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21 de julho de 2026

Uma Advertência a Todos os Esoteristas

 Como Opera a Lei do Carma Para  
Aquele que Busca a Sabedoria Teosófica 
 
Helena P. Blavatsky
 
(1890)
 
 
Helena P. Blavatsky (1831-1891)


Há uma estranha lei em Ocultismo, que tem sido verificada e comprovada durante milhares de anos de experiência prática; e ela não deixou de operar, em quase todos os casos, durante os quinze anos transcorridos desde que a S. T. [isto é, o movimento teosófico] existe. Tão logo alguém assume o compromisso como ‘estudante em provação’ [1], certos efeitos ocultos ocorrem. O primeiro deles é a manifestação de tudo o que está latente na natureza do indivíduo: seus erros, seus hábitos, e suas qualidades ou desejos suprimidos, sejam eles bons, maus ou indiferentes.

Deste modo emerge a luta probatória entre o amor à verdade e os impulsos inferiores da alma do estudante.

Por exemplo, se alguém é um sensualista ou ambicioso, seja por atavismo ou herança cármica, os seus vícios seguramente virão para fora, ainda que até o momento ele tenha tido êxito em reprimi-los. Eles se tornarão inevitavelmente visíveis, e ele terá que lutar cem vezes mais do que antes, até matar todos eles em si mesmo.

Por outro lado, se o indivíduo é bom, generoso, casto e abstêmio, ou tem qualquer virtude até aqui latente ou oculta em si, isso irá manifestar-se no exterior de modo tão irreprimível como o resto. Um homem da sociedade que odeia ser considerado um santo e portanto assume uma máscara, não será capaz de ocultar sua verdadeira natureza, seja ela nobre ou inferior.

ESTA É UMA LEI IMUTÁVEL NO DOMÍNIO DO OCULTO.

Seus efeitos serão tanto mais fortes quanto mais for intenso e sincero o desejo do candidato à sabedoria, e quanto mais profundamente ele tiver sentido o significado e a importância do seu compromisso.

Portanto todos os membros desta escola estão alertados e devem estar vigilantes; porque, mesmo durante os três meses anteriores ao começo do ensinamento esotérico, vários dos candidatos mais promissores fracassaram do modo mais lamentável.

O antigo axioma oculto, ‘Conhece a ti mesmo’, deve ser algo familiar para cada membro desta Escola; mas poucos compreenderam o significado real desta sábia exortação do oráculo de Delfos. Todos vocês sabem dos seus ancestrais terrestres, mas quem entre vocês já localizou todas as ligações hereditárias, astrais, psíquicas e espirituais que fazem com que vocês sejam o que são? Muitos escreveram sobre seus desejos de unirem-se a seus Eus Superiores, mas ninguém parece saber do vínculo indissolúvel entre os seus ‘Eus Superiores’ e o SER Único Universal.

Em todos os aspectos do Ocultismo, sejam práticos ou puramente metafísicos, este conhecimento é absolutamente necessário. A intenção, portanto, é começar a instrução esotérica mostrando a conexão do estudante, em todas as direções, com os mundos: Absoluto, Arquetípico, Espiritual, Manásico [Mental], Psíquico, Astral e Elemental. Antes, porém, que possamos tocar os mundos mais elevados - Arquetípico, Espiritual e Manásico - devemos dominar o conhecimento das relações do sétimo mundo, o mundo terrestre, Prakriti inferior, ou Malkhuth como na Cabala, com os mundos ou planos que se seguem imediatamente a ele.

Naturalmente, uma vez estabelecido o fato de que o corpo humano tem uma relação direta com os mundos superiores, o caráter especializado dos órgãos e das partes do corpo torna necessário mencionar todas as partes do organismo humano, sem exceção. Desde o ponto de vista da verdade e da natureza nenhum órgão é mais nobre ou mais ignóbil que outro. Os antigos consideravam como mais nobres exatamente os órgãos que nós associamos a sentimentos de vergonha e segredo; porque eles são os centros criativos, e correspondem às Forças Criativas do Cosmos.

Os esoteristas são, portanto, advertidos de que devem estar preparados para encarar tudo desde o ponto de vista da verdade e da natureza, e devem deixar de lado tanto o falso código de bom comportamento, promovido pela hipocrisia, como o vergonhoso mau uso das funções primárias do corpo - que eram antigamente consideradas sagradas -: caso contrário, será melhor desistirem de estudar Esoterismo. 


NOTAS:

[1] Veja os artigos  “O Significado de um Compromisso”, “As Sete Cláusulas de um Compromisso”, “A Escada de Ouro” e “Comentários à Escada de Ouro”. (CCA)

[2] O processo psicológico que pode levar ao fracasso é discutido no artigo “Resistência à Mudança, em Teosofia”. (CCA)

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O texto “Uma Advertência a Todos os Esoteristas” está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 21 de julho de 2026. Ele foi traduzido por CCA de “Collected Writings”, de H. P. Blavatsky, TPH, EUA, volume XII, pp. 515-516. Está publicado também em “O Teosofista”, edição de setembro de 2023, páginas 4 a 6. Um trecho da “Advertência” é citado no artigo de CCA “Resistência à Mudança, em Teosofia”.

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Examine a seção temática inteira Mahatmas, Discípulos e a Busca do Discipulado.

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Antes de desejar, faça por merecer, Helena Blavatsky.

Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

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24 de fevereiro de 2026

A Força Magnética da Vontade

Uma Vontade Consciente Produz Fatos
Tanto no Plano Sutil Como no Plano Físico
 
Helena P. Blavatsky
 




Através de uma determinada concentração da vontade, um objeto de outro modo inerte pode ser impregnado de um poder protetor ou destrutivo de acordo com o objetivo que se tem em vista.

Uma emanação magnética, produzida inconscientemente, é seguramente vencida por uma emanação mais enérgica com a qual entra em choque. Mas quando uma vontade inteligente e poderosa dirige a força cega, e a concentra num dado ponto, a emanação mais fraca dominará com frequência a mais forte. [1] Uma vontade humana tem o mesmo efeito sobre o akasha.

Certa feita, testemunhamos em Bengala uma exibição de força de vontade que ilustra um aspecto altamente interessante do assunto. Um adepto de Magia fez alguns passes sobre uma peça de estanho comum, o interior de uma marmita, que estava à sua frente, e, olhando-a atentamente durante uns poucos minutos, ele parecia recolher o fluido imponderável aos punhados e lançá-lo sobre a sua superfície. Quando o estanho foi exposto à plena luz do dia durante seis segundos, a superfície brilhante foi coberta  imediatamente como se houvesse uma película sobre ela. Em seguida, manchas de uma cor escura começaram a surgir sobre a superfície da peça; e quando, cerca de três minutos depois, o estanho nos foi entregue, encontramos impressa sobre ela uma pintura, ou melhor, uma fotografia da paisagem que se estendia à nossa frente; exatamente parecida com a própria Natureza, e de colorido perfeito. Ela permaneceu por cerca de oito horas e então lentamente se esvaneceu.

Esse fenômeno explica-se facilmente. A vontade do adepto condensou sobre o estanho uma película  de akasha que o transformou durante algum tempo numa chapa fotográfica sensibilizada. A luz fez o resto.

Uma exibição como essa do poder da vontade para produzir resultados físicos preparará o estudante para compreender a sua eficácia na cura de doenças, comunicando a virtude desejada a objetos inanimados que são colocados em contato com o paciente. Quando vemos psicólogos como Maudsley [2] citando sem serem questionados histórias de algumas curas miraculosas efetuadas pelo pai de Swedenborg - histórias que não diferem de centenas de outras curas feitas por outros “fanáticos” - como ele os chama -, mágicos e curadores naturais, e, sem tentar explicar seus atos, rindo-se às gargalhadas diante da sinceridade da sua fé, sem se perguntar se o segredo desse poder curador não se acha no controle dado pela fé sobre as forças ocultas, deploramos que haja tanto saber, e tão pouca filosofia, em nosso século.

NOTAS:

[1] Isto é: o ponto decisivo está em usar com eficiência a força que se tem, seja ela muita ou pouca. A concentração das energias, e o seu uso correto, fazem a diferença. (Nota de CCA em 2025)

[2] Henry Maudsley, Body and Mind, Parte II, Ensaio sobre Swedenborg. (Nota de HPB)

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O texto acima está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 24 de fevereiro de 2026.  Ele faz parte também da edição de janeiro de 2025 de “O Teosofista”, pp. 4-5. 

O artigo é reproduzido da obra “Ísis Sem Véu”, de Helena P. Blavatsky, Ed. Pensamento, SP, edição em quatro volumes, ver volume II, p. 156. A tradução foi revisada conforme o original em inglês. Veja as páginas pp. 463-464 em Isis Unveiled, Volume I. (CCA)

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Leia mais:







* Do Ritualismo Para a Raja Ioga (texto de um Mahatma dos Himalaias)

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Vídeos curtos e claros sobre Teosofia no YouTube:





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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

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11 de novembro de 2025

Jesus, um Sábio do Deserto

 
O Reformador Nazareno Recebeu
Sua Educação nas Moradas Essênias
 
Helena P. Blavatsky
  
Jesus preferiu a vida independente de um nazaria errante [Pintura de William Dyce]



Foi dada a um contemporâneo de Jesus a possibilidade de mostrar à posteridade, interpretando a literatura mais antiga de Israel, a que ponto a Filosofia Cabalística concordava em seu esoterismo com a dos mais profundos pensadores gregos. Esse contemporâneo, ardente discípulo de Platão e Aristóteles, foi Fílon, o Judeu. Porque explica os livros mosaicos de acordo com um método puramente cabalístico, ele é o famoso escritor hebreu a quem Kingsley chama de Pai do Novo Platonismo.

É evidente que os terapeutas de Fílon são um ramo dos essênios. Seu nome o indica - ’Εσσαίοι, médicos. Daí, as contradições, as falsificações e outros desesperados expedientes para reconciliar as profecias do cânone judaico com a natividade e a divindade do Galileu.

Lucas, que era médico, é designado nos textos siríacos como Asaya, o essaiano ou essênio. Josefo e Fílon descreveram bastante bem essa seita para não deixar nenhuma dúvida em nossa mente de que o Reformador nazareno, após ter recebido sua educação nas moradas essênias do deserto, e ter sido profundamente iniciado nos mistérios, preferiu a vida livre e independente de um nazaria errante, e assim se separou ou se desnazarianou deles, tornando-se um terapeuta viajante, um nazaria, um curador. Todo terapeuta, antes de deixar sua comunidade, tinha de fazer o mesmo. Tanto Jesus como João Baptista pregaram o fim da Idade [1], o que prova seu conhecimento da computação secreta dos sacerdotes e dos cabalistas, que partilhavam com os chefes das comunidades essênias o segredo exclusivo da duração dos ciclos. Esses últimos eram cabalistas e teurgistas; “tinham seus livros místicos, e prediziam os eventos futuros”, diz Munk [2].

