31 de dezembro de 2014

Decisões Para o Ano Novo

O Modo Certo de Reiniciar um Ciclo da Vida

Robert Crosbie



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Nota Editorial:

O artigo a seguir é traduzido do volume
The Friendly Philosopher”, de Robert
Crosbie, Theosophy Company, Los Angeles,
1945, 415 pp., pp. 310-314. O texto conclui
mencionando o fato de que, segundo os
Mestres de Sabedoria,  a humanidade em seu
conjunto é a grande órfã, já que poucos
indivíduos pensam no bem dela como um todo.
Muitos sofrem de grave ignorância espiritual e
pensam apenas em si mesmos isoladamente.
Acrescentamos duas notas explicativas.  

(Carlos Cardoso Aveline)

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“... A nossa vontade opera na verdade
em todas as partes da nossa vida física, embora
talvez não possamos perceber e compreender o processo.”



Todos indubitavelmente já tomaram decisões alguma vez na época do Ano Novo, e todos, sem dúvida, já falharam ao tentar cumpri-las. Deve haver alguma razão para as nossas falhas, assim como para o fato de que em certa época do ano temos uma inclinação a tomar decisões.

Estas razões estão ocultas nas profundezas do nosso próprio ser.

Talvez, sem que saibamos, nós tenhamos uma percepção natural da lei oculta ao olharmos para este período específico do ano. Os antigos celebravam o chamado “nascimento do Sol”, ou o retorno do Sol, que começa - no hemisfério norte do planeta - dia 21 de dezembro. [1] Eles sabiam que todas as forças ocultas da natureza têm uma tendência a crescer e a elevar-se a partir do retorno do Sol. Quando os raios solares ficam mais quentes e mais fortes, todas as outras forças que acompanham o Sol e que estão presentes em nós se fortalecem em nosso interior. [2] Na onda crescente de renovação psíquica e espiritual, tudo o que desejamos fazer ganha  um impulso maior do que nas outras épocas do ano.

A razão para o fracasso em nossas decisões pessoais está no fato de que não entendemos nossa própria natureza. Consequentemente, não somos capazes de usar a força e a influência que há em nosso interior, do ponto de vista físico, e nos parece difícil cumprir decisões de qualquer tipo. Nosso primeiro erro é tomar decisões negativas. Nós dizemos: “não vou mais ingerir bebidas alcoólicas”, “não vou mais mentir”, “não vou mais fazer isso ou aquilo”.  Mas a decisão certa a tomar é - “eu vou fazer isso ou aquilo” - indo além da situação atual.

Neste caso fazemos uma afirmação direta da vontade, enquanto na outra forma adotamos uma posição apenas negativa.  Talvez tenhamos pensado, em relação aos outros ou a nós mesmos, que não fazer uma série de ações questionáveis é suficiente para ser “bons”. Nesta situação, na verdade, apenas não seremos maus. É uma posição negativa.  Mas a verdadeira bondade é uma posição positiva.

Para colocar em prática nossas decisões em relação ao novo ano, devemos evocar a vontade do ser humano, porque a vontade não pode ser bloqueada por qualquer forma de obstáculo. No entanto, aqui não estamos usando a palavra “vontade” no sentido convencional. Temos a tendência a pensar que uma pessoa muito determinada na busca dos seus próprios objetivos possui “uma vontade forte” e é muito definida em seu caráter, mas este tipo de pessoa mostra apenas uma forma de vontade.  Este tipo de indivíduo tem desejos muito fortes, e é guiado por eles, mas não possui Vontade.

Há muitos aspectos da Vontade. Alguns deles são difíceis de reconhecer. O próprio desejo de viver é um aspecto sutil da Vontade. Se o desejo de viver não estivesse presente, não viveríamos. Não é o corpo físico que nos mantém aqui, mas o desejo de viver. Atrás da Vontade, há sempre o Desejo. De algum modo, cada um dos órgãos e processos corporais do ser humano tomou forma através de um esforço consciente.  Até o processo de digerir,  o processo de assimilar, o esforço das batidas do coração e as várias qualidades e funções de todos os órgãos foram produzidos como resultado de esforços conscientes. Hoje temos órgãos que trabalham automaticamente, enquanto focamos nossa consciência, nossa percepção e atenção em outras direções.  Deste modo, a nossa vontade opera na verdade em todas as partes da nossa vida física, embora talvez não possamos perceber e compreender o processo.  Há também uma fase mental da vontade que deve ser cultivada através da prática: a atenção fixa, ou concentração em determinada direção, de modo a produzir certos resultados desejados.

