1 de março de 2017

A Pressão Atmosférica da Alma

Aumentando a Firmeza do
Estado de Espírito Elevado

Carlos Cardoso Aveline

A Pressão Atmosférica da Alma



A sociedade de hoje está em rápida mutação, e grande parte dela está moral e intelectualmente podre: cabe acelerar o renascimento.

À medida que avançam os sinais de decadência em diversos níveis da civilização materialista, o estudante atento de filosofia fortalece o santuário e o templo situados no centro superior da sua própria consciência.

Ele expande a vigilância pela qual protege o seu estado de espírito, garantindo o bem-estar da alma. Ele sabe que a vida é feita de ritmos. Os fatos fluem de acordo com números, ciclos e padrões. Criando um hábito saudável, o progresso espiritual se torna maior. Ao fazer pela primeira vez algo que é o mais correto possível, fica menos difícil fazê-lo de novo. Com o tempo, a ação se torna parte da sua própria natureza.

A mente humana funciona como uma bicicleta sutil no vasto mundo de pensamentos e sentimentos, alguns dos quais são nobres, e outros não.

As Mudanças Climáticas do Pensamento

À medida que viaja em direção à sua meta, a consciência individual precisa adaptar-se e reagir às mutáveis condições meteorológicas do mundo abstrato, em que há a contrapartida sutil de fatores físicos como pressão atmosférica, luminosidade, ventos e temperatura.

Aquele que está no comando da sua mente deve ser vigilante para não ser arrastado pelas mudanças externas. Quando um grupo de corações e mentes se reúne para cooperar, a ajuda mútua faz com que os resultados sejam melhores.

A cada fato antiético na sociedade que o rodeia, o cidadão de boa vontade renova a decisão interna de viver corretamente.

Ele não se deixa levar pelas correntes atmosféricas da ignorância. Em meio aos altos e baixos do clima, a cada tropeço ele renova a decisão de vivenciar a sabedoria e respirar o altruísmo. Assim, passa a irradiar ao seu redor uma visão correta do mundo.

Os resultados iniciais do esforço não serão espetaculares. Longe disso. As substâncias tóxicas do ar pensamental serão atraídas pela pureza da sua meta e tratarão de alterar o foco da consciência com a sua substância astral peculiar. O peregrino terá de agir como uma estação de tratamento de efluentes: cada vez que a poluição vem até ele, ele a purifica com a força do seu caráter e o filtro da sua alma.

Os obstáculos fortalecem a vontade. A decisão constantemente renovada de querer o melhor serve como uma defesa contra a invasão da sua alma por parte da energia da decadência.

A cada instante, há duas possibilidades principais:

* Ou o seu estado de espírito emite o que é bom, ou terá de absorver infantilmente a energia da desatenção irresponsável que o rodeia, caindo ele próprio na onda astral inferior.  

* Ou o peregrino planta o bem e a verdade, ou colherá para si, por osmose e de modo subconsciente, a ilusão coletiva.

Esta opção binária entre poluição e purificação mental precisa ser feita em todas as dimensões. A luta ocorre no âmbito das relações pessoais. Acontece no ambiente de trabalho. Desdobra-se nas amizades, e nas situações em que o indivíduo cruza com alguém no dia-a-dia ao adquirir um jornal, pegar um ônibus ou fazer compras no supermercado. Em tudo ele pode emitir a corrente do bem.

A vontade ativa é a melhor defesa. Emitir o sinal da teosofia autêntica não é algo que esteja limitado a palavras, mas as inclui. Uma destemida declaração de princípios, feita por alguém que acredita no poder da boa vontade, é probatória: atrai testes e, por isso mesmo, é uma prática sagrada para o aprendiz da arte de viver.

A renovação constante do compromisso pessoal com sua consciência superior deve fluir de muitas formas externas diferentes, contrabalançando a pressão materializante que rodeia o buscador da verdade.

A Pressão Atmosférica Mental

Toda psicosfera tem um determinado grau de “pressão atmosférica”, isso é, de força ou coesão em sua aura. Quando a força da “atmosfera individual ” é maior que a “pressão atmosférica externa”, o estudante de teosofia irradia naturalmente a seu redor a sinceridade que cultiva em si. E se falta firmeza no seu estado de espírito diante da pressão psicoatmosférica exterior, a aura do indivíduo é invadida por pensamentos alheios de natureza pouco elevada.

A conclusão prática é inevitável. O peregrino deve estar aberto a pensamentos nobres, e fechado a pensamentos ignóbeis.

Com esta prática e esse discernimento ele assume as rédeas do seu próprio destino e planta as bases da sabedoria.  

Do ponto de vista técnico, a atmosfera do buscador da verdade é mais sutil e parece ser mais frágil que a atmosfera criada pelos pensamentos inferiores. Ela certamente é mais sensível. Isso explica, em parte, o sentimento de superioridade que os céticos e materialistas têm com frequência em relação ao mundo espiritual.

No plano físico, por exemplo, a pressão atmosférica do ar é tanto maior quanto menor a altitude. No alto de uma montanha, a pressão atmosférica é muito menor do que ao nível do mar. A pessoa acostumada a viver em baixas altitudes, quando vai ao alto dos Andes ou dos Himalaias sente que lhe falta o ar. O coração dispara. A força física fica reduzida. Pode haver tontura.

Algo equivalente ocorre no mundo astral. Os pensamentos elevados têm menos força densa do que os pensamentos inferiores. A pessoa acostumada a pensamentos egoístas sente tédio numa atmosfera filosófica.

Por outro lado, a sensibilidade sutil da atmosfera mental superior é compensada por uma vontade própria fortalecida, que estabelece hábitos físicos e emocionais corretos.

O Horizonte no Alto da Montanha

O propósito do eu superior gera um vento de ar puro. No alto da cordilheira, vê-se melhor o sol espiritual. O horizonte é imensamente amplo. Há montanhas nevadas ao redor, e sente-se o fluir do vento do espírito. O indivíduo está longe do ar denso criado por pensamentos inferiores.

A geografia da alma é ampla como a topografia do planeta. Cada indivíduo tem em si mesmo o vale e a montanha, os Andes, ou Himalaias, e a praia de mar. Ele precisa de todos os aspectos da natureza. Tudo o que é humano e geológico lhe diz respeito.

“Ventos” e “chuvas” mudam o aspecto de curto prazo da sua natureza. Estes fatores interagem com a luz do sol, a luz da lua, e com a influência de nuvens mentais e emocionais de vários tipos. O silêncio interno possibilita ao peregrino contemplar e compreender a paisagem da alma, com sua estrutura de lugares altos e baixos, seu clima e atmosfera próprios.

Para lavrar o solo da alma e plantar as sementes da sabedoria, é necessário um esforço paciente sob condições climáticas variáveis. A agricultura do espírito é uma ciência oculta. Requer trabalho inteligentemente intenso, feito com vigilância, paciência e determinação.

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Ao escrever o artigo acima, o autor utilizou como matéria-primeira os seguintes textos, escritos por ele próprio e publicados anteriormente de modo anônimo: “A Alma Tem Sua Própria Ecologia”, em “O Teosofista”, novembro de 2016, p. 11; “Ecologia Moderna: Enfrentando a Poluição Mental”, em “O Teosofista”, julho de 2016, pp. 16-17; e “O Oceano de Pensamentos”, em “O Teosofista”, novembro de 2015, p. 5.

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Leia também em nossos websites associados os artigos “A Arte de Navegar” e “O Que é a Aura Humana”.

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


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