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3 de setembro de 2017

Litoral

Poema Sobre o Mar Físico
e o Oceano da Consciência

Ribeiro Couto




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O escritor e poeta brasileiro Ribeiro Couto
nasceu a 12 de março de 1898 e viveu até 1963.

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À noite, no refúgio que me faço
Num mar de nuvens me descubro imerso,
Digo palavras tontas pelo espaço,
E de cada palavra nasce um verso.

Se um braço estendo, já não é meu braço,
É qualquer coisa solta no universo;
Se me quero mover me despedaço
E em mim mesmo ficando estou disperso.

Surpreso, volto ao natural de em torno:
No quarto claro a luz me acaricia,
Tudo tem sua forma e seu contorno.

Daquele mar noturno enfim liberto,
Deste, na praia ao sol, vem a alegria,
Posso nele saltar de peito aberto.

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O poema “Litoral” é reproduzido da p. 133 do livro “Longe”, de Ribeiro Couto, Ed. Civilização Brasileira, RJ, 1961, 140 páginas. Foi publicado também na edição de março de 2014 de “O Teosofista”, pp. 17-18.  

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11 de março de 2014

Travessia

Para Aquele que Navega no Mar dos
Sonhos, Despertar Pode Parecer Um Naufrágio

Ribeiro Couto 




É a sensação de um barco que naufraga
Este passar do incerto para o certo,
O descobrir do sol quando desperto
E logo a vida que vivi é vaga.

Por onde andei? Que misteriosa plaga?
Muito longe, talvez,  ou muito perto:
Um litoral em névoas encoberto
E um perfil de paisagem que se apaga.

Que fio do real prende esse mundo
Ao mundo que acordado tenho à vista,
Pois que em ambos respiro e me confundo?

Na viagem que à noite recomeço
Já qualquer coisa agora me contrista,
Mas não sei se a partida, ou se o regresso.

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O poema “Travessia” é reproduzido da p. 120 do livro “Longe”, de Ribeiro Couto, Editora Civilização Brasileira, RJ, 1961, 140 pp. O escritor e poeta brasileiro Ribeiro Couto nasceu a 12 de março de 1898, e viveu até 1963.

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