15 de março de 2026

Notas Sobre Reencarnação e Filosofia

 
No Brasil dos Anos 1840, Um Pioneiro
da Teosofia Reflete Sobre a Vida Universal
  
Marquês de Maricá




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Os pensamentos reproduzidos a seguir fazem parte da obra
Máximas, Pensamentos e Reflexões”, do Marquês de Maricá,
na edição dirigida e anotada por Sousa da Silveira, Ministério da
Educação e Cultura, Rio de Janeiro, 1958, 503 páginas. O número
de cada máxima e a sua página estão indicados entre parênteses.

Nascido no Rio de Janeiro dia 18 de maio de 1773, Mariano José
Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá, viveu até 16 de setembro
de 1848 e é um dos grandes pensadores teosóficos do Brasil. Sua obra é
pioneira: tem semelhanças notáveis com a filosofia de Helena Blavatsky,
mas foi escrita décadas antes da fundação do movimento teosófico.  

(Carlos Cardoso Aveline)

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* Um casulo é o túmulo de uma lagarta e o berço de uma borboleta; também a morte para o homem é o princípio de uma nova e melhor vida. (Máxima 782, p. 86)

* Sem a crença em uma vida futura, a presente seria inexplicável. (Máxima 927, p. 98)

* A vida tem um valor sem par para os que a sabem gozar e apreciar. (Máxima 2128, p. 210)

* A vida e a morte, o bem e o mal, ambos se balançam e harmonizam para a renovação, conservação e perpetuidade deste mundo planetário. (Máxima 2153, p. 213)

* A morte é tão misteriosa como a vida, esta porque principia, aquela porque a termina. (Máxima 3145, p. 328)

* Vida e composição, morte e destruição: eis o quadro resumido deste mundo. (Máxima 3146, p. 328)

* Deus se figura e individualiza de algum modo na natureza objetiva e fenomênica, sendo a sua substância aliás eterna, imensa e ilimitada por sua essência misteriosa e incompreensível. (Máxima 3147, p. 328)

* De que nos serviria uma nova vida se o nosso espírito não conservasse na memória o cabedal de ideias e conhecimentos que adquiriu na primeira? Se a acumulação progressiva de ciência nos variados mundos que temos de habitar, em variados e respectivos corpos, não promovesse a nossa felicidade, tornando-nos menos passíveis, e aumentando a soma dos prazeres sensoriais e intelectuais pelo progresso da nossa inteligência? Uma felicidade progressiva e sem fim por um progresso ilimitado de ciência e inteligência como o estudo, fruição e admiração das obras divinas: eis aqui a destinação do homem na sua existência multiforme no universo e por toda a eternidade. (Máxima 3148, p. 328)

* Ninguém receia tanto a morte como o sábio, admirador constante do espetáculo maravilhoso do universo, e comensal refletido no banquete universal da natureza: ele deplora a sua condição mortal pela privação de tão grandes bens, quando se achava mais habilitado para melhor os avaliar e admirar. Ainda que a ideia de uma outra vida o console e lhe dê esperança, ele sabe todavia o que perde, e ignora o que tem de ganhar em uma revolução de existência tão estranha como incompreensível; porém no meio das suas dúvidas e receios, reconhecendo a infinita bondade de Deus que a natureza apregoa e ele tem experimentado no progresso da sua vida, resignado e reconhecido, se entrega à sua divina providência, confiando a ela o melhoramento progressivo da sua sorte futura e eterna. (Máxima 3150, pp. 328-329)

* Dei ao mundo o sumo da minha vida; a minha alma é de Deus: o bagaço do meu corpo pertence à terra. (Máxima 3151, p. 329)

* A Eternidade compreende o tempo, a imensidade, o espaço. Deus compreende tudo - a Eternidade e Imensidade. (Máxima 3152, p. 329)

Nossa Vida se Prolonga pela Eternidade,
Com Variados Corpos em Inumeráveis Mundos

