24 de agosto de 2016

A Filosofia do Aikidô

A Voz da Paz Pode Ressoar Como um Trovão
Que Arranca os Seres Humanos da Sua Apatia

Morihei Ueshiba

Morihei Ueshiba

  

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Nota Editorial de 2016:
 
Reproduzimos a seguir alguns pensamentos do livro
A Arte da Paz”, de Morihei Ueshiba (1883-1969), o 
fundador do Aikidô. O livro foi publicado por Edições
Coisas de Ler, em Lisboa, 2005, e tem 95 páginas. Os números
das páginas estão ao final de cada citação, entre parênteses.

A identidade interna do Aikidô com muitos aspectos da
filosofia esotérica clássica é fácil de perceber quando lemos
estes axiomas. Um Mestre de Sabedoria escreveu: “Esforcem-se
em direção à Luz, todos vocês, bravos guerreiros da Verdade,
mas não deixem que o egoísmo penetre em seu meio”. [1]

As metáforas militares fazem parte da tradição espiritual
de quase todas as nações: o Novo Testamento cristão e o
Bhagavad Gita hindu são dois exemplos entre muitos. O
aforismo 103 de “O Dhammapada” afirma: “Melhor que um
homem que vence em batalhas mil vezes mil homens, é aquele
que vence a si mesmo. Ele é, na realidade, o maior dos guerreiros.” 

Morihei Ueshiba ensina o mesmo princípio da sabedoria universal.

(Carlos Cardoso Aveline)

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* Acalenta e aperfeiçoa o espírito guerreiro enquanto serves o mundo; Ilumina o Caminho de acordo com a tua luz interior. (p. 42)

* O Caminho da Paz é muito vasto, refletindo o grande desenho dos mundos ocultos e visíveis. Um guerreiro é um santuário vivo do divino que serve esse grandioso desígnio. (p. 43)

* O teu espírito deverá estar em harmonia com o funcionamento do universo; o teu corpo deve estar em consonância com o movimento do universo; corpo e espírito devem ser um só, unidos com a atividade do universo. (p. 43)

* A Arte da Paz é o princípio da não resistência. Por ser não resistente é vitoriosa desde o início. Aqueles com intenções malévolas ou maus pensamentos são vencidos. A Arte da Paz é invencível porque não colide com nada. (p. 53)

* Não há disputas na Arte da Paz. Um verdadeiro guerreiro é invencível porque ele ou ela não disputa nada. Derrotar significa derrotar o espírito do conflito que abrigamos dentro de nós. (p. 53)

* Transcende os limites da vida e da morte, e então conseguirás fazer calmamente o teu caminho através de qualquer crise com que sejas confrontado. (p. 69)

* O teu coração está cheio de sementes férteis à espera de desabrocharem. Tal como uma flor de lótus floresce para desabrochar de forma esplêndida, também a interação faz com que a flor do espírito desabroche e dê frutos. (p. 28)

* Estuda os ensinamentos do pinheiro, do bambu, dos rebentos das ameixeiras. O pinheiro é verde, tem raízes firmes e veneráveis. O bambu é sólido, resistente, inquebrável. Os rebentos das ameixeiras são cheirosos e elegantes. (p. 29)

* Mantém sempre o teu espírito luminoso e claro como o vasto céu, o pico mais elevado e o oceano mais profundo, vazio de quaisquer pensamentos limitadores. (p. 29)

* Quando te começares a preocupar com o “bem” e o “mal” dos teus companheiros, estás a abrir uma porta no teu coração para que a malícia possa entrar. Testar, criticar e competir com os outros enfraquece-te e derrota-te. (p. 31)

* A Arte da Paz não é fácil. É uma luta até ao fim, o desfazer de desejos malévolos e de toda a falsidade. De vez em quando a voz da paz ressoa como um trovão fazendo sair os seres humanos da sua apatia. (p. 33)

* Encara qualquer desafio que esteja à tua frente. Quando um ataque aparece à tua frente, utiliza o princípio da “lua refletida na água”. A lua parece estar realmente presente, mas se tocares a água, não estará lá nada. Também o teu oponente não encontrará nada sólido para atacar. Tal como a luz da lua, envolve o teu oponente física e espiritualmente, até não haver separação entre vós. (p. 69)

* Os ataques podem vir de qualquer direção - de cima, do meio, de baixo; da frente, de trás, da esquerda, da direita. Mantém-te concentrado e serás intocável. (p. 70)

* Sê grato mesmo pelos reveses e pelas dificuldades. Lidar com os obstáculos é uma parte essencial do treino da Arte da Paz. (p. 70)

* A única cura para o materialismo é a limpeza dos seis sentidos (olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e espírito). Se os sentidos estiverem embaçados, a percepção fica afetada. Quanto mais afetada, mais contaminados ficam os sentidos. Isto prova a desordem no mundo e esse é o pior mal de todos. Purifica o coração, liberta os seis sentidos e deixa-os funcionar sem obstrução, e todo o teu corpo e alma brilharão. (p. 37)

* Há muitos métodos para chegar ao cimo e todos eles nos levam às alturas. Não há necessidade de nos guerrearmos uns com os outros - todos somos irmãos e irmãs que deveriam fazer juntos o Caminho, mão na mão. Mantém-te no teu Caminho e nada mais importará. Quando perderes o desejo por coisas que não têm importância, serás livre. (p. 39)

* Nunca temas quem te desafia, por mais imponente que seja. Nunca desprezes quem te desafia, por mais insignificante que seja. (p. 39)

* Os mais fortes nem sempre derrotam os mais fracos. Os pequenos podem tornar-se grandes se trabalharem constantemente para isso; os fortes podem tornar-se fracos se não o fizerem. (p. 40)

* A lealdade e a devoção conduzem à bravura; a bravura ao espírito de autossacrifício. O espírito de autossacrifício cria a confiança no poder do amor. (p. 40)

* Toda a vida é uma manifestação do espírito, a manifestação do amor. E a Arte da Paz é a forma mais pura desse princípio. A um guerreiro compete pôr termo a toda a discussão e contenda. O amor universal funciona de diversas maneiras; cada manifestação deve ser livre de se expressar. A Arte da Paz é a verdadeira democracia. (p. 38)

NOTA:

[1] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, editadas por C. Jinarajadasa, Editora Teosófica, Brasília, 1996, 295 pp., ver Carta 20 da primeira série, p. 66.

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Uma versão inicial do texto acima foi publicada na edição de janeiro de 2016 de “O Teosofista”.

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