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26 de fevereiro de 2024

A Consciência de um Mahatma

 
Os Vários Níveis de Percepção e Ação na
Vida Cotidiana de um Adepto Oriental
  
Um Mestre de Sabedoria
  



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Parte inicial da Carta 85-B, para Alfred P.
Sinnett, recebida em meados de setembro de 1882.

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A esta altura da nossa correspondência, como geralmente parecemos ser mal compreendidos, até mesmo por você, meu fiel amigo, pode valer a pena e ser útil para nós dois que você seja informado de certos fatos - e fatos muito importantes - em relação ao adeptado. Tenha presentes, pois, os seguintes pontos.

(1) Um adepto - tanto o mais elevado como o mais inferior - é adepto apenas durante o exercício dos seus poderes ocultos.

(2) Sempre que estes poderes são necessários, a vontade soberana abre a porta que leva ao homem interno (o adepto), que só pode emergir e agir livremente se o seu carcereiro - o homem externo - estiver completa ou parcialmente paralisado, conforme o caso,

(a) mental e fisicamente;
(b) mental, mas não fisicamente;
(c) fisicamente, mas não por completo mentalmente;
(d) nenhuma das opções, mas com uma película akáshica interposta entre o homem externo e o interno.

(3) Mesmo o menor exercício de poderes ocultos, portanto, como você verá agora, requer um esforço. Podemos compará-lo com o esforço muscular interno de um atleta que se prepare para usar sua força física. Assim como não é provável que algum atleta esteja sempre divertindo-se com dilatar suas veias na antecipação do fato de ter de levantar um peso, tampouco se pode supor que algum adepto vá manter sua vontade em constante tensão e o homem interno em completo funcionamento quando não há necessidade disso. Quando o homem interno descansa, o adepto se torna um homem comum, limitado aos seus sentidos físicos e às funções do seu cérebro físico.

O hábito aguça a intuição desse último, mas é incapaz de torná-lo supersensório. O adepto interno está sempre pronto, sempre alerta, e isso é suficiente para nossas necessidades. Em momentos de descanso, portanto, suas faculdades também estão em descanso.

Quando sento para minhas refeições, ou quando estou me vestindo, lendo ou ocupado de outro modo, não penso sequer naqueles que estão próximos a mim; e Djual Khool pode facilmente quebrar seu nariz e fazê-lo sangrar, ao bater no escuro contra uma viga, como fez uma noite destas - (apenas porque, ao invés de lançar uma ‘película’, ele tolamente paralisou todos os seus sentidos exteriores enquanto falava com um amigo distante) - e eu fiquei placidamente inconsciente do fato. Eu não estava pensando nele - daí minha inconsciência.

A partir do que foi dito acima, você pode deduzir facilmente que um adepto é um mortal comum em todos os momentos da sua vida exceto aqueles em que o homem interno está agindo.

(Mahatma K.H.)

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O texto “A Consciência de um Mahatma” foi publicado nos websites da Loja Independente de Teosofistas no dia 26 de fevereiro de 2024. Ele pode ser lido também na edição de julho de 2023 de “O Teosofista”. Trata-se de uma reprodução de parte da Carta 85-B, em “Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett”, Ed. Teosófica, Brasília, edição em dois volumes, 2001, volume II, pp. 36-37. Na transcrição, com o objetivo de facilitar a leitura reflexiva, dividimos alguns parágrafos maiores em parágrafos menores.

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Leia mais:






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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

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21 de novembro de 2018

Como São Ensinados os Mistérios

O Conhecimento Superior Só
Pode Ser Comunicado Gradualmente

Um Mestre de Sabedoria




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Nota Editorial:

O texto a seguir é reproduzido de “Cartas
dos Mahatmas”, Ed. Teosófica, Brasília,
2001. O trecho vai da metade inferior da p. 134,
 no volume I, até a metade superior da p. 136.

Trata-se de uma reprodução parcial de um único 
parágrafo. Para facilitar uma leitura contemplativa,
o texto é  aqui dividido em parágrafos menores.

(Carlos Cardoso Aveline)

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Na Ciência Oculta os segredos não podem ser transmitidos subitamente, mediante uma comunicação escrita, nem mesmo oral. Se fosse assim, tudo o que os “Irmãos” teriam que fazer seria publicar um Manual de Instruções que poderia ser ensinado nas escolas, ao lado da gramática.

É um erro comum das pessoas acreditarem que nós nos envolvemos, e envolvemos os nossos poderes, em mistério por vontade nossa; que desejamos manter nosso conhecimento para nós mesmos, e que por nossa própria vontade nos recusamos a transmiti-lo - “deliberadamente e de modo irresponsável”.

