21 de setembro de 2016

Simplificando e Elevando o Carma

Teosofia Reestrutura a Experiência
Acumulada e Dá a Ela Uma Nova Direção

Carlos Cardoso Aveline



Afirma-se popularmente que a cada sete anos as células do corpo físico humano são renovadas.

Na verdade, esse período de tempo é simbólico. As diferentes partes do organismo possuem células cuja durabilidade varia. As células de alguns órgãos do corpo duram dias, outras células duram meses, e algumas vivem por décadas. Todas são renovadas de um ou de outro modo. 

Um período de sete anos constitui um ciclo numerológico dos mais importantes e também um subciclo de Saturno. É possível dizer que neste espaço de tempo uma parte substancial das células do corpo humano é renovada. A qualidade da renovação, porém, depende das atividades da alma que anima o corpo.

A Descoberta da Teosofia

A expansão de consciência que ocorre quando uma pessoa “descobre” a teosofia vai bem além dos planos sutis da vida. O pensamento teosófico muda o carma inteiro da pessoa. A mudança cármica é substancial e não de quantidade.

O conteúdo cármico em si continua o mesmo. A sua estrutura passa a ser outra, e isso muda seu significado.  

O carma é como algo que se estoca em uma sala: com o estudo teosófico sério, o “estoque” de carma do indivíduo deixa de ser um “quarto escuro com a lâmpada quebrada”.

Abre-se uma janela e entram sol e ar puro. Abrir e fechar a porta deixam de ser ações dolorosas.

O carma acumulado, em contato com a luz do dia, passa a ser revisado e reprocessado. Purifica-se, torna-se mais leve, flexível, adaptável, e funciona como fonte de lições conscientes.

O carma alterado pelo estudo da lei abstrata universal se torna sutil, e permite uma sintonia direta com a essência do cosmo. O carma purificado pelo contato com a inteligência e o ar livre não permanece isolado no plano superior. O seu conteúdo se registra no organismo físico do indivíduo, assim como antes o carma denso e cego também se registrara.  

Cada célula, com seu grau de inteligência própria, recebe a energia búdica superior e precisa reacomodar-se a ela.

Esta reacomodação só pode ser feita até certo ponto durante a vida de uma célula específica. Quando a célula é substituída, a sua sucessora virá com aptidões mais amplas e uma possibilidade maior de vibrar e viver de acordo com a energia teosófica.

Assim, pouco a pouco, o que o indivíduo aprende no plano mental é absorvido de um modo equivalente no plano físico, e no plano emocional. Este processo na direção da integração e da coerência será tanto mais forte quanto maior a força da integração do indivíduo através da sinceridade consigo mesmo.

Um exemplo desta construção de afinidade entre o físico e o sutil é dado pela prática do vegetarianismo. A abstenção da violência implícita no hábito de comer carne torna mais fácil para o ser humano viver e compreender a fraternidade universal.  

Ciclos Maiores e Menores

A cada sete anos, diz a filosofia esotérica, há uma mudança forte na constituição do ser humano.  

A cada quatro anos, passa-se da metade do período setenário.

A cada ano completo de estudo de teosofia, há um novo ciclo solar completo que renova até certo ponto as células, os hábitos, os pensamentos e os sentimentos acumulados.  

Todo semestre, quadrimestre e trimestre produz alterações correspondentes.

Um dia significa uma revolução completa da terra em torno de si mesma. Quando a intenção é nobre e é firme, cada um destes ciclos traz uma alteração purificadora e um progresso imperceptível na qualidade de vida em todos os níveis, preparando melhores encarnações no futuro.

A condição essencial para avançar no caminho é a sinceridade para consigo mesmo e para com os outros.

Levando em conta o processo mencionado acima, fica mais simples compreender a relação entre o material e o espiritual. Toda célula do organismo físico registra em si os padrões de sintonia dominantes do indivíduo, no plano das emoções, das ideias, dos hábitos e das intuições. Registra também o grau de aptidão contemplativa que ele possui. Quando a célula é substituída por outra, a velha célula “renasce” melhorada. Para otimizar o processo, cabe ao estudante de teosofia vincular as suas ações físicas, emocionais e pensamentais sempre mais estreitamente entre si, harmonizando o processo todo.

Não importa que o progresso não seja percebido: é invisível a germinação da semente plantada sob a terra.

Quando o peregrino avança alguns passos, todo o resto da caminhada torna-se mais compreensível. A dificuldade passa a perder importância, embora os perigos possam ser ocasionalmente grandes. Com o surgimento de vibrações mais elevadas, o abandono de vibrações grosseiras passa a ser obrigatório: não há outro caminho a seguir, exceto o da sabedoria.  

