13 de dezembro de 2017

O Teosofista - Dezembro de 2017





O seguinte pensamento abre a edição de dezembro:

A felicidade verdadeira surge do eu superior.

Na página um começa o artigo “A Elevação Que Devemos Procurar”, de Joana Maria Pinho.

Na página quatro, a primeira parte do artigo “Leadbeater Diz Que Matou Brasileiros”. Em seguida, o texto “A Força da Teosofia Original”, com o testemunho de Ailton Santoro, presidente da Loja Rio de Janeiro da Sociedade Teosófica no Brasil. Subtítulo do testemunho de Santoro: “Por Que Abandonei as ‘Obras Fantásticas’ Para Estudar os Ensinamentos dos Mestres e de H.P.B.”.

Ensinamentos de um Mahatma - 06, Trechos das Cartas do Mestre de Helena Blavatsky” vai da página 7 à página 9.

Estes são outros artigos da edição de dezembro:

* As Virtudes e a Salvação”, de Arnalene Passos do Carmo;

* “Uma Corrente de Boa Vontade”, de Silvia Caetano de Almeida;

* Sobre o Perdão - a Prática Impessoal da Bondade”, de Emanuel Tadeu Machado;  e

* “Ideias ao Longo do Caminho”: a vida é como uma esfinge diante de você.

Com 17 páginas, a edição inclui a lista dos itens publicados recentemente em nossos websites.



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A coleção completa de “O Teosofista” está disponível em nossos websites associados.

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


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11 de dezembro de 2017

A Luz e a Força de Júpiter

Confiança, Otimismo, Universalidade

Carlos Cardoso Aveline




Existe no céu uma fonte gigantesca de fé em nós mesmos, que viaja acima das nuvens há eras insondáveis. O poderoso planeta Júpiter, o mestre do otimismo, passa um ano em cada signo do zodíaco e tem uma relação direta com a religião e a filosofia.

A energia irradiada pelas inteligências coletivas deste gigante celestial expande a nossa visão das coisas e estimula a ação positiva. Sua luz espalha aquele sentimento de amizade universal por todos os seres que foi ensinado pela antiga escola pitagórica, e que constitui a meta primordial do movimento teosófico moderno.

Quinto planeta a contar do Sol, Júpiter é muito mais evoluído que a nossa Terra. Helena Blavatsky escreve:

“Se, por exemplo, a Filosofia Esotérica ensina que o ‘Espírito’ (também coletivo) de Júpiter é muito superior ao Espírito Terrestre, isso não ocorre porque Júpiter é tantas vezes maior que o nosso planeta, mas porque a sua substância e sua textura são muito mais finas que as da Terra, e superiores.” [1]

Regente de Sagitário e corregente de Peixes, Júpiter demora 12 anos a completar o seu ciclo orbital em torno do Sol. A sua influência astrológica sobre indivíduos e comunidades estimula a capacidade de construir novas estruturas. O planeta protege aqueles que acreditam em si mesmos e na sabedoria universal. No entanto, vários desafios aparecem quando sua energia divina encontra a nossa humanidade. É preciso evitar a indulgência e permanecer longe do exagero. Devemos ter a quantidade adequada de moderação e autocontrole.

Stephen Arroyo afirma:

“Historicamente, Júpiter tem sido associado ao rei, ao patriarca e ao chefe dos deuses em vários panteões. Também se relaciona com o princípio divino da preservação e do crescimento grandioso. Júpiter é conhecido como a ‘grande fortuna’ ou ‘grande benéfico’, enquanto Vênus é o ‘pequeno benéfico’. Júpiter é visto como o patrono dos filósofos, dos teólogos, dos líderes morais, dos líderes de campanhas e pensadores especulativos de todo tipo. É difícil para nós hoje imaginar a visão grandiosa que os povos antigos tinham de Júpiter, e provavelmente é impossível sentir atualmente o assombro com que esta força ou (divindade) cósmica era experimentada.” [2]

Referindo-se à antiguidade, H. P. Blavatsky traça esta visão comparativa de planetas:

“…Se tem sido demonstrado que Marte era visto pelos [astrólogos pagãos] antigos simplesmente como a força personificada da Divindade mais impessoal, Mercúrio [era] personificado como a sua onisciência, Júpiter como sua onipotência, e assim sucessivamente.” [3]

Também é útil fazer uma comparação com Saturno.

Enquanto Júpiter é o planeta do Dharma e da potencialidade, Saturno é o mestre do Carma e da responsabilidade. O astro do otimismo ensina sobre a construção do futuro; o senhor dos anéis (ou ciclos) transmite lições do passado.

Saturno, Júpiter e o Selo de Salomão

Júpiter inspira confiança na Vida; Saturno é o mestre da cautela e da perseverança. Um convida à transcendência; o outro exige respeito pela ordem e pelas estruturas, e faz com que saibamos a melhor maneira de construir sobre solo firme. Os dois instrutores trabalham em uníssono com o conjunto do sistema solar: nossa vila celestial é uma escola esotérica - uma escola de almas.