A verdade é que, até que o neófito atinja a condição necessária para aquele grau de Iluminação para o qual ele está qualificado e apto, a maior parte dos segredos, se não todos eles, é incomunicável. A receptividade deve ser tão grande quanto o desejo de instruir. A iluminação deve vir de dentro. Até lá, nenhum truque de encantamento ou jogo de aparências, nem palestras ou discussões metafísicas, e tampouco penitências autoimpostas, podem dar essa iluminação. Todos estes são apenas meios para um fim, e a única coisa que podemos fazer é dirigir o uso destes meios, que, como foi comprovado pela experiência das idades, levam ao objetivo buscado.

E há milhares de anos que isto não é segredo. Jejum, meditação, castidade em pensamento, palavra e ação; silêncio durante certos períodos de tempo para permitir que a própria natureza fale a quem se aproxime dela em busca de informação; domínio das paixões e impulsos animais; completa ausência de egoísmo nas intenções, e o uso de certo incenso e certas fumigações com objetivos fisiológicos, têm sido apontados como instrumentos desde a época de Platão e Jâmblico, no Ocidente, e desde os tempos ainda mais remotos de nossos Rishis hindus. A maneira como tudo isso deve ser posto em prática de modo que seja adequado para cada temperamento, é, naturalmente, tema de experimentação da própria pessoa e da cuidadosa observação de seu tutor ou guru. Isso é de fato uma parte do seu aprendizado, e seu guru ou iniciador só pode ajudá-lo com a sua experiência e força de vontade, mas não pode fazer nada mais que isso, até a última e suprema iniciação.

Penso também que poucos candidatos imaginam o grau não só de desconforto, mas de sofrimento e sacrifício, a que o mencionado iniciador se submete pelo bem do seu discípulo. As condições específicas, físicas, morais e intelectuais, de neófitos e Adeptos são muito diferentes, como qualquer pessoa pode compreender facilmente. Assim, em cada caso, o instrutor tem que adaptar as suas condições às do discípulo, e a tensão é terrível, pois para conseguir êxito temos que nos colocar em plena sintonia com o indivíduo em treinamento.

E quanto maiores os poderes do Adepto, menos ele está em simpatia com a natureza do profano, que, com frequência, vem até ele saturado com as emanações do mundo exterior, aquelas emanações animais da multidão egoísta e brutal que tanto tememos; quanto mais afastado o instrutor se encontra desse mundo e quanto mais puro se tenha tornado, tanto mais difícil é a tarefa a que se impõe.

Além disso, o conhecimento só pode ser comunicado gradualmente; e alguns dos segredos mais elevados, se fossem expressados, mesmo a seus ouvidos bem preparados, poderiam soar a você como um palavrório insano, apesar de toda a sinceridade de sua atual convicção de que “a confiança absoluta desafia a incompreensão”. Esta é a causa verdadeira da nossa reserva. É por isso que as pessoas se queixam tão frequentemente, com uma demonstração plausível de razão, de que nenhum conhecimento novo lhes é comunicado, apesar de terem estado se esforçando por ele, dois, três ou mais anos.

Aqueles que realmente desejam aprender devem abandonar tudo e vir até nós, em vez de pedir ou esperar que nós avancemos até eles. Mas como isso pode ser feito em seu mundo e sua atmosfera? “Despertei triste na manhã do dia 18.” De fato? Bem, bem, paciência, meu bom irmão, paciência. Algo ocorreu, ainda que você não tenha preservado a consciência do acontecimento, mas deixemos isto de lado. O que mais posso fazer? Como posso expressar ideias para as quais até agora você não conhece palavras?

As mentes mais refinadas e sensíveis, como a sua, recebem mais que as outras, e mesmo quando estas últimas recebem uma pequena dose extra, esta se perde pela falta de palavras e imagens que fixem as ideias flutuantes. Talvez, e indubitavelmente, você não saiba a que me refiro agora, mas saberá um dia - paciência. Dar a um homem mais conhecimento do que ele está capacitado para receber é uma experiência perigosa, e, além disso, há outras considerações que me limitam. [1]

A comunicação súbita de fatos que transcendem tanto o comum é em muitos casos fatal, não só para o neófito, mas também para os que o rodeiam. É como entregar uma máquina infernal ou um revólver carregado e engatilhado nas mãos de um homem que nunca viu uma coisa destas. Nosso caso é exatamente análogo. Nós sentimos que o tempo se aproxima e que somos obrigados a escolher entre o triunfo da verdade ou o Reino do Erro - e do Terror.

NOTA:

[1] Pouco mais adiante  o Mestre afirma - “Resumindo: o mau uso do conhecimento pelo discípulo sempre reage sobre o iniciador, e nem creio que você saiba que, ao compartir os seus segredos com alguém, o Adepto, devido a uma Lei imutável, retarda o seu progresso para o Repouso Eterno.” (“Cartas dos Mahatmas”, volume I, p. 136.) E na p. 137: “Se pelo menos tudo isso fosse mais conhecido pelos candidatos à iniciação, tenho certeza de que eles se sentiriam mais agradecidos e pacientes e menos inclinados a irritarem-se com o que veem como reticências e vacilações da nossa parte.”  (CCA)

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O texto acima foi publicado em nossos websites associados dia 21 de novembro de 2018.