Dunlap, cujas pesquisas pessoais parecem ter sido coroadas de sucesso nessa direção, constata que os essênios, os nazarenos, os dositeus e algumas outras seitas já existiam antes de Cristo: “Elas rejeitavam os prazeres, desprezavam as riquezas, amavam uns aos outros e, mais do que outras seitas, desprezavam o matrimônio, considerando o domínio sobre as paixões como uma virtude”[3], diz ele.

Todas essas virtudes eram pregadas por Jesus; e se devemos aceitar os Evangelhos como um padrão de verdade, Cristo era um partidário da metempsicose, um reencarnacionista - tal como esses mesmos essênios, que eram pitagóricos em todos os seus hábitos e doutrinas. Jâmblico afirma que o filósofo samiano passou algum tempo com eles no monte Carmelo [4]. Em seus discursos e sermões, Jesus sempre falou por parábolas e empregou metáforas com seus ouvintes. Esse hábito é também característico dos essênios e dos nazarenos; os galileus que habitavam em cidades e aldeias jamais foram conhecidos por empregarem tal linguagem alegórica. Na verdade, sendo alguns de seus discípulos galileus, como ele próprio, ficaram estes surpresos ao vê-lo empregar tal modo de expressão com o público. “Por que lhes falas por parábolas?”, perguntavam com frequência. “Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não”, foi a resposta, que era a de um iniciado. “É por isso que lhes falo por parábolas: porque veem sem ver, e ouvem sem ouvir, nem entender.” [5] Além disso, vemos Jesus expressando ainda mais claramente seus pensamentos - e em sentenças que são puramente pitagóricas - quando, durante o Sermão da Montanha, diz:

“Não deis o que é sagrado aos cães,
Nem atireis as pérolas aos porcos;
Pois os porcos as pisarão
E os cães se voltarão e vos morderão.”

O Prof. A. Wilder, o editor de Eleusinian and Bacchic Mysteries, de Taylor, observa “uma idêntica disposição da parte de Jesus e Paulo para classificar suas doutrinas como esotéricas e exotéricas, ‘os mistérios do Reino de Deus para os apóstolos’ e ‘parábolas’ para a multidão. ‘Pregamos a sabedoria’, diz Paulo, ‘àqueles dentre eles que são perfeitos’ (ou iniciados)” [6].

NOTAS:

[1] O significado real da divisão em eras é esotérico e budista. Os cristãos não iniciados tão pouco o compreenderam que aceitaram as palavras de Jesus literalmente e acreditaram firmemente que ele falava do fim do mundo. Já antes houvera muitas profecias sobre a era vindoura. Virgílio, na quarta Écloga, faz menção a Metatron - uma nova prole que terminará com a idade de ferro para renascer com a idade de ouro.

[2] Palestine, p. 517 e s.

[3] Dunlap, Sōd, the Son of the Man, p. XI.

[4] T. Taylor, Iamblichus’ Life of Pythag., p. 10; Londres, 1818. Munk deriva o nome Iesseus ou Essênios do siríaco Asaya - os curadores, ou médicos, assinalando, dessarte, a sua identidade com os terapeutas egípcios. - Palestine, p. 515.

[5] Mateus, XIII, 10-3.

[6] Página 47, na quarta edição.

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O artigo “Jesus, um Sábio do Deserto” está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 11 de novembro de 2025.  Ele foi reproduzido da obra “Ísis Sem Véu”, de H. P. Blavatsky, Ed. Pensamento, São Paulo, volume III, pp. 131-132. O texto faz parte também da edição de abril de 2024 de “O Teosofista”, pp. 1-3. Veja outros dados sobre  o tema Jesus no Deserto em Lucas, capítulo 4, Novo Testamento.  

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Leia mais:






* Examine nos websites da LIT a seção temática sobre Cristianismo e Teosofia.

* Veja a lista de textos de Carlos Cardoso Aveline em vários idiomas.

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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

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2 de setembro de 2025

A História de um Planeta: Vênus

 
O Portador da Luz Nada Tem a Ver Com
Escuridão, e Tem Tudo a Ver com a Luz
 
Helena P. Blavatsky




“Vênus-Lúcifer [é] a irmã
oculta e alter-ego da nossa Terra.”

(Helena P. Blavatsky em “A Doutrina Secreta”,
Edição Online da LIT, Parte I do Volume I, p. 320)




Entre as incontáveis miríades de estrelas que cintilam sobre os campos siderais do céu noturno, nenhuma brilha tão ofuscantemente quanto o planeta Vênus - nem mesmo Sirius-Sótis, a estrela-cão, amada por Ísis. Vênus é a rainha entre os nossos planetas, a joia da coroa do nosso sistema solar. Vênus é a inspiração do poeta, a guardiã e companheira do pastor solitário, é a adorável estrela da manhã e da tarde. Pois,

As estrelas ensinam tanto quanto brilham”,

embora os seus segredos ainda não tenham sido contados nem revelados à maioria dos homens, nem mesmo aos astrônomos.

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O artigo “A História de um Planeta: Vênus” está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde 02 de setembro de 2025. Ele foi publicado pela primeira vez em inglês pela revista “Lucifer”, em Londres, em setembro de 1887. Veja o texto original em inglês: “The History of a Planet: Venus”.

