17 de julho de 2018

A Arte de Viver Sem Açúcar

Desenvolver o Autocontrole,
Derrotar a Gula, Respeitar a Vida

Carlos Cardoso Aveline




Nas Cartas dos Mahatmas, os teosofistas encontram mais de uma advertência contra o uso de açúcar. [1]

Na Introdução do livro “Açúcar, o Pior Inimigo” [2] podemos ver a seguinte citação de abertura, com palavras do filósofo Arthur Schopenhauer:

“Qualquer verdade passa por três estágios. Primeiro, é ridicularizada. Segundo, é violentamente combatida. Terceiro, é aceita como evidente por si mesma.”

Vendido como alimento delicioso, o açúcar funciona no organismo humano como um veneno: esta é, em resumo, a verdade amarga mas inquestionável de que trata o livro “Açúcar, o Pior Inimigo”.

É consenso na comunidade médica, segundo os autores, que uma dieta rica em açúcar causa grande variedade de doenças graves e torna mais curta a vida das pessoas.

A boa notícia é a seguinte: o cidadão que ama a vida pode exercer a vontade própria e levar em conta a influência da alimentação na qualidade da sua existência.

No contexto teosófico, reduzir o consumo do açúcar permite ampliar o autocontrole, fortalecer a auto-observação, reduzir a força dos impulsos instintivos no conjunto dos hábitos pessoais, e tornar mais fácil a vivência da sabedoria eterna.

A isso se acrescentam a purificação emocional trazida pelo domínio da gula e os inúmeros benefícios da redução do uso do açúcar no plano da saúde física.

Veneno Adocicado e Boa Educação

É íngreme o caminho do autocontrole.

De acordo com a lei das boas maneiras superficiais de hoje, tudo o que for importante na vida deve ser celebrado com guloseimas.

Comprar presentes com açúcar é visto como um modo “prático” de dizer às pessoas que nos importamos com elas. Aquele que sabe do perigo do açúcar e recebe como presente balas, bombons e chocolates fica constrangido ao ter que agradecer por tais presentes, quase sempre sinceros. E fica ainda mais constrangido ao colocar esses venenos no lixo, como ato de respeito à sua própria vida.

Em que, exatamente, o açúcar faz mal à saúde?

“Dentada após dentada, o açúcar provoca inflamação nas suas terminações nervosas e nos seus vasos sanguíneos”, explicam Richard Jacoby e Raquel Baldelomar. “Esta inflamação incessante promove tensões no sistema reparador natural do corpo (…).”[3]

O uso do açúcar destrói o sistema nervoso e, através dele, prejudica o organismo inteiro dos cidadãos.

É preciso reavaliar a tradicional relação entre “açúcar e afeto”.

Os presentes açucarados podem indicar uma ausência de cuidado em uma relação humana. Revelam falta de atenção na escolha de pequenas lembranças. As celebrações com bebidas alcoólicas ou guloseimas açucaradas são erros infelizes que contrariam a própria ideia de comemorar algo. As celebrações podem ser mais inteligentes.

A teosofia ensina que cada busca artificial de prazer provoca uma forma correspondente de sofrimento, sendo este último mais durável que a satisfação. O universo evolui em equilíbrio e simetria: agarrar-se com ansiedade a alegrias de curto prazo revela uma cegueira espiritual. Além disso, provoca uma frustração profunda e fabrica doenças.

Quando o indivíduo aprende a fazer o que é correto, o prazer de viver acontece sem que ele tenha que correr atrás de sensações artificiais. A felicidade surge da moderação: a tristeza é irmã do exagero. A pausa possibilita a ação correta. Uma alimentação livre da gula é fator decisivo na descoberta da felicidade. 

NOTAS:

[1] “Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett”, edição em dois volumes, Ed. Teosófica, Brasília, 2001, Carta 72, volume I, p. 337 e p. 338.