* As noções do infinito, eternidade e intensidade, da imortalidade da alma e de uma vida futura com as transcendentes da infinita sabedoria, poder e bondade de Deus, autor e Criador de tudo, provam demonstrativamente que a nossa vida não se limita à curta existência neste mundo, mas que terá de prolongar-se pela eternidade com variados corpos em inumeráveis mundos, crescendo a nossa inteligência progressivamente em ciência, virtude, amor, gratidão e admiração de Deus, e consequentemente em uma bem-aventurança tal que não é possível qualificar nem compreender. A inteligência humana é muito superior e transcendente à vida animal e temporária deste mundo terreal, e portanto nos anuncia altos e sublimes destinos depois dele em muitos outros [mundos] subsequentes e inumeráveis. (Máxima 3134, pp. 325-326)

* O material e o sensorial é o invólucro ou estojo do racional e espiritual: o espírito é a substância ativa e inteligente, o corpo, o instrumento ou maquinismo executor e condutor da sua ação e inteligência. (Máxima 3135, p. 326)

* Este mundo tem relações com o sistema solar de que faz parte e este com o sistema universal da criação, o que nos impossibilita de explicar inumeráveis fenômenos do nosso globo, que sem a nossa ignorância muito profunda seriam explicados com admiração da divina sabedoria que os ordenou e coordenou na formação do universo. (Máxima 3137, p. 326)

* Os homens parecem envergonhar-se dizendo que ignoram, e contudo a declaração ingênua da sua ignorância muito contribuiria para fazer avultar o seu pouco saber, inculcando a sua superior inteligência pelo conhecimento da sua mais ampla ignorância. (Máxima 3140, 327)

* Ainda que antigo pela sua existência, o mundo é sempre novo pelas suas produções animais e vegetais, as quais vão aparecendo sucessivamente com variedade e novidade. As gerações futuras hão de ver gêneros e espécies que nos são desconhecidas presentemente. (Máxima 3144, pp. 327-328)

* Verdades há como as estrelas, que só se avistam nos céus. (Máxima 3159, p. 330)

* Conhecemos a vida presente, fantasiamos a futura. (Máxima 3162, p. 330)

* O pouco que sabemos nos anuncia o imenso que ignoramos (Máxima 3164, p. 330)

A Presença Divina em Todo o Universo 

* Para bem geral dos homens é necessário que eles estejam convencidos desta grande verdade, que Deus está presente em tudo, que conhece os nossos pensamentos e intenções mais secretas com os motivos das nossas ações, e que pela ordem física e moral nos premia ou castiga conforme a bondade ou malignidade dos nossos atos. (Máxima 2949, p. 300)

* Há em nós duas individualidades, uma corporal e outra intelectual; esta se distingue amplamente daquela, quando sonhamos dormindo: este dualismo foi reconhecido em todos os tempos pelo gênero humano. (Máxima 2950, p. 301)

* Os nossos corpos variam com os anos, moléstias e idades: a identidade do nosso ser existe somente nessa unidade misteriosa a que chamamos alma. (Máxima 2951, p. 301)

* Deus é a vida eterna que se difunde sem desfalcar-se nem exaurir-se pela imensidade do espaço, vivifica e animaliza o universo, os mundos e todas as criaturas que neles se criam e reproduzem, desde as mais volumosas até os animais infusórios e microscópicos, e os átomos infinitésimos vivos de que se compõe o todo imenso da criação. (Máxima 2952, p. 301)

* Os sábios tornam-se insociáveis não por mau humor, mas por bondade e prudência; não querem ofender disputando em companhias com homens pouco inteligentes ou ignorantes, que presumem saber muito e não os podem compreender. (Máxima 2956, p. 301)

Reencarnação e Imortalidade 

* Há em nós uma substância imortal e indestrutível, ela constitui o fundo essencial de toda a fábrica fenomênica dos nossos corpos. (Máxima 2974, p. 304)

* A felicidade sensorial não pode ser progressiva; a moral, intelectual e religiosa, é ilimitada. (Máxima 3108, p. 322)

