23 de maio de 2018

Construindo um Continente de Pensamento

Humanidade Atual Caminha Para
Uma Etapa Sagrada do Seu Futuro

Carlos Cardoso Aveline




Em determinada passagem das Cartas dos Mahatmas, um Mestre afirma que o trabalho dos Adeptos ao longo de milhares de anos equivale a construir um “Continente de Pensamento”.

Pouco antes do final da Carta 18, o instrutor escreve:

“Por incontáveis gerações os adeptos [os Sábios Imortais] vêm construindo um templo de rochas imperecíveis, uma Torre gigantesca de PENSAMENTO INFINITO, onde o Titã morava, e onde, se for necessário, voltará a morar solitário, saindo dela somente no final de cada ciclo, para convidar os eleitos da humanidade a cooperarem com ele e o auxiliarem por sua vez a iluminar o homem supersticioso. E continuaremos nesse nosso trabalho periódico; e não deixaremos de lado as nossas intenções filantrópicas até aquele dia em que os alicerces de um novo continente de pensamento estejam tão firmemente consolidados que nenhuma opressão ou maldade ignorante, guiada pelos Irmãos das Sombras, possa prevalecer.” [1]

Até aqui a carta do mestre. O trecho tem importância extraordinária. Ao refletir sobre ele, o estudante percebe o seguinte.

Os grupos de pessoas que exercitam um pensamento universal constituem de certo modo “territórios” abstratos cuja substância está ao nível do eu superior ou alma imortal, e não morre. O verdadeiro movimento teosófico é parte deste continente, até certo ponto, assim como outros agrupamentos humanos que buscam o bem e pensam de modo filosófico.

Publicações, websites e associações teosóficas que estão em sintonia com o tempo eterno e voltados para o futuro saudável possuem - nos níveis internos de consciência - a força magnética de um pequeno território de pensamento que é parte de um continente maior e sagrado. Embora as ideias e a filosofia que o compõem sejam de domínio público, o território maior é quase invisível.

Essa ideia fundamental se relaciona com os ensinamentos de “A Doutrina Secreta” sobre a evolução do nosso planeta. [2]

Cada nova etapa da evolução humana de longo prazo surge com um continente geográfico novo, e o movimento teosófico moderno, fundado em torno de 1875, é precursor da sexta grande etapa da evolução humana, no planeta que chamamos de Terra.  

Cabe perguntar, neste ponto, qual será o “novo continente” da sexta etapa da nossa humanidade:

* Será um continente físico, ou será sobretudo um continente de pensamento?

* Em que estágio de construção está ele agora?

* Em outras palavras, o lugar desta futura humanidade será feito de matéria densa? Será apenas espiritual?

* Ou em algum momento a humanidade manterá corpos físicos enquanto já vive essencialmente no território transcendente da fraternidade cósmica?  

A teosofia clássica afirma que a resposta para esta última pergunta é afirmativa.

Estamos vivendo o lento despertar de uma nova mentalidade e de um novo tipo de ser humano, capazes de perceber a unidade de todos os seres.

A crise ética da atual civilização materialista é parte do re-nascimento do processo civilizatório com base no “continente” do pensamento universal. Cada indivíduo saudável é o centro ativo da renascença. Sentindo em sua vida os efeitos da decadência, ele opta pelo que é bom e verdadeiro.

A Luz da Aura: Uma Construção Permanente

Vendo a necessidade de plantar bom carma, ao invés de lamentar as dificuldades, o peregrino avalia a ideia de construir no local em que vive um ambiente propício à expansão do contato com o seu próprio espírito imortal.

A criação de uma casa que esteja em sintonia com o futuro saudável depende de estabelecer um ambiente luminoso em sua aura. Embora as duas coisas sejam inseparáveis, o que acontece em primeiro lugar é a construção do templo no estado de alma do aprendiz. O local em que ele vive tem uma função de apoio, secundária, mas fundamental.