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


Para ingressar no SerAtento, visite a página do e-grupo em YahooGrupos e faça seu ingresso de lá mesmo. O link direto é este:   


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19 de setembro de 2016

A Loja Independente e o Movimento

Alguns Setores da Comunidade Teosófica
Permanecem Livres da Armadilha Burocrática

Carlos Cardoso Aveline

 A teosofia ensina uma visão global da vida, livre de apego cego, e impessoal 



Pequenos eventos podem ter grandes consequências, e a criação da Loja Unida de Teosofistas, em 1909, é um exemplo disso. Cento e sete anos depois de 1909, a criação da Loja Independente em 2016 resgata o mesmo aspecto da lei do carma, em outro ciclo histórico.

A LUT foi fundada por alguns poucos estudantes em Los Angeles em 18 de fevereiro de 1909.

Naquela época, o movimento esotérico perdera seu sentido de orientação. Havia duas Sociedades Teosóficas rivais. Ambas andavam longe do ensinamento teosófico original, construído por H. P. Blavatsky no período entre 1875 e 1891. Além disso, haviam perdido o bom senso.

A Sociedade de Adyar desprezava os ensinamentos de H. P. Blavatsky. Estava fascinada pelo uso de poderes psíquicos inferiores e conversas imaginárias com mestres. Nas duas décadas iniciais do século vinte, os dirigentes de Adyar diziam de público, com orgulho  mal disfarçado, que em breve ocorreria a segunda vinda de Cristo.

O novo Messias era o jovem Jiddu Krishnamurti, discípulo de Annie Besant. Milhares de pessoas idealistas foram durante décadas enganadas pelos anúncios espetaculares deste ou daquele “discípulo clarividente”, mesmo depois que o próprio Krishnamurti, desgostoso, denunciou a farsa e se afastou de Adyar.    

As fraudes e ilusões não foram superadas até hoje, e continuam na base das estruturas burocráticas de Adyar. Como veremos a seguir, a luta por obter e por manter bom senso continua sendo uma dura necessidade, não só para a Sociedade que produziu o falso Messias do século 20, mas também para os teosofistas das outras linhas de pensamento, sem exceções.  

Erros e Acertos de Adyar  

A adoração de falsos mestres e a prática de rituais ainda bloqueiam a busca da verdade na Sociedade de Annie Besant.

Desde a segunda metade dos anos 1930, porém, houve algum progresso real na longa marcha da volta para o bom senso. O tempo não passa em vão e o carma amadurece também através de fatos concretos.

Ao lado dos pequenos progressos feitos, o impasse ético se arrasta desde a traição a Helena Blavatsky, promovida após a morte da fundadora.

Presidente internacional de Adyar durante cerca de 33 anos, desde 1980 até sua morte em outubro de 2013, a sra. Radha Burnier foi uma pessoa honesta e digna. Tinha idealismo e sua visão de mundo possuía pontos essenciais em comum com a teosofia. Isso não pode ser esquecido. 

Radha foi herdeira e continuadora dos erros pseudoteosóficos da primeira metade do século vinte. Ela não quis ou não pôde fazer com que Adyar fosse além de tais ingenuidades. No entanto, ao ver que concluía sua encarnação, Radha recusou-se a nomear um sucessor seu como “Chefe Externo” da fraudulenta Escola Esotérica criada por Annie Besant.

Radha tampouco aceitou nomear sucessor para a direção do falsificado “Rito Egípcio”, que reúne a cúpula ritualista da Sociedade de Adyar. [1] E não indicou qualquer pessoa para sucedê-la na presidência.

Deste modo, ela interrompeu a linha sucessória da fraude inaugurada por Annie Besant no início do século 20, e concluiu sua encarnação lançando a Sociedade de Adyar em um período de transição acelerada para algo novo, que tanto pode ser um renascimento como a destruição.  

O passo dado por Radha ao não nomear sucessores foi real, e foi útil, mas tímido. A Sociedade de Adyar é hoje semelhante a uma igreja. Por mais elevadas que sejam as suas intenções, os membros de Adyar - no Brasil, em Portugal e outros países - estão historicamente colocados diante da necessidade objetiva de usar seu melhor discernimento para optar entre duas alternativas principais. A primeira delas é promover o respeito pelos fatos, a retomada do bom senso e a valorização do ensinamento original.

A segunda opção é prosseguir na fase atual de decadência.

A questão que ainda não foi respondida é: quanto tempo será necessário para que ocorra a primeira opção, e a Sociedade de Adyar comece a experimentar um renascimento? A mesma pergunta é válida para a Loja Unida, porque, à sua própria maneira, ela também perdeu sintonia com o seu impulso inicial.  

O Dilema da Loja Unida

Ao ser fundada, em 1909, a Loja Unida de Teosofistas inverteu a dinâmica histórica de abandono da teosofia original.  

A LUT surgiu sob a liderança de Robert Crosbie e John Garrigues para resgatar o bom senso e o ensinamento autêntico. Cerca de duas décadas depois da fundação da LUT, as sociedades de Adyar e Pasadena viam as suas fantasias e “inovações” chegando a becos sem saída quando iniciaram uma gradual retomada da filosofia autêntica de H.P. Blavatsky. Para Pasadena, este processo foi mais forte. Para Adyar, ele ficou interrompido a partir da década de 1990.   

