11 de agosto de 2018

Teosofia - Comparando Esquemas Referenciais

Como a Filosofia Esotérica Interage com 
a Psicologia Moderna e a Sabedoria Oriental

Carlos Cardoso Aveline




A teosofia clássica trabalha de modo interdisciplinar, isto é, combina diferentes áreas de conhecimento, procurando revelar o que há de essencial e de comum entre elas.

Nesta tarefa, o diálogo entre psicologia e teosofia é decisivo para os estudantes de filosofia esotérica.

O campo de ação intercultural é inesgotável. Sua extensão e profundidade são difíceis de calcular. Cabe avançar calmamente na área do estudo, do debate e da pesquisa.

Como parte deste processo, trago aqui um esquema comparativo dos níveis de consciência no ser humano e no mundo natural.

O quadro tem cinco pilares:

1) O primeiro pilar ou coluna, à esquerda, resume verticalmente o esquema de referências da Análise Transacional.

  
O termo “Pai” corresponde à consciência superior ou mais elevada. Logo abaixo, o “Adulto” é o foco médio da consciência, responsável pelas decisões práticas. No nível mais básico da coluna, a Criança simboliza a consciência instintiva, subconsciente e emocional.

O ser humano é complexo: às vezes fala nele o Pai, ou a Mãe; a consciência da responsabilidade. Outras vezes fala a Criança, o hábito, o instinto. O equilíbrio e o bom senso são mantidos pelo Adulto.

2) A segunda coluna vertical indica os mesmos três níveis de consciência, mas com os nomes que recebem na psicanálise freudiana. Acima de tudo, o Superego impõe as exigências éticas. O Ego traz o equilíbrio consciente entre os níveis superiores e inferiores. Finalmente, o Id é o subconsciente, que Freud chama de “inconsciente”, e equivale ao nível instintivo.

3) O terceiro pilar apresenta os termos usados na teosofia original. Vemos aqui acima de tudo o eu superior (Atma-Buddhi ou Alma espiritual).

Na posição intermediária temos Manas, a mente. Parte de Manas responde ao que é superior, e outra parte gravita em torno do que é instintivo.

No nível básico, vemos o Eu Inferior. Alguns setores do eu inferior ou animal obedecem ao eu superior, a alma espiritual, enquanto outros reagem contra a luz da ética e boicotam a caminhada pelo autoconhecimento, defendendo os instintos em si mesmos.

4) O quarto pilar da imagem comparativa apresenta o esquema vertical da consciência planetária e interplanetária de acordo com as tradições chinesas e também a Teosofia. Aqui o Céu e o Sol correspondem ao Pai, ao Superego e ao Eu Superior dos pilares anteriores.

Cosmicamente, o ser humano faz a ponte entre o céu e a Terra.

Do mesmo modo, no mundo de cada indivíduo,  a Mente ou Manas (Teosofia), o Ego (Psicanálise) e o Adulto (Análise Transacional) fazem a ligação entre o Superior e o Inferior nos pilares anteriores.

A Terra é o chão, a base, o nível material da vida cósmica. O quarto pilar prepara a visão da consciência universal, intensificada no esquema final do quadro.

5) A quinta linha vertical resume uma visão mais complexa, que decorre do estudo da edição original da obra “A Doutrina Secreta”, de Helena Blavatsky.

Temos aqui, acima, o polo norte do nosso planeta, em contraposição magnética ao polo sul. O polo norte corresponde aos níveis superiores de consciência, e o polo sul, aos inferiores.

Alternativamente, temos o polo norte acima em contraposição ao centro da Terra, símbolo dos níveis inferiores.

Outra oposição magnética registrada neste pilar ocorre entre Atma, o mais elevado dos sete princípios da consciência, e sthula-sharira, a consciência física do ser individual.

