20 de agosto de 2017

Metamorfose

Repara, a Imóvel Crisálida Já se Agitou

Júlio Dinis




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O poema a seguir é reproduzido
do Livro “Poesias”, de Júlio Dinis,
Publicações Europa-América, Mem
Martins, Portugal, 1999, 263 pp., p. 41.

(CCA)

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Metamorfose

Repara: - a imóvel crisálida
Já se agitou, inquieta,
Cedo, rasgando a mortalha,
Ressurgirá borboleta.

Que misteriosa influência
A metamorfose opera!
Um raio do sol, um sopro!
Ao passar, a vida gera.

Assim minha alma, ainda ontem
Crisálida entorpecida,
Já hoje treme, e amanhã
Voará cheia de vida.

Tu olhaste - e do letargo
Mago influxo me desperta:
Surjo ao amor, surjo à vida
À luz de uma aurora incerta.

1 de Maio de 1860


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Júlio Dinis, autor do romance “As Pupilas do Senhor Reitor”, é o nome literário do escritor português Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1839-1871).

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Veja em nossos websites o artigo “A Borboleta, Símbolo da Alma”.

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


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19 de agosto de 2017

À Luz do Sol Nascente

As Trevas se Dissipam, a Vida Ressurge

Júlio Dinis




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Nota Editorial de 2017

O poema a seguir é reproduzido
do livro “Poesias”, de Júlio Dinis,
Publicações Europa-América, Mem
Martins, Portugal, 1999, 263 pp., pp. 74-75.

Júlio Dinis expressa com estes versos a força
da consciência ambiental clássica do século 19. A 
natureza existe em unidade com o mundo sagrado,
 e o poema vale também como metáfora e símbolo
do renascer de uma vida espiritualmente plena.  

(Carlos Cardoso Aveline)

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À luz do sol nascente
Resplendem pelas selvas
Mil pérolas nas relvas
Nos ares mil rubis;
No azul do céu nevoado
Não brilham as estrelas,
Mas são imagens delas
As flores do tapiz.

As aves perpassando
Agitam a ramagem,
E a perfumada aragem
Nos bosques se introduz;
Aí mil vozes falam
Ao céu sereno e mudo;
No bosque é sombra, tudo,
No céu é tudo luz.

Ridente madrugada,
Hora em que do oriente
Com o gládio refulgente
O arcanjo da luz vem;
E as trevas se dissipam,
Com as trevas a tristeza,
Que em toda a natureza
A noite eivado tem. [1]

Oh! vinde, vinde ao prado
Que o orvalho ainda umedece;
Ali tudo parece
A vida ressurgir
Em vórtices contínuos,
Em doudejantes valsas
Elevam-se das balsas
Insetos a zumbir.

Subi do prado ao vértice
Da florida colina,
Então pela campina,
Os olhos prolongai:
Ao longe, ao longe as vagas,
Lutando nos fraguedos; [2]
Mais perto os arvoredos
Que o arroio banhar vai.

A tudo anima a esperança
No monte e vale e praia;
No céu Vésper [3] desmaia
Ao matutino alvor.
O cântico das aves,
Das flores o aroma
Nos diz: - O dia assoma!
Hossana ao Criador! - [4]

1 de Junho de 1862


NOTAS:

[1] Que em toda a natureza a noite tem eivado, isto é, que a noite tem manchado, contaminado. (CCA)

[2] Fraguedos: rochas, penhascos, pedras. (CCA)

[3] Vésper: a estrela vespertina, Vênus. (CCA)

[4] Em teosofia, a ideia de um “Criador” simboliza a Lei universal, o espírito coletivo das inteligências divinas, e também o eu superior ou alma espiritual de cada indivíduo. (CCA)

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Júlio Dinis, autor do romance “As Pupilas do Senhor Reitor”, é o nome literário do escritor português Joaquim Guilherme Gomes Coelho. Viveu 32 anos incompletos: nasceu em 14 de novembro de 1839 e morreu em 12 de setembro de 1871.

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16 de agosto de 2017

O Teosofista - Agosto de 2017





A edição de agosto abre com o seguinte pensamento:

“Em qualquer comunidade, o que é manipulador e ilusório tem vida curta.”

O artigo “Uma Questão de Equilíbrio: Lentamente a Democracia Ganha Força”, começa à página um e conclui na página quatro.

Em seguida, uma nota sobre a publicação mais recente de um livro em nossos websites: o clássico “A Alma das Árvores”, de 1913, obra raríssima em papel, escrita pelo poeta António Corrêa D’Oliveira.

Na página cinco, a nota “Somos Todos Imperadores na Democracia Ocidental Moderna”. “A Força da Sabedoria Oriental” está à página seis. Na página sete, “O Propósito do Conhecimento” e “A Escada de Ouro”.

Estes são outros assuntos abordados em “O Teosofista” de agosto:  

* Esquecendo a Si Mesmo;

* Paz, Vigilância, Ação;  

* N. Sri Ram, Sobre Uma Palavra Extraordinária;

* Ideias ao Longo do Caminho - ao Vivenciar o Silêncio, Vemos a Verdade;

* Democracia e Hábitos de Pensamento, a Influência da Mídia;

* Ministro do STF, Gilmar Mendes Defende o Semiparlamentarismo; e

* Ensinamentos de um Mahatma - 02, Trechos das Cartas do Mestre de Blavatsky.

A edição tem 18 páginas e inclui a lista dos itens publicados recentemente em nossos websites.



