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31 de maio de 2020

O Compromisso da Alma

Expandir Nossa Conexão Com o Tempo Eterno

Robert Crosbie





Como podemos aplicar a Teosofia à vida diária?

Primeiro, ao acordar, devemos pensar sobre o que somos em realidade; e esforçar-nos por compreender o que este pequeno segmento da nossa grande existência pode significar na longa série das nossas existências; e decidir viver o dia inteiro com base nas nossas compreensões mais elevadas, vendo em cada acontecimento e circunstância uma reprodução em grande ou pequena escala daquilo que já aconteceu, e lidando com cada um deles desde aquele mesmo ponto de vista elevado.

Decida lidar com os fatos como se cada um deles tivesse um profundo significado oculto e fosse uma oportunidade para aprofundar os êxitos do passado, ou para compensar os erros. Vivendo assim de momento a momento, de hora em hora, a vida será vista como parte de uma grande rede de ações e reações entretecidas em cada ponto; uma rede conectada com a Alma que deu a energia para a sua sustentação.

Se cada acontecimento - grande ou pequeno - for olhado desta maneira ao longo de todo o dia, dentro de um certo tempo você terá o poder de guiar e de controlar as suas energias.

Os ciclos menores do eu pessoal estarão em relação com o Eu Divino, e a força que flui deste último se mostrará de muitas maneiras, fortalecendo toda a sua natureza e mudando até mesmo as condições, físicas e outras, que o rodeiam.

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O texto acima está publicado nos websites associados desde o dia 30 de maio de 2020. Foi traduzido por CCA da revista “Theosophy”, de Los Angeles, edição de agosto de 1919, p. 320. Faz parte também da edição de janeiro de 2019 de “O Teosofista”, pp. 1-2, onde está intitulado “O Compromisso com a Sabedoria”.   

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Clique para ver outros textos de Robert Crosbie.

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2 de janeiro de 2017

Sabedoria, Aparência e Realidade

Carta a um Teosofista

Robert Crosbie




É correto sustentar a posição que você está tomando - manter a verdadeira atitude da “indiferença superior”. Não faz nenhuma diferença o que nós fazemos; o que importa é como nós fazemos qualquer coisa. E como sempre há algo sendo feito, nós sempre temos a oportunidade de fazê-lo corretamente.

Não adianta estar ansioso; tudo o que devemos fazer é fazer o melhor possível com cada momento, e vivê-lo à medida que ele vem. “Se o candidato tem firme confiança na Lei, ele não terá que esperar demasiado.” Deste modo, qualquer coisa que aconteça estará bem para ele. Devemos adotar o ponto de vista de que seja o que for que seja correto, o que for correto ocorrerá, e, ao mesmo tempo que usamos e aproveitamos cada oportunidade, devemos sentir que, se aquilo que parecia bom não ocorreu como esperávamos, é melhor que seja assim, do ponto de vista do principal objetivo pelo qual trabalhamos. Nesse caso nós preservamos nossas melhores energias, e nem nos orgulhamos nem desanimamos por seja o que for que aconteça.

Temos a tendência de subestimar o bem que possibilitamos aos outros através dos nossos esforços. Cada um que nós influenciamos, mesmo no menor grau, influencia outros, e ninguém sabe dizer o que pode ser feito no futuro através de métodos indiretos. Há muito encorajamento nesse fato, e encorajamento significa uma continuação da coragem. Nós só temos que manter a coragem com que começamos, porque todo grande esforço seguramente causará reações; e sabendo que essa é a Lei, estamos preparados, e nunca desanimamos, mas, como na canção, “esperamos a mudança da maré” e nos fixamos nos aspectos superiores da situação.

Estive olhando o artigo da revista que você mencionou. É interessante, em alguns lugares instrutivo, inteligente, e generosamente entremeado com diagramas. Dá a impressão de um grande conhecimento sobre o assunto. Mas ele fala aqui e ali do Logos e do Seu cuidado para com Seus filhos. Há muito de Deus pessoal sob outro nome, o que nada ensina a “Seus” pobres filhos ignorantes e pecadores sobre a natureza divina deles! O artigo me fez pensar sobre o modo como os Jesuítas desvirtuaram a Maçonaria. Eles entraram nela, obtiveram os seus segredos, inventaram “graus mais elevados” para desviar a atenção do que estava oculto nos graus originais, e gradualmente a transformaram em algo inócuo e incapaz de levar ao conhecimento que eles temiam. Muito do que está acontecendo e já aconteceu na sociedade ….. leva aparentemente a uma inócua falta de praticidade. Esse é o modo de trabalhar das forças bramânico-jesuíticas, e que o pensador convencional é incapaz de perceber, ou de compreender o aviso, se for alertado. Ele não acredita que existam Forças Escuras com agentes no mundo, nem que eles façam guerra desde dentro, contra aquilo que eles buscam destruir; nem que eles se vistam com “pele de cordeiro” de modo a não despertar suspeitas. Porém isto é muito verdadeiro. Cada fracasso de uma tentativa de estabelecer a Religião-da-Sabedoria, se investigado, acabará sendo atribuído ao trabalho dos Escuros no meio dos tolos “cordeiros” que nada suspeitam, e que são usados através das suas fraquezas, e desorientados. Não há panaceia para a tolice e a ignorância a não ser o autoconhecimento, o discernimento; qualquer coisa que afaste alguém desses dois, leva à desolação. Eu gostaria que houvesse alguma maneira pela qual os olhos pudessem ser abertos, de modo que surgisse uma observação sábia e adequada de todas as coisas. No entanto, se alguém assinalar publicamente essas coisas, a mais suave das acusações feitas contra tal indivíduo será a de que ele é “antiteosófico”. Tudo o que podemos fazer é assinalar a diferença entre a Doutrina do Olho e a Doutrina do Coração, com ampla exemplificação. Os …… falam muito sobre isso, mas, nas palavras de Kipling, “o que eles compreendem?” Aqueles que estão naquela sociedade e que têm o “desejo do coração” podem encontrar aquela doutrina, mas a massa não tem tal desejo, e é afastada dele por todos os meios.