Há também a polaridade entre o topo da cabeça e a base da coluna vertebral, no corpo humano. O organismo físico do indivíduo é considerado um resumo do planeta, tendo os seus dois polos na cabeça e na base da coluna.

No quinto pilar vemos a relação magnética e mística entre a estrela polar e o planeta Terra como um todo.

Em qualquer variante deste pilar, microcósmica ou macrocósmica, no meio dele fica sempre o Foco central do Carma.

O quadro acima é relativamente caleidoscópico.

Conforme o examinamos uma e outra vez, podemos atribuir diferentes graus de importância relativa a cada um dos seus elementos. É possível interpretá-los a partir de diversos tipos de prioridades, sendo válida qualquer uma delas.

O esquema também serve para ilustrar o papel auxiliar da Psicanálise e de outras formas éticas de abordagem da Psicologia no contexto vivo da pesquisa teosófica.

O estudo dos níveis celestes e terrestres da nossa consciência permite olhar com clareza para o processo de evolução da alma individual, assim como do planeta e do cosmo.

Os três níveis de evolução apontados no Quadro Comparativo estão inevitavelmente interligados no indivíduo sadio. A sua compreensão nos liberta da ignorância e reforça o compromisso ético com a vida.

Nos cinco pilares referenciais, o nível intermediário ou foco médio deve ser ampliado simetricamente de modo que se conheça ao mesmo tempo o inferior e o superior, o sub-humano e o supra-humano, o divino e o animal. O inferior precisa ser compreendido para que possa servir de base e instrumento na vivência do que é mais elevado. 

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O texto “Teosofia - Comparando Esquemas Referenciais” foi publicado em nossos websites associados dia 11 de agosto de 2018.  

Uma versão inicial do artigo acima, sem indicação de nome de autor, faz parte da edição de maio de 2017 “O Teosofista”, pp. 5 a 7. Título original: “Comparando Esquemas Referenciais”.

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8 de agosto de 2018

Largando o Hábito de Pensar Mal

Notas Sobre o Privilégio de Ser Autorresponsável

Carlos Cardoso Aveline




Aquele que perde o ânimo de elevar a si próprio sente a tentação de rebaixar o seu próximo.

Quem pretende elevar-se, ao contrário, vê nos outros o seu próprio crescimento e não tem prazer em imaginar defeitos em seu semelhante.

Vejamos alguns exemplos.

Na escola, quando os alunos pensam mal do professor ou professora, conseguem uma desculpa para estudar menos e uma (falsa) justificativa para cair no mau comportamento.

Cada vez que um cidadão se habitua a falar com revolta das autoridades, fica mais fácil e mais natural, para ele, sonegar imposto, mentir ao seu próximo ou viajar acima da velocidade permitida, nas ruas e estradas, tratando depois de subornar o guarda de trânsito.

Ao invés de valorizar o que têm, o indolente e o desanimado ambicionam o que não possuem.

Quem não gosta de si mesmo não resiste à tentação de odiar as figuras de autoridade. Então a “culpa” pela sua própria incapacidade interna de aprender o melhor é projetada sobre o “líder”, para evitar a sensação desagradável de enxergar suas próprias falhas.

Portanto, aquele que faz pouco dos dirigentes sem assumir a responsabilidade pelo que pensa está buscando justificativas para não melhorar a si mesmo.

O mesmo se aplica a quem fala mal de determinada situação, sem tomar providências para que ela melhore ou para afastar-se dela. Também se aplica a quem se considera “destinado a sofrer eternamente”, ou “condenado à derrota”. O uso de “profecias negativas” funciona como desculpa para não tentar o melhor, fugindo da responsabilidade.

Por outro lado, aquele que desenvolve ações saudáveis e construtivas dentro do que está ao seu alcance abre caminho para o bem-estar durável. Quem planta o que é bom colherá cedo ou tarde o que lhe corresponde.

Tudo começa no pensamento.

