17 de maio de 2018

O Teosofista - Maio de 2018





Compilando textos antigos, pesquisando e ensinando uma sabedoria milenar, a Loja Independente de Teosofistas, LIT, constitui uma semente do futuro cuja germinação é guiada pelo ensinamento dos Mestres dos Himalaias.”

Assim começa o texto que abre nossa edição de maio, cujo título é “Hora de Começar Uma Caminhada: a LIT Como Pedra e Como Sonho”.

À página cinco, temos o artigo “Criar Uma Loja Teosófica Nova: o Pensamento Abre Caminho para os Fatos”. Da página sete à página nove, traduzimos Os Três Capítulos Iniciais do Antigo “Tao Teh Ching”, na versão que Lin Yutang fez da obra chinesa.

Outros temas abordados nesta edição incluem:

* O Céu e a Terra no Hua Hu Ching da China clássica;

* Honestidade Pode Queimar;

* Causas e Efeitos da Ignorância;

* Ensinamentos de um Mahatma - 12, uma Compilação das Cartas do Mestre de Helena Blavatsky;

* O Processo da Ação Correta;  e

* Filosofia Esotérica no WhatsApp.

A edição possui 16 páginas e inclui a lista dos 22 itens publicados recentemente em nossos websites.



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A coleção completa de “O Teosofista” está disponível em nossos websites associados.

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


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15 de maio de 2018

Como Construir uma Loja Teosófica

Um Mahatma Escreve Sobre a
Melhor Maneira de Ajudar a Humanidade

Um Mestre Oriental

 Fazer parte de uma loja teosófica que estude o
ensinamento original  é uma oportunidade valiosa



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Nota Editorial de 2018

Reproduzimos a seguir o melhor da Carta 4 da
primeira série de “Cartas dos Mestres de Sabedoria”
(Editora Teosófica, Brasília). Deixamos de lado os trechos
que são específicos da cidade de Londres nos anos 1880.
Preservamos as frases da Carta que têm valor universal.

Em sua essência, a carta pode ser lida como se tivesse sido
escrita diretamente para a Loja Independente de Teosofistas
e para toda associação de estudantes sinceros da filosofia
esotérica original. Como documento histórico, a carta é
dirigida a Francesca Arundale. Os trechos omitidos estão
indicados por reticências. Em algumas frases, colocamos
palavras em itálico entre colchetes para facilitar a compreensão.

(Carlos Cardoso Aveline)

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Você é uma dirigente da [sua Loja] e como tal tem um dever e uma oportunidade especiais. Não é suficiente que possa dar o exemplo de uma vida pura e virtuosa e de um espírito tolerante; isto é apenas virtude negativa e para o chelado nunca será o bastante.

Você deveria, mesmo como simples membro, e muito mais como dirigente, aprender que pode ensinar, adquirir conhecimento espiritual e força de tal forma que o fraco possa apoiar-se em você e as tristes vítimas da ignorância possam aprender de você a causa das suas dores e a solução para elas. Se quiser, pode tornar sua casa um dos centros de influência espiritual mais importantes em todo o mundo. [1]

O “poder” agora está concentrado ali, e permanecerá - se você não enfraquecê-lo nem repeli-lo: permanecerá para sua bênção e vantagem. Você fará bem em encorajar visitas de seus companheiros [do movimento teosófico] e de pesquisadores através da realização de encontros com os que tiverem mais afinidade, para estudo e instrução. Você deveria incentivar outros, em outros setores, a fazer o mesmo. Deveria refletir constantemente com seus associados no Conselho, sobre como tornar os encontros gerais da Loja interessantes. Os novos membros deveriam ser atendidos, desde o início, pelos mais antigos - especialmente selecionados e indicados para a tarefa em cada caso e completamente instruídos naquilo que vocês já estudaram anteriormente - de tal forma que possam ser capazes de participar inteligentemente no trabalho dos encontros regulares.

