2 de janeiro de 2017

Sabedoria, Aparência e Realidade

Carta a um Teosofista

Robert Crosbie




É correto sustentar a posição que você está tomando - manter a verdadeira atitude da “indiferença superior”. Não faz nenhuma diferença o que nós fazemos; o que importa é como nós fazemos qualquer coisa. E como sempre há algo sendo feito, nós sempre temos a oportunidade de fazê-lo corretamente.

Não adianta estar ansioso; tudo o que devemos fazer é fazer o melhor possível com cada momento, e vivê-lo à medida que ele vem. “Se o candidato tem firme confiança na Lei, ele não terá que esperar demasiado.” Deste modo, qualquer coisa que aconteça estará bem para ele. Devemos adotar o ponto de vista de que seja o que for que seja correto, o que for correto ocorrerá, e, ao mesmo tempo que usamos e aproveitamos cada oportunidade, devemos sentir que, se aquilo que parecia bom não ocorreu como esperávamos, é melhor que seja assim, do ponto de vista do principal objetivo pelo qual trabalhamos. Nesse caso nós preservamos nossas melhores energias, e nem nos orgulhamos nem desanimamos por seja o que for que aconteça.

Temos a tendência de subestimar o bem que possibilitamos aos outros através dos nossos esforços. Cada um que nós influenciamos, mesmo no menor grau, influencia outros, e ninguém sabe dizer o que pode ser feito no futuro através de métodos indiretos. Há muito encorajamento nesse fato, e encorajamento significa uma continuação da coragem. Nós só temos que manter a coragem com que começamos, porque todo grande esforço seguramente causará reações; e sabendo que essa é a Lei, estamos preparados, e nunca desanimamos, mas, como na canção, “esperamos a mudança da maré” e nos fixamos nos aspectos superiores da situação.

Estive olhando o artigo da revista que você mencionou. É interessante, em alguns lugares instrutivo, inteligente, e generosamente entremeado com diagramas. Dá a impressão de um grande conhecimento sobre o assunto. Mas ele fala aqui e ali do Logos e do Seu cuidado para com Seus filhos. Há muito de Deus pessoal sob outro nome, o que nada ensina a “Seus” pobres filhos ignorantes e pecadores sobre a natureza divina deles! O artigo me fez pensar sobre o modo como os Jesuítas desvirtuaram a Maçonaria. Eles entraram nela, obtiveram os seus segredos, inventaram “graus mais elevados” para desviar a atenção do que estava oculto nos graus originais, e gradualmente a transformaram em algo inócuo e incapaz de levar ao conhecimento que eles temiam. Muito do que está acontecendo e já aconteceu na sociedade ….. leva aparentemente a uma inócua falta de praticidade. Esse é o modo de trabalhar das forças bramânico-jesuíticas, e que o pensador convencional é incapaz de perceber, ou de compreender o aviso, se for alertado. Ele não acredita que existam Forças Escuras com agentes no mundo, nem que eles façam guerra desde dentro, contra aquilo que eles buscam destruir; nem que eles se vistam com “pele de cordeiro” de modo a não despertar suspeitas. Porém isto é muito verdadeiro. Cada fracasso de uma tentativa de estabelecer a Religião-da-Sabedoria, se investigado, acabará sendo atribuído ao trabalho dos Escuros no meio dos tolos “cordeiros” que nada suspeitam, e que são usados através das suas fraquezas, e desorientados. Não há panaceia para a tolice e a ignorância a não ser o autoconhecimento, o discernimento; qualquer coisa que afaste alguém desses dois, leva à desolação. Eu gostaria que houvesse alguma maneira pela qual os olhos pudessem ser abertos, de modo que surgisse uma observação sábia e adequada de todas as coisas. No entanto, se alguém assinalar publicamente essas coisas, a mais suave das acusações feitas contra tal indivíduo será a de que ele é “antiteosófico”. Tudo o que podemos fazer é assinalar a diferença entre a Doutrina do Olho e a Doutrina do Coração, com ampla exemplificação. Os …… falam muito sobre isso, mas, nas palavras de Kipling, “o que eles compreendem?” Aqueles que estão naquela sociedade e que têm o “desejo do coração” podem encontrar aquela doutrina, mas a massa não tem tal desejo, e é afastada dele por todos os meios.

Sem qualquer presunção, você sabe que aqueles que o escutam admitiriam que seria algo fácil para você desenhar diagramas e dar palestras sobre a diferenciação das espécies, sobre os vários Logoi, Dhyanis, e tipos de seres, Rondas e Raças e assim por diante; mas você sabe, e qualquer um pode ver, que se alguém tiver todas essas qualidades na ponta da língua, não será em nada melhor em caráter, nem possuirá qualquer real conhecimento - o conhecimento que leva à sabedoria e ao poder do Adepto.[1] O conhecimento intelectual é bom para quem gosta de passar o tempo com esse tipo de coisa, mas quem busca o autoconhecimento, quem não fica satisfeito com nenhuma distração, não vai por esse caminho. O autoconhecimento é o objetivo central; o outro é secundário, e é inútil na ausência do primeiro. O autoconhecimento requer dedicação total, autodisciplina, trabalho constante, determinação incansável. Sua busca só é empreendida por almas determinadas, e continuada por um crescente heroísmo - tal como ilustrado pelos heróis imortais de eras passadas. O segundo conhecimento pode ser obtido por qualquer criança de escola de primeiro grau, e até certo ponto é necessário, como um instrumento para o bem de outras pessoas, mas a menos que esteja a serviço do primeiro, é inútil como um meio para o crescimento. A tendência geral é para o “intelectualismo”, e é fácil seguir aquela linha de aquisições. O esforço deveria ser, portanto, no sentido de apresentar e praticar o estudo que leva ao crescimento, usando o “processo” apenas para ajudar a compreensão. A prática generalizada é o oposto disso. Há teosofistas de nome e teosofistas de fato; e eles são diferentes. 

NOTA:

[1] Em teosofia, a palavra “Adepto” não significa “um seguidor de alguma coisa”, mas sim “Apto em Sabedoria”. Um Adepto é um alto Iniciado na Sabedoria divina. (CCA) 

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O texto acima foi traduzido do livro “The Friendly Philosopher”, de Robert Crosbie, The Theosophy Company, Los Angeles, EUA, 1945, 414 pp.; e corresponde à Carta 12 da seção “Living the Life”, nas pp. 160-162. 

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


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