Colocados estes fatos, uma coisa fica clara. Existe um espírito crítico que leva a uma ação prática curativa, como questionar o professor displicente e exigir que as autoridades sejam honestas.

E existe outro tipo de espírito crítico, exercido de modo irresponsável, que serve como justificativa para seguir os ditames da inveja, os impulsos cegos da competição, e para dar uma desculpa (esfarrapada) para a falta de coragem de agir com nobreza por mérito próprio e afastar-se do erro.

Confrontado com os seus próprios medos, o desinformado prefere ver falhas (reais ou imaginárias) no outro.

Quando muita gente opta por fugir do autoconhecimento, surge nos grupos a “necessidade” de fabricar inimigos e bodes expiatórios a serem odiados “unanimemente”.

Assim se espalha o sentimento de frustração. Em seguida os índices de agressão verbal e física aumentam na comunidade, ou entre as comunidades. A astúcia e os sentimentos desleais se alastram.

Diante disso, o desafio é manter o bom senso e a simplicidade. Não podemos corrigir facilmente os defeitos alheios, mas podemos combater as nossas próprias falhas e isso ninguém poderá fazer por nós.

Para que uma sociedade seja capaz de curar a si própria, basta haver um certo número de pessoas com coragem de afastar-se do erro, quando o veem, e de aproximar-se do acerto, e de focar no que é correto enquanto recebem o oposto de aplausos. O sacrifício da comodidade permite a paz interior.

O prazer de ser responsável e tentar o melhor é mais duradouro que a satisfação infantil de pensar mal dos outros. A pureza de coração e a decisão de elevar-se por mérito próprio são a base da cooperação sincera.

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O texto “Largando o Hábito de Pensar Mal” foi publicado dia 8 de agosto de 2018.

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7 de agosto de 2018

Teosofistas - a Visão de um Pássaro em Voo

É Saudável Pensar Honestamente Sobre
As Contradições Humanas no Movimento

Carlos Cardoso Aveline





Em 1888, H. P. Blavatsky descreveu em carta para William Judge uma “visão do alto” que havia tido sobre o movimento teosófico, com ajuda do seu mestre.

Robert Crosbie reproduziu parte das palavras de H. P. B. em seu livro “The Friendly Philosopher”.

O trecho completo em que a carta se refere aos Mestres e ao movimento é o seguinte:

“Antes de ontem, à noite, foi-me dada uma visão de pássaro em voo sobre as Sociedades Teosóficas. Vi uns poucos teosofistas confiáveis em uma luta de vida ou morte com o mundo em geral, e com outros - nominalmente teosofistas, mas ambiciosos. Os teosofistas confiáveis eram mais numerosos do que você pode pensar, e eles venceram, assim como vocês na América vencerão, se permanecerem leais ao programa de ação do Mestre e verdadeiros para consigo mesmos. (…) As forças defensoras são tão escassas que devem ser sabiamente distribuídas ao redor do globo, onde quer que a Teosofia lute contra os poderes do obscurantismo.” [1]

Por essa descrição da cena do movimento, fica claro que ele é um campo de testes e treinamento, onde luzes e sombras se combinam e misturam o tempo todo.

Portanto, é saudável pensar honestamente sobre as contradições humanas no movimento e investigar os desafios e testes enfrentados pelos teosofistas.

Não há necessidade de fingir que tudo é feito de harmonia, nem que as associações teosóficas são hostes angelicais sem contato com a realidade ou sem lições cármicas por aprender.

NOTA:

[1] Traduzido do artigo “Yours till Death and After, H.P.B.”, de W. Q. Judge, no volume “H.P.B., In Memory of Helena Petrovna Blavatsky”, by some of her Pupils, London, Theosophical Publishing Society, 1891, edição fac-similar, 1991, 96 páginas. O trecho está na página 27. Veja também o livro “The Friendly Philosopher”, Robert Crosbie, Theosophy Co., Los Angeles, 1945, 415 pp., ver p. 389.

