19 de setembro de 2018

A Fonte da Ética na Política

Como Abrir Caminho Para
Uma Primavera da Fraternidade

Carlos Cardoso Aveline

Sigmund Freud e Helena Blavatsky



É inegável a responsabilidade cármica dos administradores públicos que deixam de lado a ética, usando mecanismos de poder coletivo para iludir e manipular os povos. 

A lei do carma não abre exceções. Quanto maior o poder, maior a responsabilidade. Um raja-iogue dos Himalaias escreveu:

“...Para nós um lustrador de botas honesto é tão bom quanto um rei honesto, e um varredor de ruas imoral é muito melhor e mais desculpável do que um imperador imoral”. [1]

Nenhum detentor de poder político, econômico ou “espiritual” está acima da lei do carma. A seu tempo, todos colhem os resultados de suas ações, certas e erradas.

Porém, os dirigentes públicos desonestos não são os únicos responsáveis pelos abusos que cometem. Todos os aspectos da vida se interrelacionam. Não é suficiente combater exclusivamente este ou aquele indivíduo desonesto. Devemos examinar as premissas das quais os “Irmãos Metralha” partem, e ver quem as produziu.

O problema inclui uma dimensão cultural. A desonestidade tem uma causa. A sua fonte está em uma visão falsa da felicidade como se ela fosse produzida meramente pela posse de dinheiro e pelo poder egoísta. A origem da desonestidade está também na ideia de que o ser humano não tem acesso próprio à sabedoria nem à felicidade interior e eterna.    

Há 15 séculos a teologia do Vaticano insiste em descrever o ser humano como um “pecador” que só pode ser salvo por alguma força externa e graças a uma crença cega, mas não por mérito próprio. Cria-se então a farsa do clientelismo divino: a crença em que Deus salvará como um favor pessoal aqueles que obedecerem cegamente a um clero interessado no dinheiro dos fiéis. Este cristianismo falso está hoje desmascarado e vai destruindo a si mesmo, primeiro no plano moral.  

Na mesma linha, desde o século 20, as correntes dominantes da Psicologia descrevem o indivíduo humano como um ser manipulável, sem alma, escravo dos seus instintos, e completamente controlável através de estímulos deste ou daquele tipo. O behaviorismo é a principal destas correntes, e alimenta os mecanismos de marketing e propaganda dominantes na mídia, assim como no mundo político e econômico.

A Psicologia autêntica pretende descrever a natureza interior do ser humano. Ela valoriza os laços humanos profundos. A psicologia convencional, por outro lado, transformou-se em grande parte numa pseudociência mercantil que ignora tanto a existência da alma como a necessidade cármica da honestidade.

O pensador judeu Sigmund Freud formulou uma psicologia ética e profunda, embora impotente diante das forças destrutivas de seu tempo.

Carl G. Jung, por sua vez, teve proximidade com o nazismo e distorceu as descobertas de Freud, levando-as para um território destituído de respeito pela vida.

Quando um psicólogo se apresenta como conhecedor do ser humano e ao mesmo tempo ignora a Ética, inventando meios para manipular as pessoas, está na verdade praticando Magia antievolutiva. No tempo certo, o Carma destruirá as ilusões egocêntricas construídas por tais pseudocientistas.

Os “especialistas da consciência humana” que buscam obter dinheiro de modo egoísta definem implicitamente o cidadão como um ser menor, tão instintivo como os ratos. Veem-no como controlável por um sistema sutilmente autoritário de estímulos e desestímulos dirigidos ao nível involuntário da sua consciência e fabricados pela indústria da propaganda.

Entre as consequências desta falsa visão do processo humano está o surgimento de várias gerações de cidadãos egoístas e de políticos antiéticos. A popularização do consumo de drogas e álcool - estimulada por uma certa elite - é uma forma de inutilizar a juventude, de roubar o discernimento dos cidadãos e boicotar o poder humano de renovar a vida.

A corrupção na política é, portanto, apenas a ponta do iceberg. O mundo das instituições reflete o que vai na mídia e em outros setores da sociedade.

Combatendo a Fonte da Desinformação

Para a filosofia esotérica a ação desonesta deve ser compreendida em suas causas.

A vida se desdobra assim no céu como na terra. A ignorância ocorre tanto no plano do materialismo como na esfera religiosa. Há uma semelhança profunda, portanto, entre a psicologia superficial, que busca a mera adaptação do indivíduo à ignorância coletiva organizada, e a teologia dogmática, que visa dominar as mentes dos seus fiéis reduzindo-as à obediência cega. Ambas tratam o ser humano como simples coisa e como animal instintivo.

O pensamento científico mercantilizado possui pontos fundamentais em comum com as igrejas dogmáticas.

Enquanto a religiosidade superficial define o ser humano como alguém irresponsável, nascido para obedecer cegamente, as escolas de pensamento “científico” que obedecem a interesses monetários descrevem o cidadão como alguém igualmente irresponsável, que pode ser manipulado completamente por mídia, propaganda e promessas de “líderes carismáticos”.

Nos meios chamados “esotéricos”, os seguidores de Carl G. Jung, Annie Besant, Jiddu Krishnamurti e outros preparam o caminho da irresponsabilidade fazendo de conta que a lei do carma pode ser esquecida, e sugerindo que a opção entre sinceridade e hipocrisia tem pouca importância.

Estas várias escolas de pensamento e suas doutrinas devem ser enxergadas com clareza. Para que floresça a paz social, é necessário que os indivíduos conscientes se libertem do relativismo ético.

Do século vinte para cá, Erich Fromm, Viktor Frankl, Pitirim A. Sorokin, Fritz Künkel e Karen Horney estão entre os numerosos pensadores honestos da Psicologia. Seus livros têm afinidade com a filosofia esotérica, assim como as obras baseadas na Análise Transacional. A psicologia, associada à ética, abre caminho para o nascimento da primavera da fraternidade que, segundo H. P. Blavatsky, deve ocorrer antes do final do século 21, resgatando o melhor de cada religião e da tradição cultural de todos os povos. [2]

A teosofia clássica e a psicologia profunda atuam em harmonia com os grandes sábios de todos os tempos. Elas mostram que o ser humano está em evolução. Sua etapa presente, de relativa ignorância espiritual, constitui um momento passageiro.

Nada escapa à ação da Lei do Carma. Tudo tem sua hora.

A fonte do sentimento de boa vontade está na alma imortal do indivíduo. No momento certo da vida dos povos, surgem lideranças capazes de trazer outra vez a ética para a agenda diária da população. Nada pode atrasar o momento em que surge o novo dia. Na hora adequada de cada ciclo, os povos veem a Oportunidade cármica à sua frente, e a ação comunitária e a ajuda mútua passam pelo devido processo de renascimento.

NOTAS:

[1] “Cartas dos Mahatmas”, Ed. Teosófica, Brasília, Volume I, Carta 29, p. 158.

[2] “Collected Writings”, H. P. Blavatsky, Volume XIV, TPH, Wheaton, EUA, 1985, 733 pp., página 27. Em português, veja o subtítulo “O Mestre Mais Severo Anuncia a Vitória” no artigo “O Lado Luminoso de Saturno”.

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Uma versão inicial do texto acima foi publicada, sem indicação de nome de autor, na edição de agosto de 2009 de “O Teosofista”, pp. 1-3. Sua publicação como artigo independente em nossos websites associados ocorreu dia 19 de setembro de 2018.

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


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