Sem qualquer presunção, você sabe que aqueles que o escutam admitiriam que seria algo fácil para você desenhar diagramas e dar palestras sobre a diferenciação das espécies, sobre os vários Logoi, Dhyanis, e tipos de seres, Rondas e Raças e assim por diante; mas você sabe, e qualquer um pode ver, que se alguém tiver todas essas qualidades na ponta da língua, não será em nada melhor em caráter, nem possuirá qualquer real conhecimento - o conhecimento que leva à sabedoria e ao poder do Adepto.[1] O conhecimento intelectual é bom para quem gosta de passar o tempo com esse tipo de coisa, mas quem busca o autoconhecimento, quem não fica satisfeito com nenhuma distração, não vai por esse caminho. O autoconhecimento é o objetivo central; o outro é secundário, e é inútil na ausência do primeiro. O autoconhecimento requer dedicação total, autodisciplina, trabalho constante, determinação incansável. Sua busca só é empreendida por almas determinadas, e continuada por um crescente heroísmo - tal como ilustrado pelos heróis imortais de eras passadas. O segundo conhecimento pode ser obtido por qualquer criança de escola de primeiro grau, e até certo ponto é necessário, como um instrumento para o bem de outras pessoas, mas a menos que esteja a serviço do primeiro, é inútil como um meio para o crescimento. A tendência geral é para o “intelectualismo”, e é fácil seguir aquela linha de aquisições. O esforço deveria ser, portanto, no sentido de apresentar e praticar o estudo que leva ao crescimento, usando o “processo” apenas para ajudar a compreensão. A prática generalizada é o oposto disso. Há teosofistas de nome e teosofistas de fato; e eles são diferentes. 

NOTA:

[1] Em teosofia, a palavra “Adepto” não significa “um seguidor de alguma coisa”, mas sim “Apto em Sabedoria”. Um Adepto é um alto Iniciado na Sabedoria divina. (CCA) 

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O texto acima foi traduzido do livro “The Friendly Philosopher”, de Robert Crosbie, The Theosophy Company, Los Angeles, EUA, 1945, 414 pp.; e corresponde à Carta 12 da seção “Living the Life”, nas pp. 160-162. 

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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4 de novembro de 2016

Os Ciclos dos Hábitos

Tudo na Vida Obedece à Lei 
dos Ciclos e da Periodicidade

Robert Crosbie



Pergunta:

Podemos aplicar a Lei dos Ciclos ao processo de formação e ruptura de hábitos pessoais?

Resposta:

A doutrina dos ciclos se aplica a tudo. Não há uma só impressão de qualquer tipo que tenhamos que não vá retornar: inclusive cada pensamento que temos e cada ação que fazemos. Estamos o tempo todo passando por ciclos regulares. São ciclos autoestabelecidos.

O jeito de corrigir hábitos é reconhecer que os pensamentos errados irão retornar, e que mesmo os pensamentos que não são bem-vindos retornam obrigatoriamente devido à lei. Por isso, estabeleça um pensamento oposto - ou um sentimento oposto, ou comece uma ação na direção oposta. Continue fazendo isso da melhor maneira que puder, e finalmente você vai destruir o velho ciclo e estabelecer outro, novo. 

Há pessoas que sentem tristeza - que têm os seus dias de desânimo. William Judge disse certa vez: “Sinto outras coisas, mas nunca tenho tristeza.” A maior parte das pessoas, no entanto, tem tais momentos. O desânimo vem e parece tomar conta por completo da pessoa. Mas isso pode ser curado, se o indivíduo aproveitar a oportunidade para criar um outro ciclo diferente. Ele deve reparar no fato de que a “tristeza” vem em certo período; que normalmente há um certo intervalo entre os períodos de tristeza, e, sabendo que eles virão, deve preparar-se para eles. Assim, ele começa a pensar no dia mais feliz, ou no momento mais feliz, ou no relacionamento mais feliz que já teve, e permanece ligado àquela felicidade da melhor maneira possível. Não terá êxito na primeira vez, nem mesmo na segunda, talvez; mas se continuar tentando, a cada vez ele reencontrará toda a força colocada nos esforços anteriores, até que gradualmente, ao invés de um período de desânimo, ele passará a ter um período de felicidade.

Deste modo, é observando o retorno das impressões mentais que podemos corrigir os hábitos. 

Hábitos de qualquer espécie são criados por repetição. Na primeira vez que fazemos algo, ainda não há um hábito; mas se repetirmos a ação,  e continuarmos  repetindo, ela finalmente se tornará automática. Com o conhecimento da lei dos ciclos, os hábitos ficam dentro dos limites do nosso controle inteligente.

(R.C.) 

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O texto acima foi traduzido da revista “Theosophy”, de Los Angeles,  edição de junho de 1932, p. 358. Título original: “Cycles of Habits”. 

