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14 de novembro de 2014

A Arte de Saborear Café

 Uma Parábola Sobre a Vida,  e uma Lição de Filosofia 


The Theosophical Movement



Um  grupo de ex-alunos, todos bem estabelecidos em suas profissões, reuniu-se para visitar o velho professor universitário.  Em pouco tempo,  a conversa  adotou o rumo das reclamações contra o estresse, no trabalho e na vida.

Depois de oferecer café aos visitantes, o professor  foi à cozinha e retornou trazendo um grande bule de café. Trouxe também uma quantidade mais do que suficiente de xícaras -  de porcelana, de plástico, de vidro, de cristal, algumas de aspecto simples, algumas caras, outras sofisticadas - e disse a eles que se servissem de café à vontade.

Quando cada estudante tinha nas mãos a sua xícara de café, o professor disse:

“Se observarem, verão que todas as xícaras bonitas e caras foram escolhidas, e ficaram para trás as simples e as baratas. É bastante normal que vocês queiram só o melhor para vocês mesmos, mas essa é a fonte dos seus problemas e do seu estresse. O que todos realmente queriam era café, e não a xícara, mas vocês conscientemente pegaram as melhores xícaras, e ficaram olhando para as xícaras um do outro. Vejam que a vida é como o café, e os empregos, o dinheiro e a posição social são as xícaras; são apenas instrumentos para viver a vida, mas a qualidade da vida não muda por causa deles. Às vezes,  por concentrar-nos só na xícara, deixamos de apreciar o café que há nela. Portanto, não deixem que as xícaras distraiam vocês... apreciem o café...”

(Texto de uma mensagem circular de e-mail)

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Traduzido da edição de abril de 2007, p. 220, da revista mensal “The Theosophical Movement”. A revista é publicada em Mumbai, Índia, por associados da Loja  Unida de Teosofistas.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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29 de outubro de 2014

As Experiências Durante os Sonhos

Para Entender Nossos Sonhos,
Devemos Primeiro Entender a Nós Mesmos

The Theosophical Movement 


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O texto a seguir foi publicado pela
primeira vez pela revista teosófica
internacional “The Theosophical
Movement”, na Índia, edição de
outubro de 2004, pp. 403-405. Título
original: “Dream Experiences”.

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Embora sejam um tema de experiência e de interesse universais, os sonhos são pouco compreendidos.  É verdade que há um interesse generalizado por conhecer  textos sobre experiências durante sonhos, por ouvir os sonhos de outras pessoas e também por narrar os nossos próprios sonhos;  mas geralmente falta a explicação racional, assim como  inexiste a capacidade de guiar a vida em estado de vigília de modo que os sonhos possam ser controlados.

Todos os sonhos, desde os que têm uma causa fisiológica até os mais elevados, que são capazes de revolucionar a vida pessoal,  são apenas os resultados das condições ou estados de consciência.  Temos que entender a nós mesmos  primeiro, se quisermos entender o significado dos nossos sonhos.  Os sonhos que surgem do aspecto mais elevado da nossa natureza podem dar-nos uma ajuda e uma orientação reais. Este tipo de sonhos pode ser encorajado, e, se o assunto for adequadamente compreendido, é possível também evitar os sonhos sensoriais,  que às vezes lançam uma sombra sobre toda a vida.

Em todos nós há três níveis de consciência - normal, subnormal e supranormal -  assim como o corpo físico tem temperaturas normais, subnormais e supranormais.  Nossos hábitos e nossos maneirismos, nossos preconceitos e predileções, pertencem ao nível normal e são mais ou menos os mesmos para o homem médio.  Se agimos de modo infantil e mesquinho quando o curso normal  das nossas vidas sofre uma interferência, ou quando não obtemos o que queremos, caímos abaixo do nível normal de inteligência. Um exemplo possível é o do homem que está acostumado a um tipo de pão e que em certa ocasião não consegue obtê-lo; se ele criar uma confusão e perder a calma por causa disso, cairá em um estado de espírito subnormal.  Se aproveitar silenciosamente a oportunidade para mortificar o seu apetite, estará em um estado de espírito levemente supernormal.

O ser humano tem três aspectos, corporal, mental e espiritual. A própria palavra “humano” vem do termo sânscrito “Mana” ou “Manas”, que significa “mente”.  O estado de  espírito normal do ser humano é mental. O estado de espírito é subnormal quando um homem permite que sua inteligência seja afetada ou escravizada pelo corpo, ou por suas paixões e desejos terrestres. Quando o aspecto humano é colocado pelo menos durante algum tempo em harmonia com o Eu  divino ou Espiritual, as tendências animais são controladas e o estado de espírito é supranormal.

