19 de maio de 2026

Marquês de Maricá e a Teosofia

 
A Obra do Filósofo Brasileiro Tem Uma
Sabedoria em Comum com ‘A Doutrina Secreta’
 
Carlos Cardoso Aveline


 

A sabedoria primordial
esteve presente nas primeiras
décadas do Brasil Independente,
e constitui uma chave para o futuro.
 
 
 
O filósofo brasileiro Marquês de Maricá morreu no Rio de Janeiro em 1848, exatamente quatro décadas antes de Helena P. Blavatsky publicar “A Doutrina Secreta”, em Londres, em 1888.
 
No entanto, podemos encontrar nos escritos do Marquês ideias e visões clássicas presentes na obra “A Doutrina Secreta” e outros escritos de HPB. Isso é possível devido ao caráter primordial da sabedoria estudada por Blavatsky.
 
A filosofia esotérica que está na base da teosofia moderna é bem mais antiga do que se possa imaginar. É inclusive anterior à nossa humanidade atual, e este fato está bem documentado. A Bíblia judaico-cristã ensina que a Sabedoria é mais antiga que o planeta Terra tal como o conhecemos hoje.
 
Vejamos um exemplo do que diz pioneiramente o Marquês de Maricá na década de 1840:
 
“Os sábios são sintéticos, descobrem um universo guarnecido de inumeráveis mundos, um sistema geral compreendendo infinitos sistemas parciais, finalmente um Ser ou unidade de natureza eterna e incompreensível, animando, vivificando, e racionalizando este todo portentoso com a sua existência, presença e assombrosa sabedoria.” [1]
 
Se Blavatsky tivesse citado estas palavras do brasileiro em “A Doutrina Secreta”, a citação teria ficado incluída de maneira perfeitamente correta naquela obra monumental. O Marquês foi um brilhante precursor da ética e da doutrina teosófica ensinadas por HPB.
 
Seleciono a seguir outros exemplos da presença da doutrina secreta antiga nas páginas escritas pelo Marquês.
 
* “O Universo material e moral está de tal maneira impregnado da ação e inspirações da Divindade que os eventos que parecem mais fortuitos têm a sua origem latente nas disposições predeterminadas daquela infinita sabedoria e providência que vela incessantemente no bem, na ordem e perpetuidade do sistema universal.” (Aforismo 1616, p. 164, em Máximas)
 
* “Os homens são verdadeiros prismas orgânicos em que a luz misteriosa da Sabedoria Divina penetrando se refrange e aparece dividida em variados talentos, engenhos e aptidões intelectuais.” (Aforismo 3731, p. 385, em Máximas)
 
* “Nada pode suceder no Universo que não esteja compreendido no sistema geral da ordem constituída pela Infinita Sabedoria de Deus na criação universal: devemos portanto resignar-nos com a sua Divina Vontade na ocorrência de quaisquer fenômenos e acontecimentos que pareçam contrários ao nosso cômodo ou felicidade na consideração de que são vagos e fortuitos, mas predeterminados para o bem geral no sistema assombroso e misterioso do Universo.” (Aforismo 3814, p. 395, em Máximas)
 
* “Como as baleias nos vastos oceanos da Terra, os astros e os mundos são viventes criaturas que se movem pelo oceano imenso do éter celestial.” (Aforismo 4089, p. 427 em Máximas)
 
                Recorte da edição de 1850 das “Máximas”, com o pensamento 3731 da edição de 1850
 
 
* “Tudo no Universo é movimento e ação. Toda a alteração ou mudança ocasiona um fenômeno ou produto novo. Pode portanto dizer-se que tudo, com variedade e novidade, se remoça na criação universal. Tal é a sabedoria infinita do supremo Ente criador de tudo.” (Aforismo 4095, p. 428 em Máximas)
 
* “Que capacidade imensa a da mente divina, compreendendo o ideal de tudo o que existiu, existe e há de existir por toda a eternidade, no espaço infinito e no tempo ilimitado da criação universal!” (Aforismo 4188, p. 438 em Máximas)
 
* “O amor criou o universo, que pelo amor se perpetua.” (Aforismo 706, p. 79 em   Máximas)
 
* “As fábulas e alegorias do Oriente invadiram e conquistaram o Ocidente.” (Aforismo 3173, p. 331 em Máximas)
 
O Grande Geômetra da Imensidade
 
* “Não podemos sair fora da esfera divina, esta compreende a imensidade.” (Aforismo 3194, p. 332 em Máximas)
 
* “O Infinito nos assombra, a Imensidade nos circunda e a Eternidade nos espera!” (Aforismo 1793, p. 180 em Máximas)
 
* “O nosso pensamento, sentindo-se abafado no ar mefítico da Terra, parte, voa, atravessa o éter misterioso das regiões celestes, descobre inumeráveis sóis, mundos sobre mundos, céus sobre céus, e não achando limites ao Universo, adora absorto o seu divino Autor, e se perde na sua imensidade.” (Aforismo 2365 p. 233 em Máximas)
 
* “Quando alcançamos conceber a ideia de um Ser ou Unidade Infinita e misteriosa, compreendendo e animando toda a imensidade, temos chegado à síntese mais sublime a que pode elevar-se o entendimento humano.” (Aforismo 1771, p. 178 em Máximas)
 
* “É dado somente ao Divino Geômetra medir e compreender a Imensidade.” (Aforismo 1795, p. 180 em Máximas)
 
Estas são apenas algumas passagens escolhidas de um livro de grande porte, todo ele amplamente teosófico, constituindo uma das obras mais profundas e místicas da filosofia brasileira de todos os tempos.
 
 
Serão abordadas em outro artigo as correlações entre passagens dos escritos do Marquês e das Cartas dos Mahatmas.
 
NOTA:
 
[1] Do volume “Máximas, Pensamentos e Reflexões do Marquês de Maricá”, Edição Dirigida e Anotada por Sousa da Silveira, Ministério da Educação e Cultura, Rio de Janeiro, 1958, 503 pp., ver página 280, pensamento 2807.
 
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O artigo acima foi publicado nos websites da Loja Independente de Teosofistas no dia 19 de maio de 2026. Ele reúne e passa a limpo parte do material publicado nas páginas 1 a 6 da edição de agosto de 2025 de “O Teosofista”.   
 
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Leia mais:
 
 
* Notas Sobre Reencarnação e Filosofia (Seleção de Trechos dos Escritos do Marquês de Maricá).
 
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Helena Blavatsky (foto) escreveu estas palavras: “Antes de desejar, faça por merecer”. 
 
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