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15 de julho de 2019

Mestres Ensinam Que Não Há Deus

Uma Carta dos Raja Iogues Explica:
‘Deus’ É Uma Ilusão Fabricada Por Sacerdotes

Um Mahatma dos Himalaias




O Deus dos teólogos é simplesmente um poder
imaginário (....). Nossa principal meta é libertar a
humanidade deste pesadelo, ensinar ao homem  a
virtude pelo bem da virtude, e ensiná-lo a caminhar
pela vida confiando em si mesmo, ao invés de depender
de uma muleta teológica que por eras incontáveis foi a
causa direta de quase toda a miséria humana.

(Um Mahatma dos Himalaias)






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O texto “Mestres Ensinam Que Não Há Deus” foi publicado nos websites associados em 2017, e suas notas editoriais foram atualizadas em 15 de julho de 2019.

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Em 14 de setembro de 2016, um grupo de estudantes decidiu criar a Loja Independente de Teosofistas. Duas das prioridades da LIT são tirar lições práticas do passado e construir um futuro saudável. 

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Para conhecer a teosofia original desde o ângulo da vivência direta, leia o livro “Três Caminhos Para a Paz Interior”, de Carlos Cardoso Aveline.


Com 19 capítulos e 191 páginas, a obra foi publicada em 2002 pela Editora Teosófica de Brasília.   

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6 de janeiro de 2019

Do Ritualismo Para a Raja Ioga



O Caminho Para o Discipulado Depende de
Autoconhecimento, e Não de Obediência Cega

Um Mahatma dos Himalaias




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Nota Editorial:

Os trechos abaixo são reproduzidos
de “Cartas dos Mahatmas”, volume II,
Editora Teosófica, Brasília. Os números
das Cartas e das páginas estão indicados
entre parênteses ao final de cada citação.

Os leitores devem lembrar
que a palavra “chela” significa
discípulo, e “chelado”, discipulado.

(Carlos Cardoso Aveline)

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* Ah, por quanto tempo irão os mistérios do chelado vencer e desviar do caminho da verdade tanto os sábios e perspicazes quanto os tolos e crédulos! Como são poucos, entre os muitos peregrinos que têm de começar viagem sem mapa nem bússola pelo Oceano sem praias do Ocultismo, aqueles que alcançam a terra desejada! (Carta 134, p. 299)

* Acredite-me, fiel amigo, nada, exceto uma completa confiança em nós, em nossas boas intenções se não em nossa sabedoria, em nossa antevisão, se não onisciência - algo que não é possível encontrar nesta terra - pode ajudar alguém a avançar desde a sua terra de sonhos e ficção até a nossa terra da Verdade, a região da rigorosa realidade e dos fatos. De outro modo, o oceano comprovará de fato não ter praias; as suas ondas levarão a pessoa não mais por águas de esperança, mas transformarão cada pequena onda em dúvida e suspeita; e elas serão amargas para quem começa a viajar por aquele mar sombrio e agitado do Desconhecido tendo uma mente preconceituosa! (Carta 134, p. 299)

* A massa de pecados e fragilidades humanos se distribui ao longo de toda a vida de um homem que se contenta com seguir sendo um mortal médio. Ela é reunida e concentrada, digamos assim, dentro de um período da vida de um chela - o período de provação. Aquilo que está em geral acumulando-se para encontrar a sua expressão legítima apenas no próximo renascimento de um homem comum é acelerado e estimulado para que surja no chela - especialmente no candidato presunçoso e egoísta que avança apressado sem ter calculado suas forças. (Carta 134, pp. 300-301)

* Se quiser aprender e adquirir Conhecimento Oculto, você tem, meu amigo, de lembrar que este ensinamento abre na corrente do chelado muitos canais imprevistos, diante de cuja força mesmo um chela “leigo” deve necessariamente ceder, ou encalhará nos bancos de areia; e sabendo disso, você deve abster-se para sempre de julgar apenas pelas aparências. O gelo foi quebrado mais uma vez. Tire proveito disso, se puder. (Carta 134, p. 303)

* Que resmungos, que críticas sobre [o ensinamento a respeito do] Devachan [1] e assuntos semelhantes, por seu caráter incompleto e suas muitas aparentes contradições! Oh, tolos cegos! Eles esquecem - ou nunca souberam - que aquele que possui as chaves dos segredos da Morte é possuidor das chaves da Vida. (Carta 136, p. 315)

* Por que é que dúvidas e suspeitas sórdidas parecem atacar cada aspirante ao chelado? Meu amigo, nas Lojas Maçônicas dos tempos antigos, o neófito era submetido a uma série de testes espantosos, em que estavam em jogo a sua constância, sua coragem e sua presença de espírito. Através de impressões psicológicas provocadas por máquinas e substâncias químicas, ele era levado a acreditar que estava caindo em precipícios, que seria esmagado por rochas, que caminhava através de pontes de teia de aranha no meio do ar, que atravessava fogo, que se afogava na água e era atacado por animais selvagens. Esta era uma reminiscência e um programa tomado por empréstimo dos Mistérios Egípcios. Como o Ocidente havia perdido os segredos do Oriente, ele tinha, digamos, que fazer uso de um artifício. Mas nos dias atuais a vulgarização da ciência tornou obsoletos estes testes triviais. (Carta 136, p. 316)

* O aspirante é agora atacado inteiramente no lado psicológico da sua natureza. O processo de testes - na Europa e na Índia - é o da Raja Ioga, e o seu resultado é, como tem sido explicado frequentemente, o desenvolvimento de todos os germes, bons e maus, que há nele e em seu temperamento. A regra é inflexível, e ninguém escapa, quer ele apenas escreva uma carta para nós, ou formule, na privacidade do seu próprio coração, um forte desejo de comunicação e conhecimento ocultos. Assim como a chuva não pode fazer frutificar a rocha, tampouco o ensinamento oculto surte efeito sobre a mente que não é receptiva; e assim como a água aumenta o calor da cal cáustica, também o ensinamento coloca em impetuosa ação todas as insuspeitadas potencialidades latentes no aspirante. (Carta 136, p. 316)

* Poucos europeus resistiram a este teste. Suspeitas, seguidas de uma convicção autoconstruída de fraude, parecem ter se transformado na ordem do dia. Eu digo a você que, com muito poucas exceções, nós fracassamos na Europa. (Carta 136, p. 316)

* Cada passo dado por alguém em nossa direção nos forçará a dar outro passo em direção a ele. Mas não é indo a Ladakh [2] que alguém nos encontrará (…). (Carta 136, p. 317)

* Tenha cuidado, portanto, com um estado de espírito impiedoso, porque ele surgirá como um lobo faminto em seu caminho e devorará as melhores qualidades da sua natureza, que estão despertando para a vida. Amplie as suas simpatias, em vez de limitá-las; tente identificar-se com seus companheiros, em vez de diminuir seu círculo de afinidades. (Carta 131, p. 291)

NOTAS:

[1] Esta afirmação axiomática possui um valor decisivo para quem deseja entender a filosofia esotérica. Sobre o assunto do Devachan e de todo o processo entre duas encarnações terrestres, veja em nossos websites associados os artigos “O Processo Entre Duas Vidas”, “Vida, Morte e Iluminação”, “A Teosofia e a Reencarnação” e “A Lei da Vida Imortal”. (CCA)

[2] Pequena cidade na fronteira da Índia com o Tibete, que fazia parte do trajeto de viagens regulares do Mahatma K.H. (Nota da edição brasileira das Cartas dos Mahatmas)

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O texto acima foi publicado em nossos websites associados dia 05 de janeiro de 2019.