[2] “Açúcar, o Pior Inimigo”, de Dr. Richard P. Jacoby e Raquel Baldelomar, Ed. Vogais, Portugal, 2015, 253 pp., ver p. 11. A obra tem como uma das suas limitações recomendar o uso de carne, mas, na abordagem do açúcar, tem grande valor.

[3] “Açúcar, o Pior Inimigo”, de Dr. Richard P. Jacoby e Raquel Baldelomar, Ed. Vogais, Portugal, 2015, 253 pp., ver p. 29.

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Uma versão inicial do texto acima foi publicada sem indicação do nome de autor em “O Teosofista”, maio de 2017, pp. 2-4.

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15 de julho de 2018

Sobre a Prática da Oração

Percebendo a Relação Entre a Prece e a Vontade

Damodar K. Mavalankar




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Nota Editorial:

O texto a seguir é traduzido do volume  
“Damodar and the Pioneers of the Theosophical
Movement”, obra compilada por Sven Eek e
publicada por Theosophical Publishing House,
Adyar, Índia, 720 pp., 1978, ver pp. 405-406.

(CCA)

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Agimos com base no princípio de que aquilo que é alimento para um é a morte para outro. Assim, enquanto algumas pessoas não conseguem desenvolver suas capacidades psíquicas latentes sem a oração, há outras que podem fazer isso.

Não atribuímos qualquer valor às palavras proferidas. Se as palavras tivessem algum efeito, como é que diferentes religiosos, embora usando diferentes formas de expressão, conseguem obter o mesmo resultado? Além disso, aqueles que rezam em silêncio e intensamente alcançam seu objetivo, enquanto que aqueles que simplesmente balbuciam alguma fórmula, sem entendimento do significado, não alcançam respostas às suas orações.

Como foi dito em “Ísis Sem Véu”, estamos convencidos de que a oração é uma expressão do desejo, que gera a Vontade. E esta VONTADE é todo-poderosa; seu efeito depende, é claro, das condições do ambiente que a envolve.

Os filósofos são necessariamente poucos. Eles não precisam de cerimônias externas ou de um objeto para focar e concentrar a força de Vontade.

Não podemos esperar que mortais comuns, cujas ações e percepções sensoriais não os permitem ir além da máscara, consigam agir sem o auxílio de algum processo externo. O que lamentamos é a degeneração desta oração real - a expressão externa de um sentimento interno - o que a transforma em um emaranhado de palavras sem sentido.

A oração do filósofo é a sua contemplação (tema sobre o qual será encontrado um artigo na última edição de “The Theosophist”). [1]

NOTA:

[1] Aqui Damodar se refere ao seu próprio artigo intitulado “A Contemplação”, que está disponível em nossos websites associados.  

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O texto acima está publicado também em “O Teosofista”, novembro de 2008, pp. 10-11. Foi publicado como artigo independente em 15 de julho de 2018. 

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11 de julho de 2018

O Teosofista - Julho de 2018




A edição de julho abre com a nota intitulada “A Disciplina da Palavra Escrita”, que afirma:

“Toda tarefa editorial assume caráter probatório quando ocorre no território das ideias teosóficas clássicas. A luta com as palavras se desdobra simultaneamente em vários níveis de consciência, cujo contraste e diferença provocam desafios consideráveis. O estudo, a redação e a tradução de um texto teosófico são portanto processos multidimensionais, que precisam ser feitos e refeitos desde vários ângulos.”

À página três, temos o artigo “O Erro Fácil e a Difícil Ação Correta”.

Nas páginas quatro a seis, “Ensinamentos de um Mahatma - 14”. É mais um artigo da série que reúne as Cartas do Mestre de Helena Blavatsky, seguindo o trabalho editorial realizado pela nossa publicação em inglês “The Aquarian Theosophist”.

Na sequência, apresentamos “Os Capítulos Sete a Onze do Tao Teh Ching”. Trata-se da versão que Lin Yutang fez da obra chinesa imortal.

As páginas 10 a 16 trazem a tradução do prefácio e do primeiro capítulo do livro “Etocracia”, do barão de Holbach. A edição francesa de 1776 está disponível em PDF nos websites associados.