Há uma forte tendência a criticar a cerimônia de “iniciação” de um modo que pode impossibilitar uma impressão séria sobre o candidato. O método da Sociedade Matriz [na Índia] pode ser inadequado aos preconceitos britânicos, contudo, cair no extremo oposto da pressa sem dignidade é muito pior. Seus métodos de iniciação são um permanente insulto a qualquer chela regular e provocaram o descontentamento de seus “Mestres”. É uma coisa sagrada para nós; por que deveria ser de outra maneira para vocês? Se cada membro tomasse como seu lema as sábias palavras de um rapaz jovem, mas que é um teosofista fervoroso, e repetisse com Bertram K., “Antes de ser inglês, sou teosofista”, nenhum inimigo jamais poderia perturbar sua Sociedade. Contudo, deve-se dizer aos candidatos, e os membros antigos devem lembrar sempre, que a Sociedade está engajada em um assunto sério; e que eles deveriam iniciar seu trabalho da mesma forma, com seriedade, tornando teosóficas suas próprias vidas.

(…..) Você aceitou um serviço importante - a função financeira - e o tem desempenhado sabiamente. Tal auxílio era muito necessário. Se os membros na Europa querem o bem da Sociedade Matriz, devem auxiliar a fazer circular as suas publicações e a traduzi-las para outras línguas, quando valer a pena. Você pode dizer aos seus companheiros da Loja que intenções e palavras amáveis contam pouco para nós. Ações são o que queremos e exigimos. L.C.H. - pobre criança - fez mais nesta direção durante dois meses, do que os melhores de seus membros nestes cinco anos. [2]

Os membros da Loja (…..) têm uma oportunidade que raramente aparece. Está sob sua custódia um movimento concebido para beneficiar todo o mundo de fala inglesa. Se eles cumprirem com todo seu dever, o avanço do materialismo, o aumento de uma perigosa autoindulgência e a tendência em direção ao suicídio espiritual poderão ser detidos. A teoria da redenção intermediada produziu uma inevitável reação: apenas o conhecimento do karma pode contrabalançá-la. O pêndulo avança do extremo da fé cega para o extremo do ceticismo materialista, e nada pode pará-lo a não ser a Teosofia. Não vale a pena trabalhar em função desta meta - de salvar aquelas nações do destino adverso que sua ignorância lhes está preparando?

Vocês pensam que a verdade lhes foi mostrada apenas para seu próprio benefício? Que quebramos o silêncio de séculos para proveito de apenas um punhado de sonhadores? As linhas convergentes de seus karmas conduziram a cada um e todos para esta Sociedade como para um foco comum, de modo que cada um pudesse auxiliar a produzir os resultados interrompidos na encarnação anterior. Nenhum de vocês pode ser tão cego a ponto de supor que este é o seu primeiro contato com a Teosofia. Devem compreender, certamente, que isto seria o mesmo que dizer que efeitos são gerados sem causas. Saibam, portanto, que agora depende de cada um de vocês se daqui para a frente deverão lutar sós em busca da sabedoria espiritual, através desta e da próxima encarnação, ou em companhia de seus atuais associados, e grandemente auxiliados pela simpatia e aspiração mútuas. Bênçãos a todos - que as merecerem.

(Koothoomi)

NOTAS:

[1] Nota de C. Jinarajadasa: “77 Elgin Crescent, Notting Hill, Londres, W., onde H.P.B. era hóspede da Sra. Arundale e da Srta. Arundale.”

[2] L.C. H.” - Laura C. Holloway. (CCA)

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A carta acima foi publicada dia 15 de maio de 2018. O documento faz parte da edição de outubro de 2016 de “O Teosofista” (pp. 3-4). A nota editorial inicial foi atualizada. Na sua primeira versão, não tinha indicação do nome do seu autor. 

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Em 14 de setembro de 2016, depois de uma análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu criar a Loja Independente de Teosofistas. Duas das prioridades da LIT são tirar lições práticas do passado e construir um futuro saudável

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14 de maio de 2018

Aproximando-se do Movimento Teosófico

Obtendo Referências e
Orientações Nobres e Elevadas

Juan Pedro Bercial




Existe em muitas pessoas uma “chama viva”, um desejo de conhecer e compreender que as leva a uma busca pessoal e à tentativa de descobrir os mistérios da Vida.