A Onipotência de Júpiter ajuda os humanos a perceberem a sua unidade com o universo. Porém, a ética é tão importante quanto o otimismo. Blavatsky cita estas palavras de Eliphas Levi:

“No simbolismo teológico (….) Júpiter [o Sol] é o Salvador erguido e glorioso, e Saturno, o Deus Pai, o Jeová de Moisés.” (‘Dogme et Rituel’, ii)

Helena Blavatsky destaca o fato de que o Filho e o Pai, Júpiter e Saturno, “são portanto um só”.[4] Em seu livro de 1996 sobre Júpiter, Stephen Arroyo registra o fato de que o símbolo de Saturno é “essencialmente o mesmo símbolo de Júpiter, com o lado de cima colocado para baixo”. [5]



Saturno olha para o mundo inferior com severidade, e Júpiter olha para o que é elevado, com otimismo.

A polaridade sagrada corresponde aos dois triângulos entrelaçados do Selo de Salomão ou Sri Yantra da tradição hindu, em que um aponta otimisticamente para o céu, e o outro indica com rigor a Lei que rege a Terra.

Um Mahatma dos Himalaias explica:

“O duplo triângulo, visto pelos cabalistas judeus como o Selo de Salomão, é, como muitos de vocês certamente sabem, o Sri-yantra do Templo Ariano antigo, o ‘mistério dos mistérios’, uma síntese geométrica de toda a doutrina oculta.”

E o sábio oriental acrescenta:

“Dos triângulos entrelaçados, o que aponta para cima é a sabedoria oculta, e o que aponta para baixo é a Sabedoria revelada (no mundo fenomênico). (…..) Cada triângulo é uma trindade porque apresenta um aspecto tríplice.” [6]

Para alcançar um Otimismo durável tal como ensinado por Júpiter, é preciso estudar e aprender as lições do realismo e da autorresponsabilidade, cujo professor é Saturno. Não há bem-aventurança a menos que possamos merecê-la. Júpiter transmite entusiasmo a Saturno em nossas almas, assim como Saturno ajuda Júpiter em nossas vidas, dando a ele prudência e método.

Stephen Arroyo escreve:

“Ao contemplar as qualidades e aspirações profundas que Júpiter representa em astrologia, é inevitável sentir que a grandeza de Júpiter e a sua visão ampla estão inextricavelmente ligadas à perene busca humana por uma verdade maior e por uma experiência de unidade com o universo. Em nenhum outro planeta, talvez (e em nenhum outro signo além de Sagitário, que é governado por Júpiter), encontramos uma combinação tão natural, tão espontânea e tão óbvia do físico com o não-físico; a aspiração material por melhorar a nossa situação está unida com a preocupação libertadora e com os sonhos elevados, ideais, inspirações e causas éticas.” [7]

Júpiter, o Salvador, ajuda a produzir uma síntese abençoada entre terra e céu.

A inteligência do planeta combina a existência física com a transcendência espiritual, e torna melhores as ações espontâneas, na medida em que também estiver presente o autocontrole. Quando as lições de Júpiter são corretamente associadas com as de Saturno e de outros instrutores do sistema solar, as pessoas começam a praticar uma generosa renúncia ao mundo da cobiça material e do exagero, enquanto expandem a sabedoria e o contentamento no reino ilimitado das almas.

O Caminho do Contentamento

Desde o ponto de vista da filosofia esotérica, seria errada a ideia, defendida aparentemente por Stephen Arroyo, de que a influência do planeta Mercúrio representa a mente inferior, enquanto as energias de Júpiter expressam a inteligência universal.[8]

Dane Rudyard e outros astrólogos importantes também vinculam Mercúrio à “mente analítica”. A ideia pode funcionar bem no plano psicológico de curto prazo, enquanto o tema estiver limitado às personalidades; mas constitui um sério erro desde a perspectiva teosófica, porque os estudantes de filosofia esotérica não podem negar nem esquecer que todos os corpos celestes importantes são setenários.

Em teosofia clássica, cada planeta é completo e inclui os sete níveis de consciência. Mercúrio, o sagrado mensageiro dos deuses, é um planeta integralmente iluminado, embora também inspire uma visão ambígua e fragmentária da vida, sempre que o foco da alma se reduz aos níveis inferiores de percepção.

Mercúrio não está de modo algum limitado à mente inferior, assim como Júpiter não está limitado aos níveis superiores de consciência. O Sol, a Lua e todos os planetas do nosso sistema influenciam tanto Buddhi-Manas (a mente universal) como Kama-Manas (a mente animal). Naturalmente, eles também produzem efeitos nos aspectos físicos da vida.

Apesar disso, Arroyo está certo ao ver uma forte influência de Júpiter sobre os níveis elevados do pensamento humano.  