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13 de novembro de 2018

Os Sermões Através de Pedras

Elementos Para Uma Disciplina Diária Eficaz

Um Mestre de Sabedoria


Laura C. Holloway (1848-1930)



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Nota de 2018:

O texto a seguir transcreve a Carta II para Laura C.
Holloway, que pode ser encontrada em “Cartas dos
Mestres de Sabedoria”, editadas por C. Jinarajadasa,
Editora Teosófica, Brasília, DF. Ver páginas 146-147.

Para facilitar uma leitura contemplativa, um
parágrafo longo foi dividido em parágrafos menores.

(CCA)

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Como pode você discernir o real do irreal, o verdadeiro do falso? Só através do autodesenvolvimento. Como conseguir isso? Primeiro, precavendo-se contra as causas do autoengano.

E isso você pode fazer dedicando-se, em determinada hora ou horas fixas, a cada dia, totalmente só, à autocontemplação, a escrever, a ler, a purificar suas motivações, a estudar e corrigir seus erros, ao planejamento do seu trabalho na vida externa.

Estas horas deveriam ser reservadas como algo sagrado para este propósito, e ninguém, nem mesmo o seu amigo ou seus amigos mais íntimos, deveriam estar com você naquele momento. Pouco a pouco sua visão ficará clara, você descobrirá que as névoas se dissipam, que suas faculdades interiores se fortalecem, sua atração por nós ganha força e a certeza toma o lugar das dúvidas.

Mas cuidado para não buscar ou confiar demasiado em uma autoridade direta. Nossos métodos não são seus métodos. Raramente mostramos qualquer sinal externo pelo qual podemos ser reconhecidos ou sentidos. Você pensa que _____ e _____ e _____ estiveram aconselhando-a sem nenhuma inspiração nossa? Em relação à U. [1] você a ama mais do que respeita seu conselho. Você não compreende que, quando fala de nós, ou como se viesse de nós, ela não ousa misturar suas próprias opiniões pessoais com aquelas que ela lhe diz que são nossas.

Nenhum de nós ousaria isso, pois temos um código que não deve ser transgredido. Trate, filha, de aprender uma lição através de quem quer que seja que ela possa estar sendo dada. “Até mesmo as pedras podem pregar sermões”. Não seja demasiado ansiosa por “instruções”.

Você sempre obterá o que necessita se o merecer, mas não mais do que merece ou estiver apta a assimilar...

E agora está tudo pronto para a batalha: lute uma boa luta e que você possa ganhar o dia.

K. H.

NOTA:

[1] C. Jinarajadasa esclarece em nota de rodapé que “U.” é abreviatura de “Upasika”, palavra que significa “discípula” e com a qual os Mestres frequentemente se referiam a H.P.  Blavatsky durante o século 19. (CCA)

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O texto acima foi publicado em nossos websites associados dia 13 de novembro de 2018.

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Em 14 de setembro de 2016, um grupo de estudantes decidiu criar a Loja Independente de Teosofistas. Duas das prioridades da LIT são tirar lições práticas do passado e construir um futuro saudável

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5 de outubro de 2017

Teosofistas Devem Ser Independentes

O Princípio da Autorresponsabilidade
Abre a Porta do Conhecimento Verdadeiro

Um Mestre de Sabedoria




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Nota Editorial de 2017:

O texto a seguir é assinado pelo próprio
Mestre de Helena Blavatsky.[1] Ele mostra
que a autorresponsabilidade é essencial na
Pedagogia e na Filosofia dos verdadeiros iniciados.

O texto exemplifica o fato de que enquanto os
sepulcros caiados insistem em dizer mentiras adocicadas
e falsidades politicamente corretas, os mestres autênticos
não têm medo de usar palavras francas e severas.  Para
tornar mais fácil uma leitura contemplativa do ensinamento,
nós dividimos o texto em parágrafos pequenos.

(Carlos Cardoso Aveline)

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A Um Membro

Um sentimento constante de dependência abjeta em relação a uma Divindade vista como a única fonte de poder faz com que um homem perca toda autoconfiança e o impulso para a atividade e a iniciativa.

Tendo começado por criar um pai e guia para si, ele se torna como um menino e permanece assim até a idade avançada, esperando ser conduzido pela mão tanto nos pequenos como nos grandes acontecimentos da vida.

O ditado “Ajuda a ti mesmo e Deus te ajudará” é interpretado por ele de tal maneira que, quando um empreendimento resulta de modo vantajoso, ele credita isso apenas a si mesmo; quando é um fracasso, ele atribui isto à vontade de seu Deus.

