13 de setembro de 2016

Os Adeptos na América em 1776

Mestres de Sabedoria Trabalham Por Uma
Nova Ordem dos Tempos na História Humana

William Q. Judge

William Q. Judge (1851-1896) e Thomas Paine (1737-1809)


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Nota Editorial: 

“Adeptos” são altos Iniciados, isto é,
sábios que têm um conhecimento completo
sobre filosofia esotérica e sabedoria universal.

(CCA)

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As sugestões e afirmações  feitas a seguir estão inteiramente sob a responsabilidade pessoal do autor e - tanto quanto ele saiba - não foram levadas ao conhecimento ou obtiveram o consentimento dos Adeptos a que, em termos gerais, se alude.

Qualquer pessoa reflexiva fica atónita e espantada quando examina a história da formação e da ascensão dos Estados Unidos da América da Norte, e constata que a Teologia dogmática não dispõe de ponto de apoio em nenhuma parte da Declaração de Independência ou da Constituição, sobre a qual ela gostaria de bom grado de construir uma estrutura, e que, desde então, tantas vezes tentou erigir, dentro, ou sobre, o Governo. Ficamos admirados porque esses documentos foram redigidos, e o Governo empossado, numa época  em que o dogmatismo, de qualquer espécie que fosse, era muito poderoso e influente.

Embora os Puritanos [1] e outros tivessem vindo para a América para fruir de liberdade religiosa, eles eram muito dogmáticos e tenazmente arraigados às suas próprias teorias e crenças particulares, de tal maneira que, se nós tivéssemos encontrado nessa lei fundamental inúmeras alusões à religião ou a estabelecimentos religiosos, isso não nos admiraria. Mas é debalde que as procurámos e é em vão também que os partidários da Igreja de Ferro tentaram embutir a pedra-angular de que necessitavam, e hoje em dia a América do Norte regozija-se com isso, e foi desse modo capaz de ter um crescimento maravilhoso que fez o espanto e a admiração da Europa.

A neutralização dos esforços feitos pela beatice em 1776 se deve aos Adeptos que olham hoje pela S.T. e lhe outorgam a garantia dos seus Elevados Nomes.

Eles supervisaram a redação da Declaração e o esboço da Constituição, nas suas grandes linhas, e é esta a razão pela qual nenhum ponto de apoio foi deixado a esses cristãos tumultuosos que desejam injetar Deus na Constituição.

Na Declaração, da qual  brotou a liberdade, é feita menção à “natureza e ao  deus da  natureza. Nos parágrafos segundo e terceiro estão especificados os direitos naturais do homem, tais como a vida, a liberdade e a busca pela felicidade. O rei é mencionado como sendo “indigno de governar uma Nação civilizada”, e nada é dito sobre se ele seria o chefe, ou se seria digno de ser o chefe, dum povo cristão.  

Ao dirigir-se aos seus irmãos britânicos, a Declaração indica que se “faz um apelo à justiça e à magnanimidade nativas deles”. Foi deixada de fora qualquer referência a religião, ao Cristianismo ou aos mandamentos de Deus. E isto pela muito boa razão de que durante 1.700 anos a religião havia lutado contra o progresso, contra a justiça, contra a grandeza de alma e generosidade, e contra os direitos do homem. E na frase de conclusão os signatários comprometem-se mutuamente, em juramento, a defender esta Declaração ignorando qualquer apelo a Deus.

Na Constituição de 1787 é declarado, no Preâmbulo, que o instrumento definido foi criado para a união, para a justiça, para a tranquilidade e a defesa, o bem de todos e a liberdade. O Artigo VI estipula que nunca será exigida uma fé religiosa para aceder a uma função, e a Primeira Emenda proíbe toda e qualquer instauração de uma religião institucional, ou qualquer restrição à liberdade de culto.

Ao procurar ao redor do Mundo uma mente através da qual pudessem produzir na América a reação que era necessária nesta época, os elevados Adeptos Teósofos encontraram, na Inglaterra,  Thomas Paine. Em 1774 eles influenciaram-no, com a ajuda do valioso Irmão Benjamim Franklin,  para que viesse para a América do Norte. Ele veio para cá e foi o principal instigador da separação das Colônias em relação à Coroa Britânica.

Aceitando a sugestão de Washington, Franklin, Jefferson e outros francomaçons, cujas mentes, através dos ensinamentos dos graus simbólicos da Maçonaria, estavam aptas a raciocinar corretamente e a rejeitar o conservantismo teológico, ele escreveu o seu livro “O Sentido Comum”, que se transformou na tocha incendiária cujas chamas devoraram os laços e os  vínculos que existiam entre a Inglaterra e a América do Norte. Thomas Paine recebeu agradecimentos públicos frequentes por “O Sentido Comum”. George Washington escreveu a Paine em 10 de Setembro de 1783:

“Eu ficaria extremamente feliz em encontrar-me consigo. A sua presença recordará talvez aos Membros do Congresso os serviços prestados no passado a este país, e se eu puder  influenciá-los, não hesite em pedir livremente os meus serviços, que serão prestados com alegria por alguém que nutre um vivo sentido de reconhecimento pela importância das suas obras.”