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Leia mais:







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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

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4 de julho de 2024

Dois Fragmentos Sobre a Vontade

 
A Arte de Fazer Com
Que Aconteça o Mais Correto
 
Helena P. Blavatsky
  




1. O Primeiro Poder é a Vontade Espiritual

A vontade”, diz Van Helmont, “é o primeiro de todos os poderes. Pois, através da vontade do Criador, todas as coisas foram feitas e postas em movimento (…). A vontade é propriedade de todos os seres espirituais, e revela-se neles tanto mais ativamente quanto mais eles se libertam da matéria”.

E Paracelso, “o divino”, como era chamado, acrescenta no mesmo tom: “A deve confirmar a imaginação, pois pela fé estabelece-se a vontade. (…) Uma vontade determinada é o começo de todas as operações mágicas (…). É pelo fato de que os homens não imaginam corretamente, e não acreditam nos resultados da sua imaginação, que as artes [místicas] são inseguras, quando na verdade elas poderiam ser perfeitamente exatas.”

2. O Poder de Fazer Com Que Algo Bom Aconteça 

O que é a VONTADE? A “ciência exata” pode dizê-lo? Qual é a natureza desse algo inteligente, intangível e poderoso que reina soberanamente sobre toda matéria inerte?

A grande Ideia Universal desejou, e o Cosmos veio à existência. Eu quero, e os meus membros obedecem. Eu quero, e meu pensamento, ao atravessar o espaço, que para ele não existe, abarca o corpo de um outro indivíduo que não é uma parte de mim, penetra por seus poros, e substituindo suas próprias faculdades, se são mais fracas, força-o a uma ação determinada. (…)  Os misteriosos efeitos de atração e repulsão são os agentes inconscientes dessa vontade; a fascinação, tal como a que vemos exercida por alguns animais, tal qual as serpentes sobre pássaros, é uma ação consciente dela, e o resultado do pensamento. Cera, vidro, âmbar, quando esfregados, isto é, quando o calor latente que existe em toda substância é despertado, atraem corpos luminosos; eles exercem inconscientemente a vontade, pois a matéria inorgânica, assim como a orgânica, possui uma partícula da essência divina em si, por mais infinitesimalmente pequena que seja. E como poderia ser de outro modo? Ainda que no curso de sua evolução tenha passado do princípio ao fim por milhões de formas diversas, ela deve sempre reter o germe inicial da matéria preexistente, que é a primeira manifestação e emanação da própria Divindade.

O que é então esse poder inexplicável da atração, a não ser uma porção atômica daquela essência que os cientistas e os cabalistas reconhecem igualmente como o “princípio da vida” - o akasha? Admite-se que a atração exercida por tais corpos seja cega; mas, se subimos mais e mais na escala dos seres orgânicos da Natureza, encontramos esse princípio de vida desenvolvendo atributos e faculdades que se tornam mais determinados e mais característicos a cada degrau dessa escala sem fim.

O homem, o mais perfeito dos seres orgânicos sobre a Terra, em quem a matéria e o espírito - isto é, a vontade - são mais desenvolvidos e poderosos, é o único ao qual se concedeu um impulso consciente para aquele princípio que emana dele. Apenas ele pode comunicar ao fluido magnético impulsos opostos e diversos em limites quanto à direção. “Ele quer”, diz Du Potet, “e a matéria organizada obedece.”

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O artigo acima foi publicado como item independente dia 4 de julho de 2024, sendo reproduzido da edição de junho de 2024 de de “O Teosofista”, pp. 15-16. O primeiro dos dois trechos foi traduzido por CCA diretamente da edição original de Isis Unveiled, Volume I, p. 57. Há outra tradução deste trecho na edição brasileira de “Ísis Sem Véu”, H.P. Blavatsky, volume I, p. 146. O segundo fragmento é reproduzido de “Ísis Sem Véu”, H.P. Blavatsky, Ed. Pensamento, SP, volume I, p. 215. Veja a p. 144 na edição original em inglês, vol. I. O trecho foi revisado por CCA comparando com o original.  

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Leia mais:



* Começando Pelo Mais Difícil , de O.S. Marden.

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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

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1 de abril de 2024

O Conhecimento Vem em Visões

 
Como Avança a Prática
da Aprendizagem Espiritual
  
Helena P. Blavatsky
 



O conhecimento vem em visões, primeiro em sonhos e depois em imagens apresentadas ao olhar interior durante a meditação. Deste modo [os Mestres] me ensinaram todo o sistema de evolução, as leis do ser e tudo o mais que conheço - os mistérios da vida e da morte, o funcionamento do Carma.

Nem uma palavra de tudo isso me foi dita da maneira comum, exceto, talvez, para confirmar o que me havia sido dado. Nada me foi ensinado por escrito. O conhecimento obtido deste modo é tão claro, tão convincente, e são tão permanentes as impressões que ele causa na mente, que todas as outras fontes de informação, todos os outros métodos de ensino, com os quais estamos familiarizados, são insignificantes se comparados com ele.

Uma das razões pelas quais me resisto a responder de imediato algumas perguntas é a dificuldade de expressar em linguagem suficientemente precisa as coisas que me são dadas em imagens e que são compreendidas por mim no nível da Razão pura, segundo a expressão de Kant.

