19 de janeiro de 2015

Ideias ao Longo do Caminho - 03

Construindo Uma Sintonia
Diária Com o Que é Sagrado

Carlos Cardoso Aveline




* No silêncio da alma, a verdade brilha indelével.

* A paz e a sabedoria fluem sem ruído, em harmonia com a lei do universo.  

* A chave para a concentração da mente está na renúncia ao que não tem importância primordial.

* Em pensamento e na fala, o uso das palavras deve ser incondicionalmente respeitoso no plano pessoal.

* Uma ausência de barulho rodeia o que é belo: o cumprimento do dever é um caminho seguro para a bem-aventurança.

* Nenhuma ação religiosa ou política deve ser colocada acima do amor pela verdade e da justiça imparcial.  

* O equilíbrio imóvel é fácil de quebrar. Um equilíbrio durável é dinâmico. É criativo. Avança como a vida cósmica, em constante renovação.

* Planejar nossas ações requer o uso da vontade, mas aumenta a eficiência.

* O planejamento é tão importante quanto a capacidade de olhar a vida como se não houvesse planejamento. Um espírito criativo renova os planos de ação, preservando-os no que têm de mais importante. Devemos planejar de modo que se mantenha a liberdade de olhar para a vida desde novos pontos de vista, sem deixar de lado a continuidade e a perseverança nas ações corretas.

* Ciclos longos têm aspectos essenciais em comum com ciclos mais curtos. O renascimento pode ser consciente e inteligente no curto prazo. A cada dia é possível morrer para aquilo que não vale a pena e nascer de novo para o que é valioso. Renunciando à ausência de atenção, a bem-aventurança é alcançada.

* A vida frequentemente nos ensina a ser disciplinados. E quando a vida necessita disciplinar-nos é porque não tivemos suficiente autodisciplina. O autocontrole nos fortalece. A moderação é fonte de paz, e faz com que as circunstâncias ao nosso redor pareçam suaves.

* O pioneiro age desde uma visão correta do futuro saudável que aguarda pela humanidade.  Cabe desenvolver uma ação abrangente e que se desdobra em várias dimensões, criando a cada passo fatos irreversíveis.   

* A ansiedade, uma doença dos tempos atuais, condena suas vítimas a viver superficialmente. É falsa a sensação de “intensidade” que o indivíduo ansioso experimenta. A espuma superficial nada tem da profundidade do oceano.

* A paz interior produz uma intensidade vital profunda,  que vai além do verniz das emoções de curto prazo. A teosofia pode ser definida como a ciência da lei universal.

* O aprendiz que busca o caminho da sabedoria deve perseverar no plantio de bom carma a cada momento, usando de coragem quando necessário mas evitando o excesso de audácia.

* Devemos ser igualmente capazes de esperar, permanecer em silêncio, tomar decisões fortes e agir sem hesitação. É nosso dever ouvir sobretudo a voz suave da nossa consciência.

* A voz da nossa alma não precisa usar palavras. Para ouvi-la, basta que haja uma ausência de ruídos mentais e emocionais.

* Alguns evitam instintivamente escutar a sua própria alma. A causa disso é um medo subconsciente de sentir a incômoda dor do remorso, ao perceber seus erros. O remorso, porém, é um sinal de alerta necessário do ponto de vista prático. Ele permite que o erro seja identificado e corrigido.

* O movimento teosófico necessita de coerência e integridade. A sabedoria esotérica autêntica ensina que o conhecimento filosófico deve ser testado com dureza na vida diária, para que não se transforme em mera pretensão ou fingimento “bem-intencionado”.

* O autocontrole e a autodisciplina produzem felicidade incondicional. Uma vida baseada no princípio da simplicidade voluntária torna possível desenvolver um foco vitorioso em nossas ações.

* Pensamentos sem rumo devem ser evitados por causa do seu magnetismo negativo. Cada ideia que passa por nossa mente precisa ter um propósito claro, porque somos  responsáveis diante do carma por ela e pelos seus resultados.

* Uma visão impessoal de nós mesmos é a melhor bússola que podemos usar. Ela nos capacita para trilhar o caminho do coração.

* Quando focamos a consciência em nossa alma espiritual, entramos em contato com a vida do universo.

* A ação concreta e a contemplação abstrata são igualmente necessárias. Elas reforçam uma à outra. O ato de contemplar as coisas universais expande nossa alma.

* A bem-aventurança nasce de um equilíbrio correto entre o silêncio e a palavra, a intenção e o gesto.   

* A tarefa do estudante de teosofia inclui colocar os acontecimentos de curto prazo no contexto maior do tempo eterno.

* Para enfrentar os desafios da vida diária, o ser humano tem dentro de si uma quantidade ilimitada de recursos. Entre eles estão o desapego, a coragem e a criatividade.   

* Todo espelho produz imagens simétricas. Uma relação de amor funciona como espelho, e ele pode estar sujo ou limpo. Pode ser exato, ou distorcer. Para ativar de modo sustentável o que há de melhor no ser amado, é preciso manter-se em contato com o que há de melhor em si mesmo.

* Somos todos aprendizes. Questionar e reexaminar as nossas premissas é saudável porque torna mais firmes os alicerces da ação. Mas o questionamento correto é responsável.  Ele leva à pesquisa e ao estudo do que é bom. A dúvida pela dúvida é tão ruim quanto a crença cega: as duas atitudes se alimentam de preguiça mental. 

* No âmago da alma, assim como nas circunstâncias externas, a vida combina estabilidade e mudança. E precisamos dos dois fatores. Há um momento para decidir pela continuidade, e um momento para mudar decididamente. A transformação não deve ser um salto no escuro. Precisa ocorrer com audácia e prudência, tendo à frente a meta solidária que se deseja obter através do trabalho duro e com base no mérito próprio. 

* Cada desafio que enfrentamos constitui um convite para avançar e fazer ainda mais esforços na busca dos nossos ideais. 

* A mente concentrada não “exclui” necessariamente aquilo que está fora do objeto escolhido para observação. Ela percebe a vida inteira. Ela transcende cada um dos aspectos manifestados da existência, e mantém seu foco central acima de todos eles.

* Abençoados são aqueles que examinam o que está abaixo da superfície das coisas, porque, na maior parte dos casos, as bênçãos estão ocultas sob aparências pouco agradáveis. Por outro lado, mais de uma influência nociva se apresenta como doce, agradável - e até divina.

* Nossos hábitos são nossos melhores amigos, ou nossos carcereiros impiedosos. Tudo depende das metas que temos na vida. Quando o propósito central é digno,  podemos examinar os hábitos um a um e ver quais entre eles ajudam a alcançar a meta básica da encarnação atual, e quais atrapalham.

* Os ciclos de ações negativas devem ser destruídos para que haja progresso: no lugar deles, bons hábitos precisam ser criados e fortalecidos. É um privilégio criar ritmos de vida crescentemente coerentes com o ideal de progresso e perfeição humanos.

* Ao longo da caminhada probatória, a bênção está nos níveis incondicionais de paz interior. 

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As reflexões acima foram publicadas inicialmente de modo anônimo nas edições de outubro e novembro de 2014 de “O Teosofista”.  

Embora o título “Ideias ao Longo do Caminho” corresponda ao título em língua inglesa “Thoughts Along the Road”, do mesmo autor, não há uma identidade exata entre os conteúdos das duas coletâneas de pensamentos.

Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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