A edição possui 17 páginas e inclui a lista dos 26 itens - inclusive 5 livros - publicados recentemente em nossas bibliotecas online.



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A coleção completa de “O Teosofista” está disponível em nossos websites associados.

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A Ioga do Trabalho Editorial

Preservar e Transmitir a Literatura
Toesófica Clássica é um Treinamento Eficaz

Carlos Cardoso Aveline

Helena Blavatsky, escrevendo ou revisando textos em seu escritório em Londres, em 1887



Desde a antiguidade, a linha de frente dos esforços filosóficos é marcada pelo trabalho editorial, que inclui a pesquisa, a redação, a revisão e a publicação. Isso ocorre no Oriente e no Ocidente, e tanto na literatura vedanta como na tradição platônica.

O movimento teosófico moderno não é uma exceção à regra. Os seus principais fundadores eram também os seus mais dedicados pesquisadores, redatores, tradutores e trabalhadores editoriais. Está documentado o fato de que, enquanto os mestres de sabedoria mantiveram contato direto com o movimento, eles próprios ajudaram o trabalho editorial e participaram do trabalho de publicações como “The Theosophist”.

A pedagogia original da filosofia esotérica recomenda um processo vivo de pesquisa e estudo, evitando a memorização da letra-morta do ensinamento.

O esforço aparentemente interminável de revisão de textos filosóficos - entre outras tarefas -, é uma forma de treinamento. Ele desenvolve capacidades como paciência, perseverança, flexibilidade, atenção e concentração. O planejamento e o uso eficiente do tempo têm importância decisiva.

O trabalho editorial força o estudante a pesquisar e expande o seu contato de alma com as ideias que cada texto examina e expressa. O processo tem vários elementos de Carma Ioga, porque é altruísta. Essa prática ensina humildade e auto-observação, já que o estudante terá de olhar os seus próprios erros diariamente, e se tiver sorte verá suas falhas serem apontadas por leitores amigos e pessoas de boa vontade.

Estas são algumas das razões pelas quais a vitalidade interna do movimento esotérico depende da importância atribuída ao processo de pesquisa de ponta, ao mesmo tempo que as pessoas envolvidas tratam de expandir tanto a qualidade do trabalho quanto o altruísmo da motivação com que ele é desenvolvido.

Uma associação teosófica que não priorize a busca do conhecimento deixa de ser uma comunidade de aprendizagem para ser uma comunidade de crenças estacionárias e verdades oficiais, sujeitas a negociação entre os “líderes”.

Quando a Política Substitui a Pesquisa

Enquanto a atividade institucional se baseia normalmente em interesses de curto prazo e opiniões superficiais, a pesquisa pioneira costuma questionar velhas ideias estabelecidas e derrubar o apego à rotina mental.

A partir do começo do século 20, a burocracia e a crença organizada ganharam mais força no movimento teosófico. A pesquisa, a vivência do ensinamento e a busca da coerência passaram a ser incômodas para a ordem dominante nas várias corporações.

No século 21, as grandes associações do movimento teosófico são governadas por processos institucionais e não pelo desenvolvimento de pesquisa e estudo avançados. Nos círculos esotéricos mais numerosos ou governados com base em interesses materiais, a Carma Ioga da ação altruísta é menos importante - para a escolha da liderança - do que o sorriso politicamente correto e a arte de parecer um santo. Enquanto esta atmosfera cor-de-rosa domina grande parte dos grupos esotéricos, os verdadeiros teosofistas procuram seguir o exemplo dado pelos pioneiros do projeto.

Uma Lição Prática da Fundadora

Helena Blavatsky ensina hoje através da sua vida no século 19. Ela não passou seus dias fazendo esforços de relações públicas. Ela desafiou a ignorância politicamente organizada, e lutou contra as causas da dor humana. Embora sua vida tenha sido uma prática ininterrupta de austeridade, Blavatsky não seguiu alguma forma inútil de autodisciplina. Preferiu viver a disciplina do autossacrifício por uma meta humanitária, e foi uma trabalhadora editorial.