O método de ensino deles é sintético [1]: primeiro são dados os esboços mais gerais, depois uma visão sobre o método de trabalho, em seguida dados os princípios e as noções gerais, e finalmente começa a revelação dos pontos mais detalhados.

NOTA:

[1] “O método de ensino deles é sintético” - uma referência ao método de ensino usado pelos Mestres de Sabedoria. (CCA)

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O artigo “O Conhecimento Vem em Visões” foi publicado como item separado nos websites da Loja Independente de Teosofistas no dia 01 de abril de 2024. Ele também é parte da edição de novembro de 2022 de “O Teosofista” (pp. 13-14), e está disponível em inglês online: “Knowledge Comes in Visions”. Pode ser lido em papel no volume XIII de “Collected Writings” de H.P. Blavatsky, TPH, EUA, ver p. 285.

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Leia mais:






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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

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2 de dezembro de 2021

O Conde de Saint-Germain

 Um Discípulo de Sábios da Índia e do Egito,
Proficiente na Sabedoria Secreta do Oriente
 
Helena P. Blavatsky

Saint-Germain, de um retrato gravado em cobre por N. Thomas, Paris, 1783,
a partir de uma pintura a óleo atribuída ao Conde Pietro dei Rotary (1707-1762).
 


Nota Editorial de 2021
 
O artigo a seguir foi publicado pela primeira vez em “The Theosophist”, Índia, em maio de 1881, e está incluído nos “Collected Writings” de H.P. Blavatsky, TPH, EUA, volume III, pp. 125-129. É dos “Collected Writings” que o traduzimos.
 
Cabe alertar o leitor sobre uma falsa ideia espalhada por Annie Besant e seus seguidores. De acordo com uma ilusão que circula amplamente, o autêntico Iniciado do século 18 conhecido como Saint-Germain - um verdadeiro sábio - seria o mesmo personagem imaginário da Nova Era que muitos chamam de “Mestre Saint-Germain” ou “Mestre Rakoczy”.
 
Boris de Zirkoff, o sóbrio editor dos Escritos Reunidos (Collected Writings) de H. P. Blavatsky, escreveu estas palavras:  
 
“… É altamente desaconselhável e historicamente injustificável falar do ocultista de Saint-Germain como sendo ‘o Mestre Príncipe Rákóczy’, algo que tem sido repetidamente feito por vários estudantes de teosofia e grupos de estudantes dentro e fora do movimento teosófico organizado, chegando-se até ao ponto de fazer listas das suas encarnações anteriores. Nenhuma relação entre a Casa de Rákóczy e o Conde de Saint-Germain pode ser estabelecida por qualquer dado histórico ou evidência documental disponível, embora esta ideia possa ser atrativa para alguns estudantes e possa servir como um pano de fundo útil para as suas especulações.” [1]
 
Não por acaso Blavatsky abordou - nas páginas finais de “A Chave da Teosofia” - o tema do abuso dos nomes sagrados. A onda de falsos contatos com Saint-Germain e outros “mestres” - iniciada por Annie Besant no começo do século 20 - espalhou-se pelo mundo. Em Portugal, também, a mania inspirou clarividências imaginárias. O CLUC, ou Centro Lusitano de Unificação Cultural, por exemplo, publicou numerosas obras “ditadas” por supostos mestres de sabedoria. Vários destes livros de falsos mestres contêm prefácios infantilmente atribuídos a “Saint-Germain” ou “príncipe Rakoczy”, cheios de elogios aos livros do próprio CLUC. Faltou, infelizmente, um sentimento de respeito pelos verdadeiros Mestres de Sabedoria. [2]
 
Nas Cartas dos Mahatmas há algumas passagens interessantes sobre o Saint-Germain que realmente existiu. Em uma delas, um Mestre descreve o contexto da cultura ocidental em que as doutrinas Orientais foram precariamente ensinadas sob uma roupagem cristã - para reduzir o perigo de perseguição autoritária.
 
O instrutor diz que depois de um fracasso geral destas tentativas, Saint-Germain fez a sua última saída, indo para o LAR. A frase parece sugerir que o LAR fica situado no Oriente:
 
“…O pouco que me é permitido explicar pode, espero, resultar mais abrangente que a Haute Magie de Eliphas Levi. Não é de estranhar que você o considere nebuloso, pois nunca foi destinado ao leitor não-iniciado. Eliphas estudou os manuscritos Rosacruzes (agora reduzidos a três exemplares na Europa). Estes expõem nossas doutrinas orientais com base nos ensinamentos de Rosencreuz, que, após o seu regresso da Ásia, as revestiu com uma roupagem semicristã, com a intenção de proteger os seus discípulos da vingança clerical. Deve-se ter a chave para elas, e esta chave é em si mesma uma ciência. Rosencreuz ensinou verbalmente. Saint Germain registrou as boas doutrinas em linguagem cifrada, e o seu único manuscrito cifrado permaneceu em poder de seu fiel amigo e protetor, o benévolo príncipe alemão de cuja casa e em cuja presença ele fez a sua última saída - para o LAR. Fracasso, total fracasso!”  [3]
 
Portanto, especulações e afirmações envolvendo qualquer “Mestre Saint-Germain” e os ritualismos relacionados com esta figura imaginária - seja em âmbitos maçônicos ou não - são, na melhor das hipóteses, fantasias sem qualquer base na realidade. 
 
Tudo o que existe em termos de informação confiável é a palavra do Mestre no sentido de que Saint-Germain - um Iniciado mas não um Mahatma - deixou a Europa em sua “última saída”, depois de fazer uma tentativa de ajudar a humanidade que terminou em “total fracasso”.
 