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Em 14 de setembro de 2016, um grupo de estudantes decidiu criar a Loja Independente de Teosofistas. Duas das prioridades da LIT são tirar lições práticas do passado e construir um futuro saudável. 

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17 de outubro de 2013

A Regra da Sinceridade

Carta de um Sábio Oriental Mostra o
Aspecto Rigoroso do Verdadeiro Aprendizado   

Um Mahatma dos Himalaias
 Uma imagem dos Himalaias, em quadro de Nicholas Roerich


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Nota Editorial:

Reproduzimos de O Teosofista,
edição de novembro de 2012, a carta 24
da primeira série de “Cartas dos Mestres de
Sabedoria”, compiladas por C. Jinarajadasa
(Editora Teosófica, Brasília). O texto tem
importância por vários motivos, três dos quais
devem ser citados aqui. Em primeiro lugar, a
carta mostra a franqueza e a linguagem direta
usada por sábios autênticos. O contraste é
enorme com a linguagem adocicada dos falsos
mestres fabricados por Charles Leadbeater, Annie
Besant, Geoffrey Hodson, e outros desinformados.

Em segundo lugar, ela indica o perigo fatal
da falta de sinceridade ao longo do caminho do
conhecimento. Vale sempre o axioma indicado
por Helena P. Blavatsky no artigo “Chelas e Chelas
Leigos”: “antes de desejar, faça por merecer”. Em
terceiro lugar, a carta mostra a situação de um
discípulo direto que está a um passo da queda.

(Carlos Cardoso Aveline)

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A Um Chela

Então você realmente imaginou que - quando lhe fosse permitido considerar-se meu chela - as negras recordações de seus erros passados estariam também ocultas de meu conhecimento, ou que eu sabia e mesmo assim perdoava? Você imaginou que eu era conivente com eles? Tolo...! três vezes tolo! Foi para ajudar a salvá-lo de seu Eu mais vil, despertar-lhe melhores aspirações; fazer com que a voz de sua “alma” desrespeitada fosse ouvida; para dar-lhe um estímulo para fazer alguma reparação... por estes motivos, somente, seu pedido para se tornar meu chela foi atendido. Somos os agentes da Justiça, não os lictores [1] sem sentimentos de um deus cruel. Mesmo indigno como você tem sido, colocando fora de modo vil seus talentos... cego como tem sido em relação aos clamores de gratidão, virtude e equidade, ainda assim você possui as qualidades de um homem bom - (adormecidas, na verdade, até agora!) e de um chela útil. Mas até quando continuarão suas relações conosco - isto depende somente de você. Você pode esforçar-se para sair do lodo, ou deslizar de volta até profundezas de vício e miséria agora inconcebíveis para sua imaginação... Lembre-se... de que você está diante de seu Atma, o qual é seu juiz, e que nem sorrisos, nem falsidades, nem sofismas podem enganar. Até aqui você recebeu apenas pequenos bilhetes de mim e - não me conhecia; agora me conhece melhor, pois sou eu que o acuso diante de sua consciência alertada. Você não precisa fazer promessas da boca para fora a Ele [2] ou a mim, nem confissões pela metade. Ainda que... você derrame oceanos de lágrimas e rasteje na poeira, isso não alterará em nada a balança da Justiça. Se quiser recuperar o terreno perdido, faça duas coisas: promova a mais ampla, mais completa reparação... e dedique suas energias ao bem da humanidade... Tente preencher cada dia com pensamentos puros, palavras sábias, ações amáveis. Não darei ordens, nem irei mesmerizar você, nem o influenciarei. Mas sem que perceba e quando talvez você vier - como tantos outros - a desacreditar de minha existência, estarei observando sua trajetória e simpatizando com suas lutas. Se você sair vitorioso no final de sua provação, serei o primeiro a dar-lhe parabéns. E, agora, há dois caminhos à sua frente, escolha! Quando tiver escolhido poderá consultar seu oficial superior visível - H. S. Olcott,  e ele será instruído por mim, através de seu Guru, para guiar você e mandá-lo adiante...

Você aspira a ser um missionário da Teosofia: seja um - se puder sê-lo de fato. Mas antes de sair pregando com um coração e uma vida prática que contradizem seu discurso - bendiga o raio que cause a sua morte, pois cada palavra irá acusá-lo no futuro. Vá e consulte o Cel. Olcott - confesse seus erros para este bom homem - e peça seu conselho.
                                                                                                                                  
K. H.

NOTAS:

[1] Lictor: Oficial da antiga Roma que acompanhava os magistrados com um molho de varas e uma machadinha para as execuções de sentença. (Nota da edição brasileira de Cartas dos Mestres de Sabedoria”.)

[2] Ele: No original, It: refere-se ao Atma. (Nota da edição brasileira de Cartas dos Mestres de Sabedoria)

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4 de fevereiro de 2013

Duas Escolas de Ocultismo

Um Poema Para a Verdade:
Comparando a Teosofia e o Jesuitismo

Um Mahatma dos Himalaias




Nota Editorial de 2013:

Publicamos a seguir trecho central de um documento sem par na literatura esotérica moderna: a Carta 74 de “Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett” (Ed. Teosófica, Brasília, dois volumes).

Para entender melhor o texto, cabe levar em conta alguns dados básicos sobre a luta dos mestres dos Himalaias e dos seus discípulos contra os sistemas organizados de manipulação coletiva, entre os quais se destacam historicamente o Vaticano e os jesuítas. O dicionário Aurélio da língua portuguesa, edição de 1999, define a palavra “jesuíta” com duas acepções. A primeira é “membro da Cia. de Jesus”. A segunda é “indivíduo dissimulado, astucioso, fingido, hipócrita”. Para a palavra “jesuítico”, no mesmo dicionário, encontramos entre outros os sinônimos “fanático” e “faccioso”.

Os jesuítas parecem ter tido dentro da sua Ordem uma divisão que funcionava nos moldes de um serviço secreto e operava através de mentiras, fraudes e violência. Desde meados do século dezoito até pouco depois da independência brasileira em 1822, a Companhia de Jesus foi fechada e proibida em todo o mundo. No que tange a Portugal e Brasil, a “gota d’água” que provocou o fechamento da Companhia de Jesus durante mais de meio século foi o assassinato de um rei português. 

