5 de novembro de 2017

Poema: Nós

A Existência Repartida Por Duas Almas

José Júlio da Silva Ramos




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Nota Editorial de 2017:

José Júlio da Silva Ramos foi bacharel em
direito pela Universidade de Coimbra. Nascido
a 6 de março de 1853 em Recife, foi professor de
humanidades, morando na cidade do Rio de Janeiro.

O poema a seguir é reproduzido da obra
“Sonetos Brasileiros”, coletânea organizada por
Laudelino Freire, Officina Polytechnegraphica
de M. Orosco & C., Rio de Janeiro, 1904, 328
páginas, ver p. 101. A ortografia foi atualizada.

(Carlos Cardoso Aveline)

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Nós

Eu e tu: a existência repartida
Por duas almas; duas almas numa
Só existência. Tu e eu: a vida
De duas vidas que uma só resuma.

Vida de dois em cada um vivida,
Vida de um só vivida em dois; em suma,
A essência unida à essência, sem que alguma
Perca o ser una, sendo à outra unida.

Duplo egoísmo altruísta, a cujo enleio
No próprio coração cada qual sente
A chama que em si nutre o incêndio alheio.

Ó mistério do amor omnipotente…
Que eternamente eu viva no teu seio
E vivas no meu seio eternamente.


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Leia também “Poema: A Lágrima”, de Carmen Freire, publicado em nossos websites associados. José Júlio da Silva Ramos e Carmen Freire nasceram sob o signo de Peixes. Estes dois poemas expressam aspectos do amor místico associado a Netuno, o planeta regente dos piscianos, que inspira junto à humanidade o amor universal e a renúncia a vitórias mundanas.

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