Um dos efeitos sociais visíveis desta derrota interna dos Mestres e Iniciados foi o aspecto sangrento e a violenta criminalidade em massa da Revolução Francesa, que Cagliostro, Saint-Germain e muitos outros homens de boa vontade tentaram evitar ensinando a sabedoria universal e a sabedoria eterna.
 
O artigo de Helena Blavatsky sobre Saint-Germain mostra que uma nuvem de fantasias rodeia muitos daqueles grandes sábios cuja missão tem sido trabalhar pacientemente pelo bem da humanidade. Estas ilusões, feitas de sonhos vagos, são criadas de um lado pelos adversários da filosofia esotérica, e de outro lado pela atitude supersticiosa e crédula de alguns dos seus devotos mais infantis.
 
(Carlos Cardoso Aveline)
 
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O Conde de Saint-Germain
 
Helena P. Blavatsky
 
Com longos intervalos, surgem de vez em quando na Europa certos homens cuja rara capacidade intelectual, cujas palavras brilhantes e modo de vida misterioso surpreendem e deslumbram a opinião pública. O artigo agora copiado de All the Year Round [4] refere-se a um desses homens - o Conde de Saint-Germain.
 
Na curiosa obra de Hargrave Jennings, The Rosicrucians, é descrito outro, um certo Signor Gualdi, que já foi grande objeto de curiosidade em Veneza. Um terceiro personagem foi historicamente conhecido como Alessandro di Cagliostro, cujo nome se tornou sinônimo de infâmia devido uma biografia católica falsificada. Não se pretende agora comparar esses três indivíduos uns com os outros, nem com o comum dos mortais. Copiamos o artigo da nossa [publicação] contemporânea de Londres para alcançar outro objetivo. Queremos mostrar como o caráter vil e pessoal se revela sem a menor provocação, a menos que o fato de alguém ser mais inteligente e mais versado nos segredos da lei natural possa ser interpretado como uma provocação suficiente para pôr em movimento a língua do fofoqueiro e a caneta do caluniador. Que o leitor observe atentamente as linhas a seguir:
 
“Este famoso aventureiro”, diz o redator em All the Year Round, referindo-se ao Conde de Saint-Germain, “supostamente era húngaro de nascimento, mas a primeira parte de sua vida foi por ele mesmo cuidadosamente envolvida em mistério”.
 
“Sua pessoa e o seu título estimulavam a curiosidade. Sua idade era desconhecida e sua linhagem igualmente obscura. Temos o primeiro vislumbre dele em Paris, cerca de cento e vinte e cinco anos atrás, dominando a corte e a cidade com sua fama. Paris maravilhada viu um homem aparentemente de meia-idade, que vivia em um estilo magnífico, que ia a jantares em que não comia nada mas falava incessantemente e com excessivo brilho sobre todos os assuntos imagináveis. Seu tom era, talvez, excessivamente incisivo - o tom de um homem que sabe perfeitamente do que está falando. Erudito, falando admiravelmente todas as línguas civilizadas, um grande músico, um excelente químico, ele cumpria o papel de um prodígio e o desempenhava com perfeição. Dono de uma autoconfiança extraordinária ou de um atrevimento sem igual, ele não apenas estabelecia a verdade em relação ao presente, mas falava sem hesitar de acontecimentos de duzentos anos atrás.”
 
“Suas narrativas de fatos ocorridos há muito tempo eram feitas com uma minúcia extraordinária. Ele falava de cenas na Corte de Francisco I como se as tivesse visto, descrevendo exatamente a aparência do rei, imitando sua voz, suas maneiras e sua linguagem - e apresentando toda a atitude de uma testemunha ocular. No mesmo estilo, ele instruía seu público com histórias agradáveis de Luís XIV, e presenteava seus ouvintes com descrições vívidas de lugares e pessoas. Sem dizer ostensivamente que havia estado de fato presente quando os acontecimentos se desenrolaram, ele conseguia, graças a seu grande poder de descrição, transmitir essa ideia. Se a sua intenção fosse causar impacto, o êxito era completo.”
 
“Histórias fantásticas circulavam sobre ele. Ele teria trezentos anos de idade, e teria prolongado sua vida com a ajuda de um elixir famoso. Paris ficou doida por causa dele. Ele ouvia perguntas constantes sobre o segredo da sua longevidade e era maravilhosamente hábil em suas respostas, negando todo poder de tornar os velhos novamente jovens, mas calmamente afirmando sua posse do segredo de deter a decadência na estrutura humana. A dieta, dizia ele, era, junto com seu elixir maravilhoso, o verdadeiro segredo da vida longa; e ele se recusava a comer qualquer alimento que não fosse especialmente preparado para ele - aveia, sêmola e carne branca de galinha. Nas grandes ocasiões bebia um pouco de vinho; sentava-se de modo que qualquer um pudesse ouvi-lo, mas tomava precauções extraordinárias contra o frio. Às mulheres, ele dava cosméticos misteriosos para preservar sua beleza intacta; aos homens, falava abertamente de seu método de transmutar metais e de um certo processo para fundir uma dúzia de pequenos diamantes formando uma só grande pedra. Essas afirmativas espetaculares eram apoiadas pela posse de uma riqueza aparentemente ilimitada, e de uma coleção de joias de raro tamanho e rara beleza ……”.
 
