo.  Ele não criou nem mandou criar uma igreja centralizadora ou autoritária.  Não adaptou-se às rotinas da sua época. Questionou-as todas.

A filosofia esotérica parte da premissa de que existe uma mesma sabedoria universal presente sob diferentes roupagens nas várias tradições religiosas e filosóficas da nossa humanidade.  Por isso ela promove o estudo comparado de religiões.  Para a filosofia esotérica, a figura de Jesus é mais do que um mestre que viveu um dia. A ideia de Jesus  simboliza sobretudo a energia crística ou búdica que está presente e pode ser encontrada dentro de cada ser humano. 

A palavra sânscrita “Buddh”  significa luz espiritual, e “Buddha” ou “Buda” não é o sobrenome de Gautama, mas significa apenas “Iluminado”.  Assim, a luz crística é a luz búdica. Jesus é a voz da alma imortal, a  voz da nossa consciência. A força do espírito não se apega à rotina automática dos velhos apegos. Ao contrário, a voz da alma questiona as rotinas e as ameaça e por isso é perseguida, suprimida - e substituída pela obediência cega.   

De um lado é verdade que o nascimento da sabedoria crística ou búdica na alma humana traz paz interior. De outro lado, esse surgimento provoca externamente contraste, conflito, combate e luta. Daí a necessidade de sermos guerreiros. Esse duro contraste corresponde ao que as grandes religiões chamam de “testes” e “provações”.  Vejamos alguns trechos dos Evangelhos cristãos que servem  como evidências disso.

Logo no início do evangelho de Lucas, ao profetizar sobre a futura missão de Jesus, Simeão anuncia:

“Eis que esse menino foi colocado para a queda e para o soerguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição ...” (Lucas, 2:34). 

Sim, um sinal de contradição.  Jesus é alguém que colocará as pessoas diante de escolhas difíceis.

Anos mais tarde, já maduro e armado com a espada sutil da verdade e do discernimento, o mestre Jesus aparece como um guerreiro. Em Mateus, 10: 34-39, ele alerta:

“Não pensem que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe; e entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha  mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de  mim.  Quem acha a sua vida a perderá; quem, todavia, perde a vida por minha causa a achará.”

Esta passagem tem uma forte correlação com algumas frases do livro do Êxodo, no velho testamento.  Em Êxodo, 32:27-29, Moisés diz a seus seguidores, em nome de Jeová:

“Cinja cada um a espada sobre o lado, e passe e torne a passar pelo acampamento de porta em porta, e mate, cada qual,  a seu irmão, a seu amigo, a seu parente.”  O absurdo, do ponto de vista espiritual, é evidente. Uma leitura literal desta passagem não faz  sentido, até porque um dos mandamentos de Moisés era “Não matarás”.

Na verdade, tanto na passagem de Jesus como na de Moisés, temos aqui a dura lição da impessoalidade. É preciso olhar com desapego para nossos vínculos pessoais mais íntimos.  É aí que se dá um combate em que a espada da verdade é indispensável, um  combate contra a falsa paz da rotina e da acomodação.  Não se trata de entrar em conflito com as pessoas mais próximas a nós, e muito menos matá-las. Trata-se,  isso sim, de combater e matar nosso próprio apego ou  rejeição a elas.  

Jesus não promete conforto. Ele anuncia uma vida dura e incômoda para quem quiser “tomar a sua cruz” - isto é, assumir seu próprio carma - e seguir o caminho da sabedoria e da alma imortal que ele, como Mestre, simboliza e sinaliza.  

Em  Mateus, 10:22 e 10:23,  ele alerta:

“E vocês serão odiados por todos por causa do meu nome. (...) Quando perseguirem vocês em uma cidade, fujam para outra. E se perseguirem vocês nesta, tornem a fugir para uma terceira.”

A necessidade de transcender os apegos e rotinas pessoais aparece novamente em Mateus, 12: 46-50:

“Falava ainda Jesus ao povo, e eis que sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe. E alguém lhe disse: ‘Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar-te.’ Porém ele respondeu ao que lhe trouxera o aviso: ‘Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?’ E, estendendo a mão para os discípulos, disse: ‘Eis minha mãe e meus irmãos. Porque qualquer que fizer a vontade do meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe’.”

