19 de junho de 2020

A Lição do Sol em Gêmeos

A Equação da Dualidade Entre Céu e Terra
  
Carlos Cardoso Aveline


Mercúrio rege o signo flexível e
adaptável de Gêmeos, cujo elemento é o ar




O signo de Gêmeos começa em torno de 21 de maio e reforça no ser humano a versatilidade, a amabilidade, e uma certa astúcia.

Mil caminhos se abrem nesta região do zodíaco. As ideias fervilham. A alma parece querer avançar em todas as direções ao mesmo tempo. Gêmeos é o signo da mente ágil e do discurso incessante.  

Para os povos que vivem no hemisfério norte, é na atmosfera maleável de Gêmeos que a primavera dá lugar ao verão. O estado de espírito conservador das semanas anteriores, que formam o território de Touro, é substituído agora por uma flexibilização geral, pela vontade de aprender, pela curiosidade e pelo prazer de adaptar-se às circunstâncias para melhor alcançar as metas.

Surge uma aliança entre a alma e o momento imediato. A meta é garantir que a vida se desdobre em relativa paz desde o ponto de vista do curto prazo.    

Em todos os signos do zodíaco, a eficiência da ação humana depende da quantidade e da qualidade da experiência reunida pela alma ao longo das encarnações. A cada volta da energia da vida pelo ciclo zodiacal, alguns aspectos são aprimorados.

Áries inaugura o novo ciclo anual de ação e esforço. Touro, o segundo signo, dá persistência ao que se faz. Gêmeos expande a rapidez e a mutabilidade da forma. Ao mesmo tempo ensina a capacidade de ver cada coisa sem esquecer das demais.

Regido pelo planeta Mercúrio, Gêmeos liberta a vida, faz com que ela relaxe e se expanda em muitas direções ao mesmo tempo. [1] Em mitologia, Mercúrio é o mensageiro dos deuses. Ele transmite as notícias, e Gêmeos é o signo da interação, do diálogo, da comunicação.

São geminianos, entre outros grandes pensadores, Ralph Waldo Emerson (1803-1882), Alexandre Pushkin (1799-1837) e O. S. Marden (1848-1924).

Não faltam escritos astrológicos qualificando Gêmeos como um signo superficial, limitado a pontos de vista egocêntricos. Cada astrólogo sintoniza com aquilo que consegue enxergar. A verdade é que as diferentes regiões do zodíaco são escadas para o céu e todas elas oferecem oportunidades de aprendizado espiritual.   

Visto filosoficamente, Gêmeos é uma sala de aula em que se transmite o conhecimento divino. Neste signo há uma renúncia sagrada, uma transcendência espiritual. O espírito vivo e coletivo do planeta Mercúrio é um protetor da nossa humanidade. Este corpo celeste, o mais próximo do Sol, está esotericamente associado a Buddha e à sabedoria eterna. [2]  

No ciclo cósmico atual, o começo do signo de Gêmeos está sob a influência da bênção das Plêiades. O fato é mais fácil de perceber para quem trilha conscientemente o caminho da sabedoria.  

O momento de síntese e transição entre a consistência de Touro e a flexibilidade geminiana traz uma experiência natural de bem-aventurança. A passagem por esta porta do tempo coincide com a dimensão sagrada do ponto alto da primavera - no hemisfério norte -; e também com a renúncia feita pela alma durante o auge do outono, no hemisfério sul.

Castor e Pólux

Gêmeos é um signo dual, e as lendas em torno dele se referem aos dois irmãos idênticos do mundo dos deuses e dos semideuses.  

Em “A Doutrina Secreta”, Helena Blavatsky aborda o lado oculto da lição geminiana. De acordo com o livro XI da Odisseia, Leda dá à luz dois filhos gêmeos “de coração valente”. Seus nomes são Castor e Pólux.

Blavatsky escreve:

“Júpiter transmite a eles um dom e um privilégio maravilhosos. Eles são semi-imortais: vivem e morrem, cada um alternadamente, a cada dia. (…) Os irmãos gêmeos são um símbolo astronômico, e significam o Dia e a Noite. As suas duas esposas, Febe e Hilaeira, personificam a aurora e o entardecer.”

Em outra narrativa mitológica - explica Blavatsky -, Castor e Pólux representam o homem dual em seus aspectos inferior (mortal), e superior, ou imortal. Cada um deles precisa “morrer” alternadamente para que o outro viva.