Na segunda metade do século dezenove, os jesuítas estavam novamente agindo à vontade. No século 20, a derrota do nazismo e do fascismo debilitou profundamente o Vaticano e a Companhia de Jesus. Após o fim da segunda guerra mundial, a organização Opus Dei, criada sob a inspiração do fascismo espanhol, parece haver assumido grande parte das operações secretas antes promovidas pelos jesuítas. 

Os escritos de H.P. Blavatsky e dos Mestres dos Himalaias consideram que os jesuítas, na maior parte dos casos, são seres treinados na arte da mentira e da dissimulação. Nisso, confirmam o testemunho de inúmeras pessoas ao longo do tempo, inclusive o do pensador francês Blaise Pascal.

Na Índia e na Europa do século 19, membros influentes da Companhia de Jesus lidavam com energias ocultas seguindo a inspiração de uma Loja de Magia baseada no Egoísmo e no uso intensivo da falsidade. Adversários do ideal de progresso humano, eles procuravam derrotar o movimento teosófico agindo de dentro para fora, isto é, através de infiltração. É sintomático, por exemplo, o fato de que Annie Besant tomou o poder político no movimento teosófico pouco depois da morte de Helena Blavatsky, e não só não criticou os jesuítas ou o Vaticano, mas tratou de imitá-los. Ela criou uma “igreja católica teosófica” e outros rituais que servem até hoje como mecanismos de poder papal e controle político “infalível” na Sociedade Teosófica de Adyar.   

O leitor vê no documento a seguir uma comparação direta entre os métodos da Loja dos Irmãos da Fraternidade Universal e os métodos da Loja Oculta do Egoísmo, que produz fraudes devocionais através de ritualismos, chantagem emocional e outros jogos de aparência. Estudando as Cartas dos Mahatmas, o estudante pode alcançar duas metas ao mesmo tempo:

1) Uma delas é compreender e afastar-se por mérito próprio dos métodos e da influência da Loja Oculta que trabalha com fraudes piedosas;

2) A outra é compreender e aproximar-se do Caminho Estreito da Verdade e do campo magnético dos que trabalham pela fraternidade de todos os seres.

Sempre que a  obediência automática a estruturas de poder substitui a busca da verdade, temos diante de nós uma ponta do iceberg da ilusão espiritual. Mas isso não é fácil de perceber, e um pensador escreveu, com  razão:

“O mal está condenado a imitar as aparências do bem”.

De fato, a mentira toma providências para ser parecida com a verdade. Cabe ao estudante da filosofia esotérica aprender a pensar por si mesmo e enxergar a diferença entre o joio e o trigo, a ilusão e a verdade, a fraude religiosa e o compromisso com a sinceridade.  

Para que possa encontrar o rumo correto no século 21, o movimento esotérico deve compreender a Carta 74 de “Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett”. O texto esclarece como funciona, de fato, o discipulado. O processo é diametralmente oposto às fantasias colocadas em circulação pela pseudoteosofia. O verdadeiro método de provações e aprendizado tem como base a autonomia do aluno, e não a crença cega ritualística, proposta tanto pelos jesuítas como por Annie Besant.

Para facilitar a compreensão profunda do documento, dividimos parágrafos longos em parágrafos curtos.  

(Carlos Cardoso Aveline)

Duas Escolas de Ocultismo

Um Mahatma dos Himalaias

(......)

Um chela em provação tem permissão para pensar e fazer o que quiser. Ele é advertido e informado previamente: “Você será tentado e enganado pelas aparências; dois caminhos se abrirão diante de você, os dois levando à meta que você está tentando alcançar; um, fácil, e este o levará mais rapidamente ao cumprimento das ordens que você pode receber; o outro, mais árduo, mais longo; um caminho cheio de pedras e espinhos que o farão pisar em falso mais de uma vez; e no final do qual você pode, talvez, chegar a um fracasso, depois de tudo, e ser incapaz de executar as ordens dadas para um pequeno trabalho particular - mas, enquanto este caminho fará com que as dificuldades enfrentadas por você devido a ele sejam todas contabilizadas a seu favor a longo prazo, o outro, o caminho fácil, só pode oferecer a você uma gratificação momentânea, uma realização fácil da tarefa”.

O chela tem toda liberdade, e frequentemente muitas razões, do ponto de vista das aparências, para suspeitar que seu Guru é “um impostor”, uma palavra elegante. Mais que isso: quanto maior e mais sincera sua indignação - seja ela expressada com palavras ou esteja fervendo em seu coração - tanto mais adequado ele é, e mais qualificado para tornar-se um adepto.

Ele é livre para usar, e não terá que responder pelo fato de empregar até mesmo as palavras e expressões mais abusivas em relação às ações e ordens do seu guru, uma vez que ele saia vitorioso da provação; uma vez que ele resista a todas e cada uma das tentações; que rejeite todas as seduções; e comprove que nada, nem mesmo a promessa daquilo que ele considera mais valioso que a vida, daquela bênção extremamente preciosa, seu futuro adeptado - é capaz de fazer com que ele se desvie do caminho da verdade e da honestidade, ou forçá-lo a tornar-se um enganador.

Meu caro senhor, nós dificilmente concordaremos alguma vez em nossas ideias das coisas, e mesmo em relação ao valor das palavras. Você nos chamou em determinada ocasião de jesuítas; e, vendo as coisas como você vê, talvez você estivesse certo, até certo ponto, em ver-nos deste modo, já que aparentemente nossos sistemas de treinamento não diferem muito. Mas só externamente.

Como eu disse certa vez, eles sabem que o que eles ensinam é uma mentira; e nós sabemos que o que nós transmitimos é verdade, a única verdade e nada mais que a verdade.

Eles trabalham para maior poder e glória (!) da sua ordem; nós - para o poder e a glória final dos indivíduos, de unidades isoladas, da humanidade em geral, e estamos contentes de, ou melhor, somos forçados a deixar nossa Ordem e seus chefes inteiramente no esquecimento.

Eles trabalham, e se esforçam, e enganam, em função do poder mundano nesta vida; nós trabalhamos e nos esforçamos, e deixamos que nossos chelas sejam temporariamente enganados, para dar-lhes meios de nunca mais serem enganados a partir de agora, e de ver toda a maldade da falsidade e da mentira, não só nesta vida mas em muitas vidas depois desta.

Eles, os jesuítas, sacrificam o princípio interno, o cérebro espiritual do ego, para alimentar e desenvolver melhor o cérebro físico do homem pessoal e evanescente, sacrificando toda a humanidade para oferecê-la em holocausto à Sociedade deles - o monstro insaciável que se alimenta com o cérebro e a medula da humanidade, e desenvolvendo um câncer incurável em cada ponto de pele saudável que toca.

Nós, os criticados e mal-entendidos Irmãos, tentamos levar os homens a sacrificar a sua personalidade - um relâmpago passageiro - pelo bem-estar de toda a humanidade, portanto pelos seus próprios Egos imortais, que são parte dela, assim como a humanidade é uma parte do todo integral, ao qual se reunirá um dia.

