4 de maio de 2015

A Lua Cheia de Maio

Um Diálogo Entre As
Plêiades e a Alma Humana

Carlos Cardoso Aveline


A Lua Cheia do mês de maio é um dos momentos mais marcantes do ciclo anual. Associada a Vaisakh ou Wesak - um mês da tradição hindu e budista - a lua cheia de maio é uma ocasião em que ocorre certo diálogo entre a Lua, a Terra, o Sol e as Plêiades.

É necessário admitir que o evento anual de Vaisakh tem sido amplamente deturpado por gerações de pseudoteosofistas, entre eles Annie Besant e seus clarividentes da ilusão.

Foi fabricada de modo pouco inteligente uma cerimônia ritualista envolvendo falsos mestres de sabedoria. As farsas antropomórficas em torno de Vaisakh foram produzidas pelos videntes da feitiçaria cerimonial que governaram a Sociedade de Adyar entre 1900 e 1934, e cujos discípulos ainda a governam hoje, em seu ciclo inevitável de decadência.

Toda mentira está condenada a imitar a verdade.

Ao desmistificar a ilusão, percebemos os fatos reais. A Lua Cheia de maio é um evento sagrado, em sua dimensão transcendente e celestial.

O diálogo silencioso entre Lua Cheia, Terra, Sol e Plêiades ocorre ao mesmo tempo no céu e no coração de cada ser humano; inclusive na consciência daqueles que buscam a sabedoria universal.

Associada popularmente ao Senhor Buddha, a inspiração impessoal que desce sobre a humanidade quando o Sol está em Touro inclui um contato com a influência oculta dos Sete Rishis. Situados na constelação Ursa Maior, os Rishis estão mitologicamente associados às “Sete Irmãs” ou Plêiades. Helena P. Blavatsky escreve em “A Doutrina Secreta”:

“… São eles, os Sete Rishis, que marcam o tempo e a duração dos acontecimentos em nosso ciclo setenário de vida. Eles são tão misteriosos como as suas supostas esposas, as Plêiades (…).” [1] 

E H. P. B. acrescenta:

“As Plêiades, como se sabe, são as sete estrelas situadas no limite de Touro, que aparecem no começo da primavera [do hemisfério Norte]. Elas têm um significado bastante oculto na filosofia esotérica do hinduísmo, e estão ligadas ao som e outros princípios místicos da Natureza.” [2]

As “sete irmãs” cumprem um papel decisivo no Universo, tal como é visto desde o nosso pequeno planeta:

“… As Plêiades ocupam o centro da simbologia sideral. Estão situadas no pescoço da constelação de Touro, e são consideradas por Mädler e outros, em astronomia, como o grupo central do sistema da Via Láctea. Na Cabala e no esoterismo do Oriente, elas são vistas como os sete princípios siderais, nascidos do primeiro lado manifestado do triângulo superior, o [triângulo] oculto. Este lado manifestado é Touro (...). As Plêiades (e especialmente Alcione) são, assim, consideradas, inclusive em astronomia, como o ponto central em torno do qual gira o nosso Universo de estrelas fixas. São o foco desde o qual e para o qual a respiração divina, o MOVIMENTO, trabalha incessantemente...”. [3] 

Sob o signo de Touro, a lua cheia de abril-maio promove um diálogo entre as Plêiades sagradas e a alma humana. É um momento especial para meditar: nele flui uma inspiração transcendente e sem palavras. Constitui uma ocasião para deixar de lado toda pressa ou distorção dos fatos da vida, e para permitir que os conteúdos mentais e emocionais se reorganizem espontaneamente a partir de uma nova e profunda onda de paz incondicional.

É apropriado dormir mais tempo em torno do plenilúnio de maio, e abrir espaço na agenda para práticas meditativas que não exijam esforço.

Cabe viver um “recolhimento não declarado” nestes dois ou três dias, e adotar uma atitude meditativa que não necessita ser formalizada como tal. O fluir da energia superior transcende todo esforço por catalogá-lo ou classificá-lo. Vale a pena dizer silenciosamente a nós próprios e aos outros:

Om, shanti, paz a todos.


NOTAS:

[1] “The Secret Doctrine”, Helena P. Blavatsky, Theosophy Company, Los Angeles, vol. II, p. 549.

[2] “The Secret Doctrine”, Helena P. Blavatsky, vol. I, p. 648, nota ao pé da página. 

[3] “The Secret Doctrine”, vol. II, página 551.


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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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