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O texto acima foi publicado em nossos websites associados dia 7 de agosto de 2018. Uma versão inicial dele, sem indicação de nome de autor, faz parte das edições de julho de 2007 e agosto de 2012 de “O Teosofista”.

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5 de agosto de 2018

Ideias ao Longo do Caminho - 12

A Visão da Potencialidade
Sagrada Desperta a Vocação de Vitória

Carlos Cardoso Aveline

Melhor que atacar o erro, é promover o acerto.



* A auto-organização nos permite usar o tempo com eficiência.

* O desapego não basta. Ele deve estar associado à boa vontade para com todos.

* O fato de haver adotado uma meta elevada cria a seu devido tempo as oportunidades práticas que nos permitirão alcançá-la.

* Quando a alma vive o silêncio que surge da paz, o eu superior fala sem palavras.

* Mantenha-se conectado com sua própria essência imortal, e verá nos fatos ao seu redor a ação vitoriosa da Lei da Justiça.

* A vida funciona como um espelho. No modo como olhamos para cada evento ou objeto, reflete-se um pedaço da nossa alma.

* A paz interior e a felicidade de alguém dependem do grau médio da relação direta entre a visão de vida, a intenção, a palavra, a atitude e as ações práticas.

* Em teosofia, aprende-se a deixar de lado as diferentes formas de agitação. Através da paz de espírito, compreendemos melhor a vida.

* Quando a vontade é limpa, ocorre a aprendizagem. A pureza de intenção reduz a ignorância espiritual porque encurta a distância entre o ideal e a ação. 

* Manter um foco central na vida não consiste em apenas dizer a si mesmo que isso ou aquilo é prioritário. Preservar um foco é deixar de lado tudo o que não se adapta e não ajuda a alcançar a meta.

* A moderação é indispensável para que a vitória seja duradoura. O exagero desfaz a harmonia. O conhecimento dos limites adequados aumenta a eficiência e torna mais fácil a descoberta da paz.

* Quem reclama das suas dores nem sempre quer libertar-se delas. Renunciar ao sofrimento é menos fácil do que parece, e lamentar-se é uma forma de apego a aquilo que causa desconforto. Aquele que quer libertar-se, age, não se lamuria.

* Rejeitar cegamente o que é desagradável quase nunca ajuda. Pensamentos corretos devem substituir as ideias erradas. Melhor que atacar o erro, é promover o acerto. O sentimento de gratidão leva à sabedoria. Os erros devem ser combatidos, o espírito crítico é fundamental, mas a arte de agradecer eleva.

* A sabedoria imortal ensina a agir corretamente. A satisfação imerecida dura pouco e provoca um sofrimento muito maior do que ela.

* Quem engana pessoas honestas acaba cedo ou tarde por colher os resultados pouco agradáveis dos erros que cometeu.

* As oportunidades surgem conforme a meta. Você sabe deixar de lado o egoísmo? Tenha um objetivo valioso, durante tempo suficiente; busque-o com sinceridade e espírito prático, sem demasiada impaciência, e saiba que as portas se abrirão aos poucos.

* Quem compreende o processo da reencarnação percebe que tem o tempo eterno ao seu dispor.[1] Vivemos na Duração ilimitada. Ela é parte de nós. Sempre que expandimos os nossos horizontes, a vida diária fica mais eficaz e mais interessante.

* O autocontrole resulta naturalmente do autoconhecimento.

* O respeito pelo seu semelhante decorre do respeito por si mesmo.

* A insatisfação com os outros sugere que examinemos até que ponto estamos satisfeitos com nós mesmos. É a autoestima que permite apreciar as qualidades positivas dos que nos rodeiam, e ajudá-los em suas dificuldades.

* Os pontos altos da caminhada teosófica ocorrem no céu, ou apontam para ele, assim como os pontos baixos apontam para a terra. Algumas das lições mais importantes a aprender surgem de observar a relação direta entre o nível celestial e o nível terrestre da caminhada. Vale a lei da simetria: tudo o que existe no plano espiritual tem uma contrapartida no plano do eu inferior.