Ele escreve:

“Uma característica especialmente importante de Júpiter em mitologia, assim como na interpretação astrológica de Júpiter, é a ligação deste planeta com o que era chamado com frequência, tradicionalmente, de ‘mente mais elevada’.” E Arroyo esclarece que a “mente mais elevada” de Júpiter não é irracional; ela é uma forma de razão, mas razão inspirada. [9]

As influências emitidas pelo planeta têm muito em comum com a substância da teosofia moderna. Donna Cunningham usa as seguintes palavras-chave para definir a ação jupiteriana:

“Onde nós buscamos a verdade; filosofia, religião; conhecimento, sabedoria; a mente elevada; o mestre.” [10]

A mitologia está intimamente associada à percepção astrológica, e Isabelle Pagan escreveu em seu livro “Signs of the Zodiac Analysed”:

“Júpiter é portanto o representante que governa a ‘Mente Divina’ na mitologia dos tempos clássicos, e é consequentemente saudado como o ‘Ótimo Máximo’. O seu equivalente no mundo grego é tratado com igual reverência, porque o Zeus de Homero é o Maior e o Melhor entre todos os deuses, e aquele que inspira a maior devoção; o Deus da Luz, da Justiça e da Verdade; o Pai dos Deuses e dos homens. Ele domina todos os planos, porque seu pensamento compreende todas as coisas. Uma vibração da sua poderosa vontade faz o universo inteiro tremer.” [11]

O pensamento antecede os fatos externos, abre o caminho para eles e prepara as ações. Nuvens de pensamento correto irão “chover”, mais cedo ou mais tarde, na forma de fatos objetivos sobre o solo da realidade concreta.

E se as ideias precedem os acontecimentos, deve ser verdade que o otimismo planta as sementes da felicidade.

Júpiter, o planeta do futuro, transmite uma confiança filosófica na Vida. Ele ensina a humanidade a trilhar o caminho do contentamento enquanto aprende a aprender as lições dadas pelos outros instrutores da nossa aldeia solar.

Resgatando os Aspectos Abençoados de Júpiter

Para melhorar a substância média do seu carma acumulado, a humanidade deve aperfeiçoar a sua interação com a dimensão sutil do nosso sistema solar.

O modo como nossa civilização se relaciona com as influências astrológicas que nos chegam dos planetas, e a maneira como nós em geral olhamos para os “professores do céu” precisam ser radicalmente melhorados. Júpiter é um exemplo disso.

Stephen Arroyo escreve:

“Muitas das expressões mais positivas de Júpiter estão fora de moda atualmente, porque as preocupações de Júpiter são em grande número de casos o oposto dos interesses racionalistas e analíticos de Mercúrio, e do enfoque detalhado que Mercúrio tem em relação à vida.”

Vimos acima que na realidade Mercúrio não está de modo algum preso a um “enfoque detalhado”, exceto quando visto desde o plano mental inferior. Assim como as influências superiores dos vários planetas são bloqueadas pelo Carma da ignorância humana, também Mercúrio é ignorado e distorcido em seus aspectos mais elevados.

Arroyo faz uma vigorosa defesa da dimensão nobre do maior planeta do nosso sistema solar:

“Temas e qualidades [jupiterianos] como ética, nobreza, franqueza, altruísmo e elevação mental são na verdade catalogados quase como coisa antiga e fora de moda, atualmente, porque a mídia, assim como os estabelecimentos educacionais, esconderam estas preocupações generosas sob grossas camadas de desprezo, e riram delas como se fossem irrelevantes desde o ponto de vista da nossa era ‘científica’, individualista (isto é, egocêntrica).”

Incapaz de ver Júpiter em seus aspectos mais verdadeiros e elevados, nossa civilização interage com o planeta de maneiras infelizes.

Arroyo acrescenta em uma nota de rodapé:

“Muitas das manifestações mais negativas de Júpiter, no entanto, são destacadas, idealizadas e até promovidas no mundo de hoje: a arrogância, as crenças religiosas intolerantes, a cobiça, os ‘estilos de vida dos ricos e famosos’, o culto da celebridade como se ela fosse uma meta valiosa em si mesma, um estilo de vida exagerado onde reina o desperdício e que puxa constantemente o cidadão para fora do seu centro e para longe dos seus deveres, empurrando-o para trivialidades como se ele fosse uma criança. Há um crescimento e desenvolvimento econômico excessivo, às custas da atmosfera terrestre, da herança arquitetônica, do meio ambiente, etc. Podemos inclusive dizer que a expressão negativa de Júpiter está exemplificada na sociedade ocidental de hoje.” [12]

O progresso social depende da regeneração do indivíduo. O renascimento espiritual de um cidadão ajuda a preparar o renascimento espiritual de todos.

Em nosso constante diálogo com os planetas deste sistema solar, é dever de cada um resgatar e expandir os aspectos sagrados da sua interação individual com o cosmos.