De que modo funcionava a Loja Unida de Teosofistas enquanto viveu John Garrigues?  

A LUT ignorava as divisões políticas e organizativas do movimento. Ela olhava para o movimento como um processo vivo, dinâmico e que transcende formas externas. Ela acreditava que a sincera busca da verdade é o terreno comum em que todos os teosofistas podem e devem encontrar-se uns com os outros. Ela propunha a teosofia original dos fundadores do movimento como a base indestrutível desta união.

No entanto, a LUT está longe da perfeição. Grande parte das suas lojas, especialmente nos países ocidentais, continua presa à repetição mecânica dos escritos de Helena Blavatsky e William Judge, e se recusa a olhar para os desafios enfrentados hoje pela humanidade. Estas lojas com frequência não compreendem a necessidade de desmascarar ativamente as ilusões da pseudoteosofia. Mas há setores da LUT e buscadores da verdade espalhados por vários países que estão abertos à renovação e potencialmente aptos para um novo ciclo. Na Índia, onde a influência dos escritos do sr. B. P. Wadia é mais forte, a LUT parece continuar bastante ativa. A bem feita revista internacional “The Theosophical Movement”, de Mumbai, é um indício nesta direção. [2]

Surge a Loja Independente

Em 2016, a loja luso-brasileira da LUT declarou sua independência, desligou-se do escritório da LUT em Los Angeles e adotou o nome de Loja Independente de Teosofistas.

Ativa em diversas frentes em língua inglesa, a pequena associação Independente considera que não é o tamanho nem o número de seguidores que dá legitimidade a uma escola de pensamento. Frequentemente ocorre o contrário: só quem não busca ser o maior pode priorizar a qualidade.

Um dos segredos do êxito dos primeiros tempos da LUT, cuja experiência inspira a Loja Independente, está no fato de que ela soube permanecer pequena, e agir criativamente, com independência. A teosofia ensina uma visão global da vida, livre de todo apego cego, e impessoal.

Nos primeiros tempos, a LUT evitou tanto o inchaço como o amor à rotina. Ela priorizou o critério da afinidade. Em termos gerais, evitou o erro de confundir a busca da verdade universal com a busca de “crentes”, seguidores e bens materiais. Mesmo assim, foi ficando gradualmente rígida após a morte de John Garrigues em 1944.
  
A Loja Independente é uma proposta complexa, assim como foi a Loja Unida durante grande parte da sua trajetória. Uma parte da loja flutua acima dos aspectos mais grosseiros do plano físico do movimento.

Ela não é uma instituição. Não é uma organização. Não tem pessoa jurídica. Desde um ponto de vista formal, não possui dirigentes.

Segundo Robert Crosbie, uma loja teosófica deve ser um conjunto de princípios éticos e universais. Ela também é uma comunidade de ensino e aprendizagem. Ela não vende seus ensinamentos, porque considera que - assim como o ar que se respira ou a água dos oceanos - a sabedoria eterna pertence desde sempre a todos os seres. Como poderia alguém vendê-la?

Os associados da Loja Independente não pagam mensalidade nem anuidade. As doações que sustentam o seu trabalho são livres. Ela vende livros, mas obras em papel são apenas instrumentos materiais do ensinamento. Os cursos e estudos que oferece são gratuitos.[3]

Examinando os fatos mencionados acima, alguns estudantes veem a proposta de ação da LUT e da Loja Independente como complexa ou misteriosa.

Ela não se encaixa nos modelos institucionais conhecidos. Só pode ser compreendida gradualmente. A regra da Fraternidade Universal é viver e trabalhar em comunhão interna, sem alarde, preservando a diversidade externa.

Para ajudar a compreender pelo menos em parte a Loja Independente, é útil levar em conta que as escolas de filosofia autêntica do passado - tanto no Ocidente como no Oriente - não cobravam dinheiro por seus ensinamentos, não tinham pessoa jurídica, e seus instrutores e alunos levavam vidas simples e austeras.

Apenas os sofistas, denunciados por Platão em seus Diálogos, cobravam de seus alunos e adaptavam suas “verdades” comercializáveis ao interesse de cada momento e de cada cliente.  

O tempo é cíclico. 

As escolas filosóficas do futuro farão o mesmo que as do tempo antigo.

Deste ponto de vista, o movimento teosófico moderno parece ser uma escola complexa e atemporal de filosofia.

A Loja Independente de Teosofistas afirma que o esforço teosófico moderno não está preso à letra morta dos ensinamentos originais, nem a estruturas organizativas que facilmente envelhecem. Ele é clássico, platônico e neoplatônico. Ele tem muito de estoico. Ele busca a expressão leal, ética e criativa dos ensinamentos originais, sem distorções. Ele é oriental. É uma escola eclética como a de Alexandria. É dinâmico. É uma escola de Jnana Ioga, uma ciência mais antiga que a nossa humanidade. Mas também pertence ao futuro; e, tendo menos de 200 anos de idade, é jovem.

