10 de junho de 2017

O Que a Teosofia Ensina

A Lei de Eterna Justiça

Aleixo Alves de Souza

Um encadeamento matemático perfeito entrelaça e harmoniza a Vida



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Nota Editorial de 2017:

O lúcido artigo a seguir é reproduzido da revista
O Teosofista” de julho-agosto de 1942, páginas
90 a 92. Aleixo Alves de Souza era na época o
presidente da Sociedade Teosófica de Adyar no Brasil.

Imperfeito como todo ser humano, Aleixo
participou das ilusões ritualistas e pseudoesotéricas de
Annie Besant. Teve erros e acertos. Suas qualidades positivas
são inegáveis, e foi um dos principais teosofistas brasileiros
do século 20. É autor de vários livros, entre os quais  estão
Contos e Narrativas” e “Os Grandes Ideais da Humanidade”.

 (Carlos Cardoso Aveline)

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Vivemos em um mundo onde impera a Ordem. A desordem aparente quase sempre é implantada pelos homens, porém essa mesma representa o caos que precede a seleção e o conhecimento, que são o fruto direto da evolução da Vida através da Forma.

A maior das descobertas da Ciência é a de que o mundo é regido por leis; leis imutáveis e exatas em sua expressão e que devem ser a resultante imediata da Ordem Cósmica que preside a manifestação e a evolução da Vida. Os fenômenos estudados em todos os terrenos da investigação e da experimentação levam à conclusão de que a sua invariabilidade sob dadas circunstâncias constitui a maior garantia para o ser humano que experimenta, investiga, observa e estuda.

A Ciência moderna, porém, quase que se detém por completo no limiar do pórtico que dos mundos da matéria conduz aos do espírito. E detém-se com medo de que lhe falte o terreno sob os pés e tombe no abismo das conjecturas.

Analisando, porém, as coisas com algum cuidado, verificamos que o edifício científico dos nossos dias repousa quase que inteiramente sobre meras hipóteses, brilhantíssimas, racionais, perfeitamente capazes de servirem de chaves para explicar os mais compreensíveis fenômenos da natureza porém… hipóteses. Tais são a teoria atômica e a molecular hoje tão aprofundadas, porém que, em face dos ensinamentos da Teosofia não tocam senão externamente a verdadeira constituição da matéria e a real estrutura do Universo. Tais são também a hipótese geológica da origem da terra e a de sua verdadeira condição interior. Tudo se passa, entretanto, no Universo, como se as leis e hipóteses investigadas pela Ciência fossem positivas e reais. Mas sê-lo-ão?

A Teosofia diz que sim. E dizendo que sim, vai mais além, afirmando que não existem apenas as leis físicas que regem o mundo físico, e que existem também grandes leis morais que regem o mundo moral, leis intelectuais que regem os fenômenos mentais e leis espirituais que governam a manifestação do Espírito através da Matéria, sendo que matéria e espírito são, tanto um como a outra, em sua raiz ou essência última [1], um mistério completo.

Dentre as leis que regem a manifestação de Vida subjetiva - se assim quisermos chamar à Vida Interior do homem, independente ou quase das funções vegetativas da vida corporal - uma há que recebeu um nome hoje consagrado pela terminologia mundial teosófica: a Lei de Carma ou de Ação e Reação. Esta Lei, que pode ser chamada com razão Lei fundamental da manifestação da Vida e de sua expressão nos três mundos Mental, Emocional e Físico, é a que se expressa em relação a cada homem sob o aspecto de destino ou predestinação individual.

É uma lei complexa que parece como que o traço de união, a argamassa que liga todos os seres e coisas do Universo, a trama invisível que encadeia os acontecimentos, palavras, atos, pensamentos e sentimentos de todos os seres do Universo. Encadeia essas coisas, porque cada pensamento origina um novo pensamento; cada emoção uma nova emoção; cada desejo um novo desejo; cada palavra uma nova palavra, cada ato um novo ato, cada acontecimento um novo acontecimento, cada situação uma nova situação, e isto obedecendo a uma ordem transcendentemente lógica e perfeita, embora nem sempre ao alcance do homem vulgar.

Em virtude desta Lei, sábia e resumidamente expressa pelo Apóstolo Paulo, “cada um colhe o que semeia”, seja individual, seja coletivamente, pois existe o Carma coletivo e o Carma individual, que caraterizam: o primeiro as raças, as nações, os povos, as sociedades, as famílias, etc., e o segundo o caráter individual e as individuais qualidades, idiossincrasias e atributos de cada indivíduo.

“Não se colhem figos nos espinheiros nem uvas nas silvas”, disse o Cristo. “Pelo fruto se conhece a árvore” - é uma expressão da linha cármica individual. E estas outras palavras do mesmo grande Instrutor caracterizam outro aspecto do Carma como Imanência Divina: “Nem um cabelo de vossa cabeça cairá sem que o Pai saiba.”

Outro grande Instrutor, Gautama o Buddha, ou Sakia Muni, afirmou no Dhammapada, título de uma escritura que quer dizer “Caminho da Lei”:

“As coisas brotam do coração e o coração as determina; aquele que fala ou age com mau coração, a dor o acompanha como a roda acompanha o pé do animal que a arrasta. Porém o homem que fala ou age com bom coração, a felicidade o acompanha como a própria sombra.”

Eis aí uma belíssima expressão figurada da atuação da Lei do Carma na vida dos indivíduos.

Lei que encadeia os efeitos às causas será sem dúvida a sua expressão mais filosófica.

Porém, o que convém manter presente é que este encadeamento é matemático, perfeito, é um reajuste exato que entrelaça a Vida e dá a cada ser exatamente o que precisa e o que merece para evoluir, que tal é a finalidade da existência, pois o Plano de Deus [2] é a Evolução.

NOTAS:

[1] No original, “ulterrita”. (CCA)

[2] “Deus”, em teosofia, é a lei universal impessoal. (CCA)

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


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