Os Fundadores não oraram a nenhuma Divindade ao começar a Sociedade Teosófica, nem pediram por seu auxílio desde então. Espera-se que nos tornemos as amas-secas da Sociedade Teosófica de Bengala? Nós auxiliamos os fundadores?  Não; eles foram auxiliados pela inspiração da autoconfiança e sustentados por sua reverência aos direitos do homem e seu amor por um país cuja honra nacional há muito tem sido atirada à lama, sob os pés de seus submissos e preguiçosos filhos, indiferentes a seus infortúnios, despreocupados com sua glória agonizante…

Os pecados de vocês? O maior é atribuir a Deus a tarefa de libertá-los deles. Esta não é uma piedade meritória, mas uma debilidade egoísta e indolente. Ainda que a vaidade possa sussurrar o contrário, preste atenção apenas a seu bom senso.

M

NOTA:

[1] O documento constitui a Carta 43 de “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, primeira série, editadas por C. Jinarajadasa, Editora Teosófica, Brasília, 295 páginas, ver pp. 103-104. A tradução que apresentamos foi comparada com a edição original em inglês. (CCA)

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Em 14 de setembro de 2016, depois de uma análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu criar a Loja Independente de Teosofistas. Duas das prioridades da LIT são tirar lições práticas do passado e construir um futuro saudável

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29 de junho de 2016

Como a Mulher Ilumina o Futuro

 Uma Chave Para o Mistério do Amor e do Carma 

Um Mestre de Sabedoria




A mulher não deve ser encarada como propriedade do homem, pois ela não foi feita simplesmente para seu prazer, como também ele não o foi para o dela; mas ambos devem ser entendidos como forças iguais, embora constituam individualidades diferentes.

Até a idade de sete anos o esqueleto das meninas não difere do dos meninos e um osteólogo não seria capaz de distingui-los. A missão da mulher é tornar-se mãe de futuros ocultistas - daqueles que nascerão sem pecado. A redenção e salvação do mundo giram em torno da elevação da mulher. E só quando a mulher romper os grilhões da sua escravidão sexual, à qual sempre esteve sujeita, o mundo obterá uma indicação daquilo que ela realmente é e do seu lugar na economia da natureza. A Índia Antiga, a Índia dos Rishis, fez a primeira sondagem neste oceano da Verdade, mas a Índia pós-Mahabharata, com toda a sua profundidade de conhecimentos, negligenciou o assunto e o esqueceu.

A luz que lhe virá e ao mundo em geral, quando este descobrir a verdade e apreciar de fato as verdades subjacentes a este vasto problema do sexo, será como “a luz que jamais brilhou em terra ou no mar”, e terá de chegar aos homens através da Sociedade Teosófica.[1]

Essa luz conduzirá à verdadeira intuição espiritual. Então a raça humana será feita de Buddhas e Cristos, pois terá descoberto que os indivíduos têm o poder de procriar crianças iguais a Buddha, ou a demônios.

Quando se alcançar tal conhecimento, todas as religiões dogmáticas, e com elas todos os demônios, morrerão.


NOTA:

[1] A Sociedade Teosófica original deixou de existir e atualmente fala-se “movimento teosófico”. Esta frase se refere à obra “A Doutrina Secreta”, de H. P. Blavatsky e a outros escritos da literatura teosófica clássica que abordam a questão da diferenciação sexual e do propósito evolutivo. (CCA)

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O texto acima foi escrito por um Mestre de Sabedoria e publicado como nota de pé de página às pp. 129-130 da obra “Os Paradoxos da Sabedoria Oculta”, de Eliphas Levi (Ed. Pensamento). O fragmento foi comparado com o seu original em inglês (“The Paradoxes of the Highest Science”, TPH, Adyar, 1922), e, como resultado disso, foram feitas algumas poucas correções. A presente versão está publicada na edição de agosto de 2015 de “O Teosofista”, pp. 1-2. (CCA)

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Sobre o crescimento interior e a transformação pessoal no século 21, leia a obra “O Poder da Sabedoria”, de Carlos Cardoso Aveline.


O livro foi publicado pela Editora Teosófica, de Brasília, tem 189 páginas divididas por 20 capítulos e inclui uma série de exercícios práticos. Está na terceira edição.  

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8 de outubro de 2012

Algumas Palavras Sobre a Vida Diária

Se Cada Um Cumprir Seu Dever, o
Sofrimento Humano Será Reduzido em Breve

Um Mestre de Sabedoria

Uma imagem dos Himalaias, em quadro de Nicholas Roerich


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Nota Editorial de 2015:

Publicado pela primeira vez em 1888,
o documento a seguir esclarece aspectos
fundamentais do esforço teosófico moderno.

Para tornar mais fácil uma leitura
contemplativa do texto,  dividimos alguns
dos seus parágrafos em parágrafos menores.

(Carlos Cardoso Aveline)

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“Ponham as suas boas intenções em prática
sem demora, e sem permitir que uma só delas
permaneça apenas no terreno das intenções.”



Só a filosofia divina - a união espiritual e psíquica do homem com a natureza - pode, através da revelação das verdades fundamentais ocultas sob os objetos dos sentidos e da percepção, promover um espírito de unidade e harmonia, apesar da grande diversidade que há entre as religiões em conflito.

