2 de outubro de 2018

Churchill Desafia a Opinião Pública

Tanto os Sábios Como os Estadistas
Desmascaram a Ignorância Organizada

Carlos Cardoso Aveline

Winston Churchill (esquerda) é interpretado por
Gary Oldman no filme “O Destino de Uma Nação”



O filme “O Destino de Uma Nação” (intitulado em Portugal “A Hora Mais Negra”) examina momentos dramáticos na vida do primeiro-ministro inglês Winston Churchill, e uma página decisiva na história da humanidade. [1]

Apesar do título pouco otimista - no original, “Darkest Hour”, “A Hora Mais Negra” - este é um dos filmes espiritualmente luminosos produzidos sobre a segunda guerra mundial. Contém reflexões importantes sobre o papel da opinião pública na História e o dever dos líderes políticos e chefes de estado.

Uma verdadeira obra de arte, o filme usa o Reino Unido como exemplo para mostrar o duelo mortal entre verdade e falsidade no coração humano e na vida pública. A luta está muito viva no século 21, quando a “opinião coletiva” é facilmente fabricada na maior parte dos países através de campanhas de propaganda que atuam em níveis conscientes e subconscientes da mente.

O desafio de preservar o bom senso e o discernimento enquanto se evita as ilusões coletivas não é algo que os teosofistas desconheçam completamente, porque um Mestre de Sabedoria afirma em “Cartas dos Mahatmas”:

“…Nas ideias ocidentais, tudo é reduzido às aparências, mesmo na religião.”

E o instrutor prossegue:

“Um confessor não pergunta a seu penitente se ele sentiu raiva, mas se ele mostrou raiva a alguém. ‘Evitarás ser descoberto ao mentir, roubar, matar, etc.’ - este parece ser o principal mandamento dos Senhores deuses da civilização, a Sociedade e a Opinião Pública.” [2]

Mais de um projeto moralmente desprezível é apresentado como altruísta com a ajuda de técnicas milionárias de propaganda. E, na maior parte dos casos, é fácil atacar um esforço nobre diante da “opinião pública”. Portanto, os cidadãos de boa vontade devem ser indiferentes a aplauso e críticas. As consequências práticas disso são inevitáveis. Nas Cartas dos Mahatmas lemos que os iniciados carecem totalmente “daquele sentido do ridículo que incita a mente ocidental a ridicularizar as melhores e mais nobres aspirações do gênero humano”. Um iogue, diz o mestre, não pode sentir-se “ofendido ou envaidecido pela opinião do mundo”. [3]

Outro mestre da sabedoria oriental recomendou a um discípulo leigo:

“Não tema, homem imortal, despreze os sussurros maldosos do Janus de dupla face chamado opinião pública.” [4]

Para os Iniciados, o “tribunal da opinião pública” tem pouca legitimidade e é “o mais levianamente cruel, preconceituoso e injusto dos tribunais.” [5]

No começo da segunda guerra, Winston Churchill desafiou este tipo de tribunal ao insistir na “estranha ideia” de que as pessoas de boa vontade deveriam defender de fato o Reino Unido e a civilização ocidental contra a agressão nazista.

Os sábios e os estadistas autênticos desmascaram a ignorância coletiva.

Em 1939-1940, os partidários da submissão dominavam a opinião pública. Hitler parecia invencível. Manter-se em paz com o governo nazista de Berlin era - desde o ponto de vista da preguiça mental e da derrota moral - a única opção. Winston Churchill era portanto um louco por tentar resistir, e suas ideias foram consideradas absurdas na melhor das hipóteses.

“O Destino de Uma Nação” - ou “A Hora Mais Negra” - é altamente recomendável para teosofistas e amigos da humanidade que buscam a verdade e aceitam a tarefa probatória de desmascarar falsos consensos.

O filme é uma história sobre como a verdade e a coragem moral derrotam o politicamente correto. Ele mostra a importância de pensar por si mesmo e transmite uma lição ou duas de filosofia esotérica avançada. Ele estabelece um exemplo a ser seguido em nosso século, tanto nas associações filosóficas e teosóficas como em todos os aspectos da vida.

NOTAS:

[1] Disponível em DVD. Duração de 125 minutos. Estrelando Gary Oldman como Winston Churchill. Diretor: Joe Wright.

[2] “Cartas dos Mahatmas”, vol. I, Carta 74, Ed. Teosófica, Brasília, 2001, 374 pp., p. 346.

[3] “Cartas dos Mahatmas”, vol. I, Carta 29, Ed. Teosófica, Brasília, pp. 159-160.

[4] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, Segunda Série, Carta 10, Ed. Teosófica, Brasília, 2010, 295 pp., p. 181.

[5] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, Primeira Série, Carta 7, p. 36.

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O texto acima é uma tradução do artigo “Churchill Challenges Public Opinion”.

Clique para ver  o trailer do filme “O Destino de Uma Nação” (“A Hora Mais Negra”).

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Veja o artigo “O Constitucionalismo”, do juiz brasileiro Sérgio Moro.



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