Eles são treinados para enganar; nós, para desenganar; eles fazem o papel de animais que se alimentam de carniça, confinando alguns poucos pobres e sinceros instrumentos deles - con amore, e com objetivos egoístas; nós, deixamos isso para nossos lacaios, os dugpas que trabalham para nós, e lhes damos carte blanche [1] por algum tempo, com o único objetivo de extrair toda a natureza interna do chela, a maior parte de cujos cantos e recantos permaneceria escura e escondida para sempre, se não fosse dada uma oportunidade para que cada um destes cantos fosse testado.

Se o chela conquista ou perde o prêmio é algo que depende apenas dele. Só que você deve lembrar que as nossas ideias orientais sobre “motivações”, “sinceridade” e “honestidade” diferem consideravelmente das suas ideias no Ocidente.

Ambos acreditamos que é moral dizer a verdade e imoral mentir; mas aqui toda analogia termina e nossas noções passam a divergir em um grau bastante notável. Por exemplo, seria uma coisa extremamente difícil para você dizer-me como é que a sua sociedade ocidental e civilizada, com sua igreja, Estado, política e comércio, puderam em algum momento assumir uma virtude que é completamente impossível de praticar em sentido irrestrito por um homem culto, um estadista, um comerciante, ou qualquer outro que viva no mundo?

Poderá qualquer uma das classes mencionadas acima - a fina flor da nobreza da Inglaterra, seus mais orgulhosos fidalgos e mais destacados membros do parlamento, suas damas virtuosas e sinceras - poderá qualquer um deles falar a verdade, pergunto, seja em seu lar, ou em sociedade, durante suas funções públicas ou no círculo familiar?

O que você pensaria de um cavalheiro, ou dama, cuja afável polidez de maneiras e suavidade de linguagem não cobrisse falsidade alguma; alguém que, ao encontrar você, lhe diria direta e abruptamente o que pensa de você, ou de qualquer outra pessoa?

E onde você pode encontrar aquela pérola de comerciante honesto ou aquele patriota temente a Deus, ou político, ou um simples visitante casual seu, que não esconde seus pensamentos todo o tempo, e é obrigado, sob pena de ser visto como um bruto, um louco - a mentir deliberadamente, e com uma expressão facial enfática, assim que é forçado a dizer o que pensa de você; a menos que por milagre seus sentimentos reais não exijam ser escondidos?

Tudo é mentira, tudo falsidade, ao redor de nós e em nós, meu irmão [2] ; e é por isso que você parece tão surpreso, se não abalado, sempre que encontra uma pessoa que diz a você cara a cara a dura verdade, e também é por isso que parece impossível a você compreender que um homem pode não ter nenhum mau sentimento contra você, e até mesmo gostar de você e respeitá-lo por certas coisas, e no entanto dizer-lhe frente a frente o que pensa honesta e sinceramente de você.

NOTAS:

[1] “Carte blanche”: “carta branca”, em francês; total liberdade. Os “dugpas” são inimigos da verdade que trabalham com forças sutis e combatem o trabalho dos Mestres. Esta passagem retrata um princípio central do verdadeiro treinamento oculto, que também aparece na Bíblia, mais precisamente em Jó, capítulo dois. A noção de Annie Besant e Charles Leadbeater segundo a qual o Mestre “protege o discípulo da possibilidade de errar” faz parte da vasta fraude pseudoteosófica criada após a morte de Henry Olcott em 1907. (CCA)

[2] Embora escrita por um sábio oriental, esta frase coincide com a melhor tradição da filosofia ocidental. Ela pode ser comparada, por exemplo, com as palavras de um notável  filósofo francês. Blaise Pascal (1623-1662) confrontou os Jesuítas em uma série de Cartas Abertas.  Numa delas, ele escreveu: “A vida humana (...) é só uma ilusão perpétua; os homens enganam e lisonjeiam uns aos outros. Ninguém fala de nós em nossa presença da mesma maneira como faz na nossa ausência. O convívio humano se baseia no engano recíproco; poucas amizades durariam, se cada um soubesse o que o seu amigo diz dele em sua ausência, mesmo que ele fale com sinceridade e sem paixão. O homem é, portanto, apenas disfarce, falsidade, e hipocrisia, tanto em si mesmo como na relação com os outros. Ele não quer que ninguém diga a ele a verdade; ele evita dizer a verdade aos outros, e todas estas inclinações, tão afastadas da justiça e da razão, estão enraizadas em seu coração”. (“Pensées”, de Blaise Pascal, Encyclopaedia Britannica, “Great Books of the Western World”, 1955, impresso nos EUA, 487 pp., ver itens 99 e 100, pp. 191-192.) (CCA)

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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22 de julho de 2011

A Carta do Maha-Chohan

Uma Chave Para Visualizar o Futuro

Um Mahatma dos Himalaias

 


1. Introdução: a Importância do Documento
 
A história registra que, em 1881, um dos raja-iogues ou Mestres de Sabedoria que orientavam o trabalho teosófico na sua fase pioneira decidiu buscar conselhos, e consultou o seu próprio instrutor.
 
O Mestre dos Mestres foi então ouvido. O tema era a natureza, a meta e o rumo do movimento que estava sendo iniciado.
  

  
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O texto “A Carta do Maha-Chohan” pode ser considerado uma espécie de “carta constituinte” do movimento teosófico, porque estabelece algumas das linhas básicas mais importantes para a sua atuação. Ele foi publicado nos websites associados em 2011, quando o trabalho da futura Loja Independente de Teosofistas (LIT), já surgia internacionalmente com perfil próprio, mas ainda era parte, do ponto de vista formal, da Loja Unida de Teosofistas. A criação da LIT ocorreu em 14 de setembro de 2016. Ao mesmo tempo foi declarada a sua independência em relação a outras correntes de pensamento. Uma das características que distinguem a LIT é que ela compreende um fato básico, estranhamente ignorado por outras correntes teosóficas. É o fato de que os ensinamentos dados diretamente pelos Mestres de Sabedoria, através das suas Cartas, não devem ser ignorados, mas merecem uma atenção central e prioritária por parte dos estudantes sinceros de teosofia

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.



Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.


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9 de junho de 2011

DEUS PESSOAL OU LEI UNIVERSAL?


A Filosofia Esotérica Esclarece: o Deus
Monoteísta é uma Invenção das Castas Sacerdotais


 Um Mahatma dos Himalaias


 
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    Um Trecho do  volume II da obra
“Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett”
Editora Teosófica,  Brasília,  2001, dois volumes

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CARTA Nº  88               (ML-10)    Copiada por A.P.S., 28  set. 1882

NOTAS DE UM MESTRE DOS HIMALAIAS SOBRE UM “CAPÍTULO PRELIMINAR SOBRE DEUS”, QUE HAVIA SIDO ESCRITO POR UM CORRESPONDENTE DELE, UM CIDADÃO INGLÊS.