Para construir um templo no território elevado da consciência interna, cabe eliminar o excesso de ansiedade e expectativa. O peregrino bem informado desenvolve uma prática diária de autoesvaziamento, abrindo um espaço na alma que possibilita a sua elevação até o mundo superior.

Toda construção feita com matéria sutil exige a preservação do espaço em que o ato de construir ocorre.

Em uma civilização materialista, um templo sutil que participe de um continente de pensamento universal é sobretudo uma tendência, uma probabilidade, uma estrutura plástica, flexível, que permeia a realidade densa. Um tal espaço de força espiritual anima internamente a realidade externa e inferior. Sua intensidade é variável. Brilha com força maior ou menor, conforme as circunstâncias da dinâmica do carma. Sua energia nunca é algo assegurado. Deve ser reforçada constantemente sob pena de perder-se.

A disciplina da construção permanente ocorre de muitos modos simultâneos, dos quais vale a pena destacar aqui três exemplos:

Um

Através da adoção do contato com a alma espiritual como meta básica da existência, sabendo que esta decisão passa a influenciar o conjunto da vida desde o âmago do nosso ser.

Dois

Através de uma vida diária dedicada exclusivamente a metas compatíveis com a busca espiritual, sabendo-se que a vida familiar, o trabalho profissional e o descanso físico adequado são necessários à caminhada mística e fazem parte dela.

Três

Através de momentos diários de recolhimento e autoelevação na direção do mundo divino, mesmo enquanto são cumpridas tarefas aparentemente “comuns” e humildes.

Neste sentido, uma ideia útil é a que expressa uma parte da lição realista de Saturno:

“Eu faço tudo o que é correto, dentro dos meus limites. E, dentro dos meus limites, tudo o que eu faço é correto.”

O peregrino sensato tem metas elevadas de longo prazo, e realismo para calcular as suas forças e usá-las de modo adequado. Ele preserva a energia luminosa no santuário sagrado da sua própria aura, assim como no seu local de trabalho profissional e no lugar em que mora.

O estudante de teosofia clássica se mantém em sintonia com a “Torre gigantesca de Pensamento Infinito”, que incontáveis gerações de sábios vêm construindo. Ele é um pequeno elo numa corrente de luzes que indica o Caminho. É um auxiliar de pedreiro na base da escada de Jacó. É um aprendiz de operário do “templo de rochas imperecíveis”.

NOTAS:

[1] “Cartas dos Mahatmas”, Ed. Teosófica, Brasília, volume I, Carta 18, p. 129.

[2] Veja a parte já publicada da edição original de “A Doutrina Secreta”.

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O texto acima foi publicado dia 23 de maio de 2018.

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21 de maio de 2018

A LIT Como Pedra e Como Sonho

O Esforço Teosófico Constitui um
Processo de Construção Permanente

Carlos Cardoso Aveline




“Trate […] de aprender uma lição através de
quem quer que seja que ela possa estar sendo dada.
‘Até mesmo as pedras podem pregar sermões’.”

(“Cartas dos Mestres de Sabedoria”,
Editora Teosófica, Brasília, página 147.)



Compilando textos antigos, pesquisando e ensinando uma sabedoria milenar, a Loja Independente de Teosofistas, LIT, constitui uma semente do futuro cuja germinação é guiada pelo ensinamento dos Mestres dos Himalaias.

A Loja é um paradoxo em movimento. De um lado, está voltada para a melhoria do mundo. De outro, sua força depende da interiorização e da disciplina interior com que cada associado convive consigo mesmo na vida diária.

O estudo da teosofia original permite construir a Loja como um pequeno templo compartilhado. Nele o peregrino interage com um ensinamento celestial, isto é, com a consciência cósmica, cujas chaves de acesso estão no acervo dos websites associados.

Fazer parte do território sutil e concreto da LIT implica ouvir sua própria alma e atuar em harmonia com o progresso de todos os seres, nos níveis essenciais da consciência.