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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2 de junho de 2016

A Cultura da Concentração

Como o Autoconhecimento Vence a Dispersão

Robert Crosbie




A concentração,  ou o uso consistente e persistente da atenção na direção de qualquer coisa que queiramos fazer, é reconhecida há muito tempo como o meio mais eficaz de chegar à completa expressão dos nossos poderes e das nossas energias. Os antigos chamavam de “unidirecionalidade” o poder de focar a  atenção sobre um assunto ou objeto durante o tempo que for necessário, com a exclusão de todos os outros pensamentos e sentimentos. A concentração é difícil de obter entre nós porque, na verdade,  a nota-chave da nossa civilização é mais a distração do que a concentração.

São apresentados constantemente às nossas mentes objetos e assuntos que apontam para todas as direções. Uma coisa após a outra chamam a nossa atenção e em seguida nos afastam daquilo em que estamos nos concentrando.  Assim, nossas mentes adquiriram a tendência de saltar de uma coisa para a outra; de voar para uma ideia agradável, ou para uma ideia desagradável; de ficarem passivas.  Permanecer na passividade corresponde normalmente ao sono; excepcionalmente, tende à insanidade.  Que nós tenhamos nos acostumado a estas distrações e não sejamos capazes de dedicar nossas mentes a determinada coisa por determinado tempo é algo que pode ser facilmente comprovado por qualquer um. Se  alguém sentar-se e tentar pensar em uma só coisa  – um  só objeto ou assunto –  por apenas cinco minutos, talvez bastem poucos segundos para que descubra que está a quilômetros de distância da coisa sobre a qual pretendia concentrar sua mente.

Temos primeiro que compreender o que o homem é, a sua real natureza, qual a causa  da sua situação atual;  e só depois disso poderemos chegar a qualquer concentração pura e verdadeira; só depois poderemos usar a mente superior e as energias que fluem dela. Porque as energias que usamos no corpo são de fato energias transmitidas,  ou tiradas, da nossa natureza  interior e espiritual, mas tão perturbadas  e limitadas que não são poderosas. Necessitamos conhecer nossas mentes, e necessitamos controlar nossas mentes –  isto é, a mente inferior, ocupada com coisas pessoais e físicas, e conhecida na fraseologia teosófica como Manas inferior. Este é o “órgão interno”, o princípio pensante, que os antigos descreviam como o grande produtor de ilusão, o grande responsável pela ausência de concentração. Porque não há possibilidade de obter uma real concentração até que o dono da mente possa colocá-la onde ele quiser, quando ele quiser, e pelo tempo que ele desejar.

Está escrito na obra “A Voz do Silêncio”, de H.P. Blavatsky:   “A  Mente é o grande assassino do Real. Que o discípulo mate o Assassino.”    O discípulo, que é o Homem Real – o homem espiritual –  deve atuar como tal. Ele tem que parar as mudanças e oscilações do seu princípio pensante e tornar-se calmo  naquele conhecimento que é trazido pela contemplação da sua  própria natureza real. O objetivo de todo  progresso é a compreensão da verdadeira natureza própria de cada um,  e o uso dos poderes que pertencem a ela. O obstáculo  está no princípio pensante.  NÓS somos os pensadores, mas não somos aquilo que pensamos. Se pensamos de modo errado, então todos os resultados dos nossos pensamentos e ações devem levar-nos a uma conclusão errada, ou a uma conclusão parcial, na melhor das hipóteses ; mas se compreendermos que nós somos o pensador, e o criador – aquele através de quem surgiram todas as condições em que estivemos no passado, as condições em que estamos agora, e em que estaremos no futuro – então alcançamos o ponto de vista do homem Real, e é apenas ao homem Real que pertence o poder da concentração.

Para obter concentração, necessitamos compreender a classificação dos princípios do homem. Todos  temos os mesmos princípios, o mesmo tipo de substâncias e o mesmo espírito dentro de nós.  Todos contemos cada um dos elementos que existem em todo lugar e em qualquer ser. Assim, também, cada um tem todos os poderes que existem em qualquer lugar e em si mesmo, embora latentes. Somos todos  da mesma Fonte, somos partes de um grande Todo, somos todos centelhas e raios do Espírito Infinito ou Princípio Absoluto.

O segundo princípio é Buddhi,  a sabedoria adquirida de vidas passadas e também nesta vida. Buddhi é a nata de todas nossas experiências passadas. O próximo princípio é Manas, a Mente Superior, o real poder de pensar, o criador – que não se preocupa com esta fase física da existência, mas com o espírito e a sabedoria adquirida.  Juntos, estes três princípios formam o Homem Real – Atma-Buddhi-Manas  –;  e cada um de nós é estes três, em sua natureza interior.

Nosso Manas Inferior é o aspecto transitório da mente Superior; isto é, aquela parcela da nossa atenção, dos nossos pensamentos e sentimentos,  que está dedicada à vida em um  corpo. Mas se a nossa função de pensar se preocupa só com o eu pessoal – apenas com o corpo – os poderes que estão na Tríade, o homem Real, e a sabedoria adquirida no passado,  não podem impor-se  através desta nuvem de ilusão. Manas Inferior é o princípio do equilíbrio. É o lugar a partir do qual o homem que está em um corpo sobe, em direção a sua natureza superior, ou desce,  em direção à  sua natureza terrestre, feita pelos desejos que pertencem à natureza sensorial. A vida ao nosso redor está o tempo todo lançando sobre nós as suas impressões e suas energias. Estamos constantemente sujeitos a elas,  e ligados a elas, através das nossas ideias, das nossas emoções e dos nossos sentimentos; de modo que há um constante tumulto dentro daquela mente interna, e isto constitui uma barreira à calma e à concentração absolutas.

