3 de março de 2020

Um País Pode Trilhar o Caminho Espiritual?

Em Todos os Povos, Cada Espírito que Desperta Passa a Funcionar Como uma Pequena Lâmpada

Carlos Cardoso Aveline


Herança do tempo da Lusitânia: visão parcial do
sarcófago das quatro estações, no Monte da Azinheira, Évora




Não é correto dizer que um país trilha o caminho da sabedoria. No entanto, em condições históricas favoráveis, pode-se fazer com que ele ofereça oportunidades valiosas de aprendizagem espiritual a seus habitantes.

É o que a pequena Loja Independente de Teosofistas está tratando de estimular, auxiliada pelos amigos que acompanham o seu trabalho.

A ideia de que um país trilha o caminho é errada porque um país dura pouco, se comparado com a alma individual, e não possui uma memória coerente ou um princípio durável de consciência. 

Um país é em grande parte um mero conglomerado de coisas. Constitui uma mutação permanente. Um exemplo disso é Portugal, a extraordinária casa paterna dos povos lusófonos. Embora seja uma das nações mais antigas da Europa  e possua enorme riqueza cultural, há apenas três mil anos atrás o país de Camões nem sequer existia. Os primeiros sinais de vida dos lusitanos, habitantes da Lusitânia, ocorrem 200 anos antes da era cristã. Antigos ancestrais das nações lusófonas de hoje, os lusitanos têm menos de 2500 anos de idade.

Enquanto isso, o intervalo entre duas encarnações de uma mesma alma espiritual é frequentemente de 3000 ou mesmo 4000 anos. Comparado com uma alma humana, o mais antigo dos países é um fenômeno passageiro e circunstancial. As nações devem ser valorizadas. São espaços sagrados de convivência e ajuda mútua. Mas é preciso reconhecer um fato central: elas são instrumentos para o crescimento das almas. Os países decaem quando se tornam excessivamente materiais  e deixam de servir ao crescimento espiritual da alma.    

Sejam quais forem as circunstâncias de um povo, cabe aos seres de boa vontade a tarefa de criar e fortalecer escolas filosóficas éticas, que ofereçam às almas as oportunidades necessárias para crescer em sabedoria. Em função disso é necessário afastar-se dos circuitos fechados da ignorância e construir uma sintonia pessoal com o conhecimento divino. Em todas as nações, cada espírito que desperta passa a funcionar como uma pequena lâmpada.

É aconselhável manter uma postura humilde em relação à sabedoria dos povos.

As instituições coletivas estão sujeitas à evolução material das coisas e aos ciclos das civilizações. Deve-se fazer o melhor possível, mas não há motivo para alimentar grandes pretensões. É no plano das almas individuais que cada semente germinada significa um ganho permanente.

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O texto “Um País Pode Trilhar o Caminho Espiritual?” foi publicado em nossos websites associados dia 03 de março de 2020.   

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