[ Recebidas em Simla,  Índia, Set. 1882 ]



Nem a nossa filosofia, nem nós próprios acreditamos em um Deus, e muito menos em um Deus cujo pronome necessita uma inicial maiúscula. Nossa filosofia se encaixa na definição de Hobbes[1]. Ela é preeminentemente a ciência dos efeitos pelas causas e das causas por seus efeitos, e já que ela é também a ciência das coisas surgidas do primeiro princípio, segundo a definição de Bacon[2], antes de admitir qualquer primeiro princípio devemos conhecê-lo, sem o que não temos o direito de admitir nem mesmo sua possibilidade. Toda sua explicação se baseia sobre uma admissão isolada, feita para efeitos de argumentação em outubro  passado.   Foi-lhe    dito que nosso conhecimento estava limitado ao nosso sistema solar: portanto, como filósofos que desejam ser dignos do nome, não poderíamos negar nem afirmar a existência do que você qualificou como um ser supremo, onipotente, inteligente, de um tipo além dos limites do sistema solar. Mas embora tal existência não seja absolutamente impossível, a menos que a uniformidade da    lei    da    natureza   se   rompa   naqueles limites, nós sustentamos que é altamente improvável. Mesmo assim, rejeitamos de modo extremamente enfático a posição do agnosticismo neste sentido, e com relação ao sistema solar. Nossa doutrina não conhece meios-termos. Ela afirma ou nega, porque só ensina aquilo que sabe que é a verdade. Portanto, nós negamos a Deus como filósofos e como budistas. Sabemos que há vidas planetárias e outras vidas espirituais, e sabemos que em nosso sistema solar não existe coisa tal como Deus, seja pessoal ou impessoal. Parabrahm não é um Deus, mas a lei absoluta imutável, e Ishwar[3] é o efeito de Avidya e Maya, ignorância baseada na grande ilusão. A palavra “Deus” foi inventada para designar a causa desconhecida daqueles efeitos que o homem tem admirado ou temido sem entender, e já que nós alegamos e somos capazes de comprovar o que alegamos - isto é, que conhecemos aquela causa e outras causas – temos condições de sustentar que não há Deus ou Deuses atrás daqueles efeitos.

A idéia de Deus não é uma noção inata, mas adquirida, e nós só temos uma coisa em comum com as teologias – nós revelamos o infinito. Mas enquanto atribuímos causas materiais, naturais, sensíveis e conhecidas (por nós, pelo menos) a todos os fenômenos que procedem do espaço, da duração e do movimento infinitos e ilimitados, os teístas atribuem a eles causas espirituais, sobrenaturais, ininteligíveis e desconhecidas. O Deus dos teólogos é simplesmente um poder imaginário, un loup garou[4] na expressão de d’Holbach – um poder que  até agora nunca se manifestou. Nossa principal meta é libertar a humanidade deste pesadelo, ensinar ao homem  a virtude pelo bem da virtude, e ensiná-lo a caminhar pela vida confiando em si mesmo, ao invés de depender de uma muleta teológica que por eras incontáveis foi a causa direta de quase toda a miséria humana. Podemos ser chamados de panteístas  - de agnósticos NUNCA. Se as pessoas estiverem dispostas a aceitar e  a   ver   como   Deus   nossa   VIDA   UNA,  imutável   e inconsciente em sua eternidade, poderão fazê-lo e assim manter mais um gigantesco equívoco de denominação. Mas então terão de dizer como Spinoza que não há e não podemos conceber   qualquer   outra substância além de Deus, como aquele famoso e infeliz filósofo [5] diz em sua décima-quarta proposição: “praeter Deum neque dari neque concipi potest substantia” – e assim tornarem-se panteístas ... quem, exceto um teólogo formado no mistério e no mais absurdo sobrenaturalismo pode imaginar um ser auto-existente, necessariamente infinito e onipresente, fora do universo manifestado que não tem fronteiras? A palavra infinito é apenas uma negativa que exclui a idéia de limites. É evidente que um ser independente e onipresente não pode estar limitado por nada que seja externo a ele; que não pode haver nada externo a ele – nem mesmo um vácuo; portanto, onde haverá espaço para a matéria? para aquele universo manifestado, mesmo que este último seja limitado? Se perguntarmos aos teístas se o Deus deles é vácuo, espaço ou matéria, eles responderão que não. E no entanto eles sustentam que o Deus deles penetra a matéria embora ele próprio não seja matéria. Quando nós falamos da nossa Vida Una, também dizemos que ela não só penetra, mas é a essência de cada átomo de matéria; e que, portanto, ela não apenas tem correspondência com a matéria mas possui também todas as suas propriedades, etc. – consequentemente, é material, é a própria matéria.” Como poderia a inteligência proceder ou emanar da não-inteligência? “ – você insistia em perguntar no ano passado. “Como poderia uma humanidade altamente inteligente, o homem que é o coroamento da razão, ter evoluído a partir de uma lei ou força cega, não-inteligente!” Mas uma vez que raciocinamos nesta direção, eu posso perguntar por minha vez, como poderiam idiotas congênitos, animais que não raciocinam, e o resto da “criação” ter sido criados ou haver evoluído a partir de uma Sabedoria absoluta, se esta última é um ser pensante inteligente, o autor e governante do Universo? “Como?” diz o dr. Clarke, em seu exame das provas da existência da Divindade. “Deus que fez o olho, não enxergará? Deus que fez o ouvido não escutará?” Mas de acordo com este modo de pensar eles teriam que admitir que, ao criar um idiota, Deus é um idiota; que aquele que fez tantos seres irracionais, tantos monstros físicos e morais, deve ser irracional ...

... Nós não somos advaitas[6], mas nosso ensinamento com respeito à vida una é idêntico ao dos advaitas com relação a Parabrahm. E nenhum verdadeiro advaita treinado filosoficamente jamais se definirá como agnóstico, porque sabe que Parabrahm é idêntico em todos os aspectos à vida e à alma universal – o macrocosmo e o microcosmo, e sabe que não há Deus separado dele, nenhum criador, como nenhum ser. Tendo encontrado a Gnose, nós não podemos esquecê-la e transformar-nos em agnósticos.

... Se nós fôssemos admitir que até mesmo os mais altos Dhyan Chohans podem cair em alguma ilusão, então de fato não haveria realidade para nós, e as ciências ocultas seriam uma quimera tão grande quanto Deus. Se há um absurdo em negar aquilo que não conhecemos, é ainda mais absurdo atribuir a este algo leis desconhecidas.