NOTAS:

[1] Veja o artigo “A Fraude da Escola Esotérica”, de Carlos Cardoso Aveline. O texto está disponível em nossos websites associados.

[2] A Sociedade Teosófica de Pasadena, presente em cerca de 10 países, tem mais de um aspecto positivo e negativo em comum com a Loja Unida. A Sociedade Teosófica de Point Loma, presente também em alguns países, está estruturada de cima para baixo e é a ST que possui menos pontos em comum com a visão de movimento da Loja Unida e da Loja Independente.

[3] Leia o texto “O Dinheiro Segundo a Filosofia”, de Carlos Cardoso Aveline, que está disponível em nossos websites associados.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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A Verdade Sobre William Judge

Cartas à Índia Pedem o Fim de Um Erro Histórico

Carlos Cardoso Aveline 

William Q. Judge (1851-1896)



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Nota Editorial de 2016

O artigo a seguir foi publicado pela primeira vez na
revista teosófica internacional “Fohat”, do Canadá,
em 2007. O título original é “Yearly Letters to Adyar:
A Few Seeds For a Better Dialogue in the Movement”.

A corrente de Cartas Anuais a Adyar seguiram até o
ano de 2013, quando a sra. Radha Burnier faleceu,
criando um vazio institucional na sociedade que presidia.
A falta de uma liderança internacional consolidada em
2014 tornou mais adequado interromper a corrente de cartas.

Àquela altura o êxito da campanha já era grande. Ela
trouxe uma mudança cultural e uma visão mais equilibrada
da importância de William Judge na história do movimento.

(CCA) 

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“... Ninguém se preocupa com assuntos
do passado, porque as pessoas estão mais
focadas no trabalho que deve ser feito agora.”

[ Radha Burnier, em uma carta de
2006 sobre o “Processo Contra  Judge”.]



Quando assuntos  cruciais estão em jogo, um diálogo pobre é melhor do que nenhum diálogo. Nestas situações, mesmo tentativas limitadas de obter uma comunicação ajudam na produção de consciência. No seu devido tempo, havendo perseverança,  irão produzir frutos.   

Em 13 de abril de 2006, alguns poucos estudantes experientes de Teosofia - de diferentes países e associações - passaram a escrever cartas abertas anuais a Radha Burnier, a presidente da maior das Sociedades Teosóficas existentes hoje, aquela cuja sede internacional fica em Adyar, na Índia. As cartas têm sido bastante diferentes umas das outras,  porque os seus autores têm backgrounds e pontos de vista variados. No entanto, as cartas possuem uma coisa em comum: elas expressam um desejo de ver a verdade em relação ao chamado “Processo Contra Judge”, porque a verdade produz justiça, e a justiça faz com que a fraternidade seja possível.

Em suas cartas à sra. Radha, estes estudantes pedem que ela reexamine as alegações feitas contra William Q. Judge no século 19, e que mostre provas de que ele forjou mensagens dos Mahatmas, ou então declare que ele é inocente em relação às acusações. Algumas das cartas também sugerem que Adyar deveria abrir os seus arquivos com documentos que dizem respeito ao “Processo Contra Judge”. 

Desde o início, as publicações “The Aquarian Theosophist”, de Los Angeles, e “Fohat”, do Canadá, apoiaram a iniciativa. O historiador britânico Leslie Price escreveu um artigo sobre a iniciativa no boletim “Psypioneer” [1]. Price escreveu que pode ser feita uma comparação entre as falsas acusações levantadas contra Helena Blavatsky no século 19 pela Sociedade de Pesquisas Psíquicas (S.P.P.), e as acusações da Sociedade de Adyar contra William Judge.

Segundo o artigo, há uma lição a ser tirada do fato de que em 1986 - um século depois de H.P. Blavatsky ter sido chamada de fraudulenta pela S.P.P. - a mesma entidade finalmente aceitou em público que as acusações é que eram uma fraude, e H.P.B., inocente. Leslie Price, ele próprio um dos  membros da Sociedade de Pesquisas Públicas que ajudaram na mudança de posição em relação a H.P.B., concorda que a Sociedade de Adyar faria bem em considerar a possibilidade de seguir o exemplo da S.P.P., e revisar sua posição em relação a Judge.

A pequena corrente de cartas abertas a Adyar não tem ilusões de curto prazo. A intenção é fazer com que a iniciativa dure, e  por isso o ritmo é anual. Em 2006, o primeiro ano, houve seis cartas, de cinco pessoas, desde quatro países: México, Canadá, Brasil e Alemanha. Duas pessoas escreveram cartas da Alemanha, e um teosofista escreveu duas cartas no mesmo ano.

A sra. Radha Burnier escreveu curtas respostas a três das cartas de 2006: as de México, Canadá e Brasil. Em 2007, novas cartas foram mandadas a Adyar, a maior parte delas também datadas de 13 de abril (data de nascimento de William Judge). Esta vez foram dez cartas e uma mensagem de e-mail, mandadas de seis países: México, Canadá, Reino Unido, com uma carta cada; Alemanha (três cartas), Brasil (quatro cartas) e os Estados Unidos (um e-mail).