Em 1883, durante a tentativa teosófica de criar na Índia um jornal diário cujo nome seria “Phoenix”, Alfred P. Sinnett questionou a eficácia do escritório de HPB.

Ela então revelou a Sinnett algumas das circunstâncias sob as quais o trabalho teosófico tem que ser feito, se a meta for desafiar rotinas mentais e partilhar sabedoria ética:

“Eu queria ver você assumindo a gestão e a edição do ‘Phoenix’ com dez centavos em seu bolso; com uma série de inimigos ao redor; sem amigos para ajudá-lo; você mesmo sendo o editor, o gerente, o funcionário, e frequentemente até mesmo o ajudante geral; contando com um pobre Damodar à beira de um esgotamento para ajudá-lo sozinho por três anos, ele que era um menino vindo diretamente da sala de aula da escola, sem ter nenhuma ideia do trabalho mais do que eu tenho; e com Olcott sempre - 7 meses por ano - longe! De fato, mal gerido! Fizemos milagres criando sozinhos, e diante de um tamanho antagonismo, um jornal, a Sociedade e desempenhando outras tarefas gerais. (...) Lembre-se de que enquanto você, no meio de todos os seus trabalhos árduos como editor do ‘Pioneer’, costumava deixar o seu trabalho regularmente às 16 horas depois de iniciá-lo às 10 - e ia para a cancha de tênis ou optava por um passeio, Olcott e eu começamos o nosso trabalho às cinco da manhã com luz de velas, e o terminamos às vezes às 2 da manhã. Nós não temos tempo para jogo de tênis, clubes, teatros e relações sociais como você tinha. Nós dificilmente temos tempo para comer e beber.” [1]

O trecho ajuda a compreender a vida diária dos discípulos e aspirantes à sabedoria.

O conforto pessoal não é a prioridade deles. Damodar K. Mavalankar, cuja trajetória constitui a história de sucesso mais brilhante de todos os tempos no movimento teosófico, é aqui francamente descrito por HPB como estando externamente “à beira de um esgotamento”.

Condessa Wachtmeister Ajuda Blavatsky

Toda tarefa editorial assume caráter probatório quando ocorre no território das ideias teosóficas clássicas. A luta com as palavras se desdobra simultaneamente em vários níveis de consciência, cujo contraste e diferença provocam desafios consideráveis.

O estudo, a redação e a tradução de um texto teosófico são portanto processos multidimensionais, que precisam ser feitos e refeitos desde vários ângulos. Cada vez que se trabalha com o texto, a sua compreensão pode estar mais enriquecida, trazendo desdobramentos novos e fundamentais.

Em seu livro sobre Helena P. Blavatsky, Sylvia Cranston reproduz o testemunho da condessa de Wachtmeister, que colaborou diretamente com HPB enquanto ela redigia “A Doutrina Secreta”.

Diz a condessa:

“Certo dia (...), ao entrar no quarto em que HPB escrevia, encontrei o chão coberto de folhas manuscritas descartadas. Perguntei a ela o significado daquela confusão, e ela replicou: ‘Sim, eu tentei escrever corretamente esta página doze vezes, e, a cada vez, o Mestre diz que está errada. Penso que vou enlouquecer escrevendo isso tantas vezes, mas deixe-me só; não quero parar até que a tenha feito corretamente, mesmo que tenha que trabalhar a noite toda.’ Eu trouxe uma xícara de café para reanimá-la e apoiá-la, e depois deixei-a prosseguir na sua tarefa desgastante. Uma hora mais tarde ouvi sua voz me chamando, e, ao entrar, constatei que, para sua satisfação, finalmente, a passagem estava completa. Mas o trabalho havia sido terrível, e os resultados nessa época eram, muitas vezes, pequenos e incertos.” [2]

Não é só um Mestre dos Himalaias, porém, que pode solicitar a um discípulo avançado o esforço de re-escrever dez ou quinze vezes uma mesma passagem.