A teosofia, portanto, espera e exige dos membros da Sociedade [1] uma grande tolerância mútua e caridade em relação aos defeitos uns dos outros, e uma ajuda mútua incondicional na busca das verdades de cada aspecto da natureza moral e da natureza física. Este padrão ético deve ser aplicado de modo inabalável na vida diária. [2]

A Teosofia não deve representar apenas uma coleção de verdades morais, um pacote de ética metafísica expresso em dissertações teóricas. A teosofia deve ser algo prático; e tem, portanto, que ficar livre de digressões inúteis, no sentido de discursos volúveis e conversas elegantes.

Se cada teosofista cumprir apenas o seu dever - aquilo que ele pode e deve realizar - em pouco tempo se verá que a soma do sofrimento humano ficou visivelmente reduzido, dentro e ao redor das áreas de cada loja da nossa Sociedade. Esqueçam o EU no trabalho pelos outros, e a tarefa passará a ser fácil, e leve, para vocês …….

Não deixem que o seu orgulho em relação a este trabalho dependa do apreço e do reconhecimento dos outros. Por que algum membro da Sociedade Teosófica [3], tentando ainda tornar-se um teosofista, iria atribuir qualquer valor à opinião boa ou má que o seu próximo tenha dele próprio e do seu trabalho, se ele sabe por si mesmo que o trabalho é útil e benéfico para outras pessoas? O entusiasmo e o elogio humanos são de curta duração, na melhor das hipóteses. A risada do zombeteiro e a condenação do observador indiferente seguramente virão, e em geral elas têm mais força que o elogio e a admiração dos que simpatizam. Não desprezem a opinião dos outros, nem provoquem inutilmente críticas injustas da parte do mundo. Ao invés disso, permaneçam indiferentes tanto ao desrespeito quanto ao elogio de quem nunca poderá conhecer vocês como vocês realmente são, e diante de quem, portanto, vocês devem manter-se imperturbáveis tanto numa situação como na outra, sempre colocando a aprovação ou condenação do seu próprio Eu Interior acima da opinião das multidões.  

Quem quiser conhecer a si mesmo no espírito da verdade deve aprender a estar sozinho até mesmo no meio de grandes multidões, que podem rodeá-lo às vezes. Procurem a comunhão e o diálogo apenas com o Deus que está em suas próprias almas. Levem em conta somente o elogio ou a condenação daquela divindade que jamais pode separar-se dos seus verdadeiros eus; porque tal divindade é de fato um Deus, isto é, a CONSCIÊNCIA MAIS ELEVADA. 

Ponham as suas boas intenções em prática sem demora, e sem permitir que uma só delas permaneça apenas no terreno das intenções. Façam isso sem esperar recompensa ou mesmo reconhecimento do bem que possam ter feito. A recompensa e o reconhecimento estão em vocês mesmos e são inseparáveis de vocês, porque só os seus Eus Internos podem apreciar suas ações e perceber o verdadeiro valor delas. Cada um contém dentro do seu tabernáculo interior a Corte Suprema - o promotor, a defesa, o corpo de jurados e o juiz - cuja sentença é a única da qual não se pode recorrer. Ninguém poderá conhecer vocês melhor do que vocês mesmos, quando tiverem aprendido a julgar a si próprios a partir da luz invariável da divindade interna - a sua Consciência mais elevada. Deixem, portanto, que as massas - sempre incapazes de conhecer os seus verdadeiros eus - condenem os seus eus externos de acordo com falsos critérios …….

A maior parte da assembleia pública de magistrados é geralmente composta de juízes nomeados por si mesmos, que jamais adotaram como divindade permanente qualquer ídolo além das suas próprias personalidades, os seus eus inferiores. Aqueles que tentam seguir ao longo da vida a sua luz interior nunca serão vistos julgando - muito menos condenando - os mais fracos. Que importância tem, então, o fato de tais juízes condenarem ou elogiarem, e humilharem vocês, ou os colocarem em um pedestal?

De um jeito ou de outro, eles nunca os compreenderão. Podem transformá-los em ídolos, enquanto pensarem que vocês são um espelho fiel deles próprios, situados no pedestal ou altar que eles construíram; e enquanto vocês os divertirem, ou os beneficiarem. Vocês não podem esperar ser para eles qualquer coisa exceto um fetiche, que substitui outro fetiche destronado antes. E, no seu devido tempo, vocês também serão substituídos por outro ídolo. Deixem, pois, que aqueles que construíram o ídolo o destruam no momento que quiserem, jogando-o por terra por motivos tão fúteis quanto os motivos que tiveram para construí-lo. A sua Sociedade Ocidental não pode viver sem um líder instantâneo, e tampouco pode adorá-lo por mais do que um momento. Mas sempre que a sociedade quebra um ídolo e joga lama sobre ele, não é o modelo que a sociedade destrona e destrói, e sim a imagem desfigurada criada pela sua própria fantasia distorcida, à qual atribui os seus próprios vícios.