A função de uma loja teosófica não é apenas prestar atenção ao drama humano que se desdobra hoje em escala planetária. É também aumentar o contato com o silêncio sagrado. A eliminação do barulho é um ato de vontade própria que sustenta o processo de inspiração superior e fortalece a prática de ações corretas.

É necessária uma vontade imperiosa para vencer as tendências materializantes que transfiguram negativamente o mundo. Não cabe ter revolta ou horror diante do processo infantil de dessacralização atual das coisas divinas. É tarefa do indivíduo bem informado construir uma defesa para a bondade impessoal, e preservar o discernimento e a sabedoria no interior da sua própria alma.

Trabalhando na direção da luz, a Loja Independente partilha um Esquema Conceitual, Referencial e Operativo, ou ECRO. O progresso interior exige autorresponsabilidade. Todo cidadão pode observar e aperfeiçoar com regularidade o seu próprio sistema de orientação. Seu esquema conceitual, referencial e operativo deve ouvir sua alma e estar adaptado à sua própria vida, seu carma específico e suas circunstâncias.

O ECRO individual tem vários níveis de consciência. É físico, emocional, mental, filosófico e opera no mundo do espírito. As referências orientadoras de um aspecto da vida podem entrar em choque com as referências de outro aspecto. Só uma visão ampla do mundo permite harmonizar o todo na sua pluralidade.

O movimento teosófico é um ECRO dinâmico compartilhado. Constitui um processo de construção permanente. Provoca uma “febre cármica de autopurificação”, na existência das pessoas mais atentas. 

A Loja é Pedra e é Grão de Areia

Fundada há pouco tempo, em 14 de setembro de 2016, a Loja Independente de Teosofistas tem como perspectiva o longo prazo. Seu aniversário ocorre sete dias depois da data nacional do Brasil, a mesma data em que foi fundado o movimento teosófico internacional, em 1875.[1]

É bem conhecida em filosofia esotérica a força das letras e dos sons.

A sigla LIT está contida em palavras como literal, literatura, literalidade, literário, e também “litania”, que significa oração ou súplica.

A palavra “lítico” significa “puro, verdadeiro, legítimo, sem mistura”. O estudante de filosofia deve ser lítico. A meta é alcançar uma visão autêntica da sabedoria teosófica.

Litoglifia é a arte de gravar sobre pedra. No mito bíblico, os dez mandamentos de Moisés são litoglíficos. Foram escritos em pedra, simbolizando a luz astral e o seu caráter indelével e indeletável. O associado da LIT busca ser um litóglifo, um especialista em escrever sobre pedra e agir no plano durável da vida. Pedra representa aquilo que está situado nos planos superiores da natureza.

No trecho bíblico que fala da escada de Jacó - o capítulo 28 do Gênese - é sobre uma pedra que Jacó descansa a cabeça, como se fosse um travesseiro, antes de dormir e ter um sonho em que vê a escada entre céu e Terra.

Para a tradição maçônica - que gira em torno da imagem da construção - o pedreiro livre é como uma pedra bruta, e deve trabalhar a si mesmo enquanto faz parte da construção coletiva do templo.

Na tradição andina, os seres humanos eram de pedra antes de entrarem em ação como tais, isto é, eram modelos arquetípicos, imóveis, de eras anteriores, aos quais foi dada vida outra vez na abertura do ciclo humano atual.

Em torno da ideia da pedra há um diálogo permanente entre os níveis superiores e inferiores de consciência. O artigo “Um Parentesco Entre a Índia e os Andes” examina o fato de que H.P. Blavatsky visitou pessoalmente a fronteira andina entre a Bolívia e o Brasil:

“Ela juntou um punhado de areia de um rio para levar consigo. HPB conta que viajou com a pequena amostra de minérios para a Europa, onde confirmou que havia na terra pepitas de ouro levadas pela correnteza do rio desde o Brasil para a Bolívia.”