Em correspondência com essa classificação tríplice, nossos sonhos são: (a) corporais ou sensórios; (b) normais; ou (c) do tipo mais elevado, experiências verdadeiramente espirituais.

Nossos estados de espírito são os sonhos da vida de vigília.  Um estado de espírito medianamente bom corresponde a sonhos normais, um estado de espírito sensual corresponde a sonhos subnormais, e um estado de espírito elevado, como a de uma verdadeira meditação, tem a mesma substância que os sonhos puros e inspiradores.   Sonhar acordado com base em fantasias é subnormal.  As pessoas tecem histórias em torno de si mesmas como personagens centrais, ou  têm conversas imaginárias em que elas sempre têm a última palavra, etc.  A razão fica  de lado quando imaginamos estar no centro da cena.  Construir castelos no ar é mera perda de tempo, e se continuamos a construí-los eles se tornam perigosos,  porque a fantasia pode evoluir por canais errados, levando a práticas corporais equivocadas.

A fantasia é uma característica da adolescência e não deveria ser levada até a vida adulta.  Na adolescência,  garotos e garotas deveriam ser ajudados a  colocar suas fantasias em canais corretos. Para isso, eles devem estar rodeados de uma atmosfera de pureza, e deve ser dado um ideal nobre para a sua tendência de adorar heróis.  Eles devem ter algo  para fazer, de modo que não haja oportunidade para passarem muito tempo sonhando acordados.  Infelizmente, nesta idade os jovens têm a permissão de ler livros indesejáveis e de ir indiscriminadamente ao cinema, o que intensifica as suas tendências subnormais.  A  fantasia é a antítese da verdadeira imaginação, aquela ação-de-fazer-imagens que pertence à Alma e  durante a qual a Razão está extremamente ativa.

A diferença entre a consciência desperta e a consciência adormecida está apenas no fato de que, durante o sono, as impressões externas não existem.  Não há interrupção das funções corporais orgânicas, nem da consciência corporal. A mente, no entanto,  funciona à parte do corpo físico, em um estado inteiramente  subjetivo,  isto é, a mente está voltada para dentro, para si mesma, e não tem consciência de quaisquer objetos que rodeiem o corpo físico.

Há dois tipos principais de sonhos corporais - os que são causados por desconforto corporal e os que têm como base impressões corporais causadas por indulgência errada, de fato ou em fantasia, durante a vida desperta.  Nossos pensamentos e sentimentos afetam constantemente o corpo. Eles fazem  o coração bater mais rápido, ou tornam a respiração irregular, ou fazem com que ela seja  rítmica. As experiências em sonhos que são reações a pensamentos tidos em estado de vigília podem ocorrer muito mais tarde, como quando uma pessoa sonha que  está comendo carne, vários anos depois de adotar o vegetarianismo.

No homem normal,  a mente está tentando libertar-se dos sonhos corporais e viver nos termos da sua própria ideação.  Isso é inicialmente impossível, e por isso ele tem sonhos confusos.  Quando alguma impressão do Eu Espiritual é acrescentada à mistura de sonhos mentais e corporais, pode surgir um sonho alegórico. A verdade é captada pelo cérebro, mas é distorcida por imagens corporais e mentais. 

A mente pura, controlada e autoconcentrada, pode receber as impressões do  Eu Espiritual, e as impressões são então transferidas para o cérebro.  Assim ocorrem os sonhos que são avisos, para si mesmos e para os outros,  e os sonhos retrospectivos,  que descrevem encarnações passadas.  Os sonhos proféticos são ainda mais elevados. Eles procedem do Eu Superior, e  são possíveis mesmo durante o estado de vigília,  se o corpo tiver sido mantido puro como o Templo de um Deus Vivo.  Em um  estado ainda mais alto de calma e concentração purificadas, o homem que possui um firme desejo de beneficiar a humanidade pode receber sonhos dos Grandes Gurus cuja  religião, filosofia e ciência é a Fraternidade.

A coisa mais importante a lembrar é que as experiências durante os sonhos dependem da consciência em estado de vigília. Para termos  sonhos elevados, devemos controlar e purificar os sentidos e estudar e meditar sobre princípios universais.

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Veja os textos “Sonhos”, de Helena Blavatsky, e “O Sono e os Sonhos”, de Robert Crosbie. Ambos estão disponíveis em nossos websites associados. 

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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20 de setembro de 2014

Os Teosofistas Podem Reunificar-se?


A Fraternidade Sincera é Melhor
Que Exercícios de Relações Públicas

The Theosophical Movement



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Nota Editorial:

O texto a seguir foi publicado pela primeira
vez em março de 2003 pela revista “The
Theosophical Movement”, da Índia, sob o
título “Can Theosophists Reunite?”. Sua
tradução ao português foi publicada inicialmente
na edição de dezembro de 2007 de “O Teosofista”.