A Teosofia só pode ser expressada objetivamente através de um código de vida que abranja o todo, completamente impregnado pelo espírito da tolerância mútua, da compaixão e do amor fraternal. A sua Sociedade, como organismo [4], tem diante de si uma tarefa que, a menos que seja realizada com grande discernimento, fará com que o mundo dos indiferentes e dos egoístas se volte contra ela.

A Teosofia tem que combater a intolerância, a ignorância e o egoísmo, ocultos sob o manto da hipocrisia. Ela tem que distribuir toda a luz que puder a partir do fogo da Verdade, colocado sob responsabilidade dos seus servidores. Deve fazer isso sem medo ou dúvidas, e sem temer críticas nem condenação.

Através da sua porta-voz, a Sociedade, a Teosofia tem que dizer a VERDADE olhando de frente para a MENTIRA. Deve enfrentar a fera em sua toca, sem temer ou pensar sobre consequências negativas, e fazer frente tanto a calúnias como a ameaças.

Como Associação, a Sociedade tem não só o direito, mas o dever de revelar o vício e fazer o possível para corrigir os erros, seja através dos seus palestrantes escolhidos ou da palavra impressa dos seus jornais e publicações. No entanto, as acusações devem ser feitas de um modo tão impessoal quanto possível. E os seus membros, individualmente, não têm este direito.

Antes de mais nada, os seguidores da Teosofia devem estabelecer o exemplo de uma moralidade firmemente definida, e aplicada com igual firmeza, para depois terem o direito de assinalar, mesmo que com um espírito amável, a ausência de uma unidade ética e de um propósito unificado em outras associações ou indivíduos. Nenhum teosofista deve acusar um irmão, seja dentro ou fora da associação; e tampouco pode lançar uma mácula sobre as ações de outro indivíduo, ou denunciá-lo, sob pena de perder o direito de ser considerado um teosofista. Porque, como teosofista, ele deve desviar o olhar das imperfeições do seu próximo, e concentrar sua atenção mais precisamente sobre as suas próprias falhas, para corrigi-las e tornar-se mais sábio. Ele não deve mostrar a disparidade entre a pretensão e a ação, nos outros. Seja no caso de um irmão, de um vizinho ou de um cidadão qualquer, o teosofista deve sempre ajudar, no árduo caminho da vida, aquele que é mais fraco que ele.

Os problemas da verdadeira Teosofia e da sua grande missão são, primeiro, a produção de concepções claras e inequívocas a respeito de ideias e deveres éticos, de modo que possam satisfazer do melhor modo possível e da maneira mais completa os sentimentos corretos e altruístas dos seres humanos; e, em segundo lugar, a ligação de tais concepções com a vida diária, de modo a criar-se um campo onde elas possam ser aplicadas de maneira adequada. Este é o trabalho comum colocado diante de todos os que estão dispostos a agir com base em tais princípios. É um trabalho laborioso, que exige esforço intenso e perseverança, mas ele levará vocês a fazer um progresso imperceptível, e não deixará espaço para aspirações egoístas fora dos limites traçados …….

Não caiam na tentação de fazer comparações pessoais antifraternas entre a tarefa realizada por vocês e a tarefa deixada sem fazer por seus próximos ou seus irmãos. Na lavoura da Teosofia, ninguém tem o dever de cuidar de um pedaço de terreno maior do que a sua força e a sua capacidade permitem.

Não sejam demasiado severos em relação aos méritos ou deméritos de quem busca admissão em suas fileiras, porque só o Carma sabe a verdade sobre o real estado do ser humano interno, e só esta LEI, que tudo vê, pode lidar com justiça a este respeito.

Até mesmo a presença entre vocês de um indivíduo bem-intencionado e que tem simpatia pode ajudá-los magneticamente ……. Vocês são trabalhadores voluntários na lavoura da Verdade, e devem deixar livres os caminhos que levam até esta lavoura.

……. ……. …….

O grau de êxito ou fracasso são as indicações que os mestres devem seguir, porque os seus erros constituirão as barreiras colocadas por suas próprias mãos entre vocês e aqueles a quem pediram que fossem seus professores. Quanto mais o estudante se aproximar da meta buscada, menor será a distância entre ele e o Mestre.