* Se não fôssemos ignorantes, seríamos impassíveis e imortais; a ignorância é a origem principal de todos os nossos males, convém portanto reduzi-la quando é possível a fim de que gozemos mais e soframos menos, o que se consegue com a cultura da razão, inteligência, pelo estudo e observação da natureza. (Máxima 2977, p. 304)

* Quando Deus nos fez surgir da eternidade, dando-nos o ser, contraiu conosco uma dívida de felicidade, que tem solvido na vida presente e há de solver nas subsequentes pela sua paternidade criadora e bondade ilimitada. (Máxima 2982, p. 305)

* A nossa existência apenas começada neste mundo tem o seu progressivo desenvolvimento por inumeráveis mundos e vidas na imensidade do espaço e eternidade dos tempos, aproximando-se à perfeição divina sem jamais poder alcançá-la por ser infinita e incomensurável no ser eterno, criador e regedor do universo. (Máxima 2983, p. 305)

* Há uma trindade de atributos essenciais na divindade, infinita sabedoria, infinito poder e infinita bondade: a sabedoria concebe, o poder executa, a bondade vivifica e felicita. (Máxima 2984, p. 305)

* No sistema concreto e material do universo não há vida sem corpo, nem morte sem a sua desorganização essencial. (Máxima 2994, p. 307)

* Não é sábio quem não é justo: a sabedoria é a excelência moral reunida à intelectual. (Máxima 3001, p. 307)

* Os homens vivem pelo seu pouco saber; a sua inteligência é proporcionada à organização material dos seus corpos: uma ciência muito superior às suas forças orgânicas os faria enfermar, enlouquecer e morrer. (Máxima 3002, p. 307)

* Ignorância e morte são condições essenciais da natureza humana: sem a primeira seriam os homens impassíveis e imortais; a segunda demonstra evidentemente a sua impotente e insignificante sapiência. (Máxima 3004, p. 308)

* Os homens terão chegado ao maior grau de inteligência quando souberem definir exatamente os dois vocábulos monossílabos e abstratos - bem e mal - com todas as relações que neles se compreendem. (Máxima 3011, p. 308)

* A ciência humana é coisa muito pouca neste orbe planetário, mas prelúdio de outra progressiva em inumeráveis mundos que os nossos espíritos guarnecidos de corpos correspondentes aos seus diversos sistemas e relações têm de habitar, conhecer, gozar e admirar eternamente. (Máxima 3013, p. 309)

* O infinito máximo compõe-se dos infinitos mínimos: ambos constituem o imenso universo, que Deus criou, anima, vivifica, em que se revelam, simbolizam e figuram os seus divinos atributos de infinita sabedoria, poder, bondade, justiça e providência. (Máxima 4056, p. 424)

A Reencarnação Faz Parte da Lei do Cosmo  

* “Vires acquirit eundo” [“Ganha força à medida que avança”], diz-se de um rio. Outro tanto se pode dizer dos espíritos, na sua eterna viagem por mundos inumeráveis, com variados corpos adaptados a seus diversos sistemas. (Máxima 4074, pp. 425-426)

* Como as baleias nos vastos oceanos da Terra, são os astros e os mundos viventes criaturas que se movem pelo oceano imenso do éter celestial. (Máxima 4089, p. 427)

* Tudo no universo é movimento e ação. Toda a alteração ou mudança ocasiona um fenômeno ou produto novo. Pode portanto dizer-se que tudo, com variedade e novidade, se remoça na criação universal. Tal é a sabedoria infinita do supremo ente, criador de tudo. (Máxima 4095, p. 428)

* Que capacidade imensa a da mente divina, compreendendo o ideal de tudo o que existiu, existe e há de existir por toda a eternidade, no espaço infinito e no tempo ilimitado da criação universal! (Máxima 4188, p. 438)

A Morte Como Transcendência

* A morte, que na opinião dos ímpios é extinção, para o homem religioso é promoção. (Máxima 1053, p. 109)