(CCA)

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Há tentativas sendo feitas hoje para que ocorra uma reunificação dos “teosofistas”. Isso levanta algumas questões fundamentais: “O que produz a unidade? Quem são os teosofistas? O que os separou?”

A verdadeira unidade é impossível se a sua base for buscada neste mundo limitado pelas formas. É no mundo das ideias e dos ideais, da mente e do coração, que a unidade deve ser buscada. Portanto, busquemos a unidade de Ideal e a unidade de Ensinamento.

Os Ideais têm a ver com a vida moral, com nossas mentes (pensamento, memória e antecipação), e com as emoções (afetos e rejeições, sensibilidades e sentimentos). Ninguém, exceto o próprio indivíduo, sabe quais são estes fatores. Mas há algumas grandes ideias que refletem verdades universais e que necessitam ser transformadas em realidades vivas:

1. A unidade da nossa Origem Espiritual, que surge do conceito de um Deus Impessoal [1] deveria produzir tolerância e Fraternidade.

2. Um Corpo de Sabedoria (ou Conhecimento) implica uma fonte comum de Verdade, a partir da qual todos podem receber ajuda e orientação.

3. A Existência de uma Lei do Universo - que “não conhece ódio ou perdão, é totalmente verdadeira, as suas medidas medem, a sua balança impecavelmente pesa, diante dela o Tempo é como um nada, e ela pode julgar amanhã mesmo, ou depois de muitos dias” [2] -; é um fator que deveria levar ao desapego, à generosidade, à harmonia e à concórdia.

A ideia de que o universo evolui como um todo, e de que o progresso de cada um depende do progresso geral de todos, produz não-violência, contentamento com a nossa situação objetiva, e uma inclinação a deixar que os outros tenham o seu lugar correto no esquema geral das coisas. Isto leva à percepção de que o aperfeiçoamento do ser humano é uma possibilidade para cada um de nós, de que este aperfeiçoamento se tornou um fato para aqueles que trabalharam com esta meta no passado. A Loja dos Mestres pode ser encarada como um fato objetivo.

Quem é um teosofista? Uma pessoa que aprecia os três objetivos [3] do Movimento Teosófico tal como foram formulados em 1875 não pode, na realidade, devotar-se a um deles e dar escassa atenção aos outros dois. Se fizer isso, ele penderá demasiado para um lado, assimetricamente. O termo “teosofista”, na verdade, pode ser aplicado não só a um membro ou associado de um grupo ou outro, mas a todos os praticantes da vida Teosófica, ou da Ética divina, e da Filosofia única universal, a Religião de Sabedoria. O verdadeiro estudante de Teosofia se torna, ou é, um ocultista.

O que causou a separação entre organizações de teosofistas? Há muitas razões para este fato, e uma recapitulação ou análise delas deve ter um só propósito - evitar a repetição dos erros. Se a unidade no plano físico é desejada, então ela deve ser antecedida pela unidade nos planos internos, da mente e do coração, e por uma redefinição dos nossos próprios objetivos e metas, que devem estar alinhados com o Impulso original.

Onde se pode encontrar as Linhas estabelecidas pelos grandes fundadores do Movimento Teosófico? Nos escritos e ensinamentos de H. P. Blavatsky, a Mensageira dos Mestres para a era atual. Isso é claro. Será que aqueles chamados “teosofistas” que aceitaram outros indivíduos como seus professores e que ignoram, ou subestimam, H.P. Blavatsky e seus ensinamentos conhecem realmente Teosofia? Quantos deles aceitam o que é falso como verdadeiro, sem verificar as coisas por si mesmos! Isso leva a atitudes parciais e a falsas pretensões, e provoca desunião.

A Unidade tem que ser buscada em questões de princípio; a partir disso, os detalhes externos cuidarão de si mesmos. Se cada um prestar atenção em seu próprio trabalho, suas próprias virtudes, e tentar seriamente reduzir seus verdadeiros erros, a unidade surgirá automaticamente.

Não necessitamos de um número enorme de indivíduos que chamam a si mesmos de “teosofistas” e fingem no plano externo que estão “unidos”. Necessitamos de uma harmonia interna e uma unidade de propósito, de meta e de ensinamento. E isso se alcança através do estudo individual, do discernimento, e do sacrifício.