“De vez em quando este estranho ser aparecia em várias capitais europeias, sob diversos nomes - entre eles o de Marquês de Montferrat; o de Conde Bellamare, em Veneza; o de Cavaleiro Schoening, em Pisa; de Cavaleiro Weldon, em Milão; Conde Saltikoff, em Gênova; Conde Tzarogy, em Schwabach; e, finalmente, como Conde de Saint-Germain, em Paris; mas, depois de seu desastre em Haia, não parece mais tão rico como antes, e às vezes parece estar em busca de fortuna.”
 
“Em Tournay, ele é ‘entrevistado’ pelo renomado Cavaleiro de Seingalt, que o encontra vestindo uma túnica armênia e com um chapéu pontudo, com uma longa barba que desce até a cintura e uma varinha de marfim na mão - a completa aparência de um necromante. Saint-Germain está cercado por um grande número de garrafas e se dedica ao desenvolvimento da fabricação de chapéus com base em princípios químicos. Estando Seingalt indisposto, o conde se oferece para tratá-lo gratuitamente e dar-lhe uma dose de um elixir que parece ser éter; mas o outro recusa com um discurso muito polido. É o encontro de dois adivinhos. Não podendo atuar como médico, Saint-Germain decide demonstrar seu poder como alquimista; pega uma moeda de doze soldos do outro adivinho, coloca-a no carvão em brasa e trabalha com o tubo soldador. A moeda é fundida e colocada para esfriar. ‘Agora’, diz Saint-Germain, ‘pegue seu dinheiro de novo.’ - ‘Mas é ouro.’ - ‘Do mais puro.’  O segundo adivinho não acredita na transmutação e vê toda a operação como um truque, mas embolsa a moeda mesmo assim, e finalmente a presenteia ao célebre marechal Keith, então governador de Neuchâtel”.
 
“Em outras ocasiões, em busca de técnicas de tingimento e esquemas de fabricação, Saint-Germain apareceu em São Petersburgo, Dresden e Milão. Em certa oportunidade ele teve problemas e foi preso em uma pequena cidade de Piemonte devido ao protesto de uma letra de câmbio; mas ele apresentou cem mil coroas em joias, pagou na hora, intimidou o governador da cidade sugerindo que era um batedor de carteira, e foi solto com os mais respeitosos pedidos de desculpas.”
 
“Há muito pouca dúvida de que em um dos seus períodos de residência na Rússia ele desempenhou um papel importante na revolução que colocou Catarina II no trono. Em apoio a esta opinião, o Barão Gleichen cita a atenção extraordinária concedida a Saint-Germain em Livorno em 1770 por parte do Conde Alexis Orloff, e uma observação feita pelo Príncipe Gregory Orloff ao governador militar de Anspach [5] durante sua estada em Nuremberg.”
 
“Afinal, quem era ele? - filho de um rei português ou de um judeu português? Ou será que ele em sua velhice disse a verdade a seu protetor e admirador entusiasmado, o príncipe Charles de Hesse-Cassel? Segundo a história contada a seu último amigo, ele era filho de um Príncipe Rakoczy, da Transilvânia, e sua primeira esposa uma certa Tékély. Ele foi colocado, quando criança, sob a proteção do último dos Médici. Quando cresceu e soube que seus dois irmãos, filhos da princesa Hesse-Rheinfels, ou Rothenburg, haviam recebido os nomes de Saint-Charles e Saint-Elizabeth, ele decidiu adotar o nome de seu irmão sagrado, Sanctus Germanus. Qual foi a verdade? Uma coisa é certa: ele foi um protegido do último Médici. O príncipe Charles, que parece ter lamentado muito sinceramente sua morte, ocorrida em 1783, nos conta que ele adoeceu enquanto fazia suas experiências com cores em Eckernförde, e morreu pouco depois, apesar dos inúmeros medicamentos preparados pelo seu próprio boticário particular. Frederico, o Grande, que, apesar do seu ceticismo, tinha um estranho interesse pelos astrólogos, disse sobre ele: ‘Este é um homem que não morre’. Mirabeau acrescenta, epigramaticamente, ‘Ele sempre foi um sujeito descuidado e, no final, ao contrário dos seus predecessores, esqueceu de não morrer’.” [6]
 
E agora nós perguntamos, que sombra de prova é oferecida aqui, seja de que Saint-Germain era um “aventureiro”, seja de que pretendia “fazer o papel de um prodígio” ou buscava ganhar dinheiro à custa dos ingênuos?
 
Não há um único sinal de que ele fosse diferente do que parecia, ou seja, um cavalheiro de talentos e educação magníficos, e possuidor de amplos meios para sustentar honestamente sua posição na sociedade. Saint-Germain alegou saber como fundir pequenos diamantes em grandes e transmutar metais, e apoiou suas afirmações “pela posse de uma riqueza aparentemente ilimitada e uma coleção de joias de raro tamanho e rara beleza”. Os “aventureiros” são assim? Os charlatães gozam da confiança e da admiração dos mais inteligentes estadistas e nobres da Europa durante longos anos, e nem mesmo quando morrem demonstram de algum modo que não a mereciam?
 