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15 de agosto de 2017

A Alma das Árvores

Do Início do Século 20, Um Livro de
Poemas Para Leitores de Todas as Idades

António Corrêa D’Oliveira




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Nota Editorial de 2017:

O amor humano às árvores é tão antigo
quanto a humanidade, e o poeta português
António Corrêa D’Oliveira foi um dos que
souberam expressar em forma de versos, no mundo
luso-brasileiro, o sentimento fraterno que nos une ao
reino vegetal e à natureza inteira. Ostensivamente
dirigido às crianças, o livro a seguir tem um poder
curativo sobre todo leitor atento, velho ou jovem.

Corrêa D’Oliveira nasceu em 1879 e viveu até
1960. Sua obra combina a mística cristã com o
princípio pagão e panteísta da unidade de todas as
coisas. O livro “A Alma das Árvores”, publicado em
1913,  ensina que o mundo sagrado está por todo lugar e
estimula o contato do leitor com sua própria alma espiritual.

(Carlos Cardoso Aveline)

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Em setembro de 2016, depois de uma análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas. Duas das prioridades da LIT são tirar lições práticas do passado e construir um futuro saudável

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14 de agosto de 2017

O Mistério da Construção

Poesia em Prosa: Examinando a
Tarefa Sagrada do Pedreiro Livre

António Ramos Rosa




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Nota Editorial de 2017:

O poeta português Ramos Rosa nasceu em 17
de outubro de 1924 e viveu até setembro de 2013.

Selecionamos a seguir quatro trechos da
obra “O Aprendiz Secreto”, de António Ramos
Rosa, Quasi Edições, Vila Nova de Famalicão,
Portugal, 2001, 80 pp. A página de cada fragmento
é indicada ao final do trecho, entre parênteses.

 (CCA)

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1. A Construção Circular

A construção será redonda porque redondo é o ser. Ela será uma frutificação da substância e, na sua multiplicidade, a unidade viva do desejo.

Todas as linhas da morada refletirão os enigmas, os turbilhões, os labirintos e os dilemas do construtor mas o núcleo da construção será uma pequena falha luminosa que a fará elevar-se para o cimo e para além de todas as determinações particulares do construtor.

E, assim, ao ritmo da construção, o sentido se forma num recomeço constante, não como um eco do passado mas como o frêmito novo de cada gesto construtivo que desperta, na materialidade da construção, a nascente viva e unificadora do ser. (p. 20)

2. O Espaço Solar da Realidade

A tranquila exaltação com que o construtor coloca cada pedra é uma consequência da maravilhosa insignificância do seu ato.

Se a morada é uma finalidade, o movimento que determina a construção é em si mesmo uma tentativa incerta que não tem atrás de si um fundamento ou a energia de um princípio. A espontaneidade ingênua de cada gesto liberta e regenera o construtor e cria nele a sua base móvel e o movimento arquitetônico que unifica e reúne em si os elementos esparsos das impulsões caóticas do ser. Num impulso vertical o construtor abre o espaço solar da realidade entre os flancos terrestres e carnais da construção e a vibração silenciosa do invisível espaço. (p. 22)

3. A Lucidez dos Gestos Construtivos

O movimento vertical da construção vem de muito longe, de um fundo sem fundo que a visão não capta mas que é a condição primeira da visibilidade. A noite desse fundo é a força que unifica e propaga preenchendo o vazio da pupila e abrindo-a ao mundo. Essa força é a força da imaginação e a possibilidade de ser o que ainda não se é. O construtor sente a angustiante iminência do por fazer e o vazio de uma suspensão em que o nada é a ruína absoluta de toda a esperança. Mas do fundo desse abismo negativo um movimento ascensional erige o incomparável à torre da sua construção. É então que ele encontra a forma do ser como se o longínquo se tornasse acessível na distância. E assim o ser a si mesmo se junta e todos os gestos construtivos serão como que os frêmitos do ser unido ao alento lúcido e claro do construtor. (p. 24)

4. A Abertura do Espaço Cósmico

A continuidade do tempo é a sucessão de presenças e ausências, de elevações e quedas, de desaparecimentos no seio do aparecer, de enxames de sombras nos círculos luminosos. O conhecimento desta dualidade leva o construtor a ter em conta o vazio e a sombra como condições da densidade e leveza da sua construção. Assim, na materialidade maciça do ser é preciso abrir concavidades e vazios para que o fluir do tempo se atualize na matéria com a musicalidade do ser. A graça e o encanto das formas resulta desse jogo de luzes e sombras, de plenos e vazios, de formas côncavas e convexas, de planos e curvas, de tonalidades suaves e de cores intensas. A morada será como uma concha adormecida com largas e baixas janelas abertas para o mar e os campos monótonos de sobreiros e olivais, e de um terraço liso e vermelho avistar-se-á também o mar e o horizonte e, à noite, o silencioso e cintilante instrumento musical [1] das estrelas como um vasto leque imóvel e rutilante, soberanamente aberto. Esta abertura do espaço cósmico fomentará a unidade que o construtor procura através da dualidade do tempo. A casa terá por isso a flexibilidade vegetal de uma planta e a transparência de um animal aéreo suspenso num voo largo e repousado, interminavelmente aberto à tranquilidade de um puro espaço.  (p. 43)

NOTA:

[1] No original: harmônio. (CCA)

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Em setembro de 2016, depois de uma análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas. Duas das prioridades da LIT são tirar lições práticas do passado e construir um futuro saudável.

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