18 de novembro de 2014

Oração aos Planetas

A Lei da Afinidade Guia
Nossa Pequena Aldeia Solar  

Carlos Cardoso Aveline




A percepção consciente de que certas energias da alma pertencem na verdade ao mundo celeste pode provocar um sentimento profundo de devoção.

O amor pelo que é cósmico se expande quando compreendemos, pouco a pouco, a influência inspiradora do espírito de cada planeta ou corpo celeste. Os astrônomos provavelmente sentem o mesmo respeito diante do cosmo, ainda que para alguns deles essa emoção seja subconsciente.

Albert Einstein escreveu:

“É muito difícil elucidar esse sentimento cósmico-religioso para qualquer pessoa que não o tenha dentro de si.” [1]

Os seres humanos são alunos diante de um céu infinito. São irmãos menores dos deuses do céu, e não seria má ideia improvisar uma oração. Mas como fazer isso?

O tema de como orar aos espíritos de estrelas e planetas é abordado na obra clássica “Three Books of Occult Philosophy or Magic”, de Agrippa.[2]  Cabe também levar em conta  o ensinamento de Helena P. Blavatsky sobre orações. Segundo a teosofia original, elas não devem conter pedidos pessoais. Servem para expressar uma afinidade e para desenvolver uma vontade ativa e criativa na direção do que é bom, belo e verdadeiro.

Vejamos uma experiência prática neste sentido:

Oração aos Planetas

Om, Shanti.

1) Agradeço ao espírito planetário de Plutão pela dança celeste que mantém com sua lua Caronte.

Plutão é o instrutor do imponderável e representa a luz invisível do Centro da Galáxia. Ele ensina o dom da luta total, da surpresa e do renascimento. Ele alimenta a capacidade humana de buscar o infinito. E transmite o poder de deixar de lado o que não serve mais, e de renovar o que deve ser renovado.

2) Sou grato à alma de  Netuno.

Este embaixador da galáxia transmite sem palavras ao nosso planeta a paz insondável do oceano primordial. Aprendo com Netuno sobre a alma do universo. Descubro a arte de dissolver o que é pequeno no que é grande, para que a unidade sem fronteiras seja vivenciada no templo do coração. E a vigilância é necessária: a cautela manda evitar a falta de discernimento, quando se trata da energia netuniana.

3) No templo da alma humana, cabe agradecer à inteligência planetária de Urano.  

O regente da era de Aquário ensina sobre a amplitude ilimitada do ar, a intensidade do relâmpago, a determinação de mudar e o potencial de cada instante. Aprendemos com Urano a expressar uma parcela da energia luminosa e criativa do universo. Porém, a energia de Urano não deve anular minha persistência. Por esse motivo sou grato a Saturno.

4) O planeta dos anéis transmuta sem pressa as estruturas da vida. Saturno não trabalha em função do que seria agradável nesse ou naquele momento. Opera segundo o que é correto perante a Lei. Aprendemos com o mestre do Tempo a viver em sintonia crescente com o nosso dever  sagrado, a partir de uma perspectiva de longo prazo. O rigor metódico do Carma é compensado e estimulado pela vocação de vitória.

5) Júpiter é o mestre do futuro e do otimismo. Graças a ele, se expande em nós a determinação de buscar o melhor. Os seres humanos aprendem com Júpiter a erguer seu olhar na direção do mundo celeste e a ter confiança no poder luminoso da vida infinita. Este planeta magistral inspira e protege a filosofia, mas cabe evitar exageros quando vivemos a sua  energia expansiva.

6) Agradeçamos a Marte, o mestre do bom combate.  O planeta vermelho é uma fonte de coragem para inovar. Aprendo com o deus da luta a expressar em minha vida a energia transformadora do cosmo. Abstenho-me, porém, da violência desnecessária.

7) Devemos ser gratos à Terra, que vive há alguns séculos o renascimento de uma consciência cósmica. É uma bênção fazer parte deste despertar.

8) Vênus é,  segundo Helena Blavatsky, “a irmã mais velha da Terra”. Ela protege a vida em nosso planeta. Ela ensina a perseverar e a expressar concretamente o amor pelo que é bom, belo  e verdadeiro. Agradeço à estrela da manhã e do anoitecer pelo equilíbrio e pela força que recebo dela.

9) Mercúrio é o mensageiro dos deuses. O  mestre da compreensão dá clareza aos  pensamentos humanos. Aumenta em nossas mentes a pureza e a força da Verdade. A honestidade pessoal é testada na interação da alma com Mercúrio.

10) A pequena Lua se sacrifica maternalmente pela Terra.

Este satélite  ensina amor altruísta e respeito pelo passado. Agradeço à Lua por testar e fortalecer minha determinação de agir e amar além das marés oscilantes de curto prazo.

11) Pensemos agora no Mestre dos Mestres.

Seu círculo dourado domina o céu.

Comemoremos em nossas consciências a luz eterna e a vida infinita.

O Sol, o Surya indiano, o Apolo grego, é a contrapartida celeste do coração humano. Constitui  o centro astronômico, astrológico e oculto  desta aldeia cósmica, na periferia da Via Láctea.

Estando em sintonia com a influência do Sol espiritual, é nosso dever mandar paz a todos os seres.

Om, Shanti.  

NOTAS:

[1] “Assim Falou Einstein”, compilação de Alice Calaprice, Ed. Civilização Brasileira, RJ, 1998, ver pp. 159-160.

[2] “Three Books of Occult Philosophy or Magic”, de Henry Cornelius Agrippa, 288 pp., Kessinger Publishing Co., Montana, U.S.A. Veja especialmente as pp. 210 e 211. Agrippa é citado nas Cartas dos Mahatmas.

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


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