A seguir temos o corpo astral,  em si mesmo um aspecto do real corpo interno que tem durado ao longo de um vasto período de tempo, e que deve continuar até um futuro muito distante. Este corpo astral é o protótipo, ou modelo, em  torno do qual o corpo físico é construído, e que, considerado do ponto de vista dos poderes, é o real corpo  físico. Sem ele, o corpo físico seria apenas uma massa de matéria – um agregado de vidas menores.  É o corpo astral que contém os órgãos, ou melhor, os centros a partir dos quais os órgãos têm evoluído de acordo com as necessidades do pensador interno.  Os verdadeiros sentidos do homem não estão no corpo físico, mas no corpo astral. O corpo astral dura pouco mais que uma encarnação física: ele não morre quando o corpo físico morre, mas é usado como corpo no estágio imediato do pós-morte.

A partir do momento em que começamos o esforço para controlar a mente, e desejamos saber e assumir a posição do homem interno, o esforço e a atitude produzem um aumento de energia e firmeza. Fizemos com que algo começasse a acontecer no corpo astral. O que antes eram meros centros de força em torno dos quais os órgãos eram construídos, agora tendem a se tornar órgãos astrais independentes.  Ocorre dentro de nós uma gradual construção destes órgãos,  até que, quando se completa o esforço, temos um corpo astral com todos os órgãos do corpo físico sintetizados, e estamos além das vicissitudes da existência física; temos o poder que é a ação do corpo astral. O corpo astral é ainda mais completo e eficiente, em seu próprio plano, que o nosso instrumento corporal aqui no plano físico, porque ele tem um alcance mais amplo de ação em seus sete sentidos superiores, enquanto que fisicamente só usamos cinco sentidos.

Muitos obstáculos aparecem, no entanto, assim que começa o esforço.  Velhos hábitos de pensamento e de sentimento nos pressionam em todos os sentidos, porque ainda não somos capazes de controlar as nossas respostas a eles, e assim nos vemos  sujeitos a certos sentimentos e emoções que  tendem a destruir o corpo astral que está sendo construído.   O primeiro fator, e o mais forte, é a raiva. A raiva tem um efeito explosivo,  e por mais que possamos ter progredido em nosso crescimento, o  choque interior incontrolável que vem da raiva irá reduzir a pedaços aquele corpo astral em construção, de modo que todo o trabalho tem de ser feito outra vez.  O próximo fator a combater é a vaidade –;  vaidade deste ou daquele tipo, por causa de alguma meta alcançada, ou em relação a nós mesmos, nossa família, nosso país e assim por diante.  A vaidade tende a crescer cada vez mais, até que finalmente já não escutamos ninguém, e somos tão superficiais que não podemos mais  aprender coisa alguma. Assim, a vaidade tende a desintegrar este corpo interno, embora ela seja menos destrutiva que a raiva.  A inveja é outro obstáculo. O medo também, mas o medo é o menor deles porque ele é sempre resultado da ignorância. Temos medo das coisas que não conhecemos; mas quando as conhecemos, não temos medo.

Todos temos medos que tendem destruir o instrumento através do qual a verdadeira concentração pode ser alcançada;  mesmo assim, é possível alcançá-la. O poder e a natureza específicos da concentração estão no fato de que, quando ela é completa, podemos colocar a atenção em qualquer assunto ou objeto, com a exclusão de todos os outros, durante qualquer período de tempo; e este princípio pensante – essa nossa mente que tem estado oscilando para lá e para cá – pode ser utilizada para adaptar-se ao objeto observado, à natureza do objeto em que se pensa.   Enquanto a mente toma a forma do objeto, nós percebemos através daquela forma as características que fluem através dela; e, quando nossa investigação está completa, somos capazes  de saber tudo o que pode ser conhecido daquele assunto ou objeto.

É fácil ver que um tal nível de concentração não pode ser alcançado através de esforços intermitentes.  São necessários esforços feitos a partir de “uma posição assumida com firmeza”, em relação ao objetivo buscado.  Todos os esforços feitos sobre esta base estão destinados a ser úteis; cada esforço feito desde o ponto de vista do homem espiritual conta positivamente, porque torna o corpo subserviente ao princípio pensante.

Há outras coisas que surgem a partir deste verdadeiro poder de concentração. Começamos a abrir os canais que vão do nosso cérebro ao corpo astral, e do corpo astral até o ser interior. Assim, aquilo que é temporário tende a se tornar parte daquilo que é eterno.  Todos os planos se tornam sintetizados de cima para baixo, e todas as vestimentas da alma, que nós produzimos ao longo do tempo, ficam em harmonia umas com as outras. É como ocorre com os mecanismos de uma fechadura: quando eles trabalham juntos, a fechadura funciona adequadamente. Assim, também, nós temos que colocar todas as camadas da alma em perfeita concordância entre si,  e isso nós só podemos fazer adotando a posição de um ser espiritual, e atuando como tal.

O nível em que a concentração ocorre é possível para nós, mas não seria possível sobre uma base egoísta. A concentração da mente cerebral  é tão pequena – se comparada com a verdadeira concentração –  quanto a luz de uma vela  diante da luz do sol.  A verdadeira concentração é, em primeiro lugar, uma posição assumida a partir da meta da união com o Eu Superior.  Esta é a mais alta Ioga. A concentração sobre o Eu Superior é a verdadeira concentração.  E a concentração deve ser alcançada antes que nós possamos  atingir aquele estágio em que o conhecimento eterno em todos os seus aspectos é nosso até o último grau; antes que possamos uma vez mais recuperar e dominar aqueles poderes que são uma herança de todos.

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O texto acima está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde junho de 2016. Foi publicado inicialmente em “O Teosofista”, edição de setembro de 2008. Trata-se da tradução, feita por CCA, de um artigo da obra “The Friendly Philosopher”,  de Robert Crosbie, Theosophy Co., Los Angeles, 1945, 416 pp., ver pp. 290-294. O original em inglês está disponível online: “Culture of Concentration”.