NOTAS:

[1] “Deus”. A Carta 88 de “Cartas dos Mahatmas” (Ed. Teosófica, dois volumes) afirma que não há nada parecido com “Deus” em nosso universo ou mesmo fora dele, e que o uso desta palavra gera grande confusão. O termo é aceito em teosofia somente como significando a Lei Universal, ou a Natureza Universal. (CCA)

[2] Esta é uma citação do livro oito da obra “A Luz da Ásia”, de Edwin Arnold, Theosophy Company, Los Angeles, 1977, ver pp. 218-219. A passagem também é citada por Robert Crosbie no livro “The Friendly Philosopher”. (CCA)

[3] Os três objetivos do movimento teosófico moderno são: 1) Formar o núcleo de uma Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor; 2) O estudo de religiões, filosofias e ciências antigas e modernas, e a demonstração da importância de tal estudo; e 3) A pesquisa sobre as leis inexplicadas da Natureza e os poderes psíquicos latentes no homem. (CCA)

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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20 de fevereiro de 2014

A Firmeza de Propósito

A Vida Diária De Quem Vive a Sabedoria   

The Theosophical Movement


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Nota Editorial:

O artigo a seguir revela aspectos práticos, mas  pouco
conhecidos, da  filosofia esotérica ensinada  pelos  Mestres  
de Sabedoria. Alguns estudantes não serão capazes de trilhar
de imediato este caminho, mas isso não é motivo para desanimar.
Ao contrário. A compreensão deve anteceder a ação. A pressa é
inimiga do aperfeiçoamento. O aprendiz  tem que preparar-se 
serenamente para a caminhada -  e deve fazer isso em seu próprio ritmo.  

“A Firmeza de Propósito”  foi  publicado inicialmente na 
revista   “The Theosophical Movement”, edição de janeiro de  2003.  

(CCA)

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“Tendo-se tornado indiferente aos objetos de percepção, o aluno deve buscar o Rajá dos sentidos, o Produtor de Pensamentos, aquele que desperta a ilusão ....
Quando para ele a sua própria forma parece irreal, assim como  parecem irreais ao despertar todas as formas que ele vê em sonhos;
Quando ele deixa de ouvir os muitos sons, ele pode discernir o UM -  o som interior que elimina o som externo .... .
Antes que a Alma possa compreender e consiga lembrar, ela deve estar unida ao Orador Silencioso ....
Porque então a Alma escutará, e lembrará.
E então, o ouvido interior irá escutar 
- A VOZ DO   SILÊNCIO.”

- “A Voz do Silêncio”, livro de H. P. Blavatsky.



É em torno das poucas linhas acima que o estudante de Teosofia deve construir a sua resolução, a sua conduta e a sua prática espiritual diária. Os seus esforços têm que ser concentrados em função de um só objetivo - discernir o UNO - o som interior que elimina o som exterior. Se isto estivesse além do alcance do estudante, a instrução não teria sido colocada na forma como foi. Na verdade, todo o resto do livro “A Voz do Silêncio” só poderá ter utilidade se as poucas indicações contidas nestes versos forem seguidas. A obra é destinada apenas a aqueles que tentam tornar-se indiferentes aos objetos de percepção, e que persistem no esforço enquanto os anos passam, um após o outro, até que a mensagem da vida espiritual se torne clara e forte. 

Antes que possa pensar em meditação, o aspirante tem que alcançar um certo grau de concentração. A cada vez, antes que entre em sua hora sagrada dedicada ao mundo espiritual, ele tem que imunizar-se contra todas as reações inferiores e estabilizar-se tornando-se indiferente a visões e sonhos - tanto externos como internos - que projetem objetos de percepção em sua mente. Seu esforço preliminar deve ser por tornar as emoções incapazes de perturbar sua serenidade, pelo menos durante aquela hora. 

Ficar aborrecido por sofrer uma injustiça; a indignação e a vergonha de ser alvo de calúnia; o sentimento de ser esquecido e marginalizado pelas próprias pessoas de quem deveria esperar amizade e compreensão - estas são apenas algumas circunstâncias que a vida produz e que, se enfocadas corretamente, tornam-se meios de treinamento para alcançar a indiferença mais elevada. São circunstâncias como estas que ensinam ao discípulo como ir além da atmosfera viciada da existência pessoal. Também há dias de tristeza em que nada parece dar certo, em que sentar para praticar concentração só produz oscilações mais intensas. Surgem momentos em que imagens indesejáveis aparecem uma após a outra, espontaneamente, maldosas e cheias de terror. A matéria tem destas tendências, mas a Alma do homem é mais forte do que qualquer compulsão que elas possam provocar. Também pode haver dias em que, contorcendo-se sob a tirania de outros, ele chega a duvidar de que a fraternidade seja um fato e constitua a chave para a emancipação. Tais são os acontecimentos que testam as almas dos homens, e que, pela  sua própria violência, despertam a força da alma e o seu poder de erguer-se e vencer.