NOTAS:

[1] H.P. Blavatsky, “Collected Writings”, TPH, Vol. X, p. 342, ou também “Transactions of the Blavatsky Lodge”, Theosophy Co., Los Angeles, p. 50.

[2] Do livro “Exploring Jupiter”, de Stephen Arroyo, CRCS Publications, Sebastopol, Califórnia, EUA, copyright 1996, 300 pp., ver p. 9.

[3] “Souls of the Stars - Universal Heliolatry”, em “Collected Writings”, H.P. Blavatsky, TPH, EUA, volume XIV, ver p. 335.

[4] “Collected Writings”, H. P. Blavatsky, TPH, volume XIV, p. 339, veja o texto intitulado “Souls of the Stars - Universal Heliolatry”.

[5] “Exploring Jupiter”, de Stephen Arroyo, CRCS Publications, Sebastopol, CA, EUA, copyright 1996, 300 pp., ver p. 15.

[6] “Cartas dos Mahatmas”, Editora Teosófica, Brasília, edição em dois volumes, 2001, ver volume II, Carta 111, pp. 213-214.

[7] “Exploring Jupiter”, de Stephen Arroyo, CRCS Publications, ver p. 10.

[8] “Exploring Jupiter”, Stephen Arroyo, CRCS Publications, ver pp. 16 a 28.

[9] “Exploring Jupiter”, p. 14.

[10] “How to Read Your Astrological Chart”, Donna Cunningham, Samuel Weiser, Inc., York Beach, Maine, 1999, 204 pp., ver p. 123.

[11] Citado em “Exploring Jupiter”, mesma página 14.

[12] “Exploring Jupiter”, Stephen Arroyo, ver p. 01.

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A Luz e a Força de Júpiter” é uma tradução do artigo “The Light and Power of Jupiter”, que está disponível em nossos websites associados.

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Em 14 de setembro de 2016, depois de uma análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu criar a Loja Independente de Teosofistas. Duas das prioridades da LIT são tirar lições práticas do passado e construir um futuro saudável

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5 de dezembro de 2017

A Definição de uma Meta

Os Objetivos Pessoais Definem o
Modo Como a Alma Se Organiza

Carlos Cardoso Aveline




Os hábitos diários e ações repetitivas são um aspecto decisivo do carma humano e merecem um exame constante.

É falso pensar, como fazem os desatentos, que um indivíduo atarefado não pode mudar sua agenda. Pintar a si mesmo como “escravo da situação” é uma forma infantil de negação da responsabilidade.

Os acomodados se colocam como espectadores da sua própria vida. Esperam que o mundo inteiro obedeça aos seus desejos. Trilham o caminho da derrota.

A verdade é que o fluxo da vida é plástico e se altera o tempo todo.

Quando o cidadão eleva e purifica o ponto de vista desde o qual observa o conjunto de tarefas que dependem dele,  começa a perceber o potencial de mudanças para melhor que estava oculto diante do seu olhar. 

A Raja Ioga ensina que a mente se adapta àquilo que está diante dela e àquilo em que pensa.

Suponhamos que um estudante de filosofia estabelece diante de si a visão estável de uma meta exigente, e ignora deliberadamente a impressão superficial - aparentemente “realista” - de que ela é impossível. Neste caso, o subconsciente e o supraconsciente do estudante terão tempo de avaliar o objetivo de uma maneira lentamente abrangente e transformadora, que é como trabalham estes níveis de consciência não-verbal.

Em seguida o caminho para o cumprimento efetivo da tarefa tem chances de tornar-se claro diante do peregrino. Se a meta pensada for de fato inviável, isso será visto; mas ainda assim o seu potencial de ação já estará definitivamente maior e mais forte.

A alma de cada um se organiza conforme suas metas.

Se o objetivo for recitar coisas bonitas sobre sabedoria universal, o aspecto decorativo da alma se expandirá.

Se a meta for vivenciar a sabedoria, o crescimento da alma será efetivo e talvez invisível, certamente mais difícil de perceber, e o aspecto probatório da caminhada deixará de ficar restrito ao plano verbal.

Nosso subconsciente e nosso consciente são grandes amigos e auxiliares de um poder quase incalculável. Mas cabe colocar diante deles metas elevadas, nobres, estáveis, eticamente corretas, e aplicar a elas uma vontade calma e firme.

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Uma versão inicial do texto acima foi publicada sem indicação do nome de autor na edição de dezembro de 2016 de “O Teosofista”, pp. 7-8.

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29 de novembro de 2017

Quando os Pinóquios Perdem Poder

A Cada Renascimento da Ética, Os
Novos Tempos Exigem Mais Franqueza

Carlos Cardoso Aveline




O modo como falamos expressa as estruturas do carma humano. O grau de sinceridade é um elemento decisivo.

