Jornada Espiritual com os Amigos
Carlos Cardoso Aveline

Um amigo da Loja Independente faz a seguinte consulta:
“De que forma posso saber se estou divulgando a Teosofia de forma correta, sem invadir o espaço de meus amigos de caminhada?”
Quem se identifica com a teosofia dificilmente terá prazer em atropelar a vida dos outros. Não se sente atraído pela perspectiva de despejar um discurso a respeito de carma ou reencarnação em cima de pessoas que preferem pensar em como obter um aumento de salário, como comprar pneus novos para o seu carro, obter emprego para o filho, ou gastar dinheiro no shopping.
Falar de filosofia é emitir um mantra. Muitos emitem os mantras da política, ou os mantras do amor às viagens, do amor às comidas ou aos livros. O mantra de proteção do meio ambiente já esteve na moda.
Num mundo em que cada cidadão é interrompido o tempo todo por propaganda, vendedores, anunciantes e campanhas políticas e ideológicas disfarçadas de noticiários, que direito tem um teosofista de falar de teosofia a seus amigos e conhecidos?
Quando o estudante de filosofia pergunta a alguém se tem ganhado muito dinheiro ultimamente, a pergunta talvez pareça normal. Mas quando pergunta a alguém “como vai sua alma?”, pode parecer estranho ou até inaceitável. E no entanto, estranho mesmo é que tão pouca gente pense em sua alma espiritual nos tempos modernos.
– Como vai? Diga-me, você tem tido um bom contato com seu próprio eu superior ultimamente?
– Vou bem, obrigado. E você, de que planeta é? Desceu da nave agora mesmo?
– Adivinhou. Está estacionada ali do outro lado da rua, é aquela verde, com antenas azuis. E aqui neste planeta as pessoas não têm alma?
– Aqui esta conversa de alma é coisa da Idade Média. O que conta agora é o saldo bancário, o jeito mais esperto de enriquecer materialmente, e o conhecimento que se tenha da vida dos famosos.
– Até logo.
O teosofista tem direito de partilhar a caminhada espiritual com seus amigos. Ao fazer isso, pelo menos ele fica sabendo se são amigos de fato. Quando alguém se sente invadido ao ouvir falar da Arte de Viver, é porque vive em outro planeta.
Indo além da casca externa de qualquer cidadão de hoje, não é difícil encontrar sofrimento. E até desespero inconfessado. Mas a dor tem causas, que a filosofia clássica revela e permite eliminar. A mesma pessoa que considera extraterrestre uma conversa sobre teosofia está sendo invadida o tempo todo pelo materialismo que a rodeia.
Entre os direitos do peregrino está o de expressar aos outros o que vai pela sua alma. Que gostem ou não gostem não é um problema dele. Ser sincero e transparente, fazer sua declaração de princípios com tranquilidade, sem que por isso perca o emprego ou seja considerado “excessivamente doido”, talvez esteja ao seu alcance.
Há no mundo atual coisas mais estranhas do que estudar teosofia clássica. Passado o primeiro choque, é possível sobreviver ao diálogo direto com alguém que acredita na lei do carma, que pratica a sinceridade, pensa bem do futuro da humanidade e afirma que aquilo que se planta, cedo ou tarde se colhe.
– E como divulgar a teosofia?
– Segundo a sabedoria popular, é fazendo que se aprende. As derrotas são parte do aprendizado, tanto quanto as vitórias.
O artigo “Falar Sobre Teosofia Choca as Pessoas?” está disponível nos websites da Loja Independente de Teosofistas desde o dia 11 de agosto de 2026. Uma versão inicial dele foi publicada, sem indicação do nome do autor, na edição de maio de 2023, pp. 1-3.
Leia mais:
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* Descoberta a Cura para a Inveja.
* Efeitos do Estudo da Doutrina Secreta.
* A Verdade Assusta Quem se Apega a Ilusões.

Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”.