Pode-se dizer que o estudante está concentrado quando faz com que toda a sua consciência (corpo, desejos, mente) se volte para um ponto focal de atenção. 

Em tais ocasiões, ele coloca toda a força dos seus pensamentos sobre um só ponto, de modo que não há distração nem relaxamento do esforço, durante o tempo em que a concentração é praticada. A energia assim fixada em qualquer assunto ou objeto é intensa e produz resultados cuja magnitude ultrapassa as realizações das mentes que o mundo considera brilhantes. 

Durante este esforço concentrado não pode haver desvio de atenção, nem diminuição da unidade compacta do esforço. A fixidez de propósito, a unidirecionalidade, a recusa de qualquer coisa que o afaste do objetivo desejado, e o fechamento de todos os canais que podem trazer para o interior quaisquer elementos externos perturbadores, são requisitos desta prática de concentração. A saúde do corpo é tão vital, para esta prática, quanto uma mente em paz e um temperamento sereno. Sendo algo que leva a um despertar da Alma, esta prática exige uma devoção exclusiva que sabe discriminar entre os diferentes sons, visões, emoções e atos, e que classifica cada um deles como favorável ou como desfavorável ao seu desenvolvimento. Sobre isso, Krishna afirma:

“Esta disciplina divina não pode ser alcançada pelo homem que come em excesso ou come muito pouco, nem por aquele que tem o hábito de dormir muito, ou de dormir muito pouco. A meditação que destrói o sofrimento é produzida naquele que é moderado na comida e na recreação, que é moderado em suas ações, e tem hábitos regulares no sono e na vigília.”  (“Bhagavad Gita”, Theosophy Company, Los Angeles, Capítulo VI, pp. 16-17.)

Ele diz em seguida que tal pessoa deve concentrar seu coração no verdadeiro Eu e libertar-se de apego a qualquer desejo. Só deve adotar esta prática quem estiver preparado para concentrar seu coração no verdadeiro Eu, que é o Eu de todas as criaturas. Aquele que praticar concentração para algum objetivo diferente deste não está devotado ao Mais Alto, e faz apenas um esforço para possuir a força elevada em função de usá-la em propósitos inferiores e até mesmo não-espirituais.

Se for dada a devida importância às palavras sábias de Krishna, ficará claro que elas exigem uma atenção ativa do aspirante em toda a sua vida diária, sem a exclusão de momento algum. Neste contexto, as ações triviais, feitas ao longo do dia, podem ser obstáculos para a vida elevada. Os costumes estabelecidos na sociedade são prejudiciais. A rivalidade nos negócios e a busca de prazeres “inocentes” são elementos de dissuasão e barreiras para o progresso. A “concentração” é o ato, consciente e cauteloso, de tentar encontrar uma localização para a Alma no Mais Elevado. Esta não é uma tarefa fácil, porque, já no Capítulo Onze do “Bhagavad Gita”, Arjuna confessa que durante sua caminhada ao longo da vida ele havia esquecido quem era Krishna, e havia cometido portanto o erro de não manter a devida reverência pela presença ubíqua que é Krishna. Embora fosse um discípulo de Krishna, ele não havia podido ver a diferença entre o Krishna mortal e o aspecto de Krishna que está presente em todas as coisas. É neste contexto amplo que as palavras de Arjuna devem ser colocadas. Diz ele:

“Tendo sido incapaz de ver a tua majestade, eu te considerei um amigo e me dirigi a ti dizendo: ‘Oh Krishna, filho de Yadu, oh, amigo’ ; e, cegado pelo afeto e pela presunção, eu às vezes te tratei sem respeito no esporte, na recreação, no descanso, em tua cadeira, e durante as tuas refeições, em público e em privado.”

É para evitar tal perda da memória do mais elevado que se deve ter cuidado, porque, se esta memória não estiver sempre presente, a alma não será capaz de descansar no espírito durante cada momento de lazer. 