* A filosofia do panteísmo resume tudo em Deus e deriva tudo de Deus: no primeiro caso, pelo idealismo; no segundo, pelo realismo. (Máxima 4160, p. 435)

* O nosso corpo é o telégrafo da nossa alma; significa [ou seja, expressa] exteriormente o que ela sente, pensa e quer. São numerosos os modos desta significação [expressão]; mas o principal é a palavra. (Máxima 4161, p. 435)

Nada no Universo Ocorre por Acaso

* Tudo está relacionado e coordenado neste mundo, os efeitos com as causas, os consequentes com os antecedentes, os fins com os meios; nada é fortuito, vago e sem razão suficiente da sua existência, o que demonstra a sabedoria infinita com que tudo foi feito, existe, e tem de proceder na extensão do espaço e sucessão dos tempos. (Máxima 3062, p. 315)

* De que nos serviria a outra vida se o nosso espírito não conservasse o cabedal de ideias e conhecimentos que adquiriu na primeira, e perdesse a memória da sua identidade individual e intelectual! (Máxima 3063, p. 315)

* O panteísmo ou infinito deísmo universal bem entendido é talvez o ultimatum da mais alta filosofia racional e religiosa. (Máxima 3065, p. 315)

* Tudo está vitalizado e figurado no universo, um átomo infinitésimo não existe sem uma vida e figura especial, que o constitui agente e paciente no sistema universal. (Máxima 3070, p. 316)

* Homens há tão ambiciosos de riqueza como outros de ciência; estes têm a vantagem, pressuposta uma outra vida, de levar e aproveitar o seu cabedal; aqueles, pelo contrário, perdem necessariamente os seus capitais, sendo forçados a deixá-los pela morte. (Máxima 3831, p. 397)

* Acordados ou dormindo sempre pensamos, mas não sentimos do mesmo modo; o espírito sendo o mesmo, o corpo é diverso nos dois estados. (Máxima 3861, p. 403)

* Átomos viventes colocados em pontos diversos do espaço imenso, julgamo-nos imperceptíveis e indignos da atenção, providência e beneficência divina: tal opinião é um erro grosseiro, produto da nossa ignorância e irreflexão. Deus pela sua imensidade e incompreensível natureza ocupa o espaço infinito, anima e vivifica toda a criação, e se é lícito assim dizê-lo, é sensível em todo o universo, em todas as suas partes máximas e mínimas e átomos infinitésimos, e portanto está presente a tudo, vela sobre tudo, e nenhum vivente, por mais diminuto que seja, está fora da sua providência benéfica, e bondade ilimitada. (Máxima 3862, p. 403)

* Os homens não têm nem podem formar ideia de substâncias imateriais, as almas e espíritos são considerados por eles como entidades corporais perceptíveis aos sentidos com forma, figura e lugar no espaço, capazes de ação e reação, e, quando muito, os reputam de uma substância material mais sutil e menos densa que a dos corpos viventes deste mundo. (Máxima 3863, pp. 403-404)

A Teosofia no Brasil, Antes de Helena Blavatsky

* A matéria não é menos misteriosa e incompreensível do que a inteligência, ambas porém se combinam, harmonizam e constituem o universo. (Máxima 3865, p. 404)

* Sonhei que, admirando a lua cheia na plenitude da sua luz reflexa, surgia em mim o desejo ardente de a visitar e conhecer de perto, quando uma voz sonora, mas de objeto não distinto, retiniu aos meus ouvidos. - Pobre criatura! A tua ignorância te desculpa; sabe que cada um dos mundos da imensidade tem um sistema e construção especial; que os seus habitantes não podem existir em algum outro que não seja aquele para que foram organizados. O teu espírito tem de habitar e admirar inumeráveis orbes pela sucessão dos tempos e progresso da eternidade, mas somente com corpos privativos e adotados ao sistema particular de cada um deles. A sabedoria do Onipotente, sendo infinita, a variedade das suas obras é ilimitada, tudo o que ideou e produz na imensidade do espaço é original e sem cópia. Calou-se, e acordei assombrado com esta inesperada e portentosa revelação. (Máxima 3081, pp. 317-318)

