31 de janeiro de 2013

Fortalecendo a Vontade Individual

Vencer a Rotina Mecânica Gera um Magnetismo Positivo

Carlos Cardoso Aveline




Há nos cidadãos modernos um déficit de vontade individual. É provável que nenhum indivíduo do mundo atual escape inteiramente deste aspecto do carma coletivo.

Os fatores determinantes desse problema são vários. A política econômica dominante busca transformar o indivíduo em um consumidor passivo e destituído de força própria. A política teológica das igrejas trata de transformá-lo em um crente cego e igualmente sem vontade. Para a mídia, ele é um mero consumidor de informações e de entretenimento. A medicina atual o transforma em um comprador de remédios e alguém que se submete a este ou aquele tratamento, ao invés de ensinar-lhe desde o início a ter uma vida saudável e a produzir e preservar o seu próprio bem-estar e sua saúde. Tudo isso alimenta a preguiça mental e emocional. 

Quando se tem a intenção de vencer o variado processo de coisificação da vida humana, é necessário fazer um esforço definido. Despertar interiormente significa ir contra a corrente comum que avança águas abaixo. O ato de romper a rotina automática da vida faz com que o indivíduo crie uma força de vontade firme e produza um magnetismo próprio. O teosofista pode romper a rotina, por exemplo, ao dedicar todos os dias um determinado tempo da sua vida a conhecer melhor o que é eterno.  

Um estudo regular de filosofia, e uma meditação diária em um canto da casa que seja reservado para isso, são práticas que fortalecem a vontade através da autodisciplina. Mas é preciso lembrar que o progresso espiritual nunca é algo assegurado. Mesmo que alguém já tenha vários anos de prática, cada dia será sempre, de certo modo, o primeiro dia de esforço. A experiência acumulada não é garantia de coisa alguma. A vigilância é sempre igualmente necessária. Ninguém está acima de testes.

Quanto mais se avança, mais duras, mais sagradas - e mais decisivas - são algumas provações. O pior engano que alguém pode fazer consigo mesmo é convencer-se de que “já conhece” o caminho espiritual. Esta ilusão impede a pessoa de querer aprender, e ser aprendiz é uma condição indispensável para que haja progresso.  

Ser verdadeiramente sábio significa estar livre da roda de reencarnações e é uma condição que está além da etapa atual de desenvolvimento humano. Entre os indivíduos que convivem com nossa humanidade, os maiores sábios são apenas discípulos da sabedoria eterna. Mas eles aprenderam algo decisivo. Eles aprenderam a aprender.

Para todos, o caminho precisa ser reinventado e reavaliado a cada dia e não há nada mais elevado do que ser aprendiz. A cada nova descoberta, o desapego é testado. O caminho não cessa de surpreender o caminhante. Será possível soltar as velhas ilusões para, com as mãos livres, agarrar as percepções renovadoras que surgem a cada momento? O indivíduo pode disciplinar-se? Pode calar a agitação e ouvir a voz do silêncio - que produz a paz? Ele consegue recolher-se a um canto todos os dias, “parar o mundo externo”, desligar-se, e instalar-se no Templo Interior da sua própria consciência? Na medida em que fizer isso, passará a viver mais plenamente.

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O texto acima foi publicado pela primeira vez de modo anônimo na edição de dezembro de 2009 de “O Teosofista”.

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


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