E novamente numa carta de junho de 1784, endereçada a Madison, Washington diz:

“Não se poderá fazer algo na nossa Assembleia em prol do pobre Paine? Os méritos e os serviços de ‘O Sentido Comum’ dissipar-se-ão pouco a pouco no tempo sem serem recompensados por este país? As obras de Thomas Paine exerceram certamente um efeito muito poderoso sobre o espírito do público. Não deveriam aquelas, portanto,  serem por sua vez justamente recompensadas?” [2]  

Na sua obra “A Idade da Razão”, que escreveu em Paris vários anos mais tarde, Paine declara: “Eu  vi, ou pelo menos pensei ter visto uma  vasta cena que se abria para o Mundo nos assuntos da América;  e pareceu-me que a menos que os Americanos modificassem o projeto que tinham então, e se declarassem independentes, não só eles se envolveriam numa multiplicidade de novas dificuldades, mas eliminariam a perspectiva que, então, surgia para a Humanidade através deles. Mais adiante ele diz: “Há duas categorias diferentes de pensamento: aqueles que resultam da reflexão e aqueles que surgem na mente repentinamente e por si próprios. Eu sempre tive por regra tratar estes visitantes voluntários com cortesia, e é deles que adquiri todo o Conhecimento que tenho.

Estes “visitantes voluntários” foram injetados no seu cérebro pelos Adeptos, Teósofos. Vendo que uma nova ordem dos tempos estava prestes a começar e que havia uma nova oportunidade para a liberdade e a fraternidade entre os homens, eles colocaram diante dos olhos de Thomas Paine - em quem sabiam que podiam confiar para se manter quase sozinho com a lanterna da verdade, no meio de outros que, “em tempos que testavam os homens” tremiam de medo -, “uma vasta cena que se abria para a Humanidade nos assuntos da América”. O resultado foi  a Declaração e a Constituição da América do Norte. E como para dar ainda mais peso a estas palavras e à sua afirmação sobre esta vasta cena que se abre, esta nova ordem dos tempos, o desenho que figura na parte detrás do grande selo dos Estados Unidos representa uma pirâmide cujo cume foi truncado e substituído por um resplandecente olho de luz deslumbrante, inserido num triângulo, por cima do qual estão escritas as palavras “os Céus aprovam”, e por baixo aparece esta máxima surpreendente: “uma nova ordem dos tempos”.

Não podemos duvidar que ele tinha na ideia uma nova ordem dos tempos, quando lemos na sua obra “Os Direitos do Homem”, parte dois, capítulo 2: “Não é na Ásia, na África ou na Europa que  poderia ter começado a reforma da condição política do Homem. Ela (a América) tomou uma posição que não era só para ela, mas para o mundo, e olhava para além da vantagem que ela poderia obter”. E no Capítulo 4: “O caso e as circunstâncias na América apresentam-se como se tratasse do começo dum mundo ... há um alvorecer da razão que se levanta sobre o homem, em matéria  de Governo, que não se tinha visto antes”.

O conteúdo “do selo” não foi acidental, mas tinha a real intenção de simbolizar  a construção e a fundação sólida duma nova ordem dos tempos. Ele estava dando forma à  ideia, que fora mostrada à mente de Thomas Paine através de um “visitante voluntário”, de uma vasta cena que se abria, o começo na América duma nova ordem dos tempos. Esse lado do Selo nunca chegou a ser cinzelado ou utilizado, e o lado que é usado até hoje não foi sancionado pela Lei. Na primavera de 1841, quando Daniel Webster era o Secretário de Estado, um outro Selo foi esculpido, e em vez da águia segurar na sua garra esquerda treze (13) flechas como estava previsto, ela apenas agarra seis. Não só esta modificação não foi autorizada, mas  também se desconhece a razão porque foi feita. [3] Quando o outro lado [do Selo] for lavrado e utilizado, não estará realmente estabelecida a nova ordem dos tempos?

Portanto, reivindica-se para os Adeptos Teósofos algo mais do que o simples poder de transformar um metal grosseiro em ouro, ou a posse duma coisa puramente material como o elixir da vida. Eles observam constantemente o progresso do homem e ajudam-no no seu voo vacilante em direção das alturas escarpadas do progresso. Estes Adeptos influenciaram Washington, Jefferson e todos os outros corajosos francomaçons que ousaram fundar no Ocidente um Governo livre e isento das escórias e da sujidão do dogmatismo. Eles clarificaram as mentes desses homens, inspiraram a pluma deles e deixaram impresso, no grande selo desta poderosa nação, a marca da sua presença.

NOTAS:

[1] Puritano - seguidor do Puritanismo, cuja doutrina é de inspiração Calvinista. Jean Calvin foi um reformador nascido em 1509, em Genebra na Suíça, tendo morrido em 1564. [Nota do Tradutor]

[2] 9 Sparks, 49. [Nota de William Q. Judge]

[3] Ver os arquivos do Departamento de Estado dos EUA. [Nota de William Q. Judge]

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O texto acima - cujo título original é “Adepts in America in 1776” - pode ser encontrado em “Theosophical Articles”, de William Q. Judge, edição em dois volumes publicada em Los Angeles pela Theosophy Company. Ver volume II, pp. 70-73. Ele foi publicado pela primeira vez em “The Theosophist”, na Índia, em outubro de 1883. Escrito por William Q. Judge, foi assinado com o pseudônimo “Um Ex-Asiático”. A presente tradução foi realizada por associados da Loja Unida de Teosofistas (LUT) em Portugal.

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