Segundo a lógica, o “nada” é aquilo do qual tudo pode ser corretamente negado e do qual nada pode ser corretamente afirmado. Portanto, a idéia seja de um nada finito ou um nada infinito é uma contradição em termos. E no entanto, de acordo com os teólogos, “Deus, o ser auto-existente, é extremamente simples, imutável e incorruptível; sem partes, sem figura, movimento, divisibilidade ou quaisquer outras propriedades como estas, que encontramos na matéria. Porque todas estas coisas implicam muito clara e necessariamente finitude em sua própria noção, e estão completamente afastadas da infinidade completa”.  Portanto, Deus aqui oferecido à adoração do século XIX perde toda qualidade sobre a qual a mente do homem seja capaz de ter qualquer julgamento. O que é isto, na verdade, além de um ser do qual eles não podem afirmar coisa alguma que não seja negada instantaneamente? A própria Bíblia deles, seu Apocalipse, destrói todas as perfeições morais que eles empilham sobre ele, a menos, de fato, que qualifiquem como perfeições aquelas qualidades que a razão e o senso comum de qualquer outro homem chamam de vícios odiosos e maldade brutal. Autêntica e verdadeiramente, a sua teologia criou o Deus dela apenas para destruí-lo pedaço por pedaço. A Igreja de vocês é o Saturno da fábula, que tem filhos apenas para devorá-los.

(A Mente Universal) - Algumas reflexões e argumentos deveriam embasar cada nova idéia - por exemplo, nós certamente seremos criticados pelas aparentes contradições existentes. (1) Negamos a existência de um Deus pensante consciente, com base em que um tal Deus deveria ser condicionado, limitado e sujeito a mudança, e portanto não infinito, ou (2) se ele for descrito para nós como um ser eterno, imutável e independente, sem partícula alguma de matéria em si, então responderemos que ele não é um ser, mas um princípio imutável e cego, uma lei. E no entanto, eles dirão, nós acreditamos em Dhyan Chohans, ou Planetários (“espíritos”, também), e atribuímos a eles uma mente universal, e isso deve ser explicado.

Nossas razões podem ser brevemente resumidas assim:

(1) Rejeitamos a proposição absurda de que pode haver, mesmo em um universo ilimitado e eterno - duas existências eternas e onipresentes.

(2) Sabemos que a matéria é eterna, isto é, que não tem começo, (a) porque a matéria é a própria Natureza; (b) porque aquilo que não pode aniquilar a si mesmo e é indestrutível existe necessariamente - e portanto não poderia começar a existir, nem pode deixar de existir; e (c) porque a experiência acumulada de eras incontáveis e da ciência exata mostra que a matéria (ou natureza) age por sua própria energia peculiar, da qual nem um só átomo está jamais em estado de repouso absoluto, e portanto ela deve haver existido sempre, isto é, com seus materiais sempre mudando de forma, de combinações e propriedades, mas com seus princípios e elementos absolutamente indestrutíveis.

(3) Quanto a Deus - já que ninguém jamais e em tempo algum o viu - a menos que ele seja a própria essência e natureza desta matéria eterna ilimitada, sua energia e seu movimento, não podemos vê-lo como eterno nem como infinito, e tampouco como auto-existente. Nós nos recusamos a admitir um ser ou uma existência da qual não sabemos absolutamente nada; (a) porque não há espaço para ele na presença daquela matéria cujas propriedades e qualidades inegáveis nós conhecemos completamente bem, (b) porque se ele é apenas uma parte daquela matéria seria ridículo sustentar que ele movimenta e governa aquilo de que ele é apenas uma parte dependente, e (c) porque se eles nos dizem que Deus é um puro espírito auto-existente e independente da matéria - uma deidade extra-cósmica nós respondemos que mesmo admitindo a possibilidade de tal impossibilidade, isto é, a existência dele, nós  sustentaríamos que um espírito puramente imaterial não pode ser um governante consciente e inteligente, nem  pode ter nenhum dos atributos atribuídos a ele pela teologia, e assim um tal Deus se torna novamente uma força cega. A inteligência tal como encontrada em nossos Dhyan Chohans é uma faculdade que pode pertencer apenas a seres organizados ou animados - por mais imponderáveis, ou melhor, invisíveis que sejam os materiais das suas organizações[7]. A inteligência torna necessário o pensamento; para pensar alguém deve ter idéias; idéias supõem sentidos que são físicos e materiais, e como pode qualquer coisa material pertencer ao puro espírito? Se for feita a objeção de que o pensamento não pode ser uma propriedade da matéria, nós perguntaremos: por quê? Devemos ter uma prova inegável desta afirmativa, antes que possamos aceitá-la. Ao teólogo, nós perguntaríamos o que havia para impedir que seu Deus - já que ele é o suposto criador de tudo - dotasse a matéria com a faculdade do pensamento; e quando nos fosse respondido que evidentemente ele preferiu não fazê-lo, de que esse é um mistério tanto como uma impossibilidade, nós insistiríamos para que nos fosse dito por que é mais impossível a matéria produzir o espírito e pensamento do que o espírito ou pensamento de Deus produzir e criar matéria.

Nós não inclinamos nossas cabeças até o pó do chão diante do mistério   da   mente  –  porque já o resolvemos eras atrás.  Rejeitando com desprezo a teoria teística, rejeitamos ao mesmo tempo a teoria autômata, que ensina que os estados de consciência são produzidos pela disposição das moléculas do cérebro; e sentimos um respeito igualmente pequeno por aquela outra hipótese - a produção de movimento molecular pela consciência. Então, em que acreditamos? Bem, acreditamos na muito ridicularizada phlogiston (veja o artigo “O que é Força, o que é Matéria”, Theosophist, Setembro) [8] e no que alguns filósofos da natureza chamam de nisus, o movimento ou esforços incessantes embora perfeitamente imperceptíveis (para os sentidos comuns) que um corpo faz em relação a outro - as pulsações da matéria inerte - a sua vida. Os corpos  dos  espíritos Planetários são formados com aquilo que Priestley e outros chamaram de Phlogiston e para o qual nós temos outro nome. Esta essência, em seu sétimo e mais elevado estado, forma a matéria da qual são compostos os organismos dos Dhyans  mais elevados e puros, e em sua forma mais inferior ou densa (tão impalpável, no entanto, que a ciência a chama de energia e força) serve como uma cobertura para os Planetários do primeiro grau, o mais inferior. Em outras palavras, nós acreditamos na MATÉRIA apenas, matéria como natureza visível e matéria em sua invisibilidade, como o Proteu[9] invisível, onipresente com seu movimento incessante, que é a   sua vida, e que a natureza extrai de si mesma já que ela é o grande todo fora do   qual     nada   pode   existir.    Porque,   como    Bilfinger    corretamente  afirma “o  movimento é um modo de existência que flui necessariamente da essência da matéria; que a matéria se movimenta por suas próprias energias peculiares; que seu movimento é devido à força inerente a si mesma; que a variedade de movimentos e os fenômenos que resultam procedem da diversidade das propriedades das qualidades e das combinações que são encontradas originalmente na matéria primitiva” da qual a natureza é a montagem, e da qual a ciência de vocês sabe menos do que um dos nossos condutores de iaque[10]  a respeito da metafísica de Kant.

A existência de matéria, então, é um fato; a existência de movimento é outro fato, e a existência ou eternidade e indestrutibilidade deles constitui um terceiro fato. E a idéia de puro espírito como um Ser ou uma Existência - dê a isso o nome que quiser - é uma quimera, um gigantesco absurdo.