A atitude respeitosa é indispensável, e é preciso reconhecer ao mesmo tempo que só a franqueza de ideias permite um real diálogo. As palavras revelam o pensamento, quando são ditas com honestidade, mas o escondem, quando usadas pelos falsários do mundo mental.

Se a linguagem dos “líderes” sociais está voltada para os jogos de aparência, a mentira domina a cena coletiva até que alguém desmascare o falso consenso. Este princípio se aplica à família, às associações teosóficas e “esotéricas”, às igrejas, às empresas, à mídia e ao mundo político.

Palavras amáveis colocadas a serviço de uma meta egoísta produzem mau carma, impedem as pessoas de verem os fatos e envenenam a atmosfera cultural - até o dia em que a falsidade cai sob o seu próprio peso. Grandes instituições e estruturas ideológicas do mundo de hoje começam a ruir porque está vencido o prazo de validade das suas ilusões.

Todos percebem que a fala macia nem sempre expressa boa vontade. Um jeito duro de falar pode ser inofensivo em seu conteúdo, enquanto que palavras cuidadosas e diplomáticas frequentemente escondem sentimentos negativos. Por outro lado, os ataques no plano pessoal servem para esconder a falta de argumentos e a ausência de raciocínio.

Ser sincero é mais importante que ser diplomático, especialmente para quem busca a verdade. Não é necessário dar demonstrações externas de boa vontade a cada passo. Quando a boa vontade é profunda, ela transcende as aparências e autoriza a questionar os erros para que todos possam aprender e melhorar. A linguagem direta permite uma comunicação real: os eufemismos mascaram a realidade.

Observando o Modo de Conversar

Para enxergar a verdade além da encenação, observe como as pessoas usam as palavras cada vez que há um debate intenso. Em qualquer país do mundo, veja quem atribui sentimentos negativos a quem, de uma maneira talvez intensa, mas sem prova ou evidências.

Em toda guerra de palavras, a primeira vítima é a verdade. Cabe ao teosofista observar com serenidade aqueles que usam a falsidade como arma, e perceber quem fala de modo honesto.

Verifique os fatos. Identifique aqueles que falam com moderação enquanto a discussão prossegue, e evitam ataques pessoais. Examine os graus variados de consideração pelos outros e pela verdade. Olhe além das máscaras. Só quem respeita a si mesmo é capaz de ter consideração pela realidade tal como ela é, ou respeitar os oponentes como seres humanos. O autoconhecimento faz com que surja o autocontrole.

Há épocas na vida dos povos em que grandes doses de hipocrisia parecem ser politicamente elegantes e até inevitáveis. As palavras sinceras são então denunciadas como “coisa absurda”. Afirma-se que a franqueza é uma atitude arrogante, agressiva e antissocial. Considera-se uma grave ofensa se alguém não aceita as regras da falsidade socialmente aprovada.

No campo religioso, o ritualismo e a fé cega compensam a hipocrisia produzindo ódio, terror, guerra e violência. Ao mesmo tempo operações de propaganda em grande escala visam bloquear e inibir o pensamento independente de cada cidadão.

Mas a vida é simétrica e há também momentos históricos em que caem as máscaras dos sepulcros caiados.

Então surgem os indivíduos que trabalham com graus elevados de sinceridade, e eles trazem consigo uma completa mudança de situação. As marés de sinceridade estabelecem novas regras de convivência, segundo as quais ser honesto de fato é bom e eficiente, mas mentir e falsificar é desagradável e leva à completa derrota dos pinóquios, estejam eles disfarçados de líderes políticos, de comunicadores sociais, de religiosos ou espiritualistas.

A teosofia clássica ensina a independência em relação à chamada “opinião pública” e à religiosidade sectária.

Ela convida o ser humano a ser autorresponsável. Para a filosofia esotérica, ser bem-sucedido em qualquer área de atividade significa pensar por si mesmo, agir com criatividade e tornar-se um pioneiro em formas superiores de inteligência cooperativa.

Não se trata de dizer tudo o que se pensa indiscriminadamente e a todo momento.  Cabe abrir espaço para níveis crescentes de sinceridade. A ideia de mudanças demasiado súbitas é uma armadilha.

Sendo um processo orgânico, a honestidade precisa crescer aos poucos a partir da situação exata do momento presente, passo a passo, com realismo, com moderação e perseverança.

Os Políticos do Movimento Esotérico

A teosofia autêntica aconselha o peregrino a não esquecer que o caminho para a verdade é íngreme, estreito, cheio de espinhos e avança morro acima.

O ser humano sincero está  rodeado de aparências enganadoras. O discernimento é com frequência raro no estágio atual da evolução humana. Devemos aprender a desenvolver uma visão clara. A crença cega é um cavalo de Troia. Parece tornar as coisas mais simples, enquanto ataca desde o interior a nossa capacidade de defender-nos contra a ignorância.