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Leia mais:




* Mestre Silêncio (um poema de Hermes Fontes).


* A Ciência das Lágrimas (de Manuel Bernardes).

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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4 de fevereiro de 2016

O Fenômeno do Dogmatismo

O Que Acontece Quando Estamos
Convencidos da Veracidade de Algo

Robert Crosbie

Robert Crosbie (1849-1919)


O dogmatismo é uma falha de muita gente. Penso que ele é gerado por um sentimento de insegurança, na realidade,  ao mesmo tempo que é um esforço de alguém para confirmar diante de si mesmo e dos outros a certeza de que o seu conhecimento é correto. 

Naturalmente há outros tipos de dogmatismo, como a manutenção da nossa opinião simplesmente porque é a nossa opinião - uma  afirmação egocêntrica.  Um “dogma” é definido como aquilo que parece bom e correto para alguém [1]; o dogmatismo, normalmente arrogância, é  afirmação. 

O dogmatismo sempre traz à minha mente a ideia de uma  afirmação cuja veracidade não pode ser comprovada. Alguém pode falar de maneira convincente sobre aquilo que para ele é verdadeiro, sem cair na atitude dogmática. Quando estamos convencidos da veracidade de algo, não há  razão para que não expressemos essa convicção com a intensidade que a situação exige, mas em tal caso também não há razão para que exijamos a sua aceitação por parte dos outros. 

Concretamente, nós não exigimos a aceitação da Teosofia; nós apontamos para os seus princípios e as aplicações desses princípios. A Teosofia apresenta algumas afirmações como percepções que são objetos de conhecimento por parte de seres humanos aperfeiçoados, mas não como afirmações em que se deve acreditar. É mostrado que tal conhecimento, tendo sido alcançado  por Eles a partir de observação e experiência feitas ao longo de muitas vidas, pode ser alcançado por todos os seres humanos, e os meios para fazer isso são assinalados.  O bom senso presente na alegação de que esse é um conhecimento legítimo afasta a afirmativa do terreno do dogmatismo.    

“A consciência é onipresente, não  pode ser localizada nem centrada em nenhum assunto particular, e tampouco pode ser limitada. Só os seus efeitos é que pertencem à região da matéria, porque o pensamento é uma energia que afeta a matéria de várias maneiras; mas a consciência em si não pertence ao plano da materialidade.”


NOTA DO TRADUTOR:

[1] Crosbie está mencionando a definição clássica do termo. (CCA)

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O fragmento acima foi traduzido do livro “The Friendly Philosopher”, de Robert Crosbie, The Theosophy Company, Los Angeles, EUA, 1945, 416 pp. O texto está na seção “Homely Hints”, à página 113.  

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Para conhecer a teosofia original desde o ângulo da vivência direta, leia o livro “Três Caminhos Para a Paz Interior”, de Carlos Cardoso Aveline.


Com 19 capítulos e 191 páginas, a obra foi publicada em 2002 pela Editora Teosófica de Brasília.   

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5 de agosto de 2015

A Lei do Carma e a Compaixão

O Fundador da Loja Unida
Examina a Arte de Agir Corretamente

Robert Crosbie 
Robert Crosbie (1849-1919)


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Nota Editorial

Na primeira metade do século 21, é comum ver
cidadãos protegerem o erro e a falsidade em nome
da compaixão ou da misericórdia, e até acusarem
aqueles que defendem a ética e a justiça de serem
arrogantes, ou autoritários. Ao mesmo tempo,
divulga-se a ilusão de que o ser humano não precisa
aprender com os seus erros: bastaria acreditar cegamente
neste ou naquele deus, mestre ou ritual, para ser salvo.

É possível deixar de lado a Justiça,  fazendo
uso apenas da Compaixão?  É um dever deixar
de lado a Ética, em nome da fraternidade?

Na segunda década do século 20, um teosofista
inglês levantou esta questão sempre atual. A lei
do  Carma - segundo a qual “cada um deve colher o
que plantou” - lhe parecia ser “impiedosa”.  A
questão foi submetida a Robert Crosbie, o principal
fundador da Loja Unida de Teosofistas, LUT.  O
texto a seguir é a primeira parte da resposta de
Crosbie. Acrescento a ele três notas numeradas.

(Carlos Cardoso Aveline)

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Você pediu que eu comentasse as questões levantadas pelo nosso irmão inglês; mais especialmente, em relação ao “carma ser tão destituído de caridade como o Deus da Bíblia”. Mas ele está levando em conta que a Compaixão não é algo oposto à Justiça, e que a mais completa justiça é a mesma coisa que a mais completa compaixão? 

Alguns entendem que o significado da Compaixão é que há uma permissão para escapar dos resultados das más ações; mas isso não seria justiça, e tampouco seria misericordioso em relação a aqueles que foram atingidos pela má ação.  Ele deve lembrar a definição de Carma: uma tendência do Universo, que nunca se desvia e não se dispersa, no sentido de restaurar o equilíbrio, e essa tendência opera incessantemente.  O Carma é a lei intrínseca, e a sua operação deve, portanto, ser impessoal. Algumas pessoas podem considerar isso “impiedoso”, mas essa atitude significa apenas que elas querem escapar de consequências que são desagradáveis.

