21 de novembro de 2018

Como São Ensinados os Mistérios

O Conhecimento Superior Só
Pode Ser Comunicado Gradualmente

Um Mestre de Sabedoria




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Nota Editorial:

O texto a seguir é reproduzido de “Cartas
dos Mahatmas”, Ed. Teosófica, Brasília,
2001. O trecho vai da metade inferior da p. 134,
 no volume I, até a metade superior da p. 136.

Trata-se de uma reprodução parcial de um único 
parágrafo. Para facilitar uma leitura contemplativa,
o texto é  aqui dividido em parágrafos menores.

(Carlos Cardoso Aveline)

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Na Ciência Oculta os segredos não podem ser transmitidos subitamente, mediante uma comunicação escrita, nem mesmo oral. Se fosse assim, tudo o que os “Irmãos” teriam que fazer seria publicar um Manual de Instruções que poderia ser ensinado nas escolas, ao lado da gramática.

É um erro comum das pessoas acreditarem que nós nos envolvemos, e envolvemos os nossos poderes, em mistério por vontade nossa; que desejamos manter nosso conhecimento para nós mesmos, e que por nossa própria vontade nos recusamos a transmiti-lo - “deliberadamente e de modo irresponsável”.

A verdade é que, até que o neófito atinja a condição necessária para aquele grau de Iluminação para o qual ele está qualificado e apto, a maior parte dos segredos, se não todos eles, é incomunicável. A receptividade deve ser tão grande quanto o desejo de instruir. A iluminação deve vir de dentro. Até lá, nenhum truque de encantamento ou jogo de aparências, nem palestras ou discussões metafísicas, e tampouco penitências autoimpostas, podem dar essa iluminação. Todos estes são apenas meios para um fim, e a única coisa que podemos fazer é dirigir o uso destes meios, que, como foi comprovado pela experiência das idades, levam ao objetivo buscado.

E há milhares de anos que isto não é segredo. Jejum, meditação, castidade em pensamento, palavra e ação; silêncio durante certos períodos de tempo para permitir que a própria natureza fale a quem se aproxime dela em busca de informação; domínio das paixões e impulsos animais; completa ausência de egoísmo nas intenções, e o uso de certo incenso e certas fumigações com objetivos fisiológicos, têm sido apontados como instrumentos desde a época de Platão e Jâmblico, no Ocidente, e desde os tempos ainda mais remotos de nossos Rishis hindus. A maneira como tudo isso deve ser posto em prática de modo que seja adequado para cada temperamento, é, naturalmente, tema de experimentação da própria pessoa e da cuidadosa observação de seu tutor ou guru. Isso é de fato uma parte do seu aprendizado, e seu guru ou iniciador só pode ajudá-lo com a sua experiência e força de vontade, mas não pode fazer nada mais que isso, até a última e suprema iniciação.

Penso também que poucos candidatos imaginam o grau não só de desconforto, mas de sofrimento e sacrifício, a que o mencionado iniciador se submete pelo bem do seu discípulo. As condições específicas, físicas, morais e intelectuais, de neófitos e Adeptos são muito diferentes, como qualquer pessoa pode compreender facilmente. Assim, em cada caso, o instrutor tem que adaptar as suas condições às do discípulo, e a tensão é terrível, pois para conseguir êxito temos que nos colocar em plena sintonia com o indivíduo em treinamento.

E quanto maiores os poderes do Adepto, menos ele está em simpatia com a natureza do profano, que, com frequência, vem até ele saturado com as emanações do mundo exterior, aquelas emanações animais da multidão egoísta e brutal que tanto tememos; quanto mais afastado o instrutor se encontra desse mundo e quanto mais puro se tenha tornado, tanto mais difícil é a tarefa a que se impõe.

Além disso, o conhecimento só pode ser comunicado gradualmente; e alguns dos segredos mais elevados, se fossem expressados, mesmo a seus ouvidos bem preparados, poderiam soar a você como um palavrório insano, apesar de toda a sinceridade de sua atual convicção de que “a confiança absoluta desafia a incompreensão”. Esta é a causa verdadeira da nossa reserva. É por isso que as pessoas se queixam tão frequentemente, com uma demonstração plausível de razão, de que nenhum conhecimento novo lhes é comunicado, apesar de terem estado se esforçando por ele, dois, três ou mais anos.

Aqueles que realmente desejam aprender devem abandonar tudo e vir até nós, em vez de pedir ou esperar que nós avancemos até eles. Mas como isso pode ser feito em seu mundo e sua atmosfera? “Despertei triste na manhã do dia 18.” De fato? Bem, bem, paciência, meu bom irmão, paciência. Algo ocorreu, ainda que você não tenha preservado a consciência do acontecimento, mas deixemos isto de lado. O que mais posso fazer? Como posso expressar ideias para as quais até agora você não conhece palavras?

As mentes mais refinadas e sensíveis, como a sua, recebem mais que as outras, e mesmo quando estas últimas recebem uma pequena dose extra, esta se perde pela falta de palavras e imagens que fixem as ideias flutuantes. Talvez, e indubitavelmente, você não saiba a que me refiro agora, mas saberá um dia - paciência. Dar a um homem mais conhecimento do que ele está capacitado para receber é uma experiência perigosa, e, além disso, há outras considerações que me limitam. [1]

A comunicação súbita de fatos que transcendem tanto o comum é em muitos casos fatal, não só para o neófito, mas também para os que o rodeiam. É como entregar uma máquina infernal ou um revólver carregado e engatilhado nas mãos de um homem que nunca viu uma coisa destas. Nosso caso é exatamente análogo. Nós sentimos que o tempo se aproxima e que somos obrigados a escolher entre o triunfo da verdade ou o Reino do Erro - e do Terror.

NOTA:

[1] Pouco mais adiante  o Mestre afirma - “Resumindo: o mau uso do conhecimento pelo discípulo sempre reage sobre o iniciador, e nem creio que você saiba que, ao compartir os seus segredos com alguém, o Adepto, devido a uma Lei imutável, retarda o seu progresso para o Repouso Eterno.” (“Cartas dos Mahatmas”, volume I, p. 136.) E na p. 137: “Se pelo menos tudo isso fosse mais conhecido pelos candidatos à iniciação, tenho certeza de que eles se sentiriam mais agradecidos e pacientes e menos inclinados a irritarem-se com o que veem como reticências e vacilações da nossa parte.”  (CCA)

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O texto acima foi publicado em nossos websites associados dia 21 de novembro de 2018.

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