Por algum motivo a Loja Independente estuda a sabedoria andina.

As pedras são objetos magnéticos, e o mesmo artigo afirma:

“Há uma passagem das Cartas dos Mahatmas em que um mestre pede a um discípulo leigo que lhe mande três pedras tiradas das margens do mar Adriático. O Adriático é um braço do Mar Mediterrâneo. O mestre escreveu a Alfred Sinnett: ‘Você poderia encontrar um modo de recolher para mim três seixos? Eles devem vir das praias do Adriático - preferivelmente de Veneza; tão próximo do Palácio Dogal quanto eles puderem ser encontrados (….). Os seixos devem ter três cores diferentes; um vermelho, outro preto, o terceiro branco (ou acinzentado). Se conseguir pegá-los, por favor, mantenha-os separados de qualquer influência e contato exceto os seus…’.” [2]

O escritor argentino Jorge Luis Borges usou a metáfora da pedra como símbolo da permanência e da areia como imagem daquilo que se perde:

“Nada se edifica sobre pedra, tudo sobre areia, mas o nosso dever é edificar como se fora pedra a areia…”. [3]

A LIT é pedra e é areia, cujo grão é uma miniatura da pedra. É também um sonho. Os sonhos fazem parte da realidade.

A pequena Loja, instrumento de uma construção maior, é permanente por um lado e de outro lado está sujeita às marés do tempo cronológico. É um grão de areia à beira do Oceano.

Não há um dilema doloroso entre ser pedra, ser areia, e ser pó. Os teosofistas são pedra e são areia, e são água. O planeta em que vivemos é ele mesmo uma pequena pedra molhada girando e vivendo suas marés à beira de um largo mar de estrelas.

* A ciência atual chama de litosfera a parte externa consolidada do nosso planeta.

* O litoral é o ponto de encontro entre o mar e o continente. No plano simbólico, o litoral liga o flexível e o firme, o imenso e o terrestre, o tempo eterno e o curto prazo. A LIT pertence àquela Faixa Litorânea em que a humanidade se encontra com o oceano da sabedoria eterna. 

* Litoide, diz o dicionário Aurélio, é aquilo que tem aspecto de pedra. A litolatria é o culto ou adoração das pedras.

* Sabemos em teosofia que há pedras com diferentes propriedades psíquicas e espirituais. H.P. Blavatsky escreveu sobre isso, e temos em nossos websites um texto dela sobre o tema: “O Poder Mágico da Safira”. [4]

* A litomancia é a adivinhação por meio de pedras. As runas, das tradições espirituais pagãs do norte da Europa, são tradicionalmente inscrições em pedras que permitem dialogar com o futuro.

* A Loja estuda as chaves da construção do futuro humano saudável.

* O verbo “litar” vem da palavra latina “litare”. Significa oferecer sacrifício, sacrificar com bons presságios, obter bom presságio, ter bons indícios.

A Loja está atenta à liturgia oculta, não-dogmática e autorresponsável que cada um cria com a prática regular pela qual se aproxima da sua alma eterna. Ao fortalecer a ligação com o seu próprio eu superior, o estudante de teosofia passa a cooperar quase imperceptivelmente com os sábios que guiam a caminhada humana no rumo da ética.

NOTAS:

[1] Veja o artigo “Sete de Setembro em Nova Iorque”.

[2] O texto Um Parentesco Entre a Índia e os Andes” está disponível em nossos websites associados.

[3] Citado em “Conversas na Biblioteca”, Carlos Cardoso Aveline, Edifurb, SC, 2007, 170 pp., ver p. 169.


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O texto acima foi publicado como artigo independente dia 21 de maio de 2018. Sua versão inicial está incluída - sem indicação do nome do autor - na edição de maio de 2018 de “O Teosofista” (pp. 01-04).