[A máxima acima, 3081, expressa um princípio da filosofia esotérica que é exposto e explicado amplamente na obra “A Doutrina Secreta”, de Helena Blavatsky, e nas Cartas dos Mahatmas. No entanto, o pioneiro Marquês de Maricá concluiu a sua encarnação em 1848, quatro décadas antes da publicação de “A Doutrina Secreta” em 1888. A primeira edição das Cartas dos Mahatmas só foi publicada em 1922. (CCA)]

* Não podendo imaginar espíritos sem corpos organizados que os ponham em relação com o universo material, demonstrador dos divinos atributos pelas maravilhas sem conto que compreende, devemos supor que os bem-aventurados têm uma inteligência transcendente que os abriga e defende dos males a que a sua sensibilidade corporal os expõe e sujeita. (Máxima 3082, p. 318)

* Quanto mais vivemos e pensamos, mais nos convencemos de uma ordem maravilhosa no todo e [nas] partes deste mundo, constituído pela divina sabedoria com relações próximas e remotas, que ignoramos geralmente, sendo a nossa ignorância a causa das doutrinas e opiniões extravagantes que professamos, e constituem ordinariamente o que se chama ciência humana. (Máxima 3083, p. 318)

* O universo material é animado por Deus, como o nosso corpo pela nossa alma. (Máxima 2833, p. 284)

* É argumento muito poderoso de uma outra vida a crença instintiva e universal do gênero humano na sua existência e realidade. (Máxima 2841, p. 284)

* Os homens vivem em um engano e ilusão constantes, ocupados na curta esfera deste mundo, que consideram como um todo vastíssimo, não sendo mais que um átomo infinitésimo no sistema imenso da criação; dando-se uma importância ridícula a tudo que lhes pertence, parecem desconhecer que as doenças e a morte denunciam a sua miséria e ignorância, e que toda a sua grandeza e glória terrestre se reduzem em breves instantes a pouca cinza e pó. (Máxima 2799, pp. 278-279)

O Sábio, o Silêncio e a Solidão

* Os sábios não brilham por [serem] modestos; falta-lhes a protérvia [a arrogância] dos charlatães. (Máxima 2794, p. 278)

* O sábio é o homem menos terrestre e mais celestial que os outros. (Máxima 2711, p. 269)

* As noções sublimes de uma outra vida e de um progresso intelectual ilimitado não foram outorgadas pela divindade para nossa ilusão: se o gênero humano vê e espera semelhantes bens é porque tais crenças e esperanças lhe foram sugeridas por Deus, que não engana nem pode ser enganado. (Máxima 2709, p. 268)

* Todos se acusam ou se queixam de pouco dinheiro, nenhum de pouco juízo. (Máxima 4142, p. 433)

* Há muita gente que morre embebida nos vícios e prazeres da vida, como as formigas e outros insetos na calda do açúcar. (Máxima 4152, 434)

* Os vícios encurtam a vida, as virtudes a prolongam. (Máxima 4154, p. 434)

* No exercício da vida, querendo gozar o mais e sofrer o menos possível, os melhores calculistas são os homens bons e virtuosos; os piores, os maus e viciosos. (Máxima 4151, p. 434)

* Os homens enganam-se com a ideia de um progresso material e intelectual que esperam neste mundo, e que só pode verificar-se em outros [mundos] e outras vidas. (Máxima 2681, p. 265)

* No jogo, movimento e ações dos homens, no teatro deste mundo, ocorrem frequentes dúvidas sobre a providência divina, que a razão, por muito limitada, não pode resolver, ciente todavia de que tudo foi previsto, coordenado e regulado por Deus para o maior bem geral e particular da espécie humana. (Máxima 4133, p. 432)

