4 de fevereiro de 2016

A Arte de Renascer a Cada Dia

Para ter o Conhecimento de
Um Velho e a Pureza de uma Criança

Joana Maria Pinho

A sabedoria eterna guia a renovação da vida a cada instante
  

Para aqueles que anseiam começar a viver verdadeiramente, a  literatura teosófica recomenda a impessoalidade.

Esse ensinamento não implica aniquilar a personalidade, mas sim transformá-la em veículo do Eu Espiritual. Sobre o tema, Robert Crosbie escreveu:

“A impessoalidade não está em falar; não está em silenciar; não está em  insinuar; não  está em evitar; não está em negar.  E, sobretudo, ela não é uma diplomacia que funciona como uma máscara da ambição.”

E acrescentou:

“A impessoalidade significa estar livre da personalidade, mas nenhum de nós a obterá de imediato; e já estaremos progredindo bastante bem se estivermos vencendo a personalidade de modo lento e persistente.” [1]

Estar livre da personalidade significa acima de tudo que temos controle sobre ela. Essa é uma tarefa de longo prazo. Cabe ler a seguinte mensagem otimista de Crosbie:

“Para efeitos práticos: se estamos desenvolvendo um coração-de-criança; se estamos aprendendo a amar as coisas belas; se estamos tornando-nos mais honestos,  mais claros e mais simples;  se estamos começando a sentir o lado doce da vida;  se estamos gostando mais dos nossos amigos e ampliando o  círculo da amizade; se sentimos que nosso sentimento de simpatia se expande; se gostamos de trabalhar pela Teosofia,  e não pedimos por cargos, posições ou recompensas; se não nos preocupamos demasiado com ser ou não ser impessoal;  bem, isto é trilhar o caminho da impessoalidade.” [2]

O caminho do autoconhecimento e do autocontrole é longo, mas é através das pequenas conquistas que nos aproximamos das grandes vitórias. Devemos renascer a cada momento.

O texto “A Sabedoria dos Poetas” nos diz que “quem morre a cada instante para o passado é capaz de renascer a todo momento para a vida eterna.” [3] Ao renascermos, deixamos para trás  aspectos da personalidade que atrapalham o convívio com a Alma Universal. O que morre não é a personalidade em si, mas a forma como encaramos a vida. É através do eu individual que levantamos nosso olhar para as estrelas e refletimos sobre sua  luz e sua graça.

Renascer torna-nos crianças e são vários os textos clássicos que nos falam da necessidade de recuperarmos esse nível de pureza. Podemos ler na obra “A Voz do Silêncio”:

“O Aluno deve recuperar o estado infantil que ele perdeu, antes que o primeiro som possa chegar ao seu ouvido.” [4]

 “Luz no Caminho” reafirma essa mesma ideia no seguinte trecho:

“O ser humano deve tornar-se como uma criança pequena, antes que possa ingressar no reino dos céus.” [5]

A obra de M. C. diz ainda que o estudante, ao renunciar ao egoísmo,  “volta para o mundo na condição de um ser desprotegido, como uma criança recém-nascida. E isso é, exatamente, o que ele é. Ele começou a nascer de novo no plano superior da vida, naquele planalto bem iluminado em que os ventos correm livres, e de onde os olhos veem inteligentemente o mundo a partir de uma nova percepção.” [6]

As crianças simbolizam o amor e a compaixão universais [7]. É retomando esse estado inicial que começamos a viver verdadeiramente e a voz do nosso pai - Eu Superior - pode ser escutada e orientar-nos para o bem. Por isso o texto “Círculos Magnéticos de Amor Universal” [8] afirma:

“É recomendável ter a experiência de um velho e a alma de uma criança.” 

NOTAS:

[1] Do texto “O Que É Impessoalidade”, de Robert Crosbie, que está publicado em nossos websites associados.   

[2] Idem.  

[3] Do texto “A Sabedoria dos Poetas”, de Carlos Cardoso Aveline. Disponível em nossos websites.

[4] Da obra “A Voz do Silêncio”, de Helena P. Blavatsky, edição online de nossos websites associados, ver  p. 12.

[5] “Luz no Caminho”, de M.C., The Aquarian Theosophist, Portugal, 2014, 85 pp., p. 78.

[6] “Luz no Caminho”, de M.C., The Aquarian Theosophist, 85 pp., p. 77.

[7] Sobre o simbolismo das crianças e o que podemos aprender com elas leia em nossos websites o texto “O Poder das Crianças”, de Carlos Cardoso Aveline.

[8] Do texto “Círculos Magnéticos de Amor Universal”, de C. C. Aveline. Disponível em nossos websites.

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O texto acima foi publicado originalmente sem indicação do nome da autora, na edição de janeiro de 2015 de “O Teosofista”. 

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Para conhecer a teosofia original desde o ângulo da vivência direta, leia o livro “Três Caminhos Para a Paz Interior”, de Carlos Cardoso Aveline.


Com 19 capítulos e 191 páginas, a obra foi publicada em 2002 pela Editora Teosófica de Brasília.   

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