Em 2014, enquanto fazia uma pesquisa sobre Leibniz, encontrei aparentemente por acaso os websites vinculados a “The Aquarian Theosophist” e “O Teosofista”. Considerei o enfoque deste grupo sério e filosófico, e comecei a participar de “E-Theosophy”, em Yahoo. [1]

Então compreendi que existe um grande número de enfoques de Filosofia que podem ressoar em harmonia com o nosso caminho pessoal. Percebi que o movimento teosófico não deve ser visto como uma “Sociedade” formal na qual possuímos uma carteira de sócio, pagamos uma taxa e uma hierarquia de “pessoas iluminadas” nos irá revelando a verdade gradualmente. 

Tendo identificado uma clara afinidade com o ponto de vista do trabalho teosófico criado por E-Theosophy, comecei a participar do seu esforço editorial em espanhol, traduzindo capítulos do livro “The Fire and Light of Theosophical Literature[2] e vários artigos que consolidaram a minha aprendizagem sobre o movimento.

Entrei em uma nova fase de aproximação. Havia visto que o movimento não pode ser forçado a fechar-se dentro de estruturas artificiais de poder. O movimento é uma onda de esforços para beneficiar a humanidade. Tem estado presente na evolução humana desde muito antes de 1875, quando Helena Blavatsky começou o seu trabalho público. Eu havia entrado em contato com o movimento como um todo através da afinidade e da experiência, em seus aspectos exotéricos e esotéricos. Havia começado a perceber os diferentes níveis através dos quais o movimento funciona.

Como um organismo vivo, o projeto teosófico se revitaliza mediante a renovação e o esforço constante dos seus associados (sem necessidade de burocracia de nenhum tipo). Há muitos teosofistas que, em suas ações, vivem a teosofia e baseiam sua atuação na Ética, e muitos outros teosofistas que possuem todo tipo de carteira de sócio, mas cujo interesse em teosofia é apenas nominal.

Depois de muito estudo e reflexão, percebi que compartilhava com os membros de E-Theosophy a metodologia de estudo e o apoio mútuo necessário ao longo do Caminho. As condições podem ser diferentes para cada indivíduo, mas o mais importante, tanto em uma Loja como em um grupo, é que exista uma egrégora de consciências com a qual haja uma forte afinidade. A força da união destes grupos não é externa (dinheiro, poder), mas consiste na força do compromisso individual dos seus membros.

Em setembro de 2016, depois de uma análise cuidadosa do movimento teosófico em escala global, membros de E-Theosophy e outras pessoas decidiram criar a Loja Independente de Teosofistas, LIT. Considerava-se que o grupo tinha a sua própria perspectiva do movimento, mas que era correto manter um sentimento de respeito para com a Loja mais ampla da qual surgia a LIT. Neste momento decidi ser um associado da LIT.

Um teosofista que encontra seu lugar natural para crescer junto com outras pessoas dentro do movimento também compreende que cada esforço individual contribui para o movimento, e o movimento realimenta o estudante.

O indivíduo vê que seus pensamentos, sua fala e suas ações têm um efeito inevitável na egrégora teosófica, a qual, como um conjunto de pilhas elétricas em série, ajuda a humanidade com sua intenção coletiva e seu esforço. Como em todo grupo humano, pode haver erros; mas quando o erro é cometido desde uma perspectiva de compromisso e responsabilidade, constitui um elemento de crescimento e nenhum esforço é feito em vão. A sinceridade é fundamental, porque o esforço deve ser honesto e é necessário que haja congruência e coerência interna. O altruísmo não pode ser deixado de lado para seguir o que é “politicamente correto”, ou, pior ainda, para cair na hipocrisia e na crença cega.

