30 de setembro de 2014

Krishnamurti e as Ilusões Besantianas

O “Avatar” Nem Sempre Mostrava
Em Público Os Seus Reais Pensamentos

Carlos Cardoso Aveline 

O “Senhor Cristo” pseudoteosófico e a Sra. Annie Besant em 1926,  três
anos antes de ele finalmente terminar a comédia abandonando a Sociedade Teosófica



Jiddu Krishnamurti foi cuidadosamente educado por Annie Besant e Charles Leadbeater para ser o avatar da nova era. E eles foram quase obsessivos em relação a isso. [1]

Na vida adulta, porém, Krishnamurti rejeitou por completo os ensinamentos dos dois e nunca demonstrou interesse pela pseudoteosofia Besantiana. Tampouco prestou atenção à teosofia original, ou à sabedoria clássica. Em vez disso, tornou-se um pensador que estranhamente denunciava como errado o próprio ato de pensar.

O professor indiano P. Krishna foi sobrinho de Radha Burnier (1923-2013), que presidiu a Sociedade de Adyar durante décadas. Seguidor ardoroso de Krishnamurti, P. Krishna contou um diálogo que ele teve com um amigo sobre como fora educado por Charles Leadbeater e Annie Besant.

P. Krishna escreveu:

“Certa vez um homem disse a Krishnamurti que ele havia tido muita sorte por ser educado na Sociedade Teosófica tendo professores como Leadbeater e Annie Besant. Ele respondeu: Sim, tive muita sorte de ter professores como eles.’ E o homem acrescentou: ‘Nós não tivemos tanta sorte, precisamos ser educados em instituições convencionais. De que modo podemos encontrar a verdade?’ E ele respondeu: ‘Caro senhor, eu tive sorte porque tudo o que eles me diziam entrava por um ouvido e saía pelo outro’.” [2]

Esta é, em poucas palavras, a avaliação que Krishnamurti fez da filosofia de Annie Besant e da influência dela sobre ele.

Em seu artigo, P. Krishna desenvolve uma interpretação artificial e “politicamente correta” das palavras de Krishnamurti. Tais explicações e justificativas não têm interesse para nós: Krishnamurti era capaz de falar por si mesmo. Suas próprias palavras são muito claras, e ele sabia do que estava falando. O desabafo de Krishnamurti sobre a educação recebida de Besant e Leadbeater é a ponta de um iceberg que por razões políticas ele preferia manter submerso sob as águas.

Krishnamurti não tinha admiração alguma pela fraude pseudocristã fabricada pelos líderes da Sociedade de Adyar. No entanto, deixava-se ficar como cômodo beneficiário dela.

A Missa na Igreja Católica Liberal

Em seu bem documentado livro “Krishnamurti, The Years of Awakening” [3], a autora britânica Mary Lutyens transcreve parte de uma carta de 1922 escrita por Jiddu Krishnamurti para sua íntima amiga Lady Emily.

O fragmento mostra como Krishnamurti temia revelar em público o que realmente pensava dos líderes teosóficos e de sacerdotes como C. W. Leadbeater, a quem ele considerava “tolos”.

Krishnamurti assistiu a uma missa da Igreja Católica Liberal que foi oficiada pelo próprio “bispo” C. W. Leadbeater.

Na época, Krishnnamurti estava sendo treinado para fazer o papel de Senhor Cristo na tragicomédia pseudoteosófica da “Volta de Cristo” dirigida por C. W. L. e Annie Besant. A paródia só terminou quando o “avatar” abandonou definitivamente a Sociedade de Adyar em 1929.

Em sua carta para Lady Emily (mãe de Mary Lutyens), Krishnamurti escreveu o seguinte desde a cidade de Sidney, na Austrália:

“Domingo pela manhã [4] fui até a Igreja Católica Liberal e C. W. Leadbeater era o sacerdote encarregado. Ele fez tudo muito corretamente, mas você sabe que não gosto de rituais e não aprecio toda aquela parafernália, com todas aquelas orações, e com as pessoas erguendo-se e abaixando-se, os trajes, etc.; mas não vou atacar isso; algumas pessoas gostam de fazer estas coisas, que direito tenho eu de atacá-las ou desaprová-las? A missa na igreja durou duas horas e meia e o tédio era tamanho que eu estava quase desmaiando. Acho que demonstrei isso. Devo ter cuidado para que eles não me interpretem mal; caso contrário terei problemas. Eles são como gatos & cachorros a respeito deste assunto de igreja. De qualquer modo, são tolos. Os seus exageros e a falta de tato são causas de problemas aqui.”

Mary Lutyens acrescentou que as palavras acima resumem “a atitude de Krishnamurti em relação à igreja”.

Infelizmente, na época ele era muito tímido e não tinha força de caráter suficiente para fazer uma clara declaração de princípios. Na verdade, Krishnamurti manteve a infeliz paródia de Cristo Católico Liberal durante sete anos ainda - até agosto de 1929.

NOTAS:

[1] Veja o artigo “Fabricando um Avatar”, de Carlos Cardoso Aveline, que está disponível em nossos websites associados. Leia também, do mesmo autor, o texto “Krishnamurti e a Teosofia”.

[2]Krishnamurti As I Knew Him”, artigo de P. Krishna, diretor do Rajghat Education Centre, Krishnamurti Foundation - Índia, Varanasi. O texto foi publicado pela primeira vez na edição de maio de 1997 da revista “The Theosophist”, na Índia. O artigo transcreve uma palestra dada por P. Krishna em novembro de 1996 na Loja de Adyar da Sociedade Teosófica, em Chennai, na Índia.

[3]Krishnamurti, The Years of Awakening”, de Mary Lutyens,  livro publicado por Farrar, Straus and Giroux, New York, 1975, 326 pp., ver p. 142.

[4] Dia 18 de abril de 1922, segundo revela Mary Lutyens.

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