Nossas idéias a respeito do mal.  O mal não tem existência per se[11] e é apenas a ausência do bem; e existe apenas para aquele que é transformado em vítima sua. Ele surge de duas causas, e, tanto quanto o bem, não é uma causa independente na natureza. A natureza é destituída de bondade ou maldade; ela segue apenas leis imutáveis quando dá vida e alegria ou manda sofrimento e morte,  destruindo o que havia criado. A natureza tem um antídoto para cada veneno, e suas leis possuem uma recompensa para cada sofrimento. A borboleta devorada pelo pássaro se torna aquele pássaro, e o pequeno pássaro morto por um animal alcança uma forma mais elevada. Essa é a lei cega da necessidade e da eterna adequação das coisas, e portanto não pode ser considerada um Mal na Natureza. O verdadeiro mal surge da inteligência humana e sua origem está inteiramente no homem que raciocina e que se dissocia da Natureza. Só a humanidade, portanto, é a verdadeira fonte do mal. O mal é o exagero do bem,  produto do egoísmo e da ganância humanos. Pense profundamente e  descobrirá que com a exceção da morte - que não é um mal mas uma lei necessária - e de acidentes, que sempre terão suas recompensas em uma vida futura,  a origem de cada mal, seja pequeno ou grande, está na ação humana, no homem, cuja inteligência faz dele o único agente livre da natureza. Não é a natureza que cria doenças, mas o homem. A missão e o destino dele na economia da natureza é ter uma morte natural provocada pela velhice; salvo acidentes, nem um homem selvagem nem um animal selvagem (livre) morrem devido a doenças. Comida, relações sexuais, bebida, são todas necessidades naturais da vida; no entanto, o excesso delas traz doenças, miséria, sofrimento mental e físico; e estes últimos   são transmitidos como os maiores males para as gerações futuras, os descendentes dos culpados. A ambição e o desejo de assegurar felicidade e conforto para aqueles que amamos através da obtenção de honras e riquezas são sentimentos naturais dignos de elogios, mas quando eles transformam o homem em um tirano cruel e ambicioso, um miserável, um egoísta, trazem miséria indescritível para os que estão ao redor dele; e para nações tanto quanto para indivíduos. Tudo isso então - comida, riqueza, ambição, e outras mil coisas que deixamos de mencionar - se torna fonte e causa do mal, seja por causa da sua abundância, seja devido à ausência. Torne-se um glutão, um devasso, um tirano, e você se transforma em um gerador de doenças, de sofrimento e miséria humanos. Deixe de lado tudo isso e você passa fome, é desprezado como um ninguém, e a maior parte do rebanho, seus semelhantes, transforma você em um sofredor a vida toda. Portanto, não é a natureza nem uma Divindade imaginária que devem ser acusadas, mas a natureza humana transformada pelo egoísmo em algo mau. Pense bem sobre estas poucas palavras; identifique a causa de cada mal em que você pode pensar e localize a sua origem e  terá resolvido uma terça parte do problema do mal. E agora, depois de deixar de lado, como é devido, os males que são naturais e não podem ser evitados - e eles são tão poucos que eu desafio todo o conjunto dos metafísicos ocidentais a qualificá-los como males ou a atribuir-lhes uma causa independente - direi a você qual é o maior, a principal causa de cerca de dois terços dos males que perseguem a humanidade desde que esta causa se tornou um poder. É a casta sacerdotal, o clero e as igrejas; é naquelas ilusões que o homem vê como sagradas, que ele deve procurar a fonte daquele sem-número de males, a grande maldição da humanidade que quase domina totalmente o gênero humano. A ignorância criou os Deuses e a astúcia aproveitou a oportunidade. Veja a Índia, veja a Cristandade, o Islamismo, o Judaísmo e o fetichismo. Foi a impostura dos cleros que fez com que estes Deuses passassem a ser tão terríveis para o homem; é a religião que o transforma no beato egoísta, no fanático que odeia toda a humanidade fora da sua própria seita, sem torná-lo em nada melhor ou mais moral por isso. É a crença em Deus e nos Deuses que faz de dois terços da humanidade escravos de um punhado daqueles que os enganam com o falso pretexto de salvá-los. O homem não está sempre pronto a cometer qualquer tipo de maldade se lhe disserem que seu Deus ou Deuses exigem o crime - vítima  voluntária de um Deus ilusório, escravo abjeto de seus ministros astuciosos? Os camponeses irlandeses, italianos e eslavos passarão fome, e verão suas famílias famintas e sem roupa, para alimentar e vestir seu padre e seu papa. Durante dois mil anos a Índia gemeu sob o peso das castas, com os brâmanes engordando só a si mesmos com o melhor da terra, e hoje os seguidores de Cristo e os de Maomé estão cortando as gargantas uns dos outros em nome - e para maior glória - dos seus respectivos mitos. Lembre que a soma da miséria humana nunca será diminuída até aquele dia em que a parte melhor da humanidade destruir em nome da Verdade, da moralidade e da caridade universal, os altares dos seus falsos deuses.

Se for feita  a objeção de que nós também temos templos, de que nós também temos sacerdotes e que nossos lamas também vivem da caridade ... que se saiba que os objetos mencionados acima só têm o nome em comum com seus equivalentes ocidentais. Assim, em nossos templos não há um deus ou deuses adorados, apenas a memória três vezes sagrada do maior e mais santo homem que jamais viveu. Se nossos lamas, para honrar a fraternidade dos Bhikkhus[12] estabelecida pessoalmente pelo nosso abençoado mestre, saem para serem alimentados pelos leigos, estes últimos freqüentemente, em números que vão de 5 a 25.000, são alimentados e cuidados pela Samgha (a fraternidade de monges lamaicos), e a lamaseria atende as necessidades dos pobres, dos doentes e dos aflitos. Nossos lamas aceitam comida, nunca dinheiro, e é nesses templos que a origem do mal é pregada e transmitida para o povo. Lá são ensinadas as quatro nobres verdades - aryia sacca - e a cadeia da causação (as 12 nidānas)[13] lhes dá uma solução para o problema da origem do sofrimento e a sua destruição.

Leia o Mahavagga[14] e tente compreender, não com a mente ocidental preconceituosa, mas com o espírito de intuição e de verdade, o que o ser Completamente Iluminado diz no 1º Khandhaka. Permita que eu traduza para você.

“Na época em que o abençoado Buddha estava em Uruvela, às margens do rio Neranjara, quando ele descansava sob a árvore da sabedoria Bodhi, depois de haver-se tornado   Sambuddha,   ao  final  do sétimo dia mantendo sua mente fixa na cadeia de causação, ele falou assim: “da Ignorância surgem os samkharas[15] de natureza tríplice - as produções do corpo, da fala e do pensamento. Dos samkharas surge consciência, da consciência surgem o nome e a forma, disso surgem as seis regiões (dos seis sentidos, sendo que o sétimo é propriedade apenas do iluminado); destes surge o contato, deste a sensação; desta surge a sede (ou desejo, kama, tanha), da sede o apego, a existência, o nascimento, a velhice, a aflição, a lamentação, o sofrimento, o desânimo e o desespero. E no sentido inverso, pela destruição da ignorância os samkharas são destruídos, e a consciência deles, nome e forma, as seis regiões, contato, sensação, sede, apego (egoísmo), existência, nascimento, velhice, morte, aflição, lamentação, sofrimento e desânimo e desespero são destruídos. Assim é a cessação de toda essa massa de sofrimento.”