Também o mestre interno - a voz da consciência de cada estudante de teosofia autêntica, seja ele avançado ou inexperiente - exige com frequência revisões e correções incessantes em algo que ele escreve, ou nas suas ações diárias.

Para o aprendiz bem informado, “corrigir é viver”, e melhorar é preciso.

O aprendizado da teosofia implica identificar e superar erros constantemente. Não deve haver nenhum sentido de “martírio” nisso. Como diz o ditado popular, “é errando que se aprende”.

NOTAS:

[1] “The Letters of H. P. Blavatsky to A. P. Sinnett”, TUP, Pasadena, CA, EUA, 1973, 404 pp., veja Letter XXVII, p. 57.

[2] “Helena Blavatsky”, Sylvia Cranston, Ed. Teosófica, Brasília, 678 pp., 1997, ver p. 319.

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O artigo “A Ioga do Trabalho Editorial” foi publicado em nossos websites associados dia 11 de julho de 2018. Uma versão inicial sua, sem indicação do nome de autor, faz parte da edição de abril de 2017 de “O Teosofista”.

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Veja também “A Arte de Fazer Anotações” e “A Arte de Ler”.

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4 de julho de 2018

O Nascimento da Responsabilidade

Os Poucos Seres Conscientes
São Arquitetos e Operários do Futuro

Carlos Cardoso Aveline




Século após século, os seres humanos carregam sangrando a pesada cruz do desrespeito mútuo.

A alma imatura sofre de um apego subconsciente ao processo da dor. A ignorância é um hábito cego e renova a má vontade entre indivíduos, grupos e nações.

Alimentados com centenas de pretextos elegantes, os rancores estimulam falsidade, antissemitismo, racismo, guerras, proliferação nuclear, o uso de drogas, o exagero do sexo e outros mecanismos de fuga imaginária da dor, que a tornam ainda maior.

Terminado o ciclo cármico da negatividade, o aglomerado de ilusões já não pode resistir a seu próprio peso e desaba.

A mais revolucionária das verdades é algo simples. Não há necessidade de apegar-se ao erro e à cegueira: o sadomasoquismo pode ser deixado de lado. [1]

Olhando o sofrimento, percebemos a cura. É correto aceitar incondicionalmente o momento atual da evolução humana. Todos os fatos são presididos pela Lei. Os fracassos trazem lições. A sabedoria purifica. A cura e o renascimento da luz surgem nas almas individuais, e se espalham. Cabe a cada um, portanto, começar por si mesmo, agindo construtivamente diante do Carma de hoje.

O primeiro dever do indivíduo responsável é não ficar hipnotizado pelo desastre moral alheio, ainda que ele seja coletivo e pareça enorme.

A segunda tarefa é passar a construir por decisão própria o que é bom, belo e verdadeiro.

Os poucos seres conscientes são ao mesmo tempo arquitetos e operários do futuro. Eles têm o privilégio da responsabilidade.

Pequenas ações “invisíveis” de respeito pela vida fazem a diferença.

A boa semente germina secretamente no solo, e parece desprezível se comparada com uma árvore centenária. Havendo perseverança, a germinação encontra aliados na hora certa e o projeto cresce.

Em qualquer circunstância, há três possibilidades a meu dispor.

Está a meu alcance fortalecer em mim o sentimento da paz sincera. É possível fazer o bem conforme as minhas possibilidades. Devo deixar a cargo da Lei a tarefa de cuidar do resto.

Om, shanti.

NOTA:

[1] Sobre o hábito de sofrer  e a satisfação doentia de ver o sofrimento alheio, clique para ver o artigo “Bom Senso Elimina o Sadomasoquismo”.

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O texto acima foi publicado dia 04 de julho de 2018. Uma versão preliminar dele está incluída sem indicação do nome de autor na edição de maio de 2017 de “O Teosofista”, pp. 1-2. 

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


Para ingressar no SerAtento, visite a página do e-grupo em YahooGrupos e faça seu ingresso de lá mesmo. O link direto é este:   


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