Alguns enciclopedistas (ver New Amer. Cyclop., Vol. XIV, p. 267) dizem: - “Se supõe que ele trabalhou durante a maior parte de sua vida como espião nas cortes em que residia!” Mas em que evidências está baseada essa suposição? Alguém encontrou uma prova em qualquer um dos papéis estatais dos arquivos secretos de alguma destas cortes? Nenhuma palavra existe, nenhuma fração ou fragmento de fato real sobre o qual construir essa calúnia indigna foi jamais encontrada. É simplesmente uma mentira maldosa. O tratamento que a memória desse grande homem, esse discípulo dos hierofantes da Índia e do Egito, esse proficiente na sabedoria secreta do Oriente, tem recebido dos autores ocidentais é um estigma na natureza humana. E é desta maneira que o mundo estúpido tem reagido em relação a todas as outras pessoas que, como Saint-Germain, visitam o mundo após um longo período de reclusão dedicado ao estudo, trazendo sua sabedoria esotérica acumulada com a esperança de melhorar o mundo e de torná-lo mais sábio e mais feliz.
 
Um outro aspecto deve ser destacado. A narrativa reproduzida acima não dá detalhes sobre as últimas horas do Conde, ou do seu funeral. Não será absurdo pensar que, caso tivesse morrido realmente na ocasião e no lugar mencionados, ele tivesse sido colocado na terra sem a supervisão das autoridades e sem o registro policial que era feito sempre que ocorria o funeral de um homem de tamanha posição social e notoriedade? Onde estão estes dados? Ele desapareceu da vista do público mais de um século atrás, e no entanto nenhum documento histórico os contém. Um homem que vivia de tal maneira imerso no brilho da publicidade não poderia ter desaparecido sem deixar qualquer vestígio, se ele morreu naquele momento e lugar. Esta impossibilidade é confirmada além disso pelo fato alegadamente objetivo de que ele estava vivendo vários anos depois de 1784.
 
Afirma-se que ele teve uma conversa privada da maior importância com a Imperatriz da Rússia em 1785 ou 1786, e que apareceu à princesa de Lamballe quando ela estava diante do tribunal [7], momentos antes que fosse atingida por uma bala e que um açougueiro cortasse a sua cabeça; e que apareceu para Jeanne du Barry, a amante de Luís XV, enquanto ela esperava, no cadafalso, em Paris, pelo golpe da guilhotina, nos dias do Terror, em 1793. Uma respeitável integrante da nossa Sociedade, que mora na Rússia, possui alguns documentos altamente importantes sobre o conde de Saint-Germain. Esperamos que, para o resgate da memória de um dos maiores personagens dos tempos modernos, os indispensáveis elos que há muito estão faltando na corrente desta história incompleta possam ser dados ao mundo em breve através destas colunas. [8]
 
NOTAS:
 
[1] Da nota Biobibliográfica de Boris de Zirkoff sobre o conde de Saint-Germain, incluída em “Collected Writings” de H.P. Blavatsky, TPH, EUA, Volume III, ver pp. 525-526. (CCA)
 
[2] Alguns exemplos: * “As Novas Escrituras - Volume II, Mensagens dos Avatares Invisíveis”, primeira edição, 1991, terceira edição, 1993. Tem extensa introdução do imaginário “Mestre Saint-Germain”. Inclui um prefácio banal e patético, atribuído a Maria, mãe de Jesus. ----- * “As Novas Escrituras - Volume III, O Tempo das Multidões”, 208 pp., primeira edição, 1992. Conta com uma introdução atribuída ao suposto Mestre Saint-Germain. ----- * “As Novas Escrituras - Volume IV, Ensinamentos de Maitreya”, segunda edição, ano 2000, com introdução do falso Saint-Germain. (CCA)
 
[3] Carta 20, pp. 131-132 do volume I de “Cartas dos Mahatmas”, Ed. Teosófica, Brasília. Na Carta 136, página 313 do volume II de “Cartas dos Mahatmas”, o Mestre diz que as perseguições do século 19 contra H.P. Blavatsky são “a mesma história do ‘Conde de Saint Germain’ e de Cagliostro, de novo”. (CCA)
 
[4] Vol. XIV, 5 de junho de 1875, pp. 228-234, New Series. Esta publicação periódica era dirigida por Charles Dickens e foi distribuída em Londres por Chapman Hall desde 1859 até 1895. (Nota de Boris de Zirkoff, editor dos Collected Writings de HPB)
 
[5] Anspach: antigo nome da cidade de Ansbach, da Bavária, na Alemanha. (CCA)
 
[6] Este artigo termina com as seguintes palavras: “O que foi este homem? Um príncipe excêntrico ou um canalha bem-sucedido? Um devoto da ciência, um mero conspirador, ou uma estranha mistura das duas coisas? - um problema até para ele mesmo.” (Nota de Boris de Zirkoff)
 
[7] Durante a revolução francesa. (CCA)
 
[8] “Através destas colunas” - uma referência às páginas de “The Theosophist”, em que este artigo foi publicado pela primeira vez. Neste ponto, Boris de Zirkoff acrescenta em uma nota de rodapé: “A pessoa sugerida por HPB era quase certamente a sua tia, Nadyezhda Andreyevna de Fadeyev. Não há informação alguma, até o momento, sobre o que foi feito destes documentos.” (CCA)
 
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O texto acima foi publicado como item independente nos websites associados dia  02 de dezembro de 2021. Ele faz parte da edição de novembro de 2021 de “O Teosofista” (páginas 14 a 20).
 
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Leia mais:  
 
* O Mistério de Alessandro Cagliostro.
* Alexandre Dumas Descreve Cagliostro.
* Rituel de la Maçonnerie Egyptienne, de Le Comte de Cagliostro.
 
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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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