NOTAS:

[1] “Membros da Sociedade”, isto é, “membros do movimento teosófico”. A sociedade teosófica original deixou de existir durante os anos 1890. (CCA)

[2] Erich Fromm escreve em seu livro “Man for Himself”:   

“É impossível compreender o homem e as suas perturbações emocionais e mentais sem que haja uma compreensão da natureza dos conflitos morais e conflitos de valores. O progresso da Psicologia não surge do divórcio entre um reino supostamente ‘natural’ e um reino supostamente ‘espiritual’, focando-se a atenção sobre o reino ‘natural’. O progresso surge de voltar à grande tradição da ética humanística, que enxerga o homem em sua totalidade física e espiritual, e acredita que a meta do homem é ser ele mesmo, e que a condição para alcançar esta meta é que o homem aja com autonomia.” (“Man for Himself”, Erich Fromm, Holt, Rinehart and Winston Ltd., New York, USA, 1960, 254 pp., veja p. 7) (CCA)

[3] Isto é, do movimento teosófico. (CCA)

[4] Ou o seu movimento e suas associações, como organismos. (CCA)

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O texto “Algumas Palavras Sobre a Vida Diária” foi traduzido da revista “Lucifer”, de Londres, edição de janeiro de 1888, pp. 344-346. Ele também está nos “Collected Writings de H. P. Blavatsky, TPH, volume VII, pp. 173-175. “Lúcifer” é um nome antigo do planeta Vênus, a “estrela d’alva” e a “estrela vespertina”. Desde a Idade Média, o significado da palavra tem sido distorcido por sacerdotes desinformados e supersticiosos.   

A editora da revista, H. P. Blavatsky, escreveu que o artigo “Algumas Palavras Sobre a Vida Diária (“Some Words on Daily Life”) foi escrito por um Mestre de Sabedoria. Uma transcrição do mesmo texto, com algumas diferenças e comentários, foi publicada por C. Jinarajadasa como Carta 82 da segunda série de “Letters From the Masters of the Wisdom”. Este material foi publicado em português pela Editora Teosófica, de Brasília, sob o título de “Cartas dos Mestres de Sabedoria”.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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11 de janeiro de 2012

A Carta de 1900, na Íntegra

Uma Advertência Profética e Uma
Orientação Valiosa Para o Movimento Teosófico

Um Mestre de Sabedoria



Annie Besant, vestindo o seu uniforme pseudomaçônico



1. Nota Editorial Sobre a Carta de 1900

Em 22 de agosto de 1900, o Sr. B. W. Mantri escreveu de Bombaim (hoje “Mumbai”) uma breve carta a Annie Besant expressando sua dificuldade em compreender o que estava acontecendo com a Sociedade Teosófica (Adyar). A carta dizia o seguinte:

Prezada Senhora --- Há muito tempo desejava ver-lhe, mas de algum modo estava tão confuso, devido a tantas coisas que ouvi de vários membros da Sociedade, que, na verdade, não compreendi quais são os verdadeiros princípios e crenças da Sociedade. Que forma de Yoga a senhora recomenda? Há muito tempo estou interessado nos estudos de Yoga e envio-lhe o Panch Ratna Gita, de Anandebai, muito avançada nesta ciência. Gostaria que a conhecesse. Estou indo para Kholapoor, mas espero voltar em breve e saudá-la pessoalmente quando a senhora regressar à Índia.  Respeitosamente, B.W. Mantri.”

C. Jinarajadasa, o editor de “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, explica: “Quando a dra. Besant  abriu a carta do sr. Mantri, encontrou o comentário do Mestre em letra azul”.

Ao editar as Cartas dos Mestres, Jinarajadasa incluiu esta carta - publicada como Carta 46 da primeira série. Porém, ele a censurou,  e deixou de fora do texto as suas partes mais incisivas. Além disso, é claro, os dirigentes de Adyar ignoraram por completo as advertências presentes nessa carta. A íntegra do documento só foi publicada pela primeira vez no número de setembro de 1987 na revista “The Eclectic Theosophist”, dirigida por Emmet Small, um notável teosofista e editor norte-americano ligado à  linha de pensamento teosófico de Point Loma. [1]

Para compreender o conteúdo da carta deve-se lembrar que, quando ela foi recebida, havia insistentes  boatos, estimulados por A. Besant,  de que Helena Blavatsky  (chamada pelo Mestre de “Upasika”) já havia renascido e seria a pequena filha do sr. G. N. Chakravarti.

O sr. Chakravarti havia-se transformado em uma espécie de guru de Annie Besant, e um dos objetivos desta carta foi pôr um fim nos rumores sobre a falsa “volta de HPB”.  Nisso, pelo menos, a carta teve sucesso.  Por outro lado, mesmo sendo ignorada por Adyar, a carta de 1900 se transformaria em um testemunho e um documento histórico de grande utilidade para o futuro.   Há nelas indicações significativas sobre o modo pelo qual o movimento teosófico vem recebendo de fato inspiração superior desde a morte de Helena Blavatsky em 1891.  

A mais clara destas indicações está neste trecho:  

“Em períodos favoráveis, liberamos influências elevadoras que impressionam várias pessoas de diferentes maneiras. É o aspecto coletivo de muitos destes pensamentos que pode dar o rumo correto à ação. Não temos favoritismos. A melhor maneira de corrigir o erro é um exame honesto e com a mente aberta de todos os fatos, subjetivos e objetivos.”