O conteúdo da correspondência gira principalmente em torno da concepção teosófica de tempo. Em 2006, Radha escreveu a José Ramón Sordo no México dizendo que não queria interferir em discussões sobre o passado do movimento. Ramón respondeu da cidade mexicana de Tepoztlán, Morelos, em 13 de abril de 2007:

“Prezada Radha, (....) O que eu estou pedindo não é que você entre em alguma discussão sobre o passado, mas que corrija uma atitude do presente. Sim, eu realmente sei que você viaja muito ao redor do mundo e que você está consciente de que a maior parte dos membros de Adyar nem sabe quem foi William Judge. Naturalmente eles têm a liberdade de ver ou não Judge como um dos fundadores do movimento. Mas, veja bem, este é que é o problema. Havia 16 pessoas presentes na formação - palavra usada por Henry Olcott - da Sociedade Teosófica Original em Nova Iorque [em 1875], mas só três deles foram os reais fundadores que trabalharam pela Causa até o final das suas vidas; e isso não é uma questão de opinião, mas constitui um fato. Qualquer um pode dizer que o Sol nasce no Norte, mas o fato é que ele nasce no Leste. Você diz que nas ‘Cartas dos Mahatmas’ os Mestres só fazem referência a dois fundadores; sim, é verdade. Mas nós também temos as palavras da principal fundadora da Sociedade, HPB, afirmando que Judge é um dos três fundadores; ‘ingratidão é um  crime em Ocultismo, e vou dar um exemplo mencionando o caso de W.Q. Judge. Ele é um dos três fundadores da Sociedade Teosófica, os únicos três que permaneceram firmes como rocha em sua dedicação à Causa.’ (‘Collected Writings’, XII, p. 593) (....) A única coisa que desejo é que você reconheça Judge como um dos três fundadores principais da Sociedade. No entanto, em sua resposta você evita enfrentar a questão. (....) Esperando que sua saúde já tenha melhorado bastante,  sincera e fraternalmente, J. Ramón Sordo.”

De Londres, Inglaterra,  Will Windham escreveu:

“Prezada sra. Burnier, (....) No aniversário de W.Q. Judge, lembramos da sua vida com afeto e  gratidão, e lembramos o trabalho que ele fez pelo movimento teosófico junto com a sra. Blavatsky, o coronel Olcott e muitos outros. Ele deixou atrás de si o legado de uma vida exemplar, da qual todo chela devotado pode tirar proveito, e uma obra escrita que é ao mesmo tempo simples, enobrecedora e profunda. A sua tradução do ‘Bhagavad Gita’,  os seus Comentários sobre o ‘Gita’ e a sua versão dos Aforismos de Patañjali mostram uma profunda compreensão da natureza humana. Estas e outras obras dele são reconhecidas por suas qualidades perenes, e são estudadas com proveito por muitos. (....) Não há vergonha alguma em admitir erros cometidos no passado. Na  verdade, é necessária uma força interior para corrigi-los, e isso será apreciado, sem dúvida, por todo comentador dotado de justiça. Em casos como o de Judge, o perigo maior para nós é de omitir-nos em nosso dever de corrigir os erros, quando surge uma oportunidade de fazê-lo. Portanto, nós solicitamos respeitosamente que você reconsidere a posição da Sociedade em relação às acusações feitas contra W.Q.J., e que faça tudo o que estiver ao seu alcance para que haja justiça onde ela é necessária. Atenciosamente, W. Windham.”

De Florianópolis, no Brasil,  Régis Alves de Souza  decidiu participar da corrente de cartas abertas: 

“Prezada sra. Radha,  (....) Saudações fraternais. Sou membro da Sociedade Teosófica de Adyar desde 1985. Recentemente fui informado da existência da Loja Unida de Teosofistas, L.U.T., uma rede internacional de estudantes de Teosofia presente em cerca de 13 países e cuja atuação é bastante significativa para o movimento teosófico como um todo. Foi uma surpresa agradável ver que os livros e as revistas internacionais da L.U.T. nos dão informações extremamente valiosas ― as quais, por algum motivo lamentável,  têm sido até hoje completamente desconhecidas por muitos. O conteúdo básico desta carta aberta é compartilhado com cartas simultâneas que serão mandadas por outros teosofistas brasileiros. Seu objetivo é sugerir respeitosamente que a Sociedade Teosófica de Adyar re-examine os documentos do processo começado por Annie Besant e Henry Olcott contra William Judge nos anos 1890. (....) O processo de perseguição contra William Judge dentro da Sociedade Teosófica de Adyar,  durante o século 19, está bem documentado em vários livros. Esse fato levou à divisão do movimento. (....) Gravemente desinformada,  a maior parte dos membros da ST de Adyar  honestamente acredita que William Judge, um dos principais fundadores do movimento em 1875, cometeu fraudes. Estes teosofistas têm o direito de conhecer a verdade, assim como o público em geral tem, também. Não há, ou não deve haver, religião ou interesse corporativo acima da verdade, e os fatos devem ser aceitos e reconhecidos por todos nós. Esta é a razão pela qual faço, fraternalmente, a sugestão expressada acima. Atenciosamente, Régis Alves de Souza.”