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17 de maio de 2018

O Teosofista - Maio de 2018





Compilando textos antigos, pesquisando e ensinando uma sabedoria milenar, a Loja Independente de Teosofistas, LIT, constitui uma semente do futuro cuja germinação é guiada pelo ensinamento dos Mestres dos Himalaias.”

Assim começa o texto que abre nossa edição de maio, cujo título é “Hora de Começar Uma Caminhada: a LIT Como Pedra e Como Sonho”.

À página cinco, temos o artigo “Criar Uma Loja Teosófica Nova: o Pensamento Abre Caminho para os Fatos”. Da página sete à página nove, traduzimos Os Três Capítulos Iniciais do Antigo “Tao Teh Ching”, na versão que Lin Yutang fez da obra chinesa.

Outros temas abordados nesta edição incluem:

* O Céu e a Terra no Hua Hu Ching da China clássica;

* Honestidade Pode Queimar;

* Causas e Efeitos da Ignorância;

* Ensinamentos de um Mahatma - 12, uma Compilação das Cartas do Mestre de Helena Blavatsky;

* O Processo da Ação Correta;  e

* Filosofia Esotérica no WhatsApp.

A edição possui 16 páginas e inclui a lista dos 22 itens publicados recentemente em nossos websites.



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A coleção completa de “O Teosofista” está disponível em nossos websites associados.

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15 de maio de 2018

Como Construir uma Loja Teosófica

Um Mahatma Escreve Sobre a
Melhor Maneira de Ajudar a Humanidade

Um Mestre Oriental

 Fazer parte de uma loja teosófica que estude o
ensinamento original  é uma oportunidade valiosa



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Nota Editorial de 2018

Reproduzimos a seguir o melhor da Carta 4 da
primeira série de “Cartas dos Mestres de Sabedoria”
(Editora Teosófica, Brasília). Deixamos de lado os trechos
que são específicos da cidade de Londres nos anos 1880.
Preservamos as frases da Carta que têm valor universal.

Em sua essência, a carta pode ser lida como se tivesse sido
escrita diretamente para a Loja Independente de Teosofistas
e para toda associação de estudantes sinceros da filosofia
esotérica original. Como documento histórico, a carta é
dirigida a Francesca Arundale. Os trechos omitidos estão
indicados por reticências. Em algumas frases, colocamos
palavras em itálico entre colchetes para facilitar a compreensão.

(Carlos Cardoso Aveline)

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Você é uma dirigente da [sua Loja] e como tal tem um dever e uma oportunidade especiais. Não é suficiente que possa dar o exemplo de uma vida pura e virtuosa e de um espírito tolerante; isto é apenas virtude negativa e para o chelado nunca será o bastante.

Você deveria, mesmo como simples membro, e muito mais como dirigente, aprender que pode ensinar, adquirir conhecimento espiritual e força de tal forma que o fraco possa apoiar-se em você e as tristes vítimas da ignorância possam aprender de você a causa das suas dores e a solução para elas. Se quiser, pode tornar sua casa um dos centros de influência espiritual mais importantes em todo o mundo. [1]

O “poder” agora está concentrado ali, e permanecerá - se você não enfraquecê-lo nem repeli-lo: permanecerá para sua bênção e vantagem. Você fará bem em encorajar visitas de seus companheiros [do movimento teosófico] e de pesquisadores através da realização de encontros com os que tiverem mais afinidade, para estudo e instrução. Você deveria incentivar outros, em outros setores, a fazer o mesmo. Deveria refletir constantemente com seus associados no Conselho, sobre como tornar os encontros gerais da Loja interessantes. Os novos membros deveriam ser atendidos, desde o início, pelos mais antigos - especialmente selecionados e indicados para a tarefa em cada caso e completamente instruídos naquilo que vocês já estudaram anteriormente - de tal forma que possam ser capazes de participar inteligentemente no trabalho dos encontros regulares.