A concentração que o discípulo deve buscar é totalmente diferente do que se entende por concentração em épocas mais recentes. Os charlatães são muitos e o mercado de aprendizes ambiciosos se expande rapidamente. Concentração parece ser apenas o uso de uma força que, como qualquer outra, pode ser aplicada para bons ou maus objetivos. Está na moda adquirir concentração para obter progresso pessoal e conseguir domínio sobre os destinos de outros homens. O estudante de Teosofia é advertido contra a prática de concentração em função de objetivos ignóbeis e pessoais. Sendo alguém que tenta colocar os interesses dos outros acima dos seus próprios, espera-se que ele adquira estabilidade mental e acumule reservas de força interior. Ele deve fazer isso para que esteja melhor preparado para servir a humanidade. Os seus esforços de concentração devem girar em torno do desejo de tornar a Teosofia um poder vivo, capaz de manifestar-se através da sua força vital. Na concentração, ele deve encontrar aquela potência que irá capacitá-lo a produzir um vasto amor fraterno, capaz de atravessar as barreiras de raça, casta, credo e cor. Ele tem que reunir em si mesmo vastos estoques de energia, que mais adiante lhe darão a força necessária para trabalhar inegoisticamente pela humanidade, e por todos os homens, bons ou maus. Para alcançar um objetivo tão elevado, ele deve deixar de ser um homem arrastado pelos desejos, e transformar-se em uma força impessoal para o bem. Ele treina a si mesmo para colocar os seus sentidos e seus órgãos de ação a serviço do esforço para beneficiar a todos. Consequentemente, quando um tal aspirante senta-se para praticar concentração, ele tenta esquecer por completo o seu eu pessoal. Ao fazer isso, ele fica mais preparado para ser completamente tomado por aquele sincero altruísmo que não conhece barreiras e está livre de toda limitação.

Uma vez que o estudante tenha este objetivo nobre, como é que ele pode planejar seus próximos passos? Que conhecimentos ele busca, que poderes ele ambiciona?

A concentração deve tornar-se um modo de vida e um atributo íntimo do homem desperto. No entanto, para aquele que prefere aproximar-se gradualmente da concentração, o melhor exercício é o de revisar o que ele fez como ser pessoal nas vinte e quatro horas anteriores. Será que a Teosofia caminhou junto com ele pelo caminho espinhoso da disciplina? Será que ela foi o pano de fundo dos seus planos, dos seus êxitos e fracassos? Ao olhar para cada acontecimento, ele deve examiná-lo como se estivesse no trono do Altíssimo. Será que o ideal de uma fraternidade universal da humanidade está presente em sua interação com os outros? Será que ele mostrou indiferença em relação a seus próprios sofrimentos e manteve sua alma em paz mesmo quando a injustiça pessoal foi praticada contra ele, e de modo cruel? Será que ele foi procurar quem estava necessitado de uma palavra de sabedoria e mostrou para esta pessoa a proteção benigna de uma LEI viva? Ele teve compaixão pelas fraquezas dos outros? Cumpriu seus deveres? Ou não os cumpriu? Ou cumpriu-os com indiferença? Ou cumpriu-os com uma dedicação total, nascida de um sentimento de devoção? Ele foi fraterno com todos os seres? Abriu espaço para que o progresso de outras pessoas estivesse assegurado? Cada acontecimento deve ser visto em retrospecto, e de cada um deve ser tirada uma lição para a vida que deve ser vivida.

Diante de cada ação, e cada reação, cinco perguntas devem ser feitas:

1) Minha ação evocou em mim aquela solidariedade que é manifestação do amor imortal? 

2) A ação sintetizou a unidade entre pensamento, palavra e atitude prática? 

3) A ação serviu para construir reservas daquela calma que permanece imperturbável ao longo de todas as experiências?  

4) Foi manifestada aquela coragem que surge da alma desperta?  

5) Esteve presente com eficiência, em todos os níveis do ser, uma divina indiferença em relação a dor e prazer?  

Independentemente do fato de as respostas serem “sim” ou “não”, o esforço de concentração registrará na memória qual deve ser a movimentação ideal da alma para que ela continue em pleno contato com sua fonte e origem.

Tudo isso ocorre no retrospecto -; o levantamento de créditos e débitos, a assimilação da experiência, a produção de um conhecimento capaz de fazer frente a situações similares no futuro. O exercício marca o final de um dia de vinte e quatro horas. Mas há também outro exercício em que a imaginação é convidada a cumprir um papel extremamente importante na vida do indivíduo. No início do dia, a Alma deve registrar a sua visão no corpo físico, prevendo e planejando através de imagens mentais como será o dia. Que deveres devem ser cumpridos? Qual será sua atitude em tal ou qual momento do dia? Com quem ele se encontrará, provavelmente? É possível que ele tenha que ouvir calúnias? Se isto ocorrer, como ele se comportará? Será que ele poderá atrair alguém para o caminho correto? Se há a possibilidade de que alguém seja injustamente atacado em sua presença, como é que ele fará sua defesa e ao mesmo tempo preservará o padrão de respeitabilidade, decência e bom comportamento? Se podem surgir circunstâncias calamitosas, de que modo ele controlará  suas reações, como usará a circunstância para vencer um mau hábito ou aumentar um mérito - nele mesmo e nos outros? Uma meia hora dedicada a tal trabalho tende a crescer mais e mais, até que cada momento livre passa a ser usado para aproximar a personalidade individual da sua luz interior.