De fato, a vida humana é uma combinação intermitente da inteligência divina com a inteligência terrestre. Em um momento, o foco da consciência está na inteligência celeste; no momento seguinte, o foco se concentra na inteligência terrestre.

A mutação da forma é um mistério de Gêmeos. Esta dualidade, afirma Blavatsky, representa também a transição evolutiva desde a etapa do homem-animal para a etapa superior do homem divino, que, embora seja divino, possui também um corpo físico animal.

Castor é um guerreiro mortal e por isso representa o eu inferior. Pólux é imortal, simbolizando o eu superior. Em determinada ocasião, Castor é ferido gravemente em combate. Ao ver seu irmão agonizando, Pólux pede a Zeus que o faça morrer também, para que possa permanecer junto ao irmão.

Zeus responde que Pólux não pode morrer, por ser imortal. Mas oferece a ele uma solução intermediária: ele e seu irmão podem viver alternadamente, um durante o dia, e o outro durante a noite. [3]

Esta é a alegoria da reencarnação. Durante cada existência física, reina Castor, o irmão mortal. Durante a existência espiritual, no Devachan, entre uma encarnação física e outra, reina Pólux, o gêmeo imortal. A vida de cada um deles determina e complementa a vida do outro.

A lenda dos dois irmãos transmite uma lição de devoção fraterna e de cooperação entre céu e terra. Em Gêmeos, como em todos os signos do zodíaco, fica claro que para compreender as lições do céu é necessário perceber a diversidade e a unidade dos vários níveis da consciência humana. [4]

A alma espiritual e a alma terrestre estão unidas por Antahkarana, a ponte e a síntese entre céu e terra. Elas aprendem uma com a outra. São parceiras de evolução. São duas, porém são feitas cada uma à imagem da outra.

A Coerência e os Espíritos do Ar

Ao enfocar a relação dos signos com os elementos, Stephen Arroyo cita Paracelso. Os espíritos da natureza que correspondem ao elemento Ar são os silfos, e eles podem ser controlados através da prática da constância.

Arroyo esclarece:

“… Uma atitude definida e consistente diante da vida é algo que os signos de ar farão bem em desenvolver. Assumir um compromisso com uma decisão firme é algo difícil para os signos de ar [Gêmeos, Libra e Aquário] mas constitui um passo importante na sua evolução.” [5]

Quando encarada desde o ponto de vista da sabedoria eterna, a energia de Gêmeos expressa o contraste criativo e lúdico entre a atmosfera terrestre e a atmosfera celeste, entre o voo pequeno da alma animal e o voo elevado da alma imortal. Para que o peregrino compreenda o mistério da vida, ele deve conhecer os dois lados da equação. E deve ter uma profunda autodisciplina.  

Quando protegida por uma ética sólida, a energia geminiana acelera a aprendizagem da alma.

A flexibilidade de Gêmeos deve estar associada a uma firmeza de princípios morais e a uma estabilidade de ação na busca de metas elevadas. Sempre que isso acontece, o fato de ser maleável constitui uma ferramenta útil para a aprendizagem, e permite avançar em direção à vitória da sabedoria.

NOTAS:

[1] Veja os artigos “A Lição do Sol em Peixes”, “A Lição do Sol em Áries” e

[2] Veja “Ísis Sem Véu”, Helena Blavatsky, Ed. Pensamento, São Paulo, volume III, p. 123. Em inglês, Isis Unveiled”, volume II, p. 132.

[3]The Secret Doctrine”, volume II, páginas 121-123. Ver também o volume I, p. 366.  No trecho que menciona as esposas dos gêmeos, Boris de Zirkoff estabelece em sua edição da obra o nome correto da personificação do entardecer: Hilaeira.

[4] Um estudo sobre os diversos níveis de percepção da alma é realizado em “Os Sete Princípios da Consciência”. A ligação entre alma mortal e alma imortal é discutida no artigo “A Ponte Entre Céu e Terra”.

[5] Do livro “Astrology, Psychology and the Four Elements”, subtítulo “An Energy Approach to Astrology & Its Use in the Counseling Arts”, obra de Stephen Arroyo, M.A., CRCS Publications, California, EUA, 191 pp., 1975, ver p. 107.

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O artigo “A Lição do Sol em Gêmeos” foi publicado nos websites associados dia 19 de junho de 2020.


Leia mais:



Os Deuses no Céu”.

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 


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