A busca de conforto é parte da armadilha. E nem todos estão dispostos a trilhar um caminho incômodo.

Embora os teosofistas e esoteristas estejam acostumados a falar diariamente sobre “Maya”, ou Ilusão, é praticamente impossível encontrar um líder de alguma das grandes corporações do movimento teosófico ou esotérico que seja capaz de examinar em público a triste coleção de erros acumulados desde a última década do século 19.

Os dirigentes políticos do movimento parecem querer transmitir a todos a impressão de que não há nada a aprender do passado, e nenhum erro foi cometido. Isso equivale a uma fraude.

Qualquer epistemologia ou pedagogia que negue a necessidade de aprender com os erros é falsa. Uma tal “fraude mística” pode pertencer a igrejas autoritárias, mas não a um movimento cuja meta é a humilde busca da verdade.

Os movimentos esotéricos têm o dever cármico e também o poder iniciático de antecipar a civilização ética do futuro, construindo em pequena escala e num plano um pouco mais sutil a essência do que florescerá em seu devido tempo. Esta, naturalmente, é uma tarefa para pioneiros, para gente que sabe o que quer e evita perder tempo com ilusões.

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Uma versão inicial do texto acima foi publicada sem indicação do nome de autor na edição de março de 2016 de “O Teosofista”, pp. 5 a 7.

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Em 14 de setembro de 2016, depois de uma análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu criar a Loja Independente de Teosofistas. Duas das prioridades da LIT são tirar lições práticas do passado e construir um futuro saudável.

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto).


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26 de novembro de 2017

A Conservação da Energia da Alma

A Teosofia Ensina a Preservar a Força Interior

Theosophy




Em épocas mais simples, antes da era da especialização e das viagens, os problemas da vida parecem ter sido menos numerosos e menos complexos. As batalhas que as pessoas travavam estavam mais perto de suas casas. Exceto por algumas explosões ocasionais de controvérsia, quando havia eleições, os assuntos que se discutia envolviam normalmente a terra, a família, e a comunidade em que se vivia.

Com o surgimento das agências de notícias, porém, os assuntos de cada um passaram a ser motivo de preocupação de todos os outros, tanto individualmente como entre nações. O rádio, a televisão e os jornais quebraram os muros do isolamento, é verdade . Mas, ao fazê-lo, abriram uma Caixa de Pandora de problemas que literalmente clamam por solução. Com poucas exceções, os indivíduos não têm qualificação para resolvê-los, e tampouco possuem suficiente concentração para ignorá-los.

Talvez um dos problemas mais difíceis da era atual seja saber o que é importante, e o que não é; e decidir qual dos problemas que confrontam a humanidade deve receber atenção, e quais não devem; decidir, em resumo, exatamente onde deve-se definir os limites da batalha a ser travada na vida pessoal e individual. Porque parece claro que nenhum mortal comum pode ter a pretensão de enfrentar todos os problemas da raça humana, do país e da comunidade a que ele pertence.

Este talvez seja o principal problema: há gente demais querendo fazer coisas em excesso. As pessoas estão tentando ser autoridades em assuntos excessivamente numerosos. Estão aventurando-se muito longe de casa, tanto intelectual como corporalmente, e desperdiçando, ao invés de conservando, as suas energias. Há um adágio que afirma: “o que diz respeito a cada um não diz respeito a mais ninguém”; e ele nos leva a perguntar-nos se a quantidade crescente de problemas não é resultado do fato de que estamos excessivamente inclinados a sobrecarregar-nos com os deveres de outras pessoas, dando pouca atenção aos nossos próprios deveres. “O dever de outra pessoa é cheio de perigo.”

H.P. Blavatsky diz que a energia psíquica [1] é como capital, de modo que se alguém ganha um dólar por dia e gasta dois, sua conta terá um déficit de 30 dólares no final do mês.

A mensagem desta imagem simbólica é óbvia. Quem é que nunca experimentou a necessidade de economizar, em algum momento da sua vida? Quem nunca enfrentou o problema de gastar em excesso, e não resolveu viver de modo mais simples e frugal no futuro? No entanto, a prioridade que se dá aos negócios, nos tempos atuais, faz com que raramente um cidadão ocidental use este princípio da economia além dos limites da realidade monetária, embora este princípio seja absolutamente universal. Esta é a lei do plantio e da colheita, de oferta e demanda, que é apenas um aspecto da Lei única e universal do Equilíbrio, ou Carma.

O gasto de energia psíquica daria um retorno maior, sem dúvida, se os seres humanos aplicassem às suas vidas psíquicas, mentais e emocionais os mesmos princípios de economia que eles empregam às suas finanças.