Ninguém que se aproxima do movimento deve esperar uma pedagogia “de cima para baixo”. Naturalmente, haverá indivíduos que estão mais avançados no estudo da Teosofia, mais familiarizados com o cânone da Literatura, mais envolvidos com o desenvolvimento da Literatura e com a recontextualização do cânone. Não há na teosofia autêntica “graus”, juramentos secretos, rituais e uma pedagogia passiva. O progresso de cada indivíduo se baseia no mérito e no esforço e não existe um guru externo ou Mestre além do nosso próprio Eu Superior.

O objetivo do movimento não é o crescimento egoísta dos seus indivíduos. É proporcionar um conjunto de referências e orientações para ideais nobres e elevados. É ajudar a humanidade em sua evolução, e não há nisso novidade alguma. Muitos movimentos que há longo tempo têm inspirado a humanidade a melhorar a si mesma (abolição da escravatura, direitos dos trabalhadores, desarmamento nuclear, ecologia, etc.) foram estimulados pelos Mahatmas, os Irmãos Mais Velhos que supervisionam e ajudam a humanidade desde o começo dos tempos. 

NOTAS:

[1] “E-Theosophy” é o equivalente em inglês do e-grupo luso-brasileiro “SerAtento”. Ambos estão em YahooGrupos. Clique aqui para ir ao website de E-Theosophy.

[2]The Fire and Light of Theosophical Literature”, Carlos Cardoso Aveline, The Aquarian Theosophist, Aveiro, Portugal, 2013, 255 pp.

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Nascido na Espanha, o teosofista Juan Pedro Bercial tem mestrado em Matemática Pura (Geometria), e doutorado em Matemática Aplicada (Materiais). Atualmente ensina Matemática em uma universidade do Noroeste da Inglaterra.

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O artigo acima é uma tradução de “Acercándose al Movimiento Teosófico”. O texto também está publicado em inglês.

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9 de maio de 2018

Convivendo Com as Imperfeições

Uma Bênção Superior Surge de
Observar e Curar as Falhas Humanas

Carlos Cardoso Aveline




Quando uma associação teosófica adota uma pedagogia clara e eficaz, não oferece a ninguém um modo de fugir dos desafios. A associação ensina as pessoas, isso sim, a aprender com o sofrimento e a eliminar as causas do mal-estar.

Ao invés de oferecer um refúgio sectário contra o que parece “insuportável”, o estudo teosófico autêntico fortalece a capacidade individual de ver e viver o mundo tal como ele é. A filosofia esotérica ajuda a conviver com as pessoas assim como são, mas garante o direito de cada um de procurar sossego e ter uma vida calma, naquilo que depende de si.

Os desinformados apegam-se ao prazer e rejeitam o que qualificam de “inaceitável”. Aquilo que se considera “absurdo”, naturalmente, varia bastante de pessoa para pessoa, e muitos são os que se consideram “mutuamente inaceitáveis”.

A teosofia liberta as pessoas da ingenuidade que é reagir num plano meramente emocional diante do que lhes agrada ou desagrada.

Uma associação teosófica é um laboratório alquímico. Nela o pior e o melhor de cada ser humano, o mais elevado e o menos elevado, estão inevitavelmente presentes. A tarefa é transmutar a sombra em luz e a ignorância em conhecimento.

Em cada aspecto da vida vale a lei da simetria. [1] O sentimento de “absurdo” é algo natural, mas estreito, e pode ser transcendido pelo nascimento da compreensão. O Taoísmo alerta para o fato de que, quanto mais é cultuado no plano consciente o lado luminoso da vida, mais se agita desde o subconsciente o lado menos luminoso das almas.

O paradoxo faz parte da caminhada, mas não deve desorientar o peregrino nem ameaçar sua honestidade: o coração sincero é o bem mais precioso do buscador da sabedoria. O caminho da visão impessoal abre-se à frente do peregrino e lhe dá segurança. O vazio e a amplitude protegem o estudante da Loja Independente de Teosofistas.