Sabendo disso, o Ser Abençoado fez esta afirmação solene:

“Quando a natureza real das coisas se torna clara para o Bhikshu[16] que medita, então todas as suas dúvidas desaparecem, já que ele compreendeu qual é aquela natureza e qual a sua causa. Da ignorância surgem todos os males. Do conhecimento vêm a cessação desta massa de infelicidade, e então o brâmane que medita ergue-se dispersando as hostes de Mara como o sol ilumina o céu.”

Meditação, aqui, significa as qualidades super-humanas (não sobrenaturais), ou a condição de arhat nos seus mais altos poderes espirituais.



NOTAS:

[1] Thomas Hobbes (1588-1679), filósofo inglês, desenvolveu um enfoque matemático para uma filosofia da natureza. Neste aspecto, entre outros, seu pensamento teve certa influência sobre Benedictus de Spinoza (1632-1677). (N. ed. bras.)

[2] Francis Bacon (1561-1626), filósofo inglês, grande ocultista, considerado formulador do método científico experimental moderno. A literatura teosófica o considera o verdadeiro autor das obras assinadas por William Shakespeare. (N. ed. bras.)

[3] A grafia mais usada atualmente é Ishwara ou Ishvara. (N. ed. bras.)

[4] Loup-garou – bicho-papão, em francês: fantasma imaginário que se usa para assustar crianças. (N ed. bras.)

[5] Benedictus de Spinoza foi perseguido por suas idéias filosóficas mesmo na Holanda do século 17, conhecida por seu clima de liberdade religiosa. Sua principal obra,“Ética”, não pôde ser publicada enquanto ele viveu. Foi acusado de ateísmo e considerado um herege pela comunidade judaica. A décima-quarta proposição mencionada a seguir pelo Mestre pertence à parte I, “De Deus”, do seu famoso tratado sobre a Ética (publicado no Brasil pela Ed. Ediouro).  (N. ed. bras.)

[6] Advaita – escola não-dualista da tradição dos Vedas ou vedanta; foi fundada por Shankaracharia. (N. ed. bras.)

[7] Isto é, dos seus organismos. (N. ed. bras.)

[8] O texto “O que é Força, o que é Matéria?” está publicado no volume quatro de “Collected Writtings de H.P. Blavatsky”. Em “Letters of H.P.B. to A.P. Sinnett”, p. 8, Blavatsky afirma que esse texto é de autoria do Mestre K.H.  Phlogiston, segundo O que é Força, o que é Matéria?, constitui de certo modo uma essência da matéria, e o Mahatma sugere que ele corresponde a um nível do akasha e tem parentesco com a “matéria radiante” do professor William Crookes (isto é, com a radiatividade e a energia atômica). Em outro trecho do mesmo texto, o Mahatma diz: “Os Ocultistas sustentam que a concepção filosófica do espírito e a concepção da matéria devem ter uma mesma e única base de fenômenos, acrescentando que Força e Matéria, Espírito e Matéria, ou Divindade e Matéria, embora possam ser vistos como pólos opostos nas suas respectivas manifestações, são em essência e em verdade apenas um; e que a vida está presente tanto em um corpo morto como em um corpo vivo, na matéria orgânica como na matéria inorgânica. É por isso que, enquanto a ciência ainda está pesquisando e pode continuar pesquisando eternamente para resolver o problema do que é a vida, o Ocultista pode deixar de lado a questão, já que ele alega, com razões tão boas quanto as possíveis razões contrárias, que a Vida, seja na sua forma latente ou dinâmica, está em todo lugar. Que ela é tão infinita e indestrutível como a própria matéria, já que nenhuma das duas pode existir sem a outra, e que a eletricidade é a verdadeira essência e origem da - própria vida”. (N. ed. bras.)

[9] Proteu – Na mitologia clássica, um Deus marinho, filho de Oceano e de Tétis. Conhecia o presente, o passado e o futuro, e assumia todas as formas possíveis. (N.ed.bras.)

[10] Iaque  - Animal doméstico tibetano de grande porte, equivalente ao boi. (N. ed. bras).

[11]  Per se – por si mesmo. (N. ed. bras.)

[12] Bhikkhus – Discípulos, em sânscrito. (N. ed. bras.)

[13] Os 12 nidanas – Nidana, em sânscrito, significa causa ou essência. As 12 nidanas são um conceito fundamental da doutrina budista: o encadeamento de causa e efeito em todo o transcurso da existência, cuja compreensão resolve o enigma da vida. Os doze degraus, segundo o “Glossário Teosófico  de H.P.B”., são: 1. Jati, nascimento; 2. Jaramarana, velhice e morte; 3. Bhava, o agente cármico que leva ao nascimento; 4. Upadana, a causa criadora de Bhava; 5. Trichna, amor, seja puro ou impuro; 6. Vedana, sensação, percepção pelos sentidos; 7. Sparza, o sentido do tato; 8. Chadayatana, os órgãos de sensação; 9. Nama-rupa, a personalidade; 10. Vijnana, perfeito conhecimento de tudo que é perceptível e do encadeamento unitário dos objetos; 11. Samskara, ação no plano ilusório; 12. Avidya, ignorância. Helena Blavatsky escreveu em “A Doutrina Secreta” que os ensinamentos esotéricos sobre a relação entre as Nidanas e as Quatro Nobres Verdades são secretos (Vol. I, item 7 do Comentário à Estância I). (N. ed. bras.)

[14] Mahavagga – parte de uma escritura budista. O Tripitaka, literalmente “três cestas” em páli, constitui um cânone do budismo hinayana e tem três grandes divisões, uma das quais é intitulada Vinayapitaka. Vinayapitaka tem por sua vez quatro subdivisões, entre as quais Khandhaka. Mahavagga,citado pelo Mahatma, é a maior das duas partes que compõem Khandhaka. Há alguns anos, finalmente, o Tripitaka está sendo traduzido do chinês para o inglês. O empreendimento é de grande vulto e de longo prazo. (N. ed. bras.)

[15] Samkharas – termo páli equivalente a samskara ou sanskaras em sânscrito. Significa germes e tendências cármicas estabelecidos em vidas anteriores. Também pode designar as impressões deixadas na mente pelas ações individuais e pelas circunstâncias externas, e que vão influenciar o futuro a curto ou longo prazo. (N. ed. bras.)

[16] Bhikshu – literalmente “discípulo mendicante”, em sânscrito. O equivalente em páli é bikku. O termo se refere ao discípulo budista, especialmente dos primeiros tempos. (N. ed. bras.)

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Para ter acesso a um estudo diário de teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.  

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