Esta carta teve ampla circulação entre teosofistas brasileiros. Outras  cartas foram mandadas do Brasil por Rejane “Chica” Tazza, Valmir Aguiar, e eu mesmo. Dos Estados Unidos, depois de ler um informe sobre as cartas na edição de maio de 2007 do jornal eletrônico “The Aquarian Theosophist”, Steven Levey escreveu de Washington um e-mail para Adyar:

“Prezada presidente Burnier, (....) Naturalmente, não sei se você está acompanhando a questão recente em relação ao esclarecimento sobre a posição de William Quan Judge no Movimento, mas espero que você tenha percebido a importância da questão. A preocupação é a de que, quando alguém ocupa posições organizativamente importantes em uma Sociedade que é chamada de Teosófica,  possa ter o discernimento necessário para saber a diferença entre questões de mentalidade menor, baseadas em intelectualismos da mente inferior, e os ideais verdadeiramente Noéticos. (....) Ainda, solicitamos de você que admita abertamente para você mesma, e para aqueles que você representa, esta tolice do passado. Nomes pessoais e seguidores não são importantes quando a Verdade está em questão, e deveria ser fácil fazer com que aqueles que perpetraram tais inverdades no passado sejam reconhecidos como o que são, porque eles impedem que a Sociedade de hoje tenha como base a Verdade, e que o nome de William Quan Judge possa ocupar o seu devido lugar. (....)  Steven Levey.”

Do Canadá, Bruce MacDonald,  o editor da revista  “Fohat”, escreveu o  seguinte:

“Prezada sra. Burnier, - Passou-se um ano desde a minha última carta sobre William Q. Judge. Naquela ocasião, você expressou uma falta de interesse em permitir que historiadores examinem os Arquivos da S.T., em busca de material que possa mostrar a inocência do sr. Judge aos olhos daqueles que ainda se apegam à crença fantasiosa de que ele teria forjado mensagens dos Mestres. Entendo que, em sua opinião, as injustiças perpetradas no passado contra os inocentes não são assunto a ser examinado pelos teosofistas de hoje. (....) Eu gostaria de defender um ponto de vista diferente. Em primeiro lugar, a função de presidente da Sociedade Teosófica é contínua. (....) Um erro cometido pela presidência pode colocar a Sociedade Teosófica em um rumo radicalmente oposto aos princípios sobre os quais ela foi fundada. É dever,  portanto, de cada novo responsável pela presidência, revisar as decisões do passado e garantir que a Sociedade esteja em um rumo coerente com os seus princípios fundamentais. (....) Como ocupante da presidência da Sociedade Teosófica, você tem o dever moral, e inclusive Cármico, de corrigir os erros que vêm destruindo o Espírito da Sociedade. Confio em que você estará à altura da tarefa.”

Em sua resposta a esta carta de Bruce, a sra. Radha mais uma vez não conseguiu perceber a relação viva que há entre passado e presente. Por outro lado, não compreendeu que cento e vinte anos são pouco tempo em termos históricos,  e chamou os acontecimentos de 1894-95 de “passado distante”. Ela escreveu, em 25 de abril de 2007:

“Prezado sr. MacDonald, Recebi sua carta de 13 de abril de 2007. Pode-se concordar ou não com Annie Besant e seus colegas, mas deve-se aceitar que a influência e o papel dela na Sociedade Teosófica foi muito grande. Não faz sentido depois de tantos anos tentar estabelecer o sr. Judge, quaisquer que tenham sido os seus méritos, como o único teosofista de valor. (....) Isso tudo é passado distante, e as pessoas dificilmente lembram do que passou muitos anos atrás. Sincera e atenciosamente, Radha Burnier.”

De Berlim, na Alemanha, Sieglinde Plocki, uma teosofista experiente e que segue a tradição de Point Loma, escreveu em 2007 a sua segunda carta anual, da qual selecionamos estas frases:

“Prezada sra. Radha Burnier,  (....) Gostaria de lembrar mais uma vez a você e aos dirigentes da Sociedade de Adyar que você, Radha, detém a chave neste caso. Está em suas mãos a possibilidade de corrigir as injúrias e enganos do passado. Tal ação seria altamente significativa em termos de carma e levaria seguramente a um fortalecimento da associação e a uma melhor cooperação entre todas as Sociedades Teosóficas, porque fortaleceria a base comum do nosso trabalho. Peço respeitosamente a você que perceba a importância da sua responsabilidade, assim como as grandes perspectivas para o futuro que estão agora em suas mãos. Estamos vivendo em tempos de transformações súbitas. Que as mudanças ocorram para o bem das Sociedades Teosóficas, com base na justiça e na retidão entre teosofistas e entre Sociedades Teosóficas -; justiça, de uma vez por todas, para William Quan Judge.”