Por onde, então, devem passar os limites do campo de batalha? Onde devem ser empregadas as nossas energias? Devemos lutar pela causa de uma política melhor, e declarar uma guerra pessoal contra cada abuso que descobrirmos nos mil e um setores da administração pública? Devemos lutar por uma reforma da alimentação, e despertar a consciência das pessoas em relação ao fato de que elas estão sendo gradualmente envenenadas, sem que saibam, pela atividade impiedosamente mercenária dos que trabalham com produtos químicos? Devemos escrever contra o alcoolismo, contra a delinquência juvenil, contra a guerra? Sem dúvida, várias encarnações de devoção e uma verdadeira fortuna em energias psíquicas e criativas poderiam ser gastas pela causa de uma melhor saúde física. Outras tantas vidas se iriam na tarefa ingrata de melhorar a vida familiar; e uma cruzada contra a corrupção nas empresas privadas poderia esgotar a vitalidade dos cidadãos mais cheios de energia.

De vez em quando, os estudantes de Teosofia são criticados porque não entram naqueles campos de conflito que chamam a atenção de outras pessoas, e pelo “fanatismo” - um rótulo usado, às vezes - com que eles se dedicam à sua Causa.

“Vocês, teosofistas”, disse um homem certa vez, “estão demasiado envolvidos com a sua filosofia, demasiado indiferentes às questões do dia-a-dia, e qualificam com demasiada frequência os problemas como questões laterais. E estes seus Mahatmas, como é que eles podem permanecer tão despreocupados em relação à política, dando pouca atenção, como é evidente, a qual dos partidos ou dos candidatos chega ao poder?”

A resposta parece simples.

Nem os Mahatmas, nem os teosofistas, seus humildes estudantes e colaboradores, são indiferentes a coisa alguma. O que ocorre é que eles estão aplicando, ou tentando aplicar, as leis da economia, e perceberam, pelo menos em parte, onde é que as suas energias podem ser gastas para o maior proveito do maior número de almas.

Embora isso não seja feito no seu esforço coletivo pela Causa da Teosofia, individualmente os teosofistas têm toda liberdade para defender qualquer reforma social ou religiosa que sintam que é necessária. Podem fazer campanha por qualquer partido político ou candidato que considerem correto; e travar quaisquer batalhas que quiserem. Alguns teosofistas se engajam de fato nas questões do dia-a-dia e devotam as suas energias a causas que consideram valiosas; e frequentemente se arrependem.

Mas será que o fato de que eles se dediquem a tais questões anula o fato que é a lei da economia? Será que isso significa que toda boa causa, como há sempre muitas no mundo, deve ter o apoio pessoal e ativo de todos, sem levar em conta o carma, o dever, e a liberdade de escolha? Será que isso elimina o fato de que a energia psíquica é limitada em cada ser humano? Os teosofistas são necessariamente amigos de todos os movimentos úteis no mundo, e dão apoio moral a todo esforço que aponte na direção da liberdade e da fraternidade humanas. Mas depois que um indivíduo alcançou uma certa percepção da meta, do propósito e dos ensinamentos do Movimento Teosófico atual, uma vez que ele adquire a convicção de que cada ser humano, carmicamente, tem um dever a realizar e de que a lei requer de cada um apenas aquilo que ele pode e deve fazer, ele compreende o valor do discernimento, da frugalidade, e da concentração. Então ele saberá o significado da expressão “questões laterais”, e verá a necessidade de conservar e preservar suas energias.

Parece que pouca gente, mesmo entre estudantes de filosofia esotérica, percebe que a maior parte das batalhas que as pessoas travam hoje em dia são pessoais -; que elas têm o seu início e o seu final no nível de plano da mente (Manas) inferior -, isto é, no plano dos desejos, das emoções e das meias-verdades pessoais. Raramente é promovida uma cruzada pela causa de uma justiça pura e igual para todos, sem preocupação com o eu, e sem distinção de raça, credo, sexo, condição social ou organização. Nossas batalhas, quase sem exceção, são instigadas e sustentadas por um autointeresse pessoal, organizacional ou nacional. Que país, por exemplo, em sua luta pela justiça, é tão veemente na defesa dos direitos dos outros quanto na defesa dos seus próprios direitos? Qual o indivíduo que, em sua interação diária e a cada momento com os outros, reduz os sentimentos e opiniões pessoais ao mínimo, e tem como meta apenas a causa da compreensão, da cooperação e da boa vontade? Qual o homem ou a mulher, de qualquer raça ou país, que age com base no princípio de que todo verdadeiro progresso deve ter uma base espiritual ou de alma, e que todas as questões são essencialmente morais? A controvérsia e a argumentação, o confronto de um ponto de vista pessoal contra outro, mesmo quando é vitorioso, só pode resultar em “mudança”; uma mudança de uma posição manásica inferior para outra. E “mudança”, disse Abraham Lincoln, “não deve ser confundida com progresso”. “O verdadeiro progresso”, disse ele, “está sempre em relação com o coração”.