Como um bom artesão, o homem que pratica concentração seleciona e arranja os seus instrumentos para o esforço a ser empreendido. O escultor, o pintor e o artista invocam suas musas; por que motivo aquele que esculpe e pinta com a vida não faria o mesmo? É exatamente isso que ele deve fazer com o poder de concentração, depois de estabelecer sua ligação com o eu superior. Ele tem o privilégio e a responsabilidade de criar e projetar neste plano as imagens que a sua alma constrói - imagens de ações bem feitas e de dias e noites dedicados à busca do sagrado.

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Título original do texto acima:  “Fixity of Purpose”.  O artigo pode ser encontrado em inglês em nossos websites associados.

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Para conhecer a teosofia original desde o ângulo da vivência direta, leia o livro “Três Caminhos Para a Paz Interior”, de Carlos Cardoso Aveline.


Com 19 capítulos e 191 páginas, a obra foi publicada em 2002 pela Editora Teosófica de Brasília.   

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16 de julho de 2012

Sabedoria, Felicidade e Contentamento

A Bem-Aventurança Ocorre
No Nível da Consciência Universal

The Theosophical Movement

O verdadeiro contentamento não depende de fatos externos



O capítulo dois do “Bhagavad Gita” [1] diz que quem está firmemente estabelecido no conhecimento espiritual sente-se “feliz e contente no eu superior, e através do eu superior”.

De que modo alguém pode estar feliz e contente “no eu superior”? E o que significa “através do eu superior”?

Uma coisa é certa: ninguém que tenha ideais e um pouco de imaginação pode estar feliz e contente apenas no plano da sua personalidade, ou eu inferior. A personalidade se sente ferida, sofre, fica frustrada, e assim por diante. Ela tem aspirações deste ou daquele tipo, e não está contente com tudo o que acontece. Portanto, a felicidade e o contentamento vêm de algo em nós que não é alterado pela personalidade.

Podemos chamar este “algo” de Manas [Mente]. Não se trata de Buddhi-Manas [Mente Espiritual] nem de Kama-Manas [Mente Emocional], mas daquela consciência ou atenção em nós que é capaz de analisar a vida e de estar em paz consigo mesma, podendo compreender o que ocorre à sua volta e também no interior dos seus processos de emoção, de desejo, etc., sem que, por isso, seja carregada ou absorvida por eles. Essa consciência se baseia em premissas claras.

O “Bhagavad Gita” explica como é o ser humano que alcançou o conhecimento espiritual. Nós não temos este conhecimento hoje, porque nosso saber é baseado em uma visão intelectual das coisas. Ele se apoia nas nossas ideias pré-concebidas e nas nossas limitações, sem que haja uma compreensão correta do tempo e do espaço, nem da Lei Universal. A felicidade e o contentamento são uma meta para nós. No capítulo dois, Krishna diz como isso pode ser alcançado. Quando, por exemplo, as coisas não ocorrem como esperávamos, e quando surge a adversidade, devemos manter nossa mente estável e imperturbada. Só assim podemos encarar os problemas sem que apareçam emoções como ansiedade, medo e raiva. E quando eles não aparecem o resultado é o contentamento, e talvez a felicidade.

Só poderemos encarar a adversidade com este equilíbrio se tivermos compreendido até certo ponto que existe um centro em nós, o eu superior, que está além destes acontecimentos, e que não fica fundamentalmente ansioso porque aconteceu isso ou aquilo, e tampouco tem medo do que possa acontecer, nem raiva diante do que ocorre.

Devemos procurar pela fonte deste tipo de emoção.  

A primeira coisa a ser abandonada é o “desejo”. Não se trata de abandonar apenas um desejo, mas todo e qualquer desejo [egoísta] que possa entrar em nosso coração. “Coração” neste contexto significa a sede das emoções, e não deve ser confundido com a mente ou o pensamento.

O fato de que devemos renunciar a qualquer desejo que surja das emoções significa que nossa consciência é algo diferente e independente dos desejos. Compreender este fato é o primeiro passo.

Outro passo, mais adiantado, consiste em ir além do nosso horizonte atual de pensamentos. Para descobrir quem realmente somos, devemos chegar, por esforço próprio, até um nível em nosso interior que não é perturbado pelos nossos pensamentos e sentimentos comuns.

Deve existir um centro assim, porque o que ocorre na vida diária com os desejos e emoções mostra que um aspecto permanente do nosso ser atravessa todos estes acontecimentos diários.

Sabemos que com o tempo tudo passa. A cada dia temos outras situações ao nosso redor. Novos desejos surgem, outras dificuldades aparecem, mas é o mesmo “eu” que passa por tudo isso. Portanto, nós não somos o desejo, nem a raiva, nem a ansiedade, nem o medo que podemos sentir. Permanecemos à parte de todos estes pensamentos e sentimentos, a menos que sejamos absorvidos por eles.

