22 de junho de 2016

Ordem e Progresso, a Bênção

Lema da Bandeira Brasileira
Faz Parte da Sabedoria Universal

Carlos Cardoso Aveline




Modus et ordo”, ou “método e ordem”, dizia o lema do rei Edward, na Inglaterra.

“Ordem e progresso”, afirma a frase inscrita na bandeira do Brasil; e as duas ideias são úteis também no âmbito da vida individual.

A existência de um Método implica que deve haver uma Meta digna. Os objetivos desprezíveis dificilmente inspiram ação eficiente ou planejada.

Um bom método produz ordem, e estes dois fatores combinados abrem caminho para o progresso na direção do objetivo.

A questão básica é a mesma para um país, para uma comunidade local, para a nossa civilização planetária e cada indivíduo nela. Devemos saber em primeiro lugar se há um objetivo nobre e duradouro. Uma vez confirmado que buscamos avançar na direção certa, cabe verificar se o método de ação escolhido é moralmente correto. Caso contrário, fracassará. Em terceiro lugar, precisamos examinar se há ordem e coerência suficientes em nossos esforços por fazer progresso.

A meta de um país sensato é o bem-estar durável do seu povo inteiro, e não a mera expansão do consumo de bens materiais.

A felicidade nacional, sutil, é mais importante que noções materiais como o produto interno bruto, ou PIB. O progresso não pode ser medido em dólares. Nem todas as riquezas de uma nação são visíveis.

Quando falta a ética, temos o contrário da ordem e o oposto do progresso. A cleptocracia, o poder dos ladrões, é a marcha atrás. O lema da bandeira brasileira indica o dever de cada cidadão e não pertence a esta ou aquela filosofia, porque faz parte da sabedoria universal em suas diversas vertentes. O lema é válido em si, transcende qualquer sectarismo e expressa uma verdade que pertence a todos os povos. [1]

A ordem não pode ser imposta de cima para baixo ou de fora para dentro. Cabe à liderança da comunidade propor uma percepção compartilhada da ordem natural das coisas. A coerência de um país resulta da coerência dos seus cidadãos. Melhor do que reclamar de uma comunidade é construí-la segundo linhas desejáveis.

A ordem e o progresso são uma forma de bênção. Constituem um carma positivo. A frase com estas palavras está escrita no meio do céu, na bandeira do Brasil. De fato, há ordem em todos os planos da natureza. Nossa galáxia e nosso planeta estão espontaneamente organizados, e o progresso neles é cíclico e eterno. O indivíduo e a comunidade sábios entram em harmonia com a ordem e o progresso naturais do universo.   

A melhora durável vem de dentro para fora. Surge a partir das causas na direção das consequências. Aparece primeiro na mente, depois ocorre no plano do plantio, e finalmente se desdobra no processo da colheita.

A verdade é que o país em que vivemos não existe nas ruas, mas nas consciências, e constitui um dos espelhos dinâmicos da nossa alma. A ideia de Ordem e Progresso é inspiradora para nossos esforços individuais e constitui um bom lema para o movimento teosófico, porque expressa a arte indispensável de plantar bom carma. 

NOTA:

[1] A origem positivista do lema da bandeira brasileira não tem, portanto, interesse real. É inegável a força da sabedoria não-sectária presente nas suas três palavras, que apontam para a necessidade de construir responsavelmente um futuro saudável. Embora o positivismo seja uma filosofia estreita e falha, teve o bom mérito de doar este lema para a república do Brasil.

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Para conhecer um diálogo documentado com a sabedoria de grandes pensadores dos últimos 2500 anos, leia o livro “Conversas na Biblioteca”, de Carlos Cardoso Aveline.


Com 28 capítulos e 170 páginas, a obra foi publicada em 2007 pela editora da Universidade de Blumenau, Edifurb.  

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