* A vida se desenvolve através de ciclos e padrões. A atitude média diante da vida, no caso do estudante experiente de teosofia, deve antecipar as “surpresas previsíveis” que se apresentam diante dele de modo súbito, mas são na verdade recorrentes. Ao identificar e reconhecer tais eventos como repetitivos e não como algo realmente “inesperado”, ele pode tomar providências práticas para esvaziar os contratempos causados pela falsa surpresa.

* O desapego permite que o necessário descanso seja profundo. A noção do dever produz a energia que impulsiona o trabalho. A visão da potencialidade sagrada desperta a vocação de vitória.

* Há perdas que produzem ganhos. Alguns recuos são indispensáveis para que um progresso real ocorra. O progresso duradouro vem na hora certa para aquele que tenta o melhor sem cessar, e que conhece a arte de saber perder em paz, enquanto persevera e expande continuamente sua decisão de buscar o melhor. 

* A aprendizagem não pode ser forçada. Tentando agir corretamente a cada instante e adotando uma perspectiva de longo prazo, o peregrino pode saber que o conhecimento virá até ele na hora certa e do modo adequado.

* Não há nada como um passo depois do outro. Os objetivos devem ser suficientemente modestos para que sejam alcançáveis. Nossa atitude deve ser suficientemente humilde para que mereçamos o conhecimento.

* Toda fonte de inspiração autêntica atua como um espelho das potencialidades sagradas de um indivíduo. A luz do alto, refletida neste espelho, ilumina o que é superior.

* No nível em que a luz é fogo, ela queima as diferentes formas de apego à ignorância. Deste modo a ingenuidade se transforma em saber. A dor sofrida pelo lado inferior da alma do peregrino é a lenha do fogo alquímico que sustenta a iluminação.

* O universo pode ser descrito como a Lei em ação e a Verdade em movimento. Quem age com sinceridade está fundamentalmente em harmonia com o princípio eterno que regula todas as coisas. Mas a ligação com o universo é desafiante. Aquele que segue este Caminho enfrenta um número significativo de testes, porque contraria as estruturas cármicas que têm como base a ilusão.

* Os problemas fazem fila e esperam pelas pessoas. Não vale a pena ficar surpreso quando, depois de vencer um obstáculo ou dois, outro par de problemas aparece imediatamente. Os testes precisam esperar até que o carma individual esteja maduro o suficiente para que eles se tornem visíveis. É um privilégio, portanto, ver que problemas “novos e até aqui desconhecidos” surgem e passam a exigir solução. O fato significa que a nossa agenda anterior foi vencida e que estamos prontos para dar mais passos adiante, no caminho da evolução.

* Os ciclos do tempo são calculados com grande precisão em filosofia esotérica. A exatidão não nega a complexidade. É parte dela. Um exemplo disso é o fato de que a data precisa do início do Kali Yuga é informada na literatura teosófica. Os exemplos são incontáveis. Os números são sagrados.

* A Matemática e a Geometria do Universo constituem assuntos decisivos, e a Raja Ioga é uma ciência. A exatidão nos detalhes é indispensável para que se obtenha a transcendência, assim como a mais completa precisão na construção de um avião de grande porte é essencial para que a aeronave trabalhe suavemente a 10 mil metros de altitude. À medida que fazemos os nossos deveres de casa (fator precisão), conseguimos entender os ensinamentos (fator transcendência).

NOTA:

[1] Veja por exemplo o texto “O Processo Entre Duas Vidas”, disponível em nossos websites.

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O artigo acima foi publicado como texto independente em 5 de agosto de 2018. Uma versão inicial dele está incluída de modo anônimo na edição de agosto de 2015 de “O Teosofista”.