Outras cartas foram mandadas por via aérea da Alemanha por Ralph Kammer e Gianina Kammer, que assinaram a mesma carta, e por Evan Jahn, que escreveu em alemão.

A carta de Sieglinde Plocki recebeu esta resposta da sra. Radha, que escreveu em 25 de abril de 2007:

“Prezada sra. Plocki, Agradeço sua carta de 12 de abril de 2007. Não acredito que a justiça pode ser estabelecida escrevendo cartas. De qualquer modo, não pretendo escrever sobre a questão de Judge depois de todos estes anos. Penso que é hora de avançar com o trabalho que precisa ser feito. Com os melhores votos, atenciosamente, Radha Burnier.”

O conteúdo da carta é sem dúvida original. A sra. Radha parece admitir que há uma injustiça, mas afirma que ela não poderia ser corrigida escrevendo cartas. Poderíamos perguntar, então: “se cartas não são o melhor instrumento, qual seria ele?” Pode ser que cartões postais ou telefonemas sejam mais eficazes para estimular as autoridades de Adyar a que avancem pelo caminho da justiça. Permanece, no entanto, o fato de que Radha Burnier admite a injustiça; e isto realmente estabelece um terreno comum entre nós. A mesma carta, com seu estilo telegráfico,  tem outra frase significativa na qual Radha confessa:

“...não pretendo escrever sobre a questão de Judge depois de todos estes anos.”

Aqui, outra vez, a presidente internacional da Sociedade de Adyar sugere que não vale a pena escrever sobre o passado. Ela parece pensar que os fatos passados não têm utilidade ou  significado. Será então que os estudantes deveriam deixar de estudar escrituras antigas,  porque “já se passaram todos estes anos” desde que foram escritos?  Ou ela está sugerindo que a Sociedade de Adyar deve evitar o exame honesto dos seus próprios erros passados, para que possa, no futuro, continuar apegada às mesmas e velhas ilusões?

Todos aceitamos a ideia de que “ é hora de avançar com o trabalho que precisa ser feito”. No entanto, nenhum teosofista pode realmente “avançar com o trabalho que precisa ser feito”, a menos que possua uma visão adequada dos acontecimentos passados, o que permite saber onde está situado. Perceber “qual é, exatamente, o trabalho que precisa ser feito” é algo que requer uma visão correta. E não pode haver visão correta nem verdadeira fraternidade na ausência de justiça e ética. 

Sob a superfície, porém,  a mensagem da sra. Radha não é tão negativa quanto parece. Há algo para ser lido nas entrelinhas. As coisas que não são ditas são, às vezes, tão importantes quanto as coisas que são ditas. Na carta para Sieglinde Plocki, como nas outras cartas,  a  sra. Radha não afirma que Judge é culpado. Ela não afirma que ele não foi vítima de traição. Ela tenta dizer, no entanto, que tal injustiça é hoje irrelevante, porque pertence ao passado. Esta é uma tese equivocada, como José Ramón Sordo mostrou em sua carta de 2007 para ela:

“O que eu estou pedindo não é que você entre em alguma discussão sobre o passado, mas que corrija uma atitude do presente.”

No entanto, a sra. Radha continua apegada ao mesmo padrão. Em uma das suas cartas anteriores sobre o “Processo Contra Judge”,  datada de 22 de maio de 2006, ela escreveu:

“Não vejo sentido em reabrir o processo contra Judge e gastar tempo e energia em relação a eventos  que ocorreram muito tempo atrás. Com a exceção de algumas pessoas como você, ninguém se preocupa com assuntos do passado, porque as pessoas estão mais focadas no trabalho que deve ser feito agora.”

Nesta carta ela continua a afirmar implicitamente que todas ações passadas são coisas a serem esquecidas; no entanto, a existência da Lei do Carma e da lei dos ciclos não pode ser cancelada pelos seguidores de Krishnamurti, por mais que eles tentem. O único e pobre argumento da  sra. Radha, presente nas suas várias cartas,  é que a traição contra Judge é uma coisa de “tantos anos atrás”. Ela admite nas entrelinhas que Judge foi prejudicado, e portanto também o movimento teosófico. No entanto, ela não consegue ver que em qualquer “momento presente” o ato de corrigir nossos erros do passado é parte do nosso melhor Dharma e  da nossa melhor Oportunidade. As tentativas de negar este princípio universal resultam de uma incapacidade de perceber como evoluem todos os seres, e de que modo a Lei do Carma, a lei do tempo, trabalha em seu desenvolvimento histórico.

Nas cinco cartas que escreveu até o momento sobre a questão, Radha Burnier não pôde negar, mas cuidadosamente evitou admitir, três fatos:

1) A perseguição política contra William Judge em 1894-95 foi baseada em rumores falsos.

2) Este acontecimento causou a primeira divisão estrutural do movimento.

3) A verdade e a justiça deverão ser restabelecidas mais cedo ou mais tarde sobre este ponto,  que é central tanto para o presente como para o futuro do movimento.