No seu devido tempo, chegamos a compreender que nenhum acontecimento favorável ou desfavorável pode afetar-nos de fato, se não estivermos ansiosos, com medo, ou com raiva em relação ao resultado das ações.

É por isso que se recomenda não classificar os acontecimentos como favoráveis ou desfavoráveis, nem como agradáveis e desagradáveis, ou bons e maus.

No tempo certo, estaremos felizes. Não vamos estar emocionalmente agitados, mas teremos paz sem ansiedade, sem medo ou raiva, aceitando calmamente tudo o que acontece, contentes e imperturbados. A pessoa verdadeiramente feliz não se altera porque as coisas acontecem de um jeito ou de outro. Ela mantém os seus desejos e as suas repulsas de lado e olha todas as coisas com uma mente serena.

As atrações e rejeições surgem dos cinco sentidos e dos órgãos físicos. Chamamos de “prazer” aquilo que sentimos quando os sentidos gostam de algo. Quando eles não gostam, chamamos de “dor”. Os sentidos se transformaram em agentes da atividade mental e do desejo. Assim, somos carregados pelos nossos sentidos, ao invés de controlá-los e de obter deles a ajuda que precisamos para a nossa evolução. Tendo deixado anteriormente que os sentidos fossem arrastados para lá e para cá, devemos agora começar a controlá-los.

Os órgãos e sentidos são os cavalos que puxam a carroça, e que disparam com ela produzindo doença, sofrimento, etc., arrastando consigo o dono da carroça, e colocando-o em todo tipo de situação difícil. Por isso se aconselha afastar os sentidos dos seus objetivos e sensações rotineiros, fazendo com que eles levem a carroça para onde nós desejamos. Mas mesmo este controle não é suficiente. Ele pode levar a pessoa à hatha ioga.[2]

A próxima etapa é compreender o que significa estar feliz e contente “através do eu superior”. Mais além daquilo que chamamos de “eu”, é possível encontrar a energia, a força e a sabedoria do eu superior, de cuja luz o “eu” que está no corpo é um raio. A real sabedoria do nível superior só pode se manifestar quando o eu inferior se volta para o eu superior.

A tranquilidade no nível dos pensamentos surge quando o coração obedece à vontade, quando o “eu” compreende que não possui coisa alguma e age sem cobiça, egoísmo ou orgulho, tendo abandonado todos os desejos. O desejo ainda surge no coração; mas ele já não afeta mais a pessoa, nem a perturba, porque não é promovido nem apoiado pela mente. Se compreendermos que os desejos, cobiças, etc., nunca podem ser satisfeitos completamente, porque continuam sempre aumentando, veremos a falsidade deles e deixaremos que morram à medida que surgem na mente.

O “eu” que deixa de ser carregado por desejos e emoções pode transformar-se em um instrumento do eu superior. Então ele começa a “aceitar a sabedoria vinda de todas as partes”.

Isso é algo difícil de obter. Parece que um esforço nesta direção terá de ocupar o nosso pensamento e a nossa vontade o tempo todo durante o dia, e talvez durante várias vidas. E é verdade. Mas Krishna nos indica a chave da vitória; confiar no Espírito Supremo, que é ainda maior que o eu superior. Podemos dizer que na verdade isso é ter confiança na Lei. Se considerarmos que todas estas afirmações de Krishna são explicações da Lei, a vida se torna um laboratório onde podemos testar e comprovar o fato de que elas são verdadeiras.

Assim nos tornamos senhores da nossa vida, e cada acontecimento passa a ser um desafio. A vontade sempre reage a um desafio; nem sempre a um “teste”. Fazer frente a um desafio requer esforço, e parece nos levar para além do reino do que é agradável ou desagradável, das emoções e dos sentimentos. Deste modo o desafio se transforma numa competição.

Mas devemos ter cuidado em relação ao orgulho e à autoconfiança, porque confiar em nosso próprio eu inferior é uma coisa, e confiar em nosso eu superior é outra coisa, muito diferente.    


NOTAS:

[1] “The Bhagavad Gita”, William Q. Judge, Theosophy Company, Los Angeles, 1986. (CCA)

[2] Nem toda autodisciplina é espiritual. A Hatha Ioga leva a um controle do eu inferior por parte do próprio eu inferior. A Raja Ioga e a Teosofia ensinam o controle do eu inferior por parte do eu superior, ou alma espiritual. (CCA)

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O texto acima foi publicado pela primeira vez na edição de março de 2003 da revista indiana  “The Theosophical Movement”.

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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