O que é, precisamente, “pai celestial”? Para a filosofia esotérica, “pai celestial” é “Atma”, a divindade no interior da consciência de cada um. Não é uma autoridade externa. Jesus não construiu igreja centralizada. Ele não acreditava em autoridades externas à consciência humana.  

A pedagogia espiritual da filosofia esotérica vê dois aspectos essenciais no modo como o mestre Jesus ensina.  Um é a autonomia do aprendiz, respeitada pela ausência de uma estrutura asfixiante de poder centralizado. Outro aspecto é a franqueza e a autenticidade do mestre. 

Há, ainda hoje, uma certa religiosidade espiritualista de classe média segundo a qual Jesus Cristo é alguém incapaz de uma atitude áspera. De acordo com essa visão, não só Jesus, mas qualquer pessoa espiritualizada jamais pode ou deve colocar limites a quem age erradamente. E quando alguém o faz é imediatamente catalogado como “não-espiritual”, “pouco evoluído”, “insensível, “endurecido”, etc.

Não é isso, porém,  que vemos em Marcos, 11:15-19. 

O fenômeno da purificação do templo mostra um combate aberto entre a sinceridade e a hipocrisia. Diz o  evangelista: 

“E foram para Jerusalém. Entrando ele no templo, passou a expulsar os que ali vendiam e compravam; derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo; também lhes ensinava e dizia: ‘Não está escrito que a minha casa será chamada de casa de oração para todas as nações? Vocês, porém, a transformaram em covil de salteadores’. E os principais sacerdotes e escribas ouviam estas coisas e procuravam um modo de lhe tirar a vida, porque toda a multidão se maravilhava da sua doutrina. Ao chegar a tarde, saíram da cidade.”

É interessante observar que Jesus não usa meias palavras. Ele diz que o templo foi transformado em nada menos que um “covil de salteadores”. Assim, os mais notáveis sacerdotes passam a tramar sua morte. A conclusão, para nós - aprendizes da sabedoria antiga - é que o caminho espiritual é perigoso. Esse caminho estreito e difícil requer coragem, desapego  e determinação.

Por isso a metáfora do caminhante espiritual como um guerreiro faz todo sentido do ponto de vista da filosofia esotérica.

A dimensão guerreira de Jesus aparece com destaque em Mateus 23. Ali, ao longo de todo o capítulo, ele desafia abertamente os dogmas doutrinários dominantes em qualquer ocasião, e alerta contra a hipocrisia religiosa presente nas mais diferentes épocas. Vejamos um pequeno trecho desse sermão fundamental:   

“... Guias cegos, que coam o mosquito e engolem o camelo! Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas, porque vocês limpam o exterior  do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança! Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo!” (Mt 23: 24-26)

E ainda:

“Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas, porque vocês são semelhantes aos sepulcros caiados, que,  por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundície! Assim também vocês exteriormente parecem justos aos homens,  mas, por dentro, estão cheios de hipocrisia e iniquidade.”  (Mt 23:27-28) 

Sem qualquer preocupação diplomática ou apego por palavras exteriormente amáveis, o severo Mestre Jesus chama os  hipócritas de “serpentes” e “raça de víboras” (Mt 23: 33). Antes, ele já os havia qualificado de “insensatos e cegos” (Mt 23: 17). A sinceridade, em Cristo, vale mais que a cortesia formal. Ele sabia que a cortesia aparente, quando a sua importância é exagerada, passa a ser uma casca externa que produz falsidade e à ilusão.

A encenação teatral da amabilidade e a necessidade de satisfazer as expectativas alheias a qualquer custo  também provoca uma incapacidade de tomar decisões.

Por falta de convicção própria, muita gente empurra a vida com a barriga, posterga e evita a escolha de um rumo próprio. Essas pessoas avançam ou recuam de acordo com a maré, como  barcos sem leme, ou como  barcos em que não há ninguém ao leme. 