Há uma forte tendência a criticar a cerimônia de “iniciação” de um modo que pode impossibilitar uma impressão séria sobre o candidato. O método da Sociedade Matriz [na Índia] pode ser inadequado aos preconceitos britânicos, contudo, cair no extremo oposto da pressa sem dignidade é muito pior. Seus métodos de iniciação são um permanente insulto a qualquer chela regular e provocaram o descontentamento de seus “Mestres”. É uma coisa sagrada para nós; por que deveria ser de outra maneira para vocês? Se cada membro tomasse como seu lema as sábias palavras de um rapaz jovem, mas que é um teosofista fervoroso, e repetisse com Bertram K., “Antes de ser inglês, sou teosofista”, nenhum inimigo jamais poderia perturbar sua Sociedade. Contudo, deve-se dizer aos candidatos, e os membros antigos devem lembrar sempre, que a Sociedade está engajada em um assunto sério; e que eles deveriam iniciar seu trabalho da mesma forma, com seriedade, tornando teosóficas suas próprias vidas.

(…..) Você aceitou um serviço importante - a função financeira - e o tem desempenhado sabiamente. Tal auxílio era muito necessário. Se os membros na Europa querem o bem da Sociedade Matriz, devem auxiliar a fazer circular as suas publicações e a traduzi-las para outras línguas, quando valer a pena. Você pode dizer aos seus companheiros da Loja que intenções e palavras amáveis contam pouco para nós. Ações são o que queremos e exigimos. L.C.H. - pobre criança - fez mais nesta direção durante dois meses, do que os melhores de seus membros nestes cinco anos. [2]

Os membros da Loja (…..) têm uma oportunidade que raramente aparece. Está sob sua custódia um movimento concebido para beneficiar todo o mundo de fala inglesa. Se eles cumprirem com todo seu dever, o avanço do materialismo, o aumento de uma perigosa autoindulgência e a tendência em direção ao suicídio espiritual poderão ser detidos. A teoria da redenção intermediada produziu uma inevitável reação: apenas o conhecimento do karma pode contrabalançá-la. O pêndulo avança do extremo da fé cega para o extremo do ceticismo materialista, e nada pode pará-lo a não ser a Teosofia. Não vale a pena trabalhar em função desta meta - de salvar aquelas nações do destino adverso que sua ignorância lhes está preparando?

Vocês pensam que a verdade lhes foi mostrada apenas para seu próprio benefício? Que quebramos o silêncio de séculos para proveito de apenas um punhado de sonhadores? As linhas convergentes de seus karmas conduziram a cada um e todos para esta Sociedade como para um foco comum, de modo que cada um pudesse auxiliar a produzir os resultados interrompidos na encarnação anterior. Nenhum de vocês pode ser tão cego a ponto de supor que este é o seu primeiro contato com a Teosofia. Devem compreender, certamente, que isto seria o mesmo que dizer que efeitos são gerados sem causas. Saibam, portanto, que agora depende de cada um de vocês se daqui para a frente deverão lutar sós em busca da sabedoria espiritual, através desta e da próxima encarnação, ou em companhia de seus atuais associados, e grandemente auxiliados pela simpatia e aspiração mútuas. Bênçãos a todos - que as merecerem.

(Koothoomi)

NOTAS:

[1] Nota de C. Jinarajadasa: “77 Elgin Crescent, Notting Hill, Londres, W., onde H.P.B. era hóspede da Sra. Arundale e da Srta. Arundale.”

[2] L.C. H.” - Laura C. Holloway. (CCA)

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A carta acima foi publicada dia 15 de maio de 2018. O documento faz parte da edição de outubro de 2016 de “O Teosofista” (pp. 3-4). A nota editorial inicial foi atualizada. Na sua primeira versão, não tinha indicação do nome do seu autor. 

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Em 14 de setembro de 2016, depois de uma análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu criar a Loja Independente de Teosofistas. Duas das prioridades da LIT são tirar lições práticas do passado e construir um futuro saudável

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


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