Há apenas duas maneiras de olhar para esta questão: ou o Universo é governado pela Lei e está sob a Lei, ou então tudo é um Caos. Em cada aspecto da Natureza, nossa experiência aponta para o fato de que a Lei reina em toda parte. Tudo o que acontece, em qualquer lugar, acontece sob a Lei. O nosso controle dos elementos, o nosso uso dos materiais na Natureza, só é possível porque a mesma coisa pode ser feita quando as mesmas condições estão presentes. Tendo descoberto algumas das leis da eletricidade,  por exemplo, podemos dirigir aquele fluido ou força, e usá-lo para muitos propósitos diferentes.

Assim como a Lei reina no mundo material, também podemos ver que ela também governa no mundo mental e no mundo moral. A palavra “Carma”  significa simplesmente “ação” e a sua consequente “re-ação”. Não há Carma [individual], a menos que haja um ser para criá-lo e para sentir seus efeitos [1]; efeitos desagradáveis indicam causas  que produziram algo desagradável no mundo, afetando outros, e encontrando a restauração do equilíbrio no ponto de perturbação. Portanto, só pode haver uma consideração, e essa consideração é - Justiça.  Por que motivo iríamos desejar que fosse feita alguma coisa, exceto Justiça?

A Bíblia diz, “O que um homem planta, isso ele também colherá”, e “Não resista ao mal e ele fugirá de você”. O que é o “mal”, exceto a colheita dos efeitos do erro cometido? Se nós tentamos evitar a restauração do equilíbrio, o mal não fugirá de nós, mas aparecerá outra vez.  Mas se nós aceitamos tudo como justo e correto, então o “mal” desaparece. Não devemos aplicar a ideia de Carma apenas ao que chamamos de bem e mal na vida física.

A Terra gira em sua órbita, levada cada vez mais pelo Sol em sua própria órbita maior; ela envelhece ao longo dos ciclos; ela muda de aparência, e entra em estados materiais que sequer sonhamos.  Esse é o Carma da Terra. Cedo ou tarde, enquanto ainda gira em sua órbita, o nosso planeta alterará lentamente a posição dos seus polos e levará a faixa fria de gelo para onde agora estão as cenas de verão - esse é o Carma da Terra e dos seus habitantes. Como, então, a ação do Carma será restringida em relação aos detalhes de uma vida, ou como se pode julgar o Carma com base nisso?  Devo dizer que o Carma é a própria Compaixão, porque não sei de nada que possa evitar que eu ou qualquer outro ser obtenha o que é seu de acordo com a lei exata e certeira:

Ela não conhece ira nem perdão, é totalmente verdadeira
Ao avaliar as proporções de algo, e ao pesar fatores em sua balança;
O tempo nada significa, ela julgará amanhã,
Ou depois de muitos dias.

Assim é a Lei que move todas as coisas na direção do que é correto,
E da qual ninguém pode afastar-se ou permanecer à parte;
A sua essência é Amor, as suas metas
São a Paz e a mais doce Realização. Obedeça-a! [2]

Ele pergunta se nós mudamos a nossa “religião”. A teosofia não é uma “religião”, porque as religiões podem ser mudadas, mas diante de um conhecimento que cada um pode tornar seu não surge a questão de mudança, de medo, ou dúvida. Sabemos de todas as alegações, dos tipos mais variados, feitos por sociedades e indivíduos. [3] Como pode alguém avaliar o peso de cada um deles, se é que há algum peso?

Da seguinte maneira: se lhe pedem que aceite qualquer coisa só porque alguém disse aquilo, e se não são dados ao mesmo tempo os meios para que você possa ver e conhecer por si mesmo antes de aceitar a afirmação, o caminho seguro é recusar a aceitação. Deste modo você evita abandonar o seu próprio discernimento para seguir de olhos fechados a opinião de outrem.

NOTAS:

[1] Acrescentei a palavra “individual” entre colchetes. O universo inteiro está eternamente em movimento e o seu movimento é regulado pela Lei do Carma. Não há coisa alguma fora da Lei. A Lei do Carma é onipresente tanto durante os Manvântaras (períodos de manifestação do Universo) como nos Pralayas (seus períodos de descanso). No entanto, a existência de carma individual depende da existência de um ser individualizado. (CCA)

[2] Esta é uma citação da obra “The Light of Asia” (“A Luz da Ásia”), de Edwin Arnold, Theosophy Co., Los Angeles, ver pp. 218-219. (CCA)

[3] Alusão à falsa clarividência e às iniciações imaginárias de indivíduos desinformados como Annie Besant, Charles Leadbeater e Geoffrey Hodson, entre tantos outros. A pseudoteosofia transmite a ilusão segundo a qual a crença cega permite escapar à lei do carma. (CCA)

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O texto acima é traduzido do livro “The Friendly Philosopher”, de Robert Crosbie, Theosophy Company, Los Angeles, 416 pp., 1945, ver pp. 30-32. Trechos dele foram publicados em português na edição de outubro de 2007 de “O Teosofista”, sob o título de “Entre a Justiça e a Compaixão”.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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10 de janeiro de 2015

O Que É Impessoalidade

O Verdadeiro Eu Está Além do “Eu Pessoal”

Robert Crosbie  



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Nota Editorial:

A impessoalidade - a prática de deixar de lado interesses
menores e ir além do eu pessoal - é quase sempre amplamente
elogiada entre os caminhantes espirituais das mais diferentes tradições.  
No texto a seguir, Robert  Crosbie desmistifica a questão de modo
magistralmente simples, ao olhar  para ela do ponto de vista prático.

(CCA)

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A questão da personalidade é tão vasta que pode parecer que uma solução satisfatória para ela seria semelhante à  solução de um complexo problema matemático. Mas as maiores verdades são as mais simples. E se nós refletirmos por um momento sobre o que a impessoalidade não é, talvez isso nos ajude a ver o que ela é.