Sobre a necessidade de fazer opções claras, Jesus afirma:

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Vocês não podem servir a Deus e às riquezas.” (Mt 6: 24)

O Apocalipse  também condena fortemente a indecisão, porque ela impede o avanço ao longo do caminho. A consciência divina dirige essas palavras ao anjo de uma determinada igreja:

“Conheço as tuas obras, sei que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca.” (Ap 3:15-16)

Em seguida o autor do Apocalipse justifica sua linguagem dura. Ele nos dá um exemplo vivo da antiga e sábia tradição segundo a qual um verdadeiro mestre e um verdadeiro irmão não ficam presos a palavras externamente amáveis, mas, ao contrário, atuam com rigor e sinceridade:

“Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir  a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo.” (Ap 3: 19-20)  

“Casa”, aqui, simboliza “alma”, consciência. A voz do espírito bate à porta da consciência do aprendiz que toma decisões com seriedade.

O mesmo rigor sem meias palavras entre companheiros do caminho espiritual emerge em numerosas outras passagens do Novo Testamento. Certa vez, Jesus vai em um barco com seus discípulos quando surge grande tempestade. Os discípulos despertam o mestre, assustados. Jesus repreende o vento, controla-o, e chama a atenção dos aprendizes:

“Por que vocês são assim tímidos? Como é que vocês não têm fé?” (Mc 4: 36-40)

Em outra ocasião,  Jesus explica aos discípulos que será necessário que ele sofra muitas coisas. Ele será rejeitado pelos anciãos e pelos principais sacerdotes e eruditos religiosos, será morto e, depois de três dias, ressuscitará. Ao ouvir isso, Pedro chama-o à parte e começa a discordar, tentando defender a lógica do mundo e da acomodação.  

O Evangelho de Marcos narra a reação do mestre à atitude de Pedro:

“Jesus voltou-se e, fitando os seus discípulos, repreendeu a Pedro e disse: ‘Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.’ E então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, Jesus disse-lhes: ‘Se alguém quiser vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me’.” (Mc 8: 31-34) 

O contraste entre erro e acerto é claro. Aqui, vemos novamente a franqueza severa que é necessária entre irmãos de caminhada, ou entre mestre e discípulo. Jesus manda “negar a si mesmo e tomar sua cruz” para poder segui-lo.

Como vimos acima, “tomar a sua cruz” significa assumir o seu próprio carma. É aceitar plena responsabilidade por sua vida. É não rejeitar ou apegar-se a circunstâncias desagradáveis ou agradáveis, mas fazer o que é correto, plantando o bem e a verdade que se deseja colher um dia.

Porém, qualquer um de nós poderia pensar:

“Essas atitudes severas de Jesus são atípicas. O Jesus autêntico é aquele de Mateus, 5: 38-45. É o Jesus do amor incondicional.”

Há uma forte contradição entre as atitudes severas e as atitudes suaves de Jesus. Seria isso um  sinal de incoerência do Mestre? 

A resposta é negativa. A atitude espiritual não é como o samba de uma nota só. Coerência não é sinônimo de imobilidade emocional. O peregrino maduro tem discernimento para saber quando deve ser firme (nas questões essenciais) e quando deve ser flexível (nas questões secundárias).

Falando sobre a vingança, por exemplo, o mestre afirma:

“Você ouviu o que foi dito: ‘Olho por olho, dente por dente’. Eu, porém, digo: ‘não resista ao perverso, mas, a qualquer um que ferir você na face direita, ofereça também a outra face; e ao que brigar com você e tirar-lhe sua túnica, deixe-lhe também a capa’.” (Mt 5: 38-40)

Esses parágrafos não significam que o bom cristão deve apegar-se como um masoquista a todo e qualquer ato de injustiça cometido contra ele, buscando a  sua repetição e o seu aprofundamento.

Isso não seria amar nem respeitar os inimigos. Como sabemos, não é bom carma para nossos inimigos fazer injustiças contra nós. Portanto, se quisermos ajudá-los, devemos evitar que eles insistam em atropelar nossos direitos.

