28 de outubro de 2020

Blavatsky é Best-Seller em Adyar

Porém Estudar Blavatsky Não Se
Limita  a Repetir o Que Ela Escreveu

Carlos Cardoso Aveline

Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891) e a Cruz dos Templários
 
 
 
“… Antes de sair pregando com um coração e uma vida
prática que contradizem seu discurso - bendiga o raio que
cause a sua morte, pois cada palavra irá acusá-lo no futuro.”
 
Um Mestre de Sabedoria
 
 
 
Alguns séculos depois de esmagar a Ordem dos Templários através da prisão, da tortura e do assassinato,  o Vaticano e os jesuítas inventaram a sua própria versão, dócil,  falsificada e obediente, da organização templária. 
 
O fato, não muito conhecido,  é demonstrado por Helena Blavatsky em um texto fundamental, disponível nos websites associados. [1]
 
A história humana avança fazendo linhas espirais, e algo de certo modo semelhante - embora sem violência - está sendo feito pela Sociedade Teosófica de Adyar em relação à própria Helena Blavatsky. 
 
Assim como os Templários, Blavatsky lutava contra as visões burocráticas da religiosidade. 
 
Os mestres de sabedoria convidam o teosofista a ser um guerreiro não-violento da verdade, seguindo nesse aspecto os passos de Jesus, que denunciou os sepulcros caiados e contrariou as burocracias religiosas do seu tempo, segundo ensina a lenda dos Evangelhos. 
 
Em relação a Blavatsky, porém,  a política do poder político ritualista dominante de “reprimir e falsificar” foi  desenvolvida com mais rapidez do que a política do Vaticano contra os templários, ou contra o ensinamento autêntico de Jesus. 
 
Foi implementada sem esperar tantos séculos e com a grande vantagem de não cometer assassinatos nem usar força física. Os tempos mudaram, as circunstâncias são diferentes, e hoje vivemos a era dos eletrônicos.  Apenas o padrão abstrato é o mesmo. 
 
O fato comum nas duas situações é a ideia de destruir a essência e depois criar uma falsificação domesticada. Nas circunstâncias externas, as diferenças entre o modo como os Templários autênticos foram tratados no catolicismo e a maneira como HPB é tratada no movimento teosófico burocratizado são muito grandes.
 
Depois da morte de H. P. Blavatsky, em 1891, a Sociedade de Adyar abandonou os ensinamentos originais dos mestres. Desde 1930 em diante, a Sociedade passou paulatinamente a admitir e promover a literatura de Helena Blavatsky e as Cartas dos Mestres, mantendo-as, porém, como adorno e como fonte de prestígio. A  estrutura da Sociedade  continua dominada por organizações pseudomaçônicas e outros ritualismos baseados na falsa clarividência de Annie Besant e em mestres imaginários fabricados no início do século vinte - entre eles “St. Germain”.
 
Toda a ossatura organizativa  segue a mesma, criada no período em que Jiddu Krishnamurti era apresentado ao mundo como o novo Messias. 
 
Na primeira década do século 21 o então vice-presidente internacional de Adyar, John Algeo, tentou destruir Blavatsky moralmente publicando cartas falsas contra ela, montagens sem fonte e malfeitas. A manobra foi derrotada. [2]
 
Adyar desistiu de atacar HPB  e - sem fazer qualquer autocrítica ou esforço para aprender a lição - vive hoje uma nova onda de “blavatskianismo” domesticado. 
 
Blavatsky está na moda. 
 
HPB inspira seminários internacionais, é motivo para criação de grupos numerosos no Facebook, livros seus ganham novas traduções, e velhos seguidores de Leadbeater e Besant, sem uma palavra de autocrítica pelas fantasias proclamadas durante um século, agora dão palestras sobre Cartas dos Mestres, Cartas dos Mahatmas e a teosofia de Blavatsky. 
 
Posam de autênticos. 
 
Este seria um verdadeiro renascimento espiritual na Sociedade de Adyar, se houvesse mais sinceridade.  Seria ótimo.
 
Porém os rituais ilegítimos continuam operando. Nada foi feito para abandonar as fraudes do período Besantiano. Aliás, falar das falsificações pseudoteosóficas continua sendo sutilmente proibido na Sociedade. 
 
Os aspectos probatórios da caminhada espiritual são negados.
 
As atividades “renovadoras”  limitam-se a recitar Blavatsky, tal como antes se recitava Jiddu Krishnamurti em nome da renovação.
 
A encenação de liberdade de pensamento - um pensamento desvinculado dos fatos - faz parte da proposta organizativa de Annie Besant, surgida nas primeiras décadas do século vinte em torno da desastrada operação da  suposta volta de Cristo.
 
A nova moda de ler Blavatsky - como mera curiosidade intelectual e sem relação com a vida concreta do movimento teosófico - é por enquanto apenas  mais um desafio ao discernimento do estudante.
 
O pensamento desvinculado da ação não é pensamento, mas  discurso vazio. 
 
Para levar Blavatsky a sério, é preciso desvencilhar-se da estrutura de poder baseada na burocracia ritualista de Adyar.
 
Do mesmo modo, só se pode compreender a tradição templária quando se deixa de lado as fraudes do Vaticano e dos jesuítas, e se estuda a tradição esotérica autêntica. 
 
O lema do movimento teosófico é “Não há religião (nem cerimônia ritualística,  nem estrutura de poder ou ambição pessoal) mais elevada que a Verdade”.
 
E cabe lembrar estas palavras de um Mestre de Sabedoria:
 
“… Antes de sair pregando com um coração e uma vida prática que contradizem seu discurso - bendiga o raio que cause a sua morte, pois cada palavra irá acusá-lo no futuro.” [3]
 
Estudar Blavatsky não se limita  a repetir o que ela escreveu. Inclui seguir na prática os passos dados por ela, aprender com os erros e avançar em sinceridade, respeitando os fatos.
 
NOTAS:
 
 
 
[3] Da Carta 24 da primeira série de “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, compiladas por C. Jinarajadasa e publicadas pela Editora Teosófica, Brasília, 1996, 295 páginas. Ver pp. 71-72. Esta Carta extraordinária está publicada como artigo nos websites associados sob o título de “A Regra da Sinceridade”.
 
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O artigo acima foi publicado nos websites associados dia 28 de outubro de 2020.
 
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Em relação ao caminho da sabedoria, cabe lembrar destas palavras de Helena P. Blavatsky (foto): “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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