20 de setembro de 2014

Os Teosofistas Podem Reunificar-se?


A Fraternidade Sincera é Melhor
Que Exercícios de Relações Públicas

The Theosophical Movement



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Nota Editorial:

O texto a seguir foi publicado pela primeira
vez em março de 2003 pela revista “The
Theosophical Movement”, da Índia, sob o
título “Can Theosophists Reunite?”. Sua
tradução ao português foi publicada inicialmente
na edição de dezembro de 2007 de “O Teosofista”.

(CCA)

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Há tentativas sendo feitas hoje para que ocorra uma reunificação dos “teosofistas”. Isso levanta algumas questões fundamentais: “O que produz a unidade? Quem são os teosofistas? O que os separou?”

A verdadeira unidade é impossível se a sua base for buscada neste mundo limitado pelas formas. É no mundo das ideias e dos ideais, da mente e do coração, que a unidade deve ser buscada. Portanto, busquemos a unidade de Ideal e a unidade de Ensinamento.

Os Ideais têm a ver com a vida moral, com nossas mentes (pensamento, memória e antecipação), e com as emoções (afetos e rejeições, sensibilidades e sentimentos). Ninguém, exceto o próprio indivíduo, sabe quais são estes fatores. Mas há algumas grandes ideias que refletem verdades universais e que necessitam ser transformadas em realidades vivas:

1. A unidade da nossa Origem Espiritual, que surge do conceito de um Deus Impessoal [1] deveria produzir tolerância e Fraternidade.

2. Um Corpo de Sabedoria (ou Conhecimento) implica uma fonte comum de Verdade, a partir da qual todos podem receber ajuda e orientação.

3. A Existência de uma Lei do Universo - que “não conhece ódio ou perdão, é totalmente verdadeira, as suas medidas medem, a sua balança impecavelmente pesa, diante dela o Tempo é como um nada, e ela pode julgar amanhã mesmo, ou depois de muitos dias” [2] -; é um fator que deveria levar ao desapego, à generosidade, à harmonia e à concórdia.

A ideia de que o universo evolui como um todo, e de que o progresso de cada um depende do progresso geral de todos, produz não-violência, contentamento com a nossa situação objetiva, e uma inclinação a deixar que os outros tenham o seu lugar correto no esquema geral das coisas. Isto leva à percepção de que o aperfeiçoamento do ser humano é uma possibilidade para cada um de nós, de que este aperfeiçoamento se tornou um fato para aqueles que trabalharam com esta meta no passado. A Loja dos Mestres pode ser encarada como um fato objetivo.

Quem é um teosofista? Uma pessoa que aprecia os três objetivos [3] do Movimento Teosófico tal como foram formulados em 1875 não pode, na realidade, devotar-se a um deles e dar escassa atenção aos outros dois. Se fizer isso, ele penderá demasiado para um lado, assimetricamente. O termo “teosofista”, na verdade, pode ser aplicado não só a um membro ou associado de um grupo ou outro, mas a todos os praticantes da vida Teosófica, ou da Ética divina, e da Filosofia única universal, a Religião de Sabedoria. O verdadeiro estudante de Teosofia se torna, ou é, um ocultista.

O que causou a separação entre organizações de teosofistas? Há muitas razões para este fato, e uma recapitulação ou análise delas deve ter um só propósito - evitar a repetição dos erros. Se a unidade no plano físico é desejada, então ela deve ser antecedida pela unidade nos planos internos, da mente e do coração, e por uma redefinição dos nossos próprios objetivos e metas, que devem estar alinhados com o Impulso original.

Onde se pode encontrar as Linhas estabelecidas pelos grandes fundadores do Movimento Teosófico? Nos escritos e ensinamentos de H. P. Blavatsky, a Mensageira dos Mestres para a era atual. Isso é claro. Será que aqueles chamados “teosofistas” que aceitaram outros indivíduos como seus professores e que ignoram, ou subestimam, H.P. Blavatsky e seus ensinamentos conhecem realmente Teosofia? Quantos deles aceitam o que é falso como verdadeiro, sem verificar as coisas por si mesmos! Isso leva a atitudes parciais e a falsas pretensões, e provoca desunião.

A Unidade tem que ser buscada em questões de princípio; a partir disso, os detalhes externos cuidarão de si mesmos. Se cada um prestar atenção em seu próprio trabalho, suas próprias virtudes, e tentar seriamente reduzir seus verdadeiros erros, a unidade surgirá automaticamente.

Não necessitamos de um número enorme de indivíduos que chamam a si mesmos de “teosofistas” e fingem no plano externo que estão “unidos”. Necessitamos de uma harmonia interna e uma unidade de propósito, de meta e de ensinamento. E isso se alcança através do estudo individual, do discernimento, e do sacrifício.

NOTAS:

[1] “Deus”. A Carta 88 de “Cartas dos Mahatmas” (Ed. Teosófica, dois volumes) afirma que não há nada parecido com “Deus” em nosso universo ou mesmo fora dele, e que o uso desta palavra gera grande confusão. O termo é aceito em teosofia somente como significando a Lei Universal, ou a Natureza Universal. (CCA)

[2] Esta é uma citação do livro oito da obra “A Luz da Ásia”, de Edwin Arnold, Theosophy Company, Los Angeles, 1977, ver pp. 218-219. A passagem também é citada por Robert Crosbie no livro “The Friendly Philosopher”. (CCA)

[3] Os três objetivos do movimento teosófico moderno são: 1) Formar o núcleo de uma Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor; 2) O estudo de religiões, filosofias e ciências antigas e modernas, e a demonstração da importância de tal estudo; e 3) A pesquisa sobre as leis inexplicadas da Natureza e os poderes psíquicos latentes no homem. (CCA)

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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