A luta entre aspectos diferentes da alma humana cria as sensações de surpresa e de absurdo no plano do eu inferior. É a visão impessoal da vida que permite colocar avanços e fracassos no contexto maior em que as ninharias são transcendidas. 

Um dos lemas da Loja Independente é “melhorando sempre”. A ideia implica reconhecer que as imperfeições fazem parte da natureza e o universo está em construção. Nesse e em outros pontos, a sabedoria milenar do taoísmo - elogiada por H.P. Blavatsky - é uma arma de defesa do estudante da LIT.

Mais Fatos, Menos Palavras

O “Tao Teh Ching” mostra o perigo do divórcio entre a realidade e o pensamento, a substância e a aparência. O capítulo dezoito da obra afirma:

Com a decadência do grande Tao,
Surgiram as doutrinas do “amor” e da “justiça”. [2]
Quando o conhecimento e a esperteza apareceram,
Uma grande hipocrisia espalhou-se como consequência.

No momento em que as seis relações deixaram de viver em paz, [3]
Começaram os (elogios aos) “pais bondosos” e “filhos atenciosos”.
Quando o país caiu no caos e no desgoverno,
Surgiram os (elogios aos) “ministros leais”. [4]

O capítulo dezenove aprofunda essa abordagem e aponta a alternativa. O Tao Teh Ching convida a abandonar o que é artificial, e a deixar de lado a forma para que o conteúdo floresça:

Elimine a sabedoria, abandone o conhecimento, [5]
E o povo será cem vezes mais beneficiado;
Elimine o “amor”, abandone a “justiça”,
E as pessoas recuperarão o amor pelos seus semelhantes;
Deixe de lado a astúcia, esqueça a “utilidade”,
E os ladrões e assaltantes desaparecerão. [6]
Já que estes três pares de elementos são externos e inadequados,
As pessoas precisam de algo em que possam confiar:
Revele o seu Eu Simples, [7]
Adote a sua Natureza Original,
Vigie o seu egoísmo,
Reduza os seus desejos [8].

Helena P. Blavatsky raciocinava de modo semelhante, e fez uma advertência decisiva aos membros da Escola Esotérica criada por ela em Londres em 1888. HPB alertou para o fato de que, sempre que o olhar de alguém se ergue sinceramente para o mundo sagrado, o carma da ignorância se agita na mesma proporção e se torna visível:  

“Há uma estranha lei em Ocultismo, que tem sido verificada e comprovada durante milhares de anos de experiência prática; e ela não deixou de operar, quase em todos os casos, durante os quinze anos transcorridos desde que a S. T. [isto é, o movimento teosófico] existe. Tão logo alguém assume o compromisso como ‘estudante em provação’, certos efeitos ocultos ocorrem. O primeiro deles é a manifestação de tudo o que está latente na natureza do indivíduo: seus erros, seus hábitos, e suas qualidades ou desejos suprimidos, sejam eles bons, maus ou indiferentes.”

“Por exemplo, se alguém é um sensualista ou ambicioso, seja por atavismo ou herança cármica, os seus vícios seguramente virão para fora, ainda que até o momento ele tenha tido êxito em reprimi-los. Eles se tornarão inevitavelmente visíveis, e ele terá que lutar cem vezes mais do que antes, até matar todas estas tendências em si mesmo.”

“Por outro lado, se o indivíduo é bom, generoso, casto e abstêmio, ou tem qualquer virtude até aqui latente ou oculta em si, isso irá manifestar-se no exterior de modo tão irreprimível como o resto. Um homem da sociedade que odeia ser considerado um santo e portanto assume uma máscara, não será capaz de ocultar sua verdadeira natureza, seja ela nobre ou não.”

“ESTA É UMA LEI IMUTÁVEL NO DOMÍNIO DO OCULTO.”