A real e verdadeira Vontade é conhecida como Vontade Espiritual. Ela voa como a luz e corta todos os obstáculos tal como uma espada afiada. É esta Vontade, surgindo da mais elevada parte espiritual da nossa natureza, que faz com que o ser humano seja um processo de evolução. A evolução avança de dentro para fora, através de todos os tipos de substâncias,  e continua a produzir instrumentos neste estado material. Todos os poderes que existem ou que podem existir - ainda que expressos precariamente - estão presentes, em potencial, no plano espiritual da natureza. Nós aproveitamos nossa natureza espiritual em uma pequena medida porque a maior parte de nós tem suas ideias tão presas à existência material que enxerga a vida como se ela fosse apenas a existência material. 

Houve um tempo em que tínhamos consciência da nossa natureza espiritual. À medida que fomos descendo através dos planos da matéria até a condição de hoje, fizemos um progresso intelectual às custas da  percepção espiritual. Com nosso intelecto, sempre raciocinamos desde as premissas até as conclusões, enquanto que a natureza espiritual tem o poder de conhecer diretamente a natureza de qualquer coisa que seja observada. Assim, nosso ganho intelectual ocorreu ao lado da perda da percepção espiritual, e é inútil que a teologia, a ciência e a psicologia tentem avançar desde as percepções físicas e pessoais para obter uma compreensão do que o ser humano é na realidade: segundo tais campos de conhecimento, as causas psicológicas são apenas reflexos das ideias físicas. Na realidade, para compreender a nós mesmos, devemos começar desde o ponto mais alto da nossa natureza, reconhecendo em primeiro lugar que tal ponto existe, e em seguida mantendo a força de tal reconhecimento. Começamos a ver a luz através da própria afirmação da natureza espiritual.

Tal como estamos hoje, sempre usamos nossa vontade ao longo da linha dos nossos desejos e daquilo que gostamos e não gostamos, pensando erradamente que esta é uma base adequada para o pensamento e a ação. O realmente necessário é um alicerce verdadeiro para o nosso pensamento.

Devemos eliminar a falsa ideia de que se somos criaturas fracas, que tendem ao erro e possuem todas as falhas dos nossos pais e avós, isso ocorre porque nascemos assim.

É necessário destruir a ilusão mental de um criador externo. Devemos entender o propósito da vida e compreender que somos o produto de muitas das nossas próprias vidas anteriores.

Devemos reconhecer que a evolução ocorre de acordo com a lei.  A lei reúne em si verdade e compaixão, e opera por toda parte. É porque esta lei funciona em um ciclo sempre renovado que nós tomamos decisões para o Ano Novo.  Podemos colocar na prática estas decisões, se compreendermos e usarmos a lei da repetição cíclica. (....)

Algumas Decisões a Tomar

Devemos, portanto, tomar uma grande decisão. Devemos decidir que buscaremos o conhecimento, e que pensaremos e agiremos corretamente.

Devemos decidir que obteremos algo daquele conhecimento que sempre existiu; o conhecimento de que o ser humano permanece sendo um ser espiritual através de todas as flutuações do reino da matéria.

À medida que confiamos cada vez mais no Eu superior, começamos a expressar e usar o poder que nós já temos; e este poder é muito maior do que imaginamos.

Podemos ajudar a nós mesmos colocando em prática as sugestões contidas nos ensinamentos teosóficos. Elas são sugestões dos Mestres.  Assim, à medida que o poder estabilizador da vontade é mantido ao longo da linha em que desejamos agir, surge uma ajuda mais direta dos Irmãos Mais Velhos da nossa humanidade. A cada momento do dia e do ano, eles estão dispostos a encontrar aqueles que tiverem uma visão suficientemente clara para ver o seu verdadeiro destino, e que tiverem um coração suficientemente nobre para trabalhar pela grande órfã, a humanidade.


NOTAS:

[1] No hemisfério norte, a época do Natal marca a retomada de força por parte do Sol, após o período mais forte do inverno. No hemisfério sul, por outro lado, o período de 21 a 25 de dezembro corresponde ao momento em que a luz do sol, depois de chegar ao seu auge, passa lentamente a perder força, preparando o outono e o inverno. Há uma simetria entre os hemisférios norte e sul do planeta. Com o decréscimo cíclico da luz física, que começa na época de Natal no hemisfério Sul, a vida passa a se recolher. Este recolhimento abre espaço para a luz sutil da alma imortal - o sol interior.  

[2] Além do ciclo solar, há o fator numerológico. Segundo a teosofia, os números têm poder oculto.  Os primeiros dias do primeiro mês do ano possuem o dom de inaugurar tendências que abrirão caminho e durarão, potencialmente, por todo o ciclo de doze meses.

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


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