O que se planta se colhe. Todo aquele que faz injustiça contra alguém está chamando desgraças para si. Se respeitamos e queremos o bem dos nossos adversários, devemos, na medida do possível, tomar medidas para evitar que eles cometam injustiças ou agressões gratuitas contra nós ou contra quaisquer seres.

Na verdade, o significado dos versículos acima é que o aprendiz deve abster-se de toda vingança ou retaliação pessoal contra aqueles que o agridem. Coincidindo com esse trecho do Novo Testamento, a filosofia esotérica oriental deixa claro que a busca de vingança é proibida a todo aquele que pretender trilhar o caminho espiritual. Mas o estabelecimento de relações justas e baseadas no respeito mútuo  é igualmente essencial para uma boa caminhada.  

Examinemos agora outro trecho do ensinamento de Jesus que tem sido usado à exaustão para justificar, erradamente, a repressão neurótica da diversidade e a aceitação ilegítima da injustiça. 

Jesus afirma no evangelho de João:

“Dou um novo mandamento a vocês: que vocês se amem uns aos outros. Assim como amei a vocês, que também amem uns aos outros. Nisto conhecerão todos que são meus discípulos: se tiverem amor uns aos outros.” (Jo 13:34-35)

Essa afirmação é absolutamente central. Ela corresponde também a um axioma multimilenar  das escolas esotéricas dos Himalaias: o apoio mútuo entre codiscípulos é muito mais do que um desejo meramente emocional. Constitui uma condição indispensável para o verdadeiro aprendizado sobre a essência da vida. [1] Sem isso, não há eficiência no ensino, nem no aprendizado. Devemos lembrar, no entanto, que pouco antes Jesus alertara para o fato de que havia um traidor, havia um Judas, entre os seus discípulos mais próximos. (Jo 13:21-27)

Mas, o que é um Judas? 

Um Judas [2] é apenas uma variedade mais perigosa daqueles sepulcros caiados que vimos acima, e que são puros e leais por fora, mas podres malcheirosos por dentro, conforme Mateus Mt 23.

Assim, rigor e afetividade andam juntos e são inseparáveis, quando se trata de caminho espiritual. Nisso, o Novo Testamento é perfeitamente coerente com a tradição esotérica oriental.

O caminho do meio que dá harmonia e produz equilíbrio entre os dois extremos de  total rigor e total flexibilidade não é a combinação infeliz de um “meio rigor”  com uma  “meia flexibilidade”. O caminho do meio consiste em ter total rigor, nas questões centrais e essenciais, e total flexibilidade, nas questões secundárias. Naturalmente, é necessário ter discernimento para saber diferenciar o secundário e o essencial, e resistência para atravessar as inevitáveis tempestades. O caminho espiritual só pode ser trilhado se houver uma boa dose de persistência, e também de indiferença à dor pessoal.

O rigor e a boa vontade são, pois, como dois pés para nossa caminhada. Não há motivo para pular em um pé só. O caminho do meio se abre diante de nós quando aprendemos a combinar conscientemente o uso dos dois hemisférios cerebrais, o analítico e o sintético.  

O peregrino experiente faz como as árvores, que crescem com flexibilidade nas folhas (o secundário) e com firmeza no tronco (o essencial). Quando afirmamos os laços afetivos (conforme Jo 13: 34-35), devemos examinar a nós mesmos e os  nossos relacionamentos para ver se eles estão livres de hipocrisia, astúcia e segundas intenções, conforme Mt 23. Ao combater a falsidade, devemos examinar nossos sentimentos para ver se neles está preservada  a boa vontade.   

A franqueza não deve destruir o afeto, nem o afeto abandonar a verdade.

Porque o amor é a verdade, quando ele se expressa no plano mental, assim como a verdade é o amor, quando ela se mostra no plano das emoções.

Mente e emoção são inseparáveis.  Verdade e amor são uma coisa só.

NOTAS:

[1] Veja o texto “Um Por Todos e Todos Por Um”,  de Carlos Cardoso Aveline. O artigo está disponível em nossos websites associados. 

[2] Leia em nossos websites associados o artigo “The Symbolism of Judas Iscariot”,  de Carlos Cardoso Aveline.  

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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