“Seus efeitos serão tanto mais fortes quanto mais for intenso e sincero o desejo do candidato à sabedoria, e quanto mais profundamente ele tiver sentido o significado e a importância do seu compromisso.” (…)

“O antigo axioma oculto, ‘Conhece a ti mesmo’, deve ser algo familiar para cada membro desta Escola; mas poucos compreenderam o significado real desta sábia exortação do oráculo de Delfos. Todos vocês sabem dos seus ancestrais terrestres, mas quem entre vocês já localizou todas as ligações hereditárias, astrais, psíquicas e espirituais que fazem o que vocês sejam o que são? Muitos escreveram sobre seus desejos de unirem-se a seus Eus Superiores, mas ninguém parece saber do vínculo indissolúvel entre os seus ‘Eus Superiores’ e o SER Único Universal.” [9]

Até aqui, as palavras de Blavatsky.

Sempre que um ser humano estuda sinceramente a lei do universo, o seu eu inferior entra numa crise transformadora. Por esse motivo os setores autênticos do movimento teosófico formam hoje e sempre um ambiente claramente probatório.

O efeito alquímico do movimento está vivo porque, graças à preservação dos seus ensinamentos originais, ele não se afastou por completo da influência dos Mestres de Sabedoria.

Em todo ambiente probatório há algo que se pode descrever como febre cármica. O absurdo - ou aquilo que se considera como absurdo - deve ser reconhecido pelo aprendiz bem informado como parte da realidade diária, e colocado dentro do marco de referência incondicional da fraternidade, isto é, do humilde respeito a todos os seres.

As dinâmicas ilusórias do medo, da raiva, da frustração, da ambição e de outros sentimentos inferiores devem ser compreendidas, para que desapareça o seu poder de hipnotizar o estudante desde o subconsciente.

Cada forma errada de vibração da alma deve ser compensada por uma forma oposta e correta de vibração.

No convívio entre as pessoas, a distância ótima deve ser estabelecida reciprocamente. A distância adequada será dinâmica, aumentando e diminuindo conforme as necessidades e possibilidades da evolução da alma.

O Progresso Segundo a Teosofia

Pouco depois de criar a sua Escola Esotérica, H.P. Blavatsky passou a enfrentar o amplo despreparo dos seus alunos. A ética e o discernimento eram precários, e ela constatou:  

“Assim como o indivíduo vê as imperfeições do seu rosto ao olhar um espelho, assim também, manter diante de vocês a imagem brilhante dos Esoteristas verdadeiros e avançados foi o suficiente para revelar aos mais sinceros entre vocês as suas próprias falhas. A revelação é tão impressionante que alguns dos melhores membros da E.E., precipitando-se indevidamente, quiseram romper sua ligação e abandonar o ‘caminho’.” [10]

O “efeito espelho” se aplica a todas as relações humanas.

No convívio com os outros seres, as lições mais básicas podem ser as mais difíceis. A sofisticação que nega as questões elementares é com frequência uma fuga do ponto incômodo em que dói um calo ao caminhar, ou que rebenta uma bolha, tornando especialmente doloroso cada passo adiante.

Abordando o processo probatório, Blavatsky escreveu:

“O problema que surge diante de nós é sempre exatamente aquele que nós sentimos como o mais difícil entre todos os problemas possíveis - e é sempre a única coisa que sentimos que não podemos suportar. Se olharmos para o problema desde um ponto de vista mais amplo, veremos que estamos tentando romper nossa casca no seu único ponto vulnerável; que o nosso crescimento, para ser um crescimento real e não o resultado coletivo de uma série de excrescências, deve avançar no mesmo nível em todos os aspectos, assim como cresce o corpo de uma criança, não primeiro a cabeça e depois uma mão, seguida talvez por uma perna, mas em todas as direções ao mesmo tempo, de modo regular e imperceptível.” [11]

A chave do equilíbrio, ao caminhar, está em conviver com a diferença, e com a decepção.

Cabe evitar o hipnotismo causado pelos erros alheios ou por aquilo que vemos como erros dos outros. Só deste modo poderemos corrigir calmamente nossas próprias falhas.