São muitas as maneiras pelas quais a energia espiritual e dinâmica da alma é desperdiçada -; e a principal delas talvez seja a conversa. A argumentação, a controvérsia, as acusações, a fofoca - são todas manifestações da mente inferior, e todas se expressam através da fala. E o que dizer do hábito quase universal de falar muito, mesmo tendo pouco ou nada a dizer? Será que pensamos que esta é uma forma pequena e insignificante de perda de energia psíquica? Será sem motivo o fato de que, no capítulo doze do “Bhagavad Gita”, Krishna elogia seu querido servidor “que é de poucas palavras”? Segundo “A Doutrina Secreta”, de H.P. Blavatsky, o ato de pronunciar uma simples palavra evoca uma potência - espiritual, psíquica, e física -; porque a fala é feita de som, e o som é uma das forças fundamentais do universo.

Há muito tempo o controle da fala é considerado uma disciplina essencial no caminho da evolução moral e manásica (mental), e um fator poderoso na conservação da energia da alma. O êxito neste caminho pode ser corretamente medido se observamos a quantidade de energias que antes eram colocadas em função de metas irrelevantes ou desnecessárias, e que passam a ser redirecionadas por canais úteis. Como um indivíduo que desperdiça os seus recursos poderá estar à altura de uma emergência, quando ela surgir? Como alguém que está falido, ou impossibilitado de agir, poderá desenvolver um trabalho bom e eficiente? Os estudantes de filosofia esotérica têm a obrigação, perante si mesmos e perante os outros, de estabelecer um equilíbrio em todos os aspectos de seu ser, e incluir como parte da sua disciplina a obtenção de um bom sono, um bom divertimento e um bom descanso - “sem que haja excesso ou falta”, segundo o “Bhagavad Gita” - e de extinguir as suas chamas kama-manásicas. [2] As energias da Alma devem ser dirigidas desde o ponto de vista do Observador.

“Aquele, oh, filho de Pandu, que, como alguém que não pertence a lado algum ....., que possui uma mente constante e equânime em relação a aqueles que ama ou de quem não gosta ..... e é igual em relação ao lado que é amigável e ao lado que é inimigo; aquele que promove apenas as ações necessárias, um ser assim, reuniu as qualidades.” (“Bhagavad Gita”)

Não é a ação necessária que desperdiça a energia da alma; mas apenas aquelas atividades que são desnecessárias. Não são os empreendimentos legítimos dos indivíduos que levam à ansiedade, à preocupação e ao medo; mas só aqueles objetivos que eles assumiram como seus de modo indiscriminado. Tampouco o dever cármico e obrigatório é, jamais, um peso para a alma. As pessoas criam os seus próprios problemas e exaurem o seu capital psíquico diariamente, quando se envolvem com situações nas quais deveriam permanecer desapegadas, quando falam em situações em que deveriam permanecer em silêncio, quando tomam partido em situações em que deveriam permanecer neutras, e quando argumentam e discutem no plano de kama-manas, quando deveriam estar buscando orientação no verdadeiro Eu. No entanto, é possível, segundo as palavras de Walt Whitmann, “caminhar em silêncio entre conflitos verbais e afirmações, sem rejeitar os que lutam, e sem rejeitar nada do que foi dito.” Mesmo em meio ao tumulto da vida deste século, é possível para qualquer ser humano erguer-se internamente acima do barulho e dos estrondos, aprender a distinguir as questões vitais das “questões laterais”, e assim consagrar as suas energias ao bem da humanidade.

Ishwara, o eu superior, está perfeitamente consciente das inúmeras questões e problemas que reduzem a vitalidade do homem comum, mas, como ele sabe que eles são em grande parte produto da mente inferior, não se preocupa com eles. Manas [a Mente] Inferior dispersa a energia da alma - e Manas Superior conserva a energia.

“O coração tem cento e um canais, e deles se passa para a coroa. Subindo a partir da coroa, chega-se ao que é imortal. O outro caminho oscila para-lá e para-cá.” (Katha Upanixade)

NOTAS:

[1] Em teosofia, a palavra “psíquico” se refere ao eu inferior ou alma mortal. O eu superior ou espírito imortal é qualificado como o nível “noético” do ser. Assim como a palavra “psíquico” vem do termo de origem grega “Psiquê”, a palavra “noético” deriva do termo grego “Nous”. Este artigo aborda, portanto, o tema da conservação das energias do eu inferior, alma mortal. (CCA)

[2] “Chamas kama-manásicas” - os impulsos dos sentimentos e pensamentos inferiores. (CCA)

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O texto acima foi traduzido da revista “Theosophy”, edição de February 1961, pp. 168-172. O título original é “Conservation of Soul Energy”.

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Para conhecer a teosofia original desde o ângulo da vivência direta, leia o livro “Três Caminhos Para a Paz Interior”, de Carlos Cardoso Aveline.


Com 19 capítulos e 191 páginas, a obra foi publicada em 2002 pela Editora Teosófica de Brasília.

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