Alguns falam com grande ênfase contra a personalidade. Isso não prova que estão livres dela.

Alguns falam pouco, mas o efeito do que é dito por eles é sugerir  que eles, sim, são impessoais. Parecem muito modestos, mas sua atitude é apenas política.

Alguns têm medo de falar sobre personalidade, e pensam que ela deve ser evitada como uma espécie de monstro perigoso.

Outros ainda pregam uma doutrina de impessoalidade que tira da vida tudo que é humano e faz dela uma fria negação. Essa doutrina não tem paciência com a evolução -; segundo ela, todos os erros devem desaparecer de um só golpe.

A impessoalidade não está em falar; não está em silenciar; não está em insinuar; não está em evitar; não está em negar. E, sobretudo, ela não é uma diplomacia que funciona como uma máscara da ambição.

A impessoalidade significa estar livre da personalidade, mas nenhum de nós a obterá de imediato; e já estaremos progredindo bastante bem se estivermos vencendo a personalidade de modo lento e persistente.

Para efeitos práticos: se estamos desenvolvendo um coração-de-criança; se estamos aprendendo a amar as coisas belas; se estamos tornando-nos mais honestos,  mais claros e mais simples; se estamos começando a sentir o lado doce da vida; se estamos gostando mais dos nossos amigos e ampliando o círculo da amizade; se sentimos que nosso sentimento de simpatia se expande; se gostamos de trabalhar pela Teosofia, e não pedimos por cargos, posições ou recompensas; se não nos preocupamos demasiado com ser ou não ser impessoal; bem, isto é trilhar o caminho da impessoalidade.

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Traduzido da  revista “Theosophy”, Los Angeles, edição de janeiro-fevereiro de 2007, p. 60. Título original: “Impersonality”. Publicado anteriormente na obra  “The Friendly Philosopher”, Robert Crosbie, Theosophy Co., 1945, 414 pp., ver pp. 127-128.

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida. 

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31 de dezembro de 2014

Decisões Para o Ano Novo

O Modo Certo de Reiniciar um Ciclo da Vida

Robert Crosbie



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Nota Editorial:

O artigo a seguir é traduzido do volume
The Friendly Philosopher”, de Robert
Crosbie, Theosophy Company, Los Angeles,
1945, 415 pp., pp. 310-314. O texto conclui
mencionando o fato de que, segundo os
Mestres de Sabedoria,  a humanidade em seu
conjunto é a grande órfã, já que poucos
indivíduos pensam no bem dela como um todo.
Muitos sofrem de grave ignorância espiritual e
pensam apenas em si mesmos isoladamente.
Acrescentamos duas notas explicativas.  

(Carlos Cardoso Aveline)

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“... A nossa vontade opera na verdade
em todas as partes da nossa vida física, embora
talvez não possamos perceber e compreender o processo.”



Todos indubitavelmente já tomaram decisões alguma vez na época do Ano Novo, e todos, sem dúvida, já falharam ao tentar cumpri-las. Deve haver alguma razão para as nossas falhas, assim como para o fato de que em certa época do ano temos uma inclinação a tomar decisões.

Estas razões estão ocultas nas profundezas do nosso próprio ser.

Talvez, sem que saibamos, nós tenhamos uma percepção natural da lei oculta ao olharmos para este período específico do ano. Os antigos celebravam o chamado “nascimento do Sol”, ou o retorno do Sol, que começa - no hemisfério norte do planeta - dia 21 de dezembro. [1] Eles sabiam que todas as forças ocultas da natureza têm uma tendência a crescer e a elevar-se a partir do retorno do Sol. Quando os raios solares ficam mais quentes e mais fortes, todas as outras forças que acompanham o Sol e que estão presentes em nós se fortalecem em nosso interior. [2] Na onda crescente de renovação psíquica e espiritual, tudo o que desejamos fazer ganha  um impulso maior do que nas outras épocas do ano.

A razão para o fracasso em nossas decisões pessoais está no fato de que não entendemos nossa própria natureza. Consequentemente, não somos capazes de usar a força e a influência que há em nosso interior, do ponto de vista físico, e nos parece difícil cumprir decisões de qualquer tipo. Nosso primeiro erro é tomar decisões negativas. Nós dizemos: “não vou mais ingerir bebidas alcoólicas”, “não vou mais mentir”, “não vou mais fazer isso ou aquilo”.  Mas a decisão certa a tomar é - “eu vou fazer isso ou aquilo” - indo além da situação atual.

Neste caso fazemos uma afirmação direta da vontade, enquanto na outra forma adotamos uma posição apenas negativa.  Talvez tenhamos pensado, em relação aos outros ou a nós mesmos, que não fazer uma série de ações questionáveis é suficiente para ser “bons”. Nesta situação, na verdade, apenas não seremos maus. É uma posição negativa.  Mas a verdadeira bondade é uma posição positiva.

Para colocar em prática nossas decisões em relação ao novo ano, devemos evocar a vontade do ser humano, porque a vontade não pode ser bloqueada por qualquer forma de obstáculo. No entanto, aqui não estamos usando a palavra “vontade” no sentido convencional. Temos a tendência a pensar que uma pessoa muito determinada na busca dos seus próprios objetivos possui “uma vontade forte” e é muito definida em seu caráter, mas este tipo de pessoa mostra apenas uma forma de vontade.  Este tipo de indivíduo tem desejos muito fortes, e é guiado por eles, mas não possui Vontade.