* O ideal do universo existia em Deus antes da sua criação, como existe na imensa capacidade da mente divina tudo o que tem de realizar-se simultânea e sucessivamente no espaço e tempo por toda a eternidade. (Máxima 4156, p. 434)

* A imaginação será a mesma memória, enquanto inventiva e criadora? (Máxima 4184, p. 437)

* A imaginação supõe invenção, a memória a exclui: esta porém lhe ministra os materiais para o seu trabalho de criações novas. (Máxima 4187, p. 438)

* A maior e melhor garantia para o sábio é o silêncio com a solidão. (Máxima 2241, p. 222)

* A bênção de Deus é um capital imenso que nos abastece de tudo, e não permite que tenhamos falta de coisa alguma. (Máxima 2247, p. 222)

Dizer Bem de Todos e Não Falar Mal de Ninguém

* Nunca os povos sofrem tanto como quando se fala mais em liberdade e menos em virtude e obediência. (Máxima 977, p. 102)

* Faltando os bons costumes, multiplicam-se as leis e com elas as transgressões. (Máxima 2198, p. 217)

* Não admira que os néscios se considerem muito sabedores: eles têm a vantagem de desconhecer que ignoram. (Máxima 2201, p. 217)

* Tudo morre ou perece para que tudo se renove: os tipos são os mesmos, mas as obras publicadas são sempre novas. (Máxima 967, p. 101)

* O pensamento está sempre em atividade, ainda quando o corpo parece mais preguiçoso. (Máxima 3870, p. 404)

* A sabedoria humana reconhece a sua própria limitação e, admirada do espetáculo assombroso do universo e das maravilhas sem conta que compreende, exclama no seu entusiasmo: ‘Imensa é a inteligência que concebeu e realizou no espaço o sistema vastíssimo e incompreensível da criação universal!’ (Máxima 3871, pp. 404-405)

* Tudo na natureza é objeto de admiração e pasmo, mas sobretudo o desenvolvimento progressivo do gênero humano no teatro deste mundo. (Máxima 3872, p. 405)

* O menor átomo infinitésimo está tão sujeito à vontade onipotente de Deus, como o maior dos mundos e o imenso universo; assim a matéria se figura e coordena pontual e passivamente, segundo os desígnios da eterna sabedoria. (Máxima 3839, p. 399)

* A bem-aventurança do sábio neste mundo consiste em pensar em Deus, estudando, gozando e admirando as suas obras maravilhosas. (Máxima 3840, p. 399)

* Vamos em progresso dizendo bem de todos e mal de ninguém. (Máxima 3841, p. 399)

* Cada um dos mundos existentes no espaço, sendo uma concepção da sabedoria divina, não pode deixar de ser perfeitíssimo no seu todo, partes máximas e mínimas para o propósito e fim a que Deus o destinou no sistema geral do universo. Em vão se nos antolham defeitos e irregularidades na sua estrutura e relações, é à nossa ignorância ou limitação de inteligência que devemos tais aparências de desordem e anomalias; a sabedoria imensa de Deus não podia produzir obra ou sistema que não fosse ótimo e perfeito na sua contextura, relações, meios, fins e destinação para exercício da sua eterna beneficência e felicidade das suas criaturas vivas, sensíveis e inteligentes. Se a mais pequena flor ou inseto é um compêndio e demonstração da sua sabedoria infinita, que diremos de um mundo, sistema solar e do imenso universo! (Máxima 3859, pp. 402-403)

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O texto acima está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde o
dia 15 de março de 2026. Faz parte também da edição de janeiro de 2026 de “O Teosofista”, pp. 1-9.

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Qualidade vale mais que quantidade.

O Marquês de Maricá (foto) é um dos grandes pensadores brasileiros: no entanto, escreveu um só livro. Uma obra-prima. Quando o Brasil for mais ético, o Marquês será mais famoso, e quando este filósofo for mais conhecido, haverá uma forte ética no país. Clique para ver a edição mais bem documentada do livro Máximas, Pensamentos e Reflexões, a clássica edição de 1958. (CCA)

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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 

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