Quando se fala de movimento teosófico, ou da LIT, é inevitável o paradoxo. A noção de absurdo rompe as ilusões da infância espiritual. A LIT é pequena. Seus associados são poucos e sua responsabilidade é enorme, mas a humildade é seu escudo e podemos ficar contentes com a tentativa de fazer o que nos é possível, mesmo que seja pouco.

Ao invés de agir como uma marionete, cada um deve ser o centro referencial da sua própria atuação. Uma vez que sua intenção seja boa e nobre, o estudante pode atuar como achar melhor. Deve, porém, orientar-se pelo ensinamento original e cooperar ativamente com o movimento dentro das possibilidades reais do lugar e tempo concretos em que lhe toca viver.  

Os absurdos, as incoerências, os fracassos e as frustrações fazem parte da transformação alquímica da alma, especialmente no âmago do movimento teosófico autêntico. Esta constatação, porém, não é de modo algum uma desculpa para que não se faça o melhor que se pode.

Uma associação dedicada aos estudos esotéricos deve dar as boas-vindas aos que sofrem; imperfeições e “incoerências” fazem parte da aprendizagem, mas a boa vontade deve presidir o esforço e a intenção interior precisa ser pura.

A febre cármica dissolve a configuração da ignorância, fazendo com que uma sabedoria estável, impessoal e libertadora brilhe com força crescente desde a alma imortal.

A Loja Independente não pretende construir um espaço que permaneça longe das incoerências, mas um espaço que enxergue as imperfeições, que as compreenda e tire lições práticas dos erros.  

Uma bênção superior surge de observar e curar as falhas humanas.

A LIT visa ser um espaço que estimula o melhor das pessoas, dando a elas condições e instrumentos para aperfeiçoarem a si mesmas, e para expandirem antahkarana - a ponte para o céu - enquanto melhoram a vida a seu redor.

NOTAS:

[1] Veja em nossos websites associados o artigo “A Lei da Simetria”. (CCA)

[2] Doutrinas essenciais do confucianismo, usualmente traduzidas (de modo errado) como “benevolência” e “honestidade”. (Nota de Lin Yutang)

[3] “Seis relações”: Pai, Filho, Irmão mais velho, Irmão mais moço, Marido, e Esposa. Veja o Tao Teh Ching nas versões de Stanislas Julien (Kessinger Legacy) e Wing-Tsit Chan (Prentice Hall). (CCA)

[4] O texto acima constitui o capítulo dezoito do “Tao Teh Ching”. Traduzo-o de “Laotse, the Book of Tao”, tradução do chinês para o inglês de Lin Yutang, publicado no volume “The Wisdom of China and India”, edited by Lin Yutang, The Modern Library, Random House, New York, USA, 1955, 1104 pp., ver página 592. (CCA)

[5] Elimine o excesso de conversas sobre a sabedoria e o conhecimento. (CCA)

[6] As ideias dos capítulos 18 e 19 estão amplamente desenvolvidas em Chuangtse (Capítulo X, “Opening Trunks” nas edições em inglês). (Lin Yutang)

[7] Su, o que não tem adorno, que não foi cultivado, a qualidade natural, o eu simples; originalmente “seda lisa de fundo”, por contraste com desenhos coloridos colocados sobre a seda; daí surge a expressão “revelar”, “compreender”, su. (Lin Yutang)

[8] Os oito caracteres destas quatro linhas resumem os ensinamentos práticos do taoísmo. (Lin Yutang)

[9] “Collected Writings”, H. P. Blavatsky, TPH, EUA, volume XII, pp. 515-516. Veja também o artigo “Resistência à Mudança, em Teosofia”. (CCA)

[10] “Collected Writings”, H. P. Blavatsky, TPH, EUA, volume XII, p. 504. (CCA)

[11] Do artigo de Helena Blavatsky intitulado “O Progresso Espiritual”. (CCA)

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O texto acima foi publicado dia 9 de maio de 2018.

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Em 14 de setembro de 2016, um grupo de estudantes decidiu criar a Loja Independente de Teosofistas. Duas das prioridades da LIT são tirar lições práticas do passado e construir um futuro saudável

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