O Mestre se refere a “E.E.”, e a “E.E.T.” nas partes censuradas.  As siglas significam “Escola Esotérica”, e “Escola Esotérica de Teosofia”, e se referem à escola interna de treinamento fundada por Helena Blavatsky e desvirtuada por Annie Besant. Devido à distorção da Escola, o Mestre afirma que a E.E.T. devia ser reformada.  A reforma, naturalmente, não ocorreu no sentido indicado pelo Mestre. Desde 1900, o abandono da teosofia autêntica por parte de Annie Besant apenas se tornou mais e mais grave até sua morte em 1933.  

Reproduzimos a seguir a Carta do Mestre, incluindo em negrito, e sublinhando, as passagens censuradas pelos dirigentes de Adyar. A Carta começa referindo-se ao sr. Mantri. [2]

(Carlos Cardoso Aveline)


2. O Texto do Documento, Completo e Sem Cortes

[Para Annie Besant.]

Um sensitivo e praticante de pranayama que se deixou confundir pelas fantasias dos membros. A S.T. e seus membros estão lentamente fabricando um credo. Diz um provérbio tibetano, “credulidade gera credulidade e termina em hipocrisia”. Muito poucos são aqueles que podem saber qualquer coisa a nosso respeito. Deveríamos ser venerados e idolatrados? A adoração de uma nova Trindade, constituída pelo abençoado M., por Upasika e por você mesma, irá substituir as crenças denunciadas? Nós não pedimos que haja uma adoração de nós mesmos. O discípulo não deve ser acorrentado de modo algum.  Tenha cuidado para evitar um Papado Teosófico.  O intenso desejo de alguns de ver Upasika reencarnada imediatamente criou uma ideação Mayávica deturpadora. Upasika tem trabalho útil a fazer nos planos superiores e não pode retornar tão breve. A S.T. deve ser conduzida com segurança ao novo século. Você tem estado há algum tempo sob influências ilusórias. Evite o orgulho, a vaidade e a busca de poder. Não seja levada pelas emoções, mas aprenda a manter-se de pé  sozinha.  Seja correta e crítica, ao invés de crédula. Os erros do passado nas velhas religiões não devem ser encobertos com explicações imaginárias.  A E.E.T. deve ser reformada de modo que seja tão não-sectária e livre de credos quanto a S.T.  As regras devem ser poucas e simples e aceitáveis para todos.  Ninguém tem o direito de reivindicar autoridade sobre um estudante ou sobre sua consciência. Não lhe pergunte em quê ele acredita. Todos os que são sinceros e de mente pura devem ser admitidos.  A crista da onda do progresso intelectual deve ser influenciada e guiada para a Espiritualidade. Não se pode forçá-la a adotar crenças e adoração emocional. A essência dos pensamentos mais elevados dos membros em seu conjunto deve guiar toda a ação na S.T.  e na E.E.  Nunca tentamos submeter a nós próprios a vontade de outros. Em períodos favoráveis, liberamos influências elevadoras que impressionam várias pessoas de diferentes maneiras. É o aspecto coletivo de muitos destes pensamentos que pode dar o rumo correto à ação. Não temos favoritismos. A melhor maneira de corrigir o erro é um exame honesto e com a mente aberta de todos os fatos, subjetivos e objetivos. O segredo enganoso tem dado o golpe mortal em numerosas organizações. O falatório acerca dos “Mestres” deve ser silenciosa mas firmemente eliminado. Que a devoção e o serviço sejam somente por aquele Supremo Espírito do qual cada um é uma parte. Nós trabalhamos anônima e silenciosamente, e a contínua referência a nós mesmos e a repetição dos nossos nomes gera uma aura confusa que atrapalha o nosso trabalho. Você terá que deixar de lado boa parte das suas emoções e da sua credulidade,  antes de tornar-se uma líder segura em meio às influências que irão começar a operar no novo ciclo.   A S.T. foi concebida para ser a pedra angular das futuras religiões da humanidade. Para realizar este objetivo, aqueles que a lideram devem deixar de lado suas frágeis predileções pelas formas e cerimônias de qualquer credo particular, e demonstrar que são verdadeiros teosofistas, tanto no pensamento interno quanto no comportamento externo. A maior das suas provações ainda está por vir. Nós estamos zelando por você, mas você deve usar toda sua força.   (Segue-se a assinatura do Mestre.)

NOTAS:

[1] A linha de pensamento de Point Loma reúne teosofistas presentes em pelo menos três países: Alemanha, Holanda e Estados Unidos.  Trata-se de uma cisão da Sociedade Teosófica de Pasadena. As “Sociedades de Point Loma” surgiram na década de 1940.

[2] A versão incompleta da Carta de 1900 está publicada em “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, transcritas e compiladas por C. Jinarajadasa, Editora Teosófica, Brasília, 296 pp., 1996, pp. 106-107. O texto completo da Carta está publicado nas páginas 116 e 117 da edição de Outubro de 1987 da revista “Theosophical History”, que na época era publicada em Londres.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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