Embora o título “Ideias ao Longo do Caminho” corresponda ao título em língua inglesa “Thoughts Along the Road”, do mesmo autor, não há uma identidade exata entre os conteúdos das duas coletâneas de pensamentos.

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1 de agosto de 2018

A Família de um Teosofista

Relato Sobre os Meus Irmãos de Sangue

Carlos Cardoso Aveline




Descrevo agora a família a que pertenço.

Sou irmão de sangue dos negros escravizados e espancados em qualquer século, qualquer país.

São meus irmãos os integrantes dos povos indígenas das três Américas, massacrados em nome de uma igreja. E os civis inocentes, mortos nas guerras dos últimos três mil anos nos diversos continentes.

Sou irmão consanguíneo dos seis milhões de judeus assassinados - a sangue frio - na segunda guerra mundial.

São meus irmãos os vinte milhões de russos caídos enquanto seu país derrotava o nazismo na década de 1940.

Sou irmão dos cristãos anabatistas, os menonitas seguidores da lei da não-violência.

Estes membros da minha família mais próxima foram perseguidos, torturados e assassinados na Europa “cristã” - até encontrarem refúgio nos Estados Unidos e em alguns outros países.

São meus irmãos, portanto, os Amish, e os Huteritas.

Corre nas minhas veias o mesmo sangue dos adventistas. São meus irmãos os milhões de andinos que durante o período colonial foram presos e massacrados em nome de Jesus.

Meus irmãos foram mortos no genocídio armênio, começado em 1915 e que prosseguiu até depois da primeira guerra mundial.

São meus irmãos os que sangraram nas guerras europeias de todos os tempos.

Assim como os que lutaram e morreram pelo bem do Brasil e de Portugal, frequentemente iludidos por algum ideal generoso e mal informado.

Sou irmão gêmeo do povo chinês, do povo japonês, da população da Mongólia, dos habitantes da Coreia do Norte e da Coreia do Sul.

Meus irmãos habitam cada cidade de Israel.

São da minha família mais próxima os árabes israelenses que amam a paz, e cada árabe, de qualquer país, que respeita a Vida.

São meus irmãos os milhões de persas-iranianos que querem o bem da humanidade,

E os que combatem o uso da violência física ou mental contra judeus, e contra qualquer ser humano.

São meus irmãos os membros de todas as famílias biológicas.  

O casal humano é sagrado.

Cada grupo familiar é um processo divino e deve ser visto como um centro de luz espiritual.

São meus irmãos de sangue os habitantes dos países lusófonos.

Devo examinar minha nacionalidade. Sou moçambicano, angolano, português e timorense. Sou de Guiné-Bissau. Vivo em Cabo Verde, em Macau, e cada pequena comunidade em que se fala o português.

Nasci em todos os estados do Brasil e em cada município e aldeia de Portugal. Meu nascimento ocorreu no mundo hispânico. Teve lugar no universo cultural anglófono.

Não nasci apenas uma vez, mas faço isso todas as manhãs. Nasci nos mais diferentes povos, e falei em idiomas que hoje desconheço.

São meus irmãos as florestas, as árvores, os oceanos, a chuva, o relâmpago.

Sou filho do sol.

Sou irmão do leitor destas linhas.

Entre meus familiares mais próximos estão a grama, a pedra e o vento. A fraternidade me une às abelhas e aos pássaros. Sou irmão dos cachorros, dos gatos, dos porcos-espinhos e dos eucaliptos.

Meu núcleo familiar imediato, mencionado acima, é um microcosmo. Resume a família maior de galáxias a que pertencem os seres humanos.

O limite último deste núcleo de parentescos não está em parte alguma.

O seu centro, por sua vez, é onipresente. Ele pulsa aqui e agora, em todos os lugares e nas mais diversas eternidades.

(Om, shanti.)

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O texto “A Família de um Teosofista” foi publicado dia 01 de agosto de 2018.

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