24 de abril de 2019

Ideias ao Longo do Caminho - 21

Quando a Mente se Eleva,
a Alma Alcança o Equilíbrio

Carlos Cardoso Aveline


                                                                                                                                 

* É errado pensar que “tudo é impermanente”. A mudança exterior, por exemplo, é eterna. As leis fundamentais da Natureza são permanentes. A sucessão de ciclos é estavelmente real, assim como o Oceano do Universo.

* A filosofia esotérica afirma que é preciso levar em conta a constante mudança das marés nos diversos níveis do mar da existência. A autodisciplina deve ser principalmente interna e independente das mutáveis circunstâncias externas. Deste modo ela permanece transcendente, flexível, e não pode ser facilmente quebrada. A boa autodisciplina é rígida nos fatores essenciais, e adaptável nos fatores secundários.

* Com frequência ocorre que indivíduos aparentemente espertos enganam a si próprios ao pensar que podem obter vantagens pessoais duradouras através de várias formas de falsidade. A ilusão ocorre porque, sendo eticamente insensíveis e espiritualmente cegos, eles ignoram a lei do carma. Como resultado disso, só conseguem ver os fatos do curto prazo.

* Os resultados iniciais da desonestidade podem ser agradáveis. Quando o carma amadurece o suficiente, porém, os mentirosos compreendem finalmente que não há razão para eles comemorarem suas tentativas fraudulentas de serem “muito espertos”.

* Não há razão para pensar que uma criança não pode compreender os conceitos básicos de teosofia. A lei do carma e a ideia de reencarnação, por exemplo, podem ser compreendidas por pessoas de qualquer idade, assim como o princípio universal do respeito por todos. O velho deve estar tão disposto a aprender quanto uma criança, ou mais.

* A lei da simetria expressa a lei do carma. Devido à ação infalível desta lei, um passo adiante só pode ser dado quando o peregrino está disposto a aceitar o grau correspondente de sacrifício. Embora os sacrifícios sejam com frequência extremamente dolorosos, eles são apenas aspectos desagradáveis do desapego, que em si mesmo é uma fonte de contentamento e de destruição da ignorância. Menos é mais: a simplicidade voluntária abre o caminho para a bem-aventurança.

* Uma absoluta justiça é inevitável: a lei do carma não aceita suborno. Ela não faz favores em troca de orações, rituais ou arrependimento verbal. Nenhum salvador externo protegerá qualquer pessoa das consequências das suas ações. Cada um deve, portanto, examinar o seu próprio grau de lealdade à ética e ao que é verdadeiro. As ações eticamente corretas têm consequências, e os pensamentos generosos cedo ou tarde frutificam.

* O desperdício de energia cria mais fumaça do que fogo ou luz. Economizar as forças vitais é parte da sabedoria, porque a tarefa do peregrino não inclui intensificar os aspectos “febris” da peregrinação. Em cada ponto carmicamente crítico da jornada, eles irão intensificar-se por si mesmos.

* Uma visão de longo prazo e o compromisso incondicional com a meta tornam possível um nível crescente de eficiência energética. O esforço intenso é fundamental, mas ele deve ser feito na direção correta.

* Todos desejam ter uma vida cujos alicerces sejam firmes, e cujas raízes estejam em solo permanente. Poucos parecem compreender que tais raízes e alicerces só podem ser duráveis quando estão situados na consciência celestial do eu superior de cada um. A verdadeira Árvore da Vida tem como solo o céu infinito.

* Quando estamos na presença do que é divino, há uma paz interior, ainda que ao mesmo tempo a batalha seja intensa. Se o peregrino se sente emocionalmente desconfortável, deve resgatar a presença interna do sagrado. Uma vida correta é um processo probatório que ocorre enquanto o peregrino se mantém em harmonia com a sua consciência.

* O significado da expressão “a voz do silêncio” é simples. Quando há silêncio em algum plano de percepção, os sons mais sutis podem ser escutados. Quem pára de fazer barulho para si mesmo se torna capaz de ouvir o som dos reinos superiores.

* A roda da vida inclui círculos cármicos de pensamentos, emoções e ações. Ideias, sentimentos e gestos nobres estão perto do eixo da roda, a Mônada, o eu superior, Atma. A vida inferior gravita em torno da periferia da Roda, representada pelo mundo físico. À medida que a mente do peregrino se eleva, a geometria da sua alma passa por uma mudança fundamental: o foco da consciência se afasta dos níveis barulhentos da roda. Ele se aproxima do centro estável e sintoniza com o eixo da alma, que é feito de paz. Deste ponto o peregrino pode facilmente ver a unidade da vida inteira.

* A lei do Carma se expressa através da lei dos ciclos. Embora todas as ocasiões sejam boas para plantar sementes adequadas, a germinação delas e a colheita dos seus frutos terão de acontecer no tempo correto, e não quando se poderia desejar desde um ponto de vista pessoal.
As decisões quanto ao que plantar e como plantar devem levar em conta o momento cíclico em que o plantio ocorre; e também o solo ou situação cármica em que isso é feito. Quando chega o momento do trabalho de colheita, é preciso lembrar que a tarefa deve ser realizada com calma e cuidado, porque a colheita normalmente contém as sementes a serem usadas na próxima estação de plantio.

* Ao desenvolver um ponto de vista independente para olhar a realidade, podemos prestar verdadeira atenção aos objetos e acontecimentos.

* O apego fecha os olhos do indivíduo, impedindo-o de observar o fluxo livre da vida e reduzindo a sua capacidade de aprender.

* Devemos adquirir um sistema estável de referências para olhar para a vida. O marco referencial deve ser durável. No entanto, aquilo que vemos com ajuda da teosofia ética irá mudar o tempo todo, porque a vida tem o seu próprio dinamismo e não está programada para obedecer às expectativas de ninguém.

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O artigo acima foi publicado como texto independente em 24 de abril de 2019. Uma versão inicial e anônima dele está incluída na edição de maio de 2016 de “O Teosofista”, pp. 17-19.  

Embora o título “Ideias ao Longo do Caminho” corresponda ao título em língua inglesa “Thoughts Along the Road”, do mesmo autor, não há uma identidade exata entre os conteúdos das duas coletâneas de pensamentos.

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