Há muitos aspectos da Vontade. Alguns deles são difíceis de reconhecer. O próprio desejo de viver é um aspecto sutil da Vontade. Se o desejo de viver não estivesse presente, não viveríamos. Não é o corpo físico que nos mantém aqui, mas o desejo de viver. Atrás da Vontade, há sempre o Desejo. De algum modo, cada um dos órgãos e processos corporais do ser humano tomou forma através de um esforço consciente.  Até o processo de digerir,  o processo de assimilar, o esforço das batidas do coração e as várias qualidades e funções de todos os órgãos foram produzidos como resultado de esforços conscientes. Hoje temos órgãos que trabalham automaticamente, enquanto focamos nossa consciência, nossa percepção e atenção em outras direções.  Deste modo, a nossa vontade opera na verdade em todas as partes da nossa vida física, embora talvez não possamos perceber e compreender o processo.  Há também uma fase mental da vontade que deve ser cultivada através da prática: a atenção fixa, ou concentração em determinada direção, de modo a produzir certos resultados desejados.

A real e verdadeira Vontade é conhecida como Vontade Espiritual. Ela voa como a luz e corta todos os obstáculos tal como uma espada afiada. É esta Vontade, surgindo da mais elevada parte espiritual da nossa natureza, que faz com que o ser humano seja um processo de evolução. A evolução avança de dentro para fora, através de todos os tipos de substâncias,  e continua a produzir instrumentos neste estado material. Todos os poderes que existem ou que podem existir - ainda que expressos precariamente - estão presentes, em potencial, no plano espiritual da natureza. Nós aproveitamos nossa natureza espiritual em uma pequena medida porque a maior parte de nós tem suas ideias tão presas à existência material que enxerga a vida como se ela fosse apenas a existência material. 

Houve um tempo em que tínhamos consciência da nossa natureza espiritual. À medida que fomos descendo através dos planos da matéria até a condição de hoje, fizemos um progresso intelectual às custas da  percepção espiritual. Com nosso intelecto, sempre raciocinamos desde as premissas até as conclusões, enquanto que a natureza espiritual tem o poder de conhecer diretamente a natureza de qualquer coisa que seja observada. Assim, nosso ganho intelectual ocorreu ao lado da perda da percepção espiritual, e é inútil que a teologia, a ciência e a psicologia tentem avançar desde as percepções físicas e pessoais para obter uma compreensão do que o ser humano é na realidade: segundo tais campos de conhecimento, as causas psicológicas são apenas reflexos das ideias físicas. Na realidade, para compreender a nós mesmos, devemos começar desde o ponto mais alto da nossa natureza, reconhecendo em primeiro lugar que tal ponto existe, e em seguida mantendo a força de tal reconhecimento. Começamos a ver a luz através da própria afirmação da natureza espiritual.

Tal como estamos hoje, sempre usamos nossa vontade ao longo da linha dos nossos desejos e daquilo que gostamos e não gostamos, pensando erradamente que esta é uma base adequada para o pensamento e a ação. O realmente necessário é um alicerce verdadeiro para o nosso pensamento.

Devemos eliminar a falsa ideia de que se somos criaturas fracas, que tendem ao erro e possuem todas as falhas dos nossos pais e avós, isso ocorre porque nascemos assim.

É necessário destruir a ilusão mental de um criador externo. Devemos entender o propósito da vida e compreender que somos o produto de muitas das nossas próprias vidas anteriores.

Devemos reconhecer que a evolução ocorre de acordo com a lei.  A lei reúne em si verdade e compaixão, e opera por toda parte. É porque esta lei funciona em um ciclo sempre renovado que nós tomamos decisões para o Ano Novo.  Podemos colocar na prática estas decisões, se compreendermos e usarmos a lei da repetição cíclica. (....)

Algumas Decisões a Tomar

Devemos, portanto, tomar uma grande decisão. Devemos decidir que buscaremos o conhecimento, e que pensaremos e agiremos corretamente.

Devemos decidir que obteremos algo daquele conhecimento que sempre existiu; o conhecimento de que o ser humano permanece sendo um ser espiritual através de todas as flutuações do reino da matéria.

À medida que confiamos cada vez mais no Eu superior, começamos a expressar e usar o poder que nós já temos; e este poder é muito maior do que imaginamos.

Podemos ajudar a nós mesmos colocando em prática as sugestões contidas nos ensinamentos teosóficos. Elas são sugestões dos Mestres.  Assim, à medida que o poder estabilizador da vontade é mantido ao longo da linha em que desejamos agir, surge uma ajuda mais direta dos Irmãos Mais Velhos da nossa humanidade. A cada momento do dia e do ano, eles estão dispostos a encontrar aqueles que tiverem uma visão suficientemente clara para ver o seu verdadeiro destino, e que tiverem um coração suficientemente nobre para trabalhar pela grande órfã, a humanidade.


NOTAS:

[1] No hemisfério norte, a época do Natal marca a retomada de força por parte do Sol, após o período mais forte do inverno. No hemisfério sul, por outro lado, o período de 21 a 25 de dezembro corresponde ao momento em que a luz do sol, depois de chegar ao seu auge, passa lentamente a perder força, preparando o outono e o inverno. Há uma simetria entre os hemisférios norte e sul do planeta. Com o decréscimo cíclico da luz física, que começa na época de Natal no hemisfério Sul, a vida passa a se recolher. Este recolhimento abre espaço para a luz sutil da alma imortal - o sol interior.  

[2] Além do ciclo solar, há o fator numerológico. Segundo a teosofia, os números têm poder oculto.  Os primeiros dias do primeiro mês do ano possuem o dom de inaugurar tendências que abrirão caminho e durarão, potencialmente, por todo o ciclo de doze meses.

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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