Há fortes razões, embora elas não sejam ditas, para que Radha Burnier não se exponha ao ponto de dizer que Judge merecia ser perseguido e acusado de fraude.  Ela certamente sabe que o fato foi uma injustiça, como já ficou óbvio, especialmente depois da publicação em 2004 do livro “The Judge Case” (“O Processo Contra Judge”), de Ernest Pelletier. Além disso, os próprios acusadores deixaram de lado as acusações contra William Judge nos anos 1890 (sem admitir que ele era inocente).

A sra. Radha sabe que o seu próprio pai, N. Sri Ram, enquanto era presidente internacional da Sociedade Teosófica de Adyar, apoiou a publicação do livro pró-Judge “Damodar and the Pioneers of the Theosophical Movement” (“Damodar e os Pioneiros do Movimento Teosófico”), de Sven Eek. A editora teosófica de Adyar (TPH) publicou o livro em 1965, com um prefácio favorável escrito pelo próprio Sri Ram.

O volume “Damodar and the Pioneers” é um passo preparatório importante para aquele momento futuro em que a Sociedade de Adyar como um todo irá, finalmente,  aceitar os fatos. O livro de Sven Eek inclui textos longos de Judge e sobre ele, inclusive o texto biográfico de 23 páginas, a correspondência de 50 páginas entre Judge e Damodar, e as cinco páginas de desenhos da sede internacional de Adyar, feitos por Judge em 1884. O livro também reproduz um informe de Laura Holloway sobre o seu histórico encontro final com Henry Olcott em 1906. 

Olcott estava sofrendo de depressão devido à situação do movimento depois da traição contra Judge, e os sentimentos depressivos tiveram uma relação com a sua doença final. Na conversa, que ocorreu pouco antes da sua morte, Olcott faz uma severa autocrítica e admite que havia sido injusto com William Judge. Sua atitude havia mudado. Agora nos seus últimos meses  de vida, Olcott confessava que estava sentindo profundamente a falta da presença de H.P.B. no movimento. E ele disse a Laura Holloway:

“Nós aprendemos muito e superamos muita coisa, e eu vivi muito e aprendi mais ainda, especialmente em relação a Judge.  (....) Agora sei, e você gostará de ouvir isto, que eu fui injusto com Judge, não de propósito ou com maldade; no entanto, fiz isso,  e me arrependo.” (p. 658)

Radha Burnier sabe muito bem destes fatos. Ela seguramente leu o importante prefácio do seu pai ao livro de Sven Eek. Mas talvez ela não esteja preparada ainda para enfrentar as muitas consequências de admitir publicamente a verdade sobre o chamado “Processo Contra Judge”.

Mesmo uma só verdade, se ela disser respeito a uma questão crucial,  pode ser perigosa à corporação de Adyar, porque admiti-la levaria as pessoas a descobrirem outra verdade, que então as levaria a mais outra, e assim sucessivamente. Aqueles que são  leais à organização não podem ser coerentemente leais à Verdade, porque a verdade é frequentemente nociva aos interesses das burocracias. A longo prazo, no entanto, não há interesses burocráticos ou corporativos acima da verdade; e talvez mais algumas cartas anuais datadas de 13 de abril sejam suficientes para mostrar à sra. Radha Burnier e seus colegas que, na verdade, William Judge pertence mais ao futuro do movimento esotérico do que ao seu passado.

Enquanto isso, as cartas abertas irão também produzir uma consciência crescente, no movimento como um todo, sobre algo que hoje é mais atual do que nunca: o projeto e as metas originais do movimento fundado por H. P. Blavatsky, H. S. Olcott e W. Q. Judge.

NOTA:

[1] “Call To Reopen Judge Case”, em “Psypioneer buletin”, volume 2, number 4, April 2006, pp. 91-92.

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NOTA EDITORIAL DA REVISTA “FOHAT”

[O texto acima foi publicado pela revista canadense “Fohat”, edição de Summer 2007, volume XI, número 2, pp. 38 a  41. No editorial da edição, à p. 28, o editor da revista escreveu:]

“Carlos Cardoso Aveline nos traz ‘Cartas Anuais a Adyar: Sementes Para Um Melhor Diálogo no Movimento’. Outra vez, vemos o ato simbólico de uma campanha de cartas que visa registrar uma ideia ao longo do tempo; e espera-se que um  dia esta ideia tenha condições de crescer. Nestes tempos de política e dissimulação, é difícil acreditar que todo líder deve ter coragem moral para enfrentar os erros do passado. No entanto, ainda que os tempos atuais não sejam os melhores (e talvez sejam os piores), o símbolo pode viver mais tempo e encontrar sua oportunidade entre as gerações futuras, porque, em certo sentido, os símbolos são eternos. Os atos simbólicos do nosso tempo irão viver mais tempo que todos os líderes teosóficos atuais, e talvez vivam mais que algumas Sociedades que eles lideram, e pode ser